sexta-feira, 13 de maio de 2016

OK, quem bota preço?

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 Vende-se 

um país



Em política não há gratidão
nem reconhecimento."
(Majó Theodorico Bezerra, político da velha guarda, filiado ao PSD)

Vende-se um país, largo, bem montado. Vende-se um país, bom de se morar. Vende-se um país, alto, florestado; vende-se uma terra, boa de plantar. Ah! Vende-se mais. Vende-se tudinho, dá-se até que seja; só que, lá por trás, vem minha gorjeta.Vende-se esta terra, pode olhar seu moço. Já viste maior, rica, mais ornada? Viste rios maiores, grossos, caudalosos, todos bem bonitos, prontos pra pescar?

Vende-se um país. Vende, vinde, veja. É aqui mesmo, entende? Começa na praia, vai até lá longe, onde bem de noite, sempre o sol se esconde. Tem índio, tem bicho, tem folha e tem mato. Também tem cidade, que vale se ver.

Vende-se um país. Já tem quem o queira. Se tu não te apressas, perdes a pechincha. A venda é ligeira, por baixo do pano. Sem rastros, caneta, papel assinado. Me pagas primeiro, depois vamos ver... O povo é ordeiro, ganha uma miséria, só olha TV. Besteira, nem liga o que tu vais fazer. Pagou, tem direito: pagou, vai entrar. Tu entras sozinho. Tu vais me dizer: "Valeu velho amigo, é terra pra valer.

Vende-se um país. Todo, por inteiro. Mas venhas depressa ou se entrega tudo.Compra este país, tá muito barato, tá de preço baixo, abaixo do mercado. Se não compras agora...mau negócio fazes.
É uma pechincha, muito conservado. Vende-se um país. Bato-lhe o martelo. Dou ao cavalheiro que lá no cantinho, faz gesto discreto e dobrou o preço.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

OK, rapaziada: vai ter pra todo mundo



Agora sim, vamos ter o que temer
Atravancado de compromissos com o PSDB, emaranhado em arranjos com o PMDB, engessado pelas pressões da Fiesp, acorrentado pela alcateia de pequenos partidos que desejam participar do butim a qualquer preço, o vice Michel Temer – ele sempre será um vice, não se engane – assumirá o lugar de Dilma Rousseff num arremedo de mandato. 
Foto: Lula Marques

Assume sem qualquer aclamação, festejo ou alegria. Sabe que não é líder, mestre, dirigente ou guia: trata-se apenas de um tipo que os descaminhos do destino histórico puseram no topo de um abismo. O mamulengo, compreendamos, jamais comandará a mão que o rege. Será um títere; e como todo títere estará sob o jugo dos seus maiores. Que, com relação a ele, são muitos. 

Buscará agradar o mercado – esse ser voraz, volátil e sem face, sequioso por lucros – da mesma forma como tentará satisfazer aos que buscam acomodar-se na liteira do poder. À sociedade, da qual apenas oito por cento o acatam de alguma forma, até aqui não disse nada. 

E de nada adiantará qualquer discurso, pois dele nada se espera, a não ser o cumprimento de um manquejante período como presidente. O que poderá prometer? A quem vai prometer? Ao mercado, que de alguma forma o respaldou, ou à sociedade, vale dizer ao povo, esse grande coletivo que sofre a sina de ser exatamente povo no seu sentido mais perceptível de pobreza e sofrimento? Creio que a resposta seja fácil.

Mas vem aí a era Temer, a era do temor. Isso porque, até no nome, o homem é de meter medo.