sexta-feira, 26 de abril de 2019


Minha entrevista com frei Damião, o santo do povo

Creio que foi no ano da graça de 1980 que tive a oportunidade e fui pautado para entrevistar a venerável figura de Frei Damião, o santo do sertão, amado do povo, protegido de Deus e de Nossa Senhora. Vindo da distante cidade de Bozzano, Itália, para cuidar do rebanho de sertanejos, preservar a fé e encaminhar as almas todas para o Céu.

Fui à cidade de Ceará Mirim, pouco mais de 30 minutos de Natal, onde ele se encontrava. Encontrei-o na igreja matriz. Abençoado templo povoado por imagens de santos e de anjos, querubins e serafins. A pequena e cândida figura atendia em confissão a enorme fila de mulheres cobertas por véus e envoltas em doce auréola de rezadeiras, como só as existem no Nordeste. Mulheres suadas de fé.

E eu fiquei olhando para elas. Atentei para suas bocas que fervilhavam baixinho rezas velhas, mistérios sussurrados em uma língua estranha que jamais consegui apreender desde quando, ainda menino, olhava minhas tias fervorosas diante de uma vela e de uma imagem de Nossa Senhora. Deviam ser coisas muito altas, evoladas da inefável religião dos bons, áugúrios de uma vida melhor depois da morte, quem sabe o repouso calmo no regaço da Virgem.

Preste atenção na boca de uma velha rezadeira: é ali que mora a alma, tenho certeza. A minha mente de repórter, todavia, estava preocupada com algo mais urgente e menos devoto: o tempo. Eu tinha hora para voltar à Tribuna do Norte e fazer o meu texto.

Com alguma insistência junto a um auxiliar do beato consegui parar a confissão e ele me atendeu. Confesso, sem trocadilho algum, que nem mesmo sei o que perguntei. Mas, o que mais valia era relatar o encontro dulcíssimo do pastor com o seu rebanho, captar o ambiente angélico, a doçura do olhar do Frei, seus conselhos e penitências passadas àquelas pessoas sacras e pias.

Saí, confesso novamente, com a alma cheia de alguma candura - certamente meu coração de repórter, feio e mau, tocado pelos instantes miríficos. Assim, de volta à redação, encontro com outra figura humana portentosa: Dorian Jorge Freire, diretor de Redação. Católico, minúsculo de tamanho mas enorme em sabedoria e humanismo.

Terminado o meu texto, Dorian, que também tinha grande espírito de humor, contou-me o seguinte: Certa vez, Barreto, Frei Damião estava com suas missões pelos sertões distantes. Fazia sua costumeira pregação contra o pecado, a devassidão e o adultério. Defendia o sacramento do matrimônio e dizia que, sem ser casado, o casal era "como o cachorro e a cachorra, o touro e a vaca." . Advertia também a todos contra o perigo do comunismo vermelho e ateu.

E dizia: "O comunismo é pecado grande, pecado mortal. O comunismo é a besta-fera que vem para desafiar o Evangelho. O comunismo é o perigo até mesmo para as mocinhas." O povo olhava e ouvia tudo, pasmo, temeroso, pronto para fugir, caso o comunismo chegasse a qualquer instante.

 Parecia até que o comunismo estava por ali, pronto para desferir seu bote. Afinal, Frei Damião fez sua última invectica contra o comunismo periculoso e bradou ao povo sertanejo, como se fora um novo Conselheiro: "E então, quereis o comunismo?, e o contrito povo, procissão desvelada e crente, respondeu piedosamente, em coro monumental "Quereis!"

segunda-feira, 1 de abril de 2019

O direito de ser bandido

A violência no Brasil é sistêmica, complexa e, pela forma como se apresenta - organizada e enraizada-, dificilmente será vencida.
Vejamos: é preciso entender que a violência está dentro dos presídios mas mantém firme conexão com os atos criminosos que se dão fora deles, inter-influenciando-se mutuamente.
Além disso, as causas históricas do fenômeno criminal permanecem inalteradas secularmente, num perverso processo de marginalização que leva muitos à prática de delitos como se aquela fosse forma aceitável de viver.
As causas históricas manifestam-se nos baixos salários pagos pela iniciativa privada – e no seu inverso: os segmentos estamentais eternizados em situação privilegiada: régias remunerações contemplam o judiciário, a alta oficialidade das forças armadas, políticos profissionais e setores do funcionalismo público.
Junte-se a tal fato a corrupção perpetrada pelo alto empresariado junto a agentes públicos – agregando-se a isso a sonegação de impostos – e temos a receita social perfeita e o caldo de cultura exato a propiciar o encaminhamento do indivíduo socialmente desvalido ao crime.
Com o Estado aparelhado e tornado meio de vida para os privilegiados todo o dinheiro que deveria estar ao dispor da sociedade vai parar em poucas contas bancárias. Simplificando: falta dinheiro para as funções sociais da instituição estatal.
E muitos jovens que vivem um cotidiano de privações e fome compreendem-se como membros de alguma forma de sociedade marginal e passam a vivenciá-la. Entendem-se como se tivessem o “direito” de ser criminosos.
Ou seja: nas favelas e arrabaldes esse tipo de pensamento passa a ser compartilhado, torna-se um valor, uma espécie de crença, uma maneira de experienciar a existência e uma forma de ser no mundo.
Então, imbuído de tais princípios, o indivíduo passa a cometer atrocidades com grande desenvoltura e sem qualquer senso de culpa. Torna-se convicto. Mata e agride com a mesma naturalidade que um trabalhador ergue uma parede ou pega um ônibus de volta à casa. É o “direito” de ser criminoso.
Entre os criminosos e os privilegiados há um abismo profundo. As elites não estão dispostas a ceder seus privilégios; os bandidos reagem e buscam espaço. E  o resultado é o que temos: presídios explodindo, o terror batendo à sua porta. Mas as elites, protegidas, sabem o que são: as elites prtegidas.
O Estado não tem como garantir ao trabalhador integridade física, bem-estar, sossego, tranquilidade, saúde, educação, cultura, transporte, dignidade.
Também não consegue ser eficaz na busca de levar adiante ações repressivo-preventivas para enfrentar aqueles que estão no caminho do crime, ofendendo os que trabalham.
E chegamos ao atual ponto: uma situação insustentável, especialmente pelo fato de que os criminosos já vivem seu sentimento de pertença a um grupo e entendem a sociedade como sua presa legítima.
Caso não haja uma profunda revisão de valores, caso os dinheiros públicos não venham a ter devida aplicação ;e mantendo-se – como serão mantidos– os privilégios e a corrupção, a tendência do quadro é de constante agravamento.
O “direito de ser criminoso” crescerá, e os bandidos, identitários e armados, continuarão a disseminar a violência e a morte. Recolhidos aos presídios continuarão a exercitar bestialidade e horror. 

domingo, 31 de março de 2019


Como a ditadura vigiava a Cooperativa dos Jornalistas de Natal

A Fundação da Coojornat, Cooperativa dos Jornalistas de Natal-Coojornat, aconteceu dia 1º de outubro de 1977. Para os jovens que a haviam criado - com o incentivo do cartunista Henfil, então morando em Natal -, era uma conquista. Uma fresta na luta contra a ditadura. Dermi Azevedo era o presidente, Arlindo de Melo Freire vice, e eu secretário. 

Dias depois uma desagradável surpresa: uma desagradável surpresa pelo menos para mim. Veja só: nós havíamos alugado uma casa na Rua São Tomé, Cidade Alta, em frente ao Senac. Ali seria a sede da Coojornat. Num sábado, poucas semanas após a fundação, faríamos uma espécie de inauguração festiva, um congraçamento. Cheguei por lá mais ou menos às três da tarde; da rua ouvi música. Som muito alto. Estranhei, porque não tínhamos contratado qualquer serviço de som, muito menos com aquela potência toda.

Parei o carro a uns 20 metros da Cooperativa, pensando: "Quem diabo contratou esse som?", e continuei andando. Quando cheguei em frente ao Senac, descobri: a música vinha de lá mesmo, do Senac, que promovia alguma festividade. Superada a pequena dúvida entrei na sede da Coojornat e fiquei por lá, conversando com um e com outro. Nisso, entram dois sujeitos que se dirigiram a mim e se "identificaram": um era "jornalista", o outro "bancário".

Estranhei a visita por um motivo simples: o que um bancário teria de interesse numa cooperativa de jornalistas?  E o "bancário" era o que mais perguntava. Expliquei que eu era o secretário da Cooperativa e falei do projeto como um todo. Então, o que se dizia jornalista quis saber se eu tinha o estatuto da Coojornat. Respondi que sim, mas o documento estava em minha casa. Rápido, ele perguntou: "Posso passar lá, para ver os estatutos?", eu respondi que sim, dei o endereço e marquei para que ele fosse à noite me procurar.

Os tipos agradeceram e foram embora. Minutos depois chega Dermi Azevedo e eu lhe  conto o caso, já sentindo que boa coisa aquela visita não fora . Dermi disse: "Barreto, você ficou doido? Isso é o SNI, Barreto."
Respondi: "Dermi, eu sei, rapaz. Mas, quem não deve não teme. Os caras vão lá em casa lá pelas sete da noite.Vamos ver no que vai dar."

E Dermi: "Então, tome cuidado". E cuidado foi o que não deixei de tomar. Avisei a um cunhado que morava vizinho e mim.  À minha mulher, grávida de nossa segunda filha alertei que iríamos receber um mau elemento. Feito isso, começou a espera. Meu cunhado ficou na sala da casa dele aguardando para intervir se fosse preciso, enquanto minha mulher estava trancada num quarto.

Devo dizer: não sei se a pouca idade - eu tinha 26 anos - ou a convicção de que nada fazíamos de errado, mas o fato é que a palavra medo sequer me passou pela cabeça. Havia, claro, a certeza de que alguém muito mal intencionado viria, mas o enfrentamento não me causou qualquer abalo. Estava precavido, intimidado não. 

Pouco depois das sete o sujeito chegou. Subiu os degraus da entrada da minha casa e eu o recebi. "Boa noite, boa noite. Vamos sentar", foi o diálogo inicial. O elemento sentou-se a meu lado e aí começou um ridículo interrogatório travestido de conversa. O treinamento do agente, um reles espião de baixíssima categoria, era básico. Limitava-se fazer perguntas que tentavam induzir-me a dar respostas de contestação à ditadura, como se fosse ele um jornalista insatisfeito com o regime, em confidência com um colega.

Exemplo: "A Cooperativa trabalha para quem?
Resposta: "Somos uma entidade, uma cooperativa de mão-de-obra intelectual. Prestaremos serviços de assessoria de imprensa e teremos um jornal próprio."
"Vão trabalhar também para o governo?"

Ao que eu disse: "Se formos contratados, por exemplo, por uma Secretaria de Estado para fazer assessoria de imprensa ou um jornal, um house organ, sim."
E ele: "Mas, aí, vocês vão perder a independência."

Eu disse: "A finalidade da cooperativa não se resume ao jornal próprio. Queremos ampliar o espaço de trabalho da categoria, entende? E saiba que isso não vai interferir em nossa independência."

E a conversa seguiu nesse tom. Eu sabia que tinha de dar respostas exatamente opostas ao que ele esperava de mim. Ou seja: se concordasse com tudo o que ele dissesse contra o governo daria ao agente munição para fazer relatório dizendo que a Coojornat era mesmo uma célula comunista perigosíssima. E nesse conto de vigário eu não iria cair. Então, dava respostas as mais cândidas possíveis. 

Percebendo que a tática investigativa tosca não estava dando certo - a abordagem pura e simples da atuação da Cooperativa -, ele partiu para o ataque direto: começou a falar mal do ditador Ernesto Geisel. Para o investigador, era a última cartada. O agora ou nunca. Fechei-me em retranca e em nenhum momento concordei com o que ele dizia. Afinal o homem desfechou um golpe fendente: "Esse presidente é um safado."

Não sei de onde tirei um argumento inesperado, mas sei que que desarmou o sujeito: "Acho que não. Pelo que soube, ele já foi secretário da Segurança no Rio Grande do Norte - e disse lá um ano qualquer - e, nessa época, um rapaz foi preso sob acusação de ser comunista. Depois, descobriram que o cara não era comunista coisa nenhuma e ele, Geisel, foi pessoalmente libertar o prisioneiro." 

Mesmo assim o investigador não se deu por vencido: Disse: "É, mas tem uns assessores escrotos..." O "assessor escroto", para o agente, era o ministro de Minas e Energia, Shigeaki Ueki que, se dizia, pensava em privatizar a Petrobras. O investigador disse isso com todas da letras: "Ele quer entregar a Petrobras." Aí eu comecei a ficar irritado com o nível sórdido da investigação e fui claro com o tipo: "Colega, você tem aí algum documento que prove que você é jornalista? Como você sabe em nossa profissão tem muito picareta e dessa gente não gosto."

Ele respondeu: "Claro". E escandiu a palavra: "Claaaaaaaaaaaaaaaaaaaro!" E então, na sequência da resposta, cometeu o erro que o desmascarou por completo. Disse: "É bom você me pedir o documento, amigo. Em nossa profissão tem muita infiltração. Nunca se sabe, né?"

Explicando: picareta, em jornalismo, é aquele cara que vive de expedientes, ganha propinas,  faz louvações, essas coisas. Infiltração, algo bem diferente. Infiltrado dizia-se de pessoa de esquerda que atuava em qualquer ambiente visando difundir a ideologia socialista. 

Em seguida ele, pelo excesso de documentos que apresentou, provou o que não era. Puxou do bolso uns dez documentos que o diziam jornalista: desde uma fajuta carteira de sindicato até uma autorização para cobrir visita presidencial à Paraíba, estado de onde se dizia originário. Mostrou também carteira de radialista, noticiarista de não-sei-de-onde, repórter de jornal-fulano-de-tal; isso, aquilo, aquilo outro. 

Pronto: para mim, estava desmontada a farsa. Mas ele insistia: "Você me disse que tem os estatutos da cooperativa, não foi?

Eu disse: "Foi." E completei: "Por sinal, é idêntico ao da Coojornal, do Rio Grande do Sul, com pequeníssimas modificações, relativas à realidade local."
Qual não foi minha surpresa quando ele disse: "Ah, mas se é assim, não quero."
"O quê? Não quer?", perguntei, já começando a me exaltar. "Não quer, por quê?"

Ele respondeu: "Porque os estatutos da Coojornal nós - veja bem - nós já temos..."
Eu disse: "Mas eu insisto."

Saí um instante da sala, e voltei com o calhamaço na mão.
"Pronto", eu disse. E continuei: "Está tudo aqui. O amigo veio buscar, o amigo vai levar."

E quase atirei a papelada em cima dele. Acho que, naquele instante, o agente viu que tinha perdido o seu tempo: não iria levar nenhum relatório espetacular a seus maiores, nem  jactar-se de haver descoberto um terrível complô comunista em Natal. 

Entreguei os papéis e fiquei de pé; grosseiramente de pé. O sujeito sentado e perplexo. Afinal levantou-se, pôs o documento debaixo do braço e pediu desculpas pelo tempo que me havia tomado. Tomou o caminho da porta.
Já ia descendo as escadas para se perder na escuridão, quando eu disse: "Noite dessas o amigo volta. Dessa vez, vai ser melhor: vou lhe servir um cafezinho..."



sábado, 30 de março de 2019


A toalha maldita que fez um menino virar ladrão

Diário de Natal, um sábado qualquer de 1975. O repórter Pepe dos Santos tinha saído para uma matéria importante do noticiário policial e eu, um foca sem graça, fui mandado a uma delegacia fazer uma matéria, qualquer matéria.
“É só queda de bebo, Barreto. Só pra fechar a ronda”, disse Alexis Gurgel, editor de polícia; barra-pesadíssima, competente até os pés.

“Queda de bebo” era a expressão que significava matéria besta, sem futuro, coisa menor do submundo do crime e da vagabundagem. Eram relatos curtos, publicados na coluna Ronda, sem sequer assinatura.

Peguei o carro e desci. “Descer” queria dizer sair da Avenida Deodoro, onde ficava o Diário, seguir ladeira abaixo e ir parar na Ribeira, a Cidade Baixa. Fui à Roubos e Furtos ou melhor: à Delegacia de Roubos, Furtos e Defraudações. 

Falei com o delegado, ele deixou-me ir à carceragem mas avisou: “Só tem um marginal. E marginal escarradeira”, ou seja: bandido sem moral no crime, ladrão de roupa em varal, lanceiro. Aquele tipo que, aproveitando um descuido, dava um “lance”: metia a mão no que estivesse perto, pegava e corria.

Pois bem: o marginal era um sujeito esguio, pequeno, manhoso. Sentei no chão ao lado da grade, ele contou que tinha dado um azar danado quando furtava nem sei mais o quê, e uma radiopatrulha que passava o metera na chave.

Anotei a lorota e já ia saindo quando ele me chamou: “Quer uma história legal para você fazer munganga no jornal?” Eu disse que sim e ele contou o seguinte:
“Quando eu era menino minha mãe tinha o maior medo do mundo que eu virasse ladrão. Ela já tinha notado que eu andava perto da casa de dois velhos, um casal, e olhando muito pelas janelas. Notou minha intenção e avisou:  ’Não se meta com eles que eles são catimbozeiros. Se pegarem você comem seu figo.’
Fiquei com um medo danado e por uns tempos não cheguei perto dos velhos.”

E continuou:“Mas, um dia, notando que há tempos eles não apareciam na porta da casa criei coragem e entrei lá. Invadi a casa dos velhos. Era uma casa escura, feia por dentro, e saí batendo pelos escuros. Senti um cheiro ruim e pensei: ‘Tão fazendo catimbó.’ Segui no rumo da catinga e entrei no quarto dos velhos. E aí tive uma visage, a coisa pior do mundo. Tavam lá os dois. Tavam deitados na cama, um do lado do outro. Cheguei mais perto e vi que estavam mortos. Dei um pulo e saí correndo feito um doido.”

“Somente parei em casa, o coração quase saindo pela boca. Minha mãe perguntou o que tinha havido e eu disse que tinha ido na casa dos velhos e eles tavam fazendo catimbó. Minha não disse: ‘Tá vendo?’, e completou: ‘E o que você tá fazendo com essa toalha enrolada no pescoço?’”

“Somente aí notei que, na carreira em que tinha vindo, uma toalha do varal da casa dos velhos tinha se enrolado no meu pescoço. Acho que foi mesmo  catimbó. Aquela toalha me fez virar ladrão.”

Foi a única e miserável história que apurei naquele sábado. Voltei à redação;  não quiseram publicar. Caíram na gargalhada e eu fiquei ali, parado, meio tonto. 

Hoje lembrei desse caso. E sabe que era mesmo uma boa matéria? A toalha maldita que fez um menino virar ladrão. E agora, vendo os ladrões de gravata, penso: será que eles também não eram meninos que queriam roubar coisas em casa de velhos catimbozeiros? Acho que eram, eram sim: meninos ladrões com toalhas enroladas no pescoço; hoje respeitáveis políticos e ladrões.