O jornalista e o mar Egeu
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Ao longo de sua vida profissional um jornalista – aquele que merece mesmo este nome; pela sensibilidade, dedicação e proficiência – convive com muitos escombros. Esses escombros passam a fazer parte do seu repertório. Não como coisa propriamente sua, pertencimento de exclusividade, essência; mas como patrimônio a ser visto, re-visto, analisado e, de alguma forma, re-vivido, experienciando e tomado como exemplo existencial e histórico.
Os escombros
da humanidade integram nossa vida de jornalistas e nos ensinam grandes lições. Deles
saímos mais fortes, mais plenos, mais preparados dessa plenitude que é viver.
Da escuridão
podemos antever a luz; da caverna podemos sair e procurar os campos, sua luz
verdejante, sua imensidão; grandeza que tem algo de desafiador, intenso e, por
que não, ameaçador. Somos treinados para as ameaças, os fogos cruzados, as incertezas
do cotidiano, incertezas que poderão vir a ser novos escombros.
Aprendam,
jovens repórteres, a conviver com os escombros. Deles sairão os grandes
momentos. Entendam as tempestades, os furacões e as poderosas ondas. E continuem
a reluzir como as grandes naves gregas que cruzavam o Mar Egeu. Sejam todos
atentos e saibam enfrentar os minotauros.
No fim
das contas entendam: é preciso ter consciência de quando vivemos um grande
momento.