Tanto
horror perante os céus
Dzhokhar
Tsarnaev. O nome, quase impronunciável por um ocidental, designa o jovem
suspeito de haver participado das atrocidades praticadas em Boston. Quero tratar
da tragédia, aqui, de um ângulo que, pelo calor do momento, o jornalismo hard
não tem tempo de fazer: tomo como referência o aspecto existencial, o humano, o
trágico, patético, demencial ou quase isso, desse rapaz.
O ser
humano em sua ira. Ira transformada em causa; e as causas justificam tudo. Aliciam,
consomem, adoidam e mandam que as pessoas assim justificadas se atirem às mais
tortas intentonas.
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Reprodução/Twitter.com/abc7 - Da Folha de S. Paulo |
Seu sofrimento,
sua dor vertida em ideologia santificam todos os gestos.
E lá se foi ele, armado, tonto, ao lado do
irmão, “justiçar” multidão festiva em sua maratona. Depois, um depois terrível,
tornou-se o acossado, o perseguido, a fera a ser detida. E terminou assim, acabou
como está na foto. Colou-se na imagem tétrica que personifica o monstro , nos
mostra o monstro ferido. E que, mesmo ferido, parece estar algemado.
Ó
tempos, ó costumes! Tudo tão triste, tão triste, na vida e miséria humana – não
vale a pena tal luta. Espero jamais rever tanto horror perante os céus.