sábado, 22 de abril de 2006

A espera

"É preciso emprestar-se aos
outros e dar-se a si mesmo."
Montaigne

Esperar é como um exercício, só que parado. A espera, para quem adestrou-se internamente, é uma forma de combate. A espera é prima-irmã do tempo; compreende seus atrasos, demoras, percalços, desvios de última hora. A espera é uma forma de severidade que não pune quem a sabe administrar. A espera pode até ser exultante, se você contém com mestria o impulso de arco que está dentro de você.

Diferente da resignação, que é também uma forma de coragem, quando você percebe e acata o inevitável e não se abate, a espera pode se transformar em angústia, quando o guerreiro deixa de esperar confiantemente.

A espera não se desilude, não sucumbe ao tédio, não se dobra ao aparente vazio do momento que pára; a espera é uma forma de dinâmica que o homem pode aprender com as estátuas, estas em seu eterno movimento congelado no ar.

A espera, no instante preciso, saberá dar vôo ao sentimento contido e, logo depois, estará caminhando ao lado da liberdade. A espera é um abraço que você guarda cuidadosamente para a mulher que é sua: imóvel enquanto não é dado, mas poderoso quando toca seu corpo de estátua.

sexta-feira, 21 de abril de 2006

Jornalista lança livro sobre atendimento ao cliente

Recebi e-mail sobre livro de autoria do jornalista Walter Medeiros. Segue na íntegra.

O livro “Onde está o atendimento”, escrito pelo jornalista Walter Medeiros, já está sendo distribuído para as livrarias de todo o Brasil e se encontra disponível no site da Editora Viena, onde podem ser vistos o índice e outros detalhes.


O livro trata da qualidade no atendimento e satisfação do cliente, através de cinqüenta artigos publicados na internet e revistas especializadas. Traz também um posfácio sobre a Norma NBR ISO 10002, da ABNT, referente à satisfação do cliente, que entrou em vigor em 30 de janeiro de 2006.

O link para acessar o livro é
http://www.editoraviena.com.br/livraria_detalhes.asp?ProdID=720&Cat=9 ou www.rnsites.com.br/atendimento.htm .

Segundo a publicação, o momento mágico de atendimento ao cliente é bem mais amplo do que se pode imaginar. Mas ao contrário do que era de se esperar, a cultura empresarial levou os estabelecimentos a reduzir profundamente o âmbito do contato com o cliente. Chegaram ao ponto de limitar muitas vezes o “atendimento ao cliente” a um cubículo quase escondido, onde às vezes encontramos até pessoas mal humoradas.

As situações narradas pelo autor são todas verídicas e ocorreram nos mais diversos estabelecimentos e lugares, como café, shopping center, farmácia, loja de discos, loja de móveis, banca de revistas, loja de informática, plano de saúde, loja de material de construção, restaurante, imobiliária, repartição pública, SAC, conselho profissional, site, consertos, supermercado, táxi, corretor de seguros, estabelecimento de ensino, hotel, peixaria, estacionamento, consultório médico, clínica, escritório de cobrança, academia, buffet, ótica, eventos, farmácia, loja de artesanato, sapataria, laboratório e loja de baterias.

Trata-se de leitura indispensável para profissionais de todos os setores que se preocupam com a imagem da sua empresa ou instituição. Depois da leitura desse livro, o leitor certamente vai enxergar o atendimento em lugares onde talvez nunca tivesse imaginado.

O petróleo é nosso. O petróleo é nosso?!!!

"O insucesso é apenas uma oportunidade
para recomeçar, com mais inteligência."
Henry Ford

Abaixo, transcrição de matéria do Estado de S. Paulo. Depois, um comentário.

Lula irá à plataforma para imitar Getúlio

Ele deve repetir o gesto dos anos 50 e mostrar mãos sujas de óleo Nicola Pamplona - RIO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobe hoje pela segunda vez na plataforma P-50, desta vez para anunciar a conquista da auto-suficiência na produção nacional de petróleo.


A expectativa é que ele repita, em frente às câmeras, o gesto de Getúlio Vargas, que, no início da década de 50, mostrou as mãos sujas de óleo aos fotógrafos em ato para comemorar a descoberta de um poço de petróleo pela então recém-criada Petrobrás.

Por motivos de segurança, a viagem do presidente à plataforma enfrentou resistência de técnicos da estatal, mas a promessa de boas imagens em ano eleitoral pesou na decisão dos organizadores da festa.
Além da comitiva presidencial e de executivos da empresa, pelo menos dois helicópteros foram reservados para o transporte de fotógrafos e cinegrafistas à P-50. Por causa da limitação no número de pessoas que podem embarcar ao mesmo tempo na plataforma, não será permitida a presença de repórteres na visita. __________________

Além do comportamento marqueteiro do presidente Lula, é de se lamentar algo mais, com releção à Petrobrás - grafo sempre Petrobrás porque assim o termo deve ser escrito, já que se trata de um oxítono. Sem o acento agudo, a marca apenas adequou-se ao idioma inglês, que desconhece acentuação. Ou seja, a Petrobrás apenas adequou-se aos interesses de seus parceiros-mentores internacionais.

Se alguém se recorda, a retirada do acento tônico ficou envolta num princípio de escândalo, quando a empresa queria gastar milhões com a mudança na marca. Que me lembre, foi impedida a tempo. Ficou só na retirada do acento agudo.

Pois bem, este artigo será curto e eminentemente interrogativo. Eis o que se segue:

Por que a Petrobrás, que se gaba tanto de ser uma empresa eminentemente nacional, a maior delas, vende gasolina tão cara ao sofrido povo brasileiro?

Por que é tão cara essa gasolina, se o Brasil já alcançou a auto-suficiência em petróleo?

Por que a Petrobrás adiciona álcool à gasolina, deixando a sociedade refém dos usineiros?

Por que o governo não determina que todos os carros já saiam de fábrica com a possibilidade do uso de gás como combustível, em vez de gasolina ou álcool? Ou, pelo menos, com a possibilidade de múltiplos combustíveis?

Houve uma época uma grande campanha cívica em favor na nacionalização da exploração do petróleo. Era a campanha "O petróleo é nosso."

A meu juízo, restou uma perplexidade: "O petróleo é nosso?" Você acha que a direção da Petrobrás está pelo menos um pouquinho preocupada com seu bem estar, sua segurança, com suas despesas com combustíveis? Se alguém pensa assim, ou é um tolo ou muito mal intencionado.

PS: a culpa não é do Governo Lula. A Petrobrás há anos explora o povo brasileiro, às custas de manter essa conversa de empresa nacional. Não sou privativista. Defendo a empresa estatal. Só não posso admitir que se monte uma situação que se vem sustentando ao longo da história, o povo não se beneficia de nada e ainda tem de engolir uma miragem.

Flores no meu caminho

"Se não houve frutos, valeu a beleza das flores;
Se não houve flores, valeu a sombra das folhas;
Se não houve folhas, valeu a intenção da semente."
Henfil


É de Zilda Neves a crônica que recebi e publico. Vejamos:

A natureza é bela. Em qualquer lugar, a qualquer momento tudo fica lindo. É a presença das flores enfeitando a vida com seus matizes. No meu caminho, elas estão sempre presentes, deixando suas marcas. Ainda pequena, aprendi a admirá-las e delas cuidar com muito carinho nos jardins da casa de meu pai, português, onde as rosas de várias espécies e cores eram as suas prediletas.

Os canteiros eram embelezados por violetas, crisântemos, dálias, lírios, copos de leite e cravos, hoje pouco cultivados. A admiração era sempre voltada para as flores plantadas, e somente em ocasiões muito especiais, uma ou outra era cortada e colhida.Pela primeira vez, tive em minhas mãos um buquê de rosas, brancas, lindas! Era o dia do meu casamento.

O tempo passou... elas murcharam, perderam o frescor, colocadas ao acaso, assim como o meu matrimônio. Ao longo de minha trajetória de vida, no meu trabalho, sempre que possível elas estavam presentes.: num vasinho ou em uma jarra, em minha mesa. Como todo ser humano, minha vida foi vivenciada com algumas histórias: as margaridas, num “mal-me-quer” ou “bem-me-quer”, serviam de brincadeira, com esperanças de terminarem num bem querer!

Os brincos-de-princesa eram colhidos, colocados em minhas orelhas, como se jóias fossem. Dizem os entendidos num ditado popular: “Lá de trás daquele morro tem um pé de manacá, nós vamos casa e vamos pra lá...” A esperança de um novo amor renasce...O leitor se lembra do buquê de rosas brancas?

Pois bem, alguns anos atrás, no dia do meu aniversário, ganhei um lindo buquê de rosas, igual àquele, porém: vermelhas, sensuais, cor da paixão, que mais uma vez marcou meu caminho, dessa vez espero, para sempre...

quinta-feira, 20 de abril de 2006

Insegurança no Campus da UFRN

Não é de hoje que o Campus da UFRN enfrenta problemas com a insegurança. Assaltos, arrombamentos, temor entre estudantes e professores. Recebi, da jornalista Emily Araújo, e-mail que segue abaixo, abordando o assunto.

Prof. Emanoel, Venho lhe estimular através deste e-mail a escrever em seu blog sobre a segurança no campus. Além dos problemas que nós já conhecemos, houve um arrombamento seguido de roubo no departamento de Artes e na Superintendência de Infra-estrutura. Uma servidora da superintendência enviou e-mail para a lista de discussão "Ciranda" relatando o fato, o qual lhe encaminho abaixo.
Abraço!
Emily Araújo
_____________ Caros cirandeiros e cirandeiras,Depois do CCSA e da Escola de Música, chegou a vez da Infra-Estrutura , Deptº de Artes e FUNPEC.Cheguei para trabalhar e, como parece ter virado rotina na universidae, o prédio havia sido arrmbado e roubado.Não podemos pensar só nos danos financeiros mas, hoje, por exemplo era o último dia de envio de alguns projetos que estavam em computadores que foram levados.

No setor de projetos perderam os computadoes e os discos de arquivo foram quebrados e outras e outras perdas que comprometem a retomada dos trabalhos nos setores.Pelo tamanho do estrago relatado por colegas que chegaram mais cedo e ainda tiveram acesso ao prédio, só um caminhão para levar tudo.

Sorte deles, dos ladrões, que chegaram no local em horário que o carro da ronda não passou, pois senão teriam passado maus bocados. Digo isso porque no dia que o carro de uma amiga foi levado do estacionamento do setor V do Campus, em pleno meio dia, ao chamar a segurança do Campus, levou um susto quando desceram do carro 4 homens armados.

Talvez seja bom cada um começar a prever em seus projetos uma pequena verba para segurança, aliás pode até ser ítem obrigatório, como câmeras, cerca elétrica, vigilância privada... Bom dia a todos e todas e bom feriado!Marjorie (20/04)

Tempos velhos, fotos antigas

"De súbito sabemos que é já tarde.
Quando a luz se faz outra, quando os ramos da árvore que somos soltam folhas
e o sangue que tínhamos não arde como ardia, sabemos que viemos e que vamos.
Que não será aqui a nossa festa."

Paulo Geraldo

Gosto de olhar fotografias velhas. Observar as expressões, os olhares, os gestos captados e imobilizados pela câmera. E de imaginar o que se seguiu após aquela foto, o que aquelas pessoas foram fazer, quais os destinos que cumpriram, quantas tiveram a vida revirada em tragédia, quantas alcançaram seus planos, quantas apenas viveram o tédio diário e mudo, quantas...

Olhar fotos velhas em paredes, em revistas muito antigas, em painéis que às vezes encontro, é para mim como uma viagem no tempo. No tempo envelhecido e gravado no papel. Observando as fotos muito antigas entendo: estou olhando para fantasmas, quem sabe fantasmas gentis, almas cordiais que jamais assombrarão nem casarões abandonados ou aguardarão as pessoas em ruas escuras.

Olho para fantasmas e percebo, quando olho em volta, que também, de alguma maneira, estou cercado de fantasmas, que cumprem o mesmo destino daqueles que estão naquelas fotos. Todos podem ser fotografados e, sem perceber, daqui a cem anos, serão apenas vultos impressos na fotografia.

Olho então para esses fantasmas e percebo então que também sou um fantasma. Quem sabe, nesse momento, alguém esteja fazendo a minha foto.

terça-feira, 18 de abril de 2006

A mulher esfaqueada e nua

“Amor que é amor não acaba.
Se acaba, não era a amor.”
(Nelson Rodrigues)

Redação do Diário de Natal, quase uma da tarde. Eu era um inexperiente repórter policial numa redação vazia. De repente, o telefone toca e eu atendo: era Domício, um velho profissional do setor, responsável pela cobertura do judiciário. Dizia: “Corra lá nas Rocas, vá ao Canto do Mangue, que mataram uma mulher.”

Minutos depois eu estava metido num carro, acompanhado por Iremar um fotógrafo baixote, grande figura humana, que atendia por Bárbaro. O carro desceu a ladeira da Rádio Poti como a mais rápida flecha do guerreiro e minutos depois chegávamos ao Canto do Mangue. Muita polícia, confusão, toda a área isolada.

Nesse tempo eu sequer tinha registro profissional e os jornais não costumavam dar credenciais aos repórteres. O jeito foi enfrentar a situação no grito. A polícia não deixava ninguém passar, eu disse “Diário de Natal” o soldado aceitou e eu passei, o Bárbaro colado no meu calcanhar.

Segui adiante e vi uma das mais terríveis cenas da minha vida: uma mulher negra, completamente nua e... literalmente rasgada de faca por todo o corpo.


Foram nada menos que 55 cutiladas, como a gente dizia então. Ela estava sendo colocada num caixão da perícia criminal. Era um caixão feito de lata, próprio para recolher mortos de tragédias. Um caixão para infelizes em tempo integral.

O assassino fora um tal de, veja só, “Mansinho”, um feroz amante, que a havia matado por ciúmes, em meio a um terrível triângulo amoroso. Foi assim: Mansinho cumpria pena na hoje demolida Colônia João Chaves e fora escoltado até o local do crime por um soldado. Este era ninguém menos que o amante da mulher. Coisas de vida, coisas da vida...

Chegando lá, o soldado sentou-se no batente, Mansinho puxou a porta até o chão (era uma daquelas portas corrediças, que fecham lojas). E, logo em seguida, começou o ritual de morte, com uma enorme faca peixeira. Era sangue por todos os lados. Tomando banho, a mulher não teve como fugir e ali travou sua luta desigual com Mansinho, sujando de vermelho as paredes. E era sangue, muito sangue...

O soldado debalde esmurrava a porta de ferro, tentando entrar. Cevada a sua vingança, Mansinho pegou uma escada e de lá mesmo, do banheiro, ganhou o telhado e fugiu. Somente foi capturado quinze dias depois. Disse que tivera ciúmes, foi levado para a Colônia Penal e nunca mais ouvi falar dele.

segunda-feira, 17 de abril de 2006

A natureza

De Zilda Neves recebi o texto que segue:


A tristeza do lilás ou roxo é sobrepujada pela VIOLETA. Nas flores, ela é representada no amor-perfeito, na hortência, na alamanda, no formoso ipê e na flor que leva seu nome, violeta. Tão lindas e singelas...

A cor ANIL, na esfera de nossa Bandeira, recebe o brilho das constelações. Nos jardins, são lindos miosótis pequeninos, que a representam. Nos olhos de uma criança, são duas contas azuis, suaves, que passam tranqüilidade...Jardins, florestas, matas.

Em todos, está presente o magnífico VERDE. É a cor da esperança: no amor, no sucesso, na vida. Árvores, arbustos, caules, folhas sempre verdes, enfeitando a natureza.

Ah! AMARELO. Como é lindo ver um girassol com suas pétalas voltadas para o “Astro Rei”, irradiando energia. Lindas flores, com essa cor, embelezam os canteiros: dálias, rosas, tulipas, como se fossem um tapete coberto de ouro!

Mescla do brilho do ouro, com a vitalidade do vermelho paixão, o ALARANJADO está sempre presente nos arranjos florais ou na composição de estampados, nas passarelas.

Sensual é a representação do VERMELHO: o amor. Pulsa nos corações apaixonados. Cor quente, abrasadora, arrastando consigo a paixão... Nas rosas, significam a cumplicidade. Nas tulipas, uma declaração de amor. Nas dálias exuberantes, uma linda mulher. Na calliandra, o rouge nas bochechas de uma criança... Todas, literalmente, representam o coração!Paz! Tão desejada, tão almejada pelo homem, num mundo cheio de guerras e conflitos.

O BRANCO, em todos os momentos traz serenidade, harmonia. É a cor da pureza tão bem representada nos lírios.O Arco-Íris é um fenômeno da natureza, onde ocorre o encontro da chuva e do sol ao mesmo tempo. A luz solar branca sofre decomposição, dando origem às luzes coloridas: violeta, anil, azul, verde, amarelo, alaranjado e vermelho.

Esse fenômeno, conhecido popularmente com “arco-da-velha”, quando ocorre, traz alegria para adultos e crianças que correm pelos jardins, bosques e praças, misturando-se com o colorido das flores... Tem sido tema no folclore, na literatura e aqui mais uma vez, motivo de inspiração!
*****