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Aécio quer reduzir Dilma a pó ou não embarque no Titanic
O trabalho
ideológico desenvolvido pelo PSDB visa cumprir com uma proposta político-viral-epidemiológica.
Ou seja: é preciso contaminar o eleitor médio, convencê-lo de que o país vive
um caos, levar adiante a sensação de que tudo está em vias de afundar. Aécio,
por sua vez, seria o grande navio, a nau salvadora a nos tirar da jangada nacional
prestes a se desmanchar num mar de ondas turbulentas.
A
questão, ideológica em essência, cumpre exatamente com aquilo a que seus formuladores
pretendem: aparentar verdade naquilo que é apenas aparência. Mais claramente:
apresentar como novo, vigoroso, reluzente, alguém que é exatamente o oposto. É
que os óculos especiais da ilusão ideológica são feitos para isso mesmo: iludir
e manipular, convencer e seduzir.
São como
os óculos para filmes em 3D: servem unicamente para exacerbar uma sensação. No caso,
de que estamos desencaminhados, sem rumo ou guardião. Diante disso surge o
taumaturgo, o defensor heroico e bravo, seguindo-se a expectativa de alívio. Afinal,
tudo bem: Aécio será o nosso Morfeu. Ele nos fará sonhar.
A candidatura
do tucano tem por objetivo promover uma espécie de alucinação e uma forma de
delírio. Mas a realidade que se esconde por trás dela é a carranca feia, a repetição
do filme da época de FHC: a prevalência do capital sobre o trabalho, o
desmanche do Estado, arrocho salarial, a universidade sucateada, a quebra do monopólio
da Petrobrás. Fiquemos por aqui.
Aécio
aspira a presidência para cumprir o que o tucanato não pôde fazer nos dois
governos de FHC ajustar a maioria à minoria, disciplinar a história aos ditames
de poucos, garantir-lhes o sustento de classe, o império dos seus sentidos e
sentimentos.
Assim,
a campanha oposicionista caminha passo a passo e visa reduzir Dilma a pó. Para
tanto é preciso que os comerciais do tucano se espalhem como o pir-lim-pim-pim da
boneca Emília nas fabulosas histórias de Monteiro Lobato. E então que se leve a
plebe ao estado alucinógeno do voto. A ideologia inconscientemente vivida em gesto
político estupefaciente.
Não há
como prever com exatidão o resultado da luta eleitoral. Mas estou convicto de
que, ao contrário do que muitos pensam, a candidatura de Aécio não é a solução
para os problemas nacionais. E, mesmo que o país esteja numa jangada e ele pilotando
um navio, saiba: esse navio é o Titanic. Resta
saber: você sabe nadar?