E aí eu perguntei ao vice de Lula: “Isso é uma sociedade de
capital e trabalho?”
No
texto anterior falei a respeito da figura do empresário José Alencar, candidato
a vice na chapa encabeçada por Lula. Afirmei que tal chapa era um paradoxo, algo inexplicável por reunir sob o mesmo pálio um trabalhador e um patrão. Entendi que tal fato foi a pista histórica
que exibia, já em 2002, quando a chapa foi lançada, as inconsistências e
fragilidades da prática do PT, que contribuíram para a situação hoje vivida pelo partido.
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Alencar: mineiridade e carisma no Xeque-Mate (Foto: arquivo pessoal) |
E tive oportunidade de falar desse paradoxo ao próprio
Alencar, quando ele compareceu à TV Universitária para participar do programa
Xeque-Mate*, que eu havia criado e então dirigia com a participação de
estudantes de jornalismo da UFRN. A entrevista com Alencar deu-se em 2002, não
lembro o mês.
Alencar
e Lula estavam em campanha; o candidato a vice comparecera a Natal atendendo a chamado
de entidade empresarial para proferir palestra.
Entendi
que era uma ótima oportunidade para que os alunos participantes do programa
tivessem a oportunidade de entrevistar figura de expressão nacional. Mandei que
a produção fizesse a ele o convite, explicando que se tratava de programa
laboratório de estudantes de jornalismo. Aceitou prontamente. Não estabeleceu limites
ou fixou temas tabu. Falaria a respeito do que fosse perguntado.
Afável,
conseguiu retirar dos alunos o natural nervosismo dos iniciantes. Falou com eles
como se fosse um grande avô: sorria e abraçava. Estava ali uma das chaves, sem dúvida,
para a aliança: a facilidade de o candidato a vice se comunicar.
Passado
o momento das apresentações fomos ao estúdio, entrou a logomarca
animada e começou a entrevista.
Eu abri o programa e perguntei qual seu
papel na candidatura de um ex-operário à presidência da república: seria ele o
fiador de Lula junto aos segmentos conservadores?
A
mineiridade de Alencar funcionou às mil maravilhas: garantiu que não; que Lula
tinha capital político suficiente para levar adiante a empreitada e que ele,
Alencar, era o vice; só isso.
Justificou
a aliança a partir do fato de que seria preciso quebrar arestas e fixar entre trabalhadores e patrões um processo de diálogo. O clima da entrevista era
o melhor possível: não era meu intuito estabelecer o que tecnicamente chamamos
de entrevista de confronto, mas conhecer, nos limites de uma entrevista, um candidato a vice-presidente e suas
visões de mundo.
Os
alunos entraram na conversa, fizeram perguntas, estabeleceram excelente contato. Retomando a palavra perguntei:
“Essa chapa não seria uma espécie de sociedade de capital e trabalho?”. Ele manteve
o bom humor e garantiu que não. Havia apenas um processo de convergência e blá,
blá, blá.
A entrevista
foi pontuada por momentos de grande descontração. Falou-se em mineirismo e
mineiridade, ele contou causos e esbanjou cordialidade.
Num
determinado momento disse que se o Brasil se tornasse um pais socialista e ele
perdesse tudo –há sempre essa coisa de as pessoas perderem tudo com o
socialismo – e ele, por exemplo, fosse obrigado a ser gari, buscaria ser o
melhor gari, deixando a rua sob sua responsabilidade a mais limpa possível.
Com
isso, disse, queria enfatizar sua capacidade de não desistir nunca, como o
fizera desde o início de sua vida empresarial. A entrevista passou-se num clima de
perguntas objetivas e respostas esquivas; esquivas mas sempre bem formuladas e elegantes.
Eu sabia que eram respostas políticas, respostas táticas, mas não havia como
negar o declaratório competente e carismático.
Ao final
restou-me a lembrança de um momento muito especial, mesmo que cifrado pelo sutil
discurso de um candidato que conseguia escapar a todas as indagações e ainda colaborar
para transformar o programa em agradável e instigante atração para o
telespectador.
PS: Mas
que era uma sociedade de capital e trabalho, era.
*O Xeque-Mate que criei foi a versão televisiva de evento com a mesma denominação realizado nos anos 1970 na Fundação José Augusto onde funcionava o curso de Jornalismo depois agregado à UFRN.
ZOORÓSCOPO
Pavão: são os
vaidosos. Gabam-se do que sabem fazer e ostentam tudo o que podem. Mesmo que
seja sua própria estupidez. O destino dos que nascem sob este zoosigno é ganhar
fama. Se com a fama vier dinheiro, ótimo; o perigo é quando o pavoniano,
iludido e atacado por alguém nascido em cobra descobre tarde demais que pavão
voa, mas não muito...
Morte de Marília Pera
Vejo na
net notícias sobre a morte de Marília Pera, aos 72 anos. Era múltipla: atriz,
cantora, bailarina, diretora, produtora e coreógrafa. Não é pouco.
Trabalhou em
mais de 50 peças, cerca de 30 filmes e 40 novelas, minisséries e programas de
televisão. Um dos últimos trabalhos foi a participação na série "Pé na
Cova', da TV Globo, onde fazia a personagem Darlene.
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http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/12/morre-no-rio-atriz-marilia-pera.html |
Ruas de Parnamirim
Tenho
visto muita matéria mostrando aspectos positivos da administração de Parnamirim. Na sequência vou mostrar o estado de algumas ruas. É de dar medo.
Stones vão rolar no Brasil
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AP Foto/Rankin |
Olhaí: os Rolling
Stones estão de volta. Os velhos e bons guys ingleses continuam na estrada
fazendo música e consolidando a lenda. É a geração dos anos 1960 pautando ainda
a garotada de hoje. Os preços dos
ingressos dos shows: no Rio e em São Paulo as entradas vão de R$ 130 a R$ 900;
em Porto Alegre de R$ 175 a R$ 900. Os Stones retornam ao Brasil dez anos depois
do show no réveillon da praia de Copacabana.
Os shows serão no Rio (Estádio do Maracanã, 20 de fevereiro de 2016); São Paulo (Estádio do Morumbi, 24 e 27 de fevereiro) e em Porto Alegre (Estádio Beira-Rio, 02 de março).