Temer precisa de um
cavalo;
parece que vai
ganhar um burro

(Sim, Lula também tem que aparecer; faz parte do figurino de mídia. É que o PT também andou pisando na bola, mesmo não se provando nada contra Lula.)
Mas, como temia o sistema no poder, o pantanal
político chega com suas ondas ao palácio do Planalto. As ondas têm lama e
acusações crocodilianas.
E as acusações dizem cobras e lagartos de Temer et
caterva.
Isso traz palpitações e suores frios
ante um angustiante palpite: será que as denúncias do ex-diretor da Odebrecht Claudio
Melo Filho podem contaminar o processo que corre contra Temer Tribunal Superior
Eleitoral-TSE?
Motivo do temor: naquela Corte as
acusações apontam Temer e Dilma envolvidos com abuso de poder econômico. Em outras
palavras: teriam recebido propina da construtora Andrade Gutierrez, outra
envolvida nos escândalos.
Mas o denunciante, Otávio Azevedo, recuou
negando que houvesse pago propina à campanha que reelegeu Temer e Dilma em
2014.
E então, quando tudo parecia mais
fácil, o nó corrediço da história começou a apertar e a coisa parece ter ficado
incômoda, bem mais incômoda.
Veja só: o site UOL diz, a respeito das
novas denúncias: “A colaboração da Odebrecht - cujos 77 executivos assinaram na
semana passada delação com a força-tarefa da Lava Jato - pode chegar ao TSE de
dois modos. Caso a instrução do processo ainda não tenha sido dada como
concluída, novos depoimentos podem ser solicitados e juntados como indicações a
favor da acusação.
“Ainda que isso não seja feito,
no entanto, há um receio de interlocutores de Temer de que haja uma
contaminação política do julgamento pelo TSE, considerada a corte ‘mais
politizada’ entre os tribunais superiores.”
Afirma ainda o UOL: “No Planalto,
a nova etapa da Lava Jato é vista como ‘imponderável’. Interlocutores do
peemedebista dizem que o presidente demonstra tranquilidade com a delação, mas
a defesa de Temer na corte eleitoral gostaria de que o caso se encerrasse antes
de os acordos de Marcelo Odebrecht e funcionários da empresa se tornarem
públicos.
“Ainda assim, auxiliares de Temer
consideram pouco provável uma cassação de mandato e consequente eleição. O
Planalto garante que, caso haja condenação, Temer vai recorrer ao Supremo
Tribunal Federal (STF).”
Isso, claro, essa briga no STF, abriria
um abismo ainda maior a ser cruzado pela escorregadia pinguela de Temer.
Imagine só: insegurança jurídica, grupos de investidores tremendo a cada
manchete, povo na rua protestando contra o esmagamento de direitos que o
governo perpetra...
Seria demais, não? Mas, as coisas
estão acontecendo.
E como os fatos se amontoam a
grande velocidade pois estão inseridos num vertiginoso processo midiático e com
isso ganham foros de novela, de pouco adiantam as explicações de Temer e entourage.
A perplexidade social disseminada
é condenação implícita: há vilões demais e não há como negar.
Detalhe: os capítulos dessa
novela têm espraiamentos que chegam às raias do absurdo: até mesmo os
julgadores e acusadores não estão isentos de críticas: o juiz Sérgio Moro é
visto por segmentos da sociedade como parcial, uma vez que promove
espetaculares ações contra Lula. O PT é sempre o partido mais acusado. Ou pelo menos
mais espetacularizado, quando seus maus feitos são encontrados.
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Diego Padgurschi /Folhapress |
Para piorar, Moro foi flagrado em conúbio
amistoso com o senador Aécio Neves durante finíssima cerimônia onde Temer foi
estranhamente escolhido como um dos homens do ano.
E o procurador Deltan Dallagnol, um dos
destacados membros da Lava Jato, é apontado como alguém que comprou casas ao
projeto Minha Casa Minha Vida. Uma ação social voltada para atender pessoas de
menor poder aquisitivo...
Temos, ao visto, a exposição
bastante exata do que seja a elite que dirige este país: empresários, judiciário
e políticos. Todos conflagrados, trocando golpes, lavando-se em água servida.
Mas o processo histórico está em
aberto e não há como esconder ao olhar multimídia que há brutalidade demais,
desonra demais, exploração demais dos desvalidos agora em vias de virar
desgraçados.
Creio que chegará a hora de Temer
gritar como Ricardo III na batalha de Bosworth, antes de ser vencido pelo conde
de Richmond: “Meu reino por um cavalo!”
Nisso, alguém pode gritar: “Serve
um burro?”
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