Leio na Folha Online a forma como a Rede Globo tratou o candidato do PSOL.(EB)
Crítica de Plínio de Arruda à TV Globo interrompe gravação para o 'Jornal Nacional'
FERNANDO GALLO
DE SÃO PAULO
Um protesto do candidato do PSOL à Presidência, Plínio de Arruda Sampaio, fez com que a gravação de sua entrevista ao "Jornal Nacional", da TV Globo, fosse interrompida.
Em sua primeira resposta, a uma pergunta sobre o fato de o PSOL defender a suspensão do pagamento dos juros da divida e as ocupações de terra, Plínio disse que iria tratar do assunto, mas antes faria uma crítica ao tempo de três minutos que a Globo lhe ofereceu, contra os 12 minutos ofertados a Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PV) e José Serra (PSDB).
O candidato disse que "sempre viajou de classe econômica e nunca viu problema nisso", mas que achava ruim que a emissora "criasse uma classe executiva para os candidatos chapa branca".
Segundo o relato de uma pessoa que acompanhava a gravação, os profissionais da TV Globo interromperam a entrevista e propuseram a Plínio que ele gravasse novamente, desta vez sem a crítica, e em contrapartida o apresentador do "JN", William Bonner, diria que o candidato protestou contra o tempo oferecido a ele.
Após uma negociação, o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) sugeriu a Plínio que ele gravasse uma crítica mais branda, o que foi feito.
A entrevista foi cronometrada e deve ir ao ar na íntegra.
Além do questionamento sobre o pagamento da dívida e as ocupações de terra, o candidato socialista foi questionado sobre a defesa de um novo regime para o país. Plínio respondeu que, embora seja socialista, não pretende criar um caos no país.
Ele disse também que é frequentemente questionado sobre a suspensão do pagamento da dívida, mas que ninguém questiona o calote social na população mais pobre nas áreas de saúde e educação.
A entrevista foi gravada pela manhã no Rio de Janeiro e deve ir ao ar à noite.
A reportagem da Folha procurou a TV Globo para comentar o ocorrido, mas ainda não obteve resposta.
"Não é justo alguém ter o direito de ter uma empresa de aviação e outro não ter o direito de comer um pão." /////// JAMAIS IDE A UM LUGAR GRANDE DEMAIS. A UM LUGAR AONDE NÃO TENHAIS CORAGEM DA IMENSIDÃO - EMANOEL BARRETO - NATAL/RN
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
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VANUSA ATACA NOVAMENTE - Legendado
O vídeo que o Youtube veicula sob o título "Vanusa ataca outra vez", se tem algo de comicidade, espalhafato, ridículo, revela-nos também algo que os humanos temos de pior: o escárnio de um ser humano exposto às suas próprias limitações, à sua decadência.
Uma das cantoras mais famosas, até mesmo belas de um período dos anos 1960, vê-se agora atirada ao mais profundo desamparo. E o que é pior: em público. Há algum tempo ela errou o Hino Nacional em cerimônia cívica. Quase foi apedrejada.
Não porque fosse vista como alguém que desrespeitou um símbolo pátrio, mas porque, confrontada com o seu passado, apresentou-se como alguém com problemas emocionais. Passou a ser vista como ridícula.
Bebedeira? Drogas? Para mim isso nunca ficou esclarecido. Mas, repetindo a dose, perdão pelo trocadilho, foi apanhada novamente errando a letra de uma canção. A humanidade não perdoa. E sabe muito bem apupar os seus velhos ídolos quando lhes surgem os pés de barro.
Esperando a morte em nome da "ética"
Walter Medeiros*
waltermedeiros@supercabo.com.br
O Código de Ética Médica do Brasil entrou em vigor no dia 13 de abril deste
ano e ao completar quatro meses deve ser usado em julgamento da mais alta
importância para a medicina brasileira. Neste 13 de agosto deve sair uma
decisão sobre o processo ético profissional no qual o Dr. Luiz Moura, médico
de 85 anos, com 60 de exercício de um verdadeiro sacerdócio, é acusado de
divulgar a auto-hemoterapia.
Trata-se de um procedimento que tem mais de 150
anos de uso no mundo inteiro e do qual só se tem referências boas, mas que
depois da divulgação o CFM resolveu dizer, em parecer incompleto, que não
teria comprovação científica. A auto-hemoterapia eleva a imunidade da pessoa
em quatro vezes.
O referido Código de Ética diz, em suas justificativas, que foi editado
"considerando a busca de melhor relacionamento com o paciente e a garantia
de maior autonomia à sua vontade". Até hoje não se viu nenhuma pessoa fora
da categoria dos médicos que tenha sido ouvida para saber o que considera
melhor para a sua saúde, onde se inclui a liberdade de utilizar a
auto-hemoterapia.
Da mesma forma que parece inócuo o que reza, no Capítulo
I, o item VIII dos Princípios Fundamentais do código, segundo o qual "O
médico não pode, em nenhuma circunstância ou sob nenhum pretexto, renunciar
à sua liberdade profissional, nem permitir quaisquer restrições ou
imposições que possam prejudicar a eficiência e a correção de seu trabalho".
Pode ser argumentado que o Item XXI do mesmo Capítulo está prevista uma
restrição, quando diz "XXI - No processo de tomada de decisões
profissionais, de acordo com seus ditames de consciência e as previsões
legais, o médico aceitará as escolhas de seus pacientes, relativas aos
procedimentos diagnósticos e terapêuticos por eles expressos, desde que
adequadas ao caso e cientificamente reconhecidas".
Está prevista, sim, mas o
seu teor só pode ter duas características distintas: ou é contraditório ou é
injusto. Contraditório, porque retira a liberdade que havia reconhecido ao
paciente anteriormente; injusto, se reconheceu a referida liberdade e neste
outro ponto a nega.
Quanto trata dos direitos dos médicos, o código garante "exercer a Medicina
sem ser discriminado por questões de (...) opinião política ou de qualquer
natureza" e "Indicar o procedimento adequado ao paciente, observadas as
práticas cientificamente reconhecidas e respeitada a legislação vigente".
Por um lado, não proíbe o uso de práticas não reconhecidas cientificamente.
Por outro, sabemos que não existe nenhuma lei proibindo o uso da auto-hemoterapia.
Encontramos muitos outros pontos, mas existe um que mostra com todos os
elementos a gravidade do posicionamento dos órgãos fiscalizadores. No item
XXII dos Princípios Fundamentais, está escrito que "Nas situações clínicas
irreversíveis e terminais, o médico evitará a realização de procedimentos
diagnósticos e terapêuticos desnecessários e propiciará aos pacientes sob
sua atenção todos os cuidados paliativos apropriados". Na realidade atual,
nem mesmo nestes casos o CFM, a ANVISA e, portanto, o Ministério da Saúde,
admitem o uso da auto-hemoterapia, preferindo ver o doente morrer, a
deixá-lo tentar a cura ou sobrevida usando um meio que funciona há mais de
150 anos, que era permitido até 2007 - quando foi confusamente proibido - e
vem dando certo na clandestinidade. Ou seja, quando as práticas
cientificamente comprovadas não dão resultado, o único caminho, para aquelas
instituições, é o paciente esperar a morte chegar.
Mais informações sobre o assunto no site
http://www.rnsites.com.br/auto-hemoterapia.htm
*Jornalista e Bacharel em Direito
Walter Medeiros*
waltermedeiros@supercabo.com.br
O Código de Ética Médica do Brasil entrou em vigor no dia 13 de abril deste
ano e ao completar quatro meses deve ser usado em julgamento da mais alta
importância para a medicina brasileira. Neste 13 de agosto deve sair uma
decisão sobre o processo ético profissional no qual o Dr. Luiz Moura, médico
de 85 anos, com 60 de exercício de um verdadeiro sacerdócio, é acusado de
divulgar a auto-hemoterapia.
Trata-se de um procedimento que tem mais de 150
anos de uso no mundo inteiro e do qual só se tem referências boas, mas que
depois da divulgação o CFM resolveu dizer, em parecer incompleto, que não
teria comprovação científica. A auto-hemoterapia eleva a imunidade da pessoa
em quatro vezes.
O referido Código de Ética diz, em suas justificativas, que foi editado
"considerando a busca de melhor relacionamento com o paciente e a garantia
de maior autonomia à sua vontade". Até hoje não se viu nenhuma pessoa fora
da categoria dos médicos que tenha sido ouvida para saber o que considera
melhor para a sua saúde, onde se inclui a liberdade de utilizar a
auto-hemoterapia.
Da mesma forma que parece inócuo o que reza, no Capítulo
I, o item VIII dos Princípios Fundamentais do código, segundo o qual "O
médico não pode, em nenhuma circunstância ou sob nenhum pretexto, renunciar
à sua liberdade profissional, nem permitir quaisquer restrições ou
imposições que possam prejudicar a eficiência e a correção de seu trabalho".
Pode ser argumentado que o Item XXI do mesmo Capítulo está prevista uma
restrição, quando diz "XXI - No processo de tomada de decisões
profissionais, de acordo com seus ditames de consciência e as previsões
legais, o médico aceitará as escolhas de seus pacientes, relativas aos
procedimentos diagnósticos e terapêuticos por eles expressos, desde que
adequadas ao caso e cientificamente reconhecidas".
Está prevista, sim, mas o
seu teor só pode ter duas características distintas: ou é contraditório ou é
injusto. Contraditório, porque retira a liberdade que havia reconhecido ao
paciente anteriormente; injusto, se reconheceu a referida liberdade e neste
outro ponto a nega.
Quanto trata dos direitos dos médicos, o código garante "exercer a Medicina
sem ser discriminado por questões de (...) opinião política ou de qualquer
natureza" e "Indicar o procedimento adequado ao paciente, observadas as
práticas cientificamente reconhecidas e respeitada a legislação vigente".
Por um lado, não proíbe o uso de práticas não reconhecidas cientificamente.
Por outro, sabemos que não existe nenhuma lei proibindo o uso da auto-hemoterapia.
Encontramos muitos outros pontos, mas existe um que mostra com todos os
elementos a gravidade do posicionamento dos órgãos fiscalizadores. No item
XXII dos Princípios Fundamentais, está escrito que "Nas situações clínicas
irreversíveis e terminais, o médico evitará a realização de procedimentos
diagnósticos e terapêuticos desnecessários e propiciará aos pacientes sob
sua atenção todos os cuidados paliativos apropriados". Na realidade atual,
nem mesmo nestes casos o CFM, a ANVISA e, portanto, o Ministério da Saúde,
admitem o uso da auto-hemoterapia, preferindo ver o doente morrer, a
deixá-lo tentar a cura ou sobrevida usando um meio que funciona há mais de
150 anos, que era permitido até 2007 - quando foi confusamente proibido - e
vem dando certo na clandestinidade. Ou seja, quando as práticas
cientificamente comprovadas não dão resultado, o único caminho, para aquelas
instituições, é o paciente esperar a morte chegar.
Mais informações sobre o assunto no site
http://www.rnsites.com.br/auto-hemoterapia.htm
*Jornalista e Bacharel em Direito
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Por favor, desculpe, pode ser?
Com luvas de pelica, com licença, desculpe, por favor e muito obrigado. Assim transcorreu a entrevista do candidato José Serra no Jornal Nacional. Bonner e família trataram muito bem o aliado, bem diferente do combate oferecido a Dilma e Marina. Houve sim uma tentativa de dar à entrevista o tom de contraditório, mas podia-se perfeitamente perceber que ali não havia qualquer clima de tensão, tentativa de intimidação, questionamento direcionado à desconstrução da imagem pública do candidato.
Amanhã a vez de Plínio Sampaio, candidato do PSOL à presidência. Espere e verá como vai ser o tratamento.
Amanhã a vez de Plínio Sampaio, candidato do PSOL à presidência. Espere e verá como vai ser o tratamento.
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Participei de importante reunião
Dois mamutes me falam de uma nova e terrível evolução
Emanoel Barreto
Comentei aqui há poucos dias que fui procurado por um macaco gorila e um papagaio, senhores de grande respeito e sábias ocorrências, que a mim vieram consultar a respeito do uso correto do papel crempom. Supunham que eu teria domínio e técnica de tal e tamanha ciência para, com isso, entender o sentido da vida.
Infelizmente, não pude atendê-los. Não sei o uso correto do papel crepom e, portanto, o sentido da vida. Ontem, voltaram à minha casa e convidaram-me a grave entrevista com outros senhores de alta ressonância, hospedados na casa da um honorável orangotango, embaixador de Bornéus.
Entramos em um coche e meia hora depois chegávamos à casa do senhor embaixador. Macaco de modos aristocráticos, o orangotango convidou-nos a uma vasta sala de reuniões, decorada ao estilo vitoriano.
Pediu licença após uma rápida conversa de apresentações, e saiu. Retornou cerca de um quarto de hora depois, acompanhado por dois respeitáveis mamutes. Como pessoas educadas, pediram desculpas pelo incômodo a mim, ao gorila e ao papagaio mas, explicaram, tinham negócios de estado urgentes a tratar conosco.
Argumentamos que não é do nosso alvitre nos imiscuirem negócios de potências estrangeiras, mas os mamutes disseram que seríamos os únicos a ter alguma possibilidade de ajudá-los.
Em suma: os mamutes eram sábios pesquisadores. Suas últimas descobertas indicam que a humanidade - da qual fazem parte, claro - está ingressando num novo período evolutivo e, pelo que já estudaram, trata-se de algo de resultados trevosos.
"Como assim?", quis saber o papagaio. Explicaram que suas pesquisas demonstram que todos nós estamos nos encaminhando para nos transformar em monstros. As previsões são catastróficas, lamentaram.
"Como assim?, repetiu o papagaio, ele próprio um senhor que desenvolve estudos na área evolucionista, o mesmo se dizendo do gorila. Daí o convite. Mas eu, que posso eu fazer, eu que sou apenas um jornalista?
Responderam: é preciso confirmar os perigos dessa evolução. Conferenciaram com o gorila e o papagaio e chegam à conclusão que o perigo existe. E eu? O que faço?
"Ao senhor caberá divulgar o seguinte", disseram: "Haverá um tempo em que os homens, então já monstros, criarão estranhas ideias de mundo e a todos considerarão como inimigos."
"Depois, os criadores dessa ideias monstruosas dirão que os inimigos é que as criaram, assim como bombas e outros artefatos de morte. Com isso terão direito de revidar. Preventivamente, é claro. E proclamarão terríveis doutrinas de dominação, justificando que há homens que nasceram para dominar e outros para ser dominados, devendo os servos servir eternamente."
Quanto a mim, disseram que devo, como jornalista, anunciar os tempos que virão, a fim de que tal intentona não se confirme, por reação da opinião pública. Pedi licença para pensar a respeito. Agora, já em casa, penso a respeito. Mas custa-me crer que isso venha a algum dia a acontecer. Espero, assim, uma nova visita dos meus amigos o gorila e o papagaio para lhes dizer que, sinceramente, não acredito que a humanidade chegue a patamar tão baixo...
Leio no JB online o magnífico Mauro Sntayana.
Réquiem para os “renascentistas”
Mauro Santayana
Recordemos a queda do muro de Berlim, o desmantelamento do sistema socialista, que pretendia ser o retorno ao liberalismo do século 19. Mais do que a globalização da economia, que continua, tivemos o tripúdio sobre os pobres. Houve quem anunciasse, com obscena soberba, que os incapazes deveriam tornar-se dóceis servos dos competentes. Era essa a lei da vida, a lei da natureza, a essência do sistema de liberdades cimentado pelo capitalismo sem limites.
Em nosso país, um intelectual, que se dizia de esquerda, assumiu a Presidência da República e, sob o efeito de relampejante conversão na maturidade, abraçou o novo e único fundamentalismo, como esplêndida e gloriosa era. “É um novo Renascimento”, proclamou, com a segurança e a autoridade dos profetas ungidos pela graça da Revelação.
Não tínhamos, país abaixo do Equador, povoado de mestiços, que inventar rodas e modas; bastava-nos seguir a corrente, integrarmo-nos na economia novamente liberal, depois do despertar do sonho do socialismo e do fim da “ociosidade” do povo, debitada ao Estado de Bem-Estar Social.
O capital financeiro assenhoreou-se do mundo. Ao aceno de nosso renascentista, ruíram as barreiras alfandegárias, revogaram-se os dispositivos constitucionais que protegiam o sistema financeiro nacional, entregaram-se bancos brasileiros a preços simbólicos a grandes consórcios financeiros internacionais (como foi o caso do Bamerindus, cedido ao HSBC), e o Estado recuou, no mundo inteiro, menos na velha China. Sobretudo nos países ao sul do Equador político, o Estado se viu acuado, envergonhado, enquanto as ONGs assumiam o seu papel. No Brasil, privatizaram-se a toque de caixa, para impedir a reação da cidadania, empresas estatais estratégicas, que geravam recursos e tecnologia de ponta.
Não foram necessárias duas décadas para descobrir que o neoliberalismo era um expediente dos donos do mundo, que, com métodos pavlovianos de gestão (em que se combinam o suborno e a repressão), criaram quadrilhas de executivos financeiros, que roubaram do Estado e de pequenos e médios investidores – sempre com a ajuda de arrogantes acadêmicos, entre eles alguns brasileiros. Os grandes executivos, de salários milionários, não passavam de audaciosos ladrões, que manipularam as finanças internacionais da mesma forma que os old boys de Chicago controlavam o mercado das bebidas, da droga, do lenocínio. Os new boys da Escola Neoliberal de Chicago, e de instituições semelhantes, que os mexicanos chamam los perfumados, se tornaram os executores dessa nova ordem, também contra seus próprios povos.
Contra os ladrões de Wall Street, a nova legislação obtida por Obama (Dodd-Frank Act) prevê premiar os que denunciarem falcatruas no sistema financeiro, com uma porcentagem (de 10 a 30%) das penalidades financeiras que incidirem sobre os culpados. Um dos denunciantes do esquema Madoff recebeu 1 milhão de dólares de recompensa, antes mesmo da aprovação do novo dispositivo legal. O novo Renascimento não está sendo posto à prova somente no caso dos ladrões que, ao contrário dos que se arriscam a assaltar de fora para dentro, atuam de dentro dos próprios bancos. O sistema está em processo de erosão na fragilidade de seus grandes exércitos, diante da resistência dos povos. Não lhes tendo bastado a lição do Vietnã, há mais de 30 anos, os senhores da guerra mordem a poeira no Afeganistão, depois de mordê-la no Iraque. Mas sempre lhes restam as ogivas nucleares, contra o Irã – e outros alvos.
Réquiem para os “renascentistas”
Mauro Santayana
Recordemos a queda do muro de Berlim, o desmantelamento do sistema socialista, que pretendia ser o retorno ao liberalismo do século 19. Mais do que a globalização da economia, que continua, tivemos o tripúdio sobre os pobres. Houve quem anunciasse, com obscena soberba, que os incapazes deveriam tornar-se dóceis servos dos competentes. Era essa a lei da vida, a lei da natureza, a essência do sistema de liberdades cimentado pelo capitalismo sem limites.
Em nosso país, um intelectual, que se dizia de esquerda, assumiu a Presidência da República e, sob o efeito de relampejante conversão na maturidade, abraçou o novo e único fundamentalismo, como esplêndida e gloriosa era. “É um novo Renascimento”, proclamou, com a segurança e a autoridade dos profetas ungidos pela graça da Revelação.
Não tínhamos, país abaixo do Equador, povoado de mestiços, que inventar rodas e modas; bastava-nos seguir a corrente, integrarmo-nos na economia novamente liberal, depois do despertar do sonho do socialismo e do fim da “ociosidade” do povo, debitada ao Estado de Bem-Estar Social.
O capital financeiro assenhoreou-se do mundo. Ao aceno de nosso renascentista, ruíram as barreiras alfandegárias, revogaram-se os dispositivos constitucionais que protegiam o sistema financeiro nacional, entregaram-se bancos brasileiros a preços simbólicos a grandes consórcios financeiros internacionais (como foi o caso do Bamerindus, cedido ao HSBC), e o Estado recuou, no mundo inteiro, menos na velha China. Sobretudo nos países ao sul do Equador político, o Estado se viu acuado, envergonhado, enquanto as ONGs assumiam o seu papel. No Brasil, privatizaram-se a toque de caixa, para impedir a reação da cidadania, empresas estatais estratégicas, que geravam recursos e tecnologia de ponta.
Não foram necessárias duas décadas para descobrir que o neoliberalismo era um expediente dos donos do mundo, que, com métodos pavlovianos de gestão (em que se combinam o suborno e a repressão), criaram quadrilhas de executivos financeiros, que roubaram do Estado e de pequenos e médios investidores – sempre com a ajuda de arrogantes acadêmicos, entre eles alguns brasileiros. Os grandes executivos, de salários milionários, não passavam de audaciosos ladrões, que manipularam as finanças internacionais da mesma forma que os old boys de Chicago controlavam o mercado das bebidas, da droga, do lenocínio. Os new boys da Escola Neoliberal de Chicago, e de instituições semelhantes, que os mexicanos chamam los perfumados, se tornaram os executores dessa nova ordem, também contra seus próprios povos.
Contra os ladrões de Wall Street, a nova legislação obtida por Obama (Dodd-Frank Act) prevê premiar os que denunciarem falcatruas no sistema financeiro, com uma porcentagem (de 10 a 30%) das penalidades financeiras que incidirem sobre os culpados. Um dos denunciantes do esquema Madoff recebeu 1 milhão de dólares de recompensa, antes mesmo da aprovação do novo dispositivo legal. O novo Renascimento não está sendo posto à prova somente no caso dos ladrões que, ao contrário dos que se arriscam a assaltar de fora para dentro, atuam de dentro dos próprios bancos. O sistema está em processo de erosão na fragilidade de seus grandes exércitos, diante da resistência dos povos. Não lhes tendo bastado a lição do Vietnã, há mais de 30 anos, os senhores da guerra mordem a poeira no Afeganistão, depois de mordê-la no Iraque. Mas sempre lhes restam as ogivas nucleares, contra o Irã – e outros alvos.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
E aí, Marina? Você presta pra ser presidente?
A entrevista com Marina Silva no Jornal Nacional manteve o tom, ou melhor, o mesmo torniquete aplicado a Dilma. Insinuação de despreparo administrativo e supostas incoerências da candidata quando estava no PT. Não houve, a rigor, entrevista mas uma tentativa de acuar Marina. Pelo jeito, como "Serra é experiente" amanhã teremos uma louvação, quando ele for chamado a ocupar uma cadeira ao lado de Bonner e Bernardes.
Revela-se um jornalismo panfletário, com o ventiloquismo das elites nas vozes de Bonner e Bernardes. A entrevista de confronto geralmente é o pior tipo de procedimento jornalístico, quando se tenta fazer com que o declarante derrape em seu próprio discurso. Nada a haver com o método socrático. Trata-se apenas de má intenção.
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Confesse, candidata!
A entrevista de Dilma a Bonner e Fátima Bernardes foi uma demonstração de como não fazer jornalismo. Entrevistas são, em essência, um ato de relações humanas, com todas as limitações e imbroglios que lhes são inerentes. Assim, jornalistas são movidos por interesses - mais ou menos nobres, durante o ato de entrevistas.
Em função disso o que se viu ali, em vez de uma entrevista propositiva, questionadora de projetos políticos, foi uma tentativa de confronto; melhor, confronto mesmo. Com perguntas nascidas de pauta mal-intencionada, uma pauta política, visando obrigar a entrevistada a dizer o que os entrevistadores queriam que ela dissesse.
Ao interrogatório somente faltou assumirem-se, Bonner e sua mulher, como inquisidores e gritar: "Candidata!: confesse, candidata! confesse!"
Ao interrogatório somente faltou assumirem-se, Bonner e sua mulher, como inquisidores e gritar: "Candidata!: confesse, candidata! confesse!"
Hoje teremos Marina, amanhã Serra. Acompanhemos. (EB)
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Acautelai-vos dos machos selvagens, ó virgens de todo o mundo!
Maitê, a iemanjá de açude
Emanoel Barreto
A culunista Sonia Racy, do Estadão, publicou entrevista com a atriz Maitê Proença. No texto a moça e colocada um pouquinho abaixo de Deus, mas apenas um pouquinho - por uma questão de bom senso, claro.
Ela é, por exemplo, "direta, avessa a mentiras, às vezes dura demais, [...] tem uma inteligência singular aliada a uma maneira intensa de viver".
Ooooooooooooooooooo.... divina diva, musa de todos os fados, afrodite de todos os menstréis, encantadora náiade, dama do lago, sílfide mais meiga, venturosa e diáfana mulher.
Da entrevista uma pergunta se sobressaiu. Diz bem assim: "O feminismo já era ou a mulher ainda precisa lutar contra as discriminações da sociedade?"
Resposta intensa e vigorosa: "A mulher ainda é tratada como escrava na África, Ásia, países árabes, na maior parte do planeta. Só no ocidente houve progressos, muitos, mas ainda há discriminação. Quem sabe a própria venha a calhar nesse momento de eleições, atiçando os machos selvagens e nos salvando da Dilma?"
Analisando a indagação, informo que ela é o que chamo em minhas aulas de técnica de entrevista de pergunta-raquete. Ou seja: o entrevistador estima ou até sabe previamente o que o entrevistado vai responder e faz a pergunta para que ele se esbalde. Levanta a bola para o outro rebater, percebe? Pergunta-raquete.
O comportamento da atriz, típico de alguém que quer se promover - deu certo, porque está tendo repercussão - me intima a dizer que com um declaratório desse tipo ela não é uma náide, mas uma iemanjá de açude.
Emanoel Barreto
A culunista Sonia Racy, do Estadão, publicou entrevista com a atriz Maitê Proença. No texto a moça e colocada um pouquinho abaixo de Deus, mas apenas um pouquinho - por uma questão de bom senso, claro.
Ela é, por exemplo, "direta, avessa a mentiras, às vezes dura demais, [...] tem uma inteligência singular aliada a uma maneira intensa de viver".
Ooooooooooooooooooo.... divina diva, musa de todos os fados, afrodite de todos os menstréis, encantadora náiade, dama do lago, sílfide mais meiga, venturosa e diáfana mulher.
Da entrevista uma pergunta se sobressaiu. Diz bem assim: "O feminismo já era ou a mulher ainda precisa lutar contra as discriminações da sociedade?"
Resposta intensa e vigorosa: "A mulher ainda é tratada como escrava na África, Ásia, países árabes, na maior parte do planeta. Só no ocidente houve progressos, muitos, mas ainda há discriminação. Quem sabe a própria venha a calhar nesse momento de eleições, atiçando os machos selvagens e nos salvando da Dilma?"
Analisando a indagação, informo que ela é o que chamo em minhas aulas de técnica de entrevista de pergunta-raquete. Ou seja: o entrevistador estima ou até sabe previamente o que o entrevistado vai responder e faz a pergunta para que ele se esbalde. Levanta a bola para o outro rebater, percebe? Pergunta-raquete.
O comportamento da atriz, típico de alguém que quer se promover - deu certo, porque está tendo repercussão - me intima a dizer que com um declaratório desse tipo ela não é uma náide, mas uma iemanjá de açude.
Drops da sabatina da Fiern
Central do Cidadão - O ex-prefeito Carlos Eduardo Alves salientou que, em sua passagem como secretário de estado, criou a Central do Cidadão, referência em seu tipo de prestação de serviço público.
Emoção - A senadora Rosalba Ciarlini apesar de não ser uma grande oradora conseguiu, logo de início, dar à sua participação um forte toque de emoção. Instruída ou não pelos seus marqueteiros falou como se estivesse dando um testemunhal e conseguiu tensionar o auditório frente à sua breve narrativa de vida pública.
Já perdeu - Em seguida, lamentou que o estado encontre-se em má situação na educação, segundo entende, ocupando o penúltimo lugar e ganhando apenas do Piauí, afirmou. Disse que o RN já perdeu grandes oportunidades de crescimento e prometeu uma administração pujante.
O troco - Como falou por último, o governador Iberê Ferreira teve oportunidade de rebater: com palavras tranquilas disse que não devemos nos voltar para apontar o que se teria perdido, mas atentar ao que se pode fazer.
Petróleo - Como exemplo, citou a refinaria Clara Camarão, em Guamaré, que deve funcionar até o próximo ano.
Palavras - Carlos Eduardo fez um pronunciamento lido. Com isso perdeu eloquência discursiva, já que um pronunciamento público tem algo de dramaticidade e, como sabemos, o corpo também fala.
Mais palavras - Ciarlini falou de improviso. Aliou ao comportamento frasal atitudes gestuais. Com isso, ganhou força dramática.
Mais mais palavras - Iberê foi o único que se utilizou de recurso multimídia: enquanto falava, as realizações do governo eram apresentadas no telão. Como Rosalba, conseguiu tensionar o auditório, tornando seu discurso mais coloquial.
Desobediência - As regras da sabatina somente permitiam câmeras de jornalistas. Câmeras de produtoras das campanhas estavam proibidas. Todavia, pelo menos duas câmeras fixas em tripés estiveram o tempo todo gravando tudo. Não me pareceram câmeras de TVs. Parece que, aí, alguém foi desobediente.
Jornalistas - A Fiern montou um centro de imprensa onde os jornalistas podiam instalar seus computadores. Um telão transmitia tudo aos colegas que preferiram ficar na sala de imprensa. Um bufê garantia a recarga das baterias humanas.
Dramático - Ciarlini manteve o tom dramático do pronunciamento. Atenção: não estou insinuando que a palavra "dramático" seja indício de má-fé. Uso o termo no sentido de eloquencia, quando o ator público se utiliza de empatia para comunicar as suas intenções.
Mãos limpas - Ao final de sua fala, com a voz embargada, Ciarlini disse que, da mesma forma como afirmara a seus filhos que como prefeita de Mossoró cumpriria com sua missão política corretamente, agora quer dizer a seus cinco netos: "Vovó assumiu o governo e sai de mãos limpas."
Nem um segundo? - Iberê foi o único a usar inegralmente seu tempo de meia hora para exposição. Entretanto, como não deu para narrar o que está em andamento e tratar do futuro perguntou ao mediador: "Ainda tenho tempo?". Como a resposta foi negativa, insistiu em tom de blague: "Nem um segundo?", tirando do auditório uma reação coletiva - uma grande gargalhada em uníssono.
Posso? - Carlos Eduardo, ao terminar seu pronunciamento, como sobraram dez minutos, perguntou se poderia passar a palavra ao auditório para questionamentos diretos. Não podia. Só a perguntas previamente elaboradas pelas assessorias da Fiern e Fecomercio. Objetivas e claras, diga-se.
Trim-trim - Carlos Eduardo foi obrigado e pedir silêncio a um sujeito que insistia em manter demorada conversa ao celular. O tipo, apesar disso, quase não parava. Não foi o único: muitos não deixaram os celulares em modo vibracall ou silencioso e mantinham também suas conversinhas.
O tempo - Quando refiro ao tempo usado pelos candidatos quero dizer que em temporalidade linear somente Iberê não parou de falar. Os outros dois também cumpriram com seus tempos de forma complementar: para esclarecer detalhes do que pretendem fazer caso eleitos.
Mais sabatina - Ao longo da campanha bem que Fiern, Tribuna e Fecomercio poderiam repetir a dose.
Sabastina X debate - Pareceu-me que o formato sabatina é melhor que o formato debate. Só que para as TVs o debate é melhor: tem circo.
Amigos - Reencontrei velhos amigos: Carlos Peixoto, diretor de redação da Tribuna e Luís Antônio Felipe, colunista de economia. Também por lá meu ex-aluno Dinarte Assunção, da novíssima geração de repórteres. Um diabrete. Bem informado e sério. O garoto promete.
Central do Cidadão - O ex-prefeito Carlos Eduardo Alves salientou que, em sua passagem como secretário de estado, criou a Central do Cidadão, referência em seu tipo de prestação de serviço público.
Emoção - A senadora Rosalba Ciarlini apesar de não ser uma grande oradora conseguiu, logo de início, dar à sua participação um forte toque de emoção. Instruída ou não pelos seus marqueteiros falou como se estivesse dando um testemunhal e conseguiu tensionar o auditório frente à sua breve narrativa de vida pública.
Já perdeu - Em seguida, lamentou que o estado encontre-se em má situação na educação, segundo entende, ocupando o penúltimo lugar e ganhando apenas do Piauí, afirmou. Disse que o RN já perdeu grandes oportunidades de crescimento e prometeu uma administração pujante.
O troco - Como falou por último, o governador Iberê Ferreira teve oportunidade de rebater: com palavras tranquilas disse que não devemos nos voltar para apontar o que se teria perdido, mas atentar ao que se pode fazer.
Petróleo - Como exemplo, citou a refinaria Clara Camarão, em Guamaré, que deve funcionar até o próximo ano.
Palavras - Carlos Eduardo fez um pronunciamento lido. Com isso perdeu eloquência discursiva, já que um pronunciamento público tem algo de dramaticidade e, como sabemos, o corpo também fala.
Mais palavras - Ciarlini falou de improviso. Aliou ao comportamento frasal atitudes gestuais. Com isso, ganhou força dramática.
Mais mais palavras - Iberê foi o único que se utilizou de recurso multimídia: enquanto falava, as realizações do governo eram apresentadas no telão. Como Rosalba, conseguiu tensionar o auditório, tornando seu discurso mais coloquial.
Desobediência - As regras da sabatina somente permitiam câmeras de jornalistas. Câmeras de produtoras das campanhas estavam proibidas. Todavia, pelo menos duas câmeras fixas em tripés estiveram o tempo todo gravando tudo. Não me pareceram câmeras de TVs. Parece que, aí, alguém foi desobediente.
Jornalistas - A Fiern montou um centro de imprensa onde os jornalistas podiam instalar seus computadores. Um telão transmitia tudo aos colegas que preferiram ficar na sala de imprensa. Um bufê garantia a recarga das baterias humanas.
Dramático - Ciarlini manteve o tom dramático do pronunciamento. Atenção: não estou insinuando que a palavra "dramático" seja indício de má-fé. Uso o termo no sentido de eloquencia, quando o ator público se utiliza de empatia para comunicar as suas intenções.
Mãos limpas - Ao final de sua fala, com a voz embargada, Ciarlini disse que, da mesma forma como afirmara a seus filhos que como prefeita de Mossoró cumpriria com sua missão política corretamente, agora quer dizer a seus cinco netos: "Vovó assumiu o governo e sai de mãos limpas."
Nem um segundo? - Iberê foi o único a usar inegralmente seu tempo de meia hora para exposição. Entretanto, como não deu para narrar o que está em andamento e tratar do futuro perguntou ao mediador: "Ainda tenho tempo?". Como a resposta foi negativa, insistiu em tom de blague: "Nem um segundo?", tirando do auditório uma reação coletiva - uma grande gargalhada em uníssono.
Posso? - Carlos Eduardo, ao terminar seu pronunciamento, como sobraram dez minutos, perguntou se poderia passar a palavra ao auditório para questionamentos diretos. Não podia. Só a perguntas previamente elaboradas pelas assessorias da Fiern e Fecomercio. Objetivas e claras, diga-se.
Trim-trim - Carlos Eduardo foi obrigado e pedir silêncio a um sujeito que insistia em manter demorada conversa ao celular. O tipo, apesar disso, quase não parava. Não foi o único: muitos não deixaram os celulares em modo vibracall ou silencioso e mantinham também suas conversinhas.
O tempo - Quando refiro ao tempo usado pelos candidatos quero dizer que em temporalidade linear somente Iberê não parou de falar. Os outros dois também cumpriram com seus tempos de forma complementar: para esclarecer detalhes do que pretendem fazer caso eleitos.
Mais sabatina - Ao longo da campanha bem que Fiern, Tribuna e Fecomercio poderiam repetir a dose.
Sabastina X debate - Pareceu-me que o formato sabatina é melhor que o formato debate. Só que para as TVs o debate é melhor: tem circo.
Amigos - Reencontrei velhos amigos: Carlos Peixoto, diretor de redação da Tribuna e Luís Antônio Felipe, colunista de economia. Também por lá meu ex-aluno Dinarte Assunção, da novíssima geração de repórteres. Um diabrete. Bem informado e sério. O garoto promete.
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E caiu neve em Natal...
Sensibilidade e criatividade: na foto do jornalista João Maria Bezerra, Natal sob chuva, como se estivesse nevando. (17h30 de 9 de agosto).
Candidatos ao governo sabatinados no auditório da Fiern
Emanoel Barreto
Em conjunto com a Tribuna do Norte a Fiern e a Fecomercio realizaram hoje sabatina com o governador Iberê Ferreira, senadora Rosalba Ciarlini e ex-prefeito Carlos Eduardo Alves, candidatos ao governo do estado.
O Auditório Albano Franco, na Fiern, recebeu empresários e jornalistas. Bem organizado, o evento diferiu dos debates a que estamos acostumados. Cumprindo ordem de sorteio cada candidato apresentou, na ausência dos dois outros, suas propostas de governo, respondendo a perguntas eleboradas pela Fiern e Fecomercio.
Com isso, a participação de cada um ficou restrita ao plano racional, evitando-se o clima emotivo que sempre impregna os debates. O público aplaudiu os três após cada sabatina, não se percebendo qualquer presença de claque.
Carlos Eduardo foi o primeiro a falar e a responder os questionamentos. Falou de sua passagem na vida pública e enfatizou suas prioridades. A seguir veio a senadora Rosalba, seguida pelo governador Iberê, mantendo o mesmo tom do primeiro sabatinado: infraestrutra, saúde, educação e segurança.
Foi uma importane manifestação de sociedade civil. Só não entendi a necessidade de importação do mediador, uma vez que a Fiern e a Fecomercio têm em seus quadros jornalistas qualificados para cumprir a missão.
Emanoel Barreto
Em conjunto com a Tribuna do Norte a Fiern e a Fecomercio realizaram hoje sabatina com o governador Iberê Ferreira, senadora Rosalba Ciarlini e ex-prefeito Carlos Eduardo Alves, candidatos ao governo do estado.
O Auditório Albano Franco, na Fiern, recebeu empresários e jornalistas. Bem organizado, o evento diferiu dos debates a que estamos acostumados. Cumprindo ordem de sorteio cada candidato apresentou, na ausência dos dois outros, suas propostas de governo, respondendo a perguntas eleboradas pela Fiern e Fecomercio.
Com isso, a participação de cada um ficou restrita ao plano racional, evitando-se o clima emotivo que sempre impregna os debates. O público aplaudiu os três após cada sabatina, não se percebendo qualquer presença de claque.
Carlos Eduardo foi o primeiro a falar e a responder os questionamentos. Falou de sua passagem na vida pública e enfatizou suas prioridades. A seguir veio a senadora Rosalba, seguida pelo governador Iberê, mantendo o mesmo tom do primeiro sabatinado: infraestrutra, saúde, educação e segurança.
Foi uma importane manifestação de sociedade civil. Só não entendi a necessidade de importação do mediador, uma vez que a Fiern e a Fecomercio têm em seus quadros jornalistas qualificados para cumprir a missão.
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domingo, 8 de agosto de 2010
Com doença não se brinca
Na foto de Ed Ferreira, do Estadão, o ministro, de camisa listrada relaxa no barzinho
Será que um cristão não tem o direito de beber em paz?Emanoel Barreto
Leio no Estadão: BRASÍLIA - O ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, que está de licença por recomendação médica, alegando que tem um "problema crônico na coluna" e, por isso, enfrenta dificuldade para despachar e estar presente aos julgamentos no plenário do STF, não tem problemas para marcar presença em festas de amigos ou se encontrar com eles em um conhecido restaurante-bar de Brasília.
Na tarde de sábado (ontem), a reportagem do Estado encontrou o ministro e uns amigos no bar do Mercado Municipal, um point da Asa Sul. Na noite de sexta-feira, ele esteve numa festa de aniversário, no Lago Sul, na presença de advogados e magistrados que vivem em Brasília.
Joaquim Barbosa está em licença médica desde 26 abril. Se cumprir todos os dias da mais nova licença, ele vai ficar 127 dias fora do STF, só neste ano. Em 2007, ele esteve dois dias de licença. Em 2008, ficou outros 66 dias licenciado. Ano passado pegou mais um mês de licença. Advogados e colegas de tribunal reclamam que os processos estão parados no gabinete do ministro.
...
É perfeitamente comprensível a atitude do ministro. Pela foto vê-se claramente que é com grande e ingente esforço que está assentado à mesa onde, certamente, dá continuidade ao seu sofrido tratamento. Coluna é fogo, sabia?
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FOTO OFICIAL
Sua excelência, a excelente pessoa, o presidente Ahmadinejad, saúda a todos com sua nova foto oficial
sábado, 7 de agosto de 2010
A marca da brutalidade
Hiroxima depois da bomba lançada pelo bombardeiro americano dia 9 de agosto de 1945
Osama nasceu em Hiroxima
Emanoel Barreto
Vejo na Triuna do Norte: Hiroshima (AE) - Um representante dos Estados Unidos participou ontem, pela primeira vez, da cerimônia anual que marca a explosão da bomba atômica sobre a cidade japonesa de Hiroshima. O embaixador norte-americano no Japão, John Roos, participou da solenidade que marcou o 65º aniversário da explosão, que os organizadores esperam ajude a estimular os esforços globais na direção do desarmamento nuclear. No local onde o primeiro ataque com uma bomba atômica foi realizado ouviram-se corais de estudantes e o badalar solene de sinos na maior cerimônia já realizada. Às 8h15 - o horário em que a bomba foi jogada, incinerando a maior parte da cidade, foi observado um momento de silêncio.
O prefeito de Hiroshima, Tadatoshi Akiba, saudou a decisão dos Estados Unidos de enviar um representante à celebração, que começou com uma oferta de água aos 140 mil mortos dos dois ataques nucleares sofridos pelo Japão e que levaram o país a se render, na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O segundo ataque nuclear ocorreu em 9 de agosto de 1945, contra a cidade de Nagasaki. O Japão se rendeu aos EUA em 15 de agosto de 1945
...
O povo americano, pelos seus governantes, administra como ninguém a ira e o terrorismo contra outros povos a fim de manter seus privilégios de maior potência belicista e armamentista do mundo. Tem prática, ciência e experiência para tanto.
Osama bin Laden, que hoje é o martelo e o açoite brandidos pelos mais obscurantistas seguidores da Alá, é produto dos Estados Unidos. Sua família, poderosa, rica, mantinha ligações orgânicas com o grande capital americano, que também financiou o Talibã contra os russos quando a então URSS tinha domínio sobre o Afeganistão.
O comparecimento de representante ao ritual no Japão é parcela mínima de demonstração de respeito ao povo japonês tantos anos após o morticínio perpetrado via as bobas atômicas atiradas. Os artefatos tinham até nomes, eram fetiches bélicos, ícones da brutalidade do Tio Sam: Fat Man e Little Boy, assim eram carinhosamente chamadas as bombas atiradas sobre Hiroxima e Nagasáqui.
Os americanos precisam meditar a respeito de seus temores a Osama e comparar o total de mortos: 140 mil japoneses eliminados contra 2.993 pessoas no 11 de setembro de 2001. A estupidez de um e outro lados não se justificam. Mas é preciso entender que Osama não é fruto só do obscurantismo enlouquecido de parte dos muçulmanos. Osama nasceu em Hiroxima.
...
Na Folha, a demonstração de como age o regime dos aiatolás:
Eu sofro por ser mulher, diz Sakineh
Iraniana condenada a morrer apedrejada por adultério afirma que Irã está "envergonhado" pela atenção ao caso
Em entrevista ao jornal "Guardian", Sakineh diz que autoridades estão mentindo e que assinou sentença sem entender
DE SÃO PAULO
"A resposta é bem simples. É por eu ser uma mulher, é por eles acharem que podem fazer o que quiserem com as mulheres, neste país."
É assim que Sakineh Ashtiani, a iraniana condenada à morte por apedrejamento pelo "crime" de adultério, define o motivo pelo qual aguarda por uma das mais cruéis penas de morte do mundo.
Presa desde 2006 na cadeia de Tabriz, Sakineh falou ontem ao jornal britânico "Guardian" por meio de um intermediário cuja identidade não mantida em sigilo.
Leia abaixo as principais declarações de Sakineh.
"A resposta é bem simples. É por eu ser uma mulher, é por eles acharem que podem fazer o que quiserem com as mulheres, neste país. Para eles, adultério é pior que homicídio. Mas não todos os tipos de adultério: um homem adúltero pode nem ser preso, mas uma mulher adúltera é o fim do mundo.
É por estar em um país onde as mulheres não têm o direito de se divorciar dos maridos e estão privadas de direitos básicos."
Medo
"Elas [autoridades iranianas] estão mentindo. Estão envergonhadas com a atenção internacional dada ao meu caso e tentam desesperadamente distrair a atenção e confundir a mídia para me matarem em segredo."
Julgamento
"Fui considerada culpada de adultério e absolvida do homicídio. O homem que realmente matou meu marido foi identificado e preso, mas não condenado à morte.
Quando o juiz me entregou minha sentença, nem percebi que deveria ser apedrejada à morte porque eu não sabia o que "rajam" significa.
Eles me pediram para assinar minha sentença e eu o fiz, daí eu voltei à prisão, e os meus companheiros de cela me disseram que eu seria apedrejada à morte e eu, instantaneamente, desmaiei."
Advogado
"Eles queriam se livrar do meu advogado [Mohammad Mostafaei] para que pudessem facilmente me acusar do que quer que fosse sem que ele denunciasse. Não fossem os esforços dele, eu já teria sido apedrejada à morte."
Prisão
"As palavras deles [dos guardas de Tabriz], o jeito como me olham -uma mulher adúltera que deveria ser apedrejada à morte- é como ser apedrejada todos os dias."
Campanha
"Todos esses anos, elas [autoridades tentaram colocar uma coisa na minha cabeça, me convencer de que eu sou uma mulher adúltera, uma mãe irresponsável, uma criminosa. Mas, com o apoio internacional, uma vez mais me vejo uma pessoa inocente. Não deixem que me apedrejem diante do meu filho."
Osama nasceu em Hiroxima
Emanoel Barreto
Vejo na Triuna do Norte: Hiroshima (AE) - Um representante dos Estados Unidos participou ontem, pela primeira vez, da cerimônia anual que marca a explosão da bomba atômica sobre a cidade japonesa de Hiroshima. O embaixador norte-americano no Japão, John Roos, participou da solenidade que marcou o 65º aniversário da explosão, que os organizadores esperam ajude a estimular os esforços globais na direção do desarmamento nuclear. No local onde o primeiro ataque com uma bomba atômica foi realizado ouviram-se corais de estudantes e o badalar solene de sinos na maior cerimônia já realizada. Às 8h15 - o horário em que a bomba foi jogada, incinerando a maior parte da cidade, foi observado um momento de silêncio.
O prefeito de Hiroshima, Tadatoshi Akiba, saudou a decisão dos Estados Unidos de enviar um representante à celebração, que começou com uma oferta de água aos 140 mil mortos dos dois ataques nucleares sofridos pelo Japão e que levaram o país a se render, na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O segundo ataque nuclear ocorreu em 9 de agosto de 1945, contra a cidade de Nagasaki. O Japão se rendeu aos EUA em 15 de agosto de 1945
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O povo americano, pelos seus governantes, administra como ninguém a ira e o terrorismo contra outros povos a fim de manter seus privilégios de maior potência belicista e armamentista do mundo. Tem prática, ciência e experiência para tanto.
Osama bin Laden, que hoje é o martelo e o açoite brandidos pelos mais obscurantistas seguidores da Alá, é produto dos Estados Unidos. Sua família, poderosa, rica, mantinha ligações orgânicas com o grande capital americano, que também financiou o Talibã contra os russos quando a então URSS tinha domínio sobre o Afeganistão.
O comparecimento de representante ao ritual no Japão é parcela mínima de demonstração de respeito ao povo japonês tantos anos após o morticínio perpetrado via as bobas atômicas atiradas. Os artefatos tinham até nomes, eram fetiches bélicos, ícones da brutalidade do Tio Sam: Fat Man e Little Boy, assim eram carinhosamente chamadas as bombas atiradas sobre Hiroxima e Nagasáqui.
Os americanos precisam meditar a respeito de seus temores a Osama e comparar o total de mortos: 140 mil japoneses eliminados contra 2.993 pessoas no 11 de setembro de 2001. A estupidez de um e outro lados não se justificam. Mas é preciso entender que Osama não é fruto só do obscurantismo enlouquecido de parte dos muçulmanos. Osama nasceu em Hiroxima.
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Na Folha, a demonstração de como age o regime dos aiatolás:
Eu sofro por ser mulher, diz Sakineh
Iraniana condenada a morrer apedrejada por adultério afirma que Irã está "envergonhado" pela atenção ao caso
Em entrevista ao jornal "Guardian", Sakineh diz que autoridades estão mentindo e que assinou sentença sem entender
DE SÃO PAULO
"A resposta é bem simples. É por eu ser uma mulher, é por eles acharem que podem fazer o que quiserem com as mulheres, neste país."
É assim que Sakineh Ashtiani, a iraniana condenada à morte por apedrejamento pelo "crime" de adultério, define o motivo pelo qual aguarda por uma das mais cruéis penas de morte do mundo.
Presa desde 2006 na cadeia de Tabriz, Sakineh falou ontem ao jornal britânico "Guardian" por meio de um intermediário cuja identidade não mantida em sigilo.
Leia abaixo as principais declarações de Sakineh.
"A resposta é bem simples. É por eu ser uma mulher, é por eles acharem que podem fazer o que quiserem com as mulheres, neste país. Para eles, adultério é pior que homicídio. Mas não todos os tipos de adultério: um homem adúltero pode nem ser preso, mas uma mulher adúltera é o fim do mundo.
É por estar em um país onde as mulheres não têm o direito de se divorciar dos maridos e estão privadas de direitos básicos."
Medo
"Elas [autoridades iranianas] estão mentindo. Estão envergonhadas com a atenção internacional dada ao meu caso e tentam desesperadamente distrair a atenção e confundir a mídia para me matarem em segredo."
Julgamento
"Fui considerada culpada de adultério e absolvida do homicídio. O homem que realmente matou meu marido foi identificado e preso, mas não condenado à morte.
Quando o juiz me entregou minha sentença, nem percebi que deveria ser apedrejada à morte porque eu não sabia o que "rajam" significa.
Eles me pediram para assinar minha sentença e eu o fiz, daí eu voltei à prisão, e os meus companheiros de cela me disseram que eu seria apedrejada à morte e eu, instantaneamente, desmaiei."
Advogado
"Eles queriam se livrar do meu advogado [Mohammad Mostafaei] para que pudessem facilmente me acusar do que quer que fosse sem que ele denunciasse. Não fossem os esforços dele, eu já teria sido apedrejada à morte."
Prisão
"As palavras deles [dos guardas de Tabriz], o jeito como me olham -uma mulher adúltera que deveria ser apedrejada à morte- é como ser apedrejada todos os dias."
Campanha
"Todos esses anos, elas [autoridades tentaram colocar uma coisa na minha cabeça, me convencer de que eu sou uma mulher adúltera, uma mãe irresponsável, uma criminosa. Mas, com o apoio internacional, uma vez mais me vejo uma pessoa inocente. Não deixem que me apedrejem diante do meu filho."
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Ei! vamo vê o debate não?
http://fotos.blogs2k.com/2008/11/08/caras-feias/
Vamo não: deixa "eles" pra lá...Emanoel Barreto
Os baixos níveis de audiência do debate da Band talvez se possam explicar a partir de algumas observações: foi o primeiro e ainda em fase em que a campanha não atingiu seu nível de polarização; em função disso, os televisores estavam voltados para o futebol; não foi na Globo, cujo processo de glamourização e penetração são inegáveis e afinal, como decorrência de tudo o que disse, o debate foi entendido como apenas... um programa a mais. Ou seja: "tanto faz ver como não ver, não se perde nada" - tal o descrédito que os políticos atingiram.
A realização de eleições a cada dois anos, quando se içam as bandeiras que prometem que o país se tornará uma messe, uma seara de grandes colheitas sociais, de forma geral o cidadão vê isso com desconfiança.
É comum se dizer "eles prometem isso sempre". "Eles" tornou-se uma maneira de se designar os políticos pois, no dia a dia, o povo sofre as filas e as consequências de um quadro social de desigualdade, cuja reversão a chamada classe política não consegue ou não quer fazer, apesar de prometer. Por isso, não se tem lá grandes motivos para alegria quando começam as campanhas eleitorais.
Falando assim, pareço ser um pregoeiro da desgraça destilando um niilismo envenenador de esperanças, confiança e luta por um futuro mais digno. Antes, defendo uma reformulação do pensar político, ética nos mandatos, respeito à cidadania.
Isso, contudo, só vem com o tempo e o trasladar das gerações. Trata-se de processo sócio-histórico complexo, um fluxo e contrafluxo político, uma medição de forças. Assim, as forças populares precisam e devem ter representantes efetivamente comprometidos com a questão das classes em presença, fazendo a opção pela maioria.
E é exatamente essa maioria, hoje iludida com programas de baixíssimo nível que deixou de ver o debate, por pensar que seria mais um programa de baixíssimo nível. E, saiba, essa indiferança interessa a muita gente.
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Os debates: da ágora ao espetáculo no palco da TV
http://i1.r7.com/data/files/2C92/94A4/29F8/702D/012A/00DB/3696/0D54/SERRA-DILMA-MARINA.jpg
Acabou seu tempo, candidato!
Emanoel Barreto
Iniciado o ciclo circense da política, com os debates e as aparições no horário gratuito da propaganda eleitoral, os candidatos virtualmente chegam às ruas. Debates são uma das formas de manifestação da nossa sociedade do espetáculo, onde um público adestrado à linguagem da TV se interessa por política como reality show sazonal.
De qualquer maneira, lhe resta algo sim de espaço de sociedade civil - muito tenuamente. O candidato expõe-se e, se tem realmente essência, consegue de alguma forma passá-la. Veja bem: eu disse "de alguma forma". Com isso indicio que essa essência é manifesta de forma incompleta, superficial. Como pode alguém mandar uma mensagem consistente, de formulação sintática coerente, se tem apenas dois minutos para fazê-lo?
De qualquer forma essa é a nossa realidade e temos de com ela conviver. Os debates têm algo de agonístico, são uma rememoração tardio-midiática da ágora. A questão é que em vez de se permitir o debate largo, debate em sua consistência de confronto de ideias argumentadas, o que se vê é um ritmo frenético de perguntas/respostas. Isso tira do debate sua condição mesma de debate para levá-lo à situação de um jogo de espertezas.
Cria-se no público a expectativa não de público em seu sentido de sociedade civil, mas de torcedores. O cordão do encarnado contra o cordão azul, como tínhamos em nossos folguedos juninos. Esvazia-se o debate em favor do confronto, mesmo que num bate-boca de bom nível, aqui entendido como relação de divergência respeitosa.
Mas a campanha começou. E se é isso, com os debates, e se será isso também com o guia eleitoral, paciência. Nos debates o matraquear de frases, no guia eleitoral um elenco de promessas apresentadas como "compromissos" que todos sabem de antemão irrealizáveis.
Por trás de tudo uma realidade cruel, cuja superação histórica engloba a passagem de gerações. Todavia, o tabique ideológico oculto pelas promessas deve ser rasgado de cima a baixo, por quem tenha visão acima do senso comum.
No confronto de ontem vi um Serra discursivamente pálido, atacando questões pontuais como um suposto aparelhamento dos Correios pelo PT e falta de apoio às Apae. Pequena política, tática de marqueteiro escolado e que o ensina.
Dilma, apesar dos compromissos do PT com uma certa ala conservadora, pode e deve ser a pessoa a impedir que o PSDB reassuma e dê continuidade ao desmantelamento da máquina pública em favor dos interesses do capital.
Acabou seu tempo, candidato!
Emanoel Barreto
Iniciado o ciclo circense da política, com os debates e as aparições no horário gratuito da propaganda eleitoral, os candidatos virtualmente chegam às ruas. Debates são uma das formas de manifestação da nossa sociedade do espetáculo, onde um público adestrado à linguagem da TV se interessa por política como reality show sazonal.
De qualquer maneira, lhe resta algo sim de espaço de sociedade civil - muito tenuamente. O candidato expõe-se e, se tem realmente essência, consegue de alguma forma passá-la. Veja bem: eu disse "de alguma forma". Com isso indicio que essa essência é manifesta de forma incompleta, superficial. Como pode alguém mandar uma mensagem consistente, de formulação sintática coerente, se tem apenas dois minutos para fazê-lo?
De qualquer forma essa é a nossa realidade e temos de com ela conviver. Os debates têm algo de agonístico, são uma rememoração tardio-midiática da ágora. A questão é que em vez de se permitir o debate largo, debate em sua consistência de confronto de ideias argumentadas, o que se vê é um ritmo frenético de perguntas/respostas. Isso tira do debate sua condição mesma de debate para levá-lo à situação de um jogo de espertezas.
Cria-se no público a expectativa não de público em seu sentido de sociedade civil, mas de torcedores. O cordão do encarnado contra o cordão azul, como tínhamos em nossos folguedos juninos. Esvazia-se o debate em favor do confronto, mesmo que num bate-boca de bom nível, aqui entendido como relação de divergência respeitosa.
Mas a campanha começou. E se é isso, com os debates, e se será isso também com o guia eleitoral, paciência. Nos debates o matraquear de frases, no guia eleitoral um elenco de promessas apresentadas como "compromissos" que todos sabem de antemão irrealizáveis.
Por trás de tudo uma realidade cruel, cuja superação histórica engloba a passagem de gerações. Todavia, o tabique ideológico oculto pelas promessas deve ser rasgado de cima a baixo, por quem tenha visão acima do senso comum.
No confronto de ontem vi um Serra discursivamente pálido, atacando questões pontuais como um suposto aparelhamento dos Correios pelo PT e falta de apoio às Apae. Pequena política, tática de marqueteiro escolado e que o ensina.
Dilma, apesar dos compromissos do PT com uma certa ala conservadora, pode e deve ser a pessoa a impedir que o PSDB reassuma e dê continuidade ao desmantelamento da máquina pública em favor dos interesses do capital.
Plínio surpreende midiaticamente, mas Dilma ganha em exposição protagonista
Emanoel Barreto
O primeiro debate entre os presidenciáveis teve baixo nível de audiência. Diz o JB ONline: "Com o primeiro debate entre os presidenciáveis, a Band atingiu um pico de audiência de 5,5 pontos, mantendo uma média de 1,8 a 1,9 pontos. Transmitindo a semifinal da Taça Libertadores da América entre São Paulo e Internacional, a Globo teve uma média de 36,9. A média da Record foi de 7,4, segundo levantamento Ibope."
A aparição de Plínio Arruda, do PSOL, contudo, se não chegou a obnubilar as figuras de Dilma e Serra, serviu para apresentá-lo, uma vez que, para expressiva maioria dos telespectadores, era um ilustre desconhecido. Entendo que é um homem honrado, mas o discurso radicalíssimo não conseguirá, estimo, atrair parcela de votos ponderável.
Quanto ao debate em si, creio que o interesse maior era quanto ao desempenho de Dilma. Saiu-se bem. Foi firme, incisiva, soube rebater os questionamentos. Ela foi a acossada, pressionada, buscada, alvejada.
E foi aí que seus adversários, especialmente Serra, erraram: a fuzilaria sobre Dilma terminou por dar-lhe mais tempo de exposição protagonista, o que é bem diverso da simples exposição temporal. Esse o detalhe de qualidade e que a beneficiou, especialmente porque conseguiu liberar-se de todos os questionamentos.
Emanoel Barreto
O primeiro debate entre os presidenciáveis teve baixo nível de audiência. Diz o JB ONline: "Com o primeiro debate entre os presidenciáveis, a Band atingiu um pico de audiência de 5,5 pontos, mantendo uma média de 1,8 a 1,9 pontos. Transmitindo a semifinal da Taça Libertadores da América entre São Paulo e Internacional, a Globo teve uma média de 36,9. A média da Record foi de 7,4, segundo levantamento Ibope."
A aparição de Plínio Arruda, do PSOL, contudo, se não chegou a obnubilar as figuras de Dilma e Serra, serviu para apresentá-lo, uma vez que, para expressiva maioria dos telespectadores, era um ilustre desconhecido. Entendo que é um homem honrado, mas o discurso radicalíssimo não conseguirá, estimo, atrair parcela de votos ponderável.
Quanto ao debate em si, creio que o interesse maior era quanto ao desempenho de Dilma. Saiu-se bem. Foi firme, incisiva, soube rebater os questionamentos. Ela foi a acossada, pressionada, buscada, alvejada.
E foi aí que seus adversários, especialmente Serra, erraram: a fuzilaria sobre Dilma terminou por dar-lhe mais tempo de exposição protagonista, o que é bem diverso da simples exposição temporal. Esse o detalhe de qualidade e que a beneficiou, especialmente porque conseguiu liberar-se de todos os questionamentos.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Candidatos ao governo do RN debatem segunda na Fiern
Emanoel Barreto
A Tribuna do Norte e a Federação da Indústria do Rio Grande do Norte-Fiern realizam nesta segunda, a parti das 8h, debate com candidatos ao governo do estado. É uma edição especial do programa Motores do Desenvolvimento, onde as duas instituições, enquanto participantes da sociedade civil, promovem debates sobre questões de interesse do RN.
O evento será conduzido pelo jornalista da Globo News Merval Pereira. Cada um dos três
candidatos irá responder a perguntas referentes aos sete temas dos Motores do
Desenvolvimento do RN já ocorridos até agora (Infraestrutura; Energia; Turismo;
Comércio e Serviços; Indústria: Empreendedorismo; Educação).
Trata-se de evento importante ao qual já confirmei presença.
Emanoel Barreto
A Tribuna do Norte e a Federação da Indústria do Rio Grande do Norte-Fiern realizam nesta segunda, a parti das 8h, debate com candidatos ao governo do estado. É uma edição especial do programa Motores do Desenvolvimento, onde as duas instituições, enquanto participantes da sociedade civil, promovem debates sobre questões de interesse do RN.
O evento será conduzido pelo jornalista da Globo News Merval Pereira. Cada um dos três
candidatos irá responder a perguntas referentes aos sete temas dos Motores do
Desenvolvimento do RN já ocorridos até agora (Infraestrutura; Energia; Turismo;
Comércio e Serviços; Indústria: Empreendedorismo; Educação).
Trata-se de evento importante ao qual já confirmei presença.
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quarta-feira, 4 de agosto de 2010
A comovente história de Zezinho da Mooca
O que é não precisa ser dito que é
Emanoel Barreto
Leio no Estadão: Depois do filme “Lula, o filho do Brasil”, o presidenciável do PSDB, José Serra, ganha sua cinebiografia. No documentário “Retratos do Serra”, o tucano é apresentado como “Zezinho”, um cidadão humilde, nascido na Mooca, onde “os vizinhos eram pintores de parede, cobradores de bonde, garçons, operários, quitandeiros, sapateiros e barbeiros”.
Dirigido por Guilherme Coelho, filho de Ronaldo Cézar Coelho, amigo de Serra, o filme foi trabalhado inicialmente para ser um longa, mas acabou dividido em 12 episódios que estão disponíveis agora na internet no site Retratos do Serra.
O filme se propõe a apresentar a vida de Serra. Durante as gravações, a equipe teve acesso a reuniões no Palácio dos Bandeirantes, quando Serra ainda era governador, e em agendas privadas do tucano.
Ao falar sobre o projeto no site, o diretor disse que, como personagem, Serra é “um prato cheio”. “E tem esse lance de ele ser arisco, avesso à exposição desnecessária, ser notívago, escrever invejavelmente e achar que entende de cinema”, afirmou Coelho
.........
O QUE É NÃO PRECISA SER DITO QUE É: o aforismo é bastante claro em sua assertiva. Ou seja: o que é se apresenta por si só em sua condição fenomêmica. É e pronto. O inverso também é verdade - o que não é não precisa ser dito que não é, dada a visibilidade do que não é.
O problema é quando um ator político busca se apresentar como sendo o que não é ou foi. Ao que ficou lido acima, sobre os filmetes sobre Serra, o que se percebe é um trabalho de simulação e dissimulação.
Simulação ao se apresentar como o Zezinho da Mooca, numa rala tentativa de comparar seu passado ao passado de Lula. Dissimulação ao tentar com isso nublar sua condição de homem das elites, ligado a partido idem.
Se alguém pode escapar ao seu futuro, como Lula pôde escapar ao seu, livrando-se de uma previsível situação de excluído para se tornar um líder, ninguém poderá fazê-lo com relação a seu passado. No caso de Serra - passado recente, passado político e todos os seus periféricos ideológicos.
O passado de dificuldades, mesmo grandes, não o equiparam a Lula. Até porque histórias de vida são difíceis se não impossíveis de se mensurar uma em relação à outra.
O lamentável é que esses filmetes de Serra no Youtube sejam veiculados como uma solução de última hora, a tentativa de o fazer com raízes populares, cheiro de povo, brado na garganta, punho em riste. Não dá. E os marqueteiros de Serra sabem que não dá.
Emanoel Barreto
Leio no Estadão: Depois do filme “Lula, o filho do Brasil”, o presidenciável do PSDB, José Serra, ganha sua cinebiografia. No documentário “Retratos do Serra”, o tucano é apresentado como “Zezinho”, um cidadão humilde, nascido na Mooca, onde “os vizinhos eram pintores de parede, cobradores de bonde, garçons, operários, quitandeiros, sapateiros e barbeiros”.
Dirigido por Guilherme Coelho, filho de Ronaldo Cézar Coelho, amigo de Serra, o filme foi trabalhado inicialmente para ser um longa, mas acabou dividido em 12 episódios que estão disponíveis agora na internet no site Retratos do Serra.
O filme se propõe a apresentar a vida de Serra. Durante as gravações, a equipe teve acesso a reuniões no Palácio dos Bandeirantes, quando Serra ainda era governador, e em agendas privadas do tucano.
Ao falar sobre o projeto no site, o diretor disse que, como personagem, Serra é “um prato cheio”. “E tem esse lance de ele ser arisco, avesso à exposição desnecessária, ser notívago, escrever invejavelmente e achar que entende de cinema”, afirmou Coelho
.........
O QUE É NÃO PRECISA SER DITO QUE É: o aforismo é bastante claro em sua assertiva. Ou seja: o que é se apresenta por si só em sua condição fenomêmica. É e pronto. O inverso também é verdade - o que não é não precisa ser dito que não é, dada a visibilidade do que não é.
O problema é quando um ator político busca se apresentar como sendo o que não é ou foi. Ao que ficou lido acima, sobre os filmetes sobre Serra, o que se percebe é um trabalho de simulação e dissimulação.
Simulação ao se apresentar como o Zezinho da Mooca, numa rala tentativa de comparar seu passado ao passado de Lula. Dissimulação ao tentar com isso nublar sua condição de homem das elites, ligado a partido idem.
Se alguém pode escapar ao seu futuro, como Lula pôde escapar ao seu, livrando-se de uma previsível situação de excluído para se tornar um líder, ninguém poderá fazê-lo com relação a seu passado. No caso de Serra - passado recente, passado político e todos os seus periféricos ideológicos.
O passado de dificuldades, mesmo grandes, não o equiparam a Lula. Até porque histórias de vida são difíceis se não impossíveis de se mensurar uma em relação à outra.
O lamentável é que esses filmetes de Serra no Youtube sejam veiculados como uma solução de última hora, a tentativa de o fazer com raízes populares, cheiro de povo, brado na garganta, punho em riste. Não dá. E os marqueteiros de Serra sabem que não dá.
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Arlete divulga carta à comunidade universitária
Recebo e divulgo carta aberta da professora Maria Arlete Duarte de Araújo (foto) candidata a reitor da UFRN, em que trata de assuntos de interesse da Universidade. Outra ou outras candidaturas que venham a se apresentar terão neste Coisas de Jornal espaço para apresentar suas propostas à discussão. Segue o texto:Discutindo a UFRN
Maria Arlete Duarte de Araújo
Professora Titular - DEPAD/Centro de Ciências Sociais Aplicadas
Candidata à Reitoria :”UM NOVO OLHAR SOBRE A UFRN”
Nos últimos tempos tem prosperado no âmbito da UFRN a idéia de que a reforma de sua estrutura organizacional é uma necessidade. Entre os argumentos apresentados emerge com muita força a idéia de que a figura do Departamento, considerado lócus do conhecimento, tem se mostrado incapaz de dar conta das exigências de interdisciplinaridade que o conhecimento impõe, que sua agenda é eminentemente burocrática e que ele não articula de forma correta com outros espaços organizacionais, a exemplo das coordenações de graduação e pós-graduação.
A solução que naturalmente surge de tal diagnóstico é o fim dos Departamentos. Espera-se dessa forma que o enxugamento da estrutura organizacional solucione os problemas citados.
Neste diagnóstico o que mais chama a atenção é a ausência de discussões sobre a estruturação do campo científico fora da universidade e como ele impacta na forma como o professor produz e socializa o conhecimento produzido. Essa estruturação demarca com muita nitidez os espaços nos quais o professor reafirma sua identidade profissional, articula redes, define sua trajetória acadêmica. E cada vez mais essa estruturação se apresenta de forma fragmentada – eventos, periódicos, comitês de pesquisa e de avaliação. De modo que naturalmente a vinculação do professor se faz em primeiro lugar com o seu campo de conhecimento.
Ora, se aceitarmos esse argumento, nos deparamos com as seguintes questões: O fim do Departamento modificaria a forma pela qual o professor se relaciona com a sua área especifica de conhecimento?; A interdisciplinaridade entre diferentes áreas do conhecimento se daria pelo desaparecimento do Departamento?; A ausência de articulação entre diferentes espaços organizacionais – departamentos e coordenações não se explicaria, talvez, pela ausência de uma visão compartilhada sobre a condução de uma determinada área do conhecimento pelos diferentes atores envolvidos nessa construção?
Por outro lado, a discussão sobre a reforma da estrutura organizacional não deve ficar restrita à extinção e/ou manutenção dos Departamentos. Deve-se produzir também um debate no interior da instituição dos impactos que novos arranjos organizacionais – institutos, unidades acadêmicas especializadas, escolas, faculdades – estão produzindo na estrutura organizacional em termos de novas relações de poder, distribuição de recursos, adoção de novos procedimentos, alocação de pessoas e tecnologias.
A arquitetura organizacional vem sendo modificada sem que velhos problemas sejam resolvidos e, em especial, não se percebe que ela esteja sendo configurada em função de uma estratégia claramente definida. Do mesmo modo, não é visível a adoção de estruturas mais flexíveis para lidar com a diversidade de problemas que exigem criatividade para o seu gerenciamento.
Assim a discussão sobre a estrutura atual e a possibilidade de novos formatos organizacionais deve ocupar espaço central na agenda institucional, inclusive para abrigar novas iniciativas já em discussão no âmbito da universidade, a exemplo do Instituto de Química, da Unidade Acadêmica Especializada de Odontologia e das Faculdades de Medicina e Arquitetura.
Quando a estrutura não consegue mais responder às exigências colocadas pela função, há necessidade de repensar os arranjos organizacionais. No entanto, deve preceder à revisão da estrutura, a discussão do projeto formativo da UFRN. Igualmente, faz-se necessário pensar a operacionalidade da nova estrutura – as relações com as demais unidades, orçamento, vinculação hierárquica, lotação de professores, relacionamento com a comunidade, espaço físico e outras questões. Uma nova estrutura deve refletir a preocupação com a agilidade dos processos, com o trabalho em equipe, com a mobilidade dos professores, com o desenvolvimento do ensino e da pesquisa interdisciplinares, com a flexibilização curricular, com maior liberdade e autonomia.
Não há respostas prontas para essa nova configuração organizacional. É necessário assim iniciar um amplo processo de discussão para analisar a pertinência ou não da manutenção da estrutura departamental e de um novo formato organizacional para a UFRN. Enfrentar essa discussão é lançar um novo olhar sobre a arquitetura organizacional, com o objetivo de reconfigurar a atual estrutura.
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Até que o circo pegue fogo
Emanoel Bareto
Ao tomar conhecimento da candidatura de Tiririca a deputado federal - o que não estranhei, somente lamentei - veio-me uma dúvida: mas não é a Câmara, exatamente, a Casa do Povo? E em assim sendo não deveria eu regozijar-me, pois não é ele, exatamente, povo?
Povo na mais objetiva acepção da palavra em seu sentido de alguém nascido, vivido e vivificador do cotidiano, explítico ator do senso comum, copartícipe do ato diário do experimentar o que seja o brasileiro?, o brasileiro das ruas, becos, filas, dores e medos desse ser brasileiro?
Sim, ele o é. Mas, então, porque eu e outros deploramos essa presença - essa e outras, como o ex-jogador Bebeto - inscritos formalmente à cena público-parlamentar? Haveria aí um contrassenso, um paradoxo?
Na verdade, não. O problema, a questão, está no fato de que Tiririca, Bebeto, Romário, Agnaldo Timóteo - que é vereador em S. Paulo - e quejandos, assomam ao palco político-partidário exatamente em função do que ele tem de palco - em seu sentido de proscênio, de espetáculo.
Estão ali literalmente como atores de seus próprios papéis midiáticos, arrimando-se espertamente da política para nutrir seus rendimentos pessoais. E o fazem em função de que a política, a que se pratica no Brasil, permite a sua assunção enquanto participantes de uma mascarada.
E assim eles se candidatam e têm, certamente têm, possibilidades de embolsar um mandato, pelo menos um, ganhando um agrado no fim do mês. E que agrado. E assim somos e assim vivemos. No Brasil, senhoras e senhores, sempre tem marmelada. Até que, um dia, o circo pegue fogo.
Até que o circo pegue fogo
Emanoel Bareto
Ao tomar conhecimento da candidatura de Tiririca a deputado federal - o que não estranhei, somente lamentei - veio-me uma dúvida: mas não é a Câmara, exatamente, a Casa do Povo? E em assim sendo não deveria eu regozijar-me, pois não é ele, exatamente, povo?
Povo na mais objetiva acepção da palavra em seu sentido de alguém nascido, vivido e vivificador do cotidiano, explítico ator do senso comum, copartícipe do ato diário do experimentar o que seja o brasileiro?, o brasileiro das ruas, becos, filas, dores e medos desse ser brasileiro?
Sim, ele o é. Mas, então, porque eu e outros deploramos essa presença - essa e outras, como o ex-jogador Bebeto - inscritos formalmente à cena público-parlamentar? Haveria aí um contrassenso, um paradoxo?
Na verdade, não. O problema, a questão, está no fato de que Tiririca, Bebeto, Romário, Agnaldo Timóteo - que é vereador em S. Paulo - e quejandos, assomam ao palco político-partidário exatamente em função do que ele tem de palco - em seu sentido de proscênio, de espetáculo.
Estão ali literalmente como atores de seus próprios papéis midiáticos, arrimando-se espertamente da política para nutrir seus rendimentos pessoais. E o fazem em função de que a política, a que se pratica no Brasil, permite a sua assunção enquanto participantes de uma mascarada.
E assim eles se candidatam e têm, certamente têm, possibilidades de embolsar um mandato, pelo menos um, ganhando um agrado no fim do mês. E que agrado. E assim somos e assim vivemos. No Brasil, senhoras e senhores, sempre tem marmelada. Até que, um dia, o circo pegue fogo.
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Da minha ficção para a realidade do jornal
Aldair Dantas
Há poucos dias publiquei texto que tinha como persongem artífice gráfico, um velho homem que mantinha a seu lado antigos instrumentos de composição e impressão. Hoje leio - e transcrevo - da Tribuna do Norte matéria em que personagem vivo em muito se parece àquele que criei. Voltarei ao meu personagem, em outras crônicas. Coisas da vida, coisas da ficção. (EB)Artífice do tempo
Maria Betânia Monteiro - repórter
O paraibano, radicado em Natal, Antônio José Bandeira é um daqueles homens simples e cheios de mistério; mas um deles, a sua arte revela: o amor pelos livros. Gráfico no mínimo há 60 anos, Seu Bandeira diz que pediu à mãe para matriculá-lo na escola porque queria entender as coisas que via. Trabalhando de dia e estudando à noite, ele não pôde se dedicar aos estudos por muito tempo, mas acabou encontrando nas palavras impressas o seu sustento e a sua longevidade.
Há 60 anos no ramo gráfico, Antônio José Bandeira mantém viva a arte de encadernar livros e de cunhar títulos e textos com tipos móveisHoje aos 83 anos, aposentado, Seu Bandeira arrastou para sua casa um pouco do que encontrou em estabelecimentos comerciais e empresas públicas: a amizade, as maquinas de corte e impressão, os tipos gráficos – milhares deles – e a arte de encadernar livros.
Com uma clientela cativa, Seu Bandeira recebe encomendas diárias de jornais da cidade, como a Tribuna do Norte, de professores, e de donos de bibliotecas. Um deles, um médico, que preferiu não identificar, já teve quatro mil livros encadernados pelo artesão. “Um livro encadernado por mim dura toda uma vida”, disse Seu Bandeira, que recebeu a reportagem do VIVER em sua casa, na manhã de ontem.
Vestindo uma camisa branca da Bahia, Seu Bandeira foi logo dizendo: “É da Bahia, mas foi comprada aqui mesmo, não tem problema não”. A conversa aconteceu na sala da casa do encadernador, que fica numa das ruelas antigas do bairro das Rocas. Dividindo o espaço com uma guilhotina mecânica enorme, uma prensa e uma máquina de gravar, todas alemãs e com no mínimo meio século de uso, ele falou sobre o seu trabalho e muito pouco sobre sua vida.
Com trabalho, ele disse ter conseguido conquistar quase tudo o que sempre sonhou; encaminhou seus cinco filhos homens e suas duas filhas mulheres na vida e comemora o fato de ter a comida garantida todos os dias. “Hoje não quero saber o que os meus filhos fazem. Quero que eles olhem para trás e vejam o que eu fiz.” Mantendo uma rotina pesada, Seu Bandeira acorda às 5h todos os dias e percorre a rua onde mora, para tomar café com a filha. Pouco depois está de volta, dando início ao seu trabalho.
Ele corta os papéis, folhas avulsas, ou livros inteiros. Depois, faz o agrupamento das páginas, costura manualmente com linha de náilon, num belíssimo trabalho artesanal e sela com cola branca. Depois de deixar secar, Seu Bandeira alinha a brochura com a guilhotina e passa para a segunda etapa. Com papelão e um tipo especial de papel, ele faz a capa e a finaliza com uma faixa de brim no dorso, onde são impressos, com tipos móveis, os dados do livro. O encadernador fala que para compor as frases que serão imprensas no dorso, ele leva cerca de trinta minutos.
O trabalho é minucioso. Afinal, são 25 tipos de fontes, sendo cada uma delas composta de diversos tamanhos. As pecinhas de chumbo ficam distribuídas em diversas gavetas, organizadas no corredor da casa de Seu Bandeira. “Mas eu não reclamo de nada disso não, pois se inventassem um computador para encadernar eu já estava vendendo picolé na praia.”
Apesar de todo o trabalho, Seu Bandeira diz estar satisfeito com a profissão. “Aqui a gente lucra pouco. Nós fazemos mesmo é por paixão”, diz ele, que usou o plural para se referir aos filhos, que no final do expediente (ou mesmo no intervalo) se unem a ele. “Ensinei tudo aos meus filhos e gostaria que eles ensinassem aos filhos deles também.”
Um de seus filhos, Francisco Bandeira, chegou ao local de trabalho na hora em que o pai havia feito, mais uma vez, o mesmo pedido à reportagem: “Não publica isso não.” Ele estava falando de uma das fases de sua vida, quando teve que comer mingau de jabá com farinha fina, para poder sobreviver.
O fato não envergonha Seu Bandeira. O que ele não quer é revelar os detalhes sobre sua vida. Todas as informações preciosas ele quer guardar para compor sua autobiografia. Uma forma de colocar em prática o sonho de ser jornalista.
Sem detalhes
Aguardando que esta repórter fechasse o caderno e guardasse a caneta, Seu Bandeira começou a revelar detalhes de sua vida, depois de ter feito um esforço enorme para escondê-los durante a entrevista. Ele falou de como nasceu, como chegou a Natal, quais trabalhos realizou antes de ser gráfico, quem conheceu, quando se casou... Ele, porém, pediu sigilo total sobre o assunto.
Mas o que seu Bandeira não sabia é que debaixo das lentes pesadas de seus óculos escapavam várias outras informações preciosas, como a sua vivacidade, seu empreendedorismo, a saudade pelo tempo que se foi, o sofrimento da perda de um filho e a frustração de não ter estudado tanto quando desejou.
O encadernador fez apenas um pedido: que nesta matéria fosse citado o nome de Alfredo Lira, dono da Tipografia Lira, local onde aprendeu quase tudo o que sabe. Segundo ele, a outra parte da aprendizagem veio como consequência. Seu Bandeira trabalhou no jornal católico “A Ordem”, na Editora da UFRN, e, assim como os filhos, no final do expediente ia fazer o que mais gostava: aprender.
“Eu ia quase todas as noites à Tribuna do Norte. Lá, aprendi a fazer os títulos das reportagens e amigos”, disse ele, que há mais de 30 anos tem a TN como cliente. Frustrações na vida foram três, mas ele só permitiu falar de uma: a de não ter sido jornalista. As outras duas provavelmente estarão em sua biografia, que não tem data para ser publicada.
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terça-feira, 3 de agosto de 2010
Rosalba esconde que dá apoio a Serra: teme perder votos de lulistas
http://www.google.com.br/imgres?
Aonde está Serra?
Emanoel Barreto
Leio na coluna de Monica Bergamo, Folha:
Wally 1 De todos os sumiços anotados pela cúpula da campanha de José Serra, nenhum causa mais espécie que o de Arthur Virgílio (PSDB-AM). O senador, que na tentativa de viabilizar sua reeleição aliou-se ao lulista Alfredo Nascimento (PR), rifou a campanha presidencial tucana no Amazonas.
Wally 2 Outra praça a preocupar o comando serrista é o Rio Grande do Norte. Ali a oposição tem a líder nas pesquisas, Rosalba Ciarlini (DEM), mas a campanha esconde o candidato presidencial. Trata-se de conselho da marquetagem para não contrariar o eleitorado lulista.
......
A CAMPANHA DE Serra já deve ter detectado que ele será derrotada. Quando começar a fase do circo, ou seja, dos debates na TV e do guia eleitoral, isso deverá ficar, paulatinamente, mais explícito.
Serra sabe que, por um desses fenômenos da comunicação de massa, ele não enfrenta Dilma, mas está às voltas com um mito: Lula. Mais que isso, deu de cara com uma situação de estabilidade econômica que, por si só, funciona como mensagem favorável à figura histórica de Lula, repercutindo favoravelmente a Dilma.
O registro de Bergamo a respeito do senador Virgílio é exemplo palmar: onde está o guardião da candidatua oposicionista, que tão bravamente acusa do governo no Senado? Está, segundo a jornalista, lastreando ninguém menos que um petista, abrindo os flancos para o crescimento de Dilma.
Aqui no Rio Grande do Norte, a mesma coisa. Ocorre com Serra uma espécie de efeito teflon: ele é repelido, não está colado à candidatura Rosalba Ciarlini ao governo do estado.
Todo candidato oposicionista precisa de um discurso que desconstrua o adversário. Está difícil desconstruir a imagem de Lula, agendada e armazenada no imaginário coletivo como um bom presidente.
O resto será o processo natural das coisas.
PS: para quem não lembra, Wally é um personagem de um jogo de quebra-cabeça. O seu criador o esconde em meio a uma multidão e ganha quem descobrir aonde ele está.
Aonde está Serra?
Emanoel Barreto
Leio na coluna de Monica Bergamo, Folha:
Wally 1 De todos os sumiços anotados pela cúpula da campanha de José Serra, nenhum causa mais espécie que o de Arthur Virgílio (PSDB-AM). O senador, que na tentativa de viabilizar sua reeleição aliou-se ao lulista Alfredo Nascimento (PR), rifou a campanha presidencial tucana no Amazonas.
Wally 2 Outra praça a preocupar o comando serrista é o Rio Grande do Norte. Ali a oposição tem a líder nas pesquisas, Rosalba Ciarlini (DEM), mas a campanha esconde o candidato presidencial. Trata-se de conselho da marquetagem para não contrariar o eleitorado lulista.
......
A CAMPANHA DE Serra já deve ter detectado que ele será derrotada. Quando começar a fase do circo, ou seja, dos debates na TV e do guia eleitoral, isso deverá ficar, paulatinamente, mais explícito.
Serra sabe que, por um desses fenômenos da comunicação de massa, ele não enfrenta Dilma, mas está às voltas com um mito: Lula. Mais que isso, deu de cara com uma situação de estabilidade econômica que, por si só, funciona como mensagem favorável à figura histórica de Lula, repercutindo favoravelmente a Dilma.
O registro de Bergamo a respeito do senador Virgílio é exemplo palmar: onde está o guardião da candidatua oposicionista, que tão bravamente acusa do governo no Senado? Está, segundo a jornalista, lastreando ninguém menos que um petista, abrindo os flancos para o crescimento de Dilma.
Aqui no Rio Grande do Norte, a mesma coisa. Ocorre com Serra uma espécie de efeito teflon: ele é repelido, não está colado à candidatura Rosalba Ciarlini ao governo do estado.
Todo candidato oposicionista precisa de um discurso que desconstrua o adversário. Está difícil desconstruir a imagem de Lula, agendada e armazenada no imaginário coletivo como um bom presidente.
O resto será o processo natural das coisas.
PS: para quem não lembra, Wally é um personagem de um jogo de quebra-cabeça. O seu criador o esconde em meio a uma multidão e ganha quem descobrir aonde ele está.
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segunda-feira, 2 de agosto de 2010
A misericórdia do carrasco
Que houve?
Emanoel Barreto
Houve um conluio de ladrões e tudo se fez calmo.
Que é próprio dos ladrões deixar a calma e o nada após o que fizeram.
Houve uma opereta de lobos em meio ao vento frio-noite.
Que é dos lobos varar o escuro com suas vozes de terror.
E afinal houve um mestre carrasco.
Que era misericordoso, pois rápido nos golpes de decepar cabeças;
Emanoel Barreto
Houve um conluio de ladrões e tudo se fez calmo.
Que é próprio dos ladrões deixar a calma e o nada após o que fizeram.
Houve uma opereta de lobos em meio ao vento frio-noite.
Que é dos lobos varar o escuro com suas vozes de terror.
E afinal houve um mestre carrasco.
Que era misericordoso, pois rápido nos golpes de decepar cabeças;
A beleza bruta e seminua
Seminua, a vendedora do mercado de Bali é beleza em estado bruto. Um espécime humano tão intenso nascido do mesmo húmus de onde brotou o homem descarnado. A foto é de Cartier-Bresson, em seu livro O momento decisivo.
Heil, bomba atômica
Mete bronca
Emanoel Barreto
O anúncio de que os EUA têm "sobre a mesa" estudos bélicos, projetos táticos visando atacar o Irã caso o país persista em constuir uma bomba atômica, revela uma paradoxal realidade política: Os Estados Unidos "têm o direito" de manter um brutal arsenal nuclear, com capacidade literal de destruir o mundo; quando ao Irã, uma só bomba é inaceitável porque está "em mãos erradas".
Resumindo: se forem os Estados Unidos o povo matador, tudo certo. Se for qualquer outro povo, inaceitável.
O raciocínio até aqui desenvolvido pode sugerir que defendo o Irã. Não, não defendo. Deploro a política belicista estadunidense. Como deploro o regime obscurantista da teocracia iraniana.
Mas deploro, acima de tudo, que a criatura humana continue ainda nos tempos de hoje a decidir suas pendências à base de brutalidade e da estupidez. Algo ainda semelhante ao procedimento das hordas ancestrais da humanidade, quando dois grupos disputavam um mesmo manancial, um campo, uma caverna.
Essa a ideia que preside os comportamentos políticos mundiais: a sucumbência da diplomacia ao canhão, a queda do diálogo em proveito dos fabricantes de armas, a morte do outro por ser "o estrangeiro", o distante, o diferente, aquele que quer comer, sem repartir, a frutinha que está no topo de uma árvore.
Emanoel Barreto
O anúncio de que os EUA têm "sobre a mesa" estudos bélicos, projetos táticos visando atacar o Irã caso o país persista em constuir uma bomba atômica, revela uma paradoxal realidade política: Os Estados Unidos "têm o direito" de manter um brutal arsenal nuclear, com capacidade literal de destruir o mundo; quando ao Irã, uma só bomba é inaceitável porque está "em mãos erradas".
Resumindo: se forem os Estados Unidos o povo matador, tudo certo. Se for qualquer outro povo, inaceitável.
O raciocínio até aqui desenvolvido pode sugerir que defendo o Irã. Não, não defendo. Deploro a política belicista estadunidense. Como deploro o regime obscurantista da teocracia iraniana.
Mas deploro, acima de tudo, que a criatura humana continue ainda nos tempos de hoje a decidir suas pendências à base de brutalidade e da estupidez. Algo ainda semelhante ao procedimento das hordas ancestrais da humanidade, quando dois grupos disputavam um mesmo manancial, um campo, uma caverna.
Essa a ideia que preside os comportamentos políticos mundiais: a sucumbência da diplomacia ao canhão, a queda do diálogo em proveito dos fabricantes de armas, a morte do outro por ser "o estrangeiro", o distante, o diferente, aquele que quer comer, sem repartir, a frutinha que está no topo de uma árvore.
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