Tango para Tereza
A manhã encontrou-me correndo
em meio ao trânsito. Coisas a resolver.
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Minha mão, nessa correria,
atirou-se, como se de mim independente fosse, a um CD de Astor Piazzolla – que,
parece-me, os portenhos pronunciam “Piazôia”. Digo: na voz argentina essa dicção
ganha foros de algo dramático, rubro, sanguíneo. Belíssimo.
Quero bem demais a
Buenos Aires para perder tempo com idiotices como a fabricada inimizade futebolística
entre Brasil e Argentina. Disso não vou falar.
Antes digo que, dos tangos
ouvidos no carro, lembrei-me, dentre eles, um dos mais belos: “Tango para Tereza”.
Porque Tereza, Terezinha, é o nome da Minha Mulher a quem também chamo Nana, Nana Barreto.
Rósea mulher que me caminha.
Piazzolla, pelo menos não no
disco que ouvi, não interpreta aquela música. Mas, nos meus ouvidos, em nenhum
momento aquela composição deixou de ser ouvida. E afinal, cumpridas todas a
missões da corrida manhã, cheguei à casa.
Então o lar virou um ambiente
solar e lunar ao mesmo tempo. E então, para encerrar esta breve crônica, vou
ouvir Tango para Tereza. Tenho olhos para ouvir e ouvidos para cantar. Buenas
tardes Buenos Aires, buenas tardes, Tereza.