Mostrando postagens com marcador TV. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador TV. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 28 de março de 2012

Tem fuá no BBB

Ontem, enquanto esperava para ser atendido por uma caixa do correio, ouço conversa entre uma mulher na fila ao lado: falava alto, dizia ser telespectadora assídua do BBB e "disso não se envergonhava". Garantia que muita gente assiste o programa mas diz que não vê. 
http://www.bigbrotherbrasil.blog.br/wp-content/uploads/2012/01/mulheres-bbb-12.jpg

Teorizando, explicava que que o BBB "era como a gente estar vendo a vida", e mais: "Aquilo ali é a vida mesmo. É um jogo, quem sabe jogo, ganha. É matar um leão por dia". 

Acho que não deixa de ter alguma razão. O BBB representa de alguma forma o tipo de sociedade que criamos, cuja valoração da esperteza e da ética relativa são uma espécie de padrão. 

As humilhações sofridas pelos participantes, como se fossem "competições" para tentar ganhar um milhão ao fim da disputa, são algo que realmente as pessoas enfrentam no cotidiano, só que nas filas dos ônibus, no péssimo atendimento da rede de saúda pública, no trabalhador que aceita não receber hora-extra como jeitinho de não ser demitido, essas coisas..., você sabe... De alguma forma há sim um BBB no mundo. 

Mas, voltando à falastrona: defendia a necessidade de haver aquele tipo de programa como "um bom passa-tempo" e atraía a si a atenção de mais umas duas ou três mulheres, todas concordando com o bravo pronunciamento. Afinal, encerrando a conversa, disse: "O que eu gosto mesmo é de ver o fuxico; o que eu gosto mesmo é de ver o fuá."

Concordo: no Brasil o que precisamos mesmo é de ver o fuá. Qualquer candidato a vereador sabe disso. Ele também, se eleito, vai fazer muito fuá.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Chico Anísio: saudade em superlativo absoluto sintético

Não, não morreu apenas um homem, no sentido de um único homem, especial, inteiro, irrepetível. Com ele morreram muitos. Chico era muitos. Seu talento abrigava, como uma vasta casa sertaneja, aquelas de alpendrada larga, a vida de muitos personagens, todos vivos, vivíssimos, em sua verve vivacíssima - isso mesmo, superlativo absoluto sintético.
Folha de S. Paulo

Então, Chico era isso: superlativo absoluto sintético. Reunia em si coisa muita, uma brasilidade inteira, um grande samba exaltação do que seja ser brasileiro; brasileiro, esse modo de vida, estilo de ser: intenso e forte, pianíssimo em cada gargalhada. 

Vá. E onde quer que esteja, incorpore  agora o novo personagem: a saudade, torne-se saudade, seja saudade. Mas, veja só: ser saudade é coisa difícil, para você, não? Digo isso porque saudade, esse substantivo feminino fusco e pardo, cheio de meios tons e desvãos de cinza, sempre tendente à tristeza, tem o dom da despedida e isso não combina com o seu humor.

Mas, enfim, é isso: o Brasil está meio sem graça. Essa a grande realidade. Não tem graça nenhuma perder Chico Anísio. E o pior, Chico, é que o Brasil é uma piada, na verdade, uma grande piada. E você, como ninguém, soube nos fazer ser essa piada. E rir de nós mesmo. E o salário mínimo, ó....

Encerrando, digo: "Adeus, Chico. No mínimo, você era o máximo." 
E como no máximo meu texto é mínimo para dizer o que penso, penso que é melhor não pensar que perdemos o que a gente não devia, não podia perder: você e todos os personagens que moravam em você.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Deu no Estadão:

Dilma cozinha com Ana Maria Braga

Entrevista vai ao ar na terça-feira; na atração, a presidente preparou uma omelete de queijo

A presidente Dilma Rousseff gravou o programa 'Mais Você', nesta segunda-feira. A entrevista vai ao ar na terça-feira. No café da manhã, Dilma agradeceu a solidariedade de Ana Maria em um dos momentos mais difíceis de sua vida, quando recebeu o diagnóstico de câncer. Ambas tiveram a mesma doença e conversaram sobre a luta que travaram para vencê-la.
Renato Rocha Miranda/ TV Globo/Reprodução
Renato Rocha Miranda/ TV Globo/Reprodução
Dilma Rousseff gravou o programa 'Mais Você'

A apresentadora também comentou o fato de verem a presidente como uma pessoa dura. "É interessante como esperam de nós, mulheres, uma certa fragilidade. Isso decorre do fato de que a mulher, quando assume um alto cargo, é vista fora do seu papel. Acho que, a partir de agora, isso vai começar a ser encarado como uma coisa normal e natural. As pessoas vão se acostumar com cada vez mais mulheres conquistando espaço", disse a presidente.
No quarto bloco, a presidente preparou uma omelete de queijo.

...........
Personalidades midiáticas às vezes perpetram comportamentos incomuns a seu papel social com o intuito de "humanizar" a visão que delas se tem. Foi o caso de Dilma. Pura perda de tempo. Não creio que essa aparição vá descolar de si a imagem de durona. O esquete com Ana Maria Braga ficará nisso mesmo: numa encenação.

À gravação feita nesta segunda faltará, não tenha dúvida, algo essencial ao propósito de humanizar a presidente: sinceridade. Alguém acredita que ela tem tempo a perder preparando acepipes e pratinhos? Dilma é forte, mas não tem carisma. Assim, fica difícil que a participação em programa de amenidades caseiras tenha qualquer resultado positivo ao que sua assessoria acertou com a Globo. Pura perde de tempo.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O debate na TV como ritual de mídia
Emanoel Barreto

Vem aí um novo debate. Será na Record, segunda-feira. Somente com perguntas entre os dois candidatos. O espetáculo midiático está se transformando num ritual. Alguém duvida do que vai acontecer? Salvo fato de última hora e portanto imprevisível, Serra e Dilma vão se defrontar com as mesmas perguntas, mesmo que formuladas de maneira diversa da forma como já foram propostas.

O excesso de debates está cansando. O confronto, na verdade, é mais para atender aos interesses da grade de programação das emissoras que para tratar de assuntos e temas de grande política. E ai do candidato que não aceitar: o show tem de continuar.

Da forma como está é apenas o ritual. Tudo se passa segundo uma espécie de liturgia, com passos cerimoniais arbitrados pela TV, emoldurando o encontro segundo os termos e a lógica de um programa típico desse veículo

Suponho que uma ótima forma de debate seria aquele em que os dois candidatos entrassem no estúdio e, sem qualquer mediação, começassem a conversar, esgrimindo argumentos, discutindo civilizadamente o que pretendem fazer.

No máximo um jornalista faria a citação de um tema e eles, abertamente, passariam a se questionar, em três ou quadro blocos de 15 minutos.

Aí sim, teríamos um debate.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Ministério público investiga uso de crianças para aumentar audiência de programas de TV

A Folha registra: 
Outro Canal

KEILA JIMENEZ keila.jimenez@grupofolha.com.br
Ministério Público investiga domingo na Record e no SBT 

O Ministério Público de São Paulo abriu procedimento para investigar denúncias de exploração indevida de imagem de menores de idade e de portadores de deficiência nos programas "Domingo Legal" (SBT) e "Domingo Espetacular" (Record).

As atrações estão sob a mira do Ministério Público por conta da exibição do caso de Elisany, jovem portadora de um distúrbio que a fez atingir 2,06 metros aos 14 anos, e o de Jocélia, cearense de 9 anos afetada por uma doença que causa envelhecimento precoce.
Segundo o procurador regional dos Direitos do Cidadão, Jefferson Aparecido Dias, a exploração da imagem de portadores de deficiência e menores de idade é irregular e deve ser fiscalizada pelos órgãos competentes.

"Mesmo com a presença e consentimento dos pais, é necessário que um juiz autorize a exposição de uma criança dessa forma", disse ele à Folha.

Nos próximos dias, o MP pretende notificar as duas emissoras, pedindo explicações. Na sequência, o órgão expedirá um termo de ajuste de conduta.

SBT e Record informaram, via assessoria de imprensa, que não vão se pronunciar pois ainda não receberam nenhuma notificação do Ministério Público.
 ..........
 Programas desse tipo são useiros e vezeiros na exploração do ser humano e suas desgraças, para fins de audiência. A proposta é "ajudar" a resolver problemas de tais pessoas. Isso é a face. Na contraface está mesmo o uso da imagem e do desamparo dos desvalidos, mostrados como pertencentes a algum circo de horrores que somente a TV consegue descobrir após cuidadoso trabalho de garimpagem de misérias por parte de sua produção. 


A utilização do sofrimento profundo de seres humanos é parte naturalizada dos espetáculos televisivos, especialmente aos domingos. Talvez você ainda lembre de Faustão torturando, é isso mesmo, torturando um jovem ingênuo, em seu palco. O tipo passou creio que uns dez minutos atacando o rapazinho que fora caracterizado como Latino, um cantor que à época usava um bogodinho estilo anos 50, típico de cantores de bolero.

Ele o chamava de Latininho e recebeu monumental repúdio pela brutalidade. 


São programas cruéis e mal-intencionados. Uma demonstração clara do quanto podemos nos valer dos que sofrem para acumular pontos de audiência. E dinheiro, muito dinheiro, claro. 



quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Leio no JB online e compartilho:
Serra se irrita e ameaça deixar entrevista em programa de TV

Priscila Tieppo, Portal Terra

SÃO PAULO - Em gravação do programa Jogo do Poder, da CNT, o candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, se irritou com perguntas sobre a quebra de sigilos de tucanos e pesquisas e ameaçou deixar a entrevista.

O candidato disse que eles "estavam perdendo tempo falando daqueles assuntos", enquanto podiam dar ênfase aos programas de governo dele. Após a apresentadora Márcia Peltier citar que a quebra de sigilo teria acontecido em 2009, antes do anúncio das candidaturas à presidência, Serra subiu o tom:

- Que antes da candidatura, Márcia? Nós estamos gastando tempo aqui precioso, estamos repetindo os argumentos do PT, que você sabe que são fajutos, estamos perdendo tempo aqui.

Márcia tentou contemporizar, mas não conseguiu acalmá-lo. "A candidata do PT virá aqui?", perguntou. Após a afirmativa de Márcia, ele retrucou: "então, pergunta para ela".

"Agora nós vamos falar sobre programas", tentou prosseguir a apresentadora. Neste momento, Serra levantou-se e ameaçou sair do estúdio. Tentando arrumar o fio do microfone, disse: "eu não vou dar essa entrevista, você me desculpa".

Márcia insistiu dizendo que eles falariam de programa de governo, mas ele se manteve firme. "Faz de conta que eu não vim". "Mas porquê, candidato?", disse, ainda sentada. "Porque não tem nada a ver com pergunta, não é um troço sério. (...) Apaga aqui". "O que o senhor quer que apague?", perguntou Márcia. "Apague a TV pra gente conversar".

Márcia pediu que as câmeras fossem desligadas e as luzes do estúdio apagadas, mas Serra continuou falando: "porque isso aqui está parecendo montado". "Montado para quem? Aqui não tem isso", defendeu a jornalista.

O candidato voltou a reclamar da pauta das perguntas - que até então, havia se fixado nos acessos fiscais e sobre as pesquisas. "Me disseram que eu ia falar de política e economia".

Depois de conversar reservadamente com Márcia e o apresentador Alon Feuerwerker, Serra voltou ao estúdio e respondeu a questionamentos sobre economia, saúde e saneamento básico.


Ao final da gravação, Serra foi questionado pelos jornalistas que estavam no local sobre sua irritação. O candidato negou ter se irritado e afirmou que apenas estava "com estômago ruim" porque não tinha tomado café da manhã.

Segundo a assessoria de imprensa da emissora, as perguntas feitas ao candidatos sobre os assuntos que o incomodaram serão mantidas na edição que irá ao ar nesta quarta-feira (15), às 22h50. A reportagem do Terra , que se encontrava numa sala vizinha ao estúdio, tem o diálogo gravado.

Serra destacou suas propostas de governo nas gravações dos blocos seguintes e, sobre a questão da Receita Federal, o candidato disse que pediria a demissão do secretário, Otacílio Cartaxo, e do corregedor-geral da instituição, Antonio Carlos Costa D'Ávila.

"Eu teria demitido o secretário e o corregedor da Receita. Eles são não só os responsáveis como também têm ocultado provas sistematicamente. Eu começaria por aí", afirmou.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Ei! vamo vê o debate não?

http://fotos.blogs2k.com/2008/11/08/caras-feias/
Vamo não: deixa "eles" pra lá...
Emanoel Barreto

Os baixos níveis de audiência do debate da Band talvez se possam explicar a partir de algumas observações: foi o primeiro e ainda em fase em que a campanha não atingiu seu nível de polarização; em função disso, os televisores estavam voltados para o futebol; não foi na Globo, cujo processo de glamourização e penetração são inegáveis e afinal, como decorrência de tudo o que disse, o debate foi entendido como apenas... um programa a mais. Ou seja: "tanto faz ver como não ver, não se perde nada" - tal o descrédito que os políticos atingiram.

A realização de eleições a cada dois anos, quando se içam as bandeiras que prometem que o país se tornará uma messe, uma seara de grandes colheitas sociais, de forma geral o cidadão vê isso com desconfiança.

É comum se dizer "eles prometem isso sempre". "Eles" tornou-se uma maneira de se designar os políticos pois, no dia a dia, o povo sofre as filas e as consequências de um quadro social de desigualdade, cuja reversão a chamada classe política não consegue ou não quer fazer, apesar de prometer. Por isso, não se tem lá grandes motivos para alegria quando começam as campanhas eleitorais.

Falando assim, pareço ser um pregoeiro da desgraça destilando um niilismo envenenador de esperanças, confiança e luta por um futuro mais digno. Antes, defendo uma reformulação do pensar político, ética nos mandatos, respeito à cidadania.

Isso, contudo, só vem com o tempo e o trasladar das gerações. Trata-se de processo sócio-histórico complexo, um fluxo e contrafluxo político, uma medição de forças. Assim, as forças populares precisam e devem ter representantes efetivamente comprometidos com a questão das classes em presença, fazendo a opção pela maioria.

E é exatamente essa maioria, hoje iludida com programas de baixíssimo nível que deixou de ver o debate, por pensar que seria mais um programa de baixíssimo nível. E, saiba, essa indiferança interessa a muita gente.