Conselhos a um pequeno
monstro
Como vai, pequeno monstro?
Tem planos para o futuro, pelo menos para a
próxima meia hora? Eu mesmo tenho planos para os próximos 200 mil anos, o que
inclui alguns anos-luz fora da Terra, que é azul e linda, como dizia Gagárin. E
você, o que pretende fazer, pequeno monstro? Ao que soube, tem planos para se
digirir a casas habitadas por velhos enfermos, dali subtraindo preciosidades e
dinheiro, o que houver. E, tentando suas pobres vítimas escapar de seus golpes
de guante, porrete e maça, terão final triste e lamentável.
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Soube também que pretende invadir conventos de
freiras altas horas da noite, tocar corneta e bumbo, atirando-se depois a
violações de seus corpos, não importando a idade. Nisso será seguido por magote
de trapaceiros, desocupados, bufarinheiros e outros quejandos e, aos apupos,
irá denegrir autoridades, deslustrar as togas, ameaçar os bons e levar o
desespero e o medo aos lares e aos convívios. Lamentável, pequeno monstro.
Pequeno monstro; ontem, ontem mesmo, fui
informado de que terá acesso a processos e outros atos sigilosos e deles fará
publicação, com o único fito e real intento de desestabilizar personalidades e
outros elementos de grande valia, trazendo assim à luz atos que devem ser
mantidos em segredo, essencial à preservação da boa ordem e preclaros
procedimentos.
Também é notório que pretende invectivar o
direito consuetudinário, as altas empresas e os grandes projetos nacionais,
explodir pontes, derrubar aeronaves e pôr a pique navios e vapores com todas as
sua cargas de máxima serventia.
Pequeno monstro, eis o que mais sei a seu
respeito e íntima disposição: tem por planos de altíssima conjura reunir a seu
redor enorme e fervilhante grupo de sequazes, atirando-se a empreendimentos
vis, tais como pregar nos púlpitos mais sagrados e nas mais solenes tribunas,
alardeando que o mundo terá fim, dragões sairão das mais profundas caves, a
terra tremerá e vulcões explodirão a torto e a direito.
Enfim, pequeno monstro, tenho a você
conselho: melhor seria dirigir-se a locais ermos e santos, ali permanecendo em
oração e comungo de urzes e ervas amargas que decerto pacificariam sua alma enegrecida
e entisnada. Destarte, ao fim e ao cabo de mil anos poderia voltar ao humano
convívio, passando então a pregar a paz, a perseverança, a concórdia e os bons
exemplos.
O
mundo, pequeno monstro, é composto por pessoas sãs demais, boas demais para
suportar suas investidas e péssimos propósitos. Pelo menos é o que tenho visto
e nisso muito acredito. O mundo é bom, as pessoas são retas e tudo o que fazem
presta e tem valor. Afaste-se de seus escuros intentos e vá às ágoras onde se
assentam os mais retos e justos homens que fizeram a Terra ser tão boa como
hoje é.