O cachorro louco está solto
“RIO
- O governo federal prevê que o plano de segurança pública para a Copa do Mundo
custará R$ 1,170 bilhão e envolverá 100 mil profissionais de segurança e defesa
civil (sem considerar o contingente das Forças Armadas). Estão incluídos
agentes federais (da Abin, da Força Nacional, e das polícias Federal e
Rodoviária Federal), estaduais (policiais militares e civis, e bombeiros) e
municipais (guardas civis e agentes de trânsito), segundo a Secretaria
Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos (Sesge) do Ministério da
Justiça, responsável pelo planejamento. ‘A maior parte do montante foi
investido em equipamentos que ficarão de legado para os Estados’, disse o
secretário Andrei Rodrigues, da Sesge.”
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http://sonhoesignificado.blogspot.com.br/2013/05/sonhar-com-cachorro-doido-significado.html |
O
texto aspeado é do Estadão. Entre pasmo com o número de agentes envolvidos e
indignado com o desperdício de dinheiro pergunto-me: onde estará a violência temida:
nas ruas ou nos gastos com a Copa do Mundo? Creio que a Copa é a grande violência.
O torneio de futebol implicará o desvio de bilhões de reais. Dinheiro afastado
de finalidades sociais para atender à Fifa.
É
a esse desvio que refiro: as torneiras abertas, a festança, a asneira administrativa
elevada à condição de grande obra. É esse desvio que está causando a náusea
social. A violência das multidões, temida, esperada, é consequência direta do
grave erro histórico. A loucura do governo será proporcional ao endoidecimento
das turbas. É o governo quem vai soltar o cachorro louco.
A
realidade kafkiana que está em elaboração é a seguinte: quem está programando a
cólera das ruas é o governo que trouxe a Copa ao Brasil. E agora, armado o
circo, temem que ele pegue fogo. O governo prepara o confronto como se o
lamentasse e agora parte para reunir as tropas que vão tentar silenciar ou, de
alguma forma, conter a criatura que seus laboratórios estimularam vir ao mundo.
Temo
que seja um confronto perigosíssimo e de trágicas consequências: Leviatã contra
o cachorro louco. A pequena política – a política do pão e circo – fabricando,
parece, um apocalipse de gol e dor.