A vida é uma demora que passa muito depressa
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Foto: Claudio Abdon |
Emanoel
Barreto
A notícia da morte de Ticiano
Duarte chegou-me como um murro. Foi meu professor no curso de jornalismo e
colega de redação na Tribuna do Norte. Amável, bonachão, a imagem que me vem
foi quando o vi pela primeira vez na velha redação do jornal: rua Tavares de
Lyra, Ribeira, tendo ao fundo o estuário do Potengi e suas águas amigas de
Natal. Corria o mês de outubro de 1975. Eu tinha 24 anos e começava a trilhar a senda maravilhosa e terrível, o fado de ser jornalista. Você, Ticiano, já tinha muito tempo de estrada.
Cigarro numa piteira você percorria o espaço acanhado da redação, falava com um e com outro e, sem se
importar de ser meu professor, sentava-se lado a lado e redigia artigos
abordando a política local ou nacional. Lembro de certa vez quando reclamava da
pasmaceira da cidade “onde nada acontecia”, e sentenciava: “Assim, fica
difícil fazer jornal.”
Mas, claro, sua habilidade sempre dava um
jeito e, dia seguinte, lá estava o texto: perfeito, abordando tema de relevo.
Ok, Mestre. Saudades.
Daquele outubro
de 75 até o dia de hoje é como se eu tivesse vivido uma espécie de longo e imperceptível
segundo; a vida escorrendo da gente a cada passo do dia. Adeus. Abraços. Obrigado pela generosidade.
De sua morte, Professor, brotou-me a seguinte lição: a vida é uma demora
que passa muito depressa. Adeus.