Carne no Brasil;
Que papelão, hem?
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O gigante Gargântua, ilustração de Gustave Doré, 1873 |
Escancarado o escândalo da carne, as postas
da podridão da elite empresarial brasileira estão colocadas no açougue da
história como se um magarefe louco trinchasse a golpes de cutelo os últimos
resquícios de dignidade dos que estão acostumados a morder impunemente a
sociedade em sua ânsia de lucros.
Os acontecimentos que se sucedem no âmbito da
política, e agora com a exposição das vísceras de parte das empresas de
alimentação, temos um quadro exato da nossa realidade: o Estado usado para
financiar empreendimentos que prejudicam o público; o privado tirando proveito
máximo e até então ocultando as suas ações indignas.
Mais: a corrupção de agentes do Estado quando
agiam em proveito próprio; quadrilhas sem qualquer pudor ou escrúpulo.
A sociedade brasileira deve mirar-se em seu próprio
espelho e decidir que tipo de gente vai assumir o protagonismo no teatro da História
antes que a tragédia se fixe de tal forma que se torne algo irreversível,
naturalizado e imutável.
O país está exposto em sua essência mais
indigna e costumeira: seja no ambiente político onde as facções se digladiam e
buscam garantir-se para 2018, seja nos esconsos da economia onde empresários sem
quaisquer resquícios de honradez agem à tripa forra.
A sociedade brasileira acostumou-se ao jeitinho,
aos acordos, aos acertos, às mais lamentáveis licenças. Isso precisa acabar.
A baixeza das nossas elites precisa ter um
fim. Senão, continuaremos a ser um país onde as massas de desgraçados seguirão
para sempre ao estalar do açoite, carne barata que custa menos de um salário
mínimo.
Mas, tenho para mim que nada será mudado tão facilmente.
Pantagruel comanda o Congresso, a Justiça é errante e o dinheiro fala muito
alto. Logo, logo, tudo estará esquecido. Que papelão, hein?