200 morrem todo mês no Walfredo Gurgel
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Sofrimento no corredor do Walfredo Gurgel (Ass. de Imprensa) |
“Todos
os meses 200 pessoas morrem no Complexo Hospitalar Monsenhor Walfredo Gurgel. O
maior hospital público do estado do Rio Grande do Norte, localizado em Natal,
recebe mensalmente sete mil pacientes. Deste número, dois mil são encaminhados
para internação, como a unidade só conta com 284 leitos, uma média de 70
doentes são tratados diariamente em macas nos corredores. Os dados são da
própria diretora, a médica Maria de Fátima Pereira Pinheiro.”
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Falta de política de saúde: quadro histórico no RN |
A informação
é do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte-Sinmed que enviou
representantes ao Walfredo a fim de inteirar-se da situação.
Após receber o release que me foi enviado pelo
sindicato entrei em contato com o presidente da entidade, médico Geraldo
Ferreira, que a confirmou integralmente.
Um
cálculo básico apontou-me: o índice de 200 mortos mensalmente perfaz o total de
2.400 óbitos anuais.
Diz
ainda o texto enviado pelo sindicato: “Terça-feira (05), em vistoria técnica realizada por representantes do
Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed/RN), a situação estava
ainda pior. 80 macas lotavam as passagens, muitas delas improvisadas em
colchões no chão. Nesta situação, 39 estavam acometidos de fratura de fêmur e
sete com ruptura da bacia.”
O Sinmed
informou que continuará com as visitas a unidades hospitalares em Natal e
interior do estado a fim de apurar as e condições de trabalho dos médicos e o
atendimento prestado aos pacientes. O objetivo é preparar relatório à
Secretaria de Saúde.
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Médicos visitam hospital, discutem problemas e querem solução |
Acrescenta o
Sinmed: “Como se não bastasse, outros seis internos também podem vir a óbito a
qualquer momento por falta de diálise. Tratamento imprescindível para quem
possui disfunções renais e não consegue eliminar água ou produtos de excreção
do sangue. O problema se deve também a estorvos entre a empresa terceirizada
responsável pelo procedimento e a Sesap/RN.”
Vergonha ou falta disso – O governo do Rio Grande do Norte precisa tomar
providências urgentes. Trata-se, a situação do Walfredo Gurgel, de realidade
que se estende ao longo dos anos, sai governo, entra governo. A inexistência de
uma política de saúde institucionalizada traz à tona um quadro terrível. E
reflete a presença de governantes que se regem por repetitivos comportamentos
de insensibilidade e desprezo pelos cidadãos, pela condição humana e pela vida. Começo a
supor que a situação do Walfredo deva ser denunciada a alguma instituição
internacional de defesa dos direitos humanos.
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OK, vamos multar
Só com firmeza o trânsito será disciplinado
A
ocorrência de fatos criminais de forma socialmente reincidente leva-nos a uma
conclusão: essa sociedade de alguma forma criou condições históricas para que
isso aconteça.
Tomo como referência os acontecimentos de trânsito, quando
pessoas bêbadas provocam acidentes muitas vezes fatais. Ou o caso de quem
estaciona em local proibido.
Poderia
abordar o fenômeno da corrupção, que tem situação paralela, mas vou ficar no
trânsito. Proximamente irei a esse assunto.
Mas,
voltando ao tema inicial: a ineficiência do estado, a reiterada ausência
estatal coercitiva resultou em impunidade que de alguma forma cristalizou-se no
cotidiano, naturalizou-se e passou a ser “normal” alguém beber e dirigir. Até
mesmo prova de perícia e arrojo.
Abordando
o assunto no plano local temos que, quando do surgimento da figura do capitão
Stevenson Valentim, percebeu-se um certo mal-estar, um desacordo, um
pra-que-esse-cara-aqui?”
Todavia,
somente com intervenções firmes, decididas como a daquele policial, poderemos começar
a desenvolver, aliando-se isso a campanhas educativas, uma cultura de trânsito desejável
e civilizada.
Da mesma
forma os chamados amarelinhos são figuras desejáveis e importantes. Eles estão multando
pessoas que estacionam carros em locais proibidos, especialmente nas vagas
destinadas a deficientes físicos e idosos.
É preciso
acabar com o jeitinho brasileiro, com as facilitações aparentemente inocentes,
a matreirice criminosa mas disfarçada de esperteza aceitável, a safadeza como
norma. Tudo isso resulta, pelo fato mesmo de ser aceito, em inominável
impunidade.