Mostrando postagens com marcador presidente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador presidente. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

 Bolsonaro e o voo do urubu

Por Emanoel Barreto

Uma assertiva pode ser verdadeira enquanto construção frasal, mas totalmente falsa como representação da realidade. Explico de maneira bem simples. Veja a seguinte frase: “Quando for viajar para lugares distantes não vá de avião; vá de urubu, pois jamais se ouviu dizer ‘Um urubu caiu, matando todos os seus ocupantes.’”

É inteiramente verdadeiro que um urubu jamais caiu matando todos os seus ocupantes. Mas, fora do universo da frase, a afirmação não se sustenta, uma vez que é impossível viajar de urubu. Simples assim.

Apesar de tudo, foi justamente isso que aconteceu no Brasil. O urubu Bolsonaro apresentou-se como o transporte ideal para fazer do país uma nação de aloprados, foi ouvido por uma parte do eleitorado que embarcou no escalafobético projeto e levou junto quem queria um país melhor, mais justo e civilizado. 

O resultado, como seria de se esperar, foi o desastre que todos vivemos: Bolsonaro foi o único urubu no mundo a dar carona a passageiros, caiu junto com seus ocupantes, deixou o país à deriva, forças do atraso ocuparam espaços no governo e a violência do bolsonarismo transformou-se numa forma de fazer política, um fenômeno aterrorizante.

A memória histórica recente nos recorda que em 2018 o suposto atentado a faca sofrido pelo então candidato deu grande alento às propostas brutas de Bolsonaro, o país viveu um surto de comunicação patológica, ele foi guinchado à presidência e tipos medíocres, candidatos que seriam relegados ao lixo da História acabaram eleitos como deputados, senadores e governadores.

Tudo graças ao urubu Bolsonaro, que com uma mensagem reles, um discurso básico e o ato dramático do seu suposto esfaqueamento, como se fosse César morrendo no senado romano, levou multidões de insensatos a elevar-lhe nuvens de incenso ao som do urro “Mi-tô!, mi-tô!, mi-tô!

O tempo passou e mudanças aconteceram. Hoje vivemos um novo tempo; assim, você for viajar e lhe oferecerem passagem gratuita nas asas de um urubu vá a pé. Pode demorar, mas você chega - pois nunca se ouviu dizer que urubu seja avião. Só na cabeça de Bolsonaro. 

  

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Dia 8 de janeiro: o dia em que a direita fracassou

Por Emanoel Barreto

A eleição de Lula representou mais do que a sua escolha como sucessor de Jair Bolsonaro. A alternância no Poder representou a escolha do retorno do País aos caminhos civilizatórios, a substituição do arbítrio, ignorância e boçalidade pelo respeito à Constituição, a derrocada do fascismo que se pretendia implantar como estatuto de existência da sociedade, tornando-se o Estado fiador de um status quo nitidamente inspirado no nazifascismo sob o lema Brasil acima de tudo, consigna também adotado por Adolf Hitler.

E tão radical, insana, violenta e fanática é a vivência do bolsonarismo como doutrina mequetrefe, aliada ao mais ralo e rasteiro senso-comum, que há um mês tínhamos em Brasília a intentona que tentou miseravelmente levar adiante um golpe de Estado. O monumental fracasso pôs fim a tal projeto.

Viu-se ali, ao vivo e em cores, como as forças do fascismo agem expressando todo o seu ódio intenso e sincero. O que se ouviu foi o grito, o discurso da brutalidade mais densa e adoidada, que manifestou-se no quebra-quebra e caos instalado com o apoio de setores das Forças da legalidade, uns poucos que cederam aos berros do porrete fascista.

Tivéssemos agora outro presidente e estaria o Brasil mergulhado num lodaçal medonho, onde política, religião e pactos terríveis com segmentos os mais reacionários poderiam até mesmo nos encaminhar aos abismos de algum tipo de república teocrática ou algo que o valha.

Diante de tudo o que aconteceu, da luta que se travou contra o bolsonarismo, da doutrina chã e estúpida que ainda o nutre apesar da aparente e inicial decadência, havia uma escolha a fazer: nenhum outro, a não ser Lula, teria condições de enfrentar o minotauro Bolsonaro e vencê-lo; qualquer outro teria sido derrotado.

Não digo que temos o estadista perfeito, o ser humano radioso, o grande condutor, o político completo, o perfil ateniense do ideal da democracia. Não, mas afirmo Lula que é a figura histórica que mais se aproximou e se aproxima do que se busca para o respeito ao processo civilizatório.

O dilema era o seguinte: eleger aquele que hoje preside o País ou o urro de um minotauro; a palavra de quem busca o esclarecimento ou o murro da estupidez.

Os atos de há um mês provam que escapamos por pouco de involuirmos à mais miserável situação política, submetidos ao lema suarento e sujo do nazifascismo.

PS: a tragédia dos yanomami é a prova concreta do que digo.

 

 


quinta-feira, 1 de março de 2012

Deu na Folha:

Dilma muda ministério para aplacar evangélicos
Ligado à Igreja Universal, senador Marcelo Crivella vira ministro da Pesca
Planalto espera que escolha ajude a conter críticas ao petista Fernando Haddad na corrida à prefeitura


DE BRASÍLIA
DE SÃO PAULO
Com o objetivo de blindar o petista Fernando Haddad contra críticas dos evangélicos na campanha à Prefeitura de São Paulo, a presidente Dilma Rousseff promoveu ontem mais uma mudança na Esplanada dos Ministérios. 

Dilma escolheu o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), ligado à Igreja Universal do Reino de Deus e um dos principais representantes dos evangélicos no Congresso, para substituir o petista Luiz Sérgio no comando do Ministério da Pesca e Aquicultura. 

A posse do novo ministro será amanhã. Em nota, a presidente disse estar "segura" de que Crivella "prestará relevantes serviços ao Brasil" e afirmou que a troca "permite a incorporação ao ministério de um importante partido aliado da base do governo". 

Para o Planalto, a nomeação de Crivella poderá conter críticas que evangélicos ameaçam fazer contra Haddad por causa do kit gay, material que o governo planejava entregar a alunos da rede pública para combater o preconceito contra homossexuais.
Encomendado pelo Ministério da Educação quando Haddad era o ministro, o kit teve sua distribuição suspensa pelo governo no ano passado, depois de receber críticas de líderes evangélicos. 

Em entrevista à Folha em fevereiro, o presidente do PRB, Marcos Pereira, que também é bispo da Igreja Universal, afirmou que o kit afastaria os evangélicos do candidato petista em São Paulo. 

Com a escolha de Crivella, o Planalto espera ainda fazer um agrado à direção da TV Record, que é controlada pela Igreja Universal. A emissora veiculou várias reportagens críticas sobre o kit gay. 

O novo ministro negou relação entre sua escolha e a disputa eleitoral. "Em nenhum momento, quando a presidente me convidou, isso foi aventado", afirmou Crivella. "Pelo contrário, só tivemos conversas técnicas."
O PRB lançou o deputado federal Celso Russomanno como candidato à Prefeitura de São Paulo. Ele afirmou ontem que continua no páreo. "Nosso acordo com o governo é na esfera federal", disse.

Recentemente, líderes evangélicos ficaram descontentes com o governo por causa de declarações do ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, responsável pelo diálogo do Palácio do Planalto com igrejas e movimentos sociais.
Em palestra em fevereiro, Carvalho disse que o Estado deveria entrar numa disputa ideológica pela "nova classe média", que estaria sob hegemonia dos evangélicos.
Ele disse ter sido mal compreendido e pediu "perdão" pelo "sentimento" que suas declarações provocaram. 

Representantes dos evangélicos no Congresso também ficaram insatisfeitos com a nomeação da petista Eleonora Menicucci para o cargo de ministra de Políticas para as Mulheres há um mês. Ela defende a descriminalização do aborto e no passado admitiu ter feito dois abortos.
Na reta final da campanha presidencial de 2010, Dilma sofreu forte pressão dos evangélicos e assumiu o compromisso de que não mudaria o tratamento que a legislação brasileira dá ao aborto.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A sombra, assombração ou o pudor do Poder

Inventiva, engenho e arte. O talento do fotógrafo cujo nome não pude apurar, flagrou esse instante magistral, transporto a instigante metáfora das coisas do Poder.

O ministro em desgraça é advertido pela sombra da presidente. 

Surreal formulação das coisas, dos escaninhos do Poder: a fantasmática sombra como espectro da punição, dedo em riste àquele que desobedeceu às normas - que deveriam reger - o pudor do Poder. Genial momento de fotógrafo que desconheço.

domingo, 10 de abril de 2011

Deu no Estadão:



100 dias de Dilma: a mulher é o estilo

No pós-Lula, a primeira presidente a comandar o Brasil consolida sua marca ao imprimir pulso forte, porém discreto, à gestão; ajuste das contas e ameaça de inflação ainda são desafios



 Dilma Rousseff completa neste domingo, 10, 100 dias no cargo de presidente da República com o feito de ter dirimido a dúvida mais mordaz lançada contra ela por seus opositores durante a campanha eleitoral do ano passado: seria Dilma, criada à imagem e semelhança de Lula, capaz de comandar o País sozinha? Para silenciar os críticos nesse quesito, a primeira mulher a ocupar a Presidência fez questão de imprimir a marca de uma governante austera e discreta.
Veja também:
link
Pulso forte para apagar a sombra do 'mito' do Planalto
linkNo 'núcleo duro', só Palocci e Pimentel
linkNos discursos, a valorização da mulher
linkInflação assombra e câmbio desafia
linkEntrevista: Novo ambiente não permite que Dilma repita Lula
linkUnião vê Osasco como modelo para plano antimiséria
linkAnastasia aproxima Minas do Planalto
especialVeja o especial sobre os 100 dias de Dilma

Tais características provocaram comparações inevitáveis com seu antecessor e padrinho, um político afeito aos discursos e ao embate direto com a oposição, a mesma oposição que, para fustigá-lo e tentar enfraquecer seu mito, passou a elogiar o jeito de Dilma comandar o País. A presidente, no entanto, nunca incentivou de público esse paralelismo, ainda que na política externa e na questão dos direitos humanos tenha adotado medidas frontalmente contrárias à atuação de Lula na área.

Os afagos da oposição se restringiram à forma. No PSDB e no DEM, ganham corpo as críticas ao conteúdo: "gastança" do governo, desaceleração do PAC e ameaça de inflação. O corte de R$ 50 bilhões no Orçamento não convenceu o mercado e os opositores de que as contas públicas estão sob controle. Dúvidas de gestão à parte, resta ao fim dos 100 dias a certeza de que Dilma se impôs. Parafraseando o francês conde de Buffon (1707-1788), para quem "o estilo é o homem", hoje "a mulher é o estilo".

 

terça-feira, 15 de março de 2011

Oba-oba pra Obama


Deu na Folha: O governo do Estado do Rio de Janeiro criou um perfil no Facebook para o discurso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que será feito na cidade do Rio, no domingo.
Para atrair o público ao discurso do presidente, a página do governo no Facebook colocou o discurso como um evento no site. Até as 12h45 desta terça-feira, mais de cem pessoas já tinham "confirmado presença". Muitos internautas deixaram comentários sobre a visita do presidente americano ao Brasil e seu pronunciamento. 
...
Não vejo qualquer necessidade ou importância nesse pronunciamento. Há em andamento algum grande plano ao projeto reunindo Brasil e Estados Unidos? Não, não há. O que existe é um pseudoacontecimento, um acontecimento de mídia, um fato que só acontecerá em função da mídia, para usufruto e paradoxal manipulação da própria mídia ao transmitir e cobrir esse pronunciamento. 

Suponho que o mandatário americano deverá entoar loas às "boas relações" entre os dois países, com isso visando obter visibilidade internacional. Uma maneira de demonstrar que a hegemonia norte-americana é bem aceita e aplaudida no Brasil. Ou melhor, no Brazil. 

Haverá, claro, telões com a imagem de Obama, e legendas, como num filme, entende? Isso dá a dimensão do factoide e o transporta à sua verdadeira essência e realidade: a realidade de ser um simulacro, uma espécie de filme do absurdo, só que exibido de graça e em praça pública. E o governo do Rio ainda chama a moçada a ir e vibrar...

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Deu no Estadão:

Dilma cozinha com Ana Maria Braga

Entrevista vai ao ar na terça-feira; na atração, a presidente preparou uma omelete de queijo

A presidente Dilma Rousseff gravou o programa 'Mais Você', nesta segunda-feira. A entrevista vai ao ar na terça-feira. No café da manhã, Dilma agradeceu a solidariedade de Ana Maria em um dos momentos mais difíceis de sua vida, quando recebeu o diagnóstico de câncer. Ambas tiveram a mesma doença e conversaram sobre a luta que travaram para vencê-la.
Renato Rocha Miranda/ TV Globo/Reprodução
Renato Rocha Miranda/ TV Globo/Reprodução
Dilma Rousseff gravou o programa 'Mais Você'

A apresentadora também comentou o fato de verem a presidente como uma pessoa dura. "É interessante como esperam de nós, mulheres, uma certa fragilidade. Isso decorre do fato de que a mulher, quando assume um alto cargo, é vista fora do seu papel. Acho que, a partir de agora, isso vai começar a ser encarado como uma coisa normal e natural. As pessoas vão se acostumar com cada vez mais mulheres conquistando espaço", disse a presidente.
No quarto bloco, a presidente preparou uma omelete de queijo.

...........
Personalidades midiáticas às vezes perpetram comportamentos incomuns a seu papel social com o intuito de "humanizar" a visão que delas se tem. Foi o caso de Dilma. Pura perda de tempo. Não creio que essa aparição vá descolar de si a imagem de durona. O esquete com Ana Maria Braga ficará nisso mesmo: numa encenação.

À gravação feita nesta segunda faltará, não tenha dúvida, algo essencial ao propósito de humanizar a presidente: sinceridade. Alguém acredita que ela tem tempo a perder preparando acepipes e pratinhos? Dilma é forte, mas não tem carisma. Assim, fica difícil que a participação em programa de amenidades caseiras tenha qualquer resultado positivo ao que sua assessoria acertou com a Globo. Pura perde de tempo.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O Haiti é aqui e vem aí Baby Doc

Baby Doc diz que não pretende voltar ao poder no Haiti. Não pretende porque Baby Doc ouviu uma música de Caetano Veloso dizendo que o Haiti é aqui e que, portanto, é melhor ser presidente do Brasil. Afinal, o Haiti é aqui. Destarte, cumprirá o seguinte plano: como o Haiti não é mais o Haiti, o Haiti é aqui, o Haiti original acabou, não existe mais. O Haiti de lá é uma espécie de holograma, entende? E aquele terremoto foi uma superprodução de Hollywood que em breve estreará. Está em fase de montagem.

Então, Baby Doc virá para o verdadeiro, o novo Haiti e fundará uma capital nos escombros das cidades serranas do Rio. Disso ele tem know how e trará consigo uma coorte de zumbis altamente treinados, que ensinarão as pessoas a viver como espectros.

Explicará que as causas naturais da hecatombe foram de alguma forma originadas na incompetência das autoridades brasileiras que não estavam nem aí para o povo e que assim é melhor começar a viver logo o Haiti como estado de espírito.

Assim, cuidado: quando ele diz que não quer ser presidente do Haiti, é verdade. Ele quer vir para cá e instaurar uma república zumbiniana. O Haiti é aqui.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Em matéria com enquadramento neutro a Folha entrevista Lula. Uma boa matéria. Jornalismo é, dentre outras coisas, antecipar a possibilidade de acontecimentos. É o que mostro na notícia que compartilho.
 
Lula admite se candidatar novamente à Presidência
"Não posso dizer que não porque sou vivo", diz, sobre disputar novo mandato

Para petista, Barack Obama não tomou "atitude na hora certa" e paga preço de crise herdada de Bush

(Foto) Divulgação/Rede TV
Lula durante entrevista ao programa ‘É Notícia’, concedida em Juazeiro do Norte (CE)

KENNEDY ALENCAR
DE BRASÍLIA

A menos de 15 dias de deixar a Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que poderá ser candidato novamente ao Palácio do Planalto.
Em entrevista ao programa "É Notícia", da RedeTV!, Lula respondeu se voltaria a disputar a Presidência um dia: "Não posso dizer que não porque sou vivo. Sou presidente de honra de um partido, sou um político nato, construí uma relação política extraordinária".

Fez uma ressalva: "Vamos trabalhar para a Dilma fazer um bom governo e, quando chegar a hora certa, a gente vê o que vai acontecer".
Na entrevista, que foi ao ar na madrugada de hoje, Lula ainda fez reparos à política de Barack Obama, lembrou momentos ruins do governo, como as saídas de José Dirceu e Antonio Palocci, e defendeu a política econômica.

Volta ao Planalto
"A gente nunca pode dizer não. Eu fico até com medo, amanhã alguém vai assistir à tua entrevista, e dizer que Lula diz que pode ser candidato. Eu não posso dizer que não porque eu sou vivo, sou presidente de honra de um partido, sou um político nato, construí uma relação política extraordinária."

"O Brasil tem uma gama de líderes extraordinários. Tem a Dilma [Rousseff] que pode ser reeleita tranquilamente. Você tem [os governadores] Eduardo Campos, Jaques Wagner, Sérgio Cabral. Tem a oposição do Aécio [Neves, senador do PSDB de Minas]. Tem o [ex-governador José] Serra (PSDB-SP), que diz que ainda vai fazer oposição. O que não falta é candidato. É muito difícil dar qualquer palpite agora."
"Vamos trabalhar para a Dilma fazer um bom governo e quando chegar a hora a gente vê o que vai acontecer."

Crise do Senado
Disse que a crise do Senado, em 2009, foi tentativa de golpe da oposição e que apoiou José Sarney para manter "a institucionalidade".
"O que estava acontecendo ali era uma tentativa de golpe no Senado para que o vice, tucano [Marconi Perillo, de Goiás], assumisse. É lógico, só um ingênuo é que não percebe as coisas."

Dirceu e Palocci
"Na Casa Civil, teve uma dubiedade entre o animal político que o Zé Dirceu era e a necessidade de ser o gerente do governo. Na minha opinião, era peso demais para uma pessoa tocar."
"Devemos muito ao Palocci. Era preciso ser como o Palocci foi naquele primeiro momento. Fiquei nervoso com o Palocci quando, em 2005, a economia caiu muito. (...) Ele reconheceu que houve exagero no endurecimento."

Mantega e Meirelles
Lula disse ser "grato" ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, e ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles: "Pode ter críticas de que houve erro aqui, demora ali, mas, quando você vai fazer uma síntese, percebe que a fotografia é mais positiva do que negativa".

Mensalão
Voltou a dizer que, quando deixar a Presidência, vai "estudar um pouco o que aconteceu no período". "Não acredito [que houve compra de apoio de parlamentares]."
Diz que foi "lambança eleitoral" e que petistas deveriam ter assumido isso. "Agora, passados cinco anos, de cabeça fria, vou reler a imprensa. Vou ver o que aconteceu em cada jornal, em cada revista, para que a gente possa remontar, [fazer] um juízo de valor do que aconteceu."

Papel de Marisa
O presidente contou que a primeira-dama, Marisa Letícia, "dá palpite" sobre governo. "A Marisa fala das coisas que sente e normalmente tem razão, porque ela fala coisa que o povo pensa."
"Vou dar um exemplo de coisas importante em que a Marisa me ajudou. [Na campanha de 2006] Marisa era a maior incentivadora que eu tinha que ir para os debates, que eu deveria triturar meus adversários. Eu achava que eu não deveria ir, mas ela estava certa."

Obama
Lula disse ser "fã" do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. "Ele só tinha que ter a ousadia que o povo americano teve votando nele. Recebeu uma herança maldita do governo Bush. O país quebrou. Como não tomou as atitudes nas horas certas, vem para as costas dele. Eu dizia para ele: "Presidente Obama, se você não fizer as coisas na hora correta, daqui um ano essa crise está nas tuas costas". Porque a crise era do Bush."

Vida de presidente
"O mais doloroso é a vida de um presidente. A vida de um presidente é muito solitária."
"Tem o dedo de Deus nessa coisa [ter sido eleito presidente]." "O preconceito raivoso de setores conservadores da sociedade brasileira me fez mais forte, pois eu tinha que provar todo santo dia que eu tinha que ser mais capaz do que eles."

Pós-Presidência
"Vou descansar. Tirar umas férias que não tiro há 30 anos. Uns dois meses num lugar onde eu não tenha que fazer nada, discutir política, fazer absolutamente nada."
"Normal eu nunca mais vou ser, mas um brasileiro o mais próximo da normalidade possível. Vou conseguir." "Vai ser bom para o Brasil, vai ser bom para a Dilma, vai ser bom para todo mundo se eu ensinar como um ex-presidente tem que se portar."

"Quero tirar tudo da Presidência de dentro de mim. Preciso voltar a ser o Lula. Voltar a ser um cidadão mais próximo da normalidade possível. Se deixo a Presidência dia 1º e dia 2 começo a dar palpite na política, eu vou estar tendo ingerência em coisa que eu não devo."

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

George Bush lança livro de memórias: defende a tortura e tenta limpar seu passado
Emanoel Barreto

"O ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush (2001-2009) voltará nesta terça-feira ao cenário público com o lançamento de um aguardado --embora pouco surpreendente-- livro de memórias. 

"As 481 páginas de "Decision Points" (pontos decisivos, em tradução livre) não surpreenderão aqueles que forem às livrarias para saber o que levou Bush a declarar a guerra ao Iraque, como o furacão Katrina o afetou ou por que ele autorizou o uso das simulações de afogamento, técnica de tortura, no interrogatório de terroristas."

O trecho acima foi tirado da Folha. E, realmente, não há mesmo como surpreender: primeiro porque o personagem ainda está à quente na história; segundo e por isso mesmo, os noticiários são de alguma forma um diário público do que fez e perpetrou o personagem.
Se Bush realmente escreveu o livro, isto é, se sabe escrever no sentido de ação criativa, capacidade de expressar-se pela escritura, a única novidade será essa: a expressão íntima de alguém relatando-se. 

A imagem que tenho de Bush, todavia, não me inclina a supor que encontremos nesse livro, se e quando vier a ser publicado no Brasil, visões aprofundadas, dilemas de um estadista. Eu o vejo como um homem tacanho, mesquinho, que dirigiu a monumental máquina hegemônica estadunidense às suas finalidades mais imperiais e desumanizadoras.

Os Estados Unidos são um país que ainda se guiariam de alguma forma pela doutrina do Destino Manifesto, surgida em 1840. Uma espécie de missão histórica; mais que isso, determinação divina para o domínio das Américas e do mundo por decorrência natural.

O livro é de qualquer forma documento a ser lido e pensado. Especialmente para que tudo o que ali está não venha a se repetir.


sábado, 30 de outubro de 2010

 Do Blog do Maurício Stycer, este momento:

Lula e Alencar: bastidores de uma foto comovente



Na sexta-feira, 29 de outubro, quando o fotógrafo Ricardo Stuckert entrou no quarto do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o presidente Lula já estava conversando com seu vice, José Alencar, internado para mais uma sessão de quimioterapia. “Meu helicóptero chegou dez minutos depois”, explicou Stuckert ao blog. No quarto também estavam Marisa, mulher do vice-presidente, e o médico Roberto Kalil.

Lula e Alencar conversavam sobre a festa de aniversário do presidente, realizada na quarta-feira, em Brasília. Na ocasião, foi exibido um DVD com depoimentos de um neto de Lula, de sua mulher, Marisa Letícia, e do vice, que emocionaram o presidente. Alencar, desanimado, lamentou não ter participado da festa, por ter reiniciado, mais uma vez, o tratamento contra o câncer.

Foi quando Lula disse: “Zé, nós subimos a rampa (do Palácio do Planalto) juntos, nós vamos descer juntos”. Alencar se emocionou, levando o presidente a fazer o gesto captado pela lente do fotógrafo.
 
Stuckert acompanha Lula como fotógrafo da Presidência desde o primeiro dia de governo e vai deixar o Planalto no dia 1º de janeiro de 2011.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sem comentários: veja quem está com Serra e quem luta ao lado de Dilma

 Reproduzido da Folha de S. Paulo

'Dilma não tem medo de nada', diz Chico Buarque

ITALO NOGUEIRA
DO RIO
Pego de surpresa, o cantor e compositor Chico Buarque discursou no encontro de artistas e intelectuais em apoio à candidata Dilma Rousseff (PT) no teatro Oi Casa Grande, na zona sul do Rio. Ele sentou ao lado da petista na mesa principal do palco.

"Não seremos Estados Unidos da América do Sul", diz Dilma
Chico Buarque e Niemeyer são aplaudidos em evento pró-Dilma no Rio
Produtor do filme sobre Lula entra à força em cerimônia para Dilma
Lotado, evento com Dilma tem telão e confusão


 
"Vim reiterar meu apoio a essa mulher de fibra, que já passou por tudo, e não tem medo de nada. Vai herdar um governo que não corteja os poderosos de sempre. O Brasil é um país que é ouvido em toda parte porque fala de igual para igual com todos. Não fala fino com Washington, nem fala grosso com a Bolívia e o Paraguai".

Ele estava ao lado de Leonardo Boff, enquanto este discursava. Mas ao ser convidado a falar pelo teólogo, disse que esperava apenas ficar ao lado, "que nem papagaio de pirata". Ele foi um dos artistas que assinaram primeiro o manifesto em apoio à petista.


sexta-feira, 3 de setembro de 2010

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Por favor, desculpe, pode ser?

Com luvas de pelica, com licença, desculpe, por favor e muito obrigado. Assim transcorreu a entrevista do candidato José Serra no Jornal Nacional. Bonner e família trataram muito bem o aliado, bem diferente do combate oferecido a Dilma e Marina. Houve sim uma tentativa de dar à entrevista o tom de contraditório, mas podia-se perfeitamente perceber que ali não havia qualquer clima de tensão, tentativa de intimidação, questionamento direcionado à desconstrução da imagem pública do candidato.

Amanhã a vez de Plínio Sampaio, candidato do PSOL à presidência. Espere e verá como vai ser o tratamento.