Afasta de mim este cálice
Da cruz
não se desce, disse o cardeal polonês Stanislaw Dzinisz, lembrando uma frase de
seu conterrâneo Carol Wojtila, o papa João Paulo II. Encontrei
a frase no Portal Vermelho e com ela concordo plenamente.
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A atitude do Papa, por mais que os prelados de Roma digam
que não, deu ao ato um significado de queda, de desfazimento da aura papal, pois
até então os ocupantes do cargo saíam da vida para ingressar na bruma da morte,
envoltos no cerimonial pomposo da desdita santa, a alma voando rumo às
dimensões altas da fé dos crentes chorosos.
O ritual do morrer-papa, digamos assim, conferia à posição
dos que a ocupavam a estatura do mistério, a grandiosidade significante de uma
maneira de ascender. Mas a saída do Papa não foi mais que isso, uma saída, um
bater em retirada, a condição humana sobrepujando a situação do homem-símbolo.
O acontecimento trouxe também à visão geral as questões do
Vaticano enquanto organização, ambiente de disputas, império. Sumiu a instituição.
E o teólogo sucumbiu, mostrou-se apenas um homem pequeno, buscando refúgio em
meio a tempos de incerteza.