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sexta-feira, 10 de março de 2023

Bolsonaro, o magnífico farsante

Por Emanoel Barreto

O bolsonarismo vive uma crise de identidade. Seu ídolo, seu mito, tinha os pés de barro, que se esboroou e já deixa claro que era apenas uma figura tosca balbuciando um discurso trôpego, um enunciado sem mensagem ecoando os valores do senso comum, daí sua penetração e consolidação.

Agora, quando começa a se esfumaçar a imagem do líder,  falsificada pela oportunidade do momento histórico em que se deu a campanha em que foi eleito, o PL, seu partido, chega inexoravelmente a uma pergunta: “E agora?”

A festa acabou, o samba passou, a alegria esgotou-se, a mensagem de brutalidade está seguindo ladeira abaixo, as coisas vão mal, muito mal. O presente de Ali Babá e seus 16 milhões transformou-se num cavalo de troia que desmonta o mito e seus mitômanos.

E o bolsonarismo, então, tenta desesperadamente uma resposta à sua própria pergunta e pretende testar uma resposta: ante a iminente possibilidade de ele tornar-se inelegível estão pensando em colocar em seu lugar a mulher, Michele Bolsonaro.

Trata-se de substituir uma embuste por outro, pôr um simulacro no espaço antes ocupado por um fingidor. Esquecem-se de que a História é irrepetível: um certo momento marcado por intensidades e propostas – por mais aloucadas e estúpidas que sejam – jamais se repete. Ninguém conseguirá fingir o embuste Bolsonaro tão bem como ele.

A farsa pertence ao farsante, somente ele conseguiu produzir o desastre pleno, a derrocada exata e desastrada da tentativa de depor a democracia.

Será inútil a intentona do PL: por mais que Michelle tente, não conseguirá atingir o as alturas da insanidade do marido. Ele foi o magnífico farsante, o mais completo pregoeiro da desgraça – e fez isso muito bem.

 Líderes, mesmo os mais mal-ajambrados, não se fazem nos laboratórios das agências de propaganda. É preciso ter competência até mesmo para ser incompetente, é preciso ter o desejo sincero de ser um arremedo de condutor e presidente.

Ela não conseguirá repetir Bolsonaro. Falhará miseravelmente. Não tem liderança fora do seu acanhado círculo de atuação, não tem o carisma troncho do marido, não vai chamar às ruas a desordem e o golpismo como fez Bolsonaro. Será melhor desistir, antes de preparar a sua própria derrota.

Bolsonaro, ao que tudo indica, começa a passar. Todavia, precisamos ter cuidado com os restolhos que, lamentavelmente, está acumulados, na sarjeta da História. A História não se repete, mas pode criar novos monstros. Certamente outros, profissionais da política, já estão de olho no butim.

 

 

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Vamos ver no que vai dar



A vingança de Cunha 

Ele pode delatar cúmplices;
e assim deletar todo o magote

Emanoel Barreto
(Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)

A captura do ex-deputado Eduardo Cunha pode ser o início da chegada da Lava Jato aos capitães de areia do governo. Só que estes, ao contrário dos personagens amadianos, não são meninos de rua, peraltas, moleques. São taludos homens de negócios políticos; negócios escusos, evidentemente.

Após o pandemônio que isso provocou no governo e periféricos, o ex-vice-presidente-e-ex-vice-presidente-interino-Michel-Temer disse saionara aos seus hóspedes samurais e partiu na tentativa de, chegando, apagar o fogo de monturo que Cunha, acunhado, acendeu no lixão do Brasil. 

Claro, ao dizer adeus deve ter caprichado na pronúncia e dito em alto e bom som: “Saion-nará!”, que é como seus amáveis e formais albergueiros pronunciam a palavra. 

A prisão de Cunha, até onde se pode estimar, pode, caso ele fale tudo o que presumivelmente sabe dos intestinos políticos dos que hoje estão no poder, causar efeitos devastadores junto àqueles. Mas é preciso ter cuidado com o que está em andamento: a prisão se deu sem alarde ou midiatismos. Foi discreta, respeitosa. 

Creio que trata-se apenas de um gesto jurídico-retórico para justificar a prisão de Lula e inviabilizar uma possível candidatura à presidência em 2018.

Tido como um “planejador obsessivo” no dizer do jornalista Janio de Freitas em sua coluna da Folha, Cunha teria há tempos programado sua defesa, quer dizer seu ataque tático-destrutivo em resposta ao abando e à sensação de desamparo que agora tem em relação aos antigos aliados. 

O ex-deputado tem já o esboço de um explosivo livro de memórias; relato de tudo o que foi perpetrado, conluios, lucros, butins e patranhas na área e nas praias de PMDB e PSDB. Com relação a tais aspectos Janio de Freitas, todavia, faz um alerta: “o catálogo de casos e nomes denunciáveis” pode favorecer a situação de Cunha.

E explica o jornalista: “ Se não por influências externas sobre o seu inquérito, para delimitá-lo, poderia pelo próprio modo de ação da Lava Jato.” Continua: “Tanto porque o grupo de procuradores e policiais federais evita, até onde consegue, temas e nomes alheios à sua prioridade absoluta, que são Lula e o PT; como por ser ignorada e temida a dimensão do desarranjo que Eduardo Cunha pode causar. A ventania tóxica se estenderia até o hemisfério norte.”

Não há, isso é bastante claro, intenção e vontade de chegar ao alto tucanato e, especialmente, ao topo de tudo, ou seja: atingir-se o diante do trono onde se assenta o ex-vice-presidente-e-ex-vice-presidente-interino-Michel-Temer. 

Mas é verdade que caso haja a mais mínima possibilidade de denúncia dos becos e vielas dos que hoje se encontram ao timão da nave louca, surgirá pelo menos o levantamento de parcela da opinião pública para dizer que vivemos vergonha e farsa.

Vejamos agora como os fatos serão produzidos, criados e vividos. Mas de uma coisa estou convicto: Cunha sabe que, se delatar – sob prêmio ou não –, deletará da dolce vita muitos de seus antigos companheiros de caudal e de horda. Com isso todos estão com muito medo, não duvide.
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Vingança – Política pequena e mesquinha a da prefeitura de Jucurutu. Devido à derrota do prefeito George Queiroz, que não se reelegeu, foi suspenso o serviço de ônibus que o município mantinha para atender ao deslocamento de estudantes a aulas em outras cidades. 

Terrível Moradores de Parnamirim convivem com ruas esburacadas e capazes de destruir molas e amortecedores até mesmo desses mais poderosos carros quatro por quatro.  Na avenida Gastão Mariz, imediações do Condomínio Itatiaia, qualquer chuva mais forte transforma aquele local em verdadeiro mar. Moradores já falam em contratar os serviços de Moisés, a fim de que lhes propicie algo idêntico ao milagre do Mar Vermelho. É que quando chove a coisa ali fica preta.

Polícia e greve – A Polícia Civil do RN fez uma “paralisação de advertência” para avisar ao governo do estado de sua insatisfação com os problemas salariais da corporação. Os agentes e delegados já voltaram ao trabalho. 

Criminosos – É injusto o não-pagamento dos salários, mas parece-me seja ilegal greve da polícia. Mobilizar a sociedade civil em favor dos policiais seria, creio, a melhor solução. O inverso é aliança inercial com os criminosos. 
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ZOORÓSCOPO
Minhoca – na situação brasileira é sugere-se que os nascidos sob este zoosigno procurem terra bem fofa e macia para se esconder. Tal zoosigno é típico de trabalhadores, especialmente aqueles que mais dependem dos serviços públicos de um modo geral, moram em favelas, subúrbios e arrabaldes e morrem nas filas do SUS. Como estão acostumados a ser pisados aprenderam há muito tempo a meter-se na terra para escapar. Com relação a previsões acautelem-se: tudo deverá piorar. Mesmo com a prisão de Eduardo Cunha. Pelos próximos 20 anos os minhoquianos serão tratados como vermes.  


sábado, 10 de março de 2012

A história secreta da construção da Arena das Dunas

A Torre de Babel também constará dessa magnífica arrancada para o progresso

O Governo afinal poderia mostrar serviço: iria construir um hospital. Antes, porém, o Secretariado reuniu-se e decidiu que o hospital deveria funcionar numa nuvem. Assim poderia se deslocar por todo o estado e prestar um excelente serviço ao povo. Abriu-se a competente licitação. Grandes e conceituadas empresas nacionais e internacionais, com inesgotáveis currículos em construção de grandes obras em nuvens se apresentaram, e a mais graduada delas foi  escolhida.
http://www.google.com.br/imgres?hl=pt-BR&client=firefox-a&hs=J49&sa

A empresa montou seu canteiro de obras em grandes, enormes balões estratosféricos, mas surgiu um problema: não havia nuvens, ou melhor, uma nuvem suficientemente grande para dar-se início à grande obra. O Secretariado então se reuniu e chegou à conclusão de que seria necessário contratar empresa especializada na fabricação de nuvens especiais, nuvens que fossem capazes de sustentar um hospital como aquele, grandioso e altamente necessário à rede pública de saúde.

Foi novamente aberta licitação e grandes construtoras de nuvens compareceram ao certame, sendo escolhida sem dúvida a mais competente. Mas, houve outro problema: para construir nuvens seria necessário uma altíssima montanha, pois assim seria mais fácil a nuvem ser fabricada e ganhar altura. E, claro, veio a mais qualificada empresa de construção e erguimento de montanhas, e foi contratada.

Afinal, todas as empresas trabalharam, cada um em sua especialidade e o monumental nosocômio foi dado como pronto. Todavia, desde o início das obras até sua conclusão haviam se passado muitos anos, o Tesouro fora levado à falência e, o que é pior, todo o povo morrera por falta de assistência médica, já que não havia hospital para atendimento. E como não havia mais povo, muito menos os doentes, o hospital era agora desnecessário. O que fazer?

Resposta: o Governo tomou grandes empréstimos com um grande objetivo: iria importar doentes e afinal inaugurar seu hospital. Mas doentes, especialmente doentes importados, doentes fabricados em países distantes e de grande evolução industrial, custavam muito caro. Não deu para comprar. O Governo então tomou sua mais sábia decisão: contratou grande entidade especializada em fazer chover. E a empresa veio e fez chover, transformando em chuva a nuvem onde estava o hospital, que veio abaixo de forma estrepitosa para gáudio da equipe governamental.
https://www.google.com.br/search?q=torre+de+babel&hl=pt-BR&client

Houve uma grande, torrencial inundação. E quando a inundação passou, os olhos estarrecidos de quem sobrou puderam contemplar tudo de bom que fora feito pelo governo: dos escombros surgiram as formidáveis obras da Arena das Dunas. E, como o Governo não descansa, agora estamos esperando pelas obras de mobilidade urbana para a Copa de 2014.

Nota da Redação: ao encerrarmos esta edição fomos informados que, para acompanhamento das obras de mobilidade urbana, foram recuperadas as plantas da Torrre de Babel, cujas obras terão início em caráter de urgência urgentíssima. Lá de cima, os governantes - que teem grande visão -, poderão contemplar como serão grandiosas e vastas, a perder de vista, as obras de mobilidade urbana.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Carreira Docente: avanços ou entraves?





Editorial publicado na coluna da ADURN no Jornal Tribuna do Norte, dia 14/08/2011


As negociações sobre a Carreira Docente entram numa fase decisiva. No último dia 09 de agosto, o Governo, o PROIFES e o ANDES-SN se reuniram uma vez mais para negociar a nova carreira. Na mesa de negociação foram discutidas medidas emergenciais, cujo impacto orçamentário precisará ser previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA).

O ponto positivo é que o Governo sinaliza uma abertura para negociação mesmo após a definição de uma agenda prioritária que atenda o prazo final que o Governo tem para enviar sua proposta de LOA ao Congresso Nacional, que é de 31 de agosto. Segundo o Secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Duvanier Paiva, o debate continuará após essa data, de forma a contemplar a continuidade das discussões sobre carreira e salários.
Na mesa, o governo propôs às entidades dois passos para a reestruturação da carreira. O primeiro seria a correção das distorções do enquadramento ocorridas por ocasião da criação da classe de Professor Associado, quando os professores doutores só puderam progredir para Associado 1, independentemente do tempo em que estavam represados em Adjunto 4. O segundo passo seria a incorporação da Gratificação Específica do Magistério Superior (GEMAS) ao vencimento básico.
Contudo, as propostas, ainda que sejam reivindicações nossas, são muito pequenas e não atendem nossa categoria. O presidente do Proifes, Gil Vicente, lembrou que para que a entidade possa assinar qualquer acordo com o Governo, dois princípios básicos devem ser contemplados: o tratamento equânime às carreiras do MS e do EBTT, o que significaria, neste caso, que também a Gratificação Específica de Atividade Docente do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (GEDBT) deva ser incorporada, se a GEMAS o for; e, igualmente, ativos, aposentados e pensionistas têm que receber do Governo tratamento isonômico, o que significaria que os aposentados doutores, ao menos, deveriam também ser reenquadrados como Associados.
Mas, além da Carreira, é necessário um olhar sobre a nossa remuneração, pois a possibilidade real de não termos sequer a recomposição de perdas inflacionárias de 2010 pode iniciar um novo ciclo de perdas salariais já bem conhecidas por nossa categoria.
Há vários aspectos na nova carreira, que merecem um debate profundo, a fim de se evitar que o Governo, através de um discurso sobre a necessidade de pressa no envio de um Projeto de Lei, atropele os interesses da categoria. Para isso, o PROIFES convocou uma reunião extraordinária com todas as ADs e sindicatos recém constituídos para segunda, 15 de agosto, com o objetivo de discutir a conjuntura política, reafirmar os pontos mínimos para a possível assinatura de um acordo com o Governo Federal e elaborar as estratégias para a última reunião da rodada de negociações, que acontece às 19h. Na terça-feira, dia 16, as entidades voltam a se reunir com o Proifes para avaliar o resultado da mesa de negociação e deliberar sobre encaminhamentos.
Após a elaboração da proposta final na mesa de negociação, o ADURN-Sindicato debaterá a mesma com os docentes sindicalizados. Temos que convencer o governo que esta proposta não atende a categoria, e reafirmar a posição do VII Encontro do PROIFES, para que tenhamos uma proposta equilibrada para todos os professores. A categoria necessita de uma carreira que seja coerente com o esforço de cada um para a sua titulação, para o aprofundamento do processo de pesquisa e extensão.
É preciso manter a perspectiva da negociação, mas também a da firmeza dos interesses da categoria. É hora do Movimento Docente buscar unidade de ação para uma Carreira mais justa e que recupere o papel do professor universitário na sociedade brasileira.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Hackers LulzSecBrazil Atacam Site Brasileiro - Veja a Mensagem

Neste vídeo, os hackers que vêm atacando sites do governo brasileiro enfatizam sua ação com um discurso universalista. Algo como se estivéssemos vivendo um mundo guiado pelo Grande Irmão, sendo eles o grupo contra-hegemônico. Apresentam-se como onipresentes e capazes de denunciar e trazer a público atos e práticas corruptas mantidas em segredo. Utilizam-se de linguagem típica de filmes de ficção científica e têm no personagem de  "V de vingança" seu avatar. Veja o vídeo.

Um recado dos hackers LulzSecBrazil

O grupo hacker LulzSecBrazil que vem atacando sites do governo brasileiro divulgou no Youtube vídeo em que convoca uma grande mobilização contra "governos corruptos". Esse tipo de ação aparentemente busca assumir conotações político-ideológicas. Seria um neo-oposiconismo, cujos reais propósitos ainda precisam ser devidamente analisados.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Vejo na Folha suíte de matéria sobre esquema de ocultação da farra da Copa 2014. Compartilho.
 
Governo esconde gastos com novas obras da Copa

Ministério recua e não assegura mais divulgação de despesas na internet

Relator dos projetos do Mundial no TCU considera grave a falta de transparência dos gastos públicos


DIMMI AMORA
DE BRASÍLIA

O governo federal decidiu que não vai mais divulgar todos os gastos com obras e serviços contratados para a Copa do Mundo de 2014.
Em ofício enviado ao Tribunal de Contas da União, o Ministério do Esporte avisou que a prestação de contas de novos contratos de valor estimado em R$ 10 bilhões vai depender da "conveniência do Poder Executivo".

Esse é o segundo recuo do Planalto quanto à transparência das informações das obras da Copa. Anteontem, ele mudou a redação da nova Lei de Licitações e tornou sigiloso também o orçamento inicial. O projeto foi aprovado pela Câmara e ainda será examinado pelo Senado.
Se a mudança for mantida, órgãos de controle como o Tribunal de Contas da União só serão informados sobre as previsões de gastos se o governo achar conveniente, o que poderá prejudicar a fiscalização dos projetos, como a Folha mostrou ontem.

Quando se candidatou a sediar a Copa, o Brasil se comprometeu com a ampla divulgação de suas despesas com o evento. "Todos os gastos públicos serão acompanhados pela internet por qualquer cidadão brasileiro ou do mundo todo", disse o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em julho de 2010.
O Planalto prometeu divulgar no Portal da Transparência, mantido pelo governo, na internet informações detalhadas sobre os gastos.

Agora, segundo ofício do Ministério do Esporte, o site só acompanhará contratos que já tinham começado a ser divulgados. A inclusão de novos gastos em áreas como segurança e telecomunicações não é assegurada.

O TCU aponta em relatório outro problema: o portal não tem sido atualizado.
Os técnicos afirmam que não aparecem no site pouco mais de R$ 500 milhões gastos em obras e serviços das rubricas que a pasta prometeu continuar a divulgar.
Entre as obras está a intervenção urbana na rodovia BR-163, em Cuiabá, avaliada em R$ 357 milhões.
Também não foram atualizados os orçamentos das obras dos estádios. O custo do Maracanã, por exemplo, cujo projeto foi modificado, saltou de R$ 600 milhões para cerca de R$ 1 bilhão.
O relator dos projetos da Copa no TCU, ministro Valmir Campello, considerou grave a predisposição do ministério em não prestar todas as informações.

"Não vejo como tratar desse fluxo de informações sem uma ciência ampla de todas as ações envolvidas", escreveu em relatório analisado na quarta-feira. "[Isso] representa uma prévia assunção às cegas dos riscos envolvidos para a realização bem-sucedida do Mundial."
O TCU determinou que até o fim de julho o Ministério do Esporte detalhe seus planos para segurança, turismo, saúde e outras áreas e atualize essas informações a cada quatro meses. E que atualize, ainda, os cronogramas de obras que já estão no portal.

Segundo o TCU, esta parte do planejamento está atrasada. O ministério não respondeu aos questionamentos da Folha alegando que ainda não foi informado pelo TCU das críticas feitas no relatório de Campello.

domingo, 10 de abril de 2011

Deu no Estadão:



100 dias de Dilma: a mulher é o estilo

No pós-Lula, a primeira presidente a comandar o Brasil consolida sua marca ao imprimir pulso forte, porém discreto, à gestão; ajuste das contas e ameaça de inflação ainda são desafios



 Dilma Rousseff completa neste domingo, 10, 100 dias no cargo de presidente da República com o feito de ter dirimido a dúvida mais mordaz lançada contra ela por seus opositores durante a campanha eleitoral do ano passado: seria Dilma, criada à imagem e semelhança de Lula, capaz de comandar o País sozinha? Para silenciar os críticos nesse quesito, a primeira mulher a ocupar a Presidência fez questão de imprimir a marca de uma governante austera e discreta.
Veja também:
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Pulso forte para apagar a sombra do 'mito' do Planalto
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Tais características provocaram comparações inevitáveis com seu antecessor e padrinho, um político afeito aos discursos e ao embate direto com a oposição, a mesma oposição que, para fustigá-lo e tentar enfraquecer seu mito, passou a elogiar o jeito de Dilma comandar o País. A presidente, no entanto, nunca incentivou de público esse paralelismo, ainda que na política externa e na questão dos direitos humanos tenha adotado medidas frontalmente contrárias à atuação de Lula na área.

Os afagos da oposição se restringiram à forma. No PSDB e no DEM, ganham corpo as críticas ao conteúdo: "gastança" do governo, desaceleração do PAC e ameaça de inflação. O corte de R$ 50 bilhões no Orçamento não convenceu o mercado e os opositores de que as contas públicas estão sob controle. Dúvidas de gestão à parte, resta ao fim dos 100 dias a certeza de que Dilma se impôs. Parafraseando o francês conde de Buffon (1707-1788), para quem "o estilo é o homem", hoje "a mulher é o estilo".

 

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Um menino pobre, um engasgo e uma vida posta em risco

Leio no blog Abelinha.com, de Eliana Lima:

Na falta de UTI Pediátrica nos hospitais do Estado, e de atitudes para providenciar, a Prefeitura de Natal entrou em campo para salvar a vida do menino Matheus Brito da Silva, 3 anos, que estava na UPA do Pajuçara necessitando urgentemente de ser transferido para uma UTI.

Na primeira hora desta sexta-feira (18), 1h, Matheus foi transferido numa ambulância do Samu para uma UTI no Hospital Antônio Prudente, do Hapvida.

Antes, o secretário Thiago Trindade tentou no Papi, mas a única UTI disponível foi à preferência de particular que chegou em estado grave. Caso não desse certo no Hapvida, já se estudava a instalação de uma UTI improvisada no Hospital Walfredo Gurgel, conforme informou ao blog, noite de ontem, o secretário de Comunicação da Prefeitura, jornalista Jean Valério.

Mas a demora pode ter sido faltal para Matheus. Seu estado se agravou. Muito grave. A demora para a transferência pode resultar na sua partida. Apenas três anos, antes saudável e cheio de vida para brincar, o que, aliás, gostava e fazia bastante.

Matheus estava bem atendido na UPA, entubado, respirador adequado, mas necessitava de uma UTI e de acompanhamento neurológico. Como a unidade não dispõe de médico neurologista, em nenhum momento ele foi observado por um. Precisou passar por tomografia computadoriza, não não houve possibilidade para fazê-lo no Walfredo. E desde quarta-feira que sua vida – alertada por várias vezes neste blog e no twitter.com/elianalima – corria sérios riscos. Mas o socorro necessário não chegava. Apenas na madrugada desta sexta.

Matheus engasgou-se com um caroço de pitomba, ficou asfixiado, teve parada cardíada e foi atendido a tempo pelo Samu Natal. A partir daí começou mais um processo de angústia e desespero dos profissionais do Samu. Motivo de sempre, de todos os dias: falta de UTI nos hospitais públicos. A solução foi encaminhá-lo para a UPA do Pajuçara, onde foi bem atentido, mas sem UTI e neurologista, insuficiente para salvar sua preciosa vida em desenvolvimento.

Agora é rezar e esperar que um milagre faça Matheus voltar à vida de antes.
Em tempo: o problema de engasgo  é um dos maiores vilões que ceifam vidas de crianças. Muitas vezes por falta de orientação dos próprios pais. É passada a hora das autoridades de saúde pensarem, e realizarem, uma campanha de prevenção contra o engasgo.
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É aí onde bato na tecla: Natal precisa de um estádio de futebol para a Copa de 2014, quando se realizarão jogos de segunda categoria, ou de UTIs em hospitais públicos? Nem preciso responder. Se as autoridades tivessem mesmo o compromisso que alegam ter com a sociedade, o caso desse menino possivelmente já teria sido solucionado. 

E quanto refiro a autoridades não me dirijo às atuais prefeita ou governadora.  Incluo todos os que as antecederam. Autoridade, digo, em seu  sentido histórico, Poder Público. atuante, proativo. Esse problema é antigo e jamais enfrentado com a decisão política  necessária e enérgica em busca de solução.

A jornalista detalhou, ademais, aspecto estarrecedor: o menino, pobre, deixou de ser atendido em favor de paciente "particular".

O que se vê então, até o momento em que redijo, é uma situação dramática, em que a Prefeitura busca uma solução emergerncial. Louvável, mas emergencial. Tentei falar com o secretário de Comunicação da Prefeitura, Jean Valério, mas a ligação caiu na caixa postal. Deixei recado e aguardo resposta. 


sábado, 5 de fevereiro de 2011

A lenta derrocada de um ditador

Diz a Folha:

Mubarak deve permanecer durante transição, diz enviado dos EUA

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Revolta Árabe O ditador egípcio, Hosni Mubarak, um "velho amigo" dos Estados Unidos, deve seguir em seu posto durante a transição democrática, disse neste sábado o enviado especial para o Egito do presidente Barack Obama, Frank Wisner. 

"Necessitamos chegar a um consenso nacional em torno das condições prévias para dar um próximo passo à frente. O presidente deve permanecer em seu cargo para liderar essas mudanças', disse Wisner, a um encontro sobre segurança em Munique, sul da Alemanha, através de uma videoconferência. "A continuidade da liderança de Mubarak é decisiva", acrescentou. 

Segundo o enviado especial de Obama, que nesta semana reuniu-se com Mubarak, para o ditador egípcio "é a oportunidade de escrever seu próprio legado. Ele dedicou 60 anos de sua vida a serviço do país, este é o momento ideal para ele mostrar o caminho a seguir". 
...

A participação dos Estados Unidos no episódio tem um objetivo: assegurar sua hegemonia na região; nada de garantir "a continuidade da liderança de Mubarak" em meio ao processo de transição. Mubarak, a rigor, não lidera mais nada, nem está mostrando qualquer "caminho a seguir". Ninguém lidera sua própria débâcle ou aponta qual o melhor caminho para o seu fim.
Corrente de soldados na praça Tahrir, no centro de Cairo;  Mohammed Abe/AFP


Assim, é preciso dar às coisas um certo ar de organização e de grande política, uma espécie de respeitabilidade mofada. É a farsa do poder em sua mais abjeta expressão. 

O ditador do Egito, desde o início das mobilizações, já dava mostras de que não teria forças para se impor aos que o contestavam: dada a magnitude dos protestos, e com a real ameaça à sua perpetuação no comando, poderia simplesmente ter determinado às tropas que dissolvessem as multidões à bala, e isso teria sido fácil. Por que não o fez? Simples: não conseguiria suportar a pressão da opinião pública mundial e isso, ao invés de mantê-lo à testa do governo, apressaria sua derrubada. O banho de sangue o levaria de roldão.

Desta forma, Mubarak esperou que os protestos arrefecessem, o que não aconteceu. Os Estados Unidos perceberam que seu "velho amigo" estava mumificado e resolveram passá-lo ao museu da história, mas de forma o mais amena possível. Retirar Mubarak pura e simplesmente seria dar ao movimento força suficiente para atirar longe o jugo e assumir o protagonismo. Logo, foi melhor buscar uma saída lenta, retirando à voz das ruas sua condição revolucionária.

Saindo ele em meio a processo político negociado fica para a história que foi isso mesmo, uma saída. O contrário seria deposição. E tudo o que os americanos não querem é um novo governo que não lhe seja obediente. Um governo que chegou a se constituir como tal pela força popular. O que se deseja, do ponto de vista americano, é um governo com quem possa, no day after, manter algum tipo de relacionamento estável.  

O Egito, do ponto de vista geopolítico, é importante demais para que os EUA negligenciem com ele um bom relacionamento. A história, contudo, está a se fazer. Os passos a seguir serão de importância vital para o futuro próximo. O novo governo, se merecer mesmo esse nome, tem a seu encargo a administração de um espólio de pobreza e miséria extremos e com essa situação o povo egípcio disse que não quer mais conviver. Que o novo governo seja mesmo novo. Não mais uma praga do Egito.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Na Folha:

Novas fotos únicas de índios isolados no Brasil 31 Janeiro 2011

Novas fotos obtidas pela Survival International mostram índios isolados em detalhe nunca visto antes. Os índios vivem no Brasil, perto da fronteira com o Peru, e estão no episódio ‘Jungles’ (‘Selvas’) do programa ‘Human Planet’ (Planeta Humana) da BBC1 (qui 03 de fevereiro, 20:00 GMT). 
 
As fotos foram tiradas pela Fundação Nacional do Indio, FUNAI, que autorizou a Survival International utilizá-las como parte de sua campanha para proteger o território dos índios isolados. Elas revelam uma comunidade próspera e saudável com cestos cheios de mandioca e mamão fresco cultivados em suas roças.
Le immagini mostrano una comunità prospera e forte con ceste piene di manioca e papaia appena raccolte nei loro orti.
http://www.uncontactedtribes.org/fotosbrasil
A sobrevivência da tribo está em sério perigo por causa da entrada de madeireiros ilegais que estão invadindo o território dos índios isolados no lado peruano da fronteira. As autoridades brasileiras acreditam que o influxo de madeireiros está empurrando índios isolados do Peru para o Brasil, e é provável que os dois grupos entrarão em conflito. 
.....

A civilização está perigosamente próxima a esses índios. Objetivo: expulsá-los de suas terras, espoliar, contaminar e destruir a sua cultura e afinal garatir o lucro de madeireiras dirigidas por criminosos que veem no meio ambiente apenas "recursos" e nos índios um estorvo. E tudo ante o olhar indiferente de um Estado leniente e tardo.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Rosalba pode curar escrófula?

A governadora eleita Rosalba Ciarlini anunciou que cortará 30 por cento dos cargos comissionados. Por sua vez, a equipe de transição informa que o Estado tem dívida de 800 milhões. A ideia de redução de cargos é boa, mas os seguidos anúncios de que o Rio Grande do Norte estaria em situação pré-falimentar, sugerindo esse mesmo discurso que "Rosalba é a solução"e que sua simples presença teria o condão de Midas de transformar ferro retorcido em ouro, pode criar um problema para a governadora.

Isso, pelo simples fato de que problemas conjunturais graves, como a eterna e extenuante crise no Walfredo Gurgel, onde as pessoas sofrem como se estivessem na antecâmara do inferno; e questões estruturais como o alavancar da economia, não se resolvem da noite para o dia. A criação de expectativa exagerada quanto ao desempenho de um agente político pode se transformar de otimismo midiático histérico em débâcle estrondosa caso as soluções não brotem do chão administrativo como esperam assessores e aduladores.

A visibilidade de governantes é um fenômeno frágil como o papel de arroz que serve de divisória às graciosas casas japonesas. É preciso saber preparar - e preparar para durar - a imagem de um governante. Assim, entre o discurso e a imagem pública que dele resulta; entre o discurso e seu confronto como real pode haver uma ponte firme como a estátua do Cristo Redentor ou um abismo que surge rugindo do Hades da política. Isso porque, incondizendo as promesas do líder como um real que não se muda da noite para o dia; discrepando suas promessas com o que efetivamente pode e pretende fazer, podem tornar-se baldadas até mesmo as mais boas intenções - manietadas que são ao peso da ciclópica  máquina ciclópica que tem a agilidade de um leão-marinho.

A publicidade, o marketing de Rosalba, deveria ficar atento ao excesso de otimismo que se quer instaurar frente a um quadro administrativo que se diz ser alarmante. Isso pode induzir a opinião pública a ser desperta e passar a cobrar um governo de resultados imediatos, um governo que obra milagres do mesmo modo como se dizia na Idade Média que a imposição da mãos do Rei curava escrófula.