Mais de 100 milhões de olho no BBB
“O Brasil tem uma população de
204.450.649 habitantes, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística), publicados nesta sexta-feira (28) no Diário Oficial
da União. Os dados são estimativas de população feitas com base no dia 1º de
julho de 2015.”
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Divulgação |
A informação, historicamente
recentíssima, eu a obtive no UOL. E, junto à Folha online encontrei aterradora
informação: nada menos que 103 milhões de pessoas perderam seu tempo e seu
dinheiro “votando”, terça-feira última, para eliminar uma participante do BBB. A
tipa chama-se Juliana.
Sei que seria exigir demais do
senso comum um nível maior de consciência e resposta crítica a programas como o
BBB, Faustão e quejandos.
Mas chegarmos ao ponto de
literalmente a metade da população do país responder positivamente à
imbecilidade de Pedro Bial e seus chamados, e, a partir disso, gastar dinheiro massivamente
com o BBB, é preocupante. Pior: repugnante.
Vale perguntar: como pode um povo
ficar tão mesmerizado por um programa estúpido a ponto de valorizá-lo como algo
importante e essencial e viver assim uma espécie de narcose social?
Resposta: é porque a papoula do
BBB já estava plantada. Há tempos as pessoas já viviam seus delírios cotidianos
com outros programas televisivos; o BBB foi a quintessência, a suprema
sofisticação, o desaguadouro naturalizado para as angústias do cotidiano. O dinheiro
está pouco? – BBB na cabeça; saúde pública é um problema? – BBB de novo; violência
nas ruas? – mais BBB.
Claro que tais atitudes não são única
e exclusivamente brasileiras. Imbecis existem em todo o mundo. E programas televisivos
deploráveis também. Tanto que o Big Brother veio da Holanda, criado em 1999 por
alguém chamado John de Mol, um elemento ligado à produção de espetáculos
televisivos.
Esperto, ele desvirtuou a obra de
George Orwell e a transformou nisso que vemos anualmente.
A Rede Globo tornou-se franqueada
e agora explora, no pior sentido da palavra, essa mina de ouro midiática, mais
uma, para a emissora dos Marinho. Outras jazidas da Globo são o carnaval, as corridas
de fórmula um e a seleção brasileira.
Suponho que a grande jogada do
BBB são as “eleições” que o programa faz. Veja só: os solertes participantes
são submetidos a escrutínios durante as sórdidas disputas internas na “casa
mais vigiada do Brasil”.
As votações dão ao telespectador
a sensação de participar, influir, opinar e decidir; acima de tudo decidir o
destino do magote de homens e mulheres encerrados na tal casa. Já pensou?
Importantíssimo, né?
A produção da Globo exacerba sentimentos
e atitudes como trapaça, cobiça, deslealdade, submissão. Enfim, safadezas e desfalecimentos
morais de todos os tipos. Prefiro não entrar nos detalhes, se é que me entende.
Enfim, temos mais uma edição do
BBB. Diante de tudo isso, digo: Basta de Baixaria no Brasil. É melhor que
dizer: Brasileiro é Bastante Burro.