O buraco no Brasil é
mais em cima

Alguém que deveria ser a agir
como uma autoridade – com lisura, respeitabilidade, honradez, competência, seriedade,
etc, etc, etc... é, na verdade, um reles criminoso. De paletó e gravata, é
certo, mas um criminoso.
E o buraco, o buraco que é mais
em cima, está nas cabeças que tomam decisões, encaminham os destinos nacionais,
institucionalizam terríveis decisões e instauram o pavor e a incerteza como
norma troncha a reger a vida e o cotidiano dos desprotegidos.
A foto, publicada na edição de
hoje de O Globo, registra instante em que Pezão se encontrava em Brasília buscando
– é o que diz –meios de resolver a questão da insolvência administrativa do Rio
de Janeiro.
Insolvência que ele e seu antecessor,
Sérgio Cabral, ajudaram com grande empenho a construir.
Temos absurdos para todos os
lados: ontem, a socialite e presidiária Adriana Ancelmo, ex-primeira-dama do
Rio, negou-se a permitir a entrada de agentes da Polícia Federal que haviam ido
a sua casa, digo, à sua luxuosa cela, vistoriar se a delinquente estava
cumprindo com a determinação de não ter acesso a telefones e internet.
A infratora negou acesso aos
policiais sob alegação de que seus nomes não lhe haviam sido previamente
comunicados.
Finalizando: depois de
solucionado o mal-entendido a
celerada permitiu que fosse feita a inspeção. Pode?
Mais: a cassação de Temer promete
arrastar-se até o próximo ano sob alegação de que, tomada a decisão de tirá-lo
do poder isso traria “instabilidade” ao país.
Mas, já não somos uma
instabilidade permanente? Não deambulamos ao longo da história?
Crise após crise cumprimos a
farsa de garantir que os de sempre permanecerão em sua situação privilegiada. Tal
situação volta naturalmente ao ponto inicial favorecendo o cartel político, prolonga-se
indefinidamente e se refaz continuamente na crise, pois é dela que vive. E lucra.
Não tenho outra conclusão: o
buraco, no Brasil, é mais em cima.