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sábado, 10 de março de 2012

A história secreta da construção da Arena das Dunas

A Torre de Babel também constará dessa magnífica arrancada para o progresso

O Governo afinal poderia mostrar serviço: iria construir um hospital. Antes, porém, o Secretariado reuniu-se e decidiu que o hospital deveria funcionar numa nuvem. Assim poderia se deslocar por todo o estado e prestar um excelente serviço ao povo. Abriu-se a competente licitação. Grandes e conceituadas empresas nacionais e internacionais, com inesgotáveis currículos em construção de grandes obras em nuvens se apresentaram, e a mais graduada delas foi  escolhida.
http://www.google.com.br/imgres?hl=pt-BR&client=firefox-a&hs=J49&sa

A empresa montou seu canteiro de obras em grandes, enormes balões estratosféricos, mas surgiu um problema: não havia nuvens, ou melhor, uma nuvem suficientemente grande para dar-se início à grande obra. O Secretariado então se reuniu e chegou à conclusão de que seria necessário contratar empresa especializada na fabricação de nuvens especiais, nuvens que fossem capazes de sustentar um hospital como aquele, grandioso e altamente necessário à rede pública de saúde.

Foi novamente aberta licitação e grandes construtoras de nuvens compareceram ao certame, sendo escolhida sem dúvida a mais competente. Mas, houve outro problema: para construir nuvens seria necessário uma altíssima montanha, pois assim seria mais fácil a nuvem ser fabricada e ganhar altura. E, claro, veio a mais qualificada empresa de construção e erguimento de montanhas, e foi contratada.

Afinal, todas as empresas trabalharam, cada um em sua especialidade e o monumental nosocômio foi dado como pronto. Todavia, desde o início das obras até sua conclusão haviam se passado muitos anos, o Tesouro fora levado à falência e, o que é pior, todo o povo morrera por falta de assistência médica, já que não havia hospital para atendimento. E como não havia mais povo, muito menos os doentes, o hospital era agora desnecessário. O que fazer?

Resposta: o Governo tomou grandes empréstimos com um grande objetivo: iria importar doentes e afinal inaugurar seu hospital. Mas doentes, especialmente doentes importados, doentes fabricados em países distantes e de grande evolução industrial, custavam muito caro. Não deu para comprar. O Governo então tomou sua mais sábia decisão: contratou grande entidade especializada em fazer chover. E a empresa veio e fez chover, transformando em chuva a nuvem onde estava o hospital, que veio abaixo de forma estrepitosa para gáudio da equipe governamental.
https://www.google.com.br/search?q=torre+de+babel&hl=pt-BR&client

Houve uma grande, torrencial inundação. E quando a inundação passou, os olhos estarrecidos de quem sobrou puderam contemplar tudo de bom que fora feito pelo governo: dos escombros surgiram as formidáveis obras da Arena das Dunas. E, como o Governo não descansa, agora estamos esperando pelas obras de mobilidade urbana para a Copa de 2014.

Nota da Redação: ao encerrarmos esta edição fomos informados que, para acompanhamento das obras de mobilidade urbana, foram recuperadas as plantas da Torrre de Babel, cujas obras terão início em caráter de urgência urgentíssima. Lá de cima, os governantes - que teem grande visão -, poderão contemplar como serão grandiosas e vastas, a perder de vista, as obras de mobilidade urbana.

domingo, 27 de novembro de 2011

A destruição do Machadão

http://pt.fifa.com/worldcup/news/newsid=1529425/index.html

  "Encha o bucho de gol. Você merece"


Atacado pelos dinossauros de metal o Machadão viu-se em escombros. Pudera. O estádio vivia sua condição de poema de concreto. E, como se sabe, poemas pouco podem contra a brutalidade, a insânia, o ato violento. Sua destruição foi o passo inaugural da intentona da Copa do Mundo. 

Para a consecução do desastre, rios de dinheiro serão atirados no estuário que desemboca no fosso escancarado das despesas com a Arena das Dunas. Arena. Sinistro nome. Arena lembra sofrimento, dor, enfrentamentos brutais. Desde os gladiadores, que em Roma faziam o espetáculo. 

A construção da Arena agora terá início. Farônica. Talvez até se possam invocar as almas avoengas dos desgraçados que ergueram as pirâmides. Para que revivam aqui sem pleno sofrimento. Nosso sol nordestino tem o mesmo calor vulcânico do sol que queimou as costas dos que levantaram as pirâmides, pedra sobre pedra. 
 
O dinheiro que será gasto fará falta à saúde, à educação, à segurança, às estradas, à cultura. Onde houver um problema social aí haverá a ausência dessa fortuna.
Mas infortúnios não faltarão, disso estou certo. E iniciada a Copa, quando derem o primeiro grito de gol, haverá o último suspiro de alguém a quem faltou o remédio, quem sabe até mesmo a esperança de seriedade nos que fazem - e desfazem - a história e o futuro.

Ai, dirá o povo. Calaboca, dirão os poderosos. Encha o bucho de gol, você merece.


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Tenebrosa alegria

O massacre do dinheiro público tem início em Natal -foto Rodrigo Sena (Tribuna do Norte)
As manchetes troam cânticos tremendos à destruição do Machadinho, cujo corpo de cimento e aço cai, despedaçado, sob o peso do ataque de máquinas ciclópicas a serviço da intentona Copa do Mundo. Natal começa a trilhar a senda escura do descalabro do dinheiro púbico - que fará falta à saúde, à educação, à segurança - vertido à larga na construção da Arena das Dunas, cuja imponência faria inveja a Ramsés II.

A dívida que se contrai em nome do povo é parte desse projeto de alcance nacional, um panis et circensis que oscila entre o desvario e a inconsequência dos atos dos governantes. Estes disseram ao povo que o povo precisava desse estádio e o povo em consenso passivo disse sim, que precisava da arena para viver feliz. 

O mundo inteiro teme uma crise, o desequilíbrio da economia, mas aqui não: está tudo bem e há dinheiro para se gastar à tripa forra. A cultura brasileira, que alerta a todos os tamborins para a festa, e alardeia em todos os terreiros que é preciso cultuar a alegria, ferve de expectativa ante a promessa de uma era fabulosa: a Copa do Mundo terá o condão mágico de resolver todos os problemas nacionais, de nos levar a um tempo novo e vertiginoso de realizações e maravilhas. Quando a bola rolar estaremos ingressos à felicidade a data certa.

Cai o Machadinho, que, dizem as coisas de jornal que li, fora muito pouco utilizado para esportes, servindo mais a espectáculos musicais. Era uma inutilidade, com o teto cheio de goteiras. Se o ginásio, que não era monumental, ficou assim, o que se dirá da Arena das Dunas de proporções monumental-suntuosas? Se não se cuidou bem do menor, como se cuidará bem do soberbo, do impressionante estádio?

Mas tem início a tenebrosa alegria e todas as suas consequências. Tem início, para o povo do Rio Grande do Norte, o erguimento do portento cujo preço as gerações haverão de arcar como herança onerosa.

sábado, 1 de outubro de 2011

Ministro diz que brasileiros devem comprar um terço de ingressos à Copa e não confirma meia-entrada

O ministro do Esporte, Orlando Silva, disse nesta sexta-feira que cerca de um milhão dos 3,5 milhões de ingressos da Copa do Mundo de 2014 devem ser vendidos a brasileiros. Ainda segundo o político, a Fifa é quem vai definir os preços das entradas para o evento.

"A venda de ingressos é um assunto muito importante. A informação que eu tenho é que é possível ofertar cerca de 3,5 milhões de tíquetes. Não me surpreenderia se a venda direta ao público brasileiro seja da ordem de 1 milhão", disse Orlando Silva ao Sportv.

Além disso, o ministro foi evasivo sobre a questão da meia-entrada para os estudantes. O governo, por meio da Lei Geral da Copa, pretende que o benefício seja concedido, mas a Fifa se disse contra a medida. Por outro lado, Silva confirmou que idosos terão direito a pagar metade por ingresso.

A tramitação da Lei Geral da Copa desagrada à Fifa. A entidade reclama que o país não acatou todas as exigências negociadas para a realização do evento. Os principais pontos de discórdia envolvem a venda de meia-entrada para idosos e estudantes e a proibição da comercialização de bebidas alcoólicas nos estádios brasileiros - a associação é patrocinada pela Budweiser.

"O estatuto do idoso é uma lei federal, e neste tema há uma decisão do governo brasileiro de não suspender o estatuto. É o típico tema que é sensível, mas passível de resolução.(Folha de S. Paulo)

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Em artigo irretocável no Estadão, Fernando Gabeira analise a realização da Copa do Mundo e fala sobre o Machadão: somente uma vez lotou; não se justifica a construção da Arena das Dunas. Isso somente é passível na delirante visão dos que dirigem este pobre estado do Rio Grande do Norte.

Pátria de chuteiras e ocaso da razão

Fernando Gabeira, jornalista - O Estado de S.Paulo
 
Aprendi ao longo de alguns textos sobre a Copa do Mundo de Futebol que o preço de questionar uma conquista nacional é o de ser acusado de torcer contra o Brasil. Isso não é exclusivo do atual governo. Desde a ditadura militar, com seu famoso slogan "ame-o ou deixe-o", a tendência é inibir certas críticas, associando-as à falta de patriotismo. Neste caso, e em muitos outros, o patriotismo não é simplesmente um refúgio de canalhas, como na célebre citação. Ele faz parte de um processo complexo de acúmulo de poder e dinheiro, no qual um dos elementos sempre impulsiona o outro: mais dinheiro traz mais poder, que, por sua vez, traz mais dinheiro.

Da maneira como está sendo conduzida, a preparação para a Copa não é racional. Notícias de bastidores relatam a insatisfação da Fifa, que poderia em outubro cancelar a escolha do Brasil como sede. O que a Fifa parece querer é pior ainda do que se está fazendo por aqui. A entidade quer eliminar o meio ingresso para estudantes e idosos, algo que, correto ou não, representa direitos conquistados. O governo enfatiza esse detalhe da disputa com a Fifa porque sabe que o deixa bem com a opinião pública.

Outros anéis já se foram, sem grandes protestos. O Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC), denunciado pela Procuradoria-Geral da República, foi o primeiro grande passo para conformar a legislação brasileira ao desígnios dos que se querem aproveitar da Copa. E o relator do projeto do novo Código Florestal no Senado, Luiz Henrique (PMDB-SC), afirmou que seria introduzida uma emenda no projeto permitindo desmatar para obras da Copa. O Brasil tem pressa, disse ele.

Quando se trata de conformar uma legislação aos seus desígnios, o Brasil deles tem pressa. Quando se trata de avançar com obras essenciais para a Copa, o Brasil deles é devagar. Aparentemente, são movimentos contraditórios, mas no fundo se complementam: mais pressa significa menos controle sobre os gastos.
Estou convencido de que muitos desses gastos são irracionais. 

No capítulo dos estádios esportivos, tenho mencionado dois exemplos: o do Maracanã, no Rio, e o do Machadão, em Natal. Só para a reforma do Maracanã o governador Sérgio Cabral pretendia gastar quase R$ 1 bilhão. O Tribunal de Contas apertou o controle e conseguiu abater R$ 84 milhões. O governo do Rio, que esta semana contraiu um empréstimo de US$ 126,6 milhões com o Banco Interamericano, resolveu fazer marketing e reduziu mais R$ 80 milhões no custo do Maracanã. O mecanismo foi sutil: isentar de ICMS o material de construção destinado à obra, construída pela empresa Delta, de Fernando Cavendish, amigo de Cabral. Nem os fluminenses nem sua imprensa se deram conta, na plenitude, de que estavam sendo enganados: os custos são os mesmos, mas pagos de forma diferente.
Tudo foi feito em concordância com a legislação federal que também isenta estádios de alguns impostos. A conta da Copa ficará um pouco como as pessoas cujas fotos são processados no Photoshop e parecem ter 10 kg a menos.

O caso do Machadão, em Natal, que se vai chamar Arena das Dunas, também é típico. O estádio será reconstruído para ampliar sua capacidade. Pesquisas sobre sua trajetória indicam que só lotou uma vez, durante a visita do papa João Paulo II. Suponhamos que a ampliação sirva aos jogos da Copa. Mas, e depois? Teríamos de esperar nova visita de um papa para encher o estádio outra vez.
A solução para os aeroportos também me parece irracional. O aumento do número de passageiros das linhas aéreas é constante no País. Com ou sem Copa, precisamos de novos aeroportos. A solução apresentada: construir terminais provisórios. Se há uma necessidade estratégica de crescimento, o arranjo provisório atrasaria a solução definitiva e drenaria parte dos seus recursos. Serviria à Copa e aos torcedores, mas atrasaria o passo de novas levas de viajantes.

As famosas obras de mobilidade urbana não serão concluídas. O empenho na construção do trem-bala parece maior do que a preocupação com as massas metropolitanas que, às vezes, passam quatro horas do dia se deslocando de casa para o trabalho e vice-versa. A solução para esse complexo problema já foi anunciada pela ministra Miriam Belchior: sai o legado, entra o feriado. Nos dias de jogo, as cidades param e o Brasil arca com um imenso prejuízo, sentido na carne pelos trabalhadores autônomos.

Nunca se falou tanto em transparência quanto na época em que o Brasil foi escolhido para sediar a Copa e a Olimpíada. Políticos de vários horizontes formaram comissões, ONGs se posicionaram no front da vigilância e, no entanto, os dados não aparecem com toda a sua clareza. O empréstimo de US$ 126,6 milhões no exterior e a redução de custos no Maracanã com base em isenção de impostos são faces de um drama que escapa até aos grandes órgãos de comunicação do Rio, siderados com os lucros que a Copa lhes trará.
Porém a vida continua no seu implacável ritmo. A insensatez joga em inúmeras posições, mas os governantes calculam que os prejuízos serão recompensados por uma vitória nacional no futebol. Em caso de derrota e insatisfação, há sempre o recurso de mais um feriado para aplacar a fúria.

A proposta do Brasil é sediar a Copa do Mundo para projetar sua nova importância internacional. Para essa tarefa estratégica a interface cosmopolita do País são os Ministérios do Esporte e do Turismo. O primeiro é dirigido pelo Partido Comunista do Brasil, que há alguns anos era fascinado pela experiência da Albânia. O segundo é feudo do senador José Sarney e procura atender, prioritariamente, ao Maranhão, um belo Estado, porém mantido no atraso pelos seus dirigentes.

Os patriotas que me perdoem, mas não posso repetir o slogan do McDonald's, amo muito tudo isso. E já vai muito longe o tempo em que o dilema, pela força da repressão, era amar ou deixar. 

Nos tempos democráticos, é preciso demonstrar a racionalidade das ações do governo. E a Copa do Mundo de 2014 pode ser a amarga taça da improvisação e cobiça na qual bebem apenas políticos empresários.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A farra e o povo besta

Ao desenvolver pesquisa para redação de artigo acadêmico abordando a Copa do Mundo de 2014 tenho encontrado uma profusão de números delirantes; dinheiro a ser despejado na cornucópia faminta da Fifa. Verbas ad infinitum como se esse país fosse uma arca do tesouro de onde se poderia retirar tudo o que os cartolas do futebol mundial desejam.
http://www.google.com/imgres?q=futebol&hl=pt-BR&safe

E o que é pior, nenhum jornal de peso, nenhuma grande publicação assume atitude editorial criticando essa intentona de desperdício. Todos, desde o mais, digamos assim, qualificado paredro - como eram chamados em priscas eras os cartolas -, até o mais chão dentre os mortais sabem que em vez de estádios caríssimos, deveriam as políticas públicas estar voltadas para questões básicas como saúde, segurança e educação.

Mas, não: o Brasil tem de gastar dinheiro, tem dizer ao mundo que o país é mesmo maluco por futebol. E toma lá o mega-evento, toma lá esse acontecimento ciclópico que somente atenderá aos interesses do grande capital.

Outra coisa: os que integram o ser coletivo a quem chamamos povo - e isso é péssimo -, foi convencido que os jogos serão para ele, povo. Na verdade, poucos terão dinheiro suficiente para comprar um ingresso que seja; nem mesmo poderão ficar nas imediações dos estádios - a Fifa não deixa camelô vender pipoca.

Quando terminar a soma da farra publico aqui o resultado.

domingo, 14 de agosto de 2011

Vai começar a destruição do Machadão

Leio na Tribuna do Norte que nesta segunda começam os trabalhos de destruição do Machadão. É o início de uma intentona que tem por objetivo erguer um elefante branco para que sejam realizados aqui jogos de Copa do Mundo. Pior que isso é a revelação de que tipo de governantes temos: gente que relega a segundo prioridades como saúde, educação e segurança em favor de um projeto que somente servirá para enriquecer as construtoras. 


Assim construímos a realidade desse país, moldamos o seu futuro, cavamos o fosso profundo onde nossos pés se afundarão. 

O mundo está lutando para não entrar numa crise financeira terrível e nós festejamos não sei bem o quê; talvez a construção de um abismo de onde futuramente alguém haverá de dizer que, como é muito profundo, é melhor que fiquemos lá.

domingo, 19 de junho de 2011

 Veja o que deu no Estadão:

Mundial tem orçamentos fictícios

Projetos precários e contestados pelo Ministério Público, como Maracanã e Mané Garrincha, abrem brecha para estouros propositais de gastos no evento


Rafael Moraes Moura - O Estado de S.Paulo
A conta da Copa do Mundo de 2014 é uma fantasia, um "chutômetro" calculado a partir de projetos básicos incompletos, mal feitos ou ambas as coisas. Essa precariedade, como se não bastasse, ainda serve para justificar estouros orçamentários. O projeto básico deve ter uma descrição suficientemente detalhada para caracterizar a obra ou serviço.
Beto Barata/AE
Beto Barata/AE
 
Sem campo. O Mané Garrincha, em Brasília, é um dos projetos problemáticos da Copa de 2014: no orçamento faltam os custos da cobertura, dos assentos, das traves e até do gramado
O caso de Brasília é emblemático do "voo cego". O governo do Distrito Federal alega que o novo Mané Garrincha vai custar R$ 671 milhões. Mas desse orçamento não constam cobertura, assentos, catracas e, pasmem, gramado e trave. "O preço final desse estádio é uma grande interrogação, que ninguém sabe responder", criticou o promotor Ivaldo Lemos Júnior, do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

"Se fez licitação e excluiu o assento, iluminação e gramado, não pode atribuir à Fifa a responsabilidade, porque a Fifa estabeleceu que tem de ter iluminação, gramado, assento. Se alguém eventualmente fracionar a licitação por conveniência, que assuma a responsabilidade", disse o ministro do Esporte, Orlando Silva.

Em fevereiro, relatório do TCU sobre o Maracanã apontou que "não há qualquer segurança de que a planilha contratual, derivada do orçamento base, contemplará o custo real da obra".

sábado, 7 de maio de 2011

A alegria dos desgraçados

Talvez devido às minhas limitações, que são muitas e muito grandes, não tenha percebido o grande valor, importância histórica e relevância social que constituem o cerne da construção da Arena das Dunas, o presumido local onde o Rio Grande do Norte terá a honra de receber jogos da Copa do Mundo. Certamente devido a essas limitações não tenha compreendido o motivo, o porquê da construção desse estádio, bem mais relevante que, por exemplo, a implementação de uma política de saúde consistente ou um sistema de educação público que atenda às demandas do setor. 

Sem dúvida, encher a boca do povo com gritos de gol é mais importante que atender a reclamos históricos, é mais desejável que suprir as fomes sociais e promover a partilha das riquezas, tornar o PIB referente econômico de que tudo o que foi produzido terá destinação voltada a aplacar a sede de justiça. Ao que vejo, mais vale atender aos apetites de uns poucos, exatamente aqueles que lucrarão horrores com a construção desse estádio, que a busca da promoção do bem-comum.

As minhas limitações, perplexas, me chamam e me dizem que estamos todos incorrendo numa grande, ilimitada loucura. Uma loucura que provoca consenso e garante que, sim, construir um campo de futebol faraônico é algo imprescindível a Natal: primeiro, porque vamos ser alegres por alguns dias, saciados, empanturrados de futebol; segundo porque, pelo miraculoso espetáculo a ser proporcionado, todos os problemas da cidade serão solvidos nessa maravilhosa poção que envolve e mistura interesses políticos, ganância dos investidores e embotamento das massas.

Essa Copa do Mundo, dizem-me as minhas limitações, é uma intentona, um fato monstruoso; seja pelas suas próprias dimensões ciclópicas, seja pelos interesses perversos que se ocultam em seu manto poderoso e desvairado, oportunista e cheio da gana. 

Mas a plateia foi adestrada e quer, pensa que quer e assim quer pensar, em função desse adestramento, que é mais importante um campo de futebol que um hospital que seja digno desse nome - só para ficar nesse exemplo. Então, se é assim, que venha o circo. Depois, os palhaços não reclamem da tragédia que está sendo montada.


quarta-feira, 6 de abril de 2011

Subiu no telhado

Assisti ontem, no auditório da Reitoria da UFRN, palestra de Juca Kfouri aos estudantes de Jornalismo. A personalidade solar do jornalista cativou à larga. O espetáculo, no melhor sentido que tenha o termo, ganhou força especialmente porque Kfouri, elegantemente, não tem meias palavras quando se trata de falar desse ofício que tem muito de missão. 
http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.imagensgratis.


Abordou a corrupção no futebol ao mencionar a cartolagem implícita e criticou, sob palmas veementes, a realização no Brasil da Copa e da Olimpíada. Disse que até poderiam ser realizadas, mas sob condições brasileiras, ou seja: sem a gastança que está programada para gáudio de quem vai com ambas ganhar muito dinheiro.

Mas, para mim, o mais importante se deu quando, respondendo a uma indagação, disse que a Copa em Natal "subiu no telhado". 

Para quem não conhece o sentido da expressão, isso quer dizer que Natal será, para minha alegria, retirada de sua condição de subsede da Copa; caiu fora, saiu, perdeu. As obras sequer começaram e não há, isso é opinião minha, sinal mais forte indicando quando tal intentona terá início. Graças.

Melhor assim. O dinheiro a ser esbanjado nessa insanidade será melhor, muito melhor empregado se o for em hospitais, segurança, escola e infraestrutura. 

Antes que esqueça: quando Kfouri disse que a loucura da Copa subiu no telhado foi aplaudido.

sábado, 2 de abril de 2011

Vandalismo na rede pública de saúde: o povo tratado a ferro frio

"Isso não é democracia; isso é vandalismo." A afirmativa é de um sofrido e amargo homem, idoso, já bem mais de 60, a respeito da medicina que o Estado brasileiro oferta, ou melhor, impõe, impinge, é o que quero dizer, ao povo. O rápido testemunhal foi feito ao Globo Repórter de ontem, numa das mais sérias, dignas, corajosas e incisivas manifestações de jornalismo que já vi.
Imagem ilustrativo-metafórica da situação
dos hospitais públicos no Brasil: o povo
tratado a ferro frio
 Isso prova: se o patrão deixa, o jornalista faz. Mas, voltemos ao Globo Repórter: a pauta era mostrar como funcionam - ou o contrário disso -, os hospitais públicos desse país. Resultado: uma aterradora realidade de morte por falta de meios de médicos decentes trabalharem, hospitais com obras jamais concluídas e hoje arruinadas, médicos desonestos, médicos insensíveis, lamentos, choro e, para ser um pouco bíblico, ranger de dentes.

O programa foi uma poderosa ação editorial, sob a competência de equipe de profissionais irretocável. A edição ampliava o efeito da denúncia, magnificava a dor, o desespero, a angústia das vítimas desse tipo de assistência - se é que isso é assistência.

Creio que a eficácia editorial do programa, ou seja, sua repercussão, efeito de choque sobre os responsáveis, poderá ser mensurada em alguma declaração do Ministério da Saúde, o que dizem as autoridades setoriais, como se sentem diante do quadro que, digamos assim, administram. Sobre a sociedade, tenho para mim, essa eficácia já se processou: a indignação que sinto certamente é compartilhada por muita gente Brasil afora.

Mas temo que fique nisso mesmo: indignação social, paralisia do governo; perplexidade do cidadão, silêncio pesado de quem deveria agir. No fim, o dinheiro que deveria ser para construção, reforma ou restauração de hospitais irá para a construção de estádios de futebol. O pão e o circo, o pão e o circo. Que bom, que bom...

sexta-feira, 25 de março de 2011

Recebo da professora Socorro Veloso, da UFRN, a matéria que segue:


Juca Kfouri dará palestra na UFRN

Jornalista que é referência na cobertura esportiva vem a Natal para falar sobre o tema "Jornalismo, esporte e democracia"

Jornalismo esportivo pode ir além da cobertura rasa, voltada apenas para o entretenimento? Para o jornalista Juca Kfouri, não só pode como deve. Com quatro décadas de experiência, o blogueiro, colunista da Folha de São Paulo e comentarista da ESPN virá a Natal no dia 5 de abril para falar sobre o assunto na palestra intitulada "Jornalismo, Esporte e Democracia".

O evento, promovido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) através do Departamento de Comunicação Social (Decom), é uma oportunidade para estudantes, profissionais da área e fãs do futebol conhecerem mais de perto um universo que envolve, além do esporte, interesses políticos e financeiros. E tudo sob a visão de alguém que é referência quando o assunto é jornalismo esportivo.

O que Juca diz e publica na internet, na TV e no jornal já ensejou tantos processos contra o jornalista que ele nem se dá mais ao trabalho de contar quantas vezes foi acionado na Justiça - seguramente, mais de 100. Polêmico, sabe que quem noticia informa em benefício do coletivo, mas quase nunca sem incomodar ou ir de encontro a interesses difusos.


Segundo o chefe do Decom, professor Adriano Cruz, a vinda de Juca à UFRN complementa uma série de ações que fazem parte do processo de reestruturação do departamento. "Esse evento é de suma importância para discutir temas essenciais da comunicação hoje. Queremos reaproximar a academia e os profissionais do mercado para que haja uma troca de conhecimentos", afirma.


Sobre Juca Kfouri
Apesar da formação em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP), foi como jornalista que José Carlos do Amaral Kfouri ganhou notoriedade. Militante político nos tempos de ditadura, Juca virou referência no jornalismo investigativo, por meio do qual mostrou o lado obscuro do esporte, habitado por falcatruas e dirigentes corruptos.

O ingresso no jornalismo começou com o convite para trabalhar no Departamento de Documentação (Dedoc) da Editora Abril, em 1970. Quatro anos depois ele já era chefe de reportagem da revista Placar, passando por diversos veículos de comunicação ao longo da carreira. Sua história é contada por Carlos Alencar na biografia “Juca Kfouri: O Militante da Notícia”, lançada em 2006.

Em veículos impressos, foi diretor das revistas Placar e Playboy, além de colunista dos jornais O Globo, Diário Lance e Folha de São Paulo. Passou pela Rádio América e Americansat, antes da CBN, onde apresentou o CBN Esporte Clube por dez anos. Na televisão, após curta passagem pela extinta TV Tupi, seguiu carreira no SBT, TV Record, TV Globo, Rede Cultura, RedeTV, rede CNT e canais ESPN.

Atualmente participa de programas na ESPN Brasil e ESPN Internacional, assina uma coluna na Folha de São Paulo, é comentarista esportivo na CBN e tem um blog no site da UOL. Juca tem cinco livros publicados: A Emoção Corinthians (1982), Corinthians, Paixão e Glória (1996, com relançamento em 2002), Meninos, Eu Vi… (2003), O Passe e o Gol (2005) e Por que não desisto - Futebol, Poder e Política (2009).

segunda-feira, 14 de março de 2011

Sou inimigo público número um de Natal

Teremos no Brasil, já está em andamento, um tsunami social e econômico que despejará na praia do desperdício bilhões de reais, em detrimento de questões sérias. Falo a respeito da Copa do Mundo e das Olimpíadas, falo dos hospitais que deixarão de ser construídos, do desmantelamento material das Forças Armadas, das escolas largadas a si mesmas, das estradas esburacadas, do tráfico de drogas, da exploração sexual de crianças e adolescentes, falo do cotidiano que você vê e vive. Basta olhar pela janela do carro. Ou estar entulhado em algum ônibus sacolejante.

Mas Lula decidiu essa loucura e Dilma a levará adiante. Literalmente, custe o que custar. Serra não faria por menos, eleito tivesse sido. Ou alguém é louco de negar circo ao povo? Quase todos os dias vejo noticiário falando do descalabro no Walfredo Gurgel. Falta de dinheiro. Ontem, o Fantástico mostrou a quantas anda no Nordeste, em Natal especialmente, a questão do turismo sexual. Também não há dinheiro para a polícia coibir esse tipo de atividade. Mas haverá grana, e muita, para um ou dois joguinhos de segunda numa Copa de Mundo feita para o povo encher a boca de gritos de gol. 

E ai de quem for contra: é reacionário e inimigo de Natal. Pois bem: nesse caso sou reacionário e inimigo púlblico número um de Natal.

--Abaixo, reproduzo a matéria do Fantástico.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Na Globo, um rapazola abusado; no comercial, peitos de bundas

A coluna Outro Canal, da Folha, assinada por Keila Jinemez, diz: 
André Muzell /AgNews
O famoso vlogueiro (que faz vídeos na internet) Felipe Neto é nova aposta do esporte da Globo.
Sucesso na web, com 18 milhões de visualizações de seu canal de vídeos no YouTube, o rapaz de 23 anos vai ganhar quadros no "Esporte Espetacular" e no "Globo Esporte" de São Paulo.
Felipe, que já fez um programete no Multishow no ano passado, foi convidado por Tiago Leifert, apresentador do "Globo Esporte", que o viu na internet.
Na Globo, o vlogueiro seguirá a linha de comentários ácidos bem-humorados que o tornaram sucesso na web, só que voltados ao esporte.
......

Não estava entre os 18 milhões que haviam visto a performance do rapaz no Youtube. Mas, depois de ver a matéria da Folha passei por lá. Pelo que vi, tenho impressão de que pode não dar certo. Por um motivo simples: o digamos assim, programa que ele apresenta no YouTube, é tipicamente uma atração teen: um garoto abusado, fazendo comentários superficiais, cheio de uma certa arrogância banal e narcísica. Deve ser um sucesso entre as meninas, mas não creio que se possa dizer o mesmo quanto ao público masculino, audiência sem dúvida predominante no Globo Esporte e Esporte Espetacular. 

Outra coisa: quanto aos milhões de acessos ao vlog, a Globo deu-se ao trabalho de pesquisar qual o público? Ou melhor, qual o segmento de público que atraiu? O torcedor típico, masculino, que leva futebol a sério como se fosse coisa sagrada, estaria interessado em ver alguém, que não é jornalista, que não tem tradição em comentar futebol, brincando com o resultado de uma partida? 

Um torcedor do Flamengo, do Corinthians, só para ficar com os dois times mais queridos, aguentaria, depois de uma derrota, ouvir comentários de um rapazola achincalhando com seus ídolos, e pior, fazendo isso só pelo prazer de estar aparecendo na TV e mostrando sua carinha? Qual a conexão que um personagem assim teria com a fração de público que pretende atingir? Parece que isso não foi levado em conta.

A decisão da Globo lembra-me comercial de TV anunciando a coleção de lingerie da De Millus para 1988, onde lindíssimas mulheres só de calcinha e sutiã encenavam disputa de futebol contra homens vestidos de calça preta e camisa branca. Tecnicamente o filmete era perfeito: as modelos, divas; os enquadramentos e planos, magníficos; em câmera lenta, as imagens salientavam os dotes das moças, o suave balouçar das carnes de jovens fêmeas superando os machos que faziam faltas e eram driblados de forma sensacional. A música de fundo era aquela, a famosa, que se ouvia nos saudosos filmes do cinejornalismo do Canal 100. 

Tinha tudo para dar certo, não tinha? Tinha tudo para garantir sucesso de vendas. Mas não deu nem foi sucesso. Simplesmente por isso, segundo li em um estudo a respeito do comercial: a peça fora feita a partir de um olhar masculino, colocando as mulheres como objeto e deixando assim de atingir o público-alvo. A falha do roteirista incidiu exatamente no fato de utilizar da sensualidade feminina como algo a ser exibido à cobiça sexual dos homens, deixando de lado o olhar da consumidora, público-alvo da campanha. Aí a falha: detalhe negativo sutil de peça publicitária bem programada visualmente mas equivocada na essência da mensagem.

Tanto que o texto de encerramento do clipe diz: "Seleção De Millus 88: os homens estão perdidos". Revela-se aí a proposta que resvalou a seu propósito: as mulheres estariam vestidas, ou semidespidas, para os homens, para atrair seu olhar, para ser objeto de desejo e submissas à posse de seus corpos capturados pelo masculino. Não para seu conforto pessoal, elegância íntima, auto-estima. A campanha foi um fracasso, apesar de ter encantado o olhar másculo, dizia o estudo.

Creio que com o rapaz a Globo incide em erro idêntico: não creio que haverá empatia do rapazola com esse segmento de público masculino. Para falar de esporte lhe faltará autoridade, seriedade, tradição midiática. Como o futebol neste país foi tornado coisa séria, brincar com ele pode ser perigoso.

Veja abaixo o filmete da De Millus

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Ronaldo e o heroísmo midiático

O jogador Ronaldo agiu taticamente ao anunciar que abandona os gramados. Com sérios problemas físicos, chamado muitas vezes de "gordo", tomou a decisão certa: antecipou-se ao assédio da imprensa, às cobranças que o levariam a um final senão humilhante pelo menos vexatório: o confronto impiedoso do que é com o que fora. Sair em tal circunstância teria o gosto amargo de estar sendo atirado para fora; tomando a decisão de retirar-se virou o jogo, e todos os jornalistas que o acusariam passaram a cantar loas ao "fenômeno".

Eduardo Knapp/Folhapress
O ato de Ronaldo foi tipicamente um acontecimento de mídia, aquele que somente se dá por causa e para o sistema de informação. Na coletiva que convocou para fazer o anúncio, o declaratório assumiu conotação dolorosa. O discurso pungente deu o tom existencial e trágico-glorioso ao episódio, mostrou o sofrimento do herói, o mito trazido à condição humana e isso o engrandeceu ao olhar da mídia. 

Quem é grande, entrando em decadência, passa a ser comparado com o que foi, e como não se perdoam os heróis de mídia, passa a ser "culpado" de ter envelhecido ou algo assim. Isso já estava sendo feito. Na imprensa nacional e em outros países.Saiu bem e saiu na hora certa; com uma espécie de solenidade tocante marcou sua despedida. E assim remiu-se da culpa midiática usando, e muito bem, os artifícios da própria mídia. Talvez tenha sido a sua melhor jogada.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Tudo por um grito de gol
 
A notícia abaixo está na Tribuna e fala a respeito da cobrança da Fifa, em termos de organização local, para a realização de jogos da Copa aqui. Ou seja: entidade privada, com fins lucrativos, determinando o que o governo, o público deve fazer. E o que é pior: uma entidade estrangeira. E nós, a troco de uns jogos de futebol, dispostos a gastar uma fortuna quando, por exemplo, o Walfredo Gurgel está aí, precisando desses recursos. 
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Comitê Organizador da Copa volta a Natal 

O Comitê Organizador da Copa do Mundo da Fifa divulgou a agenda de visitas de inspeção aos locais identificados pelas cidades como possíveis Campos Oficiais de Treinamento (COT) para a competição. No final de dezembro, uma comissão inspecionou três campos em Porto Alegre. No início de janeiro, oito campos foram vistoriados em Curitiba.
Rodrigo SenaO Estádio Juvenal Lamartine está com ares de abandono e terá de ser completamente reformadoO Estádio Juvenal Lamartine está com ares de abandono e terá de ser completamente reformado
A visita em Curitiba foi a última neste mês de janeiro. Em fevereiro e março as inspeções continuam, em Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Fortaleza, Manaus, Natal, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Os Campos Oficiais de Treinamento são os campos cedidos pela organização para treinamento das equipes nas cidades que sediarão jogos da Copa do Mundo da Fifa e da Copa das Confederações da Fifa.

Após as duas primeiras visitas, o Comitê iniciou a produção de um relatório técnico sobre os potenciais COT em Porto Alegre e Curitiba. O documento apontará, tecnicamente, o que cada local necessita para se adequar ao que está sendo recomendado pela Fifa. Estes relatórios serão enviados aos representantes das cidades, que terão um prazo para providenciarem as modificações.

A Secretaria para Assuntos Extraordinários relativos à Copa no RN (Secopa) já relacionou três pontos para serem vistoriados pelos inspetores do Comitê Organizador: o estádio Juvenal Lamartine e o campo da antiga Cefet e o Sesi. Levando-se em consideração que o JL se encontra em completo estado de abandono e que existe um projeto de revigoração da praça de esportes nas mãos do presidente da Federação Norte-rio-grandense de Futebol (FNF), José Vanildo, pode ser que este seja o sinal para reabertura do estádio mais antigo da capital potiguar.

“Fico contente com a lembrança do nome do Juvenal Lamartine, com isso nós desportistas ligados ao futebol podemos vislumbrar a realização de algum investimento público no estádio”, salientou José Vanildo.

O projeto de reforma do JL, segundo o dirigente, estaria orçado em meados do ano passado na casa dos R$ 18 milhões. Através do qual o Juvenal Lamartine ganharia um módulo a mais de arquibancadas, sendo que as já existentes passariam por um completo processo de reforma. Consta ainda do projeto a construção de um museu do esporte, estacionamento subterrâneo, lojas, restaurantes e salas administrativas para a Federação.

José Vanildo afirmou ter estranhado apenas a ausência do Frasqueirão da lista de locais para servir de Campo Oficial de Treinamento. “Desconheço os critérios utilizado pelas nossas autoridades, mas o campo do ABC hoje está muito próximo de atender todos os requisitos da Fifa”, observou Vanildo. 

O titular da Secopa, Demétrio Torres salientou que a lista preparada para visitação no RN pode ser modificada. “Nós precisamos da anuência do ABC para listar o estádio deles na relação de Centro de Treinamento para Copa. Trata-se de um estádio privado, com instalações modernas e que se for inscritos levará vantagem sobre todos os demais”, frisou Demétrio.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A dengue e o campo de futebol
Emanoel Barreto

Leio na Folha que Natal está entre as 14 capitais brasileiras que estão sob ameaça de volta da dengue. A questão envolve não apenas falha no serviço de saúde preventivo, mas, e especialmente, omissão da própria sociedade, já que os cuidados preventivos são divulgados intensiva e sucessivamente em TV, rádio e jornal.

O problema é que somos um país onde pão e circo têm uma espécie de prioridade lamentável.

Fala-se em realizar-se uma Copa do Mundo, prometendo-se obras fabulosas a reboque de estádios colossais, verdadeiros jardins suspensos da era moderna. 

Pergunto: tais obras não poderiam ser feitas sem precisarmos gastar rios de dinheiro com estádios onde seleções de segunda categoria irão se enfrentar?

Em Natal o Walfredo Gurgel é um hospital doente, pessoas sofrendo em meio à falta de recursos. A dengue ameaçando voltar e todos pedindo, implorando um suntuoso campo de futebol. Melhor seria botar a dengue na marca do pênalti e tomar uma vacina de cidadania.

quarta-feira, 7 de julho de 2010


O icosaedro truncado é proporcional ao momento estático, que por sua vez é algo que se parece com o iconoclasta madrileno do escambo
Emanoel Barreto

A Folha de S. Paulo tem em sua política editorial a proposta de manipulação do leitor mediante o recurso que lá eles chamam de amor/ódio. Quem bem explica - e apoia o método - é o professor Carlos Eduardo Lins da Silva em seu livro "Mil dias, seis mil dias depois". Segundo entende, é preciso agredir o leitor a fim de provocar nele a necessidade de ler o jornal. O confronto jornal/leitor, afirma, é proveitoso em termos políticos e de mercado.

Diz assim: a relação amor/ódio "em todos os sentidos, trata-se de uma postura que só pode ser positiva em termos tanto de mercado como de influência política. Um  veículo de comunicação que seja apenas benquisto pela sua audiência, acaba se tornando desinteressante, monótono, previsível. A relação amor/ódio é muito mais provocante, recompensadora e condizente com um público sofisticado e crítico."

Mais claro que isso só o Satânico Dr. No. Pois bem: o artigo abaixo certamente está inscrito nessa política editorial. É uma verdadeira afronta a qualquer concepção de jornalismo. O articulista, um matemático, se expressa em linguagem acadêmica e, como tal, esotérica. Não fez qualquer esforço para explicar ao leitor não-iniciado em sua ciência o que seja a tal bola Jabulani, a suposta intenção do artigo.
Com você, um pingo do ódio que a Folha destina ao leitorado. Na íntegra, o samba do crioulo doido.

Jabulani, a bola mais criticada
JOSÉ LUIZ PASTORE MELLO jlpmello@uol.com.br


O poliedro de material flexível inflável da Jabulani só é composto por pentágonos regulares


NINGUÉM RECEBEU mais críticas durante a Copa do Mundo de futebol do que Jabulani, a bola oficial do torneio. Ela foi chamada pelos jogadores de "bola de supermercado" (Julio César), "bola sobrenatural" (Luis Fabiano) e até de "bola patricinha" (Felipe Melo).


A história moderna da bola de futebol remonta à Copa de 70, ocasião em que o mundo foi apresentado a uma bola de futebol cuja forma se mostrou tão conveniente que permaneceu em uso até o recente aparecimento da Jabulani.


A concepção da bola consagrada em 70 foi inspirada em um conhecido poliedro convexo, descoberto por Arquimedes, denominado de icosaedro truncado. O icosaedro regular é um poliedro convexo de 20 faces triangulares, e o icosaedro truncado, um poliedro convexo obtido após fazermos "cortes" nos vértices do icosaedro regular.


Por serem poliedros, tanto o icosaedro regular como o truncado atendem à seguinte relação, conhecida como teorema de Euler: o número de vértices (V) mais o de faces (F) excede em 2 a quantidade de arestas (A), ou seja, V+F = A+2.


No caso do icosaedro regular, suas 20 faces são triângulos equiláteros, sendo que cada vértice do sólido é formado pela junção de quatro triângulos, o que concede a ele 12 vértices e 30 arestas. As 32 faces do icosaedro truncado são formadas por 12 pentágonos regulares e 20 hexágonos regulares. Cada um dos 60 vértices do icosaedro truncado é formado pela junção de 1 pentágono e 2 hexágonos, o que resulta ao sólido o total de 90 arestas. Poliedros cujas faces regulares são de mais de um tipo, como o icosaedro truncado, que possui faces pentagonais e hexagonais, recebem o nome de sólidos de Arquimedes.


Desde os anos 70, portanto, a fabricação da bola tradicional de futebol é feita inflando-se um icosaedro truncado de faces flexíveis até se obter um sólido "suavemente" esférico. A novidade introduzida pela Jabulani é o fato de que o poliedro de material flexível inflável nela utilizado é composto apenas por pentágonos regulares, como se vê no vídeo da sua fabricação.


Para entendermos por que uma bola como a Jabulani implica uma trajetória mais irregular do que a da bola tradicional, é razoável olhar para a planificação das faces a partir de um dos vértices do poliedro e compará-la com a da bola tradicional.


Observe que o "ângulo de folga" com relação a 360 é menor na bola tradicional do que na Jabulani, o que, em última análise, implica dizer que, quando inflada, a bola clássica irá gerar uma superfície mais suave -e menos suscetível à trajetória irregular- do que a Jabulani.


Não só nossos jogadores estão "matematicamente" corretos em reclamar da Jabulani, como também podemos dar um novo apelido a ela: Jabulani, a "bola não arquimediana". 
(JOSÉ LUIZ PASTORE MELLO é graduado e mestre pela USP e professor de matemática do Colégio Santa Cruz)



sexta-feira, 2 de julho de 2010

Volta Garrincha! Volta!

Volta Garrincha! Volta espírito brincalhão, verdadeiro e forte.
Volta Garrincha! Volta!

Volta para entortar defesas, descobir gols, fazer vitórias.
Volta para transformar o futebol no grande hino da pátria de chuteiras.


segunda-feira, 28 de junho de 2010


Na África do Sul é assim:  cueca de branco mete neguinho na cadeia
Emanoel Barreto

A Folha informa: Durante o tempo que permaneceu hospedada em um hotel de luxo em Rustemburgo, a delegação inglesa foi vítima de diversos furtos. Entre as "lembranças" levadas por funcionários do local, estava até uma cueca.


"Tudo o que foi roubado foi recuperado, e eles [os ladrões] estão atrás das grades", disse um porta-voz da polícia, Junior Metsi.


Os roubos foram realizados por funcionários do hotel e teriam começado a acontecer em 21 de junho.

Além da cueca, que não teve o dono revelado, uma camisa dos Estados Unidos foi levada, trocada no empate em 1 a 1 dos ingleses na estreia do Mundial. Cerca de US$ 750 [quase R$ 1.330] e uma medalha concedida pela Fifa foram roubadas também. O nome de nenhum atleta furtados foi divulgado.

No domingo, dia em que as queixas foram feitas, os casos foram rapidamente solucionados. Buscas foram feitas em casas de funcionários suspeitos e os bens foram encontrados. Cinco pessoas foram condenadas à três anos de prisão e multadas em cerca de US$ 800 [mais de R$ 1.400].
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São altíssimas as penas de prisão alicadas a sul-africanos que se envolverem em algum tipo de violência contra qualquer branco estrangeiro durante a Copa . Pelo que li e vi na TV há casos de até 15 anos de cadeia. Tudo por imposição da Fifa.

Mais claramente o Poder Branco, mediante a "autoridade" de ente privado, a Fifa, determinou, e os "negros" cumpriram. É mais uma forma abjeta de domínio, um resquício do colonialismo europeu. Mais claramente, o Estado sul-africano de forma servil, covarde, torpe, ignóbil, estabeleceu, ao que me parece, uma legislação casuística e perversa.

Não se trata de defender criminosos. O que está em causa é a dignidade de todo um povo já tão maltratado e historicamente vilipendiado.

A prisão, conceitualmente, não se dirige ao indivíduo infrator, mas à sua condição de negro, predominantemente a etnia com supostas tendências criminais. Lombroso não faria melhor. Só falta medir a conformação craniana do preso para diagnosticar o "criminoso nato".

Agora atenção: a mesma coisa deverá ser exigida do Brasil. E aqui, neguinho vai ter que chiar. Ou vamos engolir calados a lei da cueca?