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quarta-feira, 28 de março de 2012

Tem fuá no BBB

Ontem, enquanto esperava para ser atendido por uma caixa do correio, ouço conversa entre uma mulher na fila ao lado: falava alto, dizia ser telespectadora assídua do BBB e "disso não se envergonhava". Garantia que muita gente assiste o programa mas diz que não vê. 
http://www.bigbrotherbrasil.blog.br/wp-content/uploads/2012/01/mulheres-bbb-12.jpg

Teorizando, explicava que que o BBB "era como a gente estar vendo a vida", e mais: "Aquilo ali é a vida mesmo. É um jogo, quem sabe jogo, ganha. É matar um leão por dia". 

Acho que não deixa de ter alguma razão. O BBB representa de alguma forma o tipo de sociedade que criamos, cuja valoração da esperteza e da ética relativa são uma espécie de padrão. 

As humilhações sofridas pelos participantes, como se fossem "competições" para tentar ganhar um milhão ao fim da disputa, são algo que realmente as pessoas enfrentam no cotidiano, só que nas filas dos ônibus, no péssimo atendimento da rede de saúda pública, no trabalhador que aceita não receber hora-extra como jeitinho de não ser demitido, essas coisas..., você sabe... De alguma forma há sim um BBB no mundo. 

Mas, voltando à falastrona: defendia a necessidade de haver aquele tipo de programa como "um bom passa-tempo" e atraía a si a atenção de mais umas duas ou três mulheres, todas concordando com o bravo pronunciamento. Afinal, encerrando a conversa, disse: "O que eu gosto mesmo é de ver o fuxico; o que eu gosto mesmo é de ver o fuá."

Concordo: no Brasil o que precisamos mesmo é de ver o fuá. Qualquer candidato a vereador sabe disso. Ele também, se eleito, vai fazer muito fuá.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Leio no JB online e compartilho:
Serra se irrita e ameaça deixar entrevista em programa de TV

Priscila Tieppo, Portal Terra

SÃO PAULO - Em gravação do programa Jogo do Poder, da CNT, o candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, se irritou com perguntas sobre a quebra de sigilos de tucanos e pesquisas e ameaçou deixar a entrevista.

O candidato disse que eles "estavam perdendo tempo falando daqueles assuntos", enquanto podiam dar ênfase aos programas de governo dele. Após a apresentadora Márcia Peltier citar que a quebra de sigilo teria acontecido em 2009, antes do anúncio das candidaturas à presidência, Serra subiu o tom:

- Que antes da candidatura, Márcia? Nós estamos gastando tempo aqui precioso, estamos repetindo os argumentos do PT, que você sabe que são fajutos, estamos perdendo tempo aqui.

Márcia tentou contemporizar, mas não conseguiu acalmá-lo. "A candidata do PT virá aqui?", perguntou. Após a afirmativa de Márcia, ele retrucou: "então, pergunta para ela".

"Agora nós vamos falar sobre programas", tentou prosseguir a apresentadora. Neste momento, Serra levantou-se e ameaçou sair do estúdio. Tentando arrumar o fio do microfone, disse: "eu não vou dar essa entrevista, você me desculpa".

Márcia insistiu dizendo que eles falariam de programa de governo, mas ele se manteve firme. "Faz de conta que eu não vim". "Mas porquê, candidato?", disse, ainda sentada. "Porque não tem nada a ver com pergunta, não é um troço sério. (...) Apaga aqui". "O que o senhor quer que apague?", perguntou Márcia. "Apague a TV pra gente conversar".

Márcia pediu que as câmeras fossem desligadas e as luzes do estúdio apagadas, mas Serra continuou falando: "porque isso aqui está parecendo montado". "Montado para quem? Aqui não tem isso", defendeu a jornalista.

O candidato voltou a reclamar da pauta das perguntas - que até então, havia se fixado nos acessos fiscais e sobre as pesquisas. "Me disseram que eu ia falar de política e economia".

Depois de conversar reservadamente com Márcia e o apresentador Alon Feuerwerker, Serra voltou ao estúdio e respondeu a questionamentos sobre economia, saúde e saneamento básico.


Ao final da gravação, Serra foi questionado pelos jornalistas que estavam no local sobre sua irritação. O candidato negou ter se irritado e afirmou que apenas estava "com estômago ruim" porque não tinha tomado café da manhã.

Segundo a assessoria de imprensa da emissora, as perguntas feitas ao candidatos sobre os assuntos que o incomodaram serão mantidas na edição que irá ao ar nesta quarta-feira (15), às 22h50. A reportagem do Terra , que se encontrava numa sala vizinha ao estúdio, tem o diálogo gravado.

Serra destacou suas propostas de governo nas gravações dos blocos seguintes e, sobre a questão da Receita Federal, o candidato disse que pediria a demissão do secretário, Otacílio Cartaxo, e do corregedor-geral da instituição, Antonio Carlos Costa D'Ávila.

"Eu teria demitido o secretário e o corregedor da Receita. Eles são não só os responsáveis como também têm ocultado provas sistematicamente. Eu começaria por aí", afirmou.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Ei! vamo vê o debate não?

http://fotos.blogs2k.com/2008/11/08/caras-feias/
Vamo não: deixa "eles" pra lá...
Emanoel Barreto

Os baixos níveis de audiência do debate da Band talvez se possam explicar a partir de algumas observações: foi o primeiro e ainda em fase em que a campanha não atingiu seu nível de polarização; em função disso, os televisores estavam voltados para o futebol; não foi na Globo, cujo processo de glamourização e penetração são inegáveis e afinal, como decorrência de tudo o que disse, o debate foi entendido como apenas... um programa a mais. Ou seja: "tanto faz ver como não ver, não se perde nada" - tal o descrédito que os políticos atingiram.

A realização de eleições a cada dois anos, quando se içam as bandeiras que prometem que o país se tornará uma messe, uma seara de grandes colheitas sociais, de forma geral o cidadão vê isso com desconfiança.

É comum se dizer "eles prometem isso sempre". "Eles" tornou-se uma maneira de se designar os políticos pois, no dia a dia, o povo sofre as filas e as consequências de um quadro social de desigualdade, cuja reversão a chamada classe política não consegue ou não quer fazer, apesar de prometer. Por isso, não se tem lá grandes motivos para alegria quando começam as campanhas eleitorais.

Falando assim, pareço ser um pregoeiro da desgraça destilando um niilismo envenenador de esperanças, confiança e luta por um futuro mais digno. Antes, defendo uma reformulação do pensar político, ética nos mandatos, respeito à cidadania.

Isso, contudo, só vem com o tempo e o trasladar das gerações. Trata-se de processo sócio-histórico complexo, um fluxo e contrafluxo político, uma medição de forças. Assim, as forças populares precisam e devem ter representantes efetivamente comprometidos com a questão das classes em presença, fazendo a opção pela maioria.

E é exatamente essa maioria, hoje iludida com programas de baixíssimo nível que deixou de ver o debate, por pensar que seria mais um programa de baixíssimo nível. E, saiba, essa indiferança interessa a muita gente.