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terça-feira, 29 de maio de 2012

Recebo e divulgo

O silêncio autoritário: a diretoria da ADURN e a greve nas universidades

Alipio de Sousa Filho
professor do Departamento de Ciências Sociais/UFRN

Não são poucos os meus colegas da UFRN que conhecem meus posicionamentos críticos, apresentados em artigos e debates, com relação a greves nas universidades. Continuo igualmente crítico desse instrumento de luta e não o vejo como necessariamente o melhor, o mais eficaz, embora, em anos de lutas, não tenhamos sido capazes de produzir algo superior em seu lugar.

Todavia, com ou sem concordância com a proposta de greve, não passa despercebida de ninguém a natureza autoritária e antidemocrática da atitude da atual diretoria da ADURN, ao deixar de convocar assembleia de professores da UFRN para discutir e deliberar sobre proposta de greve que já é realidade em mais de 40 universidades e institutos federais de ensino. Mas há algo pior nessa atitude da direção da ADURN: não apenas deixa de convocar o único fórum legítimo da categoria para deliberar sobre assunto de tamanha importância, arvora-se a falar pela categoria sem consultá-la, sem ouvi-la. De modo autoritário, constrói o silêncio da categoria e assume sua representação político-pública sem o menor constrangimento, num profundo desrespeito às vozes caladas (não de um pequeno grupo, mas da categoria inteira). 

Como ventríloquos do absurdo, extraem, do silêncio imposto aos outros, falas que não podem ser senão a criação fantasiosa e autoritária dos que, negando a palavra, inventam seus próprios discursos para justificar a ausência antidemocrática de assembleias e debates na UFRN, que deveriam discutir a proposta de greve e as reivindicações colocadas neste momento, não apenas do interesse dos professores mas do interesse público geral.

Desfiliei-me da ADURN em 2005, mas minha desfiliação nunca representou desinteresse pelos assuntos envolvendo a categoria dos professores universitários, nossas reivindicações, nossas lutas por uma universidade melhor. Aliás, desfiliação da entidade não constitui critério para medir nossa relação com os assuntos de interesse da categoria. Nem mesmo é motivo para, na história de qualquer um, impedir o reingresso na entidade e virar seu diretor (como temos casos).

Nos últimos anos, certas correntes do movimento docente até tentaram passar a ideia que “negociações positivas” com o governo federal seriam alternativas concretas ao instrumento da greve. De fato, olhando bem as coisas, não se tratou exatamente da formulação autêntica de um novo conceito no movimento, mas muito mais a adoção de posição política atrelada ao posicionamento dessas correntes com respeito aos governos do país nos mesmos últimos anos. Governos pelos quais essas correntes nutriam verdadeira paixão política, perdendo toda capacidade de crítica (ou talvez mais exatamente: evitando, manipuladoramente, toda crítica). Com a construção dessa posição política, deixou-se de fortalecer o movimento e suas entidades para se seguir equivocada orientação, que apenas serviu à desmobilização que se pode ver agora, ao menos aqui na UFRN. Por sorte, e por força dos que não se deixaram conduzir pela paixão governista (poder-se-ia também chamar peleguismo), a categoria volta a se mobilizar na maior parte das universidades.

A greve que agora se levanta nas universidades reivindica a regulamentação do plano de carreiras e salários, a reestruturação da carreira e a valorização do professor universitário. Essas reivindicações não podem deixar indiferentes aqueles que devem ser seus principais interessados, e não por “interesse econômico mesquinho” – como percepções do senso comum apreendem as lutas –, mas porque constituem medidas de estruturação de uma das mais importantes carreiras na sociedade, a de professor universitário. Está em nossas mãos a formação de um imenso contingente de profissões úteis à sociedade; boa parte destas formada na orientação crítica que visa transformar essa mesma sociedade. É zelo por essa atividade lutar para que ela seja melhor remunerada e que tenha estrutura de carreira que represente sua valorização. Um entendimento, claro, que só ocorre àqueles que, de fato, se ocupam do ensino e da pesquisa de maneira autêntica e responsável. Outros há que, desinteressados dessas ocupações, sequer pensam na valorização de nossas funções e carreira, embora não cessem sua atuação político-partidária no interior da universidade.

Uma entidade sindical que orienta a categoria de professores universitários a se desinteressar por sua carreira e seus salários, desorienta-a quanto ao interesse pela própria universidade, esta que se situa para além do Estado e de governos do momento. Por definição, a universidade é um ente que deve gozar da liberdade de não se ver atrelada a nenhum governo, a nenhuma facção político-partidária. 

Para poder sobreviver como espaço autônomo de saber, a universidade não pode permitir outra relação com a política e com governos que não seja a de exigir que políticos e governos admitam e protejam sua liberdade. Uma direção sindical que, por posicionamentos políticos partidários, inviabiliza o debate, a reflexão e a luta da categoria de professores impede não apenas essa categoria de lutar, ela também inviabiliza a liberdade que protege a universidade como ente da pesquisa e do conhecimento autônomos, do debate livre e democrático.

A luta pela reestruturação da carreira docente universitária, seu plano de cargos e salários e pela valorização do professor é solidária da construção e manutenção da independência e liberdade políticas imprescindíveis à universidade.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

UFRN - 97ª no Ranking da América Latina

Saiu a classificação do QS World University Rankings,do Reino Unido, onde a Universidade Federal do Rio Grande do Norte está entre as 100 melhores universidades da América Latina, no 97º lugar, com 32,4 pontos.

Veja o ranking das 200 melhores na América Latina

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Repercuto artigo do Blog da Adurn datado do dia 28 de julho

ADURN-Sindicato discute Carreira em mesa de negociação com o Governo


Na próxima terça-feira, 02 de agosto (hoje), o ADURN-Sindicato participa da realização de mais uma Mesa de Negociação de Carreira do Magistério Superior. A reunião acontece na sede do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, em Brasília, e contará com a participação do secretário de Recursos Humanos do MPOG, Duvanier Paiva, do Fórum dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior (PROIFES) e ADs filiadas (APUB, ADURN e ADUFC), e do Sindicato Nacional das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN).

“A expectativa é de que o impasse atual na negociação, tão importante e estratégica para os docentes das IFES, seja superado e iniciemos uma negociação verdadeira, com alteração de aspectos que as ADs e sindicatos recém constituídos consideram injustos na avaliação e progressão dos docentes”, afirma o presidente do ADURN-Sindicato, João Bosco Araújo.

Em dezembro de 2010, após meses de negociações, o MPOG apresentou ao movimento docente projeto de lei (PL) sobre a estruturação do Plano de Carreira e Cargo do Magistério Federal, a ser encaminhado ao Congresso Nacional. Ao longo do processo de negociação que se arrasta a mais de um ano, os Docentes obtiveram alguns ganhos, flexibilizaram alguns pontos, mas ainda há aspectos negativos na proposta de governo e que foram discutidos no VII Encontro do PROIFES, realizado de 15 a 18 de julho. Apesar do recuo do Governo em alguns pontos da proposta e que o PROIFES e seus aliados consideravam negativos para a própria funcionalidade da carreira, manteve uma visão distorcida da realidade dos professores das IFES ao desconsiderar o papel que os aposentados tiveram na construção da Universidade Pública Federal, bem como colocar em segundo plano os professores do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT).

Em junho deste ano, com a retomada da mesa que trata questões específicas da Carreira do Magistério Superior, suspensa desde de dezembro passado, além da entrega de um ofício com a pauta da entidade, o PROIFES apresentou e defendeu as demandas dos professores do ensino público superior federal: pronta instalação do Grupo de Trabalho (GT) sobre a Carreira do EBTT, conforme acordo firmado em março de 2008; a equiparação salarial entre as carreiras docentes (MS e EBTT) e as mais bem pagas do Executivo; recomposição dos vencimentos dos docentes de IFES, defasados desde julho de 2010; promulgação urgente do Projeto de Lei que permita a contratação, em caráter permanente, dos professores efetivos necessários para que se possa dar seqüência, com qualidade, ao Programa REUNI, além da discussão sobre a perspectiva orçamentária para educação superior.

A ADURN, filiada ao PROIFES-Fórum desde janeiro de 2010, e participante ativo da reorganização do Movimento Docente desde outubro de 2004, tem sido um dos protagonistas da discussão da proposta de carreira docente dos professores universitários das IFES e defende a necessidade de correção de aspectos que dignifiquem a função docente e a prepare efetivamente para os desafios que enfrenta.

“Fiel aos princípios e à defesa do interesse dos professores de IFES, o ADURN-Sindicato privilegiará a disposição para o diálogo, mas mantém a postura de que o Movimento Docente, liderado pelo PROIFES-Fórum e seus aliados, tenha a capacidade política de fazer o Governo reconhecer a importância de uma categoria que continua a ser vista como custo e não como investimento”, ressalta o diretor de Política Sindical da ADURN, Wellington Duarte.

A Carreira emerge como a mais importante peça de negociação, pois dá garantias futuras para os docentes. Mas, a Diretoria do ADURN-Sindicato defende a necessidade de um olhar sobre a remuneração dos Docentes, tendo em vista que o acordo, fielmente cumprido pelo governo anterior, venceu em 2010 e, até o momento, o novo governo não sinalizou como procederá para este ano.

“Nesse ponto é que a Diretoria do ADURN-Sindicato tem se mostrado extremamente preocupada, pois a possibilidade, real, de não termos sequer a recomposição de perdas inflacionárias de 2010, pode iniciar um novo ciclo de perdas salariais já bem conhecidas por nossa categoria”, explica Wellington Duarte.

Nas reuniões das associações docentes com o PROIFES-Fórum, a Diretoria do ADURN-Sindicato tem se pronunciado defendendo a tese da necessidade de que, além da Carreira, a categoria tenha a recomposição salarial e o fechamento de um novo acordo salarial trienal, que garanta a ampliação da qualidade de vida dos Docentes.

“A retomada da mesa de negociação marca, portanto, o início de uma árdua batalha, já que temos uma campanha salarial e buscaremos um novo acordo com o governo, a definição da carreira docente, além da proteção aos ganhos dos aposentados, a discussão sobre a previdência complementar e vários temas locais que contarão agora com um sindicato local forte e independente para conduzir a luta, e de uma federação para consolidar nossas demandas diante do governo”, enfatiza Wellington Duarte.

terça-feira, 14 de junho de 2011

O Aadurn-Sindicato é um processo irreversível



Editorial publicado na coluna da ADURN no Jornal Tribuna do Norte, dia 12/06/2011

Consolidar uma nova forma de organização sindical. É com este objetivo que na próxima quinta-feira, 16 de junho, estaremos realizando uma Assembleia Geral, convocada para convalidar a decisão tomada pela categoria e pelos associados em julho do ano passado em criar o Sindicato dos Docentes das Universidades Federais com base territorial em Natal, Caicó, Currais Novos, Santa Cruz, Macaíba, Macau e Nova Cruz, o ADURN-Sindicato.

O direito dos professores de IFES de se organizar autonomamente em entidades locais, de base municipal, estadual ou nacional é inquestionável, e está amparado na Constituição Federal, na CLT e na Portaria 186 que disciplina a formação e desmembramento de sindicatos no Brasil.

A transformação da ADURN em Sindicato e a formação de um Novo Movimento Docente, plural, democrático e representativo, é uma reação legítima dos professores ao aparelhamento por partidos e correntes que a Andes sofreu ao longo dos anos e que a afastou, definitivamente, dos anseios dos professores das IFES. Isto levou os professores a buscarem novas alternativas de organização, como os Sindicatos Locais e o PROIFES-Fórum, na busca de canais de negociação efetiva de seus interesses, os quais têm obtido pleno sucesso, com os acordos salariais de 2008 a 2010, com a recuperação da isonomia entre ativos e aposentados, com a equiparação das carreiras de ensino superior, básico, técnico e tecnológico, entre outras conquistas históricas.

Esse processo é irreversível, porque emana da vontade expressa pelas bases, que democrática e soberanamente têm aprovado em assembleias massivas e históricas a transformação e a criação de entidades autônomas em relação à Andes.
Reiteramos o compromisso da Diretoria em defender os interesses específicos da categoria, convictos que poderemos contar com o apoio de todos os colegas professores para que possamos aperfeiçoar a democracia sindical, convalidando o ADURN-Sindicato.
É um momento significativo, pois estamos diante de um processo decisório dos docentes na tentativa de construir uma entidade que volte a colocar a categoria dos professores como eixo central de sua linha de ação.

A Diretoria da ADURN reitera que é favorável a mais ampla liberdade de associação dos docentes e que deseja a unidade dos professores na sua luta por um Novo Movimento Docente justo, plural e soberano, mantendo-se autônoma diante de todos os agentes políticos, inclusive o Estado e o aparelho estatal. O movimento dos trabalhadores, especificamente o movimento docente, deve ser pautado pelos interesses da categoria.
Ao defender o direito de cada professor a tomar o posicionamento político que lhe for mais conveniente, a Diretoria da ADURN considera positivo esse novo movimento e espera que, de forma equilibrada, o debate seja conduzido e que se respeite o encaminhamento do processo presente.

A Diretoria manterá sua postura firme em defesa do aprofundamento da democracia na ADURN, pois acredita que a criação do ADURN-Sindicato:
(a) Adéqua a nossa entidade à legislação em vigor, tornando-o um sindicato de fato e de direito. Além de termos a identidade jurídica própria (que já possuímos), teremos todas as prerrogativas legais inerentes a um sindicato;

(b) Reforça a tese da reorganização do movimento docente das federais em bases federativas, já que a nossa entidade construirá a federação dos professores das IFES, aumentando nossa capacidade interlocutória e firmando nossa identidade sindical;

(c) É um passo adiante da nossa entidade, já que aponta para a modernização das estruturas internas da mesma, com a criação de um Conselho Fiscal; o fortalecimento do Conselho de Representantes e a introdução do plebiscito como forma mais democrática de discussão de questões pertinentes;

(d) Significa que a nossa entidade, que será independente e soberana, estará mais próxima dos professores da UFRN, na medida em que seremos nós e não uma direção nacional, que decidirá os rumos a serem tomados nos aspectos políticos, jurídicos e financeiros.

A ADURN se prepara para dar esse salto qualitativo e esperamos contar com a presença dos docentes da UFRN no auditório da Escola de Enfermagem (Campus Central da UFRN, em frente ao Restaurante Universitário), na próxima quinta-feira (16) para escrevermos mais uma página da história da nossa entidade. Lembrando que a sua presença às 9h30min é imprescindível para a instalação da Assembleia.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

 A Adurn como sindicato

Recebi da Associação dos Docentes da UFRN-Adurn, texto que abaixo publico:

Por que o ADURN-Sindicato? Para que a entidade tenha identidade própria e seja, de fato e de direito, um Sindicato,com todas as suas prerrogativas organizacionais e jurídicas.

E o que há de novo no ADURN-Sindicato? Além de adequar a entidade às normas legais vigentes e ao espírito do Novo Movimento Docente, a categoria aprovou um Estatuto que privilegia a democracia direta, instituindo o plebiscito como forma de colocar o associado sempre em consonância com a discussão das grandes questões que envolvam a categoria docente.

Para consolidar o ADURN-Sindicato, 20% dos associados precisam participar da Assembléia no dia 2 de junho e convalidar o que já foi decidido e aprovado pela maioria da categoria em julho de 2010.

Consolidar o ADURN-Sindicato é olhar para o futuro. Para um Sindicato que terá LIBERDADE para decidir seus rumos, SOBERANIA para tratar de temas que tenham impacto direto na categoria e INDEPENDÊNCIA para contribuir para a construção da FEDERAÇÃO de professores das IFES.

Portanto, a Diretoria da ADURN CONVOCA a categoria, pedindo que os colegas façam um esforço para comparecer à Assembléia no dia 2 de junho, no auditório da Reitoria da UFRN.

Fortaleça sua entidade. Participe!
Por uma ADURN Livre e Soberana!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Transcrito do Forum Nacional dos Professores de Jornalismo
O fim da educação
Nelson Pretto
De Salvador (BA)

A vida de pesquisador nas universidades está ficando cada dia mais estranha. Quando comecei minha vida acadêmica no Instituto de Física da Universidade Federal da Bahia, recebi logo na chegada um lugarzinho, uma sala com ar condicionado, escrivaninha, cadeira, máquina de datilografar, um telefone - que na verdade não funcionava lá muito bem! -, papel e caneta. Os livros, estavam na biblioteca ou os comprávamos, porque também não se publicava tanto quanto hoje. Dividia a sala com mais um colega e, dessa forma, fazia minhas pesquisas sobre o ensino de ciências e dava aulas na graduação. Depois, passei a integrar o corpo docente da pós-graduação em Educação e, também por lá, sem nenhum luxo e bem menos infra, tinha as condições mínimas para pesquisar sobre a qualidade dos livros didáticos, campo inicial de pesquisa na minha vida universitária.
O tempo foi passando e a universidade foi se especializando no seu novo jeito de ser. Foi crescendo e ganhando força a pós-graduação, apareceram os grupos de pesquisas que passaram a ser cadastrados no CNPq, surgiu o Currículo Lattes - o Orkut da academia -, a CAPES intensificou a avaliação da pós-graduação e... a guerra começou. Com as demandas para a pesquisa cada dia sendo maiores e o com os recursos minguando (o Brasil investe em C&T apenas 1,2% do PIB enquanto os Estados Unidos, por exemplo, investem 2,7%), a avaliação da produtividade - palavrinha estranha no campo da pesquisa científica, não?! - ganha corpo, no Brasil e no mundo. "Publicar ou perecer" virou o mantra de todo professor-pesquisador. Mais do que isso, nas universidades não temos mais aquelas condições básicas dadas pela própria instituição já que, de um lado, ela foi perdendo cada vez mais seu orçamento de custeio e, de outro, as demandas aumentaram muito uma vez que, mesmo na área das Humanas, necessitamos de muito mais tecnologia. Por conta disso, temos que, literalmente, "correr atrás" de recursos através dos chamados editais. Assim, cada grupo de pesquisa vive em função de sua capacidade de captação de recursos - quem diria que estaríamos falando assim, não é?! - e transformaram-se em verdadeiros setores administrativos nas universidades. Demandam secretários, contadores (esses, seguramente, os mais importantes!), administradores, bibliotecários, constituindo-se em um verdadeiro aparato burocrático para dar conta das cobranças formais de cada um destes editais e de suas famigeradas prestações de contas.
Pois quando pensamos que já estávamos no limite, e os colegas Waldemar Sguissardi e João dos Reis da Silva Jr com o seu "O trabalho intensificado nas Federais" mostraram bem o fundo do poço, sabemos através do colega Manoel Barral-Neto no seu blog "Sciencia totum circumit orbem" que pesquisadores chineses estão recebendo um "estímulo" equivalente a 50 mil reais para publicar suas pesquisas nas revistas de "alto impacto" científico, a exemplo da Science. Nos comentários que se seguiram ao texto, tomamos conhecimento com a postagem de Renato J. Ribeiro que a Universidade Estadual Paulista (UNESP) está dando um prêmio de cerca de 15 mil reais para quem publicar na Science ou Nature, duas revistas de alto "fator de impacto".
Também de São Paulo outra noticia veio à tona recentemente: o resultado da última avaliação realizada pelo Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) apontou que os estudantes não se deram muito bem na avaliação de 2010. É com base no rendimento dos alunos que os professores da rede estadual paulista recebem uma gratificação - um bônus - no seu salário, num esquema denominado "pagamento por performace", implantando no Estado supostamente para "estimular" a melhoria da educação paulista. O que se viu com os últimos resultados é que essa estratégia não funcionou.
E não funcionou porque esse não pode ser o foco da avaliação da educação. A educação, em todos os níveis, precisa ser fortalecida, mas não como o espaço da competição e sim como um espaço de formação de valores, da colaboração e da ética. Em qualquer dos seus níveis, a educação precisa ser compreendida como um direito de todo o cidadão e que não pode ser trocada por uns trocados.
Lembro Milton Santos: "essa ideia de que a universidade é uma instituição como qualquer outra, o que inclui até mesmo a sua associação com o mercado, dificulta muito esse exercício de pensar". De fato, com um dinheirinho extra por cada publicação, com um novo edital disponível para o próximo projeto, com a avaliação da CAPES na pós-graduação batendo às portas, deixando todos de cabelo em pé, e com a lógica do "publicar ou perecer", parece que estamos chegando perto do fim da universidade enquanto espaço do pensar e do criar conceitos. Viramos, pura e simplesmente, o espaço da reprodução do instituído.
E isso é, no mínimo, lamentável. Na verdade, é o próprio fim da educação.


Nelson Pretto é professor e já foi diretor (2000-2004 e 2004-2008) da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia. Membro titular do Conselho de Cultura do Estado da Bahia. Físico, mestre em Educação e Doutor em Comunicação.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Deu na Tribuna:

Sintest aprova indicativo de greve nacional

O Sindicato Estadual dos Trabalhadores em Educação do Ensino Superior do RN (Sintest/RN) aprovou o indicativo de greve nacional definido pela Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras (Fasubra) no dia 16 de fevereiro. A aprovação aconteceu em Assembleia Geral na manhã de hoje (23), que também serviu para deliberar sobre assuntos relativos a avaliação de conjuntura, campanha salarial emergencial, encaminhamentos e informes gerais.

O indicativo de greve foi definido para o dia 28 de março e é uma reivindicação ao Projeto de Lei 509/2009, que prevê o congelamento dos salários dos funcionários públicos por dez anos.

Ainda essa semana, a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) se reunirá em assembleia para decidir vão aprovar e participar da greve.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Pequena história minha ou de como a UFRN vai vigiar fantasmas

A UFRN pede em documento aos professores com mais de 50 anos - eu tenho quase 60 -, uma série de exames de saúde. Louvável e proveitosa ideia visando preservar o que resta de vida a essa massa de indivíduos a quem a vida já muito atacou a golpes de muito trabalho, choques de estresse, horas e horas de leitura noturna, produção acadêmica sob pressão, ansiedade, cansaço e que tais. Todavia, algo chamou-me  a atenção. 
http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://2.bp.blogspot.com/

Mais que a atenção do homem comum, a atenção do repórter foi desperta. Explico: nada tenho contra quem chamei de "homem comum". Não há desdouro em essa assertiva. O que quero dizer é que o repórter, - jornalismo é sina, é fado, se nasce jornalista e tipógrafo - é um sujeito desconfiado. 

Com o tempo a desconfiança passa à personalidade e aí o sujeito está perdido: sente-se na obrigação de estar atento a tudo. Não é por acaso que existem jornalistas investigativos. Quanto ao homem comum, não. Vê uma coisa estranha, desvia e vai embora. O repórter vê a mesma coisa e... vai atrás dela. Ai o pulo do gato, a grandeza e a perdição do jornalismo.

Pois bem: dentre as determinações do documento em que sou chamado - intimado?- a fazer os tais exames há algo que chamou-me o faro: diz assim: "Os resultados dos seus exames, juntamente com sua ficha de Exame Médico Ocupacional - EMO - veja a sigla: EMO. EMO, EMO, EMO. Deve ser coisa de grande doutoriça - e uma via do ASO - outra sigla de grande prestígio esotérico-burocrático - serão mantidos em sigilo por um período mínimo de 60 anos, de acordo com a legislação vigente."

Quando li isso meus olhos saltaram das órbitas. Um período mínimo de 60 anos? Olhei para um lado, virei-me para o outro. Senti-me como personagem de 1984: o Grande Irmão quer me pegar, pensei. O que a Universidade quer com um documento retido por no mínimo 60 anos? Querem saber da minha saúde para o meu bem ou querem me vigiar? Daqui a 60 anos terei quase 120 anos e serei um velhinho absolutamente inofensivo, salvo se ainda tiver forças para falar. 

Em seguida, pensei: e se de repente as mentes burocráticas acharem 60 anos pouco e ampliarem esse prazo para 200 anos? E depois para seiscentos? Que tal mil anos? Já pensou, mil anos de investigações sobre a saúde do sujeito? E se daqui pra la eu morrer e não tiver o direito de morrer porque os documentos encontram-se sob apreciação pelas lentes de médicos especializadíssimos em descobrir doenças as mais disparatadas? 

Serei preso depois de morto? Haverá algum departamento para atender a reivindicações de fantasmas pedindo que se os libere para o descanso final? Irei para o Inferno? Terei pelo menos o direito de ir para o Inferno? E se a Universidade mandar correspondência ao Cão dizendo para não me aceitar porque posso contaminar alguém com jornalistite? Dante me receberá? Será meu advogado no Hades? O que farei, já que tal retenção documental me insinua algo como uma Santa Inquisição Universitária guardando provas não-sei-de-quê contra mim? 

Não sei, meu Deus! Não sei! Não sei! Não sei! Quisera ser ator shakespeariano para dar grande essência dramática ao meu imenso desespero, como na cena célebre da caveira: To be or not to be! 

Vou tentar me acalmar. 

Pronto, passou. Agora, mais calmo, posso assegurar que não sou um indivíduo contagioso salvo pelas palavras que digo em sala de aula. Mesmo assim vou atender às determinações. Especialmente porque, olhando assim meio de lado, parece que vi um sujeito me observando do lado de fora. Sim, tenho certeza. Está me observando. Vejo até o binóculo. Vou já fazer os exames. O Grande Irmão zela por mim.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

E foi só pra receber um pedaço de papel


Tenho dificuldade em viver situações cerebrais; situações em que valem esquemas mentais que estão lisos, rapados como tábua que acabou de sair da carpintaria. Dificuldade em conviver com grupos que pensem de forma matemática. Prefiro a diversidade da vida ao numérico; as coisas arriscadas da escrita ao que já esteja com final antevisto, as coisas que podem se desvencilhar do estrutural e do planejado, do programado e reto e por isso estático de nascença. A matemática não erra nunca e isso não tem graça.

Certa vez, isso há anos, participava de equipe de pesquisa social muito rígida. Muito competente e séria também, diga-se, em seus propósitos. Mas eu nunca me ajustei. Eram planilhas demais, argumentos demais, certezas demais. Um dia fui assim descrito: "Barreto é um outsider". E era verdade. Então, para não prejudicar as certezas acadêmicas retirei-me do grupo. 

Trabalho com o imponderável, o inusitado, as pequenas coisas, o dispensável. Para mim uma formiga carregando uma folha que pesa mais de dez vezes que ela é acompanhar uma odisséia, uma travessia, uma grande aventura que chega a ser humana - pelo menos no paralelismo que estabeleço entre humanidade e a vida de uma formiga. Com vantagem para a formiga: ela não está sendo explorada porque, a rigor, aquilo não é trabalho: é vida. Todo o formigueiro comerá daquela folha. Sem pagar.

Acompanho aquela formiga com vivo interesse, até que ela suma no misterioso, secreto, escuro e seguro túnel que é sua morada. Também acompanho com interesse os passos dos meus netos. Suas pequenas e inestimáveis descobertas, sua ingênua aventura de começo. Mas, devo admitir, as coisas que crio têm também sua organização caótica. O caos é a essência de todos os inícios, a desorganização em estado perfeito. A imprevisibilidade do próximo passo. É não chegar nunca e continuar querendo não chegar.

Foi assim pensando que este ano fui a Bogotá apresentar trabalho acadêmico: "A fotografia como paixão em Cartier Bresson". Está vendo? Não consegui produzir um texto científico; apresentei um ensaio apaixonado sobre a paixão do meste da Leica. Foram mais de dez horas de avião até a capital da Colômbia: primeiro de Natal a São Paulo saindo daqui de madrugada. Ali, uma espera que dava a impressão de século. Afinal o voo que me levou à belíssima Universidade Javeriana, entidade católica. Elitíssima: meninos e meninas da mais fina flor bogotana.

Apresentei meu trabalho um dia depois da chegada. Completamente diverso dos trabalhos dos colegas: eles e elas científicos. Eu, gauche, alumbrado com as fotos de Bresson. E deu certo: fui o último a mostrar meus slides e meu texto. Mas o fiz com tanta convicção que a Mesa Diretora, ao encerrar nosso seminário, me fez um carinho de ego: "Barreto, foi o ponto alto. Seu trabalho foi uma celebração". Confesso que vivi  - aqui peço esse empréstimo a Neruda - como admito aqui essa ponta de vaidade.

Mas o mais importante ocorreu quando voltei. Dias depois da chegada minha neta perguntou o que eu tinha ido fazer tão longe. Expliquei. E ela indagou: “Mas, Vô, você tirou o primeiro lugar?”. 

Disse que não, que não era um concurso. Apenas a gente apresentava o trabalho e “recebia um certificado, um diploma, viu?”.

Aí, ela me fez a pergunta decisiva: “Mas, Vô, você fez essa viagem tão longe só pra receber um papel?”

 E eu: "????????????????????????????????????????????". 


sexta-feira, 15 de outubro de 2010


Manifesto em defesa da Educação Pública

 Nós, professores universitários, consideramos um retrocesso as propostas e os métodos políticos da candidatura Serra. Seu histórico como governante preocupa todos que acreditam que os rumos do sistema educacional e a defesa de princípios democráticos são vitais ao futuro do país. 

Sob seu governo, a Universidade de São Paulo foi invadida por policiais armados com metralhadoras, atirando bombas de gás lacrimogêneo. Em seu primeiro ato como governador, assinou decretos que revogavam a relativa autonomia financeira e administrativa das Universidades estaduais paulistas. Os salários dos professores da USP, Unicamp e Unesp vêm sendo sistematicamente achatados, mesmo com os recordes na arrecadação de impostos. Numa inversão da situação vigente nas últimas décadas, eles se encontram hoje em patamares menores que a remuneração dos docentes das Universidades federais.

Esse “choque de gestão” é ainda mais drástico no âmbito do ensino fundamental e médio, convergindo para uma política de sucateamento da Rede Pública. São Paulo foi o único Estado que não apresentou, desde 2007, crescimento no exame do Ideb, índice que avalia o aprendizado desses dois níveis educacionais. 

Os salários da Rede Pública no Estado mais rico da federação são menores que os de Tocantins, Roraima, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Espírito Santo, Acre, entre outros. Somada aos contratos precários e às condições aviltantes de trabalho, a baixa remuneração tende a expelir desse sistema educacional os professores qualificados e a desestimular quem decide se manter na Rede Pública. Diante das reivindicações por melhores condições de trabalho, Serra costuma afirmar que não passam de manifestação de interesses corporativos e sindicais, de “tró-ló-ló” de grupos políticos que querem desestabilizá-lo. Assim, além de evitar a discussão acerca do conteúdo das reivindicações, desqualifica movimentos organizados da sociedade civil, quando não os recebe com cassetetes.

Serra escolheu como Secretário da Educação Paulo Renato, ministro nos oito anos do governo FHC. Neste período, nenhuma Escola Técnica Federal foi construída e as existentes arruinaram-se. As universidades públicas federais foram sucateadas ao ponto em que faltou dinheiro até mesmo para pagar as contas de luz, como foi o caso na UFRJ. A proibição de novas contratações gerou um déficit de 7.000 professores. Em contrapartida, sua gestão incentivou a proliferação sem critérios de universidades privadas. Já na Secretaria da Educação de São Paulo, Paulo Renato transferiu, via terceirização, para grandes empresas educacionais privadas a organização dos currículos escolares, o fornecimento de material didático e a formação continuada de professores. O Brasil não pode correr o risco de ter seu sistema educacional dirigido por interesses econômicos privados.  

No comando do governo federal, o PSDB inaugurou o cargo de “engavetador geral da república”. Em São Paulo, nos últimos anos, barrou mais de setenta pedidos de CPIs, abafando casos notórios de corrupção que estão sendo julgados em tribunais internacionais. Sua campanha promove uma deseducação política ao imitar práticas da extrema direita norte-americana em que uma orquestração de boatos dissemina dogmas religiosos. A celebração bonapartista de sua pessoa, em detrimento das forças políticas, só encontra paralelo na campanha de 1989, de Fernando Collor.

Fábio Konder Comparato, USP
Carlos Nelson Coutinho, UFRJ
Heloisa Fernandes, USP
Theotonio dos Santos, UFF
Emilia Viotti da Costa, USP
José Arbex Jr., PUC-SP
Marilena Chaui, USP
João José Reis, UFBA
Joel Birman, UFRJ
Leda Paulani, USP
Dermeval Saviani, Unicamp
João Adolfo Hansen, USP
Flora Sussekind, Unirio
Otávio Velho, UFRJ
Renato Ortiz, Unicamp
Maria Victoria de Mesquita Benevides, USP
Enio Candotti, UFRJ
Luis Fernandes, UFRJ
Antonio Carlos Mazzeo, Unesp
Caio Navarro de Toledo, Unicamp
Celso Frederico, USP
Armando Boito, Unicamp
Henrique Carneiro, USP
Angela Leite Lopes, UFRJ
Afrânio Catani, USP
Laura Tavares, UFRJ
Wolfgang LeoMaar, UFSCar
João Quartim de Moraes, Unicamp
Ildeu de Castro Moreira, UFRJ
Scarlett Marton, USP
Emir Sader, UERJ
Marcelo Perine, PUC-SP
Flavio Aguiar, USP
Wander Melo Miranda, UFMG
Celso F. Favaretto, USP
Benjamin Abdalla Jr., USP
Irene Cardoso, USP
José Ricardo Ramalho, UFRJ
Gilberto Bercovici, USP
Ivana Bentes, UFRJ
José Sérgio F. de Carvalho, USP
Peter Pal Pelbart, PUC- SP
Sergio Cardoso, USP
Consuelo Lins, UFRJ
Iumna Simon, USP
Elisa Kossovitch, Unicamp
Edilson Crema, USP
Liliana Segnini, Unicamp
Glauco Arbix, USP
Ligia Chiappini, Universidade Livre de Berlim
Luiz Roncari, USP
Francisco Foot Hardman, Unicamp
Eleutério Prado, USP
Giuseppe Cocco, UFRJ
Vladimir Safatle, USP
Eliana Regina de Freitas Dutra, UFMG
Helder Garmes, USP
José Castilho de Marques Neto, Unesp
Marcos Dantas, UFRJ
Adélia Bezerra de Meneses, Unicamp
Luís Augusto Fischer, UFRS
Zenir Campos Reis, USP
Alessandro Octaviani, USP
Federico Neiburg, UFRJ
Maria Lygia Quartim de Moraes, Unicamp
Cilaine Alves Cunha, USP
Evando Nascimento, UFJF
Sandra Guardini Teixeira Vasconcelos, USP
Juarez Guimarães, UFMG
Lúcio Flávio Rodrigues de Almeida, PUC-SP
Marcos Silva, USP
Walquíria Domingues Leão Rego, Unicamp
Sérgio de Carvalho, USP
Rosa Maria Dias, Uerj
Gil Vicente Reis de Figueiredo, UFSCar
Ladislau Dowbor, PUC-SP
Ricardo Musse, USP
Lucilia de Almeida Neves, UnB
Maria Lúcia Montes, USP
Eugenio Maria de França Ramos, Unesp
Ana Fani Alessandri Carlos, USP
Mauro Zilbovicius, USP
Jacyntho Lins Brandão, UFMG
Paulo Silveira, USP
Marly de A. G. Vianna, UFSCar
José Camilo Pena, PUC-RJ
Lincoln Secco, USP
Mario Sergio Salerno, USP
Rodrigo Duarte, UFMG
Sean Purdy, USP
Adriano Codato, UFPR
Ricardo Nascimento Fabbrini, USP
Denilson Lopes, UFRJ
Marcus Orione, USP
Ernani Chaves, UFPA
Gustavo Venturi, USP
João Roberto Martins Filho, UFSCar
Nelson Cardoso Amaral, UFG
Evelina Dagnino, Unicamp
Vinicius Berlendis de Figueiredo, UFPR
Silvia de Assis Saes, UFBA
Carlos Ranulfo, UFMG
Flavio Campos, USP
Liv Sovik, UFRJ
Marta Maria Chagas de Carvalho, USP
Paulo Faria, UFRGS
Rubem Murilo Leão Rego, Unicamp
Maria Helena P. T. Machado, USP
Francisco Rüdiger, UFRS
Nelson Schapochnik, USP
José Geraldo Silveira Bueno, PUC-SP
Reginaldo Moraes, Unicamp
Luiz Recaman, USP
Roberto Grun, UFSCar
Edson de Sousa, UFRGS
Márcia Cavalcante Schuback, UFRJ
Luciano Elia, UnB
Ricardo Basbaum, UERJ
Julio Ambrozio, UFJF
João Emanuel, UFRN
Paulo Martins, USP
Analice Palombini, UFRS
Alysson Mascaro, USP
José Luiz Vieira, UFF
Marcia Tosta Dias, Unifesp
Salete de Almeida Cara, USP
Anselmo Pessoa Neto, UFG
Elyeser Szturm, UnB
Iris Kantor, USP
Fernando Lourenço, Unicamp
Luiz Carlos Soares, UFF
André Carone, Unifesp
Richard Simanke, UFSCar
Francisco Alambert, USP
Arlenice Almeida, Unifesp
Miriam Avila, UFMG
Sérgio Salomão Shecaira, USP
Carlos Eduardo Martins, UFRJ
Eduardo Brandão, USP
Jesus Ranieri, Unicamp
Mayra Laudanna, USP
Luiz Hebeche, UFSC
Eduardo Morettin, USP
Adma Muhana, USP
Fábio Durão, Unicamp
Amarilio Ferreira Jr., UFSCar
Jaime Ginzburg, USP
Ianni Regia Scarcelli, USP
Marlise Matos, UFMG
Adalberto Muller, UFF
Ivo da Silva Júnior, Unifesp
Cláudio Oliveira, UFF
Ana Paula Pacheco, USP
Sérgio Alcides, UFMG
Romualdo Pessoa Campos Filho, UFG
Bento Itamar Borges, UFU
Tânia Pellegrini, UFSCar
José Paulo Guedes Pinto, UFRRJ
Luiz Damon, UFPR
Emiliano José, UFBA
Horácio Antunes, UFMA
Bila Sorj, UFRJ