Nova História do Brasil --
Baseada em fatos reais -- (PARTE 1)
Caros Amigos,
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Era uma vez uma terra que um dia viria a ser chamada de Brasil. Os índios
viviam lá mas como não sabiam que ali seria o Brasil, nada de mal acontecia. As
florestas eram enormes, eles nem desconfiavam o que era poluição, não havia
deputado, senador, presidente. Nem ao menos um vereadorzinho existia. E nada de
mal acontecia.
Não havia fábricas fumacentas,
salário mínimo, escolas sem funcionar, traficantes, assaltantes, empresários
corruptos, juízes mancomunados com bandidos ou funcionários públicos bocejantes
e safados. E, claro, nada de mal acontecia.
Não havia televisão berrando o
dia todo que é preciso comprar celular, que celular é a coisa mais importante
do mundo; não havia devastação das florestas, nem água com nitrato, nem meninas
se prostituindo no calçadão.
Não havia sequestros, desvios de
verbas públicas, operações espetaculares
da polícia federal, caixa-dois, campanhas políticas, partidos, ONGs criminosas,
sabidões sempre à espreita. E nada de mal acontecia.
Quando foi um dia, chegaram uns
portugueses e disseram aos índios: "Índios, aqui é o Brasil."
Os índios ficaram assim, e
disseram: "Não aqui não é Brasil. Aqui não é nada. É só terra da gente."
Os portugueses consultaram suas
cartas náuticas, conferenciaram entre si e, após dias e dias de confabulações,
chegaram à conclusão: aquilo era mesmo o Brasil, a única coisa que estava
errada eram os índios. Os índios estavam errados porque não entendiam o sentido
histórico de "Brasil".
"Vamos mudar esses
índios", pensaram. "Mudando-se os índios, seja de seu lugar de
morada, seja mudando suas cabeças, aí sim, começa o Brasil. O Brasil é um
estado de espírito, entenderam?", disse o chefe dos portugueses, Pedro
Álvares Cabral, com um sorrisinho infame e torcendo as mãos enquanto maquinava.
Cabral mandou contratou um
terrorista chamado Diogo Álvares Corrreia, o Caramuru, para intimidar os
índios. Caramuru percebeu que eles não tinham armas de fogo e disse: "Mim
ser grande diabo. Mim saber dominar trovão. Mim ser dono do trovão. Mim ser
diabo do fogo."
Os índios disseram: "Não,
nós não acredita." Caramuru, então, bateu mão de um trabuco e atirou. A
explosão apavorou os índios e eles foram dominados facilmente.
Os selvagens correram, esconderam-se nas matas e Cabral começou a destruir
florestas e a plantar cidades.
Ele parecia um louco. Onde seus
grandes bulldozers chegavam já sabia: começava uma cidade; os índios fugiam, as
índias se prostituíam, os meninos pegavam gripe. Morriam que era uma beleza.
Sim, e os índios ainda aprendiam a beber cachaça. Até cair pra trás.
E assim, ao longo do tempo as
coisas se passaram, até que um dia Cabral virou-se para o que restou de índios e
disse: "Índios, isso agora é o Brasil, entenderam? Entenderam o que quer
dizer Brasil? Vejam só a maravilha que é o Rio de Janeiro..., vejam o que é Brasília; nosso senado, a câmara dos deputados, o grande exemplo dos nossos políticos..."
Cabral insistia: E agora, já
sabem o que Brasil?" Os poucos índios que sobraram responderam que sim,
que agora sabiam o que era o Brasil. Estavam conscientizados e até já tinham
formado quadrilha. E da pesada: assalto, tráfico e sequestro, mantinham contatos
com autoridades corruptas e todo o mais. E aí um deles, virando-se para Cabral
e portando um AK-47, disse: "Seguintche: vai levar o pó, ou não, ó
Mané?"
Cabral chorou de emoção: e viu que sua obra estava completa. E levou o pó.