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domingo, 12 de setembro de 2010

Jornal Nacional - JN no Ar 6 (RN - MG) - Primeiro veja o vídeo; depois leia o comentário

Tá tudo tão bom, mas tá tudo tão ruim não é mesmo?
Emanoel Barreto

Há algo de estranho nessa promoção do Jornal Nacional. Por que isso agora? Por que em período eleitoral? Se você observar os números, bastante negativos especialmente em índice de desenvolvimento humano, se ombreiam aos aspectos positivos de cada lugar visitado.

Foi assim no Rio Grande do Norte, foi assim no norte de Minas. E isso se dá de forma bruta, estabelecendo uma relação de choque entre, por exemplo a produção de camarão no Rio Grande do Norte, o índice de mortalidade infantil e o analfabetismo. Isso só para ficar nesses exemplos.

Não sei se você reparou, mas Bonner, para escolher um município mineiro a ser visitado, tinha poucos cartões à sua disposição na urna. Minas tem tão poucos municípios? Ou os que foram selecionados para ser sorteados não seriam todos do norte do Estado, que tem características climáticas nordestinas semelhanças em termos de pobreza?

Explicando: a realização desse voo por todo o Brasil, por partes do Brasil adredemente escolhidas, tem por objetivo mostrar um Brasil que não deu certo, um Brasil de desequilíbrios, um Brasil onde o governo federal... falhou.

Trata-se, não tenho dúvida, de uma ação de agendamento perfeitamente entrosada com a campanha da grande imprensa para desacreditar a candidatura Dilma. E isso em nome do bom jornalismo. Tecnicamente perfeito, o enquadramento passa exatamente essa ideia.
Temos aqui o que os estudos de cobertura política chamam de enquadramento plural aberto. Isso quer dizer o seguinte: o veículo de comunicação dá aos atores políticos o mesmo destaque, sem favorecer a nenhum deles.

Só que isso se deu em forma de engenharia comunicacional reversa: os atores políticos passaram a ser os Estados e todas as suas mazelas, percebe? As mazelas foram privilegiadas como se fossem elas, as mazelas, os atores políticos. E o resultado subliminar atinge o governo federal sem que se diga sobre este qualquer palavra.

Perfeito. Tecnicamente perfeito...

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Leio na Folha Online a forma como a Rede Globo tratou o candidato do PSOL.(EB)

Crítica de Plínio de Arruda à TV Globo interrompe gravação para o 'Jornal Nacional'



FERNANDO GALLO
DE SÃO PAULO

Um protesto do candidato do PSOL à Presidência, Plínio de Arruda Sampaio, fez com que a gravação de sua entrevista ao "Jornal Nacional", da TV Globo, fosse interrompida.


Em sua primeira resposta, a uma pergunta sobre o fato de o PSOL defender a suspensão do pagamento dos juros da divida e as ocupações de terra, Plínio disse que iria tratar do assunto, mas antes faria uma crítica ao tempo de três minutos que a Globo lhe ofereceu, contra os 12 minutos ofertados a Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PV) e José Serra (PSDB).
O candidato disse que "sempre viajou de classe econômica e nunca viu problema nisso", mas que achava ruim que a emissora "criasse uma classe executiva para os candidatos chapa branca".

Segundo o relato de uma pessoa que acompanhava a gravação, os profissionais da TV Globo interromperam a entrevista e propuseram a Plínio que ele gravasse novamente, desta vez sem a crítica, e em contrapartida o apresentador do "JN", William Bonner, diria que o candidato protestou contra o tempo oferecido a ele.


Após uma negociação, o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) sugeriu a Plínio que ele gravasse uma crítica mais branda, o que foi feito.
A entrevista foi cronometrada e deve ir ao ar na íntegra.

Além do questionamento sobre o pagamento da dívida e as ocupações de terra, o candidato socialista foi questionado sobre a defesa de um novo regime para o país. Plínio respondeu que, embora seja socialista, não pretende criar um caos no país.

Ele disse também que é frequentemente questionado sobre a suspensão do pagamento da dívida, mas que ninguém questiona o calote social na população mais pobre nas áreas de saúde e educação.


A entrevista foi gravada pela manhã no Rio de Janeiro e deve ir ao ar à noite.
A reportagem da Folha procurou a TV Globo para comentar o ocorrido, mas ainda não obteve resposta.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Por favor, desculpe, pode ser?

Com luvas de pelica, com licença, desculpe, por favor e muito obrigado. Assim transcorreu a entrevista do candidato José Serra no Jornal Nacional. Bonner e família trataram muito bem o aliado, bem diferente do combate oferecido a Dilma e Marina. Houve sim uma tentativa de dar à entrevista o tom de contraditório, mas podia-se perfeitamente perceber que ali não havia qualquer clima de tensão, tentativa de intimidação, questionamento direcionado à desconstrução da imagem pública do candidato.

Amanhã a vez de Plínio Sampaio, candidato do PSOL à presidência. Espere e verá como vai ser o tratamento.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

E aí, Marina? Você presta pra ser presidente?



A entrevista com Marina Silva no Jornal Nacional manteve o tom, ou melhor, o mesmo torniquete aplicado a Dilma. Insinuação de despreparo administrativo e supostas incoerências da candidata quando estava no PT. Não houve, a rigor, entrevista mas uma tentativa de acuar Marina. Pelo jeito, como "Serra é experiente" amanhã teremos uma louvação, quando ele for chamado a ocupar uma cadeira ao lado de Bonner e Bernardes.

Revela-se um jornalismo panfletário, com o ventiloquismo das elites nas vozes de Bonner e Bernardes. A entrevista de confronto geralmente é o pior tipo de procedimento jornalístico, quando se tenta fazer com que o declarante derrape em seu próprio discurso. Nada a haver com o método socrático. Trata-se apenas de má intenção.

Confesse, candidata!



A entrevista de Dilma a Bonner e Fátima Bernardes foi uma demonstração de como não fazer jornalismo. Entrevistas são, em essência, um ato de relações humanas, com todas as limitações e imbroglios que lhes são inerentes. Assim, jornalistas são movidos por interesses - mais ou menos nobres, durante o ato de entrevistas.

Em função disso o que se viu ali, em vez de uma entrevista propositiva, questionadora de projetos políticos, foi uma tentativa de confronto; melhor, confronto mesmo. Com perguntas nascidas de pauta mal-intencionada, uma pauta política, visando obrigar a entrevistada a dizer o que os entrevistadores queriam que ela dissesse.

Ao interrogatório somente faltou assumirem-se, Bonner e sua mulher, como inquisidores e gritar: "Candidata!: confesse, candidata! confesse!"

Hoje teremos Marina, amanhã Serra. Acompanhemos. (EB)