sábado, 1 de maio de 2010

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Você é louco? Deveria ser
Emanoel Barreto

Você é louco? Deveria ser, afirmam os que fizeram essa escolha. Segundo dizem, é possível cavalgar ao lado do Quixote, galopar em pleno espaço com as Valquírias, montar Pégaso e Bucéfalo e participar de uma  tauromaquia com o grande Manolete, já pensou?

Viu só o que é loucura?: Quixote é um personagem de ficção, as Valquírias mitologia germânica, Pégaso mitologia grega e Bucéfalo o cavalo de Alexandre. Manolete já morreu, em terras d'Espanha. Ou seja: você mistura tudo e, apesar da realidade, consegue viver momentos especiais. Só você vê, só você acredita. Quer coisa melhor?

Para ser um louco, é o que consta, é preciso apenas capacidade de solidão em maio à multitude, observar formigas trabalhando e olhar de vez em quando para coisa nenhuma. Fazendo assim, asseguram insanos sábios, será possível ser um grande e irreconhecido louco, pronto.

Não se trata de delírio. Apenas realidade paralela, se é que me entende...
Não é o rei quem está nu. Nós estamos nus
Emanoel Barreto

A foto é de Spencer Tunick, que dedica a sua arte a fotografias de nus massivos. Seu trabalho provoca um certo estranhamento a respeito de nós mesmos.

O ser humano é sujeito e objeto de si mesmo, sua objetividade é engendrada, seus referentes e azimute ilusórios.

Criamos nossa própria realidade a partir de planos que, no fim, se revelam côncavos ou convexos.

E o que é o côncavo senão o próprio convexo? E o que é o homem senão, muitas vezes, a própria desumanidade?
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Oração do Dia do Trabalho
Emanoel Barreto

Escrevo em finzinho de tarde, quase noite, esta oração ao Dia do Trabalho.

Bendito o trabalhador que me dá tanto lucro sem que eu precise trabalhar.
Benditas sejam as suas mãos, pés, pensamentos, gestos e atos,
pois são todos meus, comprados ao preço de miserável soldo.

Bendito aquele que me alimenta, me dá casa, carro e festins.
Aquilo que lhe falta em casa seja, perpetuamente, aquilo que tenho a mais.
Abençoada a carteira que lhe assino, porque isso me dá direito
sobre o seu corpo enquanto esteja no chão de minha fábrica.

Benditas sejam as leis que me garantem ter tudo
para que eles, os trabalhadores, os desgraçados filhos de Eva,
tenham tão pouco, enquanto eu, descansado e rico, seja sempre rico.
Amém.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Suzana em foto de Marisa Cauduro
Nova ombusaman da Folha diz que é preciso jornalismo ficar antenado com o leitor
Emanoel Barreto

O texto abaixo é da jornalista Suzana Singer, nova ombudsman da Folha de S. Paulo, em substituição a Carlos Eduardo Lins da Silva.

PARECE HAVER hoje apenas uma certeza na imprensa mundial: a de que o jornal impresso corre risco de extinção. A cada novo gadget, as trombetas do apocalipse jornalístico soam mais fortes. Neste mês, o frenesi aumentou com a chegada do iPad, capaz até de exterminar os livros.



"Para jornais, a metáfora que vem à mente é a da areia caindo na ampulheta", o tempo se esgotando, decretou relatório recente sobre a mídia dos EUA.


Esse haraquiri coletivo é, no fundo, um jogo de adivinhação inútil ao leitor. Enquanto houver jornal, o importante para quem paga por ele é que seja benfeito. E é para isso que estarei aqui.


Depois de 23 anos fazendo a Folha, colocando a mão na massa todos os dias, chegou a hora de sair de campo para observar o jogo e apontar erros/ acertos da equipe que faz o diário de maior circulação no país (considerada a média de 2009).


Assumo como ombudsman em um ano difícil, com coberturas importantes: a Copa do Mundo, que coloca a imprensa diante da encruzilhada de "criticar demais e ser vista como derrotista" ou "tecer só elogios e cair no ufanismo", e a eleição presidencial, que promete ser acirradíssima.


Em sua coluna de despedida, meu antecessor, o veterano Carlos Eduardo Lins da Silva disse que não suportaria a eleição presidencial, quando "se exercitarão com força total os piores instintos de parcela pequena mas nefasta do eleitorado engajada na guerra sectária de partidos políticos".


No que depender de mim, os "trogloditas de espírito", como descreve Carlos Eduardo, ficarão em segundo plano. O Fla-Flu político, que tem sua expressão máxima na guerra de blogs radicais, interessa a poucos, basicamente seus autores e uns convertidos que se regozijam em reiterar suas convicções.


Estou em busca do leitor silencioso, que se irrita com a Folha, mas se esquece dela antes de ter tempo de mandar um e-mail reclamando.


Em um jornal com mais de 290 mil exemplares, o leitor acaba se tornando um ente volátil, fictício, fala-se em nome dele para defender teses A, B ou C. Ou, o que é pior, sucumbe-se ao erro narcisista de ignorar quem nos lê e escrever para colegas, fontes (quem passa informações) e especialistas.


Para a Folha, ouvir o homem comum será especialmente importante nos próximos meses, quando estreia um novo projeto gráfico, com mudanças visuais e editoriais, que inclui extinção e criação de cadernos.


Participei de vários processos como esse e sei que, apesar das especificidades técnicas e das pesquisas de opinião, prevalecem em muitas decisões o "eu acho assim mais bonito" ou o "aposto que vão gostar de uma seção desse jeito". Arbitrário mesmo.


Com a ajuda de você, leitor, tentarei levar demandas reais para a Redação. Afinal, toda mudança deveria ter apenas um objetivo: deixá-lo mais satisfeito com o seu jornal.
............

Já publiquei minha opinião sobre o ombudsmanato: é apenas função performativa, cujo objetivo é dar ao leitor a ideia de que o jornal tem controle interno movido por sentido ético de compromisso com a sociedade.

O jornal, ela anuncia, fará nova reforma gráfico-editorial, visando certamente adequar-se ao mercado, senão gerar mercado, já qwue o jornalismo impresso passa por crise suponho nunca vista. É preciso sim formar leitores, especialmente entre os jovens.

Como é preciso ser mais sincero o jornalismo, deixando às claras suas pretensões e apoios a determinados atores políticos. Ou você ainda não percebeu que a Folha apoia Serra?









quinta-feira, 29 de abril de 2010

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Lula se destaca. Serra faz que aplaude
Emanoel Barreto

A revista Time, peso pesado da mídia internacional, apresenta o presidente , por exemplo. A FolhaOnline deu a lista completa dos personalidades em destaque, registrando que "Serra parabenizou Lula."

A princípio dá a impressão de que o adversário de Dilma fez algum tipo de pronunciamento retumbante, telefonou ao petista ou algo assim. Nada disso, logo depois diz o jornal: Serra apenas disse, no twitter, que "isso foi bom para o Brasil." E só.

A apresentação de Serra como adversário que reconhece os méritos do concorrente - em sentido amplo e historicamente falando ele é adversário de Lula - sugere homem de largueza de espírito, sereno e desataviado de sentimentos menores.

Ou seja: veja que homem bom, de princípios e digno do nosso voto. É isso. Para você ver como são as coisas de jornal..