"Não é justo alguém ter o direito
de ter uma empresa de aviação
e outro não ter o direito de comer um pão."
/////// JAMAIS IDE A UM LUGAR GRANDE DEMAIS. A UM LUGAR AONDE NÃO TENHAIS CORAGEM DA IMENSIDÃO - EMANOEL BARRETO - NATAL/RN
Caros Amigos, O País estava sendo varrido por uma enorme onda noticiosa, um tsunami informativo a respeito de um certo Banco de Dados, que revelaria casos e tramas de um governo passado e suas tenebrosas transações presidenciais. O Banco de Dados, entretanto, ninguém sabia aonde ficava. Não tinha registro no Banco Central, não tinha agências em nenhuma parte do território nacional, nem funcionários, nem correntistas. Tratava-se, assim, de um mistério.
Como ninguém, nem mesmo os mais experimentados repórteres conseguiam ter acesso ao Banco de Dados, e com o agravamento da situação - gente na rua pedindo para saber se por acaso não teria algum dinheirinho por lá, pessoas querendo pedir empréstimos, outros pensando em praticar algum assalto -, foi convocada uma comissão se sábios, para descobrir aonde e como funcionava o tal Banco.
Os sábios, então, começaram uma grande peregrinação pelo mundo, consultando centenários documentos, sítios arquelógicos antiquíssimos, inscrições em cavernas e furnas, tumbas e locais absolutamente secretos. Mas, até então, nada fora encontrado. Enquanto isso, o noticiário explodia, como se um terremoto político-nacional fosse acontecer: uma suposta reunião de acusações a um ex-presidente era transformado quase numa tragédia.
Mas os sábios continuavam sua árdua tarefa. A mulher, a única do grupo - eles eram três -, afinal conseguiu decifrar uma intrigante inscrição rupestre, que dizia assim: "Irne tane absus, tare met die mor." Imediatamente após a descoberta, eles puseram-se a voltar ao País.
Chegando, foram recebidos pelos políticos e pela imprensa. A mulher foi chamada a falar, e afirmou: "A inscrição diz que, irne tana absus, tare met die mor, quer dizer: 'Jos ert mat, buat dole mur'. Essa a grande realidade que eu constatei." E, então, os jornalistas perguntaram: "E o que significa a segunda frase?"
Ela virou-se para eles: "Trata-se de grande mistério e eu não sei dizer o que é." Mas, pelo sim, pelo não, vamos todos continuar a buscar o Banco de Dados; é bem provável que ele exista e a gente possa abrir, pelo menos, uma caderneta de poupança. Emanoel Barreto
Caros Amigos, A imensa paisagem da dor dos homens é interna e, mesmo habitando o território escuro e oculto da alma de cada um, entra em contato com a grande paisagem livre, a grande paisagem da vida que vive fora de cada um de nós.
É isso que ainda nos faz crer na possibilidade, no passo seguinte, no próximo amanhecer... Emanoel Barreto Foto: Autor não identificado.
Caros Amigos, A adorável Carla Bruni, cantora e ex-modelo, mulher do presidente francês Nicolas Sarkozy, volta às manchetes com a divulgação de uma foto sua feita em 1993, quando era era top model e uma das mais bem pagas do mundo. Na foto, ela não faz o extilo femme fatale; está mais para ninfeta, uma espécie de inocência postiça, um convite ao lobo-mau.
Seguinte: o casal está em Londres, em visita oficial; sua união foi formalizada exatamente para evitar problemas com o protocolo: como poderia, por exemplo, a Rainha receber em Buckingham e deixar dormir sob o mesmo teto um casal presidencial não casado? E mais: em viagem a um emirado, o chefe de governo árabe mandou claros sinais de sua insatisfação em ter sob a sombra de sua respeitável figura a visita de um presidente modernete e de sua irriqueata companheira. Então, às pressas, providenciou-se a cerimônia nupcial. E Nicolas e Carla passaram de amantes a nubentes e de nubentes a marido e mulher. Só que, agora, explode a foto, exatamente quando eles visitam a Rainha.
Então, o que proponho é o seguinte: examinar a difícil convivência entre o mundo da diplomacia e da política, com seus ademanes e regras de bom-tom, ditames e procedimentos fixados, gestualidades e casuísmos comportamentais cifrados, homenagens administradas e saudações calculadas, frente à realidade humana e falível dos mortais que ocupam, circunstancialmente os altos cargos, especialmente aqueles que, também circunstancialmente, poderão vir a ser chamados a decidir os destinos do mundo. É uma mistura de hipocrisia litúrgico-política, com a decadência inata ao homem.
So para lembrar: o governador de Nova Iorque, Eliot Spitzer, perdeu o cargo após ser descoberto seu envolvimento com uma rede de prostituição. Seu substituto, David Paterson, por precaução, já declarou que traiu e foi traído pela mulher e, um ou dois dias depois, revelou: já fomou maconha e usou cocaína. Foi uma ação preventiva, sem dúvida orientada por sua assessoria de imprensa, a fim de evitar males futuros.
Estados e Governos, sempre, cercaram as figuras de seus representantes máximos de pompa e rituais, liturgias do cargo, a fim de enaltecer sua heroicidade, representatividade e legitimidade para representar - e comandar - o comum dos mortais, a massa, a patuléia, a burguesia e as elites que os cercam. Com isso, naturalizou-se a suposição de que a tais figuras deveriam necessariamente estar impregnadas de uma situação moral personalíssima e impoluta, uma aura de respeitabilidade incontestável. Como se ali, naquela pessoa, não fervessem os mesmos sentidos, sentimentos, desejos - sempre os desejos - fraquezas e pulsões dos demais.
E então, quando ocorrem os escândalos, o mitos se desfazem, imagens se desmancham e pudor e poder se distanciam, revelando-se a condição humana dos dirigentes. Somos destinados à queda e, mesmo que não devamos nos distanciar da ética, da honradez e da moral, é preciso saber que os atos das pessoas públicas, quando não interferem em seu desempenho, em seu papel de dirigente, legislador, o que seja, é unicamente uma questão pessoal. Tudo bem que as coisas de jornal alardeem a falta de pudor. Mas, insisto, pudor e poder não são as duas faces da mesma moeda. Não, em se tratando de vida pessoal. Mas, por precaução, é melhor evitar o falariço... Emanoel Barreto Foto: AP *A Foto, segundo o Estadão Online, será vendida em leilão, para o qual se espera lance máximo de quatro mil dólares.