Atirar a primeira pedra
É preciso esperar, é preciso apurar. Tenho esse lema no jornalismo. O caso do humorista Mução tornou-se clássico: acusado de integrar rede de pedófilos, muitos foram os que o acusaram, apontando-o. Agora vem a Polícia Federal e anuncia que era um irmão dele quem se utilizava do seu nome para acessar sites criminosos.
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Ter pressa, para mim, é saber cumprir com precisão o deadline, a hora-limite de fechamento do jornal; é como um drible perfeito no tempo exato. Mas ser apressado é fazer de qualquer jeito e fim. É tascar um título, quem sabe uma manchete e acabar com a vida pública de um cidadão.
Claro que o fato envolvendo Mução era noticiável, qualquer foca sabe disso. Mas é preciso dosar o texto, conter em rédea curta a emissão da mensagem. E a polícia não deve agir sob o signo do primeiro indício. É todo um complexo de fatos, ações e gestos, o que inclui a sociedade, que não deve reagir de forma cruel - e apressada - quando de repente surge alguém em quem se possa atirar a primeira pedra.