sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Silêncio


Caras Amigas,
Caros amigos,

Pequenos em sua largamente estreita vida,
eles estão ali, em toda parte, em qualquer calçada,
habitando os instantes do mundo.

Não há lágrimas que possam chorar
por tanto horror, não há pena
para tão insano crime.

São tão pobres, calados, miseráveis,
que nem mesmo os vemos ao passar.

E passamos distantes e calados.
A vida também nos passa -trapaça -
e não vem a nossa boca
o grito de acusação.
Emanoel Barreto

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Evo precisa botar moral

Caras Amigas,
Caros Amigos,

Evo Morales tenta refundar a Bolívia, descobrir novos caminhos para o povo, exterminar privilégios históricos das elites, dar ao boliviano o que o seu chão produz. Mas, elementos descontentes com as mudanças que a massa da sociedade civil quer, defende e precisa, atacaram o gasoduto que fornece o produto ao Brasil, num ato terrorista.

Temo que isso possa ser o princípio de uma seqüência de ocorrências violentas, buscando desestabilizar o governo. Temo, mas espero que não.

A história tem registrado, sempre, que os donatários do poder, ao se verem sob ameça de perda de prebendas e guoloseimas sociais que os encantam, buscam levar a situação a um extremo, a uma circunstância de crise, de forma a que tenham a oportunidade de aplicar seus golpes.

Tais golpes, anunciados como em "favor da pátria", voltam-se unicamente para manter as soldagens do sistema de dominação, quando estas começam a estalar. A Bolívia tem todo um histórico de golpes e exploração dos trabalhadores. Agora, quando as coisas começam a mudar, eles querem de volta a velha e boa Bolívia dos ricos. Vejamos como se comportam as Forças Armadas.
Emanoel Barreto

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Os imperfeitos, não


Caras ,
Caros Amigos,

A mídia não dá à Paraolimpíada de Pequim, como não foi dado às demais Paraolimpíadas, qualquer destaque.

Os imperfeitos, os anormais, os esteticamente dissidentes, não.

Os grandes atletas, completos, belos e belas como deuses e deusas gregos, foram cultuados, incensados, aplaudidos pelos refletores e amados pelas câmeras.
Os imperfeitos, não.

Suas vitórias foram mostradas como atos heróicos, de superação e grandeza, quase um martírio glorioso e triunfal.
As vitórias dos imperfeitos, não.

Os gritos dos grandes atletas, a expressão da magnífica batalha triunfada, seus músculos crispados de vigor, tudo isso marcou e comoveu a milhões, em todo o mundo.
Os imperfeitos, não.

Houve força, dedicação, preparo, luta, superação, coragem, empenho e doação; louvemos os grandes atletas.
Os imperfeitos, não.
Emanoel Barreto

domingo, 7 de setembro de 2008