"Não é justo alguém ter o direito de ter uma empresa de aviação e outro não ter o direito de comer um pão." /////// JAMAIS IDE A UM LUGAR GRANDE DEMAIS. A UM LUGAR AONDE NÃO TENHAIS CORAGEM DA IMENSIDÃO - EMANOEL BARRETO - NATAL/RN
sábado, 6 de novembro de 2010
Roberto Stuckert-nov.2010
Quando a foto diz mil palavras
Emanoel Barreto
A foto está na Folha de hoje. Impressionante. Magnífico trabalho de composição e senso de oportunidade, típicos do profissional olho-de-lince. Ilustra matéria em que o marketeiro João Santana diz ao jornal que a campanha não foi ganha no primeiro turno em decorrência do chamado caso Erenice.
Stuckert captou aquilo que em Bresson era chamado de image à la sauvette ou imagem captada - pelo olhar leopardo do fotógrafo - em momento preciso, sintético, vigoroso. Desvelador, pela imagem, daquilo que supostamente se passa no íntimo do fotografado. É isso: um grande flagrante. Um grande profissional.
O Poder nas mãos dos maus; a corrupção como norma padrão
Emanoel Barreto

A Operação Impacto volta às manchetes de Natal. O escândalo se arrasta há quatro e até hoje nenhum dos envolvidos foi declarado culpado - ou inocentado pela Justiça. A demora em si é preocupante porque revela e traz à tona mais uma vez nossa cultura de leniência, o lerdo e pesado caminhar na apuração de tais casos.
Isso dá-me a sensação de que o ato corrupto ganhou no Brasil uma espécie de etnia sui generis, tornou-se gesto corrente, orgânico ao nosso fazer social, impregnando nossa cultura de um certo letargo conspícuo, adjetivo que uso aqui em seu sentido de facilmente perceptível, que salta aos olhos, acrescendo-se a isso o fato de que, tornado comum, transformou-se em normal.
Essa letargia contamina todos os escalões da vida pública, que passa a ser vivida como se privada fosse e faz com que pessoas achegadas ao Poder, pelo voto ou por alguma forma de contrato com os poderosos - por exemplo, a prestação de serviços - sintam-se no direito de invadir, mesclar e infectar o que é público com o lamentável vírus de uso da res pública em favor de si ou dos que compõem o seu magote de parentes, aderentes ou beneficiários.
Somos uma sociedade que valoriza o "jeitinho", o arranjo, o acerto cordial das falcatruas. Isso gera a impunidade reiterada e a sensação, por parte daquele ou daqueles que não são punidos, de que podem evoluir da condição de impunes para o patamar, mais alto e confortável, de impuníveis. Ou seja: a impunidade passa a impunibilidade ou impossibilidade de ser punido. Isso é grave.
Cria-se um estado de coisas tal que essa situação, generalizada, torna-se uma espécie de segunda natureza, e assim esse processo de naturalização sugere, em seus efeitos práticos, que é assim e assim deve continuar. Torna-se exemplo e padrão, desarticulando no cidadão íntegro e honrado a convicção de que esteja do lado certo: o exercício cotidiano da probidade e da honradez.
O honrado passa a ser visto como "otário" e aquele que é digno tratado como "digno de pena" pelo fato mesmo de sua dignidade.
Quantos bandidos de colarinho branco você já viu ser presos? Quantos? Tenho certeza que pPoucos, bem poucos. Lembro-me de repente do Juiz Lalau e sua malversação de dinheiros públicos e de outro magistrado, esse envolvido em venda de sentenças. No Rio Grande do Norte recordo de outro juiz, mandante do assassinato de um promotor.
Nos últimos dias foi capturado Gledson Maia, diretor do Dnit, e sobrinho do deptado João Maia, cujo irmão Agaciel Maia já fora noticiado amplamente como praticante de corrupção. Nada aconteceu. Temo que nada venha a acontecer.
É que o ato corrupto já se configura na tal segunda natureza, densa e verdejante floresta onde se embrenham elementos de malíssimas intenções, voltados ao logro e ao descaminho de valores. A indecência estabeleceu-se e triunfa. Soam as trombetas da concussão e do impropério civil e nada se faz.
O mestre Rui Barbosa tinha razão quando dizia: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Folha "mata" Lula e questiona a sua participação na transição do governo
Emanoel Barreto
Uma forma de o jornalismo dar acontecimentos como fatos consumados é forçar, na assertividade do título ou do texto, essa assertividade como fato que se sobrpõe ao acontecimento que lhe deu origem.
Trata-se, portanto, de um meta-acontecimento. Explico: a representação do real é imposta ao real e surge como fato substituto e acima daquilo que busca representar. É a verdade jornalística sobrepujando a verdade de mundo. Veja o titulo da matéria ao lado: "'Rei morto', Lula diz que negociará reforma em 2011".
Com isso o jornal busca mostrar suposta incoerência entre o dizer e o fazer de Lula, arrimando-se no conteúdo da manchete para em tom acusativo indicar que o presidente buscará ser, nos bastidores, ventríloquo a comandar o espetáculo da transição e até mesmo, quem sabe, insinuar-se nos passos seguintes do governo Rousseff.
Diz o jornal: Um dia após ter afirmado que não vai interferir na composição do governo de Dilma Rousseff -"rei morto, rei posto"-, o presidente Lula disse ontem, em reunião ministerial no Palácio do Planalto, que pretende negociar com a oposição e emplacar uma reforma política no primeiro ano do novo governo.
O jornalão dos Frias tenta fazer valer ao pé da letra o ditado popular, determinando que o ator político Lula deveria recobrir-se de algo como uma espécie de ingênuidade política, retirando-se de cena.
A "verdade" jornalística está no fato de que, na legalidade da formulação do título, justifica-se a paralisia de Lula reivindicada pelo próprio título. A verdade de mundo reside no fato de que ingênuo seria cobrar de um ator político seu silêncio em momento que exige naturalmente sua presença e participação. Eu não disse "atitude decisória", mas "participação".
É embaralhando o real com o prescrito que o jornal proscreve esse mesmo real.
Jornalismo é técnica, mas também é arte. Como técnica atém-se a função fática: narrar de forma credível e fazer coincidir narração, descrição ou relato com o fato que lhe deu causa. Como arte, manifesta-se na clareza, elegância, originalidade e até mesmo na pontuação poética de texto ou título como ocorre com a crônica.
No caso do título analisado nesta matéria, houve o recurso algo poético de referência ao ditame popular, buscando verossimilhança entre essa licença e a realidade que a Folha intenta apor a Lula. Ou seja: requer que o presidente declare-se "morto" e se assuma como tal.
Em suma, não há, a rigor, informação. Pelo menos não informação em sentido estrito, mas informação impregnada, nas entrelinhas, do espírito de fazer oposição.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Transcrevo artigo da Agência Adital (EB)
Desafios para a Presidenta Dilma Rousseff
Leonardo Boff *
Adital -
Celebramos alegremente a vitória de Dilma Rousseff. E não deixamos de folgar também pela derrota de José Serra que não mereceu ganhar esta eleição dado o nivel indecente de sua campanha, embora os excessos tenham ocorrido nos dois lados. Os bispos conservadores que, à revelia da CNBB, se colocaram fora do jogo democrático e que manipularam a questão da descriminalização do aborto, mobilizando até o Papa em Roma, bem como os pastores evangélicos raivosamente partidizados, sairam desmoralizados. Post festum, cabe uma reflexão distanciada do que poderá ser o governo de Dilma Rousseff.
Esposamos a tese daqueles analistas que viram no governo Lula uma transição de paradigma: de um Estado privatizante, inspirado nos dogmas neoliberais para um Estado republicano que colocou o social em seu centro para atender as demandas da população mais destituida. Toda transição possui um lado de continuidade e outro de ruptura.
A continuidade foi a manutenção do projeto macroeconômico para fornecer a base para a estabilidade política e exorcizar os fantasmas do sistema. E a ruptura foi a inauguração de substantivas políticas sociais destinadas à integração de milhões de brasileiros pobres, bem representadas pela Bolsa Familia entre outras. Não se pode negar que, em parte, esta transição ocorreu pois, efetivamente, Lula incluiu socialmente uma França inteira dentro de uma situação de decência. Mas desde o começo, analistas apontavam a inadequação entre projeto econômico e o projeto social. Enquanto aquele recebe do Estado alguns bilhões de reais por ano, em forma de juros, este, o social, tem que se contentar com bem menos.
Não obtante esta disparidade, o fosso entre ricos e pobres diminuiu o que granjeou para Lula extraordinária aceitação.
Esposamos a tese daqueles analistas que viram no governo Lula uma transição de paradigma: de um Estado privatizante, inspirado nos dogmas neoliberais para um Estado republicano que colocou o social em seu centro para atender as demandas da população mais destituida. Toda transição possui um lado de continuidade e outro de ruptura.
A continuidade foi a manutenção do projeto macroeconômico para fornecer a base para a estabilidade política e exorcizar os fantasmas do sistema. E a ruptura foi a inauguração de substantivas políticas sociais destinadas à integração de milhões de brasileiros pobres, bem representadas pela Bolsa Familia entre outras. Não se pode negar que, em parte, esta transição ocorreu pois, efetivamente, Lula incluiu socialmente uma França inteira dentro de uma situação de decência. Mas desde o começo, analistas apontavam a inadequação entre projeto econômico e o projeto social. Enquanto aquele recebe do Estado alguns bilhões de reais por ano, em forma de juros, este, o social, tem que se contentar com bem menos.
Não obtante esta disparidade, o fosso entre ricos e pobres diminuiu o que granjeou para Lula extraordinária aceitação.
Agora se coloca a questão: a Presidenta aprofundará a transição, deslocando o acento em favor do social onde estão as maiorias ou manterá a equação que preserva o econômico, de viés monetarista, com as contradições denunciadas pelos movimentos sociais e pelo melhor da inteligentzia brasileira?
Estimo que, Dilma deu sinais de que vai se vergar para o lado do social-popular. Mas alguns problemas novos como aquecimento global devem ser impreterivelmente enfrentados. Vejo que a novel Presidenta compreendeu a relevância da agenda ambiental, introduzida pela candidata Marina Silva. O PAC (Projeto de Aceleração do Crescimento) deve incorporar a nova consciência de que não seria responsável continuar as obras desconsiderando estes novos dados. E ainda no horizonte se anuncia nova crise econômica, pois os EUA resolveram exportar sua crise, desvalorizando o dólar e nos prejudicando sensivelmente.
Dilma Rousseff marcará seu governo com identidade própria se realizar mais fortemente a agenda que elegeu Lula: a ética e as reformas estruturais. A ética somente será resgatada se houver total transparência nas práticas políticas e não se repita a mercantilização das relações partidárias("mensalão").
As reformas estruturais é a dívida que o governo Lula nos deixou. Não teve condições, por falta de base parlamentar segura, de fazer nenhuma das reformas prometidas: a política, a fiscal e a agrária. Se quiser resgatar o perfil originário do PT, Dilma deverá implementar uma reforma política. Será dificil, devido os interesses corporativos dos partidos, em grande parte, vazios de ideologia e famintos de benefícios. A reforma fiscal deve estabelecer uma equidade mínima entre os contribuintes, pois até agora poupava os ricos e onerava pesadamente os assalariados. A reforma agrária não é satisfeita apenas com assentamentos. Deve ser integral e popular levando democracia para o campo e aliviando a favelização das cidades.
Estimo que o mais importante é o salto de consciência que a Presidenta deve dar, caso tomar a sério as consequências funestas e até letais da situação mudada da Terra em crise sócio-ecológica. O Brasil será chave na adaptação e no mitigamento pelo fato de deter os principais fatores ecológicos que podem equilibrar o sistema-Terra. Ele poderá ser a primeira potência mundial nos trópicos, não imperial mas cordial e corresponsável pelo destino comum. Esse pacote de questões constitui um desafio da maior gravidade, que a novel Presidenta irá enfrentar. Ela possui competência e coragem para estar à altura destes reptos. Que não lhe falte a iluminação e a força do Espírito Criador.
Estimo que, Dilma deu sinais de que vai se vergar para o lado do social-popular. Mas alguns problemas novos como aquecimento global devem ser impreterivelmente enfrentados. Vejo que a novel Presidenta compreendeu a relevância da agenda ambiental, introduzida pela candidata Marina Silva. O PAC (Projeto de Aceleração do Crescimento) deve incorporar a nova consciência de que não seria responsável continuar as obras desconsiderando estes novos dados. E ainda no horizonte se anuncia nova crise econômica, pois os EUA resolveram exportar sua crise, desvalorizando o dólar e nos prejudicando sensivelmente.
Dilma Rousseff marcará seu governo com identidade própria se realizar mais fortemente a agenda que elegeu Lula: a ética e as reformas estruturais. A ética somente será resgatada se houver total transparência nas práticas políticas e não se repita a mercantilização das relações partidárias("mensalão").
As reformas estruturais é a dívida que o governo Lula nos deixou. Não teve condições, por falta de base parlamentar segura, de fazer nenhuma das reformas prometidas: a política, a fiscal e a agrária. Se quiser resgatar o perfil originário do PT, Dilma deverá implementar uma reforma política. Será dificil, devido os interesses corporativos dos partidos, em grande parte, vazios de ideologia e famintos de benefícios. A reforma fiscal deve estabelecer uma equidade mínima entre os contribuintes, pois até agora poupava os ricos e onerava pesadamente os assalariados. A reforma agrária não é satisfeita apenas com assentamentos. Deve ser integral e popular levando democracia para o campo e aliviando a favelização das cidades.
Estimo que o mais importante é o salto de consciência que a Presidenta deve dar, caso tomar a sério as consequências funestas e até letais da situação mudada da Terra em crise sócio-ecológica. O Brasil será chave na adaptação e no mitigamento pelo fato de deter os principais fatores ecológicos que podem equilibrar o sistema-Terra. Ele poderá ser a primeira potência mundial nos trópicos, não imperial mas cordial e corresponsável pelo destino comum. Esse pacote de questões constitui um desafio da maior gravidade, que a novel Presidenta irá enfrentar. Ela possui competência e coragem para estar à altura destes reptos. Que não lhe falte a iluminação e a força do Espírito Criador.
* Teólogo, filósofo e escritor
"Queremos um jornal": a história real de um sonho
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Professor Barreto e alunas do curso de Jornalismo: Queremos um jornal |
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Juventude mobilizada comemora a conquista do Jornal Universitário |
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Reitor Ivonildo Rego assume compromisso com "Queremos um jornal" |
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Professores e alunas ontem na Reitoria da UFRN |
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Professor Duarte solidariza-se com "Queremos um jornal"
No dia em que defende sua tese de doutorado, o professor Duarte Guimarães envia email em que se congratula com a campanha vitoriosa "Queremos um jornal".
Caro Prof. Barreto,
Tenho corrido tanto nos últimos dias preparando a minha apresentação que, apesar de ter incentivado e me colocado à disposição dos alunos do movimento, quando foram à sala de aula outro dia, não lhe postei uma mensagem a tempo nesse sentido.
Mas receba minhas congratulações pela campanha. Sou testemunha de seu esforço para colocar um jornal impresso em circulação. Lembro-me que, juntos, quando estávamos ministrando o "disciplinão" Jornalismo Impresso, acho que entre 1999 e 2000, fomos em peregrinação a vários lugares, inclusive à Reitoria e à Editora da UFRN, com o material todo pronto, e com muita luta conseguimos imprimir, com relativo sucesso, alguns números daquele que denominamos "Jornal de Comunicação". Um jornal-laboratório assim voltava a circular por toda a UFRN depois de seis anos parado.
Em seguida, com a ajuda do professor Eduardo Pinto, chefe do Decom, conseguimos (o sr. tinha se afastado para uma pós, salvo engano), aumentar o formato do jornal, colocar cor e imprimir mais um ou dois números, apenas. Em seguida passamos a fazê-lo somente para a internet. Depois fui eu quem teve que se afastar. Devo dizer que tudo isso, especialmente quando estivemos juntos, rendeu matérias na imprensa local e até um excelente trabalho de final de curso do aluno Marcone Maffezzolli, cujo título, se não me engano, foi "A prática do Jornalismo Impresso na UFRN: da crise à implantação", além de que a grandiosa maioria dos alunos se inseriram muito bem no mercado.
Antes disso, por volta dos anos 1994-98, desta vez com o professor Albimar Furtado, conseguimos imprimir uns jornais de bairro, como o "Folha de Ponta Negra" e o "Repórter: Santos Reis". Ainda hoje lamento que muitos dos jornais que todos nós fizemos ao longo de todo esse período não tenham sido impressos. Muitas matérias importantes, históricas até, inclusive com furos jornalisticos, não conseguimos publicar.
Agora, com a promessa do reitor, reascende em mim a chama da fé na prática laboratorial, apesar de, após ter passado por tantos percalços, guardar uma expectativa ainda maior.
Abração.
Duarte.
História do rádio
Walter Medeiros* – waltermedeiros@supercabo.com.br

Sob o comando do escritor, professor de Letras da UFRN e jornalista Tarcísio Gurgel, uma hora é sempre pouco para os convidados contarem suas vidas e suas histórias, de forma descontraída. Esses convidados são sempre selecionados entre pessoas que tiveram e têm destacada participação nos mais variados setores da sociedade potiguar. São pessoas de todos os extratos, que formam um verdadeiro quebra-cabeça do tempo, e ao final deixam sempre uma sensação de harmonia, beleza e vitalidade.
Através daquele programa podemos ter acesso privilegiado a muitas histórias, que certamente corriam o risco de se perder no tempo pela falta de registro, muitas delas em vista do fato de seus próprios protagonistas não lhes atribuírem o grande valor que têm.
Como pequenos detalhes de aspectos da cidade em cada época. Através dos anos, dos bairros, das ruas, de tantos logradouros e monumentos, vamos conhecendo a vida de Natal, com seus encantos, seus dramas, suas divergências e convergências, sua importância universal.
Assim já vimos contar suas histórias: políticos, profissionais liberais, esportistas, artistas, comerciantes, industriais, educadores e uma sequência bastante qualificada de pessoas, que sempre prendem a atenção do telespectador. Esta curiosidade é aguçada pelo formato do programa, que inclui a participação de dois convidados escolhidos por cada entrevistado, normalmente pessoas com as quais conviveram muitos dos episódios que são narrados.
Fui surpreendido pelo convite para entrevistar o jornalista e radialista Adamires Furtado, ao lado do também jornalista e radialista Wellington Medeiros, meu irmão, e de Tarcísio Gurgel. Uma concatenação da natureza findou me colocando nessa condição de entrevistador. Mas alguém que acompanhou a amizade que sempre tivemos eu e Adamires, nos tempos da Rádio Cabugi, ao saber da gravação, exclamou: “Tinha de ser você!”.
A entrevista vai ao ar nos dias 18 de novembro, a partir das 19:00 horas e 21 de novembro, a partir das 16:00 horas. Aí, por mais que tenhamos vontade de adiantar os assuntos que foram abordados na entrevista, Wellington e eu não podemos revelar nada.
Nem precisou Tarcísio pedir, pois é assim mesmo que funcionam esses compromissos tácitos do embargo jornalístico. Mas podemos garantir que Adamires contou muitas passagens interessantes e até engraçadas da sua vida e que sua entrevista será uma importante página da história do rádio potiguar.
*Jornalista
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Em dia histórico, triunfa na UFRN campanha "Queremos um jornal"
Emanoel Barreto
Representação de cerca de 50 estudantes e comissão de professores do Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte-UFRN recebeu hoje às 15h30, em meio a clima de intensa emoção, empenho da palavra do Reitor Ivonildo Rego de que será implantado e fará parte institucional do currículo o Jornal Universitário. O Reitor louvou a iniciativa e disse que trabalhará para disponibilizar todas as condições de êxito ao projeto.
A conquista é fruto da campanha "Queremos um jornal" que mobilizou os estudantes e as estudantes, bem como professores de disciplinas técnicas e teóricas. A campanha, que durou pouco mais de 15 dias, comprovou que docentes e discentes têm capacidade de mobilização, contando também com o apoio das Chefias do Departamento de Comunicação e Centro de Ciências Humanas Letras e Artes.
Estudantes e professores entregaram ao Reitor a proposta reivindicando o jornal como ente de sociedade civil, bem como laboratório para a prática do jornalismo, a fim de que não se repasse à iniciativa privada a responsabilidade de formar jornalistas, cumprindo o curso, desta forma, com as suas responsabilidades e papel histórico.
Segunda-feira próxima começam os trabalhos para elaboração do projeto do jornal, com participação paritária de professores e estudantes.
O blog #Queremosumjornal, criado e editado pelos estudantes, publicou a seguinte matéria um dia antes da reunião, :
Para quem ainda não conhece: o movimento reivindica a construção de um Jornal Universitário para a prática jornalística. É sabido que as disciplinas laboratoriais necessitam de uma maior aproximação com a vivência de uma redação. Temos uma visão pálida do jornalismo, pois nos falta o principal: a prática, o cumprimento de pauta, a experiência do que seja produzir fotos e textos jornalísticos com data e hora para entrega, sua editoração, impressão e distribuição, e, principalmente, o respaldo da sociedade. Os estudantes recorrem às próprias empresas jornalísticas para completar o seu aprendizado e, cremos, é função da Universidade assumir a formação de profissionais qualificados e completos. Por isso, vamos até lá. Por isso "Queremos um Jornal".
É válido salientar que nossa intenção em relação ao manifesto não é, definitivamente, usar o barulho pra se fazer ouvir. Em vez disso, queremos mostrar como professores e alunos do curso de Comunicação Social acreditam e valorizam a ideia e, nesse contexto, entregar ao reitor a nossa proposta formal. O Jornal Universitário será uma conquista do curso e de toda a comunidade universitária e a participação de todos é essencial para o sucesso da nossa empreitada. Contamos com vocês!
Emanoel Barreto
Representação de cerca de 50 estudantes e comissão de professores do Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte-UFRN recebeu hoje às 15h30, em meio a clima de intensa emoção, empenho da palavra do Reitor Ivonildo Rego de que será implantado e fará parte institucional do currículo o Jornal Universitário. O Reitor louvou a iniciativa e disse que trabalhará para disponibilizar todas as condições de êxito ao projeto.
A conquista é fruto da campanha "Queremos um jornal" que mobilizou os estudantes e as estudantes, bem como professores de disciplinas técnicas e teóricas. A campanha, que durou pouco mais de 15 dias, comprovou que docentes e discentes têm capacidade de mobilização, contando também com o apoio das Chefias do Departamento de Comunicação e Centro de Ciências Humanas Letras e Artes.
Estudantes e professores entregaram ao Reitor a proposta reivindicando o jornal como ente de sociedade civil, bem como laboratório para a prática do jornalismo, a fim de que não se repasse à iniciativa privada a responsabilidade de formar jornalistas, cumprindo o curso, desta forma, com as suas responsabilidades e papel histórico.
Segunda-feira próxima começam os trabalhos para elaboração do projeto do jornal, com participação paritária de professores e estudantes.
O blog #Queremosumjornal, criado e editado pelos estudantes, publicou a seguinte matéria um dia antes da reunião, :
Para quem ainda não conhece: o movimento reivindica a construção de um Jornal Universitário para a prática jornalística. É sabido que as disciplinas laboratoriais necessitam de uma maior aproximação com a vivência de uma redação. Temos uma visão pálida do jornalismo, pois nos falta o principal: a prática, o cumprimento de pauta, a experiência do que seja produzir fotos e textos jornalísticos com data e hora para entrega, sua editoração, impressão e distribuição, e, principalmente, o respaldo da sociedade. Os estudantes recorrem às próprias empresas jornalísticas para completar o seu aprendizado e, cremos, é função da Universidade assumir a formação de profissionais qualificados e completos. Por isso, vamos até lá. Por isso "Queremos um Jornal".
É válido salientar que nossa intenção em relação ao manifesto não é, definitivamente, usar o barulho pra se fazer ouvir. Em vez disso, queremos mostrar como professores e alunos do curso de Comunicação Social acreditam e valorizam a ideia e, nesse contexto, entregar ao reitor a nossa proposta formal. O Jornal Universitário será uma conquista do curso e de toda a comunidade universitária e a participação de todos é essencial para o sucesso da nossa empreitada. Contamos com vocês!
Recebo e publico íntegra de artigo da professora Arlete Araújo, candidata a reitor da UFRN. A chapa opositora terá idêntido tratamento. (EB)
Porque quero ser reitora
Maria Arlete Duarte de Araújo
Estamos chegando ao final da campanha para a Reitoria da UFRN. Durante
vários meses apresentamos e defendemos um projeto para a UFRN que tem
como filosofia de gestão assegurar uma instituição aberta ao debate,
tecnologicamente avançada, com condições de trabalho dignas, cursos de
graduação e programas de pós-graduação de qualidade acadêmica e
inserção internacional, humanista, comprometida com a inclusão social,
a interiorização e a cultura, valorizadora de seus servidores e com
fortes vínculos com a sociedade. Isto implica em afirmar o papel
social da universidade como centralidade, e não como algo retórico ou
secundário, e colocar as necessidades dos diversos segmentos sociais
que constituem a sociedade potiguar no centro de suas preocupações.
Nesse projeto de universidade é fundamental a afirmação da democracia
interna em seu cotidiano. A universidade deve ser o espaço do debate
intelectual, da reflexão e da troca de experiências, tanto em sua
dinâmica interna como em suas respostas à dinâmica da sociedade na qual
está inserida. Por outro lado, a afirmação da democracia implica na
transparência dos atos acadêmicos e administrativos para que possam ser
conhecidos e avaliados pela comunidade universitária e pela sociedade.
Igualmente importante é a reafirmação da autonomia como eixo central de
uma gestão democrática. Por fim nesse projeto o compromisso com a
solução de problemas sociais se materializa em um conjunto de programas
e ações para as atividades acadêmicas e administrativas.
Em relação á graduação entendemos que os processos formativos devem
contemplar currículos flexíveis que permitam uma sólida e competente
habilitação para o trabalho e contribuam para a construção de uma
postura crítica e reflexiva dos egressos diante da realidade na qual
vão se inserir. Isso implica em revisar os projetos
político-pedagógicos, para privilegiar uma relação estreita com os
problemas reais de desenvolvimento – econômicos, sociais, tecnológicos,
culturais, ambientais - e fortalecer compromissos de responsabilidade
social com o desenvolvimento sustentável da sociedade. Implica também
em ter a clara compreensão de que o crescimento para ser consolidado
necessita de salas adequadas, livros nas bibliotecas, laboratórios,
políticas para assegurar a permanência dos alunos, professores
qualificados, estruturas de apoio às atividades de pesquisa, de
extensão e de uma infra-estrutura que garanta o funcionamento adequado
da instituição.
No que se refere à pós-graduação nosso compromisso é criar as condições
para que os programas além de formarem docentes, definam projetos
consistentes de pesquisa e possuam estratégias e ações de integração
com a pós-graduação lato sensu e com a graduação. Da mesma forma tenham
intercâmbios técnico-científicos nacionais e internacionais, produção
intelectual compatível com o tamanho do corpo docente e inserção
externa em agências de fomento, de modo que se constituam em pólos de
desenvolvimento científico e tecnológico atentos às demandas da
sociedade e à busca de soluções para seus problemas mais prementes.
Este esforço se completa com um forte compromisso de inclusão que deve
se materializar em uma política de ampliação do acesso e de permanência
do aluno na instituição. Isso implica, de um lado, uma política de
assistência que permita a realização de um conjunto de atividades
necessárias à formação desse alunado – culturais, científicas,
políticas, esportivas e de intercâmbio - bem como, de outro lado,
políticas para assegurar a sua permanência na instituição, mediante a
concessão de bolsas, orientação psicológica, moradia, alimentação e
transporte, tudo isso com a compreensão de que a UFRN não pode ser
apenas um espaço acadêmico aonde se vai assistir aulas, mas um lugar do
conhecimento e da cultura da humanidade. E nessa perspectiva a
universidade sendo um importante centro cultural tem a responsabilidade
de fomentar todas as formas de manifestações culturais (dança, teatro,
música, cinema, artes plásticas, literatura, manifestações populares
tradicionais e contemporâneas) criando assim mecanismos de acesso da
comunidade à cultura.
De igual importância em nosso projeto a melhoria das condições de
trabalho ocupa lugar central. O intenso crescimento da instituição,
traduzido no aumento do número de docentes, funcionários
técnico-administrativos, alunos, cursos e programas, assim como de
edifícios, laboratórios e instalações, não tem sido acompanhado de
políticas de gestão de pessoas orientadas pelos critérios de
reconhecimento, valorização e satisfação no trabalho. As políticas
postas em prática não têm incorporado assim a dimensão da humanização.
Assumir que o corpo de servidores é o maior patrimônio da instituição é
uma concepção de gestão que internaliza as idéias de agregar, integrar,
incentivar, desenvolver, manter e avaliar as pessoas como tarefa
inadiável para assegurar condições de trabalho que permitam o
crescimento profissional dos servidores, ao tempo em que propiciam o
seu engajamento e o comprometimento para a obtenção dos objetivos
institucionais.
Esses são alguns pontos do projeto que defendemos nesta campanha e ao
qual dedicamos muito do nosso esforço e da nossa energia, pois
acreditamos que ter uma visão de futuro da UFRN é a principal força
mobilizadora para a sua materialização: uma instituição de qualidade
acadêmica e social nos planos local, regional, nacional e
internacional, em suas atividades de ensino, pesquisa e extensão, sem
no entanto perder de vista o seu compromisso com uma gestão mais
democrática, mais humana e em sintonia com a realidade social do estado
do Rio Grande do Norte e do Brasil.
Porque quero ser reitora
Maria Arlete Duarte de Araújo
Estamos chegando ao final da campanha para a Reitoria da UFRN. Durante
vários meses apresentamos e defendemos um projeto para a UFRN que tem
como filosofia de gestão assegurar uma instituição aberta ao debate,
tecnologicamente avançada, com condições de trabalho dignas, cursos de
graduação e programas de pós-graduação de qualidade acadêmica e
inserção internacional, humanista, comprometida com a inclusão social,
a interiorização e a cultura, valorizadora de seus servidores e com
fortes vínculos com a sociedade. Isto implica em afirmar o papel
social da universidade como centralidade, e não como algo retórico ou
secundário, e colocar as necessidades dos diversos segmentos sociais
que constituem a sociedade potiguar no centro de suas preocupações.
Nesse projeto de universidade é fundamental a afirmação da democracia
interna em seu cotidiano. A universidade deve ser o espaço do debate
intelectual, da reflexão e da troca de experiências, tanto em sua
dinâmica interna como em suas respostas à dinâmica da sociedade na qual
está inserida. Por outro lado, a afirmação da democracia implica na
transparência dos atos acadêmicos e administrativos para que possam ser
conhecidos e avaliados pela comunidade universitária e pela sociedade.
Igualmente importante é a reafirmação da autonomia como eixo central de
uma gestão democrática. Por fim nesse projeto o compromisso com a
solução de problemas sociais se materializa em um conjunto de programas
e ações para as atividades acadêmicas e administrativas.
Em relação á graduação entendemos que os processos formativos devem
contemplar currículos flexíveis que permitam uma sólida e competente
habilitação para o trabalho e contribuam para a construção de uma
postura crítica e reflexiva dos egressos diante da realidade na qual
vão se inserir. Isso implica em revisar os projetos
político-pedagógicos, para privilegiar uma relação estreita com os
problemas reais de desenvolvimento – econômicos, sociais, tecnológicos,
culturais, ambientais - e fortalecer compromissos de responsabilidade
social com o desenvolvimento sustentável da sociedade. Implica também
em ter a clara compreensão de que o crescimento para ser consolidado
necessita de salas adequadas, livros nas bibliotecas, laboratórios,
políticas para assegurar a permanência dos alunos, professores
qualificados, estruturas de apoio às atividades de pesquisa, de
extensão e de uma infra-estrutura que garanta o funcionamento adequado
da instituição.
No que se refere à pós-graduação nosso compromisso é criar as condições
para que os programas além de formarem docentes, definam projetos
consistentes de pesquisa e possuam estratégias e ações de integração
com a pós-graduação lato sensu e com a graduação. Da mesma forma tenham
intercâmbios técnico-científicos nacionais e internacionais, produção
intelectual compatível com o tamanho do corpo docente e inserção
externa em agências de fomento, de modo que se constituam em pólos de
desenvolvimento científico e tecnológico atentos às demandas da
sociedade e à busca de soluções para seus problemas mais prementes.
Este esforço se completa com um forte compromisso de inclusão que deve
se materializar em uma política de ampliação do acesso e de permanência
do aluno na instituição. Isso implica, de um lado, uma política de
assistência que permita a realização de um conjunto de atividades
necessárias à formação desse alunado – culturais, científicas,
políticas, esportivas e de intercâmbio - bem como, de outro lado,
políticas para assegurar a sua permanência na instituição, mediante a
concessão de bolsas, orientação psicológica, moradia, alimentação e
transporte, tudo isso com a compreensão de que a UFRN não pode ser
apenas um espaço acadêmico aonde se vai assistir aulas, mas um lugar do
conhecimento e da cultura da humanidade. E nessa perspectiva a
universidade sendo um importante centro cultural tem a responsabilidade
de fomentar todas as formas de manifestações culturais (dança, teatro,
música, cinema, artes plásticas, literatura, manifestações populares
tradicionais e contemporâneas) criando assim mecanismos de acesso da
comunidade à cultura.
De igual importância em nosso projeto a melhoria das condições de
trabalho ocupa lugar central. O intenso crescimento da instituição,
traduzido no aumento do número de docentes, funcionários
técnico-administrativos, alunos, cursos e programas, assim como de
edifícios, laboratórios e instalações, não tem sido acompanhado de
políticas de gestão de pessoas orientadas pelos critérios de
reconhecimento, valorização e satisfação no trabalho. As políticas
postas em prática não têm incorporado assim a dimensão da humanização.
Assumir que o corpo de servidores é o maior patrimônio da instituição é
uma concepção de gestão que internaliza as idéias de agregar, integrar,
incentivar, desenvolver, manter e avaliar as pessoas como tarefa
inadiável para assegurar condições de trabalho que permitam o
crescimento profissional dos servidores, ao tempo em que propiciam o
seu engajamento e o comprometimento para a obtenção dos objetivos
institucionais.
Esses são alguns pontos do projeto que defendemos nesta campanha e ao
qual dedicamos muito do nosso esforço e da nossa energia, pois
acreditamos que ter uma visão de futuro da UFRN é a principal força
mobilizadora para a sua materialização: uma instituição de qualidade
acadêmica e social nos planos local, regional, nacional e
internacional, em suas atividades de ensino, pesquisa e extensão, sem
no entanto perder de vista o seu compromisso com uma gestão mais
democrática, mais humana e em sintonia com a realidade social do estado
do Rio Grande do Norte e do Brasil.
Transcrevo entrevista do Deputado Henrique Alves ao Blog do Josias. (EB)
Líder do PMDB e candidato à presidência da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN) explicou como seu partido negociará a participação no governo Dilma Rousseff: “O PMDB não cederá um milímetro nos seus direitos nem ousará faltar um milímetro nos seus deveres. Essa é a síntese do partido”.
Em entrevista ao blog, Henrique Alves se esforçou para jogar água na fervura que aquece as relações do seu partido com o petismo: “Ninguém está apostando em confronto com o PT. Não haverá. Não há a menor hipótese”.
Informou, porém, que o PMDB não abre mão de manter sob Dilma os seis ministérios que obteve na gestão Lula, à qual se incorporou em 2007. A partilha da Esplanada foi aberta na noite passada, em jantar que reuniu o vice-presidente eleito Michel Temer e o presidente do PT, José Eduardo Dutra.
Vai abaixo a entrevista com Henrique Alves:
- Soube que o sr. e Cândido Vaccarezza [candidato do PT à presidência da Câmara] firmaram um armistício. É fato? Sim. Vamos tirar isso de pauta agora, porque é coisa para se resolver só em fevereiro. Temos uma pauta complicada pela frente: mais de dez medidas provisórias para votar e a formação do governo, que exige entendimento entre os aliados. Esse assunto [o comando da Câmara] pode aguardar um pouco.
- Como será negociada a participação do PMDB no novo governo? O PMDB não cederá um milímetro nos seus direitos nem ousará faltar um milímetro nos seus deveres. Essa é a síntese do partido.
- Acha possível resolver pacificamente as pendências com o PT? Ninguém no PMDB está apostando em confronto com o PT. Não haverá. Não há a menor hipótese.
- Definiu-se que PMDB e PT dividirão o comando da Câmara na próxima legislatura. Mas ambos querem ocupar a presidência no primeiro ano. Como resolver? Na atual legislatura, a maior bancada é a nossa. Tivemos o bom senso de entender que, em nome do melhor relacionamento, era importante fazer uma concessão. E fizemos. No primeiro biênio, foi o Arlindo [Chinaglia]. E, só depois, o Michel [Temer]. Não há razão para mudar esse critério.
- A partir de 2011, o PMDB terá menos deputados que o PT. Isso não enfraquece a sua posição? Não enfraquece porque, na atual legislatura, o PT era a menor bancada e, por boa vontade do PMDB, ocupou a presidência antes de nós. Foi um gesto que fizemos para conciliar.
- No Senado, o PMDB invoca a condição de dono da maior bancada para reivindicar a presidência, não? No Senado é diferente. É uma questão regimental, está previsto no regimento que o maior partido tem direito de indicar o presidente. Não dá para envolver o Senado na negociação da Câmara.
- Como obter um consenso na Câmara? Quem vai ser o primeiro ou o segundo, o tempo dirá. O importante é que PT e PMDB se entendam nesse revezamento. Deu certo no governo Lula e, agora, tem mais razões ainda para dar certo. Não teremos mais o Lula, que matava no peito e resolvia as questões. Tinha crise, dificuldade, derrota, o Lula chamava e resolvia. Dilma vai ter que ser muito mais ajudada pelo conjunto dos partidos. Nós vamos ajudar.
- E quanto aos outros partidos com direito a voto na Câmara? Num primeiro momento, é preciso construir um entendimento entre os dois maiores partidos, o PMDB e o PT. Isso já será um sinal de maturidade. Num segundo momento, aquele que for escolhido terá de tentar ser o candidato de toda a Câmara, um representante das forças do governo e da oposição, do maior ao menor partido. Até porque, aquele que for o presidente terá o dever de encaminhar reformas importantes, como a política e a tributária. Será necessário o consenso.
- O DEM parece preferir o nome de Vaccarezza ao seu. Alega que o PMDB não pode presidir as duas Casas. Como reverter? Seria uma incoerência. Há dois, anos o DEM veio conosco, ajudou a eleger o Michel [Temer]. Não questionou que o Senado fosse nosso também. Não creio que será diferente agora.
- Acha que a fricção entre PMDB e PT pode resultar em desavença? Quem quiser incendiar isso aí [a disputa pelo comando da Câmara] não vai encontrar pólvora. Eu não vou deixar. Temos o dever de nos entender. O PMDB está num novo momento. Não tem esse negócio de brigar por cargos, criar problemas. Temos que ir para o governo [Dilma] ajudando a construir. É diferente do outro [o de Lula], que a gente apoiou e encontrou pronto. Agora, nós somos coresponsáveis.
- Legendas como o PSB reivindicam ministérios comandados pelo PMDB. O da Integração Nacional, por exemplo. O que acha? Veja bem, o PT tem 15 ministérios, o PMDB tem apenas seis. Fala-se em dispor da Saúde, da Integração... Mas alto lá! O PMDB tem hoje o tamanho que o Lula reconheceu na hora em que apoiamos o governo [em 2007]. Agora, nós ajudamos a construir a vitória [de Dilma]. Tem gente nossa que quer inclusive ampliar a participação.
- Acha que deve ser ampliada? Não. O PMDB deve ficar do tamanho que está. Para ampliar, seria preciso tomar alguma coisa de alguém. E não queremos tomar nada de ninguém. Vamos ficar com o que temos. Não adianta ficarmos satisfeitos e os outros partidos da coligação ficarem insatisfeitos. Nós temos que ajudar. Não teremos mais o Lula, que resolvia tudo. É hora de construir.
- Inclui o Banco Central de Henrique Meirelles na conta de seus ministérios? Não. Os nossos ministérios são: Saúde, Integração Nacional, Agricultura, Comunicações, Minas e Energia e Defesa. Lula reconheceu esse tamanho do PMDB na hora que o apoiamos. Agora, nós participamos da vitória. Poderíamos pensar em mais. O PT tem 15 ministérios. Mas não adianta pensarmos em mais. Estamos preocupoados com o conjunto da coligação. Queremos ajudar a presidente Dilma a substituir o Lula, uma tarefa quase impossível. Nós seremos parceiros nisso.
- O PMDB admite trocar seus ministérios por outros? A questão não é só de quantidade, mas de qualidade. Muitos dos nossos gostariam também de trocar. Há a pasta dos Transportes, a das Cidades... Mas, para mexer, desarruma. Por isso, o PMDB quer apenas preservar os espaços que obteve, ainda que agora o partido tenha ajudado a construir a vitória. Deixa como está. Vamos colaborar. O PMDB é, hoje, um novo partido.
- Como assim? Alcançamos a maturidade. O partido já errou muito, já apanhou muito. Tinha aquela briga intestina do grupo da Câmara com o do Senado, que nos prejudicou muito. Agora, estamos unidos. Essa união é a nossa força. Hoje, o Michel [Temer] fala por todo o partido. É um avanço extraordinário.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
PODER DO TUDO PODE
INFORME URGENTE
Prontuário do cidadão Brasileiro
Nome: Brasileiro
Endereço:
favelas, cortiços, calçadas, marquises e demais outros pontos onde, dignamente,
possa se recolher, o que inclui ficar embaixo de pontes e viadutos.
Profissão: passageiro
de ônibus superlotados, dependente de filas do SUS, sofredor do INSS, desempregado,
subempregado, vítima de bandidos, políticos, funcionários corruptos e
empresários desonestos; carente de saúde, educação, cultura e lazer. Como são
muitas as especializações profissionais, este registro consigna aqui apenas as
mais relevantes e qualificativas do cidadão junto ao seu prontuário.
Tempo
de serviço: se tiver sorte de conseguir um emprego deverá trabalhar até à
morte, já que a aposentadoria é privilégio a que não terá mais direito.
Salário: serão
feitas manobras para que o salário mínimo tenha o menor índice de reajuste
possível.
Grau
de instrução: preferentemente analfabeto funcional.
...........
Direitos do Brasileiro
O cidadão conhecido como Brasileiro terá os seguintes direitos
assegurados em lei:
1 - Todo Brasileiro
tem o direito de morrer à porta de um hospital, depois de lhe ser negado
atendimento;
2 - Todo Brasileiro tem o direito
de ser assaltado, agredido e espancado a qualquer hora do dia ou da noite por
bandidos e/ou pela polícia;
3 - Todo Brasileiro tem o direito
de ser enganado pelos seus governantes;
4 - Igualmente, está garantido ao
povo o direito de gritar gooooooooooooooooooooooooooooooool! e beber uma dose
de cachaça;
5 - Da mesma forma, o bebedor, se
for considerado arruaceiro, agressivo ou desordeiro por efeito de suas
comemorações de gooooooooooooooooooooooooool! será capturado, jogado num
camburão e surrado pela polícia;
6 - Como complemento, passará
pelo menos uma noite na cadeia;
7 - Todo Brasileiro tem
assegurada sua presença em ônibus e trens urbanos superlotados garantindo-se
assim as condições humilhantes que lhe faculta a legislação em vigor;
9 - O Brasileiro, além do mais,
terá garantido o direito de assistir na TV à impunidade de corruptos;
10 - Se tornar-se corrupto o Brasileiro
terá imediatamente assegurada a condição de impunidade;
11 – Aos não corruptos ficam garantidos
direitos irrenunciáveis de respirar, suar e ficar cansado, bem como fechar os
olhos quando for dormir;
12 - Todos os do povo terão preservadas
as piores condições de vida em favelas, arruados e cortiços;
13 - Esta legislação entrará em
vigor imediatamente, revogando-se todas as disposições em contrário.
......................
A publicidade era assim
Seria impensável hoje o anúncio de marca de cigarro, especialmente se recomendada por um dentista sob alegação de que o filtro seria suficiente para proteger os dentes e a saúde do fumante. Mais ainda quando o dentista é apenas um desenho
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