Veja esta matéria da Folha:
Licitação para compra de até R$ 121,8 mil em flores é cancelada
A decisão ocorreu depois que a Folha revelou a compra dos produtos. Sem o pregão, a Casa pretende realizar aquisições individuais de flores --o que não implica, na prática, em redução de custos. A legislação permite que órgãos públicos façam pequenas compras sem licitação, desde que não ultrapassem R$ 8 mil.
A mesma decisão foi tomada pelo Ministério das Relações Exteriores, após a Folha mostrar que o Itamaraty pretendia adquirir arranjos florais no valor de até R$ 461,1 mil.
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A leitura da notícia dá-me a sensação,
estranha, de que nossas autoridades habitam um mundo especial, onírico,
flutuante, literalmente cor de rosa. Chego mesmo a supor que, por insólita magia,
Maria Antonieta assessora tais pessoas na elaboração de seus festivais e
convescotes. Trata-se, não tenho dúvida, de um mundo à parte, bastante diverso
do cotidiano cinzento, pesado, o mundo do povo.
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As ruas estão fervendo de reclamos, mobilizações, gritos, protestos, e os
deputados pensando em comprar... flores. Entendo que haja até mesmo solenidades
em que isso seja necessário. Bons modos, claro. Mas, precisa mesmo de gastar
tudo isso?
Ninguém percebe que as ruas dão recado claríssimo de que as entranhas
sociais se revolvem? Não, parece que não.
Talvez, quem sabe, se algum dia os protestos chegarem a ponto de ebulição
eles sigam ao pé da letra os ensinamentos de Maria Antonieta e digam: “Se o
povo não tem pão que coma brioche.”
Deputados e Itamaraty precisam entender
que cinismo não é bom conselheiro. E que a realidade do seu jardim é bem
diversa da encontrada na selva das ruas e das favelas, dos becos e cortiços. E
que a penca de problemas do povo pode se transformar num grande abacaxi