domingo, 22 de agosto de 2021

Bolsonaro agora sabe: quem cava buraco afunda com ele

Por Emanoel Barreto

Quem cava buraco afunda com ele. É exatamente isso o que vem fazendo a pessoa que ocupa a presidência da república. E isso porque disse que não era coveiro... A cada dia a pessoa imerge em profundidades abissais e lá, como no mais escuro e terrível lugar das entranhas de uma mente transtornada, encontra os resultados de suas ações: tensão com o Judiciário, com os deputados, com a sociedade civil, com quem tenha bom-senso e busque aprimorar nosso processo civilizacional.

Como dizia Chacrinha, ele também pode afirmar: “Não vim para explicar, eu vim para confundir.” E vem fazendo isso com notável capacidade de trocar o certo pelo duvidoso, o equilíbrio pelo desastre, a parcimônia pelo berro. É perfeito em seus desastres.

Reuniu em torno de si indivíduos que se alinham a seus propósitos e cumprem com perfeição metas como a destruição do meio-ambiente, a cultura, o conceito de ética na política, a violência na comunicação, o incentivo às universidades. Só para citar alguns.

 Sim, sem esquecer que não levou a sério os perigos da covid e deu no que deu. Mas o buraco que ele escava fica mais e mais profundo dia a dia e temos visto a cada pesquisa que sua popularidade afunda e ele naufraga.

Ao que parece, ele confundiu tanto que a si próprio enganou: agora verá o que significa o ditado: “A semeadura é livre, a colheita é obrigatória.”

 

A ampla minoria de Bolsonaro

Por Emanoel Barreto

Profundo desconhecedor de qual o significado da palavra democracia, insigne ignorante do sentido do que sejam civilidade, governança, ética, respeito; e afinal não-sabedor do que seja ser presidente da república a pessoa que hoje ocupa esse cargo no Brasil encontrou na palavra arruaça um objetivo e um propósito para justificar sua presença no Palácio do Planalto.

Ao protocolar pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a criatura apenas acrescentou a seu currículo mais uma atribulação à sociedade, mais uma grave trapalhada à vida pública nacional.

Ciente e, quem sabe, presciente do seu futuro pressago – a derrota na odiada urna eletrônica – o mencionado personagem parte para a ignorância, algo que sabe fazer e muito bem.

As pesquisas sem dúvida o atormentam, os números sugerem a débâcle; a péssima repercussão do pedido de impeachment na opinião pública e no Senado, os desatinos que beiram algum tipo de patologia na área psiquiátrica, mais e mais indicam que o mito Bolsonaro era apenas isso, um mito, alguma coisa figurada pelo imaginário coletivo, e, portanto, falsa, vazia de consistência veraz, envolta em brumas e crendices de tolos.

A solução para a crise, em sua estreita compreensão do que seja política, foi criar e acirrar um contencioso bárbaro com o Supremo para com isso manter unida sua já limitada base de apoio eleitoral. As pesquisas já mostram que aquelas já constituem o que vou chamar de ampla minoria.

É justamente a necessidade de impedir que aumente essa ampla minoria que o leva a fatiar seus atos de disparates políticos. O próximo pedido estará com os dentes voltados para o ministro Roberto Barroso. Dessa forma, supõe a criatura, manterá acesa a chama entre os que ainda o entendem como pessoa capaz de dirigir o país.

O objetivo final é criar um clima de ódio e enfrentamentos com os que defendem a democracia. A baderna completa, o entrechoque, a política praticada na arruaça à base de insolência e estupidez. Com isso viria um deus ex machina, as Forças Armadas, para pacificar e impor a ordem.

Não chegaremos a isso: a democracia prevalecerá. Pelo voto ele sairá da presidência após seu último dia de mandato. E sua minoria será ampla, bem ampla.

 

 

 

 

sexta-feira, 30 de julho de 2021

 Nuvens e café com leite

 Por Emanoel Barreto

 “Aprendi a delirar aos poucos, por intuição e gosto.”

  Quem me disse isso foi um amigo a quem o vulgo gosta de chamar de louco. Não o chamam assim por considerá-lo louco na exatidão do termo. Nada disso. Chamam-no louco por entendê-lo como, digamos assim, discrepante, estranho, não-alinhado, incomum. Chamam-no de louco aqueles tristemente dotados de absoluta e rude incapacidade de chegar até aonde ele chegou em gesto e poesia.

 O meu amigo é pintor, mas também gosta de escrever. Escreve com pincéis quando lhe dá na telha e pinta com palavras quando assim o entende. É um homem realizado espiritualmente. E isso lhe dá condições de ser como é. 

 Meu amigo é um senhor de grandes mestrias. É sensível, requintado, ético. Bebe licores finos, sabe tocar oboé e cravo. Sua mulher tem o nome de Charlotte. E a seu lado vive cada momento como uma pequena eternidade. 

Às vezes gosta de meter-se no ambiente dos comuns para deles ouvir as conversas ásperas e grosseiras. E, claro, concordar com tudo apenas acenando com a cabeça. Após, tem ataques de riso que controla à força de tragos de legítimo Bourbon. 

 Meu amigo é intenso e de alguma forma perigoso, pois desafia o senso comum, a mediocridade, as coisas tidas como algo que "deve ser como é".

 Acabou de informar-me que está na Tailândia. E disse que comprou um biplano. Legítimo exemplar de avião do tempo da Primeira Guerra Mundial. Mais uma de suas extravagâncias. Pretende voar para algum local distante. De lá, prometeu, irá a algum ponto alto. Alto, muito, muito alto. Bem acima das nuvens... 

  “E depois?”, perguntei. 

 Depois, depois não sabe. Mas, parece-me, vai descer, aterrissar num ponto remoto da África central e encontrar-se com uns sobas, líderes de nações primevas e ancestras. Quer entender com eles o sentido da vida. 

 Gostaria de ser como ele. 

Somente para saber como é pegar um pedaço de nuvem, misturá-lo com o ar frio das alturas e mastigar sem pressa aquele manjar inesperado. E saborear, na imensidão do espaço, nuvem e café com leite...  

 

 


terça-feira, 6 de julho de 2021

Bolsonaro, a falência de um mistificador

Por Emanoel Barreto

O protagonismo de alguém que pretende o Poder ou busca naquele se manter precisa estar inserido numa atitude de performance que inclui atitudes de comportamento e atos de pronunciamento.

O comportamento é a ação do líder, olímpico e altaneiro, enquanto o pronunciamento é a enunciação daquilo que pensa, suas formulações racionais ou expressões da passionalidade grandiosa e contagiante; em outras palavras, a utopia que busca levar às multidões.

Bolsonaro, dotado de limitadíssimos dotes de discurso, funcionalmente incapacitado de formular concepções que não as do vulgo mais baixo e medíocre, tem recorrido ao comportamento escoiceante como substitutivo do discurso.

Exemplo: os passeios de motocicleta ou os atos antidemocráticos em Brasília quando liderava indivíduos de baixo perfil democrático  pedindo o retorno da ditadura.

Havia, claro, atos de fala cambaleantes, mas o que valia mesmo era o demonstrativo corporal do agrupamento da turba, buscando passar a ideia de unidade, pensamento único e obsessivo a ser respeitado, mais que isso, temido. O gesto ameaçador em lugar da fala.

Agora, quando seu desmascaramento caminha a passos largos parece que até as atitudes ameaçadoras estão suspensas. Pelo menos domingo passado não houve motociata.

As observações que faço não negam que a pessoa em tela não se pronuncie. Isso seria impensável e impossível a qualquer um que esteja inserido num processo de poder. O que vejo é um ser que tropeça em declarações ordinárias, rudes, chulas e com isso agrega em torno de si pessoas que o espelham e nele são espelhadas.

O processo histórico, no entanto, é implacável: esvaziam-se o discurso patético/ameaçador bem como os atos que substituem a fala, que deveria marcar a tipicidade da figura de liderança. A CPI da covid está esmigalhando a figura tosca que brada urros de agressão. E até uma ex-cunhada o denuncia como comandante do reparte do butim salarial em que está denunciado, o chamado escândalo da rachadinha.

Na verdade Bolsonaro está rachando, tem pés de barro e a partir de 2022 será banido para as páginas mais obscuras da História. Precisa ser lembrado como coisa ruim, mas deve ser relegado ao quarto de despejo das coisas ruins.

domingo, 4 de julho de 2021

 Superando a escuridão

Por Emanoel Barreto

Povos cuja estrutura socioeconômica é mantida e sustentada por um substrato histórico perverso, injusto e explorador tende inexoravelmente a repetir seu processo histórico de sofrimento das classes trabalhadoras, privilegiar fortunas, estimular políticos corruptos e aceitar regimes ditatoriais; e terminado cada ciclo ditatorial persiste a possibilidade de tal situação ameace retornar uma vez mantidas as bases perversas que lhe dão sustentação.

O Brasil faz parte da lista, e hoje vivemos novamente momentos de incerteza política, agravada pela pandemia. A presença de Bolsonaro na cena política é a comprovação exata de que um povo, ou parcela deste, pode sim, em desespero, fazer a opção pelo pior, desde que acredite que esse pior seria uma espécie de taumaturgo a mostrar como se atravessa o Mar Vermelho.

Incapaz de compreender o significado do verbo governar, o citado indivíduo limita-se a criar situações de atrito a fim de manter-se no noticiário ou mais especialmente assegurar a integridade de seus laços com os segmentos que o elegeram.

O processo histórico, entretanto, segue seus passos, e em resposta à desordem implantada por Bolsonaro surgem a resistência e a busca de superação da crise.

As forças democráticas buscam alguma forma de união e mesmo elementos mais à direita se alinham com os interesses populares mais legítimos a fim de em 2022 não tenhamos a reeleição do desastre.

As desigualdades sociais, persistirão, todavia. E quem substituir Bolsonaro deverá dar início a um ciclo de reconstrução do estatuto do que seja governar, administrar, fixar prioridades históricas que visem banir injustiças e criar objetivos de longo prazo nos planos social, econômico, cultural, trabalhista e democrático.

Será preciso, acima de tudo, um decidido esforço civilizacional a fim de retirar o lixo e o entulho bolsonarista que hoje visam embotar corações e mentes.

Mesmo administrando o perigo de repetição do quadro citado no início deste artigo, pois a situação de injustiça não se altera por decreto, precisamos superar esta era de incertezas. É possível. Será realidade.

 

 

terça-feira, 29 de junho de 2021

O país dos embusteiros

Por Emanoel Barreto

Vi nas coisas de jornal da net que Luciano Huck andou falando a um grupo de empresários a respeito do Brasil como país do futuro – sempre isso, não é mesmo? – como se fosse uma grande autoridade em história, sociologia, economia ou algo que o valha.

Após o anúncio de que afinal nos livrou da ameaça de sua candidatura à presidência da república para dedicar-se a fazer o que mais sabe – dirigir programas de lixo televisivo da Globo – ele sugere, ao dirigir-se a uma plateia de gente endinheirada, que deverá manter acesa a chama de líder de faz de conta.

Não creio que ninguém que deva ser levado a sério leve a sério Luciano Huck. Os casos em contrário devem ser creditados a indivíduos ou muito tolos ou que desejem sinceramente ver esse país levado à total hecatombe, coisa que, diga-se, vem sendo muito bem executada por Bolsonaro. Até aqui com amplo sucesso.

Vi também na net que há poucos dias a supramencionada pessoa soube que o apresentador José Luiz Datena estaria pensando em candidatar-se nas eleições do próximo ano.

Não demorou e logo a tal pessoa telefonou para tomar satisfações, segundo a notícia; e recebeu a resposta que temia – Datena confirmou que será candidato, só não revelou a qual cargo. Suponho que ficou entredito que seria à sucessão presidencial. A confirmar-se, o apresentador poderia vir a ser a tão esperada terceira via. Um desastre.

Datena tem o discurso calibrado a uma larga parcela do eleitorado e representa uma certa e confusa compreensão da nossa profunda injustiça social. De alguma forma seus programas sempre foram um plenário postiço, funcionando ele como deputado midiático a supostamente vociferar a favor dos pobres e sofridos, a denunciar esses mesmos pobres e sofridos como vítimas dos bandidos e do descaso do Estado.

Logo, seria ele, o grande orador do descalabro, a ser a pessoa a vir salvar o país na fase pós-Bolsonaro. Lembrando que vez por outra Datena ataca Bolsonaro. Material para tanto não lhe falta. O descalabro está a olhos vistos, vide CPI da pandemia.

Desta forma, saindo Huck e entrando Datena – espero que isso não se confirme – daremos continuidade e caminho aberto a que tipos que tais se utilizem da desgraça social para se apresentar como salvadores da pátria. Com os tempos que hoje vivemos já sabemos o resultado a que isso nos leva.

 

  

segunda-feira, 28 de junho de 2021

Bolsonaro: quem cava buraco afunda com ele

Por Emanoel Barreto

 O corre-corre de Bolsonaro em cima de sua motocicleta para cima e para baixo tem uma explicação: como não há mais multidões a aplaudi-lo ele sai à testa de uma grei de insensatos em busca de um tempo que passou, o tempo da grotesca glória que o levou ao Poder.

Mas quem cava buraco afunda com ele. E se colhe o que se planta. Ele cavou fundo demais e agora o buraco virou abismo; a colheita de suas vinhas da ira já é amarga. Esse vinho não embriaga; desespera.

Bolsonaro está procurando multidões. E como não as encontra – por força do governo que começa a se esboroar –, sai em sua moto como que gritando: “Ei! Eu estou aqui! Pense em mim! Olhe pra mim! Liga pra mim; não, não liga pra ele!” – ciente de que nas pesquisas, o “ele” tem nome e esse nome é Lula. Não é um elogio a Lula. É uma constatação.

Diante disso, dessa realidade do surgimento de um “ele”, o corre-corre das motocicletas além de suprir o vazio deixado pela perda de apoio popular, como mostram as pesquisas, serve também para tentar fazer-se lembrar. O mito está michando.

Isso é bastante claro. Ou você acha que se multidões estivessem se reunindo para defendê-lo frente às acusações da CPI da covid ele estaria correndo sem destino com seus motoqueiros, implorando atenção e destaque na mídia?

Frente ao quadro instalado ele parte para a formulação de acontecimentos que até há algum tempo eram chamados de factoides, acontecimentos falsos, fabricados somente para aparecer na imprensa, TV e internet.

Mas os falsos acontecimentos não o salvarão. A crise é feia. Não é uma gripezinha política. Bolsonaro então sobe na moto, junta quem o deseje acompanhar e na busca de multidões na verdade empreende fuga. Essa a realidade: ele está em fuga de um governo sem destino.

 

sábado, 26 de junho de 2021

Bolsonaro e a Lei de Murphy:

se pode dar errado vai dar errado

Por Emanoel Barreto

 A limitada compreensão de mundo e a visão mesquinha e tosca do que seja política têm se manifestado de forma brutal e bastante franca nas atitudes públicas da pessoa que hoje detém o cargo de presidente da República. Estupidez e coices verbais são distribuídos com vigor incomum atingindo a  todos os que o incomodam.

Pela sua própria ignorância e despreparo Bolsonaro parece não perceber que suas atitudes têm consequências de repercussão comunicacional de longo e profundo alcance. Mais exatamente: ele próprio está mostrando que não tem estatura para o cargo, não se apresenta como pessoa política com projetos e cria amplas condições para ser derrotado em, 2022.

É muito fácil explicar: incompetentes, e mais que isso incompetentes estúpidos, são substituídos; simples assim.

Seus comportamentos insultuosos têm destaque e ênfase nos jornais, TVs e internet. Com isso prolongam-se no tempo histórico e ajudam e configurar a imagem de um elemento descontrolado e vulgar em vez de um líder com capacidade de responder com maturidade e lucidez perguntas duras que lhe sejam dirigidas por jornalistas.

As entrevistas com Bolsonaro são sempre feitas a partir do que os estudos do jornalismo chamam de entrevista de confronto, ou seja: são indagações que tratam de temas ou assuntos que incomodam pessoa que esteja em situação incômoda ou desfavorável, como é o caso de alguém acuado com os números de mortos pela pandemia e agora cercado pela CPI que apura a calamidade da covid. Não haveria como ser diferente. É o papel de imprensa.

A qualquer pergunta explode em palavreado grosseiro. Por falta de argumentos parte para a agressão verbal. E assim mais e mais a imagem do brutamontes, do bronco, do abrutalhado e inculto se consolida. Até porque é verdadeira. A imagem corresponde ao homem.

Em comunicação a imagem cola na pessoa noticiável como se fosse sua pele pública; e retirar ou substituir tal imagem é muito difícil. Veja o caso de Karol Concá.

Bolsonaro é Bolsonaro em si e no espelho. E ponto.

A sua situação se agrava devido à exposição prolongada de suas estultices, que repete continuamente. E sua imagem mais e mais se tolda, agora pela flagrante corrupção encontrada na tentativa de compra superfaturada da vacina Covaxin quando ele, segundo diz o noticiário, nada fez para impedir  a tentativa ainda no nascedouro, apesar de informado do ato desonesto.

A pessoa de quem falo faz espalhafato desde o início de seu governo. Agora as coisas estão dando errado. Ele berra e não dá jeito. Tudo só faz piorar. E, por falar nisso, lembra da Lei de Murphy? Diz o seguinte: se alguma coisa pode dar errado vai dar errado. Parece que saberemos a resposta em 2022.