quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

OK, OK, a gente se ajeita



E aí Renan disse: "Manda quem pode; obedece quem é juiz”

A grotesca sessão do Supremo que manteve Renan Calheiros encalhado na presidência do Senado foi a mais escancarada e escandalosa prova do quanto temos um país onde o pudor se encolhe, vivemos numa terra onde ser safado é gesto, fato, valor e norma.
 
https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=20204364#editor/target=post;postID=2482998938732271340
O açoite do Senado estalou forte e Renan disse: “Manda quem pode; obedece quem é juiz.” E assim se fez.

Tinha razão Caetano Veloso quando compôs Podres Poderes.
Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Motos e fuscas avançam os sinais vermelhos
E perdem os verdes somos uns boçais

Razão também a Castro Alves, endoidecido de liberdade ao bradar:
Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio.  Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...

Jobim também aborda a crueza do ser brasileiro ao dizer:

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira

Gonzaga, como eu nordestino, também comparece e narra o desvalimento do povo, a sucumbência cabisbaixa, o homem anulado, pobre:

Distante da terra
Tão seca mas boa
Exposto à garoa
A lama e o baú
Meu Deus, meu Deus
Faz pena o nortista
Tão forte, tão bravo
Viver como escravo
No norte e no sul
Ai, ai, ai, ai

E os Titãs, na palavra da Miklos, Bellottoe C.Gavin nos chegam com seu grito rebelde, força juvenil de sabre, ponta de florete irreverente. E berram:

Estão nas mangas dos Senhores Ministros
Nas capas dos Senhores Magistrados
Nas golas dos Senhores Deputados
Nos fundilhos dos Senhores Vereadores
Nas perucas dos Senhores Senadores
Senhores!
Senhores!
Senhores!
Minha Senhora!
Senhores!
Senhores!
Filha da Puta!
Bandido!
Corrupto!
Ladrão!

Sorrindo para a câmera
Sem saber que estamos vendo
Chorando que dá pena
Quando sabem que estão em cena
Sorrindo para as câmeras
Sem saber que são filmados
Um dia o sol ainda vai nascer
Quadrado

Isso não prova nada!
Sob pressão da opinião pública
É que não haveremos de tomar nenhuma decisão!
Vamos esperar que tudo caia no esquecimento
Aí então...
Faça-se a justiça!
Estamos preparando vossas acomodações, Excelência.
Filha da Puta! Bandido!
Corrupto! Ladrão!

Encerro aqui minha elegia, minha tristeza, minha indignação ante tanta indignidade. 


quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Os Poderes e a farsa em Brasília



Renan, o Supremo e o carnaval de Veneza
Leio estarrecido no noticiário a informação de que Renan Calheiros já teria garantidos cinco votos de ministros do Supremo para continuar no cargo de presidente do senado, mesmo que hoje à tarde a Corte mantenha sua condição de réu.

Da mesma forma descubro boquiaberto que o vice-presidente petista, Jorge Viana, estaria em vias de renunciar ao cargo caso Renan seja efetivamente deposto. 

Segundo se informa na mídia, o titubeante senador busca escapulir de um dilema que está bem acima da sua aparente tibieza. Afirmou, segundo vi nas folhas: se pautar a PEC do teto na terça-feira (13), rompe com a esquerda; se não o fizer será acusado de aprofundar a debacle econômica. 

Com ocorra a fuga do petista, o cargo cairia no colo do senador Romero Jucá, outro réu na Lava Jato. Você já percebeu o quanto estamos mal servidos? Um foge das responsabilidades, outro é um homem na mira da lei. 

Parece-me que estamos às voltas com um simulacro de Poderes institucionais, uma grotesca encenação. Pessoas ocupando cargos vitais, essenciais, agindo como se numa mascarada histórica sem perceber que o abismo é logo ali.

O momento não é para contemporizações: os ministros do Supremo têm o dever moral de respeitar a decisão de sustar o mandado presidencial de Renan; da mesma forma o senador petista tem a obrigação de impedir a continuidade da PEC do fim do mundo. 

Tais comportamentos sugerem pusilanimidade e compadrio; pior que isso, revelam que as elites jurídica e política buscam salvar uma situação de engodo quando já ninguém mais acredita na encenação. Não percebem que a sociedade já grita que o rei está nu. 

Os olhares estarão todos voltados para a sessão de hoje do Supremo. Vejamos quem vai fantasiado para um carnaval em Veneza.
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A próxima vítima
Com o bloqueio de mais de 38 milhões do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, ele pode ser o sétimo membro de equipe de Temer a ser atirado ao poço dos demitidos. Ocorrendo tal fato, e somando-se isso aos trambolhões perpetrados pelo governo o mercado terá mais e mais razões para temer que, com Temer, as coisas não darão muito certo. 

Ascensão e queda
Começam a se tornar insistentes os comentários a respeito da queda do próprio presidente da República. Está demonstrado que 1) ele não tem condições pessoais, não tem liderança nem pulso para enfrentar situações extremas; 2) o cerne do seu governo é podre, tais as más companhias em que está metido; 3) ele próprio pode vir a ser cassado, caso o Supremo acate acusação de que valeu-se de dinheiro sujo para usar na campanha de vice, ao lado de Dilma. 

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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Grandes benefícios para o povo brasileiro



Lei de reforma da Previdência

Art. 1° Todo trabalhador brasileiro terá direito a aposentadoria.

Art. 2º A aposentadoria, entretanto, somente será concedida a quem tenha pelo menos cem anos de idade, duzentos de contribuição e manifeste sincera intenção de morrer o mais breve possível.

Art. 3º Se a sincera intenção de morrer não for percebida pelos peritos quando do pedido de aposentadoria o requerente será punido com mais quarenta anos de atividade laboral.

Art. 4° Após esse período o trabalhador será aposentado compulsoriamente.

             Parágrafo único: Ser-lhe-á, todavia, nomeado tutor que o eliminará tão logo perceba intenções de continuar a viver por muitos anos visando desvirtuar sua grande aposentadoria. 

Art. 5° Trabalhadores com menos de cem anos de idade poderão aposentar-se em caráter excepcional, desde que e se cumprirem os seguintes requisitos, todos ao mesmo tempo: estar cego; encontrar-se paralítico; tenha perda completa de voz; apresente total ausência de audição e esteja respirando com a ajuda de aparelhos.

Art. 6º Caso o trabalhador tenha milagrosa recuperação de qualquer um dos males que o afligem deverá voltar imediatamente à ativa.

Art. 6º Voltando à ativa o trabalhador deverá devolver todo o dinheiro que ganhou indevidamente quando do período de inatividade.

Art. 7º O trabalhador ao aposentar-se e manifestar a supramencionada sincera intenção de morrer o mais breve possível terá direito de comprar um revólver calibre 38 com financiamento a juros baixos, a fim de suicidar-se.

Art. 8º Caso não tenha condições de adquirir uma arma o Estado providenciará financiamento a juros baixos. Após sua morte a família ficará encarregada de pagar a conta da arma adquirida.

Art. 8º Caso o trabalhador comprove judicialmente que não tem quaisquer condições para compra da arma poderá dirigir-se ao Setor Nacional de Providência de Armas onde lhe será facultado o uso de revólver calibre 38 a fim de que se suicide. 

Art. 9º O aposentado terá as seguintes regalias:
A)  Poderá respirar cem vezes por dia;
B)  Poderá caminhar o quanto quiser desde que esteja dentro de casa;
C)  Se estiver na rua somente poderá dar duzentos passos;
D) Terá direito a uma refeição por dia;
E)  Poderá beber até dois copos de água diariamente;
F)  Poderá ler esta lei quantas vezes quiser.

Art. 10 Aquele que não quiser aposentar-se será severamente punido – até mesmo com pena de morte – pois a aposentadoria é uma conquista e um direito de todo trabalhador brasileiro. 

Art. 11 Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogando-se todas as disposições em contrário.