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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Folha admite vitória de Dilma, mas insiste em acontecimento-nada para atacar candidata do PT
Emanoel Barreto

A matéria abaixo está na Folha e dá conta de que Dilma venceria no primeiro turno. Traz, além disso, um detalhe de qualidade: apesar da fuzilaria da grande mídia, Folha em destaque, contra a candidatura da petista, nada, nada mudou o voto já cristalizado do eleitorado.

A informação enfática da mídia em torno do assunto - essa a explicação do fenômeno - é apenas isso: a informação enfática da mídia em torno do assunto. Falta-lhe, para ter legitimidade, repercussão na vida cotidiana das pessoas. Ou seja: os jornais e TVs acusam Dilma e o PT de uma enxurrada de coisas que a rigor não vão mudar as vidas de ninguém, para melhor ou pior.

Saber que se está dizendo que alguém fez algo supostamente errado não tem tanta importância prática no contexto do cotidiano quanto saber, por exemplo, que a inflação está descontolada e que com isso o preço da gasolina irá disparar. Se o PSDB conseguisse anunciar isso - e não vai porque não há condições de contexto histórico para tanto - aí sim a candidatura Serra poderia decolar. Em caso contrário, não.

O que o cidadão vê, lê e ouve é apenas isso: um troca-troca de palavras via TV e jornais; um acontecimento-nada, vazio de sentido social. E, o que é pior, um troca-troca de palavras que se dá somente nas manchetes, ausente dos grandes problemas nacionais, distante da realidade de quem está espremido num ônibus ou num metrô, sofre com o atendimento na saúde, teme os traficantes... mas teve alguma forma de elevação em seu salário.

Até Serra está se recusando a discutir essa tal quebra de sigilo por haver percebido que é pura perda de tempo (leia matéria em post de ontem, onde ele briga com apresentadora que o queria interrogar a respeito). Enfim, tudo se encaminha para a derrota de Serra. Sua campanha sempre padeceu de um sentido de causa, faltou-lhe conteúdo, faltou-lhe discurso, faltou o que prometer.

Para encerrar: mesmo dizendo que Dilma venceria no primeiro turno, a Folha deu manchetona de primeira página falando em escândalo. Manchete desse tipo, em suas linhas, letras garrafais, seguidas de subtítulo detalhado somente para grandes casos. E o jornal, querendo forçar os acontecimentos, busca produzir um acontecimento-manchete que, todavia, é apenas isso, um acontecimento-manchete, um acontecimento-nada.
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Abaixo, a matéria da Folha.
Dilma tem 51% e venceria no 1º turno


FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA

Apesar do intenso noticiário das últimas semanas sobre a quebra dos sigilos fiscais de tucanos, a corrida presidencial entrou em fase de alta estabilidade nas taxas de intenção de voto dos principais candidatos. Dilma Rousseff (PT) venceria a disputa no primeiro turnos e a eleição fosse hoje. Segundo pesquisa Datafolha nos dias 13 a 15 deste mês com 11.784 entrevistas em todo o país, a petista tem 51%. Oscilou um ponto percentual para cima em relação ao levantamento anterior, dos dias 8 e 9.


A margem de erro máxima é de dois pontos, para mais ou para menos. Quando se consideram só os votos válidos, os dados apenas aos candidatos (excluindo-se os brancos e os nulos), Dilma vai a 57%. José Serra (PSDB) ficou exatamente como há uma semana, com 27%. Marina Silva (PV) também repetiu sua taxa de 11%. Em votos válidos, o tucano tem 30%. A verde fica com 12%. Há 4% que dizem votar em branco, nulo ou nenhum. Outros 7% se declaram indecisos. Os demais seis candidatos não pontuaram, segundo o Datafolha -que realizou a pesquisa sob encomenda da Folha e da Rede Globo.






ESCÂNDALO DA RECEITA


O levantamento comprovou que teve impacto mínimo até agora, quase imperceptível, o escândalo da quebra de sigilo de tucanos e da filha de Serra, Veronica. O Datafolha apurou que 57% dos eleitores tomaram conhecimento do assunto. Mas, apesar de a maioria conhecer o caso, só 12% se consideram bem informados a respeito.


As taxas de maior conhecimento estão entre os mais escolarizados (86%) e os que têm maior renda mensal (84%). Mas esses segmentos são minoritários no eleitorado e não provocaram alterações no quadro geral.


Numa estratificação apenas dos que se declaram mais bem informados, a taxa de intenção de votos de Dilma fica em 46% (contra os 51%no cômputo geral). Serra vai a 33% e Marina oscila para 14%. Ou seja, a soma do tucano com a verde daria 47%, e o cenário seria de um possível segundo turno.


No outro extremo, entretanto, quando são separados apenas os eleitores que nunca ouviram falar do caso da quebra de sigilos fiscais de tucanos, Dilma vai a 53%, Serra desce a 24% e Marina pontua apenas 8%. A estabilidade do quadro geral apurado pelo Datafolha também aparece em quase todos os segmentos pesquisados pelo instituto.






SEGUNDO TURNO


Na simulação de segundo turno, Dilma venceria com 57%, contra 35%de Serra. Os percentuais eram 56% e 35% há uma semana. Do ponto de vista geográfico, as únicas variações significativas e além da margem de erro ocorreram no Paraná, no Rio Grande do Sul, em Brasília e em Belo Horizonte. Dilma perdeu oito pontos em Curitiba (PR) e voltou a ficar atrás de Serra nessa capital. A petista tem 28%, contra 36% do tucano. No Paraná como um todo, ela recuou cinco pontos -mas ainda lidera por 41% a 35%.


A petista também piorou seu desempenho em Brasília, saindo de 51% para 43%, mas continua líder porque Serra está com 21%. No Rio Grande do Sul e em Belo Horizonte ocorreu o inverso, com Dilma melhorando seu desempenho.


Entre os gaúchos, a petista foi de 43% para 45%, e Serra desceu de 38% para 34%. Na capital mineira, a petista foi de 40% para 44%. Serra oscilou de 23% para 25%.









segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Vamos debater, mas é proibido pensar

Os debates ou o sexo dos anjos
Emanoel Barreto

Debater, debater, debater. Quando será o próximo debate? O circo político está armado nos picadeiros da TV. Com normas rígidas centradas em tempo mínimo entre perguntas, respostas, réplicas e tréplicas, quem em sã consciência chamaria aqueles encontros entre políticos de... debate? 

O que se pretende é apenas o ato vazio, da presença pela presença; os adversários frente-a-frente, armas verbais em riste, prontos a se decapitar. Esse tipo de confronto, pastiche de debate enquanto enfrentamento de argumentações racionais, resulta no fim em nada. Nenhum deles consegue transmitir aquilo que realmente pensa, e o confronto resulta numa série de perguntas voltadas apenas para enquadrar o outro em situação difícil.

Temas periféricos, coisas sem importância compõem o núcleo dessa promoções, melhor diria produções; sim, porque trata-se de produções de TV, com todos os ingredientes da sociedade do espetáculo.

Mas o pior, o mais sinistro, é que tais produções ganham força de coisa estabelecida e quem não comparece é apontado como uma espécie de fugitivo, um covarde midiático. Por exemplo, quem terá coragem de não comparecer ao palco da Globo quando acontecer o último, "o" debate, o grande debate, o debate dos debates, o debate da emissora dos Marinho?
Ninguém. Ninguém será suficientemente louco para tanto.

E assim os grandes temas nacionais são tangenciados: as reformas, programas de governo, afirmações ideológicas dos partidos, questões conjunturais e estruturais ficam de lado em favor de discussões tolas como quebras de sigilos, só para dar um exemplo.

Melhor seria a realização de grandes entrevistas, entrevistas de conteúdo com cada candidato. Mas aí se perderia o... debate; o circo não haveria, como também não haveria essa coisa importantíssima para as TVs: a grande audiência.

Mas assim haveria seriedade e isso não interessa aos donos de TVs. Então, esperemos o grande debate na Rede Globo. Quem sabe se possa discutir o sexo dos anjos.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Candidatos ao governo sabatinados no auditório da Fiern
Emanoel Barreto

Em conjunto com a Tribuna do Norte a Fiern e a Fecomercio realizaram hoje sabatina com o governador Iberê Ferreira, senadora Rosalba Ciarlini e ex-prefeito Carlos Eduardo Alves, candidatos ao governo do estado.

O Auditório Albano Franco, na Fiern, recebeu empresários e jornalistas. Bem organizado, o evento diferiu dos debates a que estamos acostumados. Cumprindo ordem de sorteio cada candidato apresentou, na ausência dos dois outros, suas propostas de governo, respondendo a perguntas eleboradas pela Fiern e Fecomercio.

Com isso, a participação de cada um ficou restrita ao plano racional, evitando-se o clima emotivo que sempre impregna os debates. O público aplaudiu os três após cada sabatina, não se percebendo qualquer presença de claque.

Carlos Eduardo foi o primeiro a falar e a responder os questionamentos. Falou de sua passagem na vida pública e enfatizou suas prioridades. A seguir veio a senadora Rosalba, seguida pelo governador Iberê, mantendo o mesmo tom do primeiro sabatinado: infraestrutra, saúde, educação e segurança.

Foi uma importane manifestação de sociedade civil. Só não entendi a necessidade de importação do mediador, uma vez que a Fiern e a Fecomercio têm em seus quadros jornalistas qualificados para cumprir a missão.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Candidatos ao governo do RN debatem segunda na Fiern
Emanoel Barreto

A Tribuna do Norte e a Federação da Indústria do Rio Grande do Norte-Fiern realizam nesta segunda, a parti das 8h,  debate com candidatos ao governo do estado. É uma edição especial do programa Motores do Desenvolvimento, onde as duas instituições, enquanto participantes da sociedade civil, promovem debates sobre questões de interesse do RN.


O evento será conduzido pelo jornalista da Globo News Merval Pereira. Cada um dos três
candidatos irá responder a perguntas referentes aos sete temas dos Motores do
Desenvolvimento do RN já ocorridos até agora (Infraestrutura; Energia; Turismo;
Comércio e Serviços; Indústria: Empreendedorismo; Educação).

Trata-se de evento importante ao qual já confirmei presença.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

 Folha anuncia dabate inédito na internet

Diz o jornal: A Folha e o UOL, o maior jornal e o maior portal de notícias do Brasil, promoverão com os três principais candidatos à Presidência um debate eleitoral inédito a ser transmitido em vídeo, ao vivo, pela internet, no dia 18 de agosto. Se houver segundo turno, haverá novo encontro em 21 de outubro.



Já aceitaram formalmente participar Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV). Os três candidatos estarão frente a frente por duas horas e meia, a partir das 10h30 da manhã -quando a internet em geral registra a maior audiência.


Metade do debate será apenas entre os próprios candidatos fazendo perguntas entre si. Um moderador controlará o tempo.


Na segunda parte do debate, os candidatos responderão a perguntas de internautas, que serão coletadas pelo UOL e pela Folha.com ao longo das próximas semanas.


Ao final, Dilma, Serra e Marina responderão a perguntas formuladas por jornalistas da Folha e do UOL.


Com o objetivo de democratizar o acesso ao encontro, todos os meios de comunicação interessados poderão compartilhar e transmitir o sinal de áudio e vídeo do debate. Portais de internet, emissoras de rádio, TVs e outros veículos terão amplo acesso para fazer a cobertura jornalística do evento.






SEM NANICOS


A legislação eleitoral impõe restrições à realização de debates em emissoras de rádio e de TV. É necessário convidar todos os candidatos cujos partidos tenham eleito deputados em 2006 e continuem com representação no Congresso. Há sete concorrentes a presidente neste ano nessa situação, sendo que dois terços (cinco) precisam aceitar as regras propostas para o encontro.


No caso da internet, a liberdade é plena. Não existem restrições. Dessa forma, o debate Folha/UOL entre presidenciáveis deve ser o primeiro -e talvez o único- no primeiro turno que contará apenas com os três candidatos principais -sem necessidade de convidar os postulantes com taxas muito pequenas nas pesquisas.


Nos quatro debates já anunciados por emissoras de TV (Bandeirantes, Rede TV!/ Folha, Record e Globo), o número de candidatos presentes deve ser maior do que três, tornando o confronto de propostas mais difícil.


As negociações da Folha e do UOL com os três candidatos para chegar a um acordo sobre data e formato se arrastaram por quase seis meses.


Apesar de a lei ser clara, parte dos candidatos mostrou incerteza sobre realizar o encontro sem atender às regras impostas à TV e ao rádio.


Como meios de comunicação não podem formular perguntas diretamente ao plenário do Tribunal Superior Eleitoral, a Folha e o UOL fizeram então um pedido de esclarecimento por meio de consulta formal apresentada pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). O TSE dirimiu todas as dúvidas no dia 16 passado, liberando a web para realizar debates eleitorais.


Durante as negociações para preparação do debate Folha/UOL, chegaram a ser propostas datas em abril, maio, junho e julho. Serra e Marina acabaram aceitando a data de 19 de julho, mas Dilma preferiu o encontro apenas em agosto.


"A confirmação da presença da candidata Dilma Rousseff nesse evento da Folha e do UOL mostra nossa disposição de debater programas para o Brasil seguir mudando", declara o coordenador de comunicação da campanha petista, o deputado estadual Rui Falcão (SP).


"O candidato José Serra participará do debate da Folha e do UOL porque está disposto a confrontar ideias e propostas. Só lamentamos que a candidata do PT tenha preferido fazer esse debate apenas em agosto e a Folha tenha concordado com isso", informou a equipe de campanha do tucano.


Para João Paulo Capobianco, coordenador da campanha de Marina, "o debate na Folha e no UOL é fundamental para promover um amplo diálogo com a sociedade".