quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Imagem: http://cidadedosdeuses.zip.net/images/iemanja.jpg
Brasil, louco e bêbado, eu gosto de Você. Feliz ano novo, Brasil
Emanoel Barreto

O Brasil é um misto de samba e de maracatu. É um misto de Preto Velho, Nossa Senhora e São João do Carneirinho. De Jesus e de Oxalá, de São Pedro e Tiradentes. São Jorge Guerreiro nos apoia com escudo e lança, enquanto Iemanjá dança nua em todos os carnavais. É assim que vivemos, fazendo da lascívia força de trabalho e da perseverança desejo de todas as carnes. É assim que o Brasil funciona: sofrimento embebido em mel, cachaça elevada ao altar da eucaristia de todo nós, mestiços da vida.

Nosso presidente, qualquer presidente, em qualquer época da nossa história, terá sido sempre uma espécie de primeiro-ministro da cana, administrando a bacanal do Senado, da Câmara e da nossa Justiça louca, cabrocha e seminua. E assim será para sempre: Brasil, país onde a hóstia da democracia será sempre feita de pão dormido.

Brasil, por isso mesmo, por ser brasileiro, mestiço, caminhante atrás do trio elétrico, acredito em Você. Dionísio nos abençoou e berra conosco, louco, em busca da nossa utopia de gols.



quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Fonte: http://resistir.info/franca/imagens/siqueiros_democracia.jpg (detalhe de obra do muralista mexicano Siqueiros)
A democracia é frágil e treme de medo
Emanoel Barreto

O incidente envolvendo setores do governo federal que querem esclarecer e punir torturadores do regime militar, o ministro da Defesa, Nelson jobim e generais, revela o quando é frágil a democracia neste país. O texto abaixo é bastante elucidativo. O material é reproduzido da Folha de S. Paulo.


Contra "Comissão da Verdade", comandantes ameaçam sair

ELIANE CANTANHÊDE
colunista da Folha de S.Paulo

SIMONE IGLESIAS
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Os comandantes do Exército, general Enzo Martins Peri, e da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, ameaçaram pedir demissão caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não revogue alguns trechos do Plano Nacional de Direitos Humanos 3, que cria a "Comissão da Verdade" para apurar torturas e desaparecimentos durante o regime militar (1964-1985).

Em reunião com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, no dia 23, às vésperas do Natal, os dois classificaram o documento como "excessivamente insultuoso, agressivo e revanchista" às Forças Armadas e disseram que os seus comandados se sentiram diretamente ofendidos. O comandante da Marinha, Júlio Soares de Moura Neto, não estava em Brasília.

Na versão militar, Jobim teria se solidarizado com os comandantes e dito que pediria demissão se não houvesse um recuo do governo. À Folha Jobim negou.

Na reunião, Jobim disse que não tinha sido consultado sobre os termos do plano, que não concordava com tentativas de revanchismo e iria falar com Lula a respeito. Com isso, acabou colocando o presidente entre dois polos de pressão: militares, de um lado, e o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o secretário de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, do outro.

Lula embarca hoje para a folga de fim de ano na Bahia procurando uma solução de contemporização. Os militares se contentariam com mudanças no texto, mas Vannuchi está irredutível e também ameaça sair caso haja recuo.

Até ontem, a opção de Lula para minimizar a crise era uma saída de meio-termo: não mexer no texto, mas orientar as comissões técnicas encarregadas de executá-lo a ignorar na prática os pontos mais críticos.

À Folha um alto funcionário civil disse que a "tensão está fortíssima". Esse clima ficou evidente na cerimônia que Lula presidiu anteontem, no CCBB, para sancionar a nova lei de cargos e salários dos taifeiros da Aeronáutica, na presença de Saito, que conversou à parte com o presidente.

Convidado por Lula, Jobim disse que não poderia comparecer à cerimônia porque estaria fora de Brasília. Quem apareceu, para um evento da Funai, foi Tarso. Também conversou reservadamente com Lula.

Vannuchi está no olho do furacão: ele tinha despacho com o presidente às 18h do mesmo dia, mas o encontro foi adiado para ontem e, no final, acabou não acontecendo, o que aumentou a suspeita de que tenha posto o cargo à disposição.

Lula conversou com Vannuchi por telefone e lhe falou sobre a "fórmula de conciliação", mas o desfecho ficará para a volta de Lula, em 11 de janeiro.

O foco da crise é o sexto capítulo do Plano de Direitos Humanos, anunciado por Lula no dia 21 e publicado no "Diário Oficial da União", no dia seguinte, com 180 páginas.

O capítulo se chama "Eixo orientador 6: direito à memória e à verdade". Duas propostas deixaram a área militar particularmente irritada: identificar e tornar públicas as "estruturas" utilizadas para violações de direitos humanos durante a ditadura e criar uma legislação nacional proibindo que ruas, praças, monumentos e estádios tenham nomes de pessoas que praticaram crimes na ditadura.

Na leitura dos militares, isso significa que o governo do PT, formado por muitos personagens que atuaram "do outro lado" no regime militar, está querendo jogar a opinião pública contra as Forças Armadas.

Imaginam que o resultado dessas propostas seja a depredação ou até a invasão de instalações militares que supostamente tenham abrigado atos de tortura e não admitem o constrangimento da retirada de nomes de altos oficiais de avenidas pelo país afora.



http://files.nireblog.com/blogs1/dineymonteiro/files/violencia.jpg
O silêncio dos inocentes ou até que morra uma autoridade
Emanoel Barreto

Há muitos anos, no saudoso semanário Dois Pontos, dirigido pelo jornalista Marcos Aurélio de Sá, foi publicado editorial sob o título "Até que morra uma autoridade". Redigido por Sá, o editorial referia a uma onda crescente de assaltos em Natal, ante a leniência sonolenta das autoridadades. E, afirmava o jornalista, até que alguém da elite fosse alvo da ação dos criminosos, nada seria feito. O título era bastante incisivo.

Uma análise de discurso simples indica: o governo é composto pelas elites. Sendo assim, não mantém vinculação orgânica com esse ser coletivo a quem chamamos de povo, e se e somente se algum de seus iguais, da elite, fosse atingido, haveria uma ação deliberada e permanente contra assaltantes e outros agressores.

Vejo no twitter que assaltantes estão promovendo arrastões em áreas nobres no litoral, onde, exatamente, a elite passa seus dias ociosos de verão, mar, cerveja. Enfim, onde os bem aquinhoados exercitam sua dolce vita. E isso está causando pavor. O mesmo pavor das pessoas ditas comuns que, por exemplo, vivem em Felipe Camarão, e experimentam em seu cotidiano ao conviver com a dor, a morte, a ameaça.

Mas a violência, ao que parece, democratizou-se. Agora, a onda de pavor saltou os muros invisíveis da sociedade de classes e toma literalmente de assalto as mansões festivas das praias. Esperemos que o alastrar da violência demonstre às autoridades que o crime campeia à corda solta. E que todos se sintam também escandalizados com o sofrimento, a dor e o silêncio dos inocentes que formigam nos arrabaldes.


terça-feira, 29 de dezembro de 2009

http://inblogs.com.br/media/blogs/censurado/Itamar_thumb1.jpg
Jânio Quadros: não consegui identificar o autor da foto

Lula e FHC: Cerimônia de posse do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. Brasília, 01/01/2003. Foto: Joedson Alves/AE


Um país meio desequilibrado: que país é esse?
Emanoel Barreto
Do vértice da fêmea ao abraço trançado.
Nos pés de um louco os passos de um povo.




http://www.universohq.com/quadrinhos/2005/imagens/henfil_grauna.jpg

Outra do Henfil, vida de gado
Emanoel Barreto


Outra preciosidade do Henfil que achei, garimpando na net. A ironia rascante como lâmina de florete chegando ao ponto certo. Ferino, certeiro. O povo representado em sua tragicidade, esperando sempre por um gesto salvador das elites. Povo, grande bicho manso. Êêê, ôô, vida de gado/ Povo marcado, povo feliz.



segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Um cartum do Henfil, uma lembrança da ditabranda
Emanoel Barreto

Olha que beleza este cartum do Henfil. Isso me lembra os anos de chumbo, quando a ditabranda, assim chamada agora pela Folha de S. Paulo, mandava e mais que isso, desmandava. Henfil morou em Natal, convivi com ele. Depois vou contar algo a respeito dessa figura de louco sublime, que contribuiu muito para que eu, Dermi Azevedo e Arlindo de Melo Freire, fundássemos a Cooperativa dos Jornalistas de Natal-Coojornat. Eram reuniões quase secretas... Mas, como disse, depois eu conto.

A crise no jornalismo impresso

A seção Monitor da Imprensa, mantida pelo Observatório da Imprensa, publicou o artigo abaixo transcrito. Uma análise de como a crise no jornalismo impresso é grave. (EB)

NOVO JORNALISMO
Banqueiro da Califórnia investe em notícias locais

O banqueiro americano Warren Hellman decidiu criar uma organização jornalística sem fins lucrativos para suprir a diminuição de notícias locais devido à crise que provoca demissões nos veículos de comunicação. Hellman, que vive em São Francisco, juntou-se à escola de jornalismo da Universidade da Califórnia e à emissora pública KQED para seu projeto. O investidor teve a idéia de desenvolver um novo modelo para a cobertura local ao analisar o conteúdo dos jornais San Francisco Chronicle e San Francisco Examiner. "Estava chocado como o Chronicle encolheu, o quão fino o Examiner estava e como era pouca a cobertura das notícias locais. Acreditava que isto afetaria a política local e que teríamos candidatos mais fracos. Parecia, para mim, que tínhamos que fazer algo", conta.

Previsto para ser lançado no ano que vem, o projeto usará uma combinação de repórteres e editores pagos e estudantes de jornalismo para produzir matérias para diversas plataformas: internet, impresso, rádio e emissoras de TV. A fundação de Hellman fornecerá US$ 5 milhões para o início do empreendimento, mas o banqueiro espera que a iniciativa se sustente no futuro por meio de doações individuais e empresariais.

Hellman não é o único a olhar para o jornalismo "hiperlocal" como um modo de injetar energia renovada e dinheiro na indústria jornalística afetada pela crise. O Minnpost.com, iniciativa sem fins lucrativos fundada há dois anos, foca nas notícias de Minnesota com atualizações semanais e é mantida por doações de centenas de indivíduos. Já o Voice of San Diego, jornal online fundado em 2005, dedica seu espaço às notícias da cidade californiana.

Para Neil Henry, reitor da Escola de Jornalismo Berkeley, da Universidade da Califórnia, colaborar com Hellman será significativo para seus 120 alunos. Além do conteúdo para o projeto, a escola de jornalismo espera fornecer orientação editorial e know how de tecnologias e captação de recursos. "Quanto mais parcerias construirmos, mais colaboração buscarmos, o site servirá cada vez mais ao público e também como um monitor da mídia", acredita.

Executivos do Chronicle e do Examiner, por outro lado, não gostaram muito da análise feita por Hellman sobre seus jornais. Segundo Frank Veja, publisher do Chronicle, o diário continua a dedicar espaço para cobrir a região. Ele lembra também que o tráfego online aumentou com as novas seções de bairros e blogs sobre a cidade. "Desde que começamos nossos esforços para garantir um futuro forte para o Chronicle, melhoramos nossa situação financeira e a qualidade de nossos produtos", declarou. Já James Pimentel, editor-executivo do Examiner, diz que o jornal gratuito manteve sua equipe e expandiu sua cobertura local desde que foi comprado pela Clarity Media, em 2004. "O Examiner irá continuar a promover a excelente cobertura local que sempre teve", promete. Informações de Lisa Leff [Associated Press].




La dolce vita...
Emanoel Barreto

A foto mostra o então senador americano Jonh Kennedy em momento paradisíaco. Coisas de Jornal reproduz abaixo texto do site TMZ, o mesmo que deu em primeira mão a morte de Michael Jackson. Obtive a foto no mesmo site, que a publicou agora pela manhã.

Diz o Ig Gente, que repercutiu o assunto:

Na imagem, supostamente de 1956, o ex-presidente norte-americano John F. Kennedy aparece em um iate cheio de mulheres nuas. Na época, JFK ainda era senador mas já conhecido pelas festas que dava e pelas múltiplas companhias femininas - apesar do casamento com Jacqueline Kennedy.

O site alega que consultou vários experts para confirmar a autenticidade da foto. JFK, tomando sol, à esquerda, estaria de férias com o irmão, Ted Kennedy, e amigos no Mediterrâneo. Nessa época, sua mulher Jackie, grávida da primeira filha, foi levada às pressas para o hospital, onde perdeu o bebê.

O que se comenta nos sites internacionais é que a imagem poderia ter mudado a História, caso tivesse ido à tona na época das eleições presidencias algum tempo depois. Vai render assunto...

João Maria Alves
O descobridor de chaplins
Emanoel Barreto
O olhar sensível do fotógrafo é indagador e perplexo. Ele busca na figuração das imagens o que nelas se oculta, sua essência. Como dizia Cartier Bresson, o fotógrafo busca o momento preciso, aquele instante mágico, às vezes terrível, grandioso ou patético em que de alguma forma a condição humana se revela inteira e grita.
João Maria Alves é aquele tipo de profissional em permanente estado de paixão pela vida, pois intimamente sabe que cada foto, como a do menino e seu cão, é uma espécie de biografia congelada pela lente exata. Veja bem essa imagem. Ela expressa um estado de ser: o menino e sua candura tímida; e um estado social: o menino à porta de sua casinha pobre.
A foto conta, lamenta, exalta e tragicamente chega a prever qual o seu futuro desse menino pobre. João Maria é um descobridor de chaplins. Talentoso, suas fotos, no silêncio das imagens aprisionadas, gritam. Mesmo sabendo ele que esse grito será apenas isso: um grito parado em nosso olhar.
Ele enviou, a meu pedido, fotos para que eu as publique neste Coisas de Jornal.
Obrigado, Amigo. Vamos juntos falar de coisas que, sabemos, não são exatamente para ser compreendidas. Mesmo assim, vamos... Vamos falar de coisas que não são exatamente para ser compreendidas.
Mas, é isso João: eles não compreendem. Mas eles sabem o que fazem.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Alex Régis
Dinarte era mesmo adivinhão
Emanoel Barreto

A minha abordagem a respeito de a governaora Wilma de Faria ser a terceira força política do Estado na campanha de 2002, foi confirmada por ela em entrevista hoje à Tribuna do Norte.

A matéria é dos jornalistas Aldemar Freire, Anna Ruth Dantas e Guia Dantas e tem a seguinte abertura:

A governadora Wilma de Faria (PSB) encerra 2009 com duas definições políticas: a disputa para o Senado e o apoio ao vice-governador Iberê Ferreira de Souza (PSB) que, como ela mesmo afirma, é candidato irreversível ao Executivo. No entanto, há duas indefinições: a escolha do candidato a vice de Iberê, que a governadora sinaliza estar entre o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo (PDT) e o deputado estadual Robinson Faria (PMN), e a indicação do segundo nome para concorrer ao Senado. Um dos cotados é o deputado federal João Maia (PR).

A governadora admite que a ausência de um companheiro de chapa para a eleição de senador está “atrapalhando um pouco” e acredita que atritos existirão, inclusive entre candidatos do mesmo palanque. Ela afirmou isso em referência aos senadores José Agripino Maia e Garibaldi Filho. Ao responder sobre a escolha do vice, ela não esboça preferências. A chefe do Executivo estadual acredita que a eleição de 2010 será polarizada.

E descarta uma terceira via, como ela própria adotou em 2002, na campanha contra o então governador Fernando Freire e o senador Fernando Bezerra. “A terceira via para existir, como existiu em 2002, precisa ter uma mulher corajosa e eu não estou vendo isso. Não tem nenhuma mulher e nenhum homem (de coragem para a terceira via)”, avaliou. Sobre o deputado Robinson Faria, ela avalia que o deputado já dá sinais de ter desistido de concorrer ao Executivo.


E a governadora critica a Assembleia Legislativa. Ela ponta que ganham dispensa de tramitação apenas os projetos do Ministério Público, do Tribunal de Justiça e de aumento salarial. Wilma de Faria afirma que disputará uma vaga para o Senado, mesmo sem ser uma pessoa poderosa. “Eu não sou poderosa. Hoje estou no poder, mas não sou poderosa. Ou seja, eu fiz uma administração democrática, todos participaram”, completou.
.......
O texto é suficientemente objetivo, conciso e claro para permitir a compreensão de que temos aí alguém com capacidade política de atirar-se a uma disputa ciente do seu poder, trazendo à tiracolo vontade inquebrantável para apresentar-se ao embate.

A afirmativa de que não há no Estado ninguém, homem ou mulher, com virtù para repetir a sua façanha de 2002, a demonstra como um agente político que não teme exprimir discurso como esse, que chega às raias da arrogância. Mas o ato frasal da governadora não pode ser medido nos limites estreitos da arrogância. É tolo o político que se deixa dominar por ela. A governadora não cairia nesse canto de sereia.

O dizer de Wilma tem mais que isso: é ato tático, que nas entrelinhas e por antecipação atribui a outros um perfil negativado. A repercussão na imprensa pode contribuir para colar em adversários e/ou correligionários indecisos em apoiá-la a imagem de fracos, sem que isso necessariamente leve a governadora a ser vista como arrogante.

Ou seja: ela apenas "fez uma constatação" objetiva do quadro que se põe. Se for acusada de arrogante poderá dizer que apenas relembrou sua coragem em 2002. Com isso, e com o epíteto de guerreira, que já é quase parte do seu nome, começa de alguma forma a apresentar-se em posição olímpica, sabendo de antemão que entrou num páreo de longa distância, não numa disputa de cem metros rasos. E começa falando alto.

Como eu disse na matéria sobre a governadora e Dinarte, o velho senador era adivinhão...
Foto: http://4.bp.blogspot.com/_0fAPWdtKF4I/Sm-uBCMu-1I/AAAAAAAAACA/5WF7-N_8YqY/s320/foto_dinarte.jpg
Dinarte era adivinhão (final)
Emanoel Barreto

O texto "Dinarte era adivinhão", publicado ontem, começava assim: "Depois dos 60 anos, o homem começa a adivinhar". A frase é do senador Dinarte Mariz, registrada em livro pelo escritor, poeta, advogado e ex-reitor da UFRN Diógenes da Cunha Lima. Está no livro "Solidão, solidões, uma biografia de Dinarte Mariz, publicado em 2002 pela Gráfica do Senado.

Talvez por ter mais de 60 anos quando a proferiu e por acreditar em suas próprias premonições, - o restante deste texto publico amanhã. E, nele, abordo o que dizia o senador a respeito da governadora Wilma como a herdeira do seu legado.

Agora, a parte final do texto:

Talvez por ter mais de 60 anos quando proferiu a frase, e por acreditar em suas próprias fabulações, Seu Dida disse, a respeito de quem seria seu sucessor e legatário político: "Em política não vou ter um sucessor, mas uma sucessora, de saia. " Está à página 116 do livro de Diógenes, que em sua obra vê aí o indicativo de que Dona Wilma seja a fiel depositária da herança dinartista. Ele gravou 13 horas de depoimento com o senador para a realização do texto, mas não indica dias ano ou anos das gravações.

Li o livro em 2003, quando preparava minha dissertação de mestrado, onde analiso a cobertura do Diário de Natal/O Poti a respeito da campanha ao governo do Estado ocorrida um ano antes. A tese foi defendida em 2004.

Nos capítulos que antecedem a fase propriamente analítica do discurso jornalístico, tracei um perfil político de Wilma, estimando que ela seria a terceira força a intervir na política do Estado. Ou seja: aquela líder que romperia com o maniqueísmo de duas correntes familiares em histórico digladio, quando mudavam-se os mandantes sem superação da essência oligárquica.

Afirmo na dissertação que ela não seria, digamos assim, uma terceira força puro sangue (não uso esta expressão na tese, texto eminentemente acadêmico), mas uma terceira força porque remiu-se de suas ligações oligárquicas e formou em torno de si um quadro de seguidores, funcionando sua personaliade como liga das facções.


Para tanto contou com fortuna e virtù, como diria Maquiavel. Fortuna no sentido de contar com a história a seu favor. As conjunturas sociopolíticas a favoreciam. E virtù, por encontrar em si o carisma arrepiante, capaz de despertar os sonhos e os arroubos utópicos das multidões em fúria de democracia e voto.


O livro me foi dado de presenta por Diógenes, dia 13 de junho de 2002 e o li de um só fôlego. Ano seguinte, quando começava a desenvolver a dissertação, chegando à figura de Wilma e à sua possível condição de terceira força, lembrei: "Diógenes falava alguma coisa a respeito dela." Localizei a página. E a afirmativa de Dinarte, colocada pelo meu amigo como destinada a Wilma, ajudou-me a consolidar a suposição.

A rigor, porém, Seu Dida não vaticina que seria ela. Apenas alude a um sucessor de saia. Naquele momento tudo se encaixava em seu perfil e mantive na dissertação Wilma como sucessora de Dinarte.

Agora, passados anos não tantos assim da minha dissertação, e frente à dinâmica da política, caio em uma indagação: "Ao dizer que depois dos 60 o homem começa a adivinhar, afirmando que seu sucessor usaria saia, Seu Dida não estaria querendo na verdade mais confundir que explicar? Não estaria indicando que a mulher, a figura feminina, terá mais e mais participação na vida pública do Estado, sem ser Wilma necessariamente?"

Não tenho resposta a tal pergunta. Mas trago uma nova indagação: a senadora Rosalba Ciarlini é de cepa dinartista, assim como a governadora. Poderia ela ser a diana caçadora antevista pelo velho político seridoense? Não sei. Talvez esteja eu a divagar demais nas teclas monocórdicas do meu computator-piano e fazendo uma fantasia-improviso apenas para deleite do meu leitor de domingo. Mas, não tenho tal intenção, nem brinco com coisa séria.

Alinhavo apenas, em acordes naturais e nenhum tom sustenido, algumas recordações, lembranças amáveis que me chegam de um tempo ainda moço em minhas lembranças. Tempo em que varava noites, madrugadas, manhãs já cansadas de tanto ler e teclar, preparando a minha dissertação.

E encerro, lembrando outra figura de talhe da nossa política: o astuto deputado Majó Theodorico Bezerra, que ensinava: "Em política, não há gratidão nem reconhecimento." E completo: Wilma precisará lutar muito para chegar ao Senado e eleger seu sucessor no governo.

E afinal trago Seu Dida novamente à tona, quando teorizava: "Política é uns empurrando os outros. Político é como piloto de avião: se souber decolar e aterrissar, o resto vai bem..."



sábado, 26 de dezembro de 2009


De repente, do céu lá vem um tigre

Jornalista e professor universitário, Paulo Ramos, em seu Blog dos Quadrinhos repruduziu essa magnífica charge de Laerte, tirada da edição da Folha deste sábado. (EB)
Charge: http://images.google.com/imgres?
Deus é o diabo na Terra do Sol
Emanoel Barreto

Estarrecido com o astronômico preço cobrado pelo padre Fábio para fazer um showmissa em Natal, reuni-me secretamente agora à noite com sábios, adivinhos, profetas, áugures e eruditos. Todos velhíssimos, como é bom e desejável a pessoas que tais.

Perguntei-lhes, em reverente questionamento, o motivo de tão alta prebenda. Retiraram-se a um local reservado e o mais velho e sabedor deles, meia hora depois, me revelou: "Encontramos resposta à sua pergunta na arte cinematográfica."

"Como assim? , quis saber, ao que me responderam: "O filme de Glauber Rocha não era 'Deus e o diabo na terra do sol?'.

"Era sim", respondi.

Pois aqui, meu filho, a coisa foi diferente: "Deus é o Diabo na Terra do Sol. Por isso, o preço foi tão quente."

E nada mais disseram nem lhes perguntei...





Amanda Schwab/AP
Deus odeia Lady GaGa
Deu na Folha Online:
A ultraconservadora Igreja Batista de Westboro, baseada no estado de Kansas, nos EUA, afirmou que a cantora Lady GaGa "vai para o inferno" por supostamente liderar uma "rebelião contra Deus", informou o site Popcrunch.

Liderada pelo reverendo Fred Phelps a igreja, famosa por seus protestos em funerais de soldados norte-americanos mortos em guerras, e por se manifestar publicamente contra gays e lésbicas, emitiu um comunicado intitulado "DO documento, publicado no site da igreja, afirma que a cantora usa "moda" e "arte" como disfarce para ensinar os jovens "a se rebelar contra Deus."

A controversa igreja, que não é reconhecida por outras comunidades batistas dos EUA, promete realizar um protesto em frente ao teatro onde será realizado o show de Lady GaGa no Missouri, no próximo dia 7 de janeiro.

Alguns fãs da cantora acreditam que ela tenha sido alvo dos ataques por seu discurso na Marcha para a Igualdade Nacional, evento de promoção da defesa dos direitos dos homossexuais, realizada em Washington no início deste ano. A cantora terminou seu discurso com a frase: "Abençoemos a Deus e aos gays".
...
Não sei como as pessoas sabem o que Deus gosta ou não gosta, ou de quem gosta ou não gosta. No tempo em que se dizia que comunistas comiam criancinhas dizia-se que Ele não gostava dos comunistas. Nem por isso eu O vi ao lado de Pinochet ou aplaudindo a ditadura no Brasil...
Emanoel Barreto
Dinarte, Jânio Quadros e alguém que não consegui identificar / Foto: http://cache3.asset-cache.net/xc/50565551.jpg?v=1&c=IWSAsset&k=2&d=4996399091E83186B7C8D8E4F40F185CE7C3DB1D2EA1C136

Dinarte era adivinhão

Emanoel Barreto


"Depois dos 60 anos, o homem começa a adivinhar". A frase é do senador Dinarte Mariz, registrada em livro pelo escritor, poeta, advogado e ex-reitor da UFRN Diógenes da Cunha Lima. Está no livro "Solidão, solidões, uma biografia de Dinarte Mariz, publicado em 2002 pela Gráfica do Senado.

Talvez por ter mais de 60 anos quando a proferiu e por acreditar em suas premonições, - o restante deste texto publico amanhã. E, nele, abordo o que dizia o senador a respeito da governadora Wilma como a herdeira do seu legado.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Imagem: Art Final
Um natal de paz.
E que todos os espíritos se voltem para o Alto.
Emanoel Barreto

Kim Kyung-Hoon/Reuters
O samurai desonrado e o bacante escrachado
Emanoel Barreto

O premiê do Japão, Yukio Hatoyama, chorou nesta quinta-feira em entrevista a jornalistas ao falar do escândalo de recebimento de doações ilícitas de sua família e afirmou que não pretende renunciar ao cargo, a menos que a maioria esmagadora dos japoneses assim exija.
"Se a maioria esmagadora vocês exigir "Hatoyama, renuncia", então sentirei que tenho que respeitar a voz do povo, mas farei o possível para que isto não aconteça", disse o premiê.

A Promotoria de Tóquio investiga informações que apontam a que a mãe e a irmã de Hatoyama realizaram durante vários anos doações irregulares a um fundo político vinculado ao líder. O fundo Yuai Seikei Konwa-kai (Associação Fraternal de Política e Economia), vinculado ao partido do governo, deixou de declarar 6 milhões de ienes procedentes das duas mulheres.

Os dois trechos transcritos são da France Presse, publicados pela Folha Online. Revela, de alguma forma, como agem os corruptos no país dos samurais: penitenciam-se e se humilham publicamente, uma vez que é da rigidez da cultura japonesa o culto à lealdade e à honradez. E até para quem decaiu, tornando-se um desclassificado moral, há o necessário purgatório público. Detalhe de qualidade: o corrupto estava recebendo dinheiro da própria família, não dinheiro público.

Nossa cultura liberal, informal, fagueira e dionisíaca, faz justamente o contrário: permite que o corrupto, sem qualquer pudor, apareça em público em plena efervescência de escândalo que envolva o seu nome, como o faz o tal Arruda brasiliense, defenda-se e ainda ache que os bobos vão acreditar no que diz.

É só um comentário. É só a minha desolação. Só para a gente pensar um pouco a respeito.



Foto: http://escrevoapenas.blogs.sapo.pt/arquivo/amizade-thumb.jpg
O jornalista Walter Medeiros envia o texto que abaixo transcrevo. Obrigado, Walter.
Emanoel Barreto

EM BUSCA DE UM AMIGO
Walter Medeiroswaltermedeiros@supercabo.com.br

Vésperas do Natal, lembranças aflorando, vontade de rever amigos que fomos encontrando através dos anos. Amigos do Tirol, de quando moramos na Alberto Maranhão, em frente ao sítio onde hoje é o condomínio Jardim Tirol; da Praça Augusto Leite; do Externato Saturnino, onde fizemos o Admissão ao Ginásio em 1966; do Grupo Escolar Monsenhor Calazans Pinheiro, onde estudei em 1965; do Grupo Áurea Barros, do meu primário, em 1963/64, da Escola Industrial Federal do Rio Grande do Norte, onde estudamos de 1967 a 1970; da avenida Rafael Fernandes, onde moramos desde o tempo que se chamava Campo Santo, de 1965 a 1972; e de tantos outros lugares onde vivi, estudei, trabalhei.

Entre tantos, lembrei de um amigo cuja última vez que encontrei faz muitos anos, tocava num evento da Igreja do Candelária. Aí recorri à Internet, para reencontrá-lo. Ademaci Barbosa, músico, com dedicação extrema ao seu trabalho, à sua família e às comunidades, um missionário. Sempre conversamos muito, mas a geografia da cidade findou fazendo com que passássemos a nos encontrar muito esporadicamente. A Internet, no entanto, proporciona também a possibilidade de obtermos mais informações sobre as pessoas que se dispõem a divulgá-las. Assim fiquei sabendo que Ademaci nasceu em Ituiutaba, Minas Gerais e aos quatro anos veio para o Rio Grande do Norte, terra dos seus pais.

Morou na rua Benjamim Constant, exatamente no período em que nos conhecemos, na convivência com o Professor Saturnino que, além de ensinar as matérias mostrava as atualidades nas revistas e jornais que sempre conduzia. Lembro dele também como marinheiro, que foi. Depois o encontrei como funcionário da EMSERV (Empresa de Serviços de Vigilância), em serviços administrativos. A EMSERV funcionava onde hoje é a Delegacia Regional do Trabalho e onde eu também trabalhava, coincidentemente, no escritório do Dr. Paulo Viveiros.

Em sua atividade artística, naquele tempo o meu amigo já procurava divulgar seu trabalho como compositor e foi até o Rio de Janeiro, mostrando suas músicas nas igrejas. Chegou a encontrar com Roberto Carlos, a quem entregou em mãos algumas de suas composições românticas. Fez na época um concurso do Bandern, passou e logo foi chamado para trabalhar na agencia de Patú, onde ficou três anos também trabalhando na igreja e fazendo missões nos povoados, sítio e fazendas. Depois foi transferido Macau onde também desenvolveu intensa atividade musical. Depois foi transferido para agencia de São Tomé, Ceará-Mirim (lembro que me chamou uma vez para ser jurado em um programa de auditório que promoveu no Ginásio Esportivo) e, finalmente, Natal.

Está também na Internet que Ademaci deixou o BANDERN para viver dedicado à fé, à música e às missões, formando a banda Arco-Ìris. Irrequieto, fez concurso para professor do estado, passou e foi lotado na escola Isabel Gondim, para lecionar Química, Educação Artística e Matemática. Na paróquia sagrada família ele assumiu as missas com a Pastoral da Música, dando aulas de música e cultivando grande amizade com o padre Campos, também compositor. Ele introduziu nas igrejas os ritmos dos instrumentos e teclado, onde antes só se usava órgão.

Quanta informação, não? E tem muito mais, se continuarmos a busca, o suficiente para entender melhor o ser humano humilde e digno com quem convivi naquele período de escola primária e anos vibrantes da adolescência. Tratou-se de uma leitura muito emocionante, rever as fotos e encontrar informações sobre o amigo de tantos momentos. Naturalmente fui buscar a forma de reencontrar pessoalmente aquele amigo. Ao final, o mais surpreendente e chocante: Ademaci Barbosa de Moura, que nasceu em 1951, morreu em março de 2006. Senti, então, uma sensação de perda muito grande; é como se tivesse perdido um irmão.


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Foto: Robeto Vidal
Apenas uma noite a mais
Emanoel Barreto

Já comprou, já gastou, é feliz?
Essa é a lei que o mercado manda.É natal, e nessa lei todo mundo é obrigado a ser feliz.

Mas, em alguma esquina, um velho e sóbrio tocador de rabeca senta ao lado da sarjeta e toca a sua canção de acordes feitos em arame.

Depois, recolhe-se aos papelões de uma marquise e sabe que foi apenas uma noite a mais.


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Maquiavel: a arte da política, a fortuna e a virtù
De como Maquiavel e Sun Tzu podem ensinar a Dona Wilma e aos senadores José Agripino e Garibaldi

Emanoel Barreto

A eleição para senador representará, para aquele ou aquela que não se eleja, ingresso no desafiante limiar de um território de pedregoso ostracismo político ou quase isso. Serão quatro longos anos de hibernação, quando poderá ver esgarçarem-se laços com correligionários, desfazerem-se ligações históricas com amigos até então tidos como fiéis, esquecerem-se raízes comuns, sobrevindo, presumivelmente, perda de influência, esquecimento, abandono até.

Em síntese: sem mandato, sem participação de caráter decisório, sem grupo, isso será igual a estar sem discurso para falar ao povo e em nome dele. E sem discurso nenhum político sobrevive. O discurso advém sempre de uma utopia. E utopias somente as podem ter, na pragmática política, aqueles ou aquelas que estão em alguma trincheira. O contrário é pregar no deserto um grito semeado em vão.

Wilma, Agripino e Garibaldi fazem parte de grupos poderosos e têm igualmente poder em seus respectivos intramuros. Mas o poder, Dâmocles já o sabia, é perigoso. Sua espada está sempre pendendo sobre a cabeça do poderoso. Senão vejamos: os três candidatos ao Senado são líderes máximos de seus respectivos acantonamentos. Uma derrota pode significar grande abalo nessa liderança. Sem mandato, a quem irão liderar?

Veja bem: a liga que une liderados a líder, neste país, é de má qualidade. Na ideologia e na práxis. Assim, nada garante que ao redor do líder permanecerão seus liderados, como os trezentos que ficaram, intrépidos, ao lado de Leônidas nas Termópilas.

Exemplos? Geraldo Melo, ex-governador e ex-senador. Fernando Bezerra, ex-ministro e ex-senador. Ambos depostos do seu capital político ao ser derrotados. Perderam espaço, perderam discurso, mesmo o tendo entre suas competências personalíssimas. Pois o líder somente fala bem quando a sua voz é a voz dos que os acompanham e, especialmente, quando esse líder ecoa a voz dos interesses - muitas vezes legítimos - dos que os acompanham. Quando não mais são seguidos, pela força de um insucesso, esgota-se a força do líder. Torna-se ele um mudo. É que o grande líder ou a grande líder, derrotado ou derrotada perde a aura, o halo de figura pater ou mater perante aqueles a quem supunha seus.

Maquiavel preceituava que o líder, o condottiero, tinha que ter fortuna, como sinônimo de situação política que lhe seja benfazeja por força das circunstâncias, e virtù, a capacidade pessoal, o carisma para lançar-se à grande aventura da política. Reunindo em si as duas causas, poderá promover as consequências de poder pretendidas.

Maquiavel ensinava também: "...os príncipes devem evitar o mais que possam a situação de estar à mercê de outrem." O gênio florentino referia aos aliados de um príncipe, à boa escolha de aliados leais para a hora difícil. Aqui, atrevo-me a traçar um inusitado e paradoxal paralelo: os príncipes, de alguma forma, estão reféns de seus próprios liderados. Pois se o poder perdem, vão-se nessa vertigem os aliados. Isso é típico da pequena política brasileira, onde praticamente não há políticos de causa, mas políticos por profissão. E os praticantes da pequena política logo se bandeiam para o lado do novo senhor. Qualquer novo senhor.

Sun Tzu, o lendário general chinês, clamava: "Lembra-te que defendes não interesses pessoais, mas os do teu país. Tuas virtudes e teus vícios, tuas qualidades e teus defeitos influem igualmente no ânimo daqueles que representas. Teus menores erros têm sempre nefastas consequências. Geralmente, os grandes são irreparáveis e funestos. É difícil sustentar um reino que terás levado à beira da ruína. Depois de destruí-lo, é impossível reerguê-lo. Tampouco se ressuscitam os mortos. "

Essa a mensagem que bem poderia ser levada em consideração pelos três candidatos que cito. Não a mensagem que seus marqueteiros irão elaborar nas câmaras secretas dos publicitários, nas ilhas de edição e nas mentes dos criativos da propaganda. Mas a mensagem essencial, bem intencionada e compromissada com a história. E que aquele ou aquela que perder, mesmo sabendo que poderá apear-se de sua figura de líder, de pater ou mater do povo, perdeu, mas combateu o bom combate. É o que espero. Como cidadão e como jornalista.



domingo, 20 de dezembro de 2009

Imagem: http://images.google.com/imgres?
"Então é natal, heim? Espere só o presente que eu tenho para o ano novo..."

Foto: http://1.bp.blogspot.com/__F7zUqR4W2k/SwZ6ItMqydI/AAAAAAAAHfI/cPA__vPovXg/s400/aecio.jpg
Aécio, Serra e o pó mágico da política
Emanoel Barreto

Com as repercussões na grande imprensa indicando que a suposta desistência de Aécio Neves à presidência é apenas manobra tática, para forçar Serra a se apresentar como candidato e ver-se atirado à erosão de seu nome em confronto com o teflon Lula, o governador paulista deve estar pensando: "Isso não me cheira bem. Essa jogada não me cheira bem...". Mas a Aécio cheira, e cheira muito bem.

Vejamos: a poeira levantada pelo mineiro, em tancredíssima jogada, poderá resultar, caso surta os supostamente pretendidos efeitos, numa carreira fácil para o ginete de BH. Tem jornalista até especulando que Serra seria prejudicado a tal ponto que o PSDB imploraria, a tempo futuro, pelo retorno de Aécio como candidato à presidência.

A jogada de Neves perante Serra tem o sabor de algo como "tu és pó e ao pó retornarás", numa alusão à derrota serrista em 2002, quando também candidato à presidência. E, em meio a esse pó de pirlimpimpim político, mágico, levíssimo, Aécio estaria se alevantando e dando a volta por cima, após o gesto de grandeza contido na renúncia teatral.

Todavia, num caso ou noutro, Aécio e Serra podem parodiar a composição de Erasmo Carlos, já que ambos querem mesmo é derrotar o PT: "Preciso acabar logo com Dilma/ Preciso lembrar que só eu existo...".

Mas isso é coisa rápida, é coisa de política, é coisa de jornal. Logo logo, tudo estará recoberto pelo pó implacável da história...


sábado, 19 de dezembro de 2009

Imagem: http://dramaticoblog.files.wordpress.com/2009/07/ocupacao2.jpg
Os marqueteiros, os candidatos, Antônio Conselheiro e o povo a dois passos do Paraíso
Emanoel Barreto

A proximidade das campanhas eleitorais trará de volta à cena a figura do marqueteiro. No Brasil e em outras plagas socialmente complexas como os Estados Unidos, esses personagens avultam como seres demiúrgicos. Apresentam-se como dotados de esotéricas sabenças de psicologia de massas e são tidos como dominadores de miraculosas técnicas de convencimento, acionadas a partir do conhecimento das necessidades e ansiedades do entidade coletivo-histórica a que se chama povo.

Dominam a tecnologia da informação propagandística e se apresentam como áugures, adivinhos do futuro próximo, podem nele influir e mudar os rumos da história. O marqueteiro é um deus ex machina. Os candidatos os reverenciam e os pagam a peso de ouro.

Vejamos dois registros.

Primeiro:"Por trás do sucesso da campanha do senador Barack Obama está David Axelrod, um marqueteiro político que se especializou em tornar candidatos negros atraentes para grandes fatias do eleitorado. Axelrod, com seu bigode farto e jeitão informal, é considerado o melhor estrategista político fora do eixo Washington-Nova York" - a campanha de Obama, antes de se consolidar como candidato, nas palavras de Patrícia Campos Mello em seu blog "Controvérsia.

Segundo: Lígia Hougland, no Portal Terra, detalha: "Até poucos anos atrás, o americano Ben Self era o típico nerd. Especialista em ciência da computação, trabalhava nos departamentos de tecnologia de companhias do setor bancário e de seguros. Em 2008, ele se uniu à equipe de Barack Obama e revolucionou o mundo das campanhas eleitorais ao usar a internet como principal ferramenta para promover o candidato democrata à Casa Branca. Self e sua empresa, a Blue State Digital, foram responsáveis por levantar mais de US$ 500 milhões online para a campanha do primeiro presidente americano negro - 66% do capital total arrecadado. Aos 32 anos, o especialista em ciência da computação é conhecido mundialmente por ser o mais eficaz marqueteiro para os políticos que sonham alto."

As duas transcrições traem um elogio profundo ao marketing eleitoral, reverência até mesmo de quem o deveria ver sob angulação crítica. O marqueteiro é um mago e estamos conversados. Sobre o taumaturgismo há pouco referido, diz o Houaiss: o taumaturgo é "o artesão divino ou o princípio organizador do universo que, sem criar de fato a realidade, modela e organiza a matéria caótica preexistente através da imitação de modelos eternos e perfeitos".

Sim, o marqueteiro, sem criar de fato a realidade, a modela e organiza de forma a que seu candidato seja visto como a solução do caos, uma vez que tal candidato é um modelo eterno e perfeito e a tudo resolverá. O marqueteiro convence a patuléia inculta e ignara que a simples eleição de uma pessoa reverterá para sempre todas as mazelas sociais e o povo, em alegre alarido, ingressará numa idade de ouro onde haverá nas torneiras leite e mel.

Prepare-se: logo logo, em 2010, que já está bem perto, surgirão na TV e na internet a realização de todos os sonhos. Os marqueteiros serão os novos antônios conselheiros. E a seus candidatos o povo deve seguir com fé, pois está a dois passos do Paraíso.


Charge de Gilmar
A pequena política do Rio Grande do Norte
Emanoel Barreto

O pensador italiano Antonio Gramsci, nos cárceres de Mussulini, construiu obra de análise política larga e profunda, que repassava ao mundo em anotações que hoje constituem-se em monumental trabalho cuja validez é incontestável, uma vez permanecentes as condições históricas entre exploradores e explorados.

Gramsci falava na existência de duas políticas: a grande política e a pequena política. A primeira diz respeito às ações de grande vulto, voltadas para a fundação de Estados, as medidas tomadas para mudanças estruturais; a outra, praticada na mesquinharia de corredores e câmaras secretas, atendentes aos interesses pequenos da politicalha.

Estamos às vésperas de novas eleições para cargos majoritários e proporcionais. E damos continuidade à pequena política. Ao disse-me-disse de noticiários episódicos, declarações de políticos que buscam se afirmar. No jornalismo não há análises de quadro, que poderia tomar como referente o fato de que são os mesmos atores que comparecem ao proscênio, com discursos semelhantes.

A fase pré-eleitoral mantém-se no velho estilo: a fulanização da campanha. Não diz respeito a projetos de governo, atitudes de mudanças estruturais, reversão de injustiças sociais históricas. O noticiário se contenta com o registro episódico de resultados de pesquisas que terminam por se tornar, elas mesmas, parte do discurso glorificador do candidato que esteja em vantagem momentânea.

Enfim, é isso: a pequena política, a microcefalia política, em que ao povo, aquele que sofre o resultado das ações, compete apenas o papel de fazer eleger um candidato, mais um. Gramsci dorme.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009



Twiggy em imagem nos anos 60 e, (acima), hoje (O Globo)
Quando era normal ser diferente e quando é normal ser falsificado
Emanoel Barreto

Twiggy, nos anos 1960, era um nome de modelo que acirrava discussões e estimulava um estilo de vida, cult entre as meninas. Afinal, estávamos em uma época em que ser divergente era ser normal. Muito mais que uma meninota que vendia vestidos e modismos ela era sinônimo de transgressão. Era uma pessoa icônica. Vendia moda? Sim. Mas, ela própria era uma espécie de marca comportamental, representava uma atitude.
O tempo passou; Twiggy, magérrima, envelheceu, sumiu, engordou. Agora, volta à cena como uma velhota de 60 anos assanhada. Só que, ao contrário do tempo em que representava transgressão, busca vender produtos que façam a mulher já entrada em anos sentir-se mais jovem - que ser jovem hoje é obrigação ditada pelo mercado. Para tanto, valem desde os enchimentos de silicone até produtos para a pele.
Nas fotos lado a lado, vê-se como ela está hoje. As imagens são parte de campanha publicitária de um creme antirruga. A comparação entre a da direita com a da esquerda sugere que basta seu uso para a mulher, milagrosamente, tornar-se mais jovem.
A veiculação estava sendo feita na Inglaterra e foi, claro, proibida por ser inegavelmente uma fraude, já que a Twiggy mais jovem é resultado de tratamento digital aplicado à foto. Síntese da questão: o mercado, o velho mercado, se utilizava da figura de uma jovem esguia para promover vendas mediante atitudes que pareciam discrepantes. Agora, pega a mesma jovem, envelhecida, para continuar a vender. A ilusão, ao que parece, é mesmo a essência nossa sobre a Terra.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Efe - 15/12/2009
A estupidez, a intentona dos fortes e o poder maligno
Emanoel Barreto

Vejo no Estadão: Presidente da COP-15, Connie Hedegaard, renunciou ao cargo nesta quarta-feiraCOPENHAGUE - A presidente da conferência das Nações Unidas para mudanças climáticas (COP-15) em Copenhague, Connie Hedegaard, renunciou ao cargo nesta quarta-feira, 16.

Hedegaard, que vinha sendo acusada por representantes de países em desenvolvimento de querer beneficiar os países ricos nas negociações, será substituída pelo primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen. As razões da renúncia ainda não estão claras. Hedegaard disse que seria mais apropriado que a conferência fosse presidida pelo primeiro-ministro tendo em vista a presença de tantos chefes de Estado nos estágios decisivos do evento, marcado para terminar na sexta-feira.

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Contra tudo o que poderia ser chamado de "bom senso", os ricos continuam em sua desvairada corrida para "fazer dinheiro". Os "líderes do mundo", já percebeu?, somente se reúnem para discutir coisas mesquinhas, garantir que os grandes grupos empresariais aumentem capital, mesmo que isso seja à custa da destruição da humanidade.



A corrida se faz nos trilhos do genocídio completo da humanidade. Os sinais apocalípticos, o armagedom ambiental gritante, não conseguem demover esses dirigentes de sua intentona. Chego a temer que sejamos dirigidos por mentes criminosas, malignamente inteligentes. Inteligentes para fabricar um progresso depravado, enquanto dão vazão à sua estupidez de lucrar.





Foto: capa do LP, sem créditos
Quando a canção vira sussurro e o piano chega em ondas marulhadas
Emanoel Barreto

Assinei, há muit'anos, 1994 para ser exato, uma revista especializada em música. Já não lembro o título da publicação. Mas era muito boa. Textos preciosos, temas seletos, bela diagramação. Os assinantes tinham direito a receber discos de jazz. Com a primeira e única edição que me chegou às mãos vieram sete CDs em capa de papelão, reproduzindo obras de Pinky Wainer, filha do jornalista Samuel Wainer, polêmico e genial.

Esses discos ficaram por aí, nos meus guardados. A bem dizer, ouvi-os poucas vezes. Há uns dias, resolvi reencontrar esses discos, esses amigos mágicos que, como os livros e os instrumentos musicais, são seres vivos, pelo menos para quem os sabe viver.

Encontrei, no CD destinado ao swing jazz, uma pequena pérola na voz de uma diva: Carmen McRae. Intensa, coleante. Interpretação tecnicamente perfeita, com exato, total, completo e infinito domínio de voz. Tons, semitons e síncopes. Tudo perfeito. As síncopes, essas então, chegam a ser vertigem; quem sabe, a voz de uma fada verde, absinto a meia-luz.

Falo da composição "Send in the Clowns", de S. Sondhein. Tema complexo, dificílimo, muitos e muitos acordes acompanhando uma voz felina. O piano, pianíssimo, soando como campânula de prata. Baixinho... Uma obra prima em sagração do êxtase, quando a canção vira sussurro...


domingo, 13 de dezembro de 2009

Foto: AFP
O tabefe em Berlusconi e o fim da paciência do povo
Emanoel Barreto

A agressão sofrida pelo primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, à parte a questão do ato em si, como atitude de repúdio inapropriada, traz, em sua força discursiva, mensagem bastante vigorosa: há um limite para que se desrespeite, se humilhe e se ofenda o povo. As elites precisam compreender isso, ao encenar sua farsa de democracia.

O engodo, a mentira repetida dia após dia, ao contrário do que defendia Goebbels, não consegue se impor definitivamente como verdade. Berlusconi representa o que há de pior no pensamento neoliberal. Diariamente tem sido exposto como literalmente um vilão, manipulador e aético. Mesmo questionável a agressão, não o são os motivos que a ela levaram.

Os corruptos, como os há no Brasil, não podem ficar impunes. Vide o caso Arruda e os protestos diários. Quanto a Berlusconi, o golpe recebido é índice, ponta de ideberg a apontar as indignidades gerais impostas ao mundo.
Como exemplo, lembremos que as elites estão destruindo o planeta. Guiadas pelo perverso instinto do lucro a qualquer preço, negaceiam medidas para conter o aquecimento. Sejam as elites do Ocidente, sejam as da China, por exemplo. Elite é sempre elite, seja na democracia formal seja nas ditaduras.

O tabefe é bastante sintomático da insatisfação popular; na Itália ou em Brasília. E se essa insatisfação é difusa, há os momentos em que explode, lá e acá.

Kennedy, em discurso dúbio, já dizia: "Se a sociedade livre não conseguir ajudar os muitos que são pobres, não poderá igualmente salvar os poucos que são ricos."

A frase é da época da Guerra Fria. É um pronunciamento bifronte: a "sociedade livre" são exatamente os expoentes do capital, cujos desmandos terminam por colocar em xeque, em processo de engenharia social reversa, os pressupostos ideológicos desse mesmo capitalismo. Kennedy sabia o que estava dizendo...






Fotos: Emanoel Barreto
Isso é um insulto
Emanoel Barreto
No caso das fotos acima as imagens dizem mais que mil palavras. Em Capim Macio, onde são feitas obras de drenagem, os funcionários da empresa contratada pela Prefeitura, responsável pelas obras, largaram simplesmente uma montanha de areia em frente à minha casa, encerraram o expediente e foram embora. Isso foi sábado último.
Impedido de entrar e sair. O portão da garagem estava obstruído, como o portão pequeno. Fui obrigado a conseguir ajuda às 22h, pelo menos para desobstuir o portão e pôr o carro na garagem. Trata-se de flagrante desrespeito à cidadania. Um ultraje, ou como disse a minha neta de 10 anos: "Vovô, isso é um insulto. "


sábado, 12 de dezembro de 2009

Foto: Divulgação
Capitão Nascimento, o retorno
Emanoel Barreto

O ator Wagner Moura iniciou preparação especial, com aulas de jiu-jítsu e vale-tudo, para viver novamente o Capitão Nascimento, no filme "Tropa de Elite 2", informou a coluna Radar, de Lauro Jardim, publicada na revista "Veja" desta semana.
As aulas serão dadas por Rickson Gracie, que mora nos Estados Unidos, e é um dos principais nomes da lendária família de lutadores.
As filmagens começarão na terceira semana de janeiro. O filme "Tropa de Elite 2" tem estreia prevista para agosto de 2010.
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A informação é da Folha Online Ilustrada.
O Capitão Nascimento é uma espécie de figura urbano-mitológica tardia do senso comum. Prefigura e glorifica o perfil do policial que, ante os desmandos do crime organizado, reage com igual vigor e brutalidade, punindo por uma sociedade indefesa frente à fúria de traficantes e assaltantes.

Ele representa de forma vívida o repúdio de larga parcela da sociedade brasileira aos grupos de direitos humanos. As pessoas veem na ação desses grupos um paradoxo simplista: seus militantes se compadecem de criminosos e estão a favor dos bandidos, esquecendo suas brutalidades contra os indefesos. Na implicação contida em tal lógica esses militantes estão contra os cidadãos. Infelizmente, é isso o que acontece.

O personagem, assim, propicia o que os psicólogos chamam de ab-reação, comportamento assim descrito no Houaiss: "Descarga emocional pela qual um indivíduo se liberta do afeto que acompanha a recordação de um acontecimento traumático [Pode ser provocada, por exemplo, por hipnose, ou ocorrer de forma espontânea no decorrer do processo psicoterápico.]". Ou por outra: "Efeito liberador produzido pela encenação de certas ações esp. as que fazem apelo ao medo e à raiva, utilizado pelas terapias que se baseiam no método catártico."

O fato de o ator Wagner Moura estar tomando lições de luta sugere que o personagem entrará em combate corporal com antagonistas, o que não ocorreu quando da produção anterior. Isso, sem dúvida, ampliará o efeito de catarse, trazendo ao filme mais glamour à violência punitiva. O público sempre gosta quando os vilões são, literalmente, batidos pelos que pretensamente encarnam o "bem".

O brasileiro está cansado de ver o triunfo do mal no mundo vivido. Assim, pelo menos no cinema verá alguém ser punido. É a terrível compensação para quem vive um inferno e encontra, no pesadelo encenado, sua fugidia compensação.





Fotos: Emanoel Barreto

encontro com Djalma Maranhão
Emanoel Barreto

Hoje acordei numa espécie de déjà vu: máquinas na rua, em frente à minha casa. Homens trabalhando para instalar o sistema de drenagem, em Capim Macio. Mas, e o déjà vu? É o seguinte: certa vez, Djalma Maranhão prefeito de Natal, idos de 1961, 62, amanheci desperto por um barulho terrível, monstruoso ronco que, à minha sensação de menino, seria algo como um dragão atacando o meu castelo, quer dizer, a minha casa.

Na verdade, era o desvio dos ônibus, que deixavam de circular pela Rio Branco, que estava sendo asfaltada, atirando-se pela Princesa Isabel, onde eu morava. Dias e dias assim, até que a obra ficasse pronta e a minha pacífica rua voltasse a ser sinceramente calma e pacífica, como o eram as ruas de Natal nos anos 60.

Agora, o ronco de uma máquina rasgando o chão para soterrar as manilhas não me apavorou. Alegrou. Afinal, estarei livre das inundações, afinal deixarei de me sentir como Noé a cada inverno.

Mas o déjà vu levou-me a passear a memória até Djalma Maranhão. Nunca o vi, a não ser em fotos. Mas, dele, tenho sempre uma lembrança boa. Uma espécie de saudade mansa de alguém a quem não conheci, mas que me abraça e me diz que ele era um político para quem decência era sinônimo de essência, e isso o fazia ser um prefeito que amava, sem medo e sem mácula, a sua cidade Natal.

Sinto que encontrei Djalma hoje de manhã. Não, nada a haver com a "Ronda dos Fantasmas", radioteatro de terror que a Rádio Cabugi produzia magistralmente uma vez por semana. Nada disso. Foi uma espécie de reencontro com coisas, memórias, lembranças esquivas que moram em mim. E esse encontro foi como se ele estivesse dizendo: "Ei, menino! Não tenha medo. Dragões não existem. E eu continuo cuidando de Natal..."