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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O candidato e as verdades provisórias

Ontem encontrei-me com um sujeito que quer se candidatar a não sei o quê, em algum futuro. Disse que vai centrar o discurso em "verdades provisórias", que serão alteradas de acordo com a campanha. As verdades irão sendo mudadas ao sabor dos acontecimentos. Isso será dará com o uso de outdoors, vídeos e impressos substituídos ao longo do tempo. 
http://www.google.com.br/imgres?q=verdade&hl=pt-BR&safe=off&client

Quando lhe disse que tais verdades já são usadas costumeiramente pelos políticos rebateu, assegurando que essas verdades dos políticos são verdades provisórias que se eternizaram de tanto ser repetidas. As suas serão verdades provisórias legítimas, criadas há muito pouco tempo; serão irrepetíveis e inigualáveis.

Como ainda estão em fase de preparação não posso divulgá-las pelo simples fato de que ainda não existem. Chegará o tempo da campanha e ele continuará elaborando as verdades provisórias. Será eleito com o discurso de que dirá somente a verdade e isso não será mentira; apenas ele ainda não começou a falar as tais verdades. Afinal, será eleito sem ter dito uma só mentira e nada deverá ao povo  - que foi mais uma vez enganado e fim.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010


 Os milagres que farei quando for candidato
Emanoel Barreto

Quando eu for candidato farei milagres
por antecipação, protomilagres, 
milagres prévios e todos serão felizes há dois minutos atrás
mesmo que não o percebam.



Farei a inauguração do sol todos os dias
e a lua também será inaugurada,
e assim também todas as sarjetas.


Todos terão direito a cheirar uma flor.
Terão direito a respirar, a andar.
Terão direito a olhar, não é incrível?

Quando eu for candidato, prometo,
vou salvar o mundo anteontem.
E depois, quando eu não fizer nada,
estejam certos: é que tudo aconteceu tão de repente
que as lentidão da vida não se emparelhou.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=20204364&postID=6613111295281938218
Serra ou "eu sou eu, eu sou você ou eu sou uma ilusão de óptica?"
Emanoel Barreto

Há algo de insano ou desesperado no marketing de Serra. Jamais havia visto adversário elogiar adversário para tentar reverter quadro eleitoral em que lhe é tendencialmente desfavorável. Serra é um candidato sem discurso, cristianizado pelos seus correligionários, tem um vice que é um trapalhão, não tem carisma, é feio, tenta construir um passado de sofredorzinho que se fez às próprias custas e aposta no aplainamento das tensões sociais.

Para completar não pode atacar o patrocinador de sua adversária, o que seria atirar-se de cabeça contra um muro de concreto e aço. Assim, numa espécie de vampirismo midiático tenta se apoderar do prestígio de Lula, como se isso fosse possível.

O que o candidato intenta, sob seus mentores de mídia, é despertar no ser coletivo a que chamamos povo a sensação de que ele, Serra, por suas taumatúgicas pré-condições de admistrador é o sucessor que deveria ter sido indicado por Lula.

Há algo de patético nisso. O que se tenta é uma espécie de verossimilhança política ou algo como uma metáfora estranhíssina, como num jogo de espelhos: Serra na verdade é Dilma.

Ela, a candidata, é uma ilusão de óptica e o povo, ofuscado, quando aponta Dilma nas pesquisas na verdade estaria querendo dizer Serra. E o desespero do candidato, abandonado pelos correligionários candidatos a governador, quer porque quer levá-lo a se postar no lugar da oponente.

Impossível. Aplica-se no caso, à política, a velha lei da impenetrabilidade dos corpos, que diz: dois corpos não podem, ao mesmo tempo, ocupar o mesmo lugar no espaço. E assim sendo e por isso compreender, investe na tentativa de ser Dilma.

Ao que tudo indica, quer cometer algum tipo de falsidade ideológica sui generis.

No post abaixo registro como sua campanha elogia Lula e tenta apensar a candidatura Serra ao prestígio do adversário e com isso ganhar os votos que iriam naturalmente para Dilma. Leia a verá.

domingo, 15 de agosto de 2010

A dor de cabeça de um candidato

 O problema do Brasil é que nhém-nhém-nhém, nhém-nhém-nhém, nhém-nhém-nhém,entenderam?
Emanoel Barreto

Tenho dito aqui que falta a Serra um discurso, um sentido de causa à sua campanha, com licença da palavra, flébil, quebradiça, sem força de oposição em seu sentido real. Sabedor do capital simbólico de Lula, apoiador-mor de Dilma, ele não tem como atacar o governante sob pena de perder mais votos.

E fica naquilo que seu líder FHC chamava de nhém-nhém-nhém... Uma algaravia de indecisões. Nada do que se esperaria de uma candidatura propositiva, voltada para denunciar um estado de coisas, seguida de um leque de ações estruturais para sua reversão.

Transcrevo da Folha o artigo abaixo, de Janio de Freitas, coincidente com o que tem dito este Coisas de Jornal.

JANIO DE FREITAS


A COINCIDÊNCIA DOS programas de propaganda eleitoral, a se iniciarem nesta semana, com a ultrapassagem de Dilma Rousseff sobre José Serra agora constatada também pelo Datafolha, oferece duas deduções.


Quanto a Dilma, mais significativa do que a conquista da liderança, cedo ainda, a propaganda de TV e rádio é a oportunidade de forçar a continuidade do seu impulso atual e, com uns poucos pontos a mais, alcançar logo a indicação de vitória no primeiro turno.


Essa condição funciona, em geral, como atrativo de votos mais numerosos e mais protetores. É o que se dá, a esta altura, com Eduardo Campos e Sérgio Cabral, com suas crescentes possibilidades de vencer em Pernambuco e no Rio no primeiro turno.


Para Serra, fica evidente que está em sua última oportunidade, ou muito perto dela, de indicar ao eleitorado o motivo de sua candidatura. Que sentido tem, afinal? O que Serra pretendeu a ponto de deixar o governo de São Paulo para lançar-se na disputa pela Presidência?


Sob o peso da aprovação popular de Lula, o próprio Serra diz que não é candidato de oposição, e de fato não se mostra como tal. Adversário da candidata do governo, também não é governista. Logo, o que lhe sobra é uma fímbria pela qual introduzisse algo novo, uma perspectiva capaz de seduzir e convencer aspirações frustradas do eleitorado.


Mas nem vislumbre de alguma ideia assim, até agora. Trata-se de uma candidatura que não se sabe o que representa nem o que pretende além de uma intenção pessoal.


As pequenas lantejoulas que revestem a candidatura de Serra, do tipo "vou duplicar o Bolsa Família" (sem ao menos explicar se em valor ou em beneficiados), ou "vou criar o Ministério da Segurança", "vou restabelecer os mutirões da saúde", e outros "vou" que não chegam a lugar algum, prestam-se a ampliar a impressão de vazio dada na improdutiva preferência de sua campanha pelos minúsculos corpo a corpo.


Ocupar-se tanto em criticar Dilma por estar "na garupa" de Lula? Serra e seus marqueteiros poderiam perceber que assim só confirmam o que é a principal bandeira de sua adversária. Façamos justiça: a candidatura de Dilma e seu êxito são produtos de Lula, como Gilberto Kassab foi de Serra, mas o PSDB e seu candidato não têm regateado facilidades e outras colaborações à candidata governista.


O horário eleitoral traz em ocasião oportuna um recurso que tanto pode ser decisivo para Dilma como para Serra. Os três minutos a mais no tempo da aliança petista não alteram a equivalência das oportunidades: em TV e em rádio, sete minutos - tempo de Serra - já são um arremedo de eternidade.


Oneroso, nesse item, é o minutinho de Marina Silva, cujo sucesso nas palestras não se reproduz em mais do que 10% dos eleitores pesquisados, mas talvez o fizesse, em boa parte, com maior tempo de TV. O horário gratuito segue a regra fundamental brasileira: mais renda concentrada em quem já a tem alta.


Para preencher o tempo até o início da nova fase de propaganda, uma boa especulação é a das causas da queda forte de Serra, quatro pontos em três semanas, e do grande ganho de Dilma, com os cinco pontos que a elevaram a 41 contra 33. O debate na Bandeirantes e as pequenas e ruins entrevistas na Globo não convencem como causa de tamanha reviravolta, até porque já insinuada, antes dos programas, em outras pesquisas.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Leio na Folha Online a forma como a Rede Globo tratou o candidato do PSOL.(EB)

Crítica de Plínio de Arruda à TV Globo interrompe gravação para o 'Jornal Nacional'



FERNANDO GALLO
DE SÃO PAULO

Um protesto do candidato do PSOL à Presidência, Plínio de Arruda Sampaio, fez com que a gravação de sua entrevista ao "Jornal Nacional", da TV Globo, fosse interrompida.


Em sua primeira resposta, a uma pergunta sobre o fato de o PSOL defender a suspensão do pagamento dos juros da divida e as ocupações de terra, Plínio disse que iria tratar do assunto, mas antes faria uma crítica ao tempo de três minutos que a Globo lhe ofereceu, contra os 12 minutos ofertados a Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PV) e José Serra (PSDB).
O candidato disse que "sempre viajou de classe econômica e nunca viu problema nisso", mas que achava ruim que a emissora "criasse uma classe executiva para os candidatos chapa branca".

Segundo o relato de uma pessoa que acompanhava a gravação, os profissionais da TV Globo interromperam a entrevista e propuseram a Plínio que ele gravasse novamente, desta vez sem a crítica, e em contrapartida o apresentador do "JN", William Bonner, diria que o candidato protestou contra o tempo oferecido a ele.


Após uma negociação, o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) sugeriu a Plínio que ele gravasse uma crítica mais branda, o que foi feito.
A entrevista foi cronometrada e deve ir ao ar na íntegra.

Além do questionamento sobre o pagamento da dívida e as ocupações de terra, o candidato socialista foi questionado sobre a defesa de um novo regime para o país. Plínio respondeu que, embora seja socialista, não pretende criar um caos no país.

Ele disse também que é frequentemente questionado sobre a suspensão do pagamento da dívida, mas que ninguém questiona o calote social na população mais pobre nas áreas de saúde e educação.


A entrevista foi gravada pela manhã no Rio de Janeiro e deve ir ao ar à noite.
A reportagem da Folha procurou a TV Globo para comentar o ocorrido, mas ainda não obteve resposta.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Por favor, desculpe, pode ser?

Com luvas de pelica, com licença, desculpe, por favor e muito obrigado. Assim transcorreu a entrevista do candidato José Serra no Jornal Nacional. Bonner e família trataram muito bem o aliado, bem diferente do combate oferecido a Dilma e Marina. Houve sim uma tentativa de dar à entrevista o tom de contraditório, mas podia-se perfeitamente perceber que ali não havia qualquer clima de tensão, tentativa de intimidação, questionamento direcionado à desconstrução da imagem pública do candidato.

Amanhã a vez de Plínio Sampaio, candidato do PSOL à presidência. Espere e verá como vai ser o tratamento.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Ei! vamo vê o debate não?

http://fotos.blogs2k.com/2008/11/08/caras-feias/
Vamo não: deixa "eles" pra lá...
Emanoel Barreto

Os baixos níveis de audiência do debate da Band talvez se possam explicar a partir de algumas observações: foi o primeiro e ainda em fase em que a campanha não atingiu seu nível de polarização; em função disso, os televisores estavam voltados para o futebol; não foi na Globo, cujo processo de glamourização e penetração são inegáveis e afinal, como decorrência de tudo o que disse, o debate foi entendido como apenas... um programa a mais. Ou seja: "tanto faz ver como não ver, não se perde nada" - tal o descrédito que os políticos atingiram.

A realização de eleições a cada dois anos, quando se içam as bandeiras que prometem que o país se tornará uma messe, uma seara de grandes colheitas sociais, de forma geral o cidadão vê isso com desconfiança.

É comum se dizer "eles prometem isso sempre". "Eles" tornou-se uma maneira de se designar os políticos pois, no dia a dia, o povo sofre as filas e as consequências de um quadro social de desigualdade, cuja reversão a chamada classe política não consegue ou não quer fazer, apesar de prometer. Por isso, não se tem lá grandes motivos para alegria quando começam as campanhas eleitorais.

Falando assim, pareço ser um pregoeiro da desgraça destilando um niilismo envenenador de esperanças, confiança e luta por um futuro mais digno. Antes, defendo uma reformulação do pensar político, ética nos mandatos, respeito à cidadania.

Isso, contudo, só vem com o tempo e o trasladar das gerações. Trata-se de processo sócio-histórico complexo, um fluxo e contrafluxo político, uma medição de forças. Assim, as forças populares precisam e devem ter representantes efetivamente comprometidos com a questão das classes em presença, fazendo a opção pela maioria.

E é exatamente essa maioria, hoje iludida com programas de baixíssimo nível que deixou de ver o debate, por pensar que seria mais um programa de baixíssimo nível. E, saiba, essa indiferança interessa a muita gente.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A comovente história de Zezinho da Mooca

O que é não precisa ser dito que é
Emanoel Barreto

Leio no Estadão: Depois do filme “Lula, o filho do Brasil”, o presidenciável do PSDB, José Serra, ganha sua cinebiografia. No documentário “Retratos do Serra”, o tucano é apresentado como “Zezinho”, um cidadão humilde, nascido na Mooca, onde “os vizinhos eram pintores de parede, cobradores de bonde, garçons, operários, quitandeiros, sapateiros e barbeiros”.
Dirigido por Guilherme Coelho, filho de Ronaldo Cézar Coelho, amigo de Serra, o filme foi trabalhado inicialmente para ser um longa, mas acabou dividido em 12 episódios que estão disponíveis agora na internet no site Retratos do Serra.

O filme se propõe a apresentar a vida de Serra. Durante as gravações, a equipe teve acesso a reuniões no Palácio dos Bandeirantes, quando Serra ainda era governador, e em agendas privadas do tucano.


Ao falar sobre o projeto no site, o diretor disse que, como personagem, Serra é “um prato cheio”. “E tem esse lance de ele ser arisco, avesso à exposição desnecessária, ser notívago, escrever invejavelmente e achar que entende de cinema”, afirmou Coelho
.........


O QUE É NÃO PRECISA SER DITO QUE É: o aforismo é bastante claro em sua assertiva. Ou seja: o que é se apresenta por si só em sua condição fenomêmica. É e pronto. O inverso também é verdade - o que não é não precisa ser dito que não é, dada a visibilidade do que não é.


O problema é quando um ator político busca se apresentar como sendo o que não é ou foi. Ao que ficou lido acima, sobre os filmetes sobre Serra, o que se percebe é um trabalho de simulação e dissimulação.
 
Simulação ao se apresentar como o Zezinho da Mooca, numa rala tentativa de comparar seu passado ao passado de Lula. Dissimulação ao tentar com isso nublar sua condição de homem das elites, ligado a partido idem.
 
Se alguém pode escapar ao seu futuro, como Lula pôde escapar ao seu, livrando-se de uma previsível situação de excluído para se tornar um líder, ninguém poderá fazê-lo com relação a seu passado. No caso de Serra - passado recente, passado político e todos os seus periféricos ideológicos.
 
O passado de dificuldades, mesmo grandes, não o equiparam a Lula. Até porque histórias de vida são difíceis se não impossíveis de se mensurar uma em relação à outra.
 
O lamentável é que esses filmetes de Serra no Youtube sejam veiculados como uma solução de última hora, a tentativa de o fazer com raízes populares, cheiro de povo, brado na garganta, punho em riste. Não dá. E os marqueteiros de Serra sabem que não dá.
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgmHvU0KJIN67-88mxxUWpt88aDvIS1GXv362BwK6CkRhsekdvd8lORqjahDH5V88JzAl3rJEjv201Si55fQt2PUv1J7s1xYE1MkmJpz3A9mFNKWhlY_GPelBbrqYx6RphEH9ja/s320/tiririca.jpg
Até que o circo pegue fogo
Emanoel Bareto

Ao tomar conhecimento da candidatura de Tiririca a deputado federal - o que não estranhei, somente lamentei - veio-me uma dúvida: mas não é a Câmara, exatamente, a Casa do Povo? E em assim sendo não deveria eu regozijar-me, pois não é ele, exatamente, povo?

Povo na mais objetiva acepção da palavra em seu sentido de alguém nascido, vivido e vivificador do cotidiano, explítico ator do senso comum, copartícipe do ato diário do experimentar o que seja o brasileiro?, o brasileiro das ruas, becos, filas, dores e medos desse ser brasileiro?

Sim, ele o é. Mas, então, porque eu e outros deploramos essa presença - essa e outras, como o ex-jogador Bebeto - inscritos formalmente à cena público-parlamentar? Haveria aí um contrassenso, um paradoxo?

Na verdade, não. O problema, a questão, está no fato de que Tiririca, Bebeto, Romário, Agnaldo Timóteo - que é vereador em S. Paulo - e quejandos, assomam ao palco político-partidário exatamente em função do que ele tem de palco - em seu sentido de proscênio, de espetáculo.

Estão ali literalmente como atores de seus próprios papéis midiáticos, arrimando-se espertamente da política para nutrir seus rendimentos pessoais. E o fazem em função de que a política, a que se pratica no Brasil, permite a sua assunção enquanto participantes de uma mascarada.

E assim eles se candidatam e têm, certamente têm, possibilidades de embolsar um mandato, pelo menos um, ganhando um agrado no fim do mês. E que agrado. E assim somos e assim vivemos. No Brasil, senhoras e senhores, sempre tem marmelada. Até que, um dia, o circo pegue fogo.