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domingo, 27 de maio de 2012

Chegou a hora da verdadeira mentira

Aproxima-se mais um período eleitoral. Achegam-se dias de promessas, quilômetros de boas intenções, léguas de compromissos, milhas e milhas de obras e gestos magistrais: tudo isso supostamente a favor desse ser coletivo e difuso a quem chamamos povo. Que coisa boa...
http://cotidianews.wordpress.com/2011/02/08/povo/

Se o povo, ao longo da história, tivesse recebido tudo o que lhe vem sendo prometido, houvesse acumulado em suas casas, pelas ruas, campos e florestas as coisas boas que são apresentadas em discursos e programas eleitorais,  hoje não teríamos mais o mundo, senão o Paraíso. 

Seríamos felizes e carga plena, nem mesmo trabalhar seria preciso, uma vez que a sociedade estaria de tal forma organizada - e o perfeito sistema proposto pelos políticos seria provedor tão eficaz - que tudo estaria a nosso dispor ao simples estirar de um braço.

As campanhas políticas tornaram-se espetáculos de convencimento, mais que isso, de sedução, especialmente agora, com a sofisticação dos processos de comunicação. Os políticos são produtos ou a isso assemelhados, a fim de obter o pagamento que tanto desejam: o voto. Eles se vendem como artífices do futuro, engenheiros do equilíbrio social e terminam por ser comprados.

Mas, quando consumidos, ou seja, quando ocupam o cargo que disputaram, costumam causar malefícios ao consumidor, como ocorre com produtos estragados.

Mas, que venha a campanha e a chusma de promessas. Mas o pior de tudo é que somos um povo acorrentado ao voto obrigatório. Quer dizer, o político não é eleito; ele se faz eleger, o que é sutilmente diverso. Sei que o absenteísmo não é caminho válido para o processo político. O indiferentismo não é boa escolha. Mesmo assim, creio que deveria haver neste país uma grande mobilização pregando o voto nulo. De tal forma que os eleitos o fossem com votação mínima, ridícula, demonstrando com isso a sociedade que está atenta aos que mentem para se manter lá no alto e, lá chegando, se locupletam à tripa forra.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Deu na Folha:

Dilma muda ministério para aplacar evangélicos
Ligado à Igreja Universal, senador Marcelo Crivella vira ministro da Pesca
Planalto espera que escolha ajude a conter críticas ao petista Fernando Haddad na corrida à prefeitura


DE BRASÍLIA
DE SÃO PAULO
Com o objetivo de blindar o petista Fernando Haddad contra críticas dos evangélicos na campanha à Prefeitura de São Paulo, a presidente Dilma Rousseff promoveu ontem mais uma mudança na Esplanada dos Ministérios. 

Dilma escolheu o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), ligado à Igreja Universal do Reino de Deus e um dos principais representantes dos evangélicos no Congresso, para substituir o petista Luiz Sérgio no comando do Ministério da Pesca e Aquicultura. 

A posse do novo ministro será amanhã. Em nota, a presidente disse estar "segura" de que Crivella "prestará relevantes serviços ao Brasil" e afirmou que a troca "permite a incorporação ao ministério de um importante partido aliado da base do governo". 

Para o Planalto, a nomeação de Crivella poderá conter críticas que evangélicos ameaçam fazer contra Haddad por causa do kit gay, material que o governo planejava entregar a alunos da rede pública para combater o preconceito contra homossexuais.
Encomendado pelo Ministério da Educação quando Haddad era o ministro, o kit teve sua distribuição suspensa pelo governo no ano passado, depois de receber críticas de líderes evangélicos. 

Em entrevista à Folha em fevereiro, o presidente do PRB, Marcos Pereira, que também é bispo da Igreja Universal, afirmou que o kit afastaria os evangélicos do candidato petista em São Paulo. 

Com a escolha de Crivella, o Planalto espera ainda fazer um agrado à direção da TV Record, que é controlada pela Igreja Universal. A emissora veiculou várias reportagens críticas sobre o kit gay. 

O novo ministro negou relação entre sua escolha e a disputa eleitoral. "Em nenhum momento, quando a presidente me convidou, isso foi aventado", afirmou Crivella. "Pelo contrário, só tivemos conversas técnicas."
O PRB lançou o deputado federal Celso Russomanno como candidato à Prefeitura de São Paulo. Ele afirmou ontem que continua no páreo. "Nosso acordo com o governo é na esfera federal", disse.

Recentemente, líderes evangélicos ficaram descontentes com o governo por causa de declarações do ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, responsável pelo diálogo do Palácio do Planalto com igrejas e movimentos sociais.
Em palestra em fevereiro, Carvalho disse que o Estado deveria entrar numa disputa ideológica pela "nova classe média", que estaria sob hegemonia dos evangélicos.
Ele disse ter sido mal compreendido e pediu "perdão" pelo "sentimento" que suas declarações provocaram. 

Representantes dos evangélicos no Congresso também ficaram insatisfeitos com a nomeação da petista Eleonora Menicucci para o cargo de ministra de Políticas para as Mulheres há um mês. Ela defende a descriminalização do aborto e no passado admitiu ter feito dois abortos.
Na reta final da campanha presidencial de 2010, Dilma sofreu forte pressão dos evangélicos e assumiu o compromisso de que não mudaria o tratamento que a legislação brasileira dá ao aborto.

domingo, 27 de novembro de 2011

A destruição do Machadão

http://pt.fifa.com/worldcup/news/newsid=1529425/index.html

  "Encha o bucho de gol. Você merece"


Atacado pelos dinossauros de metal o Machadão viu-se em escombros. Pudera. O estádio vivia sua condição de poema de concreto. E, como se sabe, poemas pouco podem contra a brutalidade, a insânia, o ato violento. Sua destruição foi o passo inaugural da intentona da Copa do Mundo. 

Para a consecução do desastre, rios de dinheiro serão atirados no estuário que desemboca no fosso escancarado das despesas com a Arena das Dunas. Arena. Sinistro nome. Arena lembra sofrimento, dor, enfrentamentos brutais. Desde os gladiadores, que em Roma faziam o espetáculo. 

A construção da Arena agora terá início. Farônica. Talvez até se possam invocar as almas avoengas dos desgraçados que ergueram as pirâmides. Para que revivam aqui sem pleno sofrimento. Nosso sol nordestino tem o mesmo calor vulcânico do sol que queimou as costas dos que levantaram as pirâmides, pedra sobre pedra. 
 
O dinheiro que será gasto fará falta à saúde, à educação, à segurança, às estradas, à cultura. Onde houver um problema social aí haverá a ausência dessa fortuna.
Mas infortúnios não faltarão, disso estou certo. E iniciada a Copa, quando derem o primeiro grito de gol, haverá o último suspiro de alguém a quem faltou o remédio, quem sabe até mesmo a esperança de seriedade nos que fazem - e desfazem - a história e o futuro.

Ai, dirá o povo. Calaboca, dirão os poderosos. Encha o bucho de gol, você merece.


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

http://www1.folha.uol.com.br/poder/1007488-em-tratamento-contra-cancer-lula-raspa-cabelo-e-barba.shtml
A nova cara de Lula e um discurso de François Silvestre


Vendo essa foto de Lula e nela o vulto do ex-líder sindical em batalha contra o câncer, lembrei-me agora de 1982 quando, candidato a deputado federal, o escritor François Silvestre, orador olimpiano, dizia, se não me falha a memória, "que a humanidade caminha no mundo sua louca aventura pela história". 

O que têm a haver entre si Lula e o dito de François? Muito. Para mim, o despenhadeiro existencial que hoje vive Lula é a comprovação das palavras do meu amigo, em sentido largo. Cada um de nós é parcela íntima da humanidade e está sujeito aos desvios, imprevistos, ameaças, temores, vitórias. 

Quem se lembra da figura de Lula sindicalista percebe o choque entre a imagem presa na retina da memória e a figura atual. Tudo é história, essa manifestação da obra humana em seu presente contínuo auspicioso ou não. 

Daqui a alguns meses veremos o resultado da luta e, quem sabe, o retorno de Lula à sua velha imagem. E a história, bem, essa continuará em sua louca aventura feita de fatos e de homens. 

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O candidato e as verdades provisórias

Ontem encontrei-me com um sujeito que quer se candidatar a não sei o quê, em algum futuro. Disse que vai centrar o discurso em "verdades provisórias", que serão alteradas de acordo com a campanha. As verdades irão sendo mudadas ao sabor dos acontecimentos. Isso será dará com o uso de outdoors, vídeos e impressos substituídos ao longo do tempo. 
http://www.google.com.br/imgres?q=verdade&hl=pt-BR&safe=off&client

Quando lhe disse que tais verdades já são usadas costumeiramente pelos políticos rebateu, assegurando que essas verdades dos políticos são verdades provisórias que se eternizaram de tanto ser repetidas. As suas serão verdades provisórias legítimas, criadas há muito pouco tempo; serão irrepetíveis e inigualáveis.

Como ainda estão em fase de preparação não posso divulgá-las pelo simples fato de que ainda não existem. Chegará o tempo da campanha e ele continuará elaborando as verdades provisórias. Será eleito com o discurso de que dirá somente a verdade e isso não será mentira; apenas ele ainda não começou a falar as tais verdades. Afinal, será eleito sem ter dito uma só mentira e nada deverá ao povo  - que foi mais uma vez enganado e fim.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O elegante salafrário

O elegante playboy queria um brinquedo novo. Já estava cansado do Porshe, do iate, da lancha offshore, dos passeios em ilhas de fantasia e mágica, prazeres e champanhe. Queria algo inesperado, instigante, perfeito. E o pai deu-lhe o presente. Deu mas não disse o que era. Somente depois de decorrido um prazo, após um certo dia, o rapaz iria saber da maravilha que estava a seu dispor. 
http://www.google.com.br/imgres?q=dinheiro
O pai o enviou a viagem aos mares do sul; mas, antes, o fez assinar documento que não leu. Leu apenas uma palavra: "candidato". Sem entender, firmou o documento e viajou. Três meses depois foi trazido de volta e o pai, felicíssimo, o abraçou firmemente e o parabenizava. Lá fora, à frente da mansão, ouvia-se alarido. "O que é isso, papai?"; e o pai respondeu: "Seu presente, meu filho."

http://www.google.com.br/imgres?q=lancha+offshore
Dito isso, o pai pegou o playboy pelo braço e o levou à janela mais alta da casa. Ao fundo movia-se grande multidão, urrando e gritando ao sol impiedoso. "E o que é isso, papai?". Ao que o velho respondeu: "Isso, meu filho, é o povo. O povo é o teu novo presente. Foste eleito deputado federal sem sequer precisar de te campanha, pois estavas em viagem, e agora tens tua paga merecida: dou-te o povo de presente. Faz com ele o que quiseres."

Emocionado o playboy perguntou: "Posso falar? Posso fazer um discurso?" - é claro que podia. Deputado ganha mesmo, e muito bem, para falar e fazer discurso. E o notável mandrião anunciou ao povo tudo o que pretendia fazer em seus próximos oitenta mandatos: "Meu povo. Estejam certos de uma coisa: não vim para trabalhar. Nasci para cometer!"

sábado, 13 de agosto de 2011

O tempo de Aluízio Alves
--- Walter Medeiros* –  
Walter Medeiros
A exatidão do tempo que corre por nossa vida ou a exatidão da nossa vida pelo tempo, que é eterno, maior e fugaz, permite a cada humano apenas o seu pequeno quinhão. Embora os registros, as tecnologias e tantos outros recursos nos proporcionem conhecimento até da antiguidade, da pré-história, bem como também até mesmo imaginar, com proximidade, o futuro. 

Essas divagações e reflexões vêm para mostrar que, apesar de cabelos brancos pela cabeça, vivi - mas não tinha ainda como participar tanto - o tempo de Aluízio Alves no Governo do Estado do Rio Grande do Norte. Quando ele saiu do governo eu tinha 12 anos; o que não seria problema para ele, que com essa idade já estava nos salões da política.

Havia, no entanto, um envolvimento forte, que tornou aquele tempo marcante para mim. Meu avô, Francisco Bezerra, minha avó, Constância Constantina e minha tia Mariêta Freitas, eram da Cruzada da Esperança. Na sala de trabalho do meu avô tinha o retrato de Aluízio Alves, colocado desde a campanha de 60. Nos rádios ouvia-se o Falando Francamente todos os dias, naquela voz forte e convincente de Erivan França. Foi quanto meu irmão, Wellington Medeiros passou a trabalhar na Rádio Cabugi, então na Praça Pedro II. E o tempo passou, até assistirmos o radicalismo nas vozes de Magnus Kelly, Carvalho Neto e Eugênio Netto. 

Guardava desse tempo o disco em 78 rotações - “Aluízio Alves/Veio do sertão lá do Cabugi...”, que minha tia pediu para preservar e depois de muito tempo e reflexão considerei mais apropriado doar ao Memorial Aluízio Alves. Não consegui guardar, no entanto, aquela bolsa verde com a mão de Aluízio, na qual guardava e conduzia meu material escolar para estudar no Grupo Escolar Áurea Barros, em Tirol (1963). Nem aquelas caixas de leite da Aliança para o Progresso, que consumíamos, gostávamos e findavam servindo para brincar pelas caçadas da rua Alberto Maranhão. Muito menos aquele sabre com o qual um soldado me conteve na manhã de 1º de abril de 1964, mandando de volta para casa o menino que apenas queria comprar pão na Padaria São Paulo.
Dali em diante tivemos campanhas políticas limitadas em sua participação. Depois da década de 60 Aluízio Alves, Agnelo Alves, Garibaldi Alves, Erivan França e outros  estavam proibidos de falar em manifestações populares, cassados pelo AI-5 (Ato Institucional nº 5). O regime autoritário cortou o grito do povo, que nas ruas dizia, e eu ouvia: “Queremos Aluízio em 70”. Neste momento em que se homenageia Aluízio na sua data de nascimento, deixo aqui estas lembranças daquele tempo cujo curso foi mudado pela força. A presença de Aluízio Alves em momentos posteriores é outra história, que o tempo também guardou.
*Jornalista

sábado, 15 de janeiro de 2011

Conselhos úteis para você entrar na banda podre

Para ter acesso à banda larga governos estão anunciando programas e projetos. Como é coisa de burocracia e de tais sabenças não entendo, mas tenho curiosidade de desvendar os mistérios de outra banda, a banda podre, entrevistei um corrupto aposentado, de férias em Natal. Não sabia? Pois saiba que tem corrupto aposentado, tem sim. Esse, vive no Tahiti e fica em Natal mais umas duas semanas. Pois bem: depois de puxar um fumaceiro enorme em seu cubano legítimo, ditou:

Para ingressar na banda pobre siga os seguintes passos:

1 - Pode começar como líder comunitário.
2 - Depois, filie-se a um partido. Qualquer partido.
3 - Candidate-se. Pode ser até mesmo a vereador.
3 - Eleja-se a qualquer preço. Literalmente.
4 - Tenha jogo de cintura e vá fazendo o jogo. Uma propina aqui, uns 20% ali e assim por diante.
5 - Aumente o patrimônio, ajude os amigos e os familiares. Faça mais negociatas.
6 - Na eleição seguinte deputado, depois deputado federal, senador, governador. Se der, presidente da República.
7 - Refaça o caminho se sofrer algum revés. 
8 - Acima de tudo não tenha vergonha de uma derrota política. Jamais tenha vergonha de recomeçar. Jamais tenha vergonha de nada. Vergonha é coisa que não existe em nosso vocabulário. 
9  - Se sofrer acusações, processos, até mesmo pena de prisão não tema: você jamais será pego. Jamais.
10 - Lembre-se que a Justiça é cega. Como tal, é deficiente visual o que não deixa de ser uma deficiência física. E todo deficiente deve ser protegido.
11 - Como legislador você criará leis que protejam a Justiça Cega e ela lhe ficará muito grata.
12 -  Torne-se o campeão dos deficientes e inclua tecnicamente, entre as deficiências, as deficiências morais. Assim terá blindado seus próprios comportamentos criminosos. 
13 - Então, quando vierem prendê-lo, alegue deficiência moral, lembrando que é ato de lesa humanidade explorar ou encarcerar um deficiente. Desta forma estará livre e jamais, jamais como eu disse, será pego.
14 - Foi procedendo neste caminho que progredi em toda a minha vida e afinal, cansado de tanto roubar, pois também sou um deficiente de preguiça, requeri aposentadoria especial com lucros de 200% sobre tudo o que já afanei da sociedade. A aposentadoria foi concedida imediatamente.

Hoje, encontro-me confortavelmente instalado no Tahiti, passo férias jamaicanas e, para descansar, vou sempre às ilhas Fiji, onde me finjo de um bom velhinho, amparado por algumas sobrinhas que contratei a peso de ouro. 

Se você tem talento, engenho e arte para a corrupção tem todo o meu apoio. Bem-vindo à banda podre.

PS: E nada mais me disse nem lhe foi perguntado.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Arrependei-vos todos. Eis que chegou, para expungir o Mal, a Santa Inquisição
Emanoel Barreto

Leio no UOL: A candidata derrotada do PV ao Palácio do Planalto, Marina Silva, apresentou nesta sexta-feira (8) o documento que servirá de base para conversas sobre um possível apoio da verde aos presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB) no segundo turno. Além disso, a ex-ministra do Meio Ambiente repetiu, ao ser questionada, que “o Brasil está preparado para ter uma mulher na Presidência da República”.

No entanto, a senadora pelo Acre não explicitou apoio à ex-ministra da Casa Civil, candidata do partido pelo qual Marina militava até o ano passado, nem a Serra, que tem a preferência de membros da cúpula do PV. “Cabe a quem está na disputa convencer o eleitor. Não sou eu quem vai falar”, disse ela, que contou com cerca de 19% dos votos no primeiro turno.

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A senadora Marina é um ator político e um quadro partidário extremamente qualificado e sabe que a posição de neutralidade é falsa. Especialmente porque se isso ocorrer estará acontecendo em ambiente político onde a ética não é fator preponderante. Tanto que a campanha de Serra se desenvolve sob o símbolo do obscurantismo e da manipulação de conceitos arraigados aos valores dos mais simples. Como se fazia com a Santa Inquisição, Dilma é apontada como se fora uma bruxa. Até se fala que seu vice, Michel Temer, tem pacto com o diabo...

Chega a ser kafkiano, digno de uma peça de Ionescu, a forma como Serra se utiliza de valores religiosos para dar andamento à sua empreitada política em pleno século 21. Marina sabe que dessa eleição, da forma como se comportar, sairá seu marco zero para 2014. Seu capital político é grande como ambientalista e humanista. Isso é internacionalmente reconhecido.

Seria portanto um erro, mesmo que no aspecto unicamente tático, alinhar-se a um partido como o PSDB; afora as consequências de arranhar sua imagem de intelectual e de ator político ético, seu ingresso no coro serrista da malsinada campanha centrada no repúdio ao aborto indicaria acatar, por tibieza, tal procedimento, do mesmo modo como se fazia com mulheres acusadas de ser bruxas.

É preciso instalar um clima de histeria como se vivêssemos os tempos da Idade Média, onde o diabo estava em toda parte e todos eram culpados de com ele manter comércio à mínima suspeita. É grotesco e ridículo. É uma falta de respeito à inteligência e à civilidade.

Marina é ambientalista. Ser ambientalista é quase sinônimo de ser ético, de ter compromissos com o ser humano, de compreender que uma investida política não pode centrar-se em proposta política tão desmiolada como a intentona da campanha do tucano, que mistifica valores e se aproveita de uma certa ingenuidade popular que tende e aceita o maniqueísmo, superstições e crenças absurdas.

Avalizar por qualquer meio o PSDB - ao manter-se supostamente equidistante a dois candidatos desiguais em suas matrizes ideológicas profundas -, seria equívoco que pode prejudicá-la em 2014. Como pessoa política experiente, sabe disso. Neutralidade será, na prática, apoio tácito a Serra e a seu pronunciamento medievo de enfrentamento do Bem contra o Mal.

Por precaução e aproveitando o clima de caça às bruxas, Vade Retro...

Imagem: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgEvG0rry9nKoYxhWS-6C2zdVyRsuv7pvMZLIM7vUUAMiw4FpY33dgp0qXCD2Rmd4hj04ANqKx3XFPJn_4BLjhOhT2T8h8xNlDsQPyxr3c2tvESI9PByv6N9QNKKu73NSs7W80u/s400/Inquisicao%255B5%255D.jpg&imgrefurl=http://bruxariagora.blogspot.com/2009/08/bruxas-uma-historia-de-magia-e-terror.html&usg=__Ug7CeKLCk97Zspt0tT1b23jtWDY=&h=400&w=396&sz=34&hl=pt-br&start=12&zoom=1&um=1&itbs=1&tbnid=FC0xPyAdVHdQeM:&tbnh=124&tbnw=123&prev=/images%3Fq%3Dbruxas%2Binquisi%25C3%25A7%25C3%25A3o%26um%3D1%26hl%3Dpt-br%26safe%3Doff%26sa%3DN%26tbs%3Disch:1

sábado, 2 de outubro de 2010

Abaixo, texto do jornal colombiano El País, em que se analisa a sucessão brasileira e se diz: Nadie en Brasil quiere estar ni en la derecha ni tan siquiera en el centro-derecha.La clase C, los 30 millones de brasileños que han salido en los últimos 10 años de la pobreza extrema, decidirá hoy quién sucede al presidente más popular de su historia, Lula da Silva, y quién recoge su herencia. Ellos son los hombres y mujeres que mantienen una economía muy modesta, pero que han podido, por primera vez, abrir una cuenta corriente, acceder a un pequeño crédito o comprar a plazos una nevera o una lavadora, la auténtica imagen de este nuevo Brasil que el resto del mundo mira con expectación y deslumbramiento.

La 'clase C' decide el futuro de Brasil
SOLEDAD GALLEGO-DÍAZ - Brasilia




"No hay un país en el mundo que tenga tanta certeza en su futuro como Brasil". Lo dijo Lula, pero todos los analistas políticos coinciden en que la estabilidad económica y política de la que disfruta Brasil desde hace casi 15 años ha extendido entre la inmensa mayoría de los ciudadanos la idea de que todos los problemas se pueden tratar y en que todos pueden encontrar solución.

Clovis Rossi, uno de los periodistas más prestigiosos del país, lo describió así: "Gente con apariencia más humilde, ropas más sencillas, color menos blanco, visita por primera vez el centro comercial más cercano a mi casa, en Río, un local no de élite, sino de clase media. Están ahí no solo para mirar, sino para comprar".

Esa indefinida impresión de sentirse bien es la que hace que Lula deje la presidencia (no puede presentarse a un tercer mandato) con un 80% de popularidad y que sea su candidata, Dilma Rousseff, una antigua guerrillera marxista leninista, reconvertida en economista y luego en el equivalente a su jefe de Gabinete, quien tenga todas las posibilidades de ganar. Brasil confía en su propio mercado interno tanto como en las exportaciones y está seguro de poder mantener un ritmo de crecimiento económico más acelerado del que ha mantenido hasta ahora (entre un 4% y un 5% anual a lo largo de los últimos ocho años).

La única interrogante hoy domingo es si Rousseff logrará proclamarse en primera vuelta o si tendrá que acudir a una segunda votación. Lo que todos los sondeos dejan claro es que nadie, ni el ex gobernador de São Paulo José Serra, ni la ex ministra Marina Silva, del Partido Verde, se acercan siquiera a la heredera de Lula. Lograr ganar directamente sería un hecho sin precedentes, ya que ni el propio Lula logró nunca evitar esa segunda ronda.

Brasil es un país enorme (el quinto del mundo en extensión y en población) y hoy deberían votar nada menos que 136 millones de personas, de una población total de cerca de 192 millones. La clase C no supone la mayoría del país, pero sí es la que ha logrado algo formidable: que prácticamente la mitad de los brasileños (49,2%) integre ya la clase media y concentre el 46% de la renta, según el último estudio de la Fundación Getulio Vargas. Hace siete años, en 2003, eran solamente el 37,5% de la población.

Otro de los milagros brasileños es que esa clase media y media baja ya no se encuentra solo en los Estados más ricos, como São Paulo, Río de Janeiro o Brasilia (las tres ciudades que hasta ahora han representado casi exclusivamente a Brasil en el mundo de los negocios).

El optimismo ha llegado por primera vez al pobrísimo noreste (del que salió el propio Lula) y ahora ya no es posible hablar de Brasil sin referirse también a Recife (Pernambuco) o a Fortaleza (Ceará) y, por supuesto, a Bahía, que se han convertido en importantes destinos turísticos (Iberia inaugurará el próximo mes vuelos directos con Recife). Imposible pensar ahora en el futuro de Brasil sin tener en cuenta también a Belo Horizonte, la capital del gran Estado de Minas Gerais, del que saldrá muy probablemente el político que va a representar mejor a la oposición frente a Rousseff, o incluso ante el propio Lula: Aecio Neves, del Partido de la Social Democracia Brasileña (PSDB), el ex gobernador del Estado, abandona su cargo también con niveles increíbles de popularidad: cerca del 70%.

El Brasil que deja Lula se siente optimista, pero sigue teniendo graves problemas. El primero es que más del 40% de la población está todavía en la pobreza más absoluta y sobrevive en buena parte gracias a las pequeñas subvenciones del Plan Bolsa Familia, destinado a lograr el objetivo de Hambre Cero.

El segundo problema es la necesidad de mejorar rápidamente la calidad de la educación que reciben los hijos de esa nueva clase C, seguido muy de cerca por la lucha contra la corrupción, la mejora en las infraestructuras y la reforma de la fiscalidad.

Son quizás esos problemas, y el convencimiento de que se ha dado con la fórmula para terminar resolviéndolos, los que han convertido el panorama brasileño en algo muy particular en América Latina: todo el espacio político está ocupado por ofertas moderadas de centro-izquierda.

La oposición que acude hoy a las urnas está representada por un político de larga tradición socialdemócrata, José Serra, y por una dirigente ecologista que formó parte de los Gobiernos de Lula. Nadie en Brasil quiere estar ni en la derecha ni tan siquiera en el centro-derecha.



Imagem: http://www.google.com/imgres?imgurl=https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgArBBdbwAL2fJIbtrH0-_haXHlzODKQDQuWpT3yhQl9rbfP6jIJrt1CZEtmOn-rvMdGLknksT8_eU1pwvl0ftgL5-P-U8jL1aqvUm1N-uKjdlqLq8mmaGhPvZLiJ_SW-gYUPqKCA/s320/dilma+lula+sorrindo.jpg&imgrefurl=http://desabafopais.blogspot.com/2009/03/lula-e-dilma-nao-fizeram-propaganda.html&usg=__4E_QlVzQ6DXZMfYuEMt1Qj_aabM=&h=290&w=290&sz=19&hl=en&start=27&sig2=leYPjIgwTOz5IFX851qGIA&zoom=1&tbnid=Q_EK6EswucW67M:&tbnh=124&tbnw=118&ei=Bc2nTPbJIYW0lQfmzpWTDg&prev=/images%3Fq%3Dlula%2Be%2Bdilma%26um%3D1%26hl%3Den%26safe%3Doff%26sa%3DN%26biw%3D1003%26bih%3D562%26tbs%3Disch:1&um=1&itbs=1&iact=rc&dur=359&oei=9synTMqeJsHflgfJ5ei4DA&esq=3&page=3&ndsp=15&ved=1t:429,r:8,s:27&tx=56&ty=55


domingo, 12 de setembro de 2010

Deu na Folha. Manchete: Filho de braço direito de Dilma atua como lobista

Se for assim, o que faz o irmão do tio do padrinho do irmão da tia do concunhado do cunhado da tetraneta da neta do neto do pai do sogro da namorada do segundo casamento da mãe da avó do irmão da avó-torta do padrastro da trisavó do avô da madrinha do sogro do tetravô de um rapaz que um dia se casou com a mãe de um irmão do gêmeo de um padre que era filho de outro padre e que por sua vez estava pretendendo deixar batina porque era irmão de uma moça que era prima de um tio de um avô do braço esquerdo de Dilma?
O braço esquerdo de Dilma vende picolé? Se for, tá errado. Pode não, vender picolé.
Carta Capital quebra o sigilo da farsa da quebra de sigilo

Leia abaixo a matéria da Revista dirigida por Mino Carta (EB).

30 de janeiro de 2001, o peemedebista Michel Temer, então presidente da Câmara dos Deputados, enviou um ofício ao Banco Central, comandado à época pelo economista Armínio Fraga. Queria explicações sobre um caso escabroso. Naquele mesmo mês, por cerca de 20 dias, os dados de quase 60 milhões de correntistas brasileiros haviam ficado expostos à visitação pública na internet, no que é, provavelmente uma das maiores quebras de sigilo bancário da história do País. O site responsável pelo crime, filial brasileira de uma empresa argentina, se chamava Decidir.com e, curiosamente, tinha registro em Miami, nos Estados Unidos, em nome de seis sócios. Dois deles eram empresárias brasileiras: Verônica Allende Serra e Verônica Dantas Rodenburg.


Ironia do destino, a advogada Verônica Serra, 41 anos, é hoje a principal estrela da campanha política do pai, José Serra, justamente por ser vítima de uma ainda mal explicada quebra de sigilo fiscal cometida por funcionários da Receita Federal. A violação dos dados de Verônica tem sido extensamente explorada na campanha eleitoral. Serra acusou diretamente Dilma Rousseff de responsabilidade pelo crime, embora tenha abrandado o discurso nos últimos dias.

Naquele começo de 2001, ainda durante o segundo mandato do presidente FHC, Temer não haveria de receber uma reposta de Fraga. Esta, se enviada algum dia, nunca foi registrada no protocolo da presidência da Casa. O deputado deixou o cargo menos de um mês depois de enviar o ofício ao Banco Central e foi sucedido pelo tucano Aécio Neves, ex-governador de Minas Gerais, hoje candidato ao Senado. Passados nove anos, o hoje candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff garante que nunca mais teve qualquer informação sobre o assunto, nem do Banco Central nem de autoridade federal alguma. Nem ele nem ninguém.

Graças à leniência do governo FHC e à então boa vontade da mídia, que não enxergou, como agora, nenhum indício de um grave atentado contra os direitos dos cidadãos, a história ficou reduzida a um escândalo de emissão de cheques sem fundos por parte de deputados federais.

Temer decidiu chamar o Banco Central às falas no mesmo dia em que uma matéria da Folha de São Paulo informava que, graças ao passe livre do Decidir.com, era possível a qualquer um acessar não só os dados bancários de todos os brasileiros com conta corrente ativa, mas também o Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF), a chamada “lista negra”do BC. Com base nessa facilidade, o jornal paulistano acessou os dados bancários de 692 autoridades brasileiras e se concentrou na existência de 18 deputados enrolados com cheques sem fundos, posteriormente constrangidos pela exposição pública de suas mazelas financeiras.

Entre esses parlamentares despontava o deputado Severino Cavalcanti, então do PPB (atual PP) de Pernambuco, que acabaria por se tornar presidente da Câmara dos Deputados, em 2005, com o apoio da oposição comandada pelo PSDB e pelo ex-PFL (atual DEM). Os congressistas expostos pela reportagem pertenciam a partidos diversos: um do PL, um do PPB, dois do PT, três do PFL, cinco do PSDB e seis do PMDB. Desses, apenas três permanecem com mandato na Câmara, Paulo Rocha (PT-PA), Gervásio Silva (DEM-SC) e Aníbal Gomes (PMDB-CE). Por conta da campanha eleitoral, CartaCapital conseguiu contato com apenas um deles, Paulo Rocha. Via assessoria de imprensa, ele informou apenas não se lembrar de ter entrado ou não com alguma ação judicial contra a Decidir.com por causa da quebra de sigilo bancário.

Na época do ocorrido, a reportagem da Folha ignorou a presença societária na Decidir.com tanto de Verônica Serra, filha do candidato tucano, como de Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity. Verônica D. e o irmão Dantas foram indiciados, em 2008, pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal, por crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal, formação de quadrilha, gestão fraudulenta de instituição financeira e empréstimo vedado. Verônica também é investigada por participação no suborno a um delegado federal que resultou na condenação do irmão a dez anos de cadeia. E também por irregularidades cometidas pelo Opportunity Fund: nos anos 90, à revelia das leis brasileiras, o fundo operava dinheiro de nacionais no exterior por meio de uma facilidade criada pelo BC chamada Anexo IV e dirigida apenas a estrangeiros.

A forma como a empresa das duas Verônicas conseguiu acesso aos dados de milhões de correntistas brasileiros, feita a partir de um convênio com o Banco do Brasil, sob a presidência do tucano Paolo Zaghen, é fruto de uma negociação nebulosa. A Decidir.com não existe mais no Brasil desde março de 2002, quando foi tornada inativa em Miami, e a dupla tem se recusado, sistematicamente, a sequer admitir que fossem sócias, apesar das evidências documentais a respeito. À época, uma funcionária do site, Cíntia Yamamoto, disse ao jornal que a Decidir.com dedicava-se a orientar o comércio sobre a inadimplência de pessoas físicas e jurídicas, nos moldes da Serasa, empresa criada por bancos em 1968. Uma “falha”no sistema teria deixado os dados abertos ao público. Para acessá-los, bastava digitar o nome completo dos correntistas.

A informação dada por Yamamoto não era, porém, verdadeira. O site da Decidir.com, da forma como foi criado em Miami, tinha o seguinte aviso para potenciais clientes interessados em participar de negócios no Brasil: “encontre em nossa base de licitações a oportunidade certa para se tornar um fornecedor do Estado”. Era, por assim dizer, um balcão facilitador montado nos Estados Unidos que tinha como sócias a filha do então ministro da Saúde, titular de uma pasta recheada de pesadas licitações, e a irmã de um banqueiro que havia participado ativamente das privatizações do governo FHC.

A ação do Decidir.com é crime de quebra de sigilo fiscal. O uso do CCF do Banco Central é disciplinado pela Resolução 1.682 do Conselho Monetário Nacional, de 31 de janeiro de 1990, que proíbe divulgação de dados a terceiros. A divulgação das informações também é caracterizada como quebra de sigilo bancário pela Lei n˚ 4.595, de 1964. O Banco Central deveria ter instaurado um processo administrativo para averiguar os termos do convênio feito entre a Decidir.com e o Banco do Brasil, pois a empresa não era uma entidade de defesa do crédito, mas de promoção de concorrência. As duas também deveriam ter sido alvo de uma investigação da polícia federal, mas nada disso ocorreu. O ministro da Justiça de então era José Gregori, atual tesoureiro da campanha de Serra.

A inércia do Ministério da Justiça, no caso, pode ser explicada pelas circunstâncias políticas do período. A Polícia Federal era comandada por um tucano de carteirinha, o delgado Agílio Monteiro Filho, que chegou a se candidatar, sem sucesso, à Câmara dos Deputados em 2002, pelo PSDB. A vida de Serra e de outros integrantes do partido, entre os quais o presidente Fernando Henrique, estava razoavelmente bagunçada por conta de outra investigação, relativa ao caso do chamado Dossiê Cayman, uma papelada falsa, forjada por uma quadrilha de brasileiros em Miami, que insinuava a existência de uma conta tucana clandestina no Caribe para guardar dinheiro supostamente desviado das privatizações. Portanto, uma nova investigação a envolver Serra, ainda mais com a família de Dantas a reboque, seria politicamente um desastre para quem pretendia, no ano seguinte, se candidatar à Presidência. A morte súbita do caso, sem que nenhuma autoridade federal tivesse se animado a investigar a monumental quebra de sigilo bancário não chega a ser, por isso, um mistério insondável.

Além de Temer, apenas outro parlamentar, o ex-deputado bispo Wanderval, que pertencia ao PL de São Paulo, se interessou pelo assunto. Em fevereiro de 2001, ele encaminhou um requerimento de informações ao então ministro da Fazenda, Pedro Malan, no qual solicitava providências a respeito do vazamento de informações bancárias promovido pela Decidir.com. Fora da política desde 2006, o bispo não foi encontrado por CartaCapital para informar se houve resposta. Também procurada, a assessoria do Banco Central não deu qualquer informação oficial sobre as razões de o órgão não ter tomado medidas administrativas e judiciais quando soube da quebra de sigilo bancário.

Fundada em 5 de março de 2000, a Decidir.com foi registrada na Divisão de Corporações do estado da Flórida, com endereço em um prédio comercial da elegante Brickell Avenue, em Miami. Tratava-se da subsidiária americana de uma empresa de mesmo nome criada na Argentina, mas também com filiais no Chile (onde Verônica Serra nasceu, em 1969, quando o pai estava exilado), México, Venezuela e Brasil. A diretoria-executiva registrada em Miami era composta, além de Verônica Serra, por Verônica Dantas, do Oportunity, Brian Kim, do Citibank, e por mais três sócios da Decidir.com da Argentina, Guy Nevo, Esteban Nofal e Esteban Brenman. À época, o Citi era o grande fiador dos negócios de Dantas mundo afora. Segundo informação das autoridades dos Estados Unidos, a empresa fechou dois anos depois, em 5 de março de 2002. Manteve-se apenas em Buenos Aires, mas com um novo slogan: “com os nossos serviços você poderá concretizar negócios seguros, evitando riscos desnecessários”.

Quando se associou a Verônica D. Na Decidir.com, em 2000, Verônica S. era diretora para a América Latina da companhia de investimentos International Real Returns (IRR), de Nova York, que administrava uma carteira de negócios de 660 bilhões de dólares. Advogada formada pela Universidade de São Paulo, com pós-graduação em Harvard, nos EUA, Verônica S. Também se tornou conselheira de uma série de companhias dedicadas ao comércio digital na América Latina, entre elas a Patagon.com, Chinook.com, TokenZone.com, Gemelo.com, Edgix, BB2W, Latinarte.com, Movilogic e Endeavor Brasil. Entre 1997 e 1998, havia sido vice-presidente da Leucadia National Corporation, uma companhia de investimentos de 3 bilhões de dólares especializada nos mercados da América Latina, Ásia e Europa. Também foi funcionária do Goldman Sachs, em Nova York.

Verônica S. ainda era sócia do pai na ACP – Análise da Conjuntura Econômica e Perspectivas Ltda, fundada em 1993. A empresa funcionava em um escritório no bairro da Vila Madalena, em São Paulo, cujo proprietário era o cunhado do candidato tucano, Gregório Marin Preciado, ex-integrante do conselho de administração do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), nomeado quando Serra era secretário de Planejamento do governo de São Paulo, em 1993. Preciado obteve uma redução de dívida no Banco do Brasil de 448 milhões de reais para irrisórios 4,1 milhões de reais no governo FHC, quando Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-arrecadador de campanha de Serra, era diretor da área internacional do BB e articulava as privatizações.


Por coincidência, as relações de Verônica S. com a Decidir.com e a ACP fazem parte do livro Os Porões da Privataria, a ser lançado pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr. Em 2011.

De acordo com o texto de Ribeiro Jr., a Decidir.com foi basicamente financiada, no Brasil, pelo Banco Opportunity com um capital de 5 milhões de dólares. Em seguida, transferiu-se, com o nome de Decidir International Limited, para o escritório do Ctco Building, em Road Town, Ilha de Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas, famoso paraíso fiscal no Caribe. De lá, afirma o jornalista, a Decidir.com internalizou 10 milhões de reais em ações da empresa no Brasil, que funcionava no escritório da própria Verônica S. A essas empresas deslocadas para vários lugares, mas sempre com o mesmo nome, o repórter apelida, no livro, de “empresas-camaleão”.

Oficialmente, Verônica S. e Verônica D. abandonaram a Decidir.com em março de 2001 por conta do chamado “estouro da bolha” da internet – iniciado um ano antes, em 2000, quando elas se associaram em Miami. A saída de ambas da sociedade coincide, porém, com a operação abafa que se seguiu à notícia sobre a quebra de sigilo bancário dos brasileiros pela companhia. Em julho de 2008, logo depois da Operação Satiagraha, a filha de Serra chegou a divulgar uma nota oficial para tentar descolar o seu nome da irmã de Dantas. “Não conheço Verônica Dantas, nem pessoalmente, nem de vista, nem por telefone, nem por e-mail”, anunciou.

Segundo ela, a irmã do banqueiro nunca participou de nenhuma reunião de conselho da Decidir.com. Os encontros mensais ocorriam, em geral, em Buenos Aires. Verônica Serra garantiu que a xará foi apenas “indicada”pelo Consórcio Citibank Venture Capital (CVC)/Opportunity como representante no conselho de administração da empresa fundada em Miami. Ela também negou ter sido sócia da Decidir.com, mas apenas “representante”da IRR na empresa. Mas os documentos oficiais a desmentem.







Jornal Nacional - JN no Ar 6 (RN - MG) - Primeiro veja o vídeo; depois leia o comentário

Tá tudo tão bom, mas tá tudo tão ruim não é mesmo?
Emanoel Barreto

Há algo de estranho nessa promoção do Jornal Nacional. Por que isso agora? Por que em período eleitoral? Se você observar os números, bastante negativos especialmente em índice de desenvolvimento humano, se ombreiam aos aspectos positivos de cada lugar visitado.

Foi assim no Rio Grande do Norte, foi assim no norte de Minas. E isso se dá de forma bruta, estabelecendo uma relação de choque entre, por exemplo a produção de camarão no Rio Grande do Norte, o índice de mortalidade infantil e o analfabetismo. Isso só para ficar nesses exemplos.

Não sei se você reparou, mas Bonner, para escolher um município mineiro a ser visitado, tinha poucos cartões à sua disposição na urna. Minas tem tão poucos municípios? Ou os que foram selecionados para ser sorteados não seriam todos do norte do Estado, que tem características climáticas nordestinas semelhanças em termos de pobreza?

Explicando: a realização desse voo por todo o Brasil, por partes do Brasil adredemente escolhidas, tem por objetivo mostrar um Brasil que não deu certo, um Brasil de desequilíbrios, um Brasil onde o governo federal... falhou.

Trata-se, não tenho dúvida, de uma ação de agendamento perfeitamente entrosada com a campanha da grande imprensa para desacreditar a candidatura Dilma. E isso em nome do bom jornalismo. Tecnicamente perfeito, o enquadramento passa exatamente essa ideia.
Temos aqui o que os estudos de cobertura política chamam de enquadramento plural aberto. Isso quer dizer o seguinte: o veículo de comunicação dá aos atores políticos o mesmo destaque, sem favorecer a nenhum deles.

Só que isso se deu em forma de engenharia comunicacional reversa: os atores políticos passaram a ser os Estados e todas as suas mazelas, percebe? As mazelas foram privilegiadas como se fossem elas, as mazelas, os atores políticos. E o resultado subliminar atinge o governo federal sem que se diga sobre este qualquer palavra.

Perfeito. Tecnicamente perfeito...

domingo, 5 de setembro de 2010

Desesperado para subir nas pesquisas, Serra deixa a tenda de Pai Véi, o macumbeiro e vai se reunir com Merlin, o Mago, a quem pergunta: "Grande Merlin, o que devo fazer para subir nas pesquisas? Veja a resposta de Merlin

Aqui, o sábio conselho de Merlin
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Candidata a reitoria da UFRN participará de debates

Recebi da professora Maria Arlete Duarte de Araújo comunicado a respeito de debates de que participará como candidata a reitor da UFRN. Segue a íntegra. Outras chapas terão idêntico tratamennto (EB).

  Caros Colegas,

Foi com muita satisfação que recebi convite da ADURN ( Ofício nº
045/2010, de 26 de agosto de 2010) para participar de uma série de
debates sobre temas importantes da gestão na UFRN no período que
antecede a Consulta à comunidade universitária para o cargo de Reitor
e Vice-Reitor de nossa Instituição. Entendo que a nossa entidade
agindo dessa forma contribui para a consolidação da democracia na UFRN
e permite que a comunidade possa discutir e analisar as propostas
apresentadas.

Informo que já manifestei à ADURN a minha concordância com os debates
propostos por estar convicta de que o debate é extremamente salutar
para uma instituição universitária que se caracteriza pela pluralidade
de idéias.

Abaixo, os debates propostos com temas, locais e datas


1.Tema: Melhorias na Gestão Institucional + Articulação UFRN/Sociedade

+ Estrutura Organizacional da UFRN – Local: Auditório da Farmácia/CCS

– Data: 15/09/2010

2.Tema: Política Institucional para a Carreira do Básico, Técnico e
Tecnológico – Local: Auditório da Escola de Música – Data: 23/09/2010


3. Tema: Ciência, Tecnologia e Inovação + Articulação UFRN/Sociedade +
Estrutura Organizacional da UFRN - Local: Anfiteatro “A” do CCET ( CT+
CCET) – Data: 29/09/2010


4.Tema: Melhorias na Gestão Institucional + Articulação UFRN/Sociedade +
Controle Social –Local: Anfiteatro do CB ( CB + Educação Física+
Odontologia+ Fisioterapia+ Enfermagem ) Data: 13/10/2010

5.Melhorias na Gestão Institucional + Política de Interiorização –
Local: CERES/Caicó – Data: 20/10/2010


6. Melhorias na Gestão Institucional + Articulação UFRN/Sociedade +
Controle Social – Local: Auditório da BCZM ( CCHLA+ CCSA) – Data:
21/10/2010.


Na expectativa de que este seja um bom momento para a comunidade
universitária, convido-os a se somarem a este esforço de nossa ADURN.
Um abraço cordial
Maria Arlete Duarte de Araújo


Candidata à Reitoria: um novo olhar na UFRN
Acesse:www.arletenovolhar.com