Agora sim, vamos ter o que temer
Atravancado
de compromissos com o PSDB, emaranhado em arranjos com o PMDB, engessado pelas
pressões da Fiesp, acorrentado pela alcateia de pequenos partidos que desejam
participar do butim a qualquer preço, o vice Michel Temer – ele sempre será um
vice, não se engane – assumirá o lugar de Dilma Rousseff num arremedo de
mandato.
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Foto: Lula Marques |
Assume
sem qualquer aclamação, festejo ou alegria. Sabe que não é líder, mestre,
dirigente ou guia: trata-se apenas de um tipo que os descaminhos do destino histórico
puseram no topo de um abismo. O mamulengo, compreendamos, jamais comandará a
mão que o rege. Será um títere; e como todo títere estará sob o jugo dos seus
maiores. Que, com relação a ele, são muitos.
Buscará
agradar o mercado – esse ser voraz, volátil e sem face, sequioso por lucros –
da mesma forma como tentará satisfazer aos que buscam acomodar-se na liteira do
poder. À sociedade, da qual apenas oito por cento o acatam de alguma forma, até
aqui não disse nada.
E
de nada adiantará qualquer discurso, pois dele nada se espera, a não ser o
cumprimento de um manquejante período como presidente. O que poderá prometer? A
quem vai prometer? Ao mercado, que de alguma forma o respaldou, ou à sociedade,
vale dizer ao povo, esse grande coletivo que sofre a sina de ser exatamente
povo no seu sentido mais perceptível de pobreza e sofrimento? Creio que a
resposta seja fácil.
Mas
vem aí a era Temer, a era do temor. Isso porque, até no nome, o homem é de meter
medo.