
Mesmo que nada mude
Emanoel Barreto
Veja o que o Estadão publicou: O Congresso abriga mais um exemplo ilustrativo do uso de dinheiro público para bancar despesas privadas da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). O mordomo da casa de sua filha, Roseana Sarney, ex-senadora e atual governadora do Maranhão, é um servidor pago pelo Senado. Amaury de Jesus Machado, de 51 anos, conhecido como "Secreta", é funcionário efetivo da instituição. Ganha, com gratificações, em torno de R$ 12 mil. Deveria trabalhar no Congresso, mas de 2003 para cá dá expediente a sete quilômetros dali, na residência que Roseana mantém no Lago Sul de Brasília.
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A família Sarney é um dos exemplos mais claros, fortes e elucidativos do tipo de político que se abriga no público para satisfazer seus, digamos, instintos privados. Sinuoso, ardiloso, o soba da família vem há muitos anos nutrido - e bem nutrido - pelo dinheiro público.
As coisas de jornal da grande imprensa vêm desmontando ou pelo menos desmascarando as tramas e tramoias do Congresso, especialmente no Senado, onde se acolchoam, se espicham e se espojam espécimes os mais lamentáveis da vida pública nacional.
Agora, entra em cena o tal "Secreta", que ganha do povo para atender a seu patroado. Os jornais devem continuar a investigar e a publicar os atos do Senado. Têm a obrigação de prestar esse serviço ao público, para o bem social. Mesmo que nada mude, mesmo que tudo permaneça.