sexta-feira, 5 de março de 2010

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Carta de um animal à Promotora Gilka da Mata


O signatário desta missiva, para os fins a que se propõe, abdica de sua condição humana e se coloca sob a proteção do Estatuto de Proteção dos Animais, já que pelas leis humanas não foi assim tratado. A semiose do texto explicará à larga os motivos para tanto.


Anamnese social: o animal signatário vive no bioma urbano localizado na cidade do Natal, Nordeste do Brasil, mais especificamente à Rua Industrial João Mota, onde compartilha com semelhantes da espécie um tratamento bárbaro e desumano por parte da Prefeitura do Natal, atividade perpetrada por construtora que realiza obras de drenagem na área. O animal signatário, que se considera ameaçado em sua normalidade de vida durante períodos chuvosos, acusa os autores da obra de agir contra o interesse da preservação de seres silvestres como o mencionado signatário, já que o bom senso e a condição humana não foram suficientes para sensibilizar a Prefeitura, resultando daí o apelo ao Estatuto.


Requerimento: Requer o animal que Vossa Excelência, como defensora do meio ambiente, o que inclui flora e fauna, e consequentemente o missivista, tome providências visando embargar a citada e malsinada obra. A descrição da mesma, sucintamente, relata: meio-fio mais alto que as calçadas, pista de rolamento também mais alta que a calçada, acesso a garagens prejudicado por montes de areia, péssima qualidade urbanística, que fere até mesmo ao mais inculto olhar.


Consequências da obra: estima o ser silvestre ameaçado que os maléficos efeitos poderão ser sentidos durante os períodos chuvosos, pois a implacável lei da gravidade levará a água das chuvas às casas.


Desta forma, o animal que vos fala, respeitosamente, invoca vossa proteção e vossa graça no sentido de fazer Prefeitura e iniciativa privada sentirem o peso da lei humana sobre ambos e o amparo do Estatuto dos Animais voltar-se a favor de si. Fotos do desastre, recentes e mais antigas, podem ser encontradas no blog Coisas de Jornal (http://coisasdejornal.blogspot.com). Mas, uma visita seria extremamente benéfico a este animal, bem como aos seus assemelhados e co-partícipes da grotesca e terrível obra.


Sob as bênçãos de São Francisco, padroeiro dos animais a quem entrego a minha sorte, mas contando antes com a serenidade de vossa inteligência jurídica e sensibilidade de pessoa culta, requeiro: que as obras sejam paralisadas, desmanchadas e refeitas em parâmetros aceitáveis. Somente assim poderei sentir-me humano novamente, ao deixar de me sentir cercado por ambiente urbano perigoso e hostil.


Respeitosamente,


Emanoel Barreto

quinta-feira, 4 de março de 2010

Vereadores silenciam ante o terrremoto que a Prefeitura promove em Capim Macio
Emanoel Barreto

O post anterior é a transcrição de e-mail que mandei aos vereadores de Natal, hoje de manhã. Até agora, 15h47, não recebi qualquer telefonema ou resposta via net. Não sei os motivos, mas, temo, um deles deve ser falha nas assessorias de gabinete, que, por sinal, não é lugar para somente se beber cafezinho. Vou aguardar.
Carta aberta aos Vereadores de Natal

Sras. Vereadores,



Srs. Vereadores


É com indignação, e alguma esperança no trabalho e consciência cívica de Vossas Excelências, que lhes envio esta denúncia à ação que a Prefeitura do Natal perpetra contra os moradores da Rua Industrial João Mota, Capim Macio, a pretexto de acabar com as inundações na área – especificamente na citada rua, onde moro.


Trata-se de trabalho de engenharia vergonhoso, onde não se respeita a mais comezinha lei do mundo, inderrogável e apolítica: a lei da gravidade. Explico: a pista de rolamento ficará bem mais alta que as calçadas, o que sem dúvida encaminhará as enxurradas em período chuvoso para dentro de nossas casas. É uma possibilidade que, posso lhes assegurar, é aterradora.

Além disso, esteticamente é um desastre, pois o meio-fio, também muito alto em relação às mesmas calçadas é um insulto até mesmo ao mais ingênuo olhar sobre como que deveria ser um processo bem feito de urbanização. Um lugar bom para se morar. As fotos podem ser vistas neste blog e dão uma dimensão bem clara do que digo. 


Ontem (dia 3), ao chegar à minha casa, cerca de 17h, deparei-me, estarrecido, com um amontoado de areia jogado à entrada da garagem. Resultado: o carro, para entrar, encostava no chão. Se estiver com todos os ocupantes e se for sair não sai; da mesma forma, se for entrar, não entra. Outras casas também enfrentam problemas semelhantes. Só vendo para crer.


Trata-se de uma violência à cidadania. Repito: só vendo para crer. Assim, o motivo desta carta é cobrar desta Casa que tome posicionamento apartidário, sereno, firme e íntegro e, se necessário implacável, em defesa da comunidade. Aquilo não é uma obra de engenharia, antes é uma aberração brutal, grotesca, tosca e descabida.

O que temo? Temo que, caso a Câmara Municipal tenha comportamento de indiferentismo, omitindo-se, a construtora dará os trabalhos por terminados, a fiscalização das obras os aceitará como “excelentes” e ficaremos jogados à própria sorte. A iniciativa privada, claro, atenta apenas aos seus lucros, jamais irá refazer o trabalho se não for impedida a tempo por Vossas Excelências, que desta forma estariam em apoio inercial à complacência do Município.

Desta forma, como cidadão e como jornalista, cobro dos Srs. e Sras. Vereadores e Vereadoras alguma ação. É preciso embargar essa obra e obrigar Prefeitura a refazer tudo, rebaixando o nível da pista. Peço, inicialmente, que venham à Industrial João Mota presenciar o lastimável espetáculo a que estamos submetidos. Mas, se tiverem a sensibilidade ou pelo menos disposição de agir, que o façam logo, que o façam hoje, pois a pavimentação que está sendo implantada é um logro e uma brutalidade. Uma obra sem qualquer compromisso com atitude de governo municipal regida pelo mais elementar senso de compromisso e responsabilidade social. Aquilo não é uma obra, insisto: é um insulto.


Já denunciei à imprensa e a outros jornalistas que, como eu, têm blogs, Ricardo Rosado e Blog do Barbosa, são exemplos. Manifestaram indignação. Falta agora a palavra dos representantes do povo. Está sendo anunciada reunião com os moradores, às 19h30 de hoje, na Faculdade Maurício de Nassau. Cobro que algum representante da Câmara esteja presente.


Falo de sociedade civil organizada, entendem? E os vereadores têm obrigações para com esta. Sabem disso, não é?


Espero poder confiar na sinceridade de propósito de Vossas Excelências, tão vigorosamente exposta em vossas campanhas eleitorais.

Saudações,


Emanoel Barreto
Jornalista, professor do Curso de Comunicação Social da UFRN

quarta-feira, 3 de março de 2010


Cidadania ultrajada por uma obra grotesca
Emanoel Barreto

Varia entre a estupidez, o desrespeito e o grotesco o que a Prefeitura de Natal está fazendo com os moradores da Rua Industrial João Motta, em Capim Macio. As obras de drenagem não levam em conta a assimetria entre as calçadas e a pista de rolamento. Em outras palavras: a rua ficará mais alta que as calçadas. Não é preciso ser um gênio em engenharia para entender que uma lei inderrogável, a lei da gravidade, fará com que a enxurrada, em período de inverno, avance para dentro das casas.

Na minha casa, então, chegou-se ao nível da brutalidade: colocaram o meio-fio bem alto, largaram um monte de areia na entrada da minha casa e o resultado foi o seguinte: para entrar, o carro arrasta no chão. Se estiver com a lotação completa simplesmente não entra.

Já fui ao Ministério Público e lá, na presença da promotora Gilka da Mata, o engenheiro Demétrio Torres prometeu, há cerca de 15 dias, que enviaria um engenheiro para ver a situação: ninguém apareceu. A situação não estava tão clamorosa quanto hoje. Pior para mim: afinal, cidadão foi feito para isso mesmo: para ser achincalhado, agredido e desrespeitado em seus direitos. E isso mesmo pagando o IPTU em dia. E IPTU caro!

Paciência: estão prometendo para amanhã uma "reunião" com os moradores. Vou rezar. Sou um homem de fé. Acredito em Deus, quero bem a Nossa Senhora, tenho medo de lobisomem. Os dois primeiros são do Bem.  O problema, meu amigo, é o lobisomem...

terça-feira, 2 de março de 2010