OK, man,vamos matar!
"A guerra é a continuação
da política por outros meios". Carl Phillip Gottlieb von Clausewitz tinha
toda razão quando fez a afirmativa em sua obra Vom Kriege (Da Guerra), publicada postumamente. As
formas democráticas de negociação cedem espaço aos gestos, atos de brutalidade,
manifestações da mais essencial e clara barbárie.
Tem sido assim desde os temos
imemoriais, quando o homem, ainda em estado básico, resolvia as questões entre
as hordas à base do porrete e da pedra, atitude que continuou ao longo do
caldeamento das eras até chegarmos às civilizações clássicas e aos fatos que
conosco mantêm proximidade histórica: Primeira e Segunda Guerras, Vietnã e
Coreia, por exemplo; sem esquecer as revoluções e conflitos muito bem expressos
na feroz situação do Oriente, onde as ideologias transformaram em feras humanas
os israelenses, palestinos e, óbvio, os americanos, mestres de cerimônia da
insanidade e do açoite.
As duas capas selecionadas para
ilustrar este artigo dão bem ideia do que afirmo: ao lado,fanáticos da causa palestina
prestes e assassinar compatriotas acusados de traição em conluio com Israel, e (abaixo) o
jornalista americano pouco antes de ser decapitado por alguém ideologicamente
demencial ligado aos islamitas.
No primeiro caso o “justiçamento”
de palestinos por seus iguais demonstra o grau de cegueira a que leva o
fundamentalismo: a suposta causa e a violência como ação política sobrepõem-se
a tudo; e o “inimigo”, qualquer que seja ele, é parte desse “tudo” eleito e
delineado para ser isso mesmo: um algo, um tudo que a tudo assujeita e a todos
obriga a segui-lo.
Posta tal ideia em prática não há argumento, sensatez ou
proposta que valha a pena ser considerada: a violência assume a primazia das
ações, subsome o discurso político e passa a ser afinal a razão de ser de si
mesma, torna-se ontológica, essencial em si, a si e para si. Pronto. Simples assim.
Quem discordar morre.

Temos, no caso do jornalista, a
convergência de ação e reação de forças obscurantistas opostas e que se
enfrentam: de um lado o imperialismo das elites americanas; do outro a resposta
do islamismo em forma bestial, cruenta, cruel, covarde.
No meio, a figura do homem
capturado e tornado figura icônica, representação essencial do Inimigo, o
Grande Satã Americano a quem é preciso exorcizar pela morte. Da mesma forma os
EUA capturam e levam a Guantánamo, em Cuba, seus inimigos para torturá-los fora
do seu território. Muito conveniente.
Israel industrializa ainda hoje
o chamado holocausto, mas não se furta de matar homens, mulheres e crianças,
indiscriminadamente, quando busca aqueles que lhes sejam militarmente hostis na
Faixa de Gaza. Um crime justificando o outro, uma aberração clamando seu sucedâneo.
E assim caminha a humanidade. O grande problema é aonde chegaremos com isso. Temo
que não seja a bom lugar.