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sábado, 9 de outubro de 2010

Estadão antecipa resultado de pesquisa feita pelo Grupo Folha

Datafolha confirma liderança de Dilma: 48% contra 41% de Serra

O Estadão antecipa resultado de pesquisa de intenção de voto e informa sobre sua edição de amanhã: Pesquisa Datafolha divulgada na edição de domingo, 10, do jornal 'Folha de S.Paulo' aponta a candidata do PT à Presidência da República com 48% das intenções de votos contra 41% de José Serra (PSDB). Em número de votos válidos (sem brancos, nulos e indecisos), Dilma tem 54% contra 46% de Serra. 4% dos eleitores afirmaram que irão votar em branco ou nulo e outros 7% estão indecisos.


Na pesquisa anterior, realizada entre os dias 1º e 2 de outubro, o instituto havia feito uma simulação para o segundo turno. Dilma aparecia com 52% dos votos totais contra 40% de Serra. 5% afirmaram que votariam em branco ou nulo e 3% estavam indecisos.

O Datafolha questionou também os eleitores de Marina Silva (PV), que teve quase 20 milhões de votos no primeiro turno, sobre a intenção de voto no segundo turno. 51% dos que votaram em Marina no primeiro turno declararam voto em Serra. Dila herda 22% dos votos de Marina. Na pesquisa anterior, a petista tinha 31% dos votos da candidata verde. Serra tinha 50% às vésperas do primeiro turno. O número de indecisos entre os verdes teve um aumento considerável, passando de 4% no primeiro turno para 18%.

O esforço da campanha de Serra, ao que parece, será baldado. Os números são suficientemente indicativos: Dilma estratificou seus resultados e a realidade que se supõe a partir dos números apurados o indica bem.

As pessoas que acompanham diariamente os jornais, seja pela internetpetista está passando por águas turbulentas. Não está. Há apenas essa sensação, passada pelos jornalões e revistas.

O excesso de informação a respeito de um assunto passa a ideia de supervalorização desse assunto, quando na realidade isso nem sempre ocorre. Em momentos como os vividos pelos mineiros emparedados no Chile isso pode corresponder à realidade, tal o drama existencial vivido por eles e de alguma forma experienciao pela população. É a proximidade afetiva que amplia os efeitos da comunicação.

No Brasil, com certeza as eleições não dominam a agenda pública, apesar de dela serem parte integrante, e parte muito importante. É que as eleições não estão ligadas a nenhum momento especial, como foi, por exemplo, a votação das Diretas-já. Na fase atual o processo eletivo se dá em ambiente de tranquilidade e nenhum dos dois candidatos tem em mente qualquer alteração profunda na vida nacional, estrutural ou conjunturalmente.

Os tucanos sabem disso, daí a necessidade de provocar fatos, criar situações, alarmar falsamente, a fim de sensibilizar, criar irritação social em torno de assuntos vazios, acontecimentos-nada, na busca do voto perdido.



Foto: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi1FATKLDpRtJ_k5Vp3nVe2S5dLinUVA1BE-oLLnLvbS5ri0GO-ylOSKdQ6olYoa4GKoicc60JpRFhyltAQWBzoxgYog4HK9iPtfPFFD8PioqL_u0mpyHti5wDZGPxGubuP-WkF4Q/s1600/serra+cara+feia.jpg



segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Os tucanos estão de cara feia

http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.marcusmonteiro.
O fato que de fato não é um fato
Emanoel Barreto


Campanhas políticas podem e efetivamente transformam jornais em aparelhos políticos, extensões dos partidos. Funcionando como uma espécie de intelectual coletivo o jornal, para efeito de vilegiatura partidária, trabalha politicamente mesmo quando diz pelo noticiário que está apenas informando objetivamente a respeito dos fatos. Esse "dizer" é exatamente a aparência de neutralidade das notícias. Sua leitura dá a impressão de que o jornal está sendo isento. 


Quando você lê um texto e este aparenta ser isento mesmo sem o ser, é o jornal que está se dizendo isento e como tal é percebido. Toda notícia reivindica, todo jornal reivindica credibilidade, exatidão. Obtendo-se esse efeito, a notícia "se disse" credível, confiável.

Mas, veja bem: o jornal informa a respeito dos fatos, não traz os fatos em si. O jornal é segunda circunstância, valora e imbrica aos acontecimentos sua própria visão de mundo e assim o fato primevo se torna uma espécie de realidade suplente, representaviva - aquela que foi selecionada para tal se tornar.


Isso se dá especialmente no chamado jornalismo declaratório, aquele proveniente de noticiário advindo de ato frasal intencionado do declarante. Quando isso se dá, entramos no perigoso terreno que confunde publicidade - aqui no seu sentido de tornar público - com propaganda, uma vez que é a ideologia quem comanda o noticiário. O jornal partícipe das intenções de partido ou ator político com o qual mantenha alguma forma de aliança ou simpatia.

A atual campanha à presidência da República é exemplo clássico: a enfática aparição de Dilma nos noticiários, as acusações de seus adversários há muito deixaram de ser notícia para se transformar em propaganda ou contrapropaganda, dependendo de como os encaremos.

Propaganda pelo efeito que busca atingir de criar opinião pública a favor de Serra. Contrapropaganda quando busca desconstruir a imagem midiática de Dilma. Trata-se de espetáculo lamentável: não só pelo desserviço que impõe à democracia, mas e especialmente porque esse tipo de jornalismo não assume sua condição de praticamente de política por outros meios.

O noticiário sobre a "crise" dos dados fiscais da filha de Serra é o típico acontecimento-nada. Emitiu-se um discurso intencionado e a partir desse fato-intencional-forjado surgiram os demais acontecimentos "naturalmente". Trata-se de um metaprocesso de circulação circular; formou-se - apenas no jornalismo, veja - toda uma cadeia de "fatos novos" em retroalimentação contínua, uma espécie de moto-perpétuo sem consistência interna. O discurso propagando-se a si próprio.

Tanto é verdade que não há movimento de sociedade civil estarrecido e, pelo andar do fato - aí sim - real de que a algazarra não surte efeito, tudo indica que a candidata do PT será eleita em primeiro turno. E isso deixa os tucanos de cara feia.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=20204364&postID=6613111295281938218
Serra ou "eu sou eu, eu sou você ou eu sou uma ilusão de óptica?"
Emanoel Barreto

Há algo de insano ou desesperado no marketing de Serra. Jamais havia visto adversário elogiar adversário para tentar reverter quadro eleitoral em que lhe é tendencialmente desfavorável. Serra é um candidato sem discurso, cristianizado pelos seus correligionários, tem um vice que é um trapalhão, não tem carisma, é feio, tenta construir um passado de sofredorzinho que se fez às próprias custas e aposta no aplainamento das tensões sociais.

Para completar não pode atacar o patrocinador de sua adversária, o que seria atirar-se de cabeça contra um muro de concreto e aço. Assim, numa espécie de vampirismo midiático tenta se apoderar do prestígio de Lula, como se isso fosse possível.

O que o candidato intenta, sob seus mentores de mídia, é despertar no ser coletivo a que chamamos povo a sensação de que ele, Serra, por suas taumatúgicas pré-condições de admistrador é o sucessor que deveria ter sido indicado por Lula.

Há algo de patético nisso. O que se tenta é uma espécie de verossimilhança política ou algo como uma metáfora estranhíssina, como num jogo de espelhos: Serra na verdade é Dilma.

Ela, a candidata, é uma ilusão de óptica e o povo, ofuscado, quando aponta Dilma nas pesquisas na verdade estaria querendo dizer Serra. E o desespero do candidato, abandonado pelos correligionários candidatos a governador, quer porque quer levá-lo a se postar no lugar da oponente.

Impossível. Aplica-se no caso, à política, a velha lei da impenetrabilidade dos corpos, que diz: dois corpos não podem, ao mesmo tempo, ocupar o mesmo lugar no espaço. E assim sendo e por isso compreender, investe na tentativa de ser Dilma.

Ao que tudo indica, quer cometer algum tipo de falsidade ideológica sui generis.

No post abaixo registro como sua campanha elogia Lula e tenta apensar a candidatura Serra ao prestígio do adversário e com isso ganhar os votos que iriam naturalmente para Dilma. Leia a verá.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Começou a debandada dos tucanos

Leio na Folha e transcrevo:
Aliados estaduais deixam Serra fora de propaganda



Em ao menos 5 locais, candidatos não citam nem mostram o tucano na TV

Candidato só aparece de forma discreta nas propagandas exibidas nos Estados; Lula é destaque em programas

DE SÃO PAULO

Na estreia da propaganda gratuita dos candidatos a governador, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, foi deixado de lado ou fez apenas aparições discretas nos programas de rádio e TV de seus aliados nos Estados.


Já na propaganda dos candidatos da base do governo federal, o presidente Lula foi a principal estrela -e a presidenciável petista Dilma Rousseff, sua coadjuvante.


Serra não teve sua imagem mostrada nem seu nome citado nas propagandas dos candidatos a governador Yeda Crusius (PSDB-RS), Joaquim Roriz (PSC-DF), Marcos Cals (PSDB-CE), Paulo Souto (DEM-BA) e Rosalba Ciarlini (DEM-RN).


Em Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB) só mostrou imagens do tucano no programa da noite.


O início da propaganda na TV coincide com o momento em que Serra aparece pela primeira vez atrás de Dilma em pesquisa Datafolha.


No último levantamento do instituto, a petista teve 41% das intenções de voto, contra 33% do tucano. Ele contava com o apoio nos Estados para reverter a vantagem da adversária.


Em Minas, segundo maior colégio eleitoral do país, Dilma chegou a falar três vezes nos programas dos aliados, inclusive pedindo voto para Hélio Costa (PMDB).


Serra ficou em clara desvantagem. Nos programas dos tucanos Aécio Neves, para o Senado, e Antonio Anastasia, para o governo, Serra não fala nem é citado. Mas a imagem dele aparece.


No de Anastasia, Serra é visto de relance em quatro ocasiões. Em apenas uma Serra está em primeiro plano. Em outra está de costas.


Em São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin não mostrou a imagem de Serra na TV e só citou duas vezes o nome do presidenciável.


Na TV, Mercadante ignorou Dilma -não apareceu nem foi citada-, mas exibiu depoimento de Lula.


Em sua fala, Mercadante colou sua candidatura ao governo Lula, colocando-se como participante das realizações federais.


No Paraná, o programa da tarde de Beto Richa (PSDB) só mostrou Serra em imagens de campanha. Mas, no programa da noite, exibiu depoimento do presidenciável.


No Ceará, nem o nome nem a imagem de Serra apareceram no programa de Cals e do candidato tucano ao Senado, Tasso Jereissati.


No Rio, o TRE determinou que o senador Marcelo Crivella (PRB) não utilize o depoimento de Lula em seu programa de TV.


O pedido foi feito pela coligação Juntos Pelo Rio, da qual o próprio PT faz parte, minutos depois do horário eleitoral da tarde. Mas, à noite, Crivella usou novamente o depoimento de Lula.


O presidente gravou depoimento para Crivella, que não faz parte da coligação do PT, e para Lindberg Farias (PT). Alijou assim Jorge Picciani (PMDB), candidato apoiado pelo governador Sérgio Cabral Filho (PMDB).






SERRA É CITADO


No Rio Grande do Norte, o apoio de Serra foi usado contra a candidata ao governo Rosalba Ciarlini (DEM).


O atual governador e candidato à reeleição Iberê Ferreira (PSB) usou parte de seu programa de rádio para ressaltar que a candidata do DEM é apoiada por Serra.


"A candidata do DEM é apoiada por Serra", dizem os locutores.



quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Dilma: como se mostra uma candidata - uma análise do primeiro vídeo de campanha
Emanoel Barreto

O grande mérito do vídeo de lançamento da candidatura Dilma Rousseff não é encontrado apenas em sua condição de peça técnica de convencimento do eleitorado; no vídeo, Dilma não pede votos, não alardeia sua condição de petista, não anuncia programa de governo. O mérito ideológico da peça está em seu caráter discursivo, que ao invés de encaminhar-se, ou melhor, apresentar-se como coisa típica de campanha, assumiu o tom de documentário, de história de vida.

Com isso, a propaganda ocultou-se enquanto propaganda e passou à condição de relato convincente, testemunhal; depoimento pungente a respeito de quem, pela sua história, pelos seus compromissos, é um ator social igual ao povo. Resumindo: a mensagem recodificou-se em seu pronunciamento, disse subliminarmente que não era propaganda e afinal cumpriu com o propósito do marketing pois funcionou, sem assim ser entendida, como propaganda mesmo sendo propaganda.

O poder dessa empatia é enorme, pois estabelece junto ao receptor da mensagem um dizer de aproximação, nivelamento e congraçamento com um detalhe de qualidade: está dito, também de forma subliminar, que aquele ator político é do povo mas que, diferentemente dos atores sociais do povo, que sofrem os efeitos perversos da história e não têm como reverter esses efeitos, ela, Dilma, tem essa possibilidade, comprovada por sua história de vida.

No post anterior você encontra a peça propagandística. Se observar bem, perceberá que na legalidade interna do discurso tudo leva a crer que se trata de documentário. O que foi pretendido, o que valeu, foi a sensação imediata produzida por quem recebe a mensagem documental, que na verdade é pura propaganda. Veraz em sua essência, mas propaganda.

O vídeo reuniu em sua coerência de discurso vários argumentos de convencimento: abre com uma estrada sendo percorrida, tendo como fundo sonoro música comovente e a voz de Dilma em sobreposição, contando-se enquanto pessoa, enquanto gente. Os planos imagéticos, seus cortes, o declaratório de Lula e de pessoas que com ela conviveram quanto era perseguida política, tudo, tudo dá o tom documental-pungente à obra.

Observe como as pessoas que falam a respeito de Dilma estão ambientadas em locais onde não há iluminação total. A lua foi esbatida, o que confere à cena um toque de intimismo, naturalidade, quase um diálogo com o espectador. E segue assim toda a peça; emocionando, intercalando passado e presente como se fora um filme - que se encerra também numa estrada, o que confere a Dilma a condição de ser que se transcorre na vida dela participando, ou seja: se arriscando como cada um de nós, vislumbrando o futuro na estrada que se alonga.

O mérito técnico da obra está, então, em seu status poético-documental. Todavia, pontuado pelo declaratório de Dilma, tem o toque do pragmatismo pelo fato mesmo de que ela alude à sua capacidade administrativa e fala de sua resistência à ditadura, à prisão, ao sofrimento. Ou seja: é pessoa - que sofreu -, e é a administradora, quando se manifesta disposta à próxima missão.

Creio que a campanha transcorrerá segundo essa linha, que recorre às formulações emotivas já mencionadas. Formulações contudo embasadas em fatos, que são o passado da candidata. A obra, mesmo ativando a persuasão pela emoção, tem o valor de retratar um personagem plenamente inserido na história recente.

É um belo trabalho de propaganda. O discurso se negando como discurso para cumprir com o papel próprio dos chamamentos. Ela se afirma como pessoa para se dizer candidata. A humanização da pessoa ressaltou a administradora, do ponto de vista midiático e isso também está dido subliminarmente. Como disse, é um belo trabalho de propaganda.

domingo, 15 de agosto de 2010

O Pixador rides again

A dor de cabeça de um candidato

 O problema do Brasil é que nhém-nhém-nhém, nhém-nhém-nhém, nhém-nhém-nhém,entenderam?
Emanoel Barreto

Tenho dito aqui que falta a Serra um discurso, um sentido de causa à sua campanha, com licença da palavra, flébil, quebradiça, sem força de oposição em seu sentido real. Sabedor do capital simbólico de Lula, apoiador-mor de Dilma, ele não tem como atacar o governante sob pena de perder mais votos.

E fica naquilo que seu líder FHC chamava de nhém-nhém-nhém... Uma algaravia de indecisões. Nada do que se esperaria de uma candidatura propositiva, voltada para denunciar um estado de coisas, seguida de um leque de ações estruturais para sua reversão.

Transcrevo da Folha o artigo abaixo, de Janio de Freitas, coincidente com o que tem dito este Coisas de Jornal.

JANIO DE FREITAS


A COINCIDÊNCIA DOS programas de propaganda eleitoral, a se iniciarem nesta semana, com a ultrapassagem de Dilma Rousseff sobre José Serra agora constatada também pelo Datafolha, oferece duas deduções.


Quanto a Dilma, mais significativa do que a conquista da liderança, cedo ainda, a propaganda de TV e rádio é a oportunidade de forçar a continuidade do seu impulso atual e, com uns poucos pontos a mais, alcançar logo a indicação de vitória no primeiro turno.


Essa condição funciona, em geral, como atrativo de votos mais numerosos e mais protetores. É o que se dá, a esta altura, com Eduardo Campos e Sérgio Cabral, com suas crescentes possibilidades de vencer em Pernambuco e no Rio no primeiro turno.


Para Serra, fica evidente que está em sua última oportunidade, ou muito perto dela, de indicar ao eleitorado o motivo de sua candidatura. Que sentido tem, afinal? O que Serra pretendeu a ponto de deixar o governo de São Paulo para lançar-se na disputa pela Presidência?


Sob o peso da aprovação popular de Lula, o próprio Serra diz que não é candidato de oposição, e de fato não se mostra como tal. Adversário da candidata do governo, também não é governista. Logo, o que lhe sobra é uma fímbria pela qual introduzisse algo novo, uma perspectiva capaz de seduzir e convencer aspirações frustradas do eleitorado.


Mas nem vislumbre de alguma ideia assim, até agora. Trata-se de uma candidatura que não se sabe o que representa nem o que pretende além de uma intenção pessoal.


As pequenas lantejoulas que revestem a candidatura de Serra, do tipo "vou duplicar o Bolsa Família" (sem ao menos explicar se em valor ou em beneficiados), ou "vou criar o Ministério da Segurança", "vou restabelecer os mutirões da saúde", e outros "vou" que não chegam a lugar algum, prestam-se a ampliar a impressão de vazio dada na improdutiva preferência de sua campanha pelos minúsculos corpo a corpo.


Ocupar-se tanto em criticar Dilma por estar "na garupa" de Lula? Serra e seus marqueteiros poderiam perceber que assim só confirmam o que é a principal bandeira de sua adversária. Façamos justiça: a candidatura de Dilma e seu êxito são produtos de Lula, como Gilberto Kassab foi de Serra, mas o PSDB e seu candidato não têm regateado facilidades e outras colaborações à candidata governista.


O horário eleitoral traz em ocasião oportuna um recurso que tanto pode ser decisivo para Dilma como para Serra. Os três minutos a mais no tempo da aliança petista não alteram a equivalência das oportunidades: em TV e em rádio, sete minutos - tempo de Serra - já são um arremedo de eternidade.


Oneroso, nesse item, é o minutinho de Marina Silva, cujo sucesso nas palestras não se reproduz em mais do que 10% dos eleitores pesquisados, mas talvez o fizesse, em boa parte, com maior tempo de TV. O horário gratuito segue a regra fundamental brasileira: mais renda concentrada em quem já a tem alta.


Para preencher o tempo até o início da nova fase de propaganda, uma boa especulação é a das causas da queda forte de Serra, quatro pontos em três semanas, e do grande ganho de Dilma, com os cinco pontos que a elevaram a 41 contra 33. O debate na Bandeirantes e as pequenas e ruins entrevistas na Globo não convencem como causa de tamanha reviravolta, até porque já insinuada, antes dos programas, em outras pesquisas.

sábado, 14 de agosto de 2010

Dilma lidera na pesquisa Datafolha


 http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.ojornalweb.com/wp-iJixBA&esq=1&page=1&ndsp=15&ved=1t:429,r:9,s:00
A criatura ganhou vida
Emanoel Barreto


O Datafolha admite afinal o que outros institutos de pesquisa já vinham registrando: o crescimento, ou melhor, a liderança de Dilma Rousseff sobre Serra. Diz o jornal: A candidata do PT, Dilma Rousseff, aparece pela primeira vez na liderança isolada na pesquisa Datafolha para presidente da República. Dilma está com 41% das intenções de voto e abriu uma vantagem de oito pontos sobre seu principal adversário, José Serra (PSDB), que registrou 33% no levantamento.

...
 
A Folha admite que a petista está a três pontos para vencer a disputa em primeiro turno. No texto "A vez da criatura"  analisa a ascendência dilmista e afirma que agora a "criatura" começa a ter vida política própria, liberando-se do "criador" Lula.
 
E alinhava uma explicação rasa e preconceituosa, pelo menos com relação à maioria de Dilma no Nordeste: "A ex-ministra cresceu justamente nos segmentos nos quais a força do cabo eleitoral Lula é maior: entre os habitantes do Nordeste, menos escolarizados e com baixa renda".
 
Pronto. É isso. Os nordestinos somos ignorantes, estúpidos e sempre fazemos as piores escolhas, é óbvio.
 
Trata-se de um velho discurso das elites: quando alguém "do povo" manifesta preferência por candidato que não é do seu agrado logo se justifica: é ignorância, coitados, é ignorância. Se for nordestino então...
 
A candidatura Serra, salvo fato novo, começará  a naufragar efetivamente com o início dos discursos midiáticos do horário eleitoral. O grande problema do tucano é a falta de um sentido de causa ao seu pronunciamento. Não há como arregimentar assertivas que o elevem à condição de ator político salvacionista, o demiurgo, o condottiero.
 
Debalde serão os textos eleborado pelos marqueteiros: a criatura, como diz bem a Folha, ganhou vida...

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Leio na Folha Online a forma como a Rede Globo tratou o candidato do PSOL.(EB)

Crítica de Plínio de Arruda à TV Globo interrompe gravação para o 'Jornal Nacional'



FERNANDO GALLO
DE SÃO PAULO

Um protesto do candidato do PSOL à Presidência, Plínio de Arruda Sampaio, fez com que a gravação de sua entrevista ao "Jornal Nacional", da TV Globo, fosse interrompida.


Em sua primeira resposta, a uma pergunta sobre o fato de o PSOL defender a suspensão do pagamento dos juros da divida e as ocupações de terra, Plínio disse que iria tratar do assunto, mas antes faria uma crítica ao tempo de três minutos que a Globo lhe ofereceu, contra os 12 minutos ofertados a Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PV) e José Serra (PSDB).
O candidato disse que "sempre viajou de classe econômica e nunca viu problema nisso", mas que achava ruim que a emissora "criasse uma classe executiva para os candidatos chapa branca".

Segundo o relato de uma pessoa que acompanhava a gravação, os profissionais da TV Globo interromperam a entrevista e propuseram a Plínio que ele gravasse novamente, desta vez sem a crítica, e em contrapartida o apresentador do "JN", William Bonner, diria que o candidato protestou contra o tempo oferecido a ele.


Após uma negociação, o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) sugeriu a Plínio que ele gravasse uma crítica mais branda, o que foi feito.
A entrevista foi cronometrada e deve ir ao ar na íntegra.

Além do questionamento sobre o pagamento da dívida e as ocupações de terra, o candidato socialista foi questionado sobre a defesa de um novo regime para o país. Plínio respondeu que, embora seja socialista, não pretende criar um caos no país.

Ele disse também que é frequentemente questionado sobre a suspensão do pagamento da dívida, mas que ninguém questiona o calote social na população mais pobre nas áreas de saúde e educação.


A entrevista foi gravada pela manhã no Rio de Janeiro e deve ir ao ar à noite.
A reportagem da Folha procurou a TV Globo para comentar o ocorrido, mas ainda não obteve resposta.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A comovente história de Zezinho da Mooca

O que é não precisa ser dito que é
Emanoel Barreto

Leio no Estadão: Depois do filme “Lula, o filho do Brasil”, o presidenciável do PSDB, José Serra, ganha sua cinebiografia. No documentário “Retratos do Serra”, o tucano é apresentado como “Zezinho”, um cidadão humilde, nascido na Mooca, onde “os vizinhos eram pintores de parede, cobradores de bonde, garçons, operários, quitandeiros, sapateiros e barbeiros”.
Dirigido por Guilherme Coelho, filho de Ronaldo Cézar Coelho, amigo de Serra, o filme foi trabalhado inicialmente para ser um longa, mas acabou dividido em 12 episódios que estão disponíveis agora na internet no site Retratos do Serra.

O filme se propõe a apresentar a vida de Serra. Durante as gravações, a equipe teve acesso a reuniões no Palácio dos Bandeirantes, quando Serra ainda era governador, e em agendas privadas do tucano.


Ao falar sobre o projeto no site, o diretor disse que, como personagem, Serra é “um prato cheio”. “E tem esse lance de ele ser arisco, avesso à exposição desnecessária, ser notívago, escrever invejavelmente e achar que entende de cinema”, afirmou Coelho
.........


O QUE É NÃO PRECISA SER DITO QUE É: o aforismo é bastante claro em sua assertiva. Ou seja: o que é se apresenta por si só em sua condição fenomêmica. É e pronto. O inverso também é verdade - o que não é não precisa ser dito que não é, dada a visibilidade do que não é.


O problema é quando um ator político busca se apresentar como sendo o que não é ou foi. Ao que ficou lido acima, sobre os filmetes sobre Serra, o que se percebe é um trabalho de simulação e dissimulação.
 
Simulação ao se apresentar como o Zezinho da Mooca, numa rala tentativa de comparar seu passado ao passado de Lula. Dissimulação ao tentar com isso nublar sua condição de homem das elites, ligado a partido idem.
 
Se alguém pode escapar ao seu futuro, como Lula pôde escapar ao seu, livrando-se de uma previsível situação de excluído para se tornar um líder, ninguém poderá fazê-lo com relação a seu passado. No caso de Serra - passado recente, passado político e todos os seus periféricos ideológicos.
 
O passado de dificuldades, mesmo grandes, não o equiparam a Lula. Até porque histórias de vida são difíceis se não impossíveis de se mensurar uma em relação à outra.
 
O lamentável é que esses filmetes de Serra no Youtube sejam veiculados como uma solução de última hora, a tentativa de o fazer com raízes populares, cheiro de povo, brado na garganta, punho em riste. Não dá. E os marqueteiros de Serra sabem que não dá.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

De qualquer maneira, ufa! para o PSDB
Emanoel Barreto

Deu na Folha: O senador tucano Alvaro Dias (PSDB-PR) será o vice do correligionário José Serra na chapa presidencial que disputará as eleições deste ano.
Dias confirmou a "convocação" à vice e disse que aceitou a proposta, recebida na manhã desta sexta-feira (25), com "muita honra".
[...] A escolha do senador paranaense vai contra os interesses do DEM, principal aliado do PSDB no plano nacional. Os democratas tentavam evitar uma chapa puro-sangue tucana para emplacar nomes como o deputado José Carlos Aleluia (BA) ou Valéria Pires Franco (PA), vice-presidente do partido.
......

EM MINHAS AULAS de redação jornalística digo sempre aos meus alunos para tomar cuidado com o jornalismo declaratório. Os acontecimentos de declaração, especialmente na política, têm por essência conteúdo ideológico.

Diversamente dos acontecimentos fatuais, que têm começo, meio e fim, sendo portanto mensuráveis em suas causas e consequências, o declaratório muitas vezes é um discurso vazio, ou seja: é calibrado para preencher com sua vacuidade uma certa situação muitas vezes emergencial como é o caso da escolha do vice de Serra.

Observe que o vice diz que "atendeu a uma convocação" e que esta é "honrosa". Ora, nada mais contraditório. Por que a convocação não fora feita antes? E sendo assim é honrosa? Foi por acaso alguma distinção, um reconhecimento, no nascedouro da candidatura Serra, das qualidades cívicas do Senador que certamente as tem?

 Na verdade, ele foi chamado às pressas, a fim de cumprir o que determina a legislação eleitoral. Daí, não houve qualquer "convocação".

Esta foi feita, realmente, no início das tratativas, a Aécio Neves que taticamente a recusou. Segundo se diz, esperava com a recusa, criar ambiente favorável a uma possível candidatura, aí sim, à presidência da República, chegando em meio a uma onda de queremismo, aclamado,corifeu dos tucanos, salvador do seu partido. Mais mineirismo, impossível.

O jornalismo declaratório, é claro, tem importância, desde e quando se revista de plausível objetividade, ou seja, mantenha correlação essencial com fatos e atos coerentes com a assertiva lançada sobre tais fatos ou atos. Quando é usado como desculpa para justificar arranjos é só isso: alguém que falou e disse.

Melhor: é mais coisa de disse-me-disse.

De qualquer maneira, ufa! para o PSDB