http://www.culturatododia.salvador.ba.gov.br/area%5Csuburbio.jpg
O homem do subúrbio
Emanoel Barreto
Ao tempo o olhar é turvo
e faz descer
ao coração do homem do subúrbio,
o operário sem-nome ou sem-futuro.
E ele desce do ônibus sem pressa
de chegar o dia seguinte.
Igual a já tão outros e tanto
mais perdidos.
É isso e quase que não isso.
"Não é justo alguém ter o direito de ter uma empresa de aviação e outro não ter o direito de comer um pão." /////// JAMAIS IDE A UM LUGAR GRANDE DEMAIS. A UM LUGAR AONDE NÃO TENHAIS CORAGEM DA IMENSIDÃO - EMANOEL BARRETO - NATAL/RN
quarta-feira, 14 de julho de 2010
segunda-feira, 12 de julho de 2010
O DIÁRIO DE BICALHO
A LEAL, AUGUSTA E RESPONSÁVEL ORDEM DOS FREQUENTADORES DE PORÕES
Digníssimo Diário,
Apraz-me informá-lo que passei a integrar a Leal, Augusta e Responsável Ordem dos Homens Bons, Frequentadores de Porões. A subida entidade tem por objetivo reunir Homens Bons vítimas de insanas e ignóbeis perseguições, como é o meu caso.
Imagine você que meu amigo Quaresma, um dos fundadores, há muito tempo me vinha observando e propôs meu nome aos seus pares, sendo eu, mesmo sem o saber, aceito em meio a vivas e exclamações de profundo e lhano regozijo. Aclamação!, meu caro amigo. Aclamação!
E eis que ontem, ao degustar com ele uma boa conversa, foi-me anunciada a minha a epifânica e solene aprovação, o que muito me envaideceu. Não sabia da existência da Sociedade dos Frequentadores de Porões. Coisa bastante clara, compreendi, por se tratar de sociedade secreta.
Saímos da minha casa sob os olhares terrificantes de minha sogra, intrigada com a nossa conversa. Sem dúvida planejava obter detalhes, o que não conseguiu, para então perpetrar solerte ataque.
Ao chegarmos do Porão Central, onde são tomadas as mais solenes e cautelosas soluções contra aqueles que nos perseguem, fui recebido de forma vivaz e altaneira. Soube então que a partir de então seria considerado oficialmente um Homem Bom e passaria a contar com total proteção.
A Leal, Augusta e Responsável Ordem dos Homens Bons, Frequentadores de Porões, reúne-se em tais pontos porque estudos seríssimos indicam que são aqueles os locais mais seguros. Os inimigos, que são muitos e estão em toda parte, ali não podem instalar escutas ou pôr câmeras a nos vigiar.
Importante salientar que temos enorme e vasta rede de túneis que ligam-se em teia por toda a cidade, porão a porão. Nosso líder maior, nosso Deão - sim, temos um Deão - é o Honorável Rabaça. Rabaça, amigo! Já pensou, Rabaça?
Homem de grandes sabenças. Filósofo e metafísico, alquimista, profeta e positivista. Disse-me, após cordial e fraternal abraço, que nossa Ordem está sempre em luta contra a Conspiração, que nada mais é do que organização que envolve o Governo, figurões e pessoas comuns, todos dispostos a perseguir os Homens Bons.
A Conspiração, Diário sábio é... (continua)
domingo, 11 de julho de 2010
http://copadomundo.uol.com.br/2010/campeao/
Uma vitória espartanaEmanoel Barreto
Com a vitória da Espanha vi-me obrigado a tomar uma dose de uísque. Depois, uma chamada de cana. Cachaça boa, vinda das Alterosas, produzida entre as serras e os vales secretos que só se encontram, para quem sabe procurar, nas Minas Gerais.
O que vi no jogo? Duas equipes vigorosas, competentes, mais que isso, aguerridas, como não encontrei na nossa Seleção - ali um grupo de malandros ociosos, acumpliciados com os altos pagamentos que ganham. Magote de vaidosos e inúteis. Quem contesta?
Vi no jogo uma guerra, vi guerreiros-jogadores. Vi homens briosos de lado a lado, homens com a têmpera de Leônidas nas Termópilas. Leônidas, o general espartano e seus 300 contra os milhares de atacantes persas.
A Espanha, chamada Fúria, nada teve desse sentimento menor mesmo pujante, revelador de dignidade na hora do enfrentamento; dignidade bruta, mas insensata forma de pensar porque nascida do instinto. Não. A Espanha teve bravura, força e disposição. Nada de Fúria. Raça, competência, técnica.
E isso faltou a nossa Seleção, medíocre conjunto, lamentável agrupamento sob a regência do anão Dunga. Como disse em duas crônicas neste Coisas: "Volta Garrincha! Volta."
Final da Copa 2010
Bem, amigos do Velho Barreto, se vocês estão procurando um local para assistir a final da copa 2010 ao lado de amigos tomando aquela longneck super gelada e ainda desfrutar de uma bela paisagem, o Insonia Bar é o seu destino.
De nosso mirante você assiste o jogo e ainda aproveita o belo visual da Praia de Ponta Negra.
Venha, esperamos você hoje e em noites de insonia.
PS. Hoje, excepcionalmente, funcionaremos das 12h até 20h.
sábado, 10 de julho de 2010
Folha de S. Paulo
Se eu recebi o Cão, posso receber uma diaba
Emanoel Barreto
Diz a Folha de hoje: Dilma Rousseff (PT) chegou antes de boa parte das convidadas ao almoço oferecido para ela ontem, no Rio, por Lily Marinho, viúva de Roberto Marinho, das Organizações Globo. Eram 13h quando a petista foi recebida pela anfitriã na porta da célebre mansão cor-de-rosa do Cosme Velho, aos pés do Cristo Redentor, onde o casal recebeu por décadas governantes do mundo todo para jantares memoráveis.
"Se o Roberto recebeu Fidel Castro aqui, por que eu não posso receber o PT?", disse Lily à Folha, num cenário emoldurado por flamingos rosas que nadam nos lagos da mansão -as aves foram presente do cubano, que esteve no Rio em 1992.
...
CREIO QUE DONA LILY deve ser uma senhora adorável. Imagino-a elegante, charmosa, espirituosa, finíssima, clássica. Uma mulher do tempo em que a elegância feminina era coisa primordial. Um toque de perfume fazendo parte da toilette.
A mulher vestia o seu perfume. Ela era o perfume e o seu vestido.
Gostaria muito de tê-la entrevistado. Enternece-me e me encanta o olhar a vivência dos que viveram muito. O tempo deles passando ante seus olhos em narrações que consigo captar numa espécie de telepatia, pois também os acompanho nesse delicado vórtice. Fiz isso muitas vezes quando entrevistava Luís da Câmara Cascudo.
Mas, o que digo? Estou entrevistando, nesse solilóquio, Dona Lily Marinho. Estou divagando nessa entrevista que a mim mesmo concedo, quando o que quero realmente é imergir na política, essa arte do terrível tão bem descrita pelo divino Maquiavel.
Política? Ah, política. Dona Lily, magnífico exemplar do que talvez se possa chamar de nossa aristocracia, elegante como seus flamingos, recebendo a diaba, a ex-guerrilheira sem, com isso sentir-se ofegante, sem precisar pedir seus sais, porque antes já havia recebido o próprio Diabo Fidel Castro. E olhe que não é pouca coisa.
Pelo que vejo, esta é a segunda matéria que a Folha exibe, mostrando a diaba em meio a comensais da alta costura. A primeira foi em São Paulo, quando a diabrete foi recebida em meio a canapés e champagne pela alta esfera quatrocentona.
Qual a intenção da Folha com isso? Registrar objetivamente um fato, um acontecimento de ação? Sim, sem dúvida. No texto sobre o encontro com Dª Lily, por sinal, o fez de forma magnífica. Requintado, o texto rebrilha de pontuações sobre a finesse do encontro, rendez-vous delicado, cheio dessa ternura de ocasião como somente o charme da burguesia o sabe fazer.
Mas, qual o objetivo oculto do jornal? Muito simples: mostrar a incoerência entre a mensagem da diaba e seu convívio com, digamos assim, uma representante do capital. Ou seja: a diaba cortejando as elites.
É verdade? É. A ex-combatente da ditadura está se aproximando das elites, participa de seus convescotes e fala sobre amenidades. A Folha, com isso, busca desconstruir o discurso diabólico, mostrando suposta peraltice ideológica da diabinha.
Mas, por outro lado, é verdade também que a diaba tem consciência de que, num país como o nosso, é preciso fazer avanços no que Gramsci chamava metaforicamente de guerra de posição. A ocupação de espaços, para fortalecimento da campanha - aqui no sentido militar do termo com suas implicações na arte política.
Por favor, nada de entender que estou convocando a luta armada. Bobagem. Não sou assim um comuna tão perigoso. Tsk, tsk, tsk... Estou, sim, dando sustentação à metáfora gramsciana. Ocupação de espaços, avanço metódico e metodológico.
Já critiquei neste Coisas a diaba por esse tipo de comportamento. Senti a incoerência. Mas, ante o perigo de uma motossera desvairada derrubando o pau-brasil, talvez seja necessário um pouco de pragmatismo, mesmo com alguma repulsão.
O discurso da, outra vez, diaba, talvez possa se colocar, também gramscianamente, como exercício de grande política. Aquela da fundação de estados, do debate e da compreensão histórica do enfrentamento dos atores concernidos, para usar linguagem cara aos sociólogos. Em linguagem popular, engolir sapos, mesmo que servidos como repasto com nome em francês.
Pois bem: a diabrete - ou seria diabreta? - talvez esteja seguindo esse rumo, o da grande política. Ela própria é parte da elite política. Os políticos sempre são uma forma de manifestação de elite. Afinal, são eles quem, na prática, na práxis melhor dizendo, definem, pelo menos em princípio, o passo seguinte. O povo sempre vem depois.
Mas, como ia dizendo, é preciso dialogar. E se a Folha pretende desconstruir o discurso de mefisto, talvez esteja agendando em setores da elite exatamente o que o meeting dilmístico pretende: apresentar-se como não-radical e apta a, convivendo com a conservação, assumir o lugar do sapo barbudo.
Mas, como dizia inicialmente, teria imenso prazer em entrevistar dona Lily Marinho... Teria mesmo...
Se eu recebi o Cão, posso receber uma diaba
Emanoel Barreto
Diz a Folha de hoje: Dilma Rousseff (PT) chegou antes de boa parte das convidadas ao almoço oferecido para ela ontem, no Rio, por Lily Marinho, viúva de Roberto Marinho, das Organizações Globo. Eram 13h quando a petista foi recebida pela anfitriã na porta da célebre mansão cor-de-rosa do Cosme Velho, aos pés do Cristo Redentor, onde o casal recebeu por décadas governantes do mundo todo para jantares memoráveis.
"Se o Roberto recebeu Fidel Castro aqui, por que eu não posso receber o PT?", disse Lily à Folha, num cenário emoldurado por flamingos rosas que nadam nos lagos da mansão -as aves foram presente do cubano, que esteve no Rio em 1992.
...
CREIO QUE DONA LILY deve ser uma senhora adorável. Imagino-a elegante, charmosa, espirituosa, finíssima, clássica. Uma mulher do tempo em que a elegância feminina era coisa primordial. Um toque de perfume fazendo parte da toilette.
A mulher vestia o seu perfume. Ela era o perfume e o seu vestido.
Gostaria muito de tê-la entrevistado. Enternece-me e me encanta o olhar a vivência dos que viveram muito. O tempo deles passando ante seus olhos em narrações que consigo captar numa espécie de telepatia, pois também os acompanho nesse delicado vórtice. Fiz isso muitas vezes quando entrevistava Luís da Câmara Cascudo.
Mas, o que digo? Estou entrevistando, nesse solilóquio, Dona Lily Marinho. Estou divagando nessa entrevista que a mim mesmo concedo, quando o que quero realmente é imergir na política, essa arte do terrível tão bem descrita pelo divino Maquiavel.
Política? Ah, política. Dona Lily, magnífico exemplar do que talvez se possa chamar de nossa aristocracia, elegante como seus flamingos, recebendo a diaba, a ex-guerrilheira sem, com isso sentir-se ofegante, sem precisar pedir seus sais, porque antes já havia recebido o próprio Diabo Fidel Castro. E olhe que não é pouca coisa.
Pelo que vejo, esta é a segunda matéria que a Folha exibe, mostrando a diaba em meio a comensais da alta costura. A primeira foi em São Paulo, quando a diabrete foi recebida em meio a canapés e champagne pela alta esfera quatrocentona.
Qual a intenção da Folha com isso? Registrar objetivamente um fato, um acontecimento de ação? Sim, sem dúvida. No texto sobre o encontro com Dª Lily, por sinal, o fez de forma magnífica. Requintado, o texto rebrilha de pontuações sobre a finesse do encontro, rendez-vous delicado, cheio dessa ternura de ocasião como somente o charme da burguesia o sabe fazer.
Mas, qual o objetivo oculto do jornal? Muito simples: mostrar a incoerência entre a mensagem da diaba e seu convívio com, digamos assim, uma representante do capital. Ou seja: a diaba cortejando as elites.
É verdade? É. A ex-combatente da ditadura está se aproximando das elites, participa de seus convescotes e fala sobre amenidades. A Folha, com isso, busca desconstruir o discurso diabólico, mostrando suposta peraltice ideológica da diabinha.
Mas, por outro lado, é verdade também que a diaba tem consciência de que, num país como o nosso, é preciso fazer avanços no que Gramsci chamava metaforicamente de guerra de posição. A ocupação de espaços, para fortalecimento da campanha - aqui no sentido militar do termo com suas implicações na arte política.
Por favor, nada de entender que estou convocando a luta armada. Bobagem. Não sou assim um comuna tão perigoso. Tsk, tsk, tsk... Estou, sim, dando sustentação à metáfora gramsciana. Ocupação de espaços, avanço metódico e metodológico.
Já critiquei neste Coisas a diaba por esse tipo de comportamento. Senti a incoerência. Mas, ante o perigo de uma motossera desvairada derrubando o pau-brasil, talvez seja necessário um pouco de pragmatismo, mesmo com alguma repulsão.
O discurso da, outra vez, diaba, talvez possa se colocar, também gramscianamente, como exercício de grande política. Aquela da fundação de estados, do debate e da compreensão histórica do enfrentamento dos atores concernidos, para usar linguagem cara aos sociólogos. Em linguagem popular, engolir sapos, mesmo que servidos como repasto com nome em francês.
Pois bem: a diabrete - ou seria diabreta? - talvez esteja seguindo esse rumo, o da grande política. Ela própria é parte da elite política. Os políticos sempre são uma forma de manifestação de elite. Afinal, são eles quem, na prática, na práxis melhor dizendo, definem, pelo menos em princípio, o passo seguinte. O povo sempre vem depois.
Mas, como ia dizendo, é preciso dialogar. E se a Folha pretende desconstruir o discurso de mefisto, talvez esteja agendando em setores da elite exatamente o que o meeting dilmístico pretende: apresentar-se como não-radical e apta a, convivendo com a conservação, assumir o lugar do sapo barbudo.
Mas, como dizia inicialmente, teria imenso prazer em entrevistar dona Lily Marinho... Teria mesmo...
Volto
Volto a escrever neste sábado.
Emanoel Barreto
Emanoel Barreto
quinta-feira, 8 de julho de 2010
http://avapa.files.wordpress.com/2008/05/rottweiler1.jpg
O inferno de Dante no dente do rottweiler
Emanoel Barreto
O assassinato da ex-amante do goleiro Bruno assumiu à perfeição os contornos de tragédia macabra, acontecimento medonho.
Como nos piores momentos da série Criminal Minds ou dos filmes do personagem Hannibal, quando mentes criminosas praticam os mais nauseantes atos de barbaridade e insânia, o requinte da perversidade ali parece ter chegado ao limite ou quase isso. Parece. Ninguém sabe ao certo até que ponto a humanidade pode se manifestar em atos de crueldade demencial.
O fato de o corpo ter sido esquertejado, servido a cães e emparedados os ossos revela dado terrificante, enlouquecedor: o homem, no exercício da humanidade, paradoxalmente se desumaniza, se degrada e degrada seus semelhantes. Legiões de demônios dançam nos dentes das feras. Tire as crianças da sala.
Como num thriller macabro, as peças vão se apresentando e se encaixando. Enquanto isso, o principal suspeito se nega a depor, afirmando que somente o fará em Juízo. Está no legítimo exercício de cidadania.
O que se espera é o esclarecimento do caso. Numa sociedade como a nossa, onde a impunidade é quase que garantida em lei, tamanha a gama de artifícios e procrastinações ao dispor dos advogados, é preciso lugar para que alguma justiça seja feita.
Falando nisso, vem-me à lembrança a lei dos ficha-limpa. O senador Heráclito Fortes, um ficha-suja, já garantiu, pelo menos a princípio, sua impunidade. Condenado por improbidade, já ativou manhas e artimanhas processuais para se livrar do impedimento legal de candidatar-se à reeleição.
A questão é que, persistindo o quadro de impunidade viral, temo que isso venha a se converter em impunibilidade, ou seja: a prescrição de que nenhum criminoso, mesmo flagrado, seja punido. Evoluindo o impune para a condição de impunível, teremos então instalado o quadro mais desalentador, aos que se regem pela honradez.
E me vem uma pergunta: o Brasil vale a pena?
O inferno de Dante no dente do rottweiler
Emanoel Barreto
O assassinato da ex-amante do goleiro Bruno assumiu à perfeição os contornos de tragédia macabra, acontecimento medonho.
Como nos piores momentos da série Criminal Minds ou dos filmes do personagem Hannibal, quando mentes criminosas praticam os mais nauseantes atos de barbaridade e insânia, o requinte da perversidade ali parece ter chegado ao limite ou quase isso. Parece. Ninguém sabe ao certo até que ponto a humanidade pode se manifestar em atos de crueldade demencial.
O fato de o corpo ter sido esquertejado, servido a cães e emparedados os ossos revela dado terrificante, enlouquecedor: o homem, no exercício da humanidade, paradoxalmente se desumaniza, se degrada e degrada seus semelhantes. Legiões de demônios dançam nos dentes das feras. Tire as crianças da sala.
Como num thriller macabro, as peças vão se apresentando e se encaixando. Enquanto isso, o principal suspeito se nega a depor, afirmando que somente o fará em Juízo. Está no legítimo exercício de cidadania.
O que se espera é o esclarecimento do caso. Numa sociedade como a nossa, onde a impunidade é quase que garantida em lei, tamanha a gama de artifícios e procrastinações ao dispor dos advogados, é preciso lugar para que alguma justiça seja feita.
Falando nisso, vem-me à lembrança a lei dos ficha-limpa. O senador Heráclito Fortes, um ficha-suja, já garantiu, pelo menos a princípio, sua impunidade. Condenado por improbidade, já ativou manhas e artimanhas processuais para se livrar do impedimento legal de candidatar-se à reeleição.
A questão é que, persistindo o quadro de impunidade viral, temo que isso venha a se converter em impunibilidade, ou seja: a prescrição de que nenhum criminoso, mesmo flagrado, seja punido. Evoluindo o impune para a condição de impunível, teremos então instalado o quadro mais desalentador, aos que se regem pela honradez.
E me vem uma pergunta: o Brasil vale a pena?
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quarta-feira, 7 de julho de 2010
Descobri hoje de manhã que sou um homem sem sombra. Minha sombra fugiu de mim, entende? Ao fazer a caminhada diária notei algo estranho: era a ausência da sombra. Como sei que fisicamente sou um corpo opaco e que todo corpo opaco submetido à luz produz aquilo a que chamamos de sombra, tomei-me de cuidados.
Um amigo já me havia falado nisso, garantindo que sua sombra havia fugido. Para ele, a explicação era que a tal sombra era preguiçosa e não gostava das ferozes caminhadas que ele faz todos os dias.
Considerei aquilo algo natural: afinal, as sombras, como qualquer ser vivente, têm o direito de se recusar a trabalhos forçados. Mas, no meu caso não. A minha sombra, e isso ela já havia demonstrado em seguidas discussões comigo, queria me assassinar. Para tanto, havia fugido a fim de preparar seus planos.
Convicto do perigo, acautelei-me. Olhando para todos os lados percebi movimentos escusos: era a sombra Amigo Diário. Movia-se com velocidade incrível. Saltava sobre árvores, carros, corria pela pista onde eu fazia a caminhada. Chegava até às nuvens, vertiginosa e cruel.
Então, após dar um salto de mais de dez metros de altura, precipitou-se sobre mim e parecia brandir agudo e pavoroso punhal.
Rápido como meu lúdico, quero dizer lúcido pensamento, atirei-me sob a copa de uma árvore e escapei ao atroz e belicoso golpe. A arma ficou cravada no tronco e, enquanto ela tentava recuperá-la, fugi.
Entrei no meu carro e acelerei em direção à minha casa. Inútil, a sombra corria ao lado e sorria. Enfrentando o trânsito, que apesar da hora já era intenso, cheguei. Chovia. Somente então percebi que, todo esse tempo, eu estava sob um temporal. Desde quando caminhava.
Mas, chegando à minha casa, divisei a figura macabra da minha sogra à porta. Parecia me esperar, a fim de, ali mesmo, me eliminar friamente. Tinha à mão um estranho objeto negro. Mais perto percebi que era um guarda-chuva. Sem dúvida se preparava para cravá-lo em meu coração. Dizem que sogras são exímias no uso de guarda-chuvas como armas.
No carro também havia um guarda-chuva. Empunhei-o e preparei-me para o combate mortal. Avancei em riste, prestes ao embate. Se morresse, teria fim glorioso, combatendo aquele sinistro dragão.
Ele me disse: "Meu filho, você nessa chuva toda...", querendo me enganar. Notei que preprarava-se para desfechar-me notável golpe no crânio e assumi posição de defesa. Minha mulher veio em socorro da virago e dizia também: "Querido, você, todo molhado, vai se resfriar..." e percebi que tinha nas mãos uma toalha, certamente para me enforcar.
Nisso, uma réstia de sol me iluminou e vi novamente a minha sombra. A chuva tinha cessado, o sol brilhava e ela tinha voltado. Entrei em casa desesperado, mas agora com a minha sombra que, em caso de urgência, poderia me ajudar no combate.
Ensopado, dei o primeiro espirro. Minha mulher chegou com um chazinho e me disse: "Beba isso, amor, vai melhorar."
Bebi, mas, por precaução, para não ser envenenado, cuspi tudo. Agora estou aqui, gripado. Minha mulher, ao meu lado, diz que está cuidando de mim. Acredito não. Quando eu dormir tenho certeza de que serei assassinado.
Deste seu amigo,
Bicalho
O icosaedro truncado é proporcional ao momento estático, que por sua vez é algo que se parece com o iconoclasta madrileno do escambo
Emanoel Barreto
A Folha de S. Paulo tem em sua política editorial a proposta de manipulação do leitor mediante o recurso que lá eles chamam de amor/ódio. Quem bem explica - e apoia o método - é o professor Carlos Eduardo Lins da Silva em seu livro "Mil dias, seis mil dias depois". Segundo entende, é preciso agredir o leitor a fim de provocar nele a necessidade de ler o jornal. O confronto jornal/leitor, afirma, é proveitoso em termos políticos e de mercado.
Diz assim: a relação amor/ódio "em todos os sentidos, trata-se de uma postura que só pode ser positiva em termos tanto de mercado como de influência política. Um veículo de comunicação que seja apenas benquisto pela sua audiência, acaba se tornando desinteressante, monótono, previsível. A relação amor/ódio é muito mais provocante, recompensadora e condizente com um público sofisticado e crítico."
Mais claro que isso só o Satânico Dr. No. Pois bem: o artigo abaixo certamente está inscrito nessa política editorial. É uma verdadeira afronta a qualquer concepção de jornalismo. O articulista, um matemático, se expressa em linguagem acadêmica e, como tal, esotérica. Não fez qualquer esforço para explicar ao leitor não-iniciado em sua ciência o que seja a tal bola Jabulani, a suposta intenção do artigo.
Com você, um pingo do ódio que a Folha destina ao leitorado. Na íntegra, o samba do crioulo doido.
Jabulani, a bola mais criticada
JOSÉ LUIZ PASTORE MELLO jlpmello@uol.com.br
O poliedro de material flexível inflável da Jabulani só é composto por pentágonos regulares
NINGUÉM RECEBEU mais críticas durante a Copa do Mundo de futebol do que Jabulani, a bola oficial do torneio. Ela foi chamada pelos jogadores de "bola de supermercado" (Julio César), "bola sobrenatural" (Luis Fabiano) e até de "bola patricinha" (Felipe Melo).
A história moderna da bola de futebol remonta à Copa de 70, ocasião em que o mundo foi apresentado a uma bola de futebol cuja forma se mostrou tão conveniente que permaneceu em uso até o recente aparecimento da Jabulani.
A concepção da bola consagrada em 70 foi inspirada em um conhecido poliedro convexo, descoberto por Arquimedes, denominado de icosaedro truncado. O icosaedro regular é um poliedro convexo de 20 faces triangulares, e o icosaedro truncado, um poliedro convexo obtido após fazermos "cortes" nos vértices do icosaedro regular.
Por serem poliedros, tanto o icosaedro regular como o truncado atendem à seguinte relação, conhecida como teorema de Euler: o número de vértices (V) mais o de faces (F) excede em 2 a quantidade de arestas (A), ou seja, V+F = A+2.
No caso do icosaedro regular, suas 20 faces são triângulos equiláteros, sendo que cada vértice do sólido é formado pela junção de quatro triângulos, o que concede a ele 12 vértices e 30 arestas. As 32 faces do icosaedro truncado são formadas por 12 pentágonos regulares e 20 hexágonos regulares. Cada um dos 60 vértices do icosaedro truncado é formado pela junção de 1 pentágono e 2 hexágonos, o que resulta ao sólido o total de 90 arestas. Poliedros cujas faces regulares são de mais de um tipo, como o icosaedro truncado, que possui faces pentagonais e hexagonais, recebem o nome de sólidos de Arquimedes.
Desde os anos 70, portanto, a fabricação da bola tradicional de futebol é feita inflando-se um icosaedro truncado de faces flexíveis até se obter um sólido "suavemente" esférico. A novidade introduzida pela Jabulani é o fato de que o poliedro de material flexível inflável nela utilizado é composto apenas por pentágonos regulares, como se vê no vídeo da sua fabricação.
Para entendermos por que uma bola como a Jabulani implica uma trajetória mais irregular do que a da bola tradicional, é razoável olhar para a planificação das faces a partir de um dos vértices do poliedro e compará-la com a da bola tradicional.
Observe que o "ângulo de folga" com relação a 360 é menor na bola tradicional do que na Jabulani, o que, em última análise, implica dizer que, quando inflada, a bola clássica irá gerar uma superfície mais suave -e menos suscetível à trajetória irregular- do que a Jabulani.
Não só nossos jogadores estão "matematicamente" corretos em reclamar da Jabulani, como também podemos dar um novo apelido a ela: Jabulani, a "bola não arquimediana".
(JOSÉ LUIZ PASTORE MELLO é graduado e mestre pela USP e professor de matemática do Colégio Santa Cruz)
terça-feira, 6 de julho de 2010
http://fotografia.folha.com.br/galerias/256-uruguai-x-holanda#foto-5689
"O holandês Demy de Zeeuw é atingido pela chuteira do uruguaio Caceres..." - diz o texto da Folha. Há algo mais, porém: a foto, enquanto registro de acontecimento único e irrepetível, além de mostrar lance que os comentaristas de futebol talvez chamassem de "viril", supera, creio, esse confronto másculo.
Suponho dê a dimensão trágica do futebol, o jogo de mil sentidos e intenções: luta, guerra, sofrimento, heroísmo, superação, doação, arrojo, comprometimento, causa, um toque de violência espartana...
Como disse, são mil sentidos e significações.
E fico e pensar:talvez tenha faltado ao Brasil um pé de coragem...
Divulgação
Riquelme tirou a roupa. Tirou a roupa? Rapaz, vamo ver, já pensou?
Emanoel Barreto
Os acontecimentos de massa na sociedade do espetáculo muitas vezes terminam por engendrar outros acontecimentos. É o que o sociólogo francês Pierre Bourdieu chamava de circulação circular da notícia. Um acontecimento noticioso suscitando outro num círculo de implicações em essência vazias de sentido - o acontecimento pelo acontecimento, a emoção geral contaminando seu próprio processo.
É o caso da arrivista jovem, que viu - e muitos viram com ela e por ela - a oportunidade da fama dos 15 minutos. Lembra de Andy Wharol? A moça já foi clicada por revista argentina e, a cavaleiro do tsumami que a Copa provocou em torno de si, agora virou personagem desse, posso dizer drama alegre? Drama enquanto encenação, pastiche de si próprio, burlesqueria? Posso, acho que posso.
Mas, é isso: a moça vai desfrutar seus minutos de fama, vai embolsar algum dinheiro e, não tenha dúvida, vai ser depois digerida pela indústria cultural. Lembra de alguém chamada Carla Perez? É só para lembrar...
Riquelme tirou a roupa. Tirou a roupa? Rapaz, vamo ver, já pensou?
Emanoel Barreto
Os acontecimentos de massa na sociedade do espetáculo muitas vezes terminam por engendrar outros acontecimentos. É o que o sociólogo francês Pierre Bourdieu chamava de circulação circular da notícia. Um acontecimento noticioso suscitando outro num círculo de implicações em essência vazias de sentido - o acontecimento pelo acontecimento, a emoção geral contaminando seu próprio processo.
É o caso da arrivista jovem, que viu - e muitos viram com ela e por ela - a oportunidade da fama dos 15 minutos. Lembra de Andy Wharol? A moça já foi clicada por revista argentina e, a cavaleiro do tsumami que a Copa provocou em torno de si, agora virou personagem desse, posso dizer drama alegre? Drama enquanto encenação, pastiche de si próprio, burlesqueria? Posso, acho que posso.
Mas, é isso: a moça vai desfrutar seus minutos de fama, vai embolsar algum dinheiro e, não tenha dúvida, vai ser depois digerida pela indústria cultural. Lembra de alguém chamada Carla Perez? É só para lembrar...
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Volto a escrever nesta terça.
Emanoel Barreto
Emanoel Barreto
domingo, 4 de julho de 2010
Reflexões a respeito da Seleção
Emanoel Barreto
A Seleção não tinha um ataque; teve um acesso.
Não tinha um grande técnico; tinha um anão.
Não tinha uma fera como Pelé; só a pele de lobo.
Que não era a pele do Lobo Zagallo.
Como não houve um Zagallo, voltou com um galo. Na cabeça.
Como também parecia não ter cabeça, o galo se transformou em calos. Nos pés.
Sem um Garrincha, todo mundo relincha.
Kaká, bobinho, só fez gá-gá-du-du.
Agora é esperar por 2014.
Faça a soma: 2+1+4=7.
Que é a conta do mentiroso.
Emanoel Barreto
A Seleção não tinha um ataque; teve um acesso.
Não tinha um grande técnico; tinha um anão.
Não tinha uma fera como Pelé; só a pele de lobo.
Que não era a pele do Lobo Zagallo.
Como não houve um Zagallo, voltou com um galo. Na cabeça.
Como também parecia não ter cabeça, o galo se transformou em calos. Nos pés.
Sem um Garrincha, todo mundo relincha.
Kaká, bobinho, só fez gá-gá-du-du.
Agora é esperar por 2014.
Faça a soma: 2+1+4=7.
Que é a conta do mentiroso.
sábado, 3 de julho de 2010
Don't cry for me, Argentina
(Ou Maradona foi reduzido a pó)
Emanoel Barreto
Don't cry for me, Argentina.
Teu tango está tão perdido
Quanto meu samba entristecido.
Don't cry for me, Argentina.
Chora antes por teu Messi
Que não fez gol nem deu passe
- nem mesmo com muita prece.
Don't cry for me, Argentina.
Maradona só tem marra
Que amarra tua honra.
Don't cry for me, Argentina.
Chora antes por teus craques
Que têm o poder de um traque.
Don't cry for me, Argentina.
Chora então por teus pimpolhos
Que também como meu samba, desperdiçaram o ouro.
Don't cry for me, Argentina.
Maradona, arruaceiro, agressivo, baderneiro
foi reduzido a pó.
(Ou Maradona foi reduzido a pó)
Emanoel Barreto
Don't cry for me, Argentina.
Teu tango está tão perdido
Quanto meu samba entristecido.
Don't cry for me, Argentina.
Chora antes por teu Messi
Que não fez gol nem deu passe
- nem mesmo com muita prece.
Don't cry for me, Argentina.
Maradona só tem marra
Que amarra tua honra.
Don't cry for me, Argentina.
Chora antes por teus craques
Que têm o poder de um traque.
Don't cry for me, Argentina.
Chora então por teus pimpolhos
Que também como meu samba, desperdiçaram o ouro.
Don't cry for me, Argentina.
Maradona, arruaceiro, agressivo, baderneiro
foi reduzido a pó.
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sexta-feira, 2 de julho de 2010
Honorável Diário,
Ontem aprendi grandes coisas. Grandes coisas, entende? Tudo isso por haver encontrado um grande homem, amigo velho de tempos de antanho. Os tempos de antanho foram os melhores, pelo que sei.
Pois bem, ao entrar no elevador a fim de dirigir-me ao meu escritório no 37º andar, encontro a grande figura humana de Quaresma. Quaresma, já pensou? Só nome já mostra quem ele é. Deve fazer jejum e grandes penitências. E disse-me coisas, coisas alvissareiras: agora, anda com os bolsos da calça e do paletó cheios de velas.
"Para quê?", perguntei. "Pagar promessas", disse, com um certo ar solene.
"Promessas?". "Sim, promessas. Sempre que estou em perigo faço logo uma promessa e acendo uma vela".
Vi que ali estava pessoa em quem poderia confiar. Homem muito rezador, ciente de altas ciências.
Ele ia para o mesmo andar que eu. Lá tenho meu escritório e ele o dele. E lá nos fomos, metidos naquele perigosíssimo elevador. Eu contador, ele advogado. De repente, o claustrofóbico meio de transporte começou a ranger e a tremer.
Quaresma, mais que depressa, ávido, melhor diria desesperado e ingente, meteu a mão no bolso interno do paletó e sacou uma vela. "Promessa?, chegou a hora de uma promessa?", quis saber, já em pânico.
"Sim", respondeu, "estamos em sério perigo". Não duvidei: um homem que anda cheio de velas e ainda por cima faz promessas a qualquer instante deve ser levado em consideração.
"E o que devo fazer: devo me ajoelhar, pedir, rezar, implorar?". Em resposta, deu-me sábio e ponderado conselho: "Sim, ajoelhe-se, mas, em vez de rezar, comece a gritar. Gritar por socorro."
Imediatamente atirei-me ao assoalho do elevador e gritei o mais alto que podia. "Pelo amor de Deus, socorro! Qualquer um, socorro!" O elevador, aquela assustadora máquina certamente criada para aterrorizar pessoas de pouca fé como eu, agora além de ranger e tremer batia de um lado para o outro naquele túnel maluco por onde trafega.
Aqui pra nós, às vezes penso que elevadores podem endoidecer e nos levar para as entranhas da Terra ou nos atirar ao espaço onde nos perderemos para sempre.
Mas, Quaresma rezava aquelas rezas bem baixinho, rezas de velhinhas quando estão na igreja. Devem ser as mais fortes, porque ninguém entende nada. E o que não se entende é porque é coisa de sumíssima importância. E ficou aquela cena: ele mastigando palavrinhas e eu berrando.
De repente, ele também começou a gritar. Aí eu passei do pânico à loucura total. Se um homem de velas, rezas e promessas está gritando, boa coisa não vai acontecer. O elevador, nesse momento, já pulava feito um doido.
Veio o pior, então. Ele prescreceu: "Acenda já alguma coisa, que a vela está ficando fraca. Vamos ver se outro fogo ajuda."
Eu retruquei: "Mas a vela ainda está no começo e a chama está forte."
"Engano seu. Essas velas de hoje são falsificadas. Descarregam depressa. Não viu que ando com muitas?"
"Acenda outra", eu disse.
"Não vale. O penitente não pode acender duas velas para uma mesma promessa. Outro fiel tem de ajudar."
Eu tinha uma caixa de fósforos. Acendi um, mas o fósforo também devia ser falsificado, porque logo se apagou. Eu tinha comprado fósforos com a carga vencida. Não se pode mais confiar em fósforos hoje em dia. Em desespero abri a caixa e toquei fogo em todos os fósforos ao mesmo tempo.
Houve uma pequena explosão e o elevador foi inundado de fumaça. Então, água começou a entrar no elevador. Uma verdadeira inundação. Os fósforos tinham disparado o sistema automático de combate a incêndio e todo o edifício estava sendo inundado.
Afinal o elevador parou no 37º andar. Quando saímos, molhados e dando graças por haver escapado, fomos presos. Acusados de incendiários. Mas, graças a Deus o delegado era um homem bom. Compreendeu nosso fervor e nossa fé e nos liberou.
Antes de sairmos, após tão rápida prisão, entendi o motivo. O delegado, que tinha medo de bandidos, também andava com um monte de velas nos bolsos.
Volta Garrincha! Volta!
Volta Garrincha! Volta espírito brincalhão, verdadeiro e forte.
Volta Garrincha! Volta!
Volta para entortar defesas, descobir gols, fazer vitórias.
Volta para transformar o futebol no grande hino da pátria de chuteiras.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Insônia Bar
Caras Amigas,
Caros Amigos,
É hoje a inauguração do Insônia Bar, ambiente refinado e descolado. Não podemos perder.
Emanoel Barreto
Caras Amigas,
Caros Amigos,
É hoje a inauguração do Insônia Bar, ambiente refinado e descolado. Não podemos perder.
Emanoel Barreto
http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=20204364&postID=4381591832936888379
Dilma toma chá, um índio vem da costa e Marina troca natureza pela NaturaEmanoel Barreto
A história republicana brasileira tem na sua vida partidária uma das mais sólidas manifestações de que tipo de democracia é por aqui perpetrada: as elites, aqui compreendendo-se o termo em sentido o mais largo possível, sempre se conluiam a fim de manter, mesmo que em processo de mutação, um determinado status quo. Aliás, a mutação, o rearranjo de forças é que garante a sustentação do establishment.
Pego três exemplos recentíssimos, fortes, ainda bem vivos e pulsantes:
1) O PSDB, que nas aparências formava um ser político monólito ao DEM, de repente apareceu com um candidato a vice em chapa puro-sangue. De repente as aparências ruíram e os demos entraram em ação. Resultado: o senador Ávaro Dias, ungido de última hora à condição de missionário ao lado de Serra é retirado do proscênio para ceder lugar a um político de nome esquisitíssimo: Índio da Costa, ilustre desconhecido de tamoios e tupiniquins, caetés e tupis. Agora chega para tocar a inúbia.
Resumo da ópera: de repente, não mais que de repente, surge um bravo guerreiro para trazer paz à maloca. E os demos e tucanos forçam a aparência de que tudo está, sempre esteve, em ordem e que todos são, realmente, homens e mulheres que se confiam mutuamente. Não são.
2) A senadora Marina Silva, campeã da causa verde, respeitada pela sociedade civil de todo o mundo, quem diria, caiu nas malhas da grande empresa, aliando-se ao dono da Natura. Esqueceu a floresta pelas cosmética indicação do magnata Guilherme Leal. Nada mais desleal para quem nela confiava.
3) Quanto a Dilma, um registro da Folha é bastante explícito para mostrar a quantas anda a coerência partidária. Reuniu-se anteontem com um grupo de socialites, a fina flor da burguesia de São Paulo, atendendo a convite do empresário Abílio Diniz, dono da rede Pão de Açúcar.
Ou seja: passou uma boa parte daquela tarde tricotanto com mulheres riquissímas e estúpidas. Ou seja: em processo de rendição aos que têm poder. Diz a Folha que todas saíram do encontro "encantadas" com a candidata - mas votando em Serra. Fica a pergunta: o que é isso, companheira?
O que pretendo dizer com tudo isso? Não, não estou pregando a revolução, o grito às armas contra o capital e seus efeitos colaterais perversos. Nada disso. Apenas enfatizo a velha e conhecida cantilena dos políticos, que se apresentam como salvadores da pátria etcétera e tal.
Alguém pode argumentar que se trata de "pragmatismo", guerra de posição, ocupação de espaços em favor de causa maior. Pode até ser, mesmo que seja só um pouco - pelo menos no caso de Marina e Dilma.
Mas é também, é como é, a avoenga e poderosa reprodução do poderio das elites - Marina e Dilma são uma forma desse elitismo, elite no sentido de pertencimento ao Poder - na perpetuação de um determinado quadro da política brasileira que não visa reformas essenciais na estrutura, na conjuntura e na superestrutura.
Não há uma reforma da forma mentis, do pensar dos políticos e dos seus intentos. Afinal, desde a ágora, o discurso, a sedução do outro, a argumentação, a retórica, têm definido os rumos da Cidade. Dizer, não quer dizer fazer.
E pior, nem todos os mares nos levam a Ítaca.
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quarta-feira, 30 de junho de 2010
Não deu para atualizar o blog. Nesta quinta, voltarei.
Emanoel Barreto
Emanoel Barreto
terça-feira, 29 de junho de 2010
Volto a escrever nesta quarta.
Emanoel Barreto
Emanoel Barreto
segunda-feira, 28 de junho de 2010
http://www.zaroio.com.br/i/o/200612150239162.jpg
Gol, ora pro nobis
Emanoel Barreto
Gol, ora pro nobis.
Bola, ora pro nobis.
Chuteira, ora pro nobis.
Dor, ora pro nobis.
Fome, ora pro nobis.
Medo, ora pro nobis.
Deus, amigo Deus, até que ponto
terei que orar para que esse povo
não ore só pro bola?
Deus, amigo Deus, até que ponto
iremos chorar
neste vale de lágrimas?
Até quando a lágrima, Deus,
vai comemorar gols, Deus?
Em vez de pedir, exigir, cobrar, pão e bonança, Deus?
Deus? Deus? Deus...............................................................?
Gol, ora pro nobis
Emanoel Barreto
Gol, ora pro nobis.
Bola, ora pro nobis.
Chuteira, ora pro nobis.
Dor, ora pro nobis.
Fome, ora pro nobis.
Medo, ora pro nobis.
Deus, amigo Deus, até que ponto
terei que orar para que esse povo
não ore só pro bola?
Deus, amigo Deus, até que ponto
iremos chorar
neste vale de lágrimas?
Até quando a lágrima, Deus,
vai comemorar gols, Deus?
Em vez de pedir, exigir, cobrar, pão e bonança, Deus?
Deus? Deus? Deus...............................................................?
Folha anuncia dabate inédito na internet
Diz o jornal: A Folha e o UOL, o maior jornal e o maior portal de notícias do Brasil, promoverão com os três principais candidatos à Presidência um debate eleitoral inédito a ser transmitido em vídeo, ao vivo, pela internet, no dia 18 de agosto. Se houver segundo turno, haverá novo encontro em 21 de outubro.
Já aceitaram formalmente participar Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV). Os três candidatos estarão frente a frente por duas horas e meia, a partir das 10h30 da manhã -quando a internet em geral registra a maior audiência.
Metade do debate será apenas entre os próprios candidatos fazendo perguntas entre si. Um moderador controlará o tempo.
Na segunda parte do debate, os candidatos responderão a perguntas de internautas, que serão coletadas pelo UOL e pela Folha.com ao longo das próximas semanas.
Ao final, Dilma, Serra e Marina responderão a perguntas formuladas por jornalistas da Folha e do UOL.
Com o objetivo de democratizar o acesso ao encontro, todos os meios de comunicação interessados poderão compartilhar e transmitir o sinal de áudio e vídeo do debate. Portais de internet, emissoras de rádio, TVs e outros veículos terão amplo acesso para fazer a cobertura jornalística do evento.
SEM NANICOS
A legislação eleitoral impõe restrições à realização de debates em emissoras de rádio e de TV. É necessário convidar todos os candidatos cujos partidos tenham eleito deputados em 2006 e continuem com representação no Congresso. Há sete concorrentes a presidente neste ano nessa situação, sendo que dois terços (cinco) precisam aceitar as regras propostas para o encontro.
No caso da internet, a liberdade é plena. Não existem restrições. Dessa forma, o debate Folha/UOL entre presidenciáveis deve ser o primeiro -e talvez o único- no primeiro turno que contará apenas com os três candidatos principais -sem necessidade de convidar os postulantes com taxas muito pequenas nas pesquisas.
Nos quatro debates já anunciados por emissoras de TV (Bandeirantes, Rede TV!/ Folha, Record e Globo), o número de candidatos presentes deve ser maior do que três, tornando o confronto de propostas mais difícil.
As negociações da Folha e do UOL com os três candidatos para chegar a um acordo sobre data e formato se arrastaram por quase seis meses.
Apesar de a lei ser clara, parte dos candidatos mostrou incerteza sobre realizar o encontro sem atender às regras impostas à TV e ao rádio.
Como meios de comunicação não podem formular perguntas diretamente ao plenário do Tribunal Superior Eleitoral, a Folha e o UOL fizeram então um pedido de esclarecimento por meio de consulta formal apresentada pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). O TSE dirimiu todas as dúvidas no dia 16 passado, liberando a web para realizar debates eleitorais.
Durante as negociações para preparação do debate Folha/UOL, chegaram a ser propostas datas em abril, maio, junho e julho. Serra e Marina acabaram aceitando a data de 19 de julho, mas Dilma preferiu o encontro apenas em agosto.
"A confirmação da presença da candidata Dilma Rousseff nesse evento da Folha e do UOL mostra nossa disposição de debater programas para o Brasil seguir mudando", declara o coordenador de comunicação da campanha petista, o deputado estadual Rui Falcão (SP).
"O candidato José Serra participará do debate da Folha e do UOL porque está disposto a confrontar ideias e propostas. Só lamentamos que a candidata do PT tenha preferido fazer esse debate apenas em agosto e a Folha tenha concordado com isso", informou a equipe de campanha do tucano.
Para João Paulo Capobianco, coordenador da campanha de Marina, "o debate na Folha e no UOL é fundamental para promover um amplo diálogo com a sociedade".
Diz o jornal: A Folha e o UOL, o maior jornal e o maior portal de notícias do Brasil, promoverão com os três principais candidatos à Presidência um debate eleitoral inédito a ser transmitido em vídeo, ao vivo, pela internet, no dia 18 de agosto. Se houver segundo turno, haverá novo encontro em 21 de outubro.
Já aceitaram formalmente participar Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV). Os três candidatos estarão frente a frente por duas horas e meia, a partir das 10h30 da manhã -quando a internet em geral registra a maior audiência.
Metade do debate será apenas entre os próprios candidatos fazendo perguntas entre si. Um moderador controlará o tempo.
Na segunda parte do debate, os candidatos responderão a perguntas de internautas, que serão coletadas pelo UOL e pela Folha.com ao longo das próximas semanas.
Ao final, Dilma, Serra e Marina responderão a perguntas formuladas por jornalistas da Folha e do UOL.
Com o objetivo de democratizar o acesso ao encontro, todos os meios de comunicação interessados poderão compartilhar e transmitir o sinal de áudio e vídeo do debate. Portais de internet, emissoras de rádio, TVs e outros veículos terão amplo acesso para fazer a cobertura jornalística do evento.
SEM NANICOS
A legislação eleitoral impõe restrições à realização de debates em emissoras de rádio e de TV. É necessário convidar todos os candidatos cujos partidos tenham eleito deputados em 2006 e continuem com representação no Congresso. Há sete concorrentes a presidente neste ano nessa situação, sendo que dois terços (cinco) precisam aceitar as regras propostas para o encontro.
No caso da internet, a liberdade é plena. Não existem restrições. Dessa forma, o debate Folha/UOL entre presidenciáveis deve ser o primeiro -e talvez o único- no primeiro turno que contará apenas com os três candidatos principais -sem necessidade de convidar os postulantes com taxas muito pequenas nas pesquisas.
Nos quatro debates já anunciados por emissoras de TV (Bandeirantes, Rede TV!/ Folha, Record e Globo), o número de candidatos presentes deve ser maior do que três, tornando o confronto de propostas mais difícil.
As negociações da Folha e do UOL com os três candidatos para chegar a um acordo sobre data e formato se arrastaram por quase seis meses.
Apesar de a lei ser clara, parte dos candidatos mostrou incerteza sobre realizar o encontro sem atender às regras impostas à TV e ao rádio.
Como meios de comunicação não podem formular perguntas diretamente ao plenário do Tribunal Superior Eleitoral, a Folha e o UOL fizeram então um pedido de esclarecimento por meio de consulta formal apresentada pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). O TSE dirimiu todas as dúvidas no dia 16 passado, liberando a web para realizar debates eleitorais.
Durante as negociações para preparação do debate Folha/UOL, chegaram a ser propostas datas em abril, maio, junho e julho. Serra e Marina acabaram aceitando a data de 19 de julho, mas Dilma preferiu o encontro apenas em agosto.
"A confirmação da presença da candidata Dilma Rousseff nesse evento da Folha e do UOL mostra nossa disposição de debater programas para o Brasil seguir mudando", declara o coordenador de comunicação da campanha petista, o deputado estadual Rui Falcão (SP).
"O candidato José Serra participará do debate da Folha e do UOL porque está disposto a confrontar ideias e propostas. Só lamentamos que a candidata do PT tenha preferido fazer esse debate apenas em agosto e a Folha tenha concordado com isso", informou a equipe de campanha do tucano.
Para João Paulo Capobianco, coordenador da campanha de Marina, "o debate na Folha e no UOL é fundamental para promover um amplo diálogo com a sociedade".
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Na África do Sul é assim: cueca de branco mete neguinho na cadeia
Emanoel Barreto
A Folha informa: Durante o tempo que permaneceu hospedada em um hotel de luxo em Rustemburgo, a delegação inglesa foi vítima de diversos furtos. Entre as "lembranças" levadas por funcionários do local, estava até uma cueca.
"Tudo o que foi roubado foi recuperado, e eles [os ladrões] estão atrás das grades", disse um porta-voz da polícia, Junior Metsi.
Os roubos foram realizados por funcionários do hotel e teriam começado a acontecer em 21 de junho.
Além da cueca, que não teve o dono revelado, uma camisa dos Estados Unidos foi levada, trocada no empate em 1 a 1 dos ingleses na estreia do Mundial. Cerca de US$ 750 [quase R$ 1.330] e uma medalha concedida pela Fifa foram roubadas também. O nome de nenhum atleta furtados foi divulgado.
No domingo, dia em que as queixas foram feitas, os casos foram rapidamente solucionados. Buscas foram feitas em casas de funcionários suspeitos e os bens foram encontrados. Cinco pessoas foram condenadas à três anos de prisão e multadas em cerca de US$ 800 [mais de R$ 1.400].
..........
São altíssimas as penas de prisão alicadas a sul-africanos que se envolverem em algum tipo de violência contra qualquer branco estrangeiro durante a Copa . Pelo que li e vi na TV há casos de até 15 anos de cadeia. Tudo por imposição da Fifa.
Mais claramente o Poder Branco, mediante a "autoridade" de ente privado, a Fifa, determinou, e os "negros" cumpriram. É mais uma forma abjeta de domínio, um resquício do colonialismo europeu. Mais claramente, o Estado sul-africano de forma servil, covarde, torpe, ignóbil, estabeleceu, ao que me parece, uma legislação casuística e perversa.
Não se trata de defender criminosos. O que está em causa é a dignidade de todo um povo já tão maltratado e historicamente vilipendiado.
A prisão, conceitualmente, não se dirige ao indivíduo infrator, mas à sua condição de negro, predominantemente a etnia com supostas tendências criminais. Lombroso não faria melhor. Só falta medir a conformação craniana do preso para diagnosticar o "criminoso nato".
Agora atenção: a mesma coisa deverá ser exigida do Brasil. E aqui, neguinho vai ter que chiar. Ou vamos engolir calados a lei da cueca?
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domingo, 27 de junho de 2010
Se beber, não vote
Emanoel Barreto
Vai começar a campanha eleitoral. Dez conselhos úteis:
- Se beber, não vote.
- Se votar, beba para esquecer.
- Se bebeu para esquecer é trabalho perdido: já votou. Era o que eles queriam.
- Não veja programas eleitorais. Eles são um porre.
- Quem está de porre não deve votar, como já indicado.
- Pior que ver programas eleitorais é rever programas eleitorais. Dá enxaqueca.
- Quem vota não pode dar meia volta.
- Insistimos: se beber não vote.
- Ou melhor: apenas não vote.
- Evite problemas colaterais. Você sabe quais são.
Colendo Diário,
Tenho percebido que indivíduos molestos e de sombrios intentos parecem querer me sequestrar. Acho mesmo que a mocinha que serve café no escritório está de campana para eles. Como sei? Simples: depois de beber a terceira xícara hoje de manhã, senti que estava meio tonto. Claro, um homem entontecido é facilmente capturável e pode ser levado a qualquer lugar.
Então, precavido que sou, entrei em contato com um amigo policial que me advertiu: "Cuidado, que mocinhas que servem café são famosas por sua temibilidade". Então, como ainda me sentia tonto, fui à casa de um amigo, médico, em quem eu esperava poder confiar.
Ledo engano. Lá chegando, fui tomado por horrível surpresa: meu amigo, em vez de levar-me ao gabinete, encaminhou-me a local onde está desenvolvendo terribilíssima experiência: está criando milhafres, amigo. Milhafres, entende? Quem cria milhafres, amigo Diário, é pessoa em quem não se pode confiar.
Os milhafres, quando me viram, começaram a crocitar. Com certeza preparavam um ataque a qualquer momento. Ele, calmamente, falava de como aqueles pássaros sinistros eram dóceis e bons e de como, treinados, poderiam se tornar guardiães perfeitos de uma casa.
Só pode estar louco. Sei que milhafres chegaram a investir contra ninguém menos que Moisés. Não sabia? É claro. Isso é informação confidencial. Informação classificada, como se diz naqueles filmes de espionagem. Poucos sabem, porque o Mossad não quer que a informação possa servir a terroristas.
Mas, como eu sei, entendi que meu amigo médico seja do Mossad e tencionasse me matar. Percebi que ele estava certo de que eu quero atacar Israel aquela era a melhor oportunidade para me eliminar. Depois de morto, eu seria devorado pelos milhafres. Nunca mais se ouvuria falar de mim.
Astuciosamente recuei e fugi. De longe ainda ouvi quando ele gritava: "Espere, espere! Venha conhecer minha criação de babuínos!" Com babuínos é morte certa. Entrei no carro e fui para casa. Quando desci, minha sogra estava me esperando. A seu lado enorme mastim napolitano...
...e aí, a moça tirou o sutiã e ficou só de calcinha...
Emanoel Barreto
A Ilustríssima, da Folha, diz: Katy Perry aparece sem sutiã em capa de revista britânica.
Com um corte de cabelo estilo pin-up, um short-calcinha de cintura alta, salto alto e os seios cobertos apenas com a mão e o braço, Katy Perry aparece em foto que deve estampar a capa de agosto da revista "Esquire".
A versão da capa que circula na internet não é a final e tem como título "Too Hot to Handle", que em português significa "muito quente para segurar".
Katy Perry, que estourou nas rádios com uma música sobre beijar meninas, tem feito sucesso com "California Curls", que tem a participação do rapper Snoop Dogg.
........
A moça integra o que vem sendo chamado de música pop, muito embora pop seja outra coisa. Pop foi um movimento de vanguarda artística que explodiu nos anos 60. Uma espécie de crítica à sociedade de consumo.
Utilizava-se de figuras icônicas da indústria cultural como Marilyn Monroe, latas da Sopa Campbell's e garrafas de Coca Coca. O grande corifeu do movimento foi Andy Warhol, lembra?
A única coisa que haveria de pop nessa jovem é o fato de que é um produto. É uma falsificação recebida com aplausos. A falsificação do que em si já é fake: a sociedade de consumo. Desvairada e perdulária. Só.
O fato de haver feito, ou cantado, uma música falando em "beijar meninas" já mostra como se trata de uma aproveitadora: tocou num ponto polêmico para chamar atenção. No mais, é uma mulher que, arrivista, se aproveita do próprio e belo corpo para chegar a algum ponto alto dessa constelação vazia.
Emanoel Barreto
A Ilustríssima, da Folha, diz: Katy Perry aparece sem sutiã em capa de revista britânica.
Com um corte de cabelo estilo pin-up, um short-calcinha de cintura alta, salto alto e os seios cobertos apenas com a mão e o braço, Katy Perry aparece em foto que deve estampar a capa de agosto da revista "Esquire".
A versão da capa que circula na internet não é a final e tem como título "Too Hot to Handle", que em português significa "muito quente para segurar".
Katy Perry, que estourou nas rádios com uma música sobre beijar meninas, tem feito sucesso com "California Curls", que tem a participação do rapper Snoop Dogg.
........
A moça integra o que vem sendo chamado de música pop, muito embora pop seja outra coisa. Pop foi um movimento de vanguarda artística que explodiu nos anos 60. Uma espécie de crítica à sociedade de consumo.
Utilizava-se de figuras icônicas da indústria cultural como Marilyn Monroe, latas da Sopa Campbell's e garrafas de Coca Coca. O grande corifeu do movimento foi Andy Warhol, lembra?
A única coisa que haveria de pop nessa jovem é o fato de que é um produto. É uma falsificação recebida com aplausos. A falsificação do que em si já é fake: a sociedade de consumo. Desvairada e perdulária. Só.
O fato de haver feito, ou cantado, uma música falando em "beijar meninas" já mostra como se trata de uma aproveitadora: tocou num ponto polêmico para chamar atenção. No mais, é uma mulher que, arrivista, se aproveita do próprio e belo corpo para chegar a algum ponto alto dessa constelação vazia.
sábado, 26 de junho de 2010
Volto a escrever neste domingo.
Emanoel Barreto
Emanoel Barreto
sexta-feira, 25 de junho de 2010
De qualquer maneira, ufa! para o PSDB
Emanoel Barreto
Deu na Folha: O senador tucano Alvaro Dias (PSDB-PR) será o vice do correligionário José Serra na chapa presidencial que disputará as eleições deste ano.
Dias confirmou a "convocação" à vice e disse que aceitou a proposta, recebida na manhã desta sexta-feira (25), com "muita honra".
[...] A escolha do senador paranaense vai contra os interesses do DEM, principal aliado do PSDB no plano nacional. Os democratas tentavam evitar uma chapa puro-sangue tucana para emplacar nomes como o deputado José Carlos Aleluia (BA) ou Valéria Pires Franco (PA), vice-presidente do partido.
......
EM MINHAS AULAS de redação jornalística digo sempre aos meus alunos para tomar cuidado com o jornalismo declaratório. Os acontecimentos de declaração, especialmente na política, têm por essência conteúdo ideológico.
Diversamente dos acontecimentos fatuais, que têm começo, meio e fim, sendo portanto mensuráveis em suas causas e consequências, o declaratório muitas vezes é um discurso vazio, ou seja: é calibrado para preencher com sua vacuidade uma certa situação muitas vezes emergencial como é o caso da escolha do vice de Serra.
Observe que o vice diz que "atendeu a uma convocação" e que esta é "honrosa". Ora, nada mais contraditório. Por que a convocação não fora feita antes? E sendo assim é honrosa? Foi por acaso alguma distinção, um reconhecimento, no nascedouro da candidatura Serra, das qualidades cívicas do Senador que certamente as tem?
Na verdade, ele foi chamado às pressas, a fim de cumprir o que determina a legislação eleitoral. Daí, não houve qualquer "convocação".
Esta foi feita, realmente, no início das tratativas, a Aécio Neves que taticamente a recusou. Segundo se diz, esperava com a recusa, criar ambiente favorável a uma possível candidatura, aí sim, à presidência da República, chegando em meio a uma onda de queremismo, aclamado,corifeu dos tucanos, salvador do seu partido. Mais mineirismo, impossível.
O jornalismo declaratório, é claro, tem importância, desde e quando se revista de plausível objetividade, ou seja, mantenha correlação essencial com fatos e atos coerentes com a assertiva lançada sobre tais fatos ou atos. Quando é usado como desculpa para justificar arranjos é só isso: alguém que falou e disse.
Melhor: é mais coisa de disse-me-disse.
De qualquer maneira, ufa! para o PSDB
Emanoel Barreto
Deu na Folha: O senador tucano Alvaro Dias (PSDB-PR) será o vice do correligionário José Serra na chapa presidencial que disputará as eleições deste ano.
Dias confirmou a "convocação" à vice e disse que aceitou a proposta, recebida na manhã desta sexta-feira (25), com "muita honra".
[...] A escolha do senador paranaense vai contra os interesses do DEM, principal aliado do PSDB no plano nacional. Os democratas tentavam evitar uma chapa puro-sangue tucana para emplacar nomes como o deputado José Carlos Aleluia (BA) ou Valéria Pires Franco (PA), vice-presidente do partido.
......
EM MINHAS AULAS de redação jornalística digo sempre aos meus alunos para tomar cuidado com o jornalismo declaratório. Os acontecimentos de declaração, especialmente na política, têm por essência conteúdo ideológico.
Diversamente dos acontecimentos fatuais, que têm começo, meio e fim, sendo portanto mensuráveis em suas causas e consequências, o declaratório muitas vezes é um discurso vazio, ou seja: é calibrado para preencher com sua vacuidade uma certa situação muitas vezes emergencial como é o caso da escolha do vice de Serra.
Observe que o vice diz que "atendeu a uma convocação" e que esta é "honrosa". Ora, nada mais contraditório. Por que a convocação não fora feita antes? E sendo assim é honrosa? Foi por acaso alguma distinção, um reconhecimento, no nascedouro da candidatura Serra, das qualidades cívicas do Senador que certamente as tem?
Na verdade, ele foi chamado às pressas, a fim de cumprir o que determina a legislação eleitoral. Daí, não houve qualquer "convocação".
Esta foi feita, realmente, no início das tratativas, a Aécio Neves que taticamente a recusou. Segundo se diz, esperava com a recusa, criar ambiente favorável a uma possível candidatura, aí sim, à presidência da República, chegando em meio a uma onda de queremismo, aclamado,corifeu dos tucanos, salvador do seu partido. Mais mineirismo, impossível.
O jornalismo declaratório, é claro, tem importância, desde e quando se revista de plausível objetividade, ou seja, mantenha correlação essencial com fatos e atos coerentes com a assertiva lançada sobre tais fatos ou atos. Quando é usado como desculpa para justificar arranjos é só isso: alguém que falou e disse.
Melhor: é mais coisa de disse-me-disse.
De qualquer maneira, ufa! para o PSDB
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Quando sai alguma publicação sobre "direito eleitoral" fico a estudar uma alta indagação: se é direito, não é eleitoral, não é mesmo?
Veja só tipa que o UOL escolheu como sendo a "Musa do Jogo". Mas, sabe que a turma tem razão? Essa foi a cara da partida...
Coisas do Brasil
Emanoel Barreto
GARRINCHA - Volta, Garrincha, volta!
DE TELEVISÃO - Não adianta: livrei-me de Galvão Bueno vendo o jogo pela Band. Saí da frigideira e caí no fogo: depois do jogo entrou Datena. Dá até pena.
A MALDIÇÃO - O nome "Ronaldo" está mesmo em decadência. Cristiano português Ronaldo parece ser a prova disso. A vaidade não correspondeu ao desempenho.
A BRUXA - Dunga não era um dos sete anões? Por que então não escalou Branca de Neve? Talvez tivesse ajudado mais.
Em vez disso, parece que chamou foi a Bruxa.
DESCULPA - Não lembro quem foi, mas um jogador brasileiro disse que o importante foi ter classificado a Seleção, apesar do zero a zero. Vamos ser então os "campeões morais" como no tempo do técnico Coutinho? Lembra dele? Na época, a Veja deu manchete com ele assim: "Coutinho, o falso brilhante", tirado do bolero "Dois pra lá, dois pra cá".
NÃO VI - Como não vi a Globo, pergunto: qual a desculpa inventada por Bueno para o pífio desempenho da Seleção?
FORRÓ - Se o jogo não chegou a ser um bolero também não alcançou os passos de um forró fervente. No máximo, ficou como no jogo contra a Coreia: só tem véia, só tem véia.
QUEM SABE? - Quem sabe o Brasil não sabe que somente quem sabe e sabe que sabe consegue ganhar um jogo?
Emanoel Barreto
GARRINCHA - Volta, Garrincha, volta!
DE TELEVISÃO - Não adianta: livrei-me de Galvão Bueno vendo o jogo pela Band. Saí da frigideira e caí no fogo: depois do jogo entrou Datena. Dá até pena.
A MALDIÇÃO - O nome "Ronaldo" está mesmo em decadência. Cristiano português Ronaldo parece ser a prova disso. A vaidade não correspondeu ao desempenho.
A BRUXA - Dunga não era um dos sete anões? Por que então não escalou Branca de Neve? Talvez tivesse ajudado mais.
Em vez disso, parece que chamou foi a Bruxa.
DESCULPA - Não lembro quem foi, mas um jogador brasileiro disse que o importante foi ter classificado a Seleção, apesar do zero a zero. Vamos ser então os "campeões morais" como no tempo do técnico Coutinho? Lembra dele? Na época, a Veja deu manchete com ele assim: "Coutinho, o falso brilhante", tirado do bolero "Dois pra lá, dois pra cá".
NÃO VI - Como não vi a Globo, pergunto: qual a desculpa inventada por Bueno para o pífio desempenho da Seleção?
FORRÓ - Se o jogo não chegou a ser um bolero também não alcançou os passos de um forró fervente. No máximo, ficou como no jogo contra a Coreia: só tem véia, só tem véia.
QUEM SABE? - Quem sabe o Brasil não sabe que somente quem sabe e sabe que sabe consegue ganhar um jogo?
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Melhorei do pé. O que me estraga é o pensamento. Penso, penso muito, sim. Penso, por exemplo, que está em andamento perigosa e solerte conspiração. Não sei bem o que tencionam os que nela estão mancomunados. Mas, só pelo nome, mancomunados, já se tem uma ideia do perigo que representam.
Estou certo de que um mancomunado é quase a mesma coisa que um munido. Se alguém está munido de alguma sinistra arma, e conversa com outro a meia-voz, à meia-luz, em local suspeito e ermo, temo que estejam aí um munido e um mancomunado. Por isso, digo: jamais se aproxime de um mancomunado. Jamais!
Será morto a golpes de tacape, no mínimo.
Aliás, acabo de ver no dicionário que mancomunado é a mesma coisa que acomunado. Será que comunistas são acomunados? Já pensou o lema "Comunistas, acomunai-vos!?". Quer coisa pior do que isso? Além do sujeito ser comunista ainda é acomunado?
Pois bem: essa conjura está crescendo, se alastrando. Soube que já têm até comissários. Comissários. É, comissários. E o que fazem comissários? Comissários saem por aí verificando, vigiando, chamando e punindo. A meu juízo, todo comissário é culpado, culpados até prova em contrário.
Hoje mesmo senti que fui seguido por um padre, velhinho, coitado. Andava meio curvado e parecia olhar para o chão. Depois percebi: ele me seguia e andava como aqueles personagens de desenho animado. Aqueles bem funestos, sabe? Aqueles que andam na pontinha dos pés, os bracinhos estirados para a frente, as mãozinhas caídas? Um sorrisinho sarcástico no canto da boca? São os piores. Não tenha dúvida.
São mancomunados legítimos. Legítimos, viu?! Legítimos!
Então, o padre velhinho me seguiu e, sabe o que ele fez? Tirou do bolso da batina um terço. Sim, usava batina. Padre tradicional, respeitável na aparência. Tirou o terço e tive a impressão de que já corria para me passar o terço no pescoço. Queria me esganar, o tratante. Nisso, o sinal fechou para os carros (eu seguia por uma calçada) e eu atravessei na faixa.
Sorte minha: o padre parou para entregar o terço a uma menininha que o esperava. Fiquei pasmo: como se vê, até as crianças estão sendo mancomunadas. Aposto que aquela menina saiu dali direto para matar a mãe.
Até amanhã, amigo Diário.
Maria, a Boa
Emanoel Barreto
Dizem no twitter que Maria Boa faria hoje 90 anos. Seu pequeno reino de prazeres, alcova de muitas vênus, secreto território de desejos, fez ferver a Natal da Segunda Guerra. Ali, homens casados iam sorrateiros. Pais levavam filhos para a iniciação nas coisas de Eros.
Dizem lendas que os aviadores brasileiros, os caçadores da Força Aérea, têm até uma foto de mulher nua - como eles dizem, descarenada -, de costas e em pose voluptuosa. Equipagens a disputam anualmente.
Um avião da FAB foi batizado com o seu nome.
A foto tornou-se um troféu, cada equipagem querendo ter a sua posse e para isso promovendo uma espécie de ação tática de assalto - no sentido militar do termo - para apoderar-se do ícone.
Maria foi uma cortesã elegante e desenvolta. Já li que no carnaval desfilava em carro aberto no corso que havia na Avenida Deodoro. Uma afronta a, como direi, à pudicícia de muitas mulheres. Carros enfeitados de serpentina iam de uma ponta à outra da avenida, numa espécie de fórmula um da alegria de Baco e de Momo. Chegando ao fim, faziam a curva e tudo começava de novo.
Os mais velhos devem lembrar-se dela, recolhendo das páginas do tempo de os retratos mais vivos de Maria, a Boa. De alguns talvez o primeiro orgasmo...
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