"Não é justo alguém ter o direito de ter uma empresa de aviação e outro não ter o direito de comer um pão." /////// JAMAIS IDE A UM LUGAR GRANDE DEMAIS. A UM LUGAR AONDE NÃO TENHAIS CORAGEM DA IMENSIDÃO - EMANOEL BARRETO - NATAL/RN
sexta-feira, 14 de abril de 2017
A corrupção como valor
nacional
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O jornalista norte-americano James
Reston traz em seu currículo a publicação do livro Artilharia da Imprensa. O
título é suficientemente elucidativo e indica exatamente o potencial do
jornalismo em agir como elemento de impacto, funcionando o noticiário como
petardos simbólicos.
Pois é exatamente esse canhoneio
que está fazendo surgir o agendamento de que este país não tem jeito. Ou seja:
o construto da convicção de que nossos líderes são todos uma massa de corruptos,
uma malta de facínoras que tem por único objetivo o uso patrimonialista do
Estado, a manipulação desse ser coletivo chamado de povo, e, claro, o
enriquecimento de si e de seus apaniguados.
Não devemos assumir a roupagem do
pessimismo como coisa absoluta, como o "não tem jeito", mas também é
necessário que a imprensa mantenha a vigilância.
Mas a ação jornalística – que tem
lá seus interesses em expor a corrupção de forma hiperbólica, acusando mais a
uns que a outros – tem razão ao anunciar que vivemos uma grave crise moral.
E que, sim, nossos líderes devem
ser no mínimo bastante vigiados pela sociedade civil, evitando-se ao mesmo
tempo a consolidação da ideia de que somos um país sem solução.
Na verdade, os usos e costumes dos bandidos
encastoados no poder – qualquer que seja essa manifestação de poder, estatal ou
iniciativa privada – sempre foram, desde os inícios desta nação, algo bastante
enraizado, forte, firme, essencializado.
A corrupção, a esperteza, o lucro
fácil, a vantagem tirada do cargo público, tudo isso tem-se imbricado a uma
certa escala de valores, chegando-se ao ponto de haver o elogio à malandragem,
a louvação da safadeza, as clarinadas que enaltecem o descaramento.
Eu, você, todos conhecemos tipos
de se utilizam da corrupção em qualquer nível: desvio de material da
repartição, uso de viaturas oficiais nos fins de semana, matreirices que vão
desde o mais anônimo contínuo ao mais graduado empreiteiro ou diretor de repartição.
Os líderes políticos são
diariamente expostos pelos jornais como literalmente maus elementos, o que
contraria seus discursos de salvadores da pátria, homens dignos e justos. Suas
ações esvaem os discursos de campanha.
Valho-me de Ruy Barbosa quando
alardeava que chegaria o tempo em que o homem teria vergonha de ser honesto tal
o consenso existente a favor da ladroagem. E esse tempo já houvera chegado.
Tanto que o tribuno já o recriminava no século 19.
As raízes desse mal se
aprofundaram e hoje as temos alastradas e sofisticadas. São grandes as forças
dos criminosos do poder. Espero que a sociedade, pela sua parcela que defende a
dignidade, se organize e os saiba punir.
Mas, sinceramente, não sei, não
sei, não sei...
quarta-feira, 12 de abril de 2017
O dicionário da
corrupção
Como nas velhas gazetas, aquelas
em que meninos apregoavam ao mundo as manchetes tintas de horrores, saiu a
lista de Fachin. Os jornais espocam os nomes dos indigitados.
Apesar dos tempos plusmidiáticos
o anúncio teve força idêntica à que tinha a antiga gazeta, anunciada ao grito
de “extra!, extra!”
A lista de Fachin expôs ao
alarido social a listagem de homens e mulheres mencionados em atos de altíssima
indignidade com a coisa pública: traz a público o catálogo, o dicionário da
monstruosa máquina político-empresarial que dirige o País.
Um monstro, autointitulado delator
premiado denuncia outros iguais a si, como se àqueles não fosse idêntico e
paritário.
O grande problema brasileiro,
como se estivéssemos num jogo de espelhos onde uns e outros se acusam
mutuamente – uns denunciam outros, que, por sua vez, se dizem vítimas de denunciação
caluniosa – não seria, pelo menos não completamente, a corrupção como elo entre
o corrupto e o corruptor.
A grande questão diz respeito à cultura
da corrupção que foi institucionalizada, valorada, vivida, convalidada e, sob
certos aspectos, regrada: o estatuto de
tal situação tem a marca da troca de favores, premiação em dinheiro por ato ilícito,
facilitações e patrimonialismo.
Pior: naturaliza o ato de
corrupção como algo essencial a qualquer atividade que diga respeito à
movimentação de dinheiro público.
Quem não age segundo tais normas é o otário, o besta, o mané que
perdeu a oportunidade...
Agora as manchetes, sejam
impressas, enunciadas na TV ou trazidas a público em jornais e redes sociais,
mostram que tal realidade precisa ter fim.
É que o dinheiro desviado por
corruptos e corruptores faz falta em hospitais, folhas de pagamento de
funcionários, escolas, construção de estradas, universidades federais e
segurança pública.
A cultura política do Brasil transformou-se
em caso de polícia. Os enredados nas acusações, todavia, são homens e mulheres
poderosos, riquíssimos.
Têm dinheiro suficiente para
pagar advogados caríssimos, conhecedores dos meandros e cavilações processuais
e, assim, capazes de procrastinar qualquer questão jurídica até o final dos
tempos.
Precisamos de uma reforma
profunda e, ao longo do tempo, uma ação onde se valorem a ética e o trabalho em
todos os segmentos sociais. E se puna, sempre e exemplarmente, os que se dedicarem
ao crime como meio de vida na política.
....
Aposentadoria,
não
Uma reforma política que venha ou
viesse a ser feita deveria extinguir a concessão de aposentadoria a políticos.
O exercício de mandato é serviço ao público, de caráter temporário e já
regiamente remunerado. Todo político tem uma profissão, supõe-se. Assim, que
seja aposentado como profissional.
Lista
suja
Também é coisa abominável:
deve-se repudiar o voto em lista fechada. Trata-se, e todos sabem disso, de jogo
sujo para reeleger os criminosos enganchados na Lava Jato.
Financiamento
de campanha
Lamentável também a ideia de criação
de um fundo público para financiar campanhas eleitorais. Temos aí, de graça, as
redes sociais e, claro, o dinheiro de cada um. Que gastem do próprio bolso. Dinheiro
público deve ser investido a favor do povo.
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