"Não é justo alguém ter o direito
de ter uma empresa de aviação
e outro não ter o direito de comer um pão."
/////// JAMAIS IDE A UM LUGAR GRANDE DEMAIS. A UM LUGAR AONDE NÃO TENHAIS CORAGEM DA IMENSIDÃO - EMANOEL BARRETO - NATAL/RN
Caras Amigas, Caros Amigos, O jornal espanhol "El Mundo" disse hoje em suas versões digital e impressa que, com a saída de Gilberto Gil do Ministério da Cultura o presidente Lula "perde o seu trovador". É verdade. E perde, como perdeu com a saída da ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, uma das poucas figuras emblemáticas e efetivamente coerentes do Governo, que desde o seu primeiro mandato já estava tão longe das bandeiras históricas do PT.
Gil parece ser um personagem destinado a fazer história: nos anos 1960, firmou-se ao lado de Caetano Veloso como um dos líderes do movimento tropicalista, que rompeu com os cânones de uma música popular brasileira centrada no vozeirão e nas lamúrias. Sua poética nova trazia novos rumos ao nosso cantar.
Hoje, historicamente, pode-se evocar os clássicos de nossa música, revalorizados pelos mesmos ex-tropicalistas que, cumprida a missão de revolucionar, souberam retirar as brumas que eles mesmos criaram.
Mas estou me afastando do assunto, que é a saída de Gil. Sua presença foi meio metafórica, não dispunha de muitos recursos para trabalhar, mas cumpriu dentro do possível o seu papel. Acho que é um grande músico e um grande ser humano. Valeu. Emanoel Barreto
Caras Amigas, Caros Amigos, Pode parecer incrível, mas é Madonna, a estrepitosa cantora que há anos varria o mundo com sua música e com um wayoflife que a colocavam como uma espécie de menina má, irreverente e quebradora de regras. Somente esqueceu uma coisa: as imperdoáveis regras do tempo, que tudo apagam e tudo avariam, inclusive e especialmente o corpo humano.
Num mundo onde se valoriza ao extremo a beleza, a juventude, o dinheiro, o sucesso e todos os seus sucedâneos, ou seja: tudo o que há de material e por isso mesmo transitório, a descida, a queda, choca; e coloca aos olhos, especialmente ao olhar, que esses valores, tão incensados pela publicidade e pelo sistema que desta se utiliza, são falsos, cultivam necessidades fabricadas.
Veja-se uma coisa: as regras de beleza programam que a mulher deve ser magra, esguia. E isso deflagra uma multidão de moças que se esmeram em castigar o corpo para estar "na moda". Isso lubrifica um sistema perverso de investimentos e lucros sobre o corpo da mulher, que se vê como objeto e assim se assume, em nome de uma elegância volátil.
Madonna faz 50 anos em agosto. Mas, agora, aparentemente, não há gosto na vida. O tempo está passando e a cantora de "Like a Virgin" é apenas mais um exemplo da frivolidade que o sistema criou e logo, logo, vai refugar. Madona mia... Emanoel Barreto Foto: CrosbyGroup
Caras Amigas, CarosAmigos, Parece ter chegado o tempo em que não podemos mais olhar a nossa própria face. Quebrem-se todos os espelhos.
Cavalgadas insolentes nos atiraram aos abismos mais terrificantes, e perderam-se todos os azuis.
Passos tardos nos levam a destinos, que são tantos e em em tantas direções, que dá medo escolher qual o caminho.
Todavia, talvez ainda se possa, em raras pessoas, em tão raros momentos, esperar que surja algo longe, tão longe, escondido na neblina, a nos dizer: ainda há tempo e vida.
E talvez ainda se possa, como Antero, cantar em silêncio estas palavras: "A galope, a galope, ó fantasia, Plantemos uma tenda em cada estrela." Emanoel Barreto