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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A chegada das trevas



Carlo Allegro/Reuteres

Heil, Trump!
A surpreendente e trevosa vitória de Donald Trump começa espalhando um rastro de terremoto nas finanças mundiais, abalando bolsas na Europa e Ásia. Mas, calma, se o mundo superou Hitler creio que vai aguentar o novo mandatário americano. Pelo menos espero. 

Com relação ao assunto creio que Heiko Maas, ministro da Justiça da Alemanha, o explicitou da maneira mais objetiva:
“O mundo não vai acabar, mas ficará mais louco”.

Vem da Alemanha outra afirmativa, também bastante plausível agora de Ursula von der Leyen, ministra de Defesa: “Choque enorme. Acho que Trump sabe que não foi um voto para ele, mas sim contra Washington, contra o establishment”.
A loucura foi bastante fácil de perceber: com apelo ao mais vulgar e sórdido populismo prometeu aos segmentos mais broncos da americanidade coisas como a segregação do México com um grande muro, expulsão de latinos e muçulmanos, isolacionismo e imperialismo; e empregos, muitos empregos ao americano básico; aquele, tipo Homer Simpson: burrão, com baixa escolaridade e guiado pelo estalar da metralhadora como padrão e emissão de patriotismo.
Quanto ao repúdio ao establishment seria possível admitir a  possibilidade de que, sim, as pessoas com um nível maior de esclarecimento estejam já cheias de acreditar em promessas tipo bom senso – melhores serviços de saúde, retomada do crescimento, apoio às minorias, coisas do tipo.
Por mais que o americano médio acredite nos valores ali dominantes, é bem possível aceitar a suposição de que boa parte da sociedade entende, de alguma maneira, que os Estados Unidos são uma plutocracia: um sistema de poder regido e entregue a quem tem mais poder e mais dinheiro.
Desta forma a mensagem do establishment, representado por Hillary, é uma ousada mentira, pois os dominantes querem mesmo é manter seus privilégios, o que ficou bastante comprovado com a crise de 2008, cujos reflexos ainda se fazem sentir. Os ricos continuaram ricos e uma certa classe média afundou.
As pessoas sabem disso. Juntando-se tal situação com a estupidez formou-se o caldo de dinamite que está prestes a ser servido ao mundo.
Que o diga David Duke, ex-líder da Ku Klux Klan e ex-integrante da Câmara dos Representantes pelo estado da Luisiana de 1989 a 1993: “Deus o abençoe. É hora de fazer a coisa certa. É hora de tomar a América de volta”.
O discurso aparentemente conciliário de Donald Trump após conhecido o resultado da eleição é apenas ato retórico: em jornalismo sabemos que em política muitas vezes é verdade que o político disse, mas pode não ser verdade o que ele disse. Creio que seja o caso.
Se Trump conta com as bênçãos da Ku Klux Klan então é hora de entender que os EUA levaram um trompaço de Trump.
Mas, algo deve ser levado em consideração: Hillary teve 218 votos no colégio eleitoral e Trump 176, pelo menos no instante em que eu escrevia este artigo, 7h desta quarta, quando as apurações ainda continuavam em alguns poucos estados.
Tais números representam que ela obteve, em votos do eleitorado, 47,56 por cento enquanto Trump recebeu 47,63 por cento. Em números absolutos isso significa Hillary com 58 milhões, 670 mil, 948 votos, cabendo a Trump 58 milhões, 743 mil, 996 votos, segundo vejo no Portal G1. Como se percebe, não foi vitória esmagadora.  
Trump ganhou por uma nesga de votos. Ou seja: a sociedade americana está dividida.
Ainda bem: isso significa que haverá mobilização de sociedade civil para enfrentar os tempos que virão.
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ZOORÓSCOPO  
Cascavel – o meu caro cascaveliano: você precisa controlar seus impulsos da raiva. O mundo não é seu. Deixe também se truques sujos, tocaias e emboscadas. Para toda cascavel sempre haverá alguém disposto a empunhar um bom pedaço de pau.



terça-feira, 15 de março de 2016

Descalabro na área da saúde




                        Como filme de terror
Hospital Municipal deixa cadáveres ao lado de crianças



Venho acompanhando as ações do Sindicato dos Médicos do RN, cujas informações registram o descalabro da questão da saúde pública no estado. O informe mais recente diz que no Hospital Municipal de Natal cadáveres são colocados lado a lado com pacientes. Pior: os cadáveres são colocados ao lado de crianças. 
Segue o informe enviado pelo sindicato. 

Em visita de urgência ao setor de pediatria do Hospital Municipal de Natal (HMN), inaugurado em dezembro de 2015, o Sindicato dos Médicos do RN – Sinmed RN - constatou a angústia dos profissionais em trabalhar sem remédios e sem estrutura para atender os pacientes.

O retrato do hospital é este: superlotação nos corredores. Atendimento de pacientes em sete horas. Falta de agulhas para punção de crianças. Profissionais que trazem medicação de outros hospitais. Pacientes que precisam comprar medicações por falta na unidade. Macas sendo divididas por duas crianças.

Além destes graves problemas, o Sinmed RN ouviu denúncia dos profissionais do plantão de que o setor de pediatria é usado como necrotério provisório e pacientes que deveriam ficar em isolamento, ficam na enfermaria, com grande risco de contaminação para todos.

Geraldo Ferreira, presidente do Sinmed, falou sobre os problemas da alta demanda no hospital: “Poucos plantonistas para a demanda. O médico tem que parar o atendimento da urgência para internar. E é uma burocracia o internamento, demora e deixa o paciente aguardando no consultório. Isso acaba repercutindo no médico que é quem está na linha de frente”.

Profissionais de enfermagem também se encontram em situação de desespero, uma vez que hoje falta 70% de insumos no hospital. As enfermeiras relataram trabalhar sem corticoide na emergência infantil, falta agulha adequada para as crianças há uma semana, e só tem um termômetro para todo o hospital.

Está acontecendo no Hospital Municipal o que os profissionais da saúde chamam de “remanejamento da verba SUS”: profissionais trazem insumos e medicamentos de outros hospitais para suprir a carência do HMN.

Os exames, devido a alta demanda, pois o laboratório atende o setor clínico, pediatria e ortopedia do hospital, estão demorando várias horas para serem entregues.

Durante a visita do sindicato, uma senhora com um bebê de 08 meses, com febre e mancha no corpo, aguardou sete horas, das 10h às 17h, para atendimento, exame e retorno. Durante todo esse tempo a paciente ficou sem se alimentar.

Devido a gravidade do problema, o Sinmed RN encaminhou ofício para a Secretaria Municipal de Saúde, solicitando audiência com Luiz Roberto e deve solicitar ao Ministério Público que também atue judicialmente para garantir os direitos dos pacientes.