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domingo, 23 de outubro de 2011

Público de jornal impresso é 46% maior que o da internet

Pesquisa do Datafolha mostra gargalo no crescimento do acesso à rede

Especialistas do setor avaliam que preço alto da banda larga freia a expansão entre as camadas mais pobres

DE SÃO PAULO

O número de brasileiros que se informam por jornais impressos supera o dos que leem notícias na internet em 46%. São 73 milhões os que acompanham as edições em papel, ante 50 milhões que seguem os textos on-line.
http://www.google.com.br/search?q=jornal+impresso

Quando se consideram só as classes ABC, a vantagem passa a 50%, mostra pesquisa feita em março e abril pelo Datafolha em todo o país (leia texto nesta página).
O levantamento indica que o acesso à internet no país parou de crescer após sete anos de expansão ininterrupta.

Entre 2003 e 2010, a parcela da população que costuma usar a rede mais que dobrou, de 21% para 49%. Em 2011 o índice passou a 46%, uma oscilação dentro da margem de erro do levantamento (de 2% para mais ou para menos).

PREÇO E SATURAÇÃO
Especialistas do setor apresentam duas explicações para o fenômeno. Uma é a dificuldade das operadoras de levar ofertas a cidades afastadas dos grandes centros urbanos onde já existe infraestrutura, mas não renda suficiente para sustentar uma operação comercial.
"Há um problema de oferta nessas regiões", diz Juarez Quadros, ex-ministro das Comunicações e sócio da Órion Consultores. "Mesmo reduzindo o preço, a população não teria como pagar."
Por isso, o investimento se concentra em locais habitados pelas classes AB. Porém elas dão sinais de saturação: há três anos, a parcela dos que acessam a rede nessas classes gira em torno de 73%.

Nas classes CDE houve uma explosão de acessos a partir de 2005, quando o governo federal concedeu isenção de PIS e Cofins aos computadores. Mas o crescimento cessou entre 2009 e 2011.
Outro fator que restringe a expansão, segundo os especialistas, é a falta de estímulos à competição. O mercado está concentrado em poucas empresas (na maioria concessionárias de telefonia fixa) e há poucas cidades com mais de um competidor.

Apesar das barreiras, o país avançou. Em levantamento de 2011 realizado pela ONU, o Brasil subiu 14 posições no ranking de preço médio da banda larga fixa, para a 56ª colocação entre 165 países alinhados do mais barato ao mais caro. (Folha de S. Paulo)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Não sou exatamente um admirador da linha editorial da Folha mas esse editorial abaixo vale a pena ler.


A sete chaves

Numa vitória do Estado contra a sociedade, Planalto ensaia recuo na promessa de dar acesso a papéis sigilosos após um máximo de 50 anos

Sob argumentos nada claros, o governo federal indica ter voltado atrás na promessa de empenhar-se pelo fim do sigilo eterno nos documentos oficiais do país.

Pela lei atual, os papéis de teor considerado "ultrassecreto" ficam 30 anos inacessíveis ao público, e esse prazo pode ser renovado indefinidamente. A Câmara dos Deputados decidiu, no ano passado, diminuir para 25 anos o tempo do sigilo, autorizando sua renovação por uma vez apenas.
Mesmo levando em conta a eventual gravidade das informações contidas em papéis do tipo, um total de 50 anos para sua divulgação não parece imprudente.
O projeto da Câmara foi encaminhado ao Senado Federal; a presidente Dilma Rousseff comprometera-se a apoiar sua votação tal como o texto se encontrava.
Recuou, entretanto. Ontem, a nova ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, acrescentou a isso a disposição do governo de manter a renovação do prazo do sigilo por tantas vezes quanto se considerar necessário.
Impede-se, assim, o acesso a informações que, em última análise, não são propriedade do governo, mas de toda a sociedade.
Vieram de dois antigos governantes, segundo se noticia, gestões para manter indefinidamente a guarda dos segredos de Estado. Os ex-presidentes José Sarney e Fernando Collor, hoje senadores, respectivamente, pelo PMDB do Amapá e pelo PTB de Alagoas, manifestaram suas preocupações.
Considerando-se as datas em que ocuparam a Presidência da República, ambos estariam preservados de divulgações inconvenientes por um bom tempo.
Estaria então sendo avaliado, pela ótica dos ex-presidentes, o perigo da divulgação de fatos ainda mais remotos? Quais?

Eis o mistério. Fala-se em acordos celebrados há mais de um século, relativos às fronteiras do país. À medida que se aponta para assuntos desse tipo, contudo, o segredo se torna paradoxal: vêm a público os seus motivos (ou pretextos), mas não seus termos.

Só resta a impressão de que algo -não se sabe o quê, e talvez qualquer outra coisa também- deve ficar escondido. O sigilo justifica o sigilo, eternamente.

Compreende-se a necessidade de cautela. Mas é comum, nas relações entre Estado e sociedade, que o argumento termine levando a abusos muito além dos supostos motivos que a originaram.

Como que movido pela própria natureza, o Estado resiste ao julgamento da opinião pública, mesmo em assuntos recobertos pela pátina do tempo. Pela intensidade da reação, contudo, pode-se inferir o quanto de democracia, ou de autoritarismo, há em seus atos.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A Folha está promovendo um escarcéu em torno de texto que sequer foi publicado, de autoria de FHC. É o que se chama, em jornalês, de "balão de ensaio", uma coisa de jornal que visa "testar" até que ponto alguém pode medir a importância ou impacto de suas palavras ou atitudes midiáticas. O balão de ensaio surge de algo que em si não tem valor algum ou o tem de forma relativa;  visa atender unicamente o interesse de alguém em torno da promoção de seu nome ou instituição a que seja ligado. No caso, o jornal pretende criar e promover um pesudoacontecimento - o "debate" interno do PSDB - a fim de promover esse partido. Leia a matéria.

Oposição discorda de FHC e defende foco no 'povão'

DE SÃO PAULO
Hoje na Folha Líderes da oposição, entre eles Aécio Neves (PSDB-MG), discordaram ontem do teor do artigo em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso propõe que desistam do "povão" para investir na nova classe média, informa reportagem de Catia Seabra, Vera Magalhães e Daniela Lima, publicada na Folha desta quarta-feira (íntegra somente para assinantes do jornal ou do UOL).
Já o ex-governador José Serra fez vários elogios ao texto e disse que este não é o "ponto essencial" do texto. 

Em artigo que será publicado nesta semana e revelado pela Folha, FHC defende uma revisão profunda da estratégia do PSDB e da oposição para voltar ao poder.
O tucano diz que a oposição deveria desistir de conquistar as camadas mais pobres do eleitorado e se conectar com a nova classe média.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Vejo, estarrecido, na Folha, que o governo de São Paulo acredita que, fechando delegacias, vai diminuir a criminalidade e acentuar a eficiência da segurança pública. Acho que tem gente, no governo, lendo Kafka demais. Leia a matéria:

SP reestrutura polícia e fecha delegacias

Pacote inclui fechamento de distritos policiais em cidades pequenas, onde a PM cuidará dos casos menos graves

Objetivo, segundo o governo, é otimizar o emprego dos recursos públicos e melhorar a qualidade do serviço

ROGÉRIO PAGNAN
DE SÃO PAULO
VENCESLAU BORLINA FILHO
DE RIBEIRÃO PRETO

O governo de São Paulo deu início a um pacote de mudanças na estrutura da segurança pública no Estado que deve afetar praticamente todas as 645 cidades paulistas e a forma de trabalhar das duas polícias estaduais.
A "reengenharia" do governo prevê o fechamento de delegacias nas cidades com menos de 10 mil habitantes e a aglutinação de distritos nas cidades de maior porte, o que inclui a capital.
Nas cidades pequenas, 43% dos municípios paulistas, a PM vai registrar boletins de casos de menor gravidade -que dispensam ação imediata dos investigadores.
Policiais civis que ficarão nas grandes cidades serão acionados quando houver crimes mais graves, como homicídios e flagrantes.
A reestruturação prevê a criação de polos -como se fossem superdelegacias- para atender a população.
Com o fechamento de pelo menos 96 delegacias no interior, 279 cidades ficarão sem unidades da Polícia Civil. O governo quer completar as mudanças até o final do ano.
"Há cidades que registram 80 ocorrências num ano", disse o delegado-geral, Marcos Carneiro Lima. "Isso não significa que elas deixarão de ser prestigiadas."
O plano incluiu a transferência do Detran para a Secretaria de Gestão Pública e a transferência de 1.349 policiais do órgão para a pasta da Segurança Pública.
O objetivo do governo, é otimizar o emprego dos recursos públicos e melhorar a qualidade do serviço de seus 35 mil policiais civis.
O governo iniciou a reestruturação em pelo menos 12 cidades. São João da Boa Vista, por exemplo, com 83 mil habitantes, ficará com apenas uma das seis delegacias existentes. Até agora, quatro já foram fechadas, inclusive a Delegacia da Mulher.


REGISTRO INTEGRADO Dentro dessa "reengenharia", o policial militar passará a registrar ocorrências num sistema integrado que os delegados acessarão.

Segundo o comandante da PM, coronel Álvaro Camilo, "num futuro próximo", todos os policiais militares registrarão BOs no carro oficial.

O presidente do Sindicato dos Delegados, Jorge Melão, disse ser favorável à aglutinação. Para ele, a instalação de delegacias nunca havia atendido critérios técnicos.
"Agora, sobre a falta de policiais, não resta outra alternativa a não ser contratar mais", disse.
O governo agora tenta convencer lideranças políticas e a sociedade da importância dessas mudanças. "Vamos fazer um trabalho de convencimento e de conscientização. Todos vão ganhar", disse Carneiro.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Lady Gaga sai sem calças em frio de 7 graus negativos

DE SÃO PAULO
Lady Gaga passeou por Paris sem calças apesar da cidade estar enfrentando um frio de 7º C negativos. 

Gaga, 24, foi fotografada nesta terça-feira na capital francesa vestindo apenas botas, meia arrastão, lingerie cor da pele e jaqueta de couro. Como acessórios, uma "coleira" de couro e óculos escuros. 

Lady Gaga está em Paris para alguns shows. No fim de semana, ela teve que adiar a apresentação que faria na noite de domingo em consequência do frio, que fechou estradas e impediu que caminhões seus equipamentos chegassem a tempo.

The Grosby Group
Lady Gaga passeia por Paris de meia arrastão e jaqueta de couro em frio de 7° negativos
Lady Gaga passeia por Paris de meia arrastão e jaqueta de couro em frio de 7° negativos

 

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Leio na Folha e compartilho (EB).

Lula empina motocicleta com Dilma na garupa em "Lula Lá Parte 2: A (Su)Cessão!"

da Livraria da Folha

A língua presa do presidente, os comentários espirituosos durante os discursos, a postura de líder populista e as eventuais crises de governo. O olhar clínico e cheio de ironia de Chico Caruso não deixa passar nada entre os acontecimentos marcantes do segundo mandato de Lula nas charges multicoloridas de "Lula Lá Parte 2: A (Su)Cessão!" (Devir, 2010).

Outros episódios como a descoberta do pré-sal, o surto de gripe suína, a derrota na Copa do Mundo na África, as viagens diplomáticas e o processo de sucessão, não ficam de fora.
A capa do volume, um destaque por si só, mostra o atual governante empinando uma motocicleta com a recém-eleita presidente Dilma Russef na garupa.

Divulgação
Volume reúne charges políticas criadas pelo cartunista Chico Caruso durante o segundo mandato da era Lula
Volume reúne charges políticas criadas pelo cartunista Chico Caruso durante o segundo mandato da era Lula

O volume, precedido por "Lula Lá - Parte 1: A (O)Missão" (Devir, 2006), é fruto de uma coletânea de 300 charges publicadas originalmente no jornal "O Globo".
De certa forma, os trabalhos de Chico complementam a coleção "Avenida Brasil", de seu irmão gêmeo, Paulo Caruso, que também faz crônicas gráficas cheias de humor do cenário político brasileiro.
A versão de Paulo sobre os últimos quatro anos presididos por Lula estão em "Avenida Brasil: Enfim um País Sério!" (Devir, 2010).
Leia trecho de "Lula Lá Parte 2: A (Su)Cessão!".
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"Lula Lá Parte 2: A (Su)Cessão!"
Autor: Chico Caruso
Editora: Devir
Páginas: 144
Quanto: R$ 46,50 (preço especial, por tempo limitado)
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

 Folha "mata" Lula e questiona a sua participação na transição do governo

Emanoel Barreto

Uma forma de o jornalismo dar acontecimentos como fatos consumados é forçar, na assertividade do título ou do texto, essa assertividade como fato que se sobrpõe ao acontecimento que lhe deu origem.

Trata-se, portanto, de um meta-acontecimento. Explico: a representação do real é imposta ao real e surge como fato substituto e acima daquilo que busca representar. É a verdade jornalística sobrepujando a verdade de mundo. Veja o titulo da matéria ao lado: "'Rei morto', Lula diz que negociará reforma em 2011". 

Com isso o jornal busca mostrar suposta incoerência entre o dizer e o fazer de Lula, arrimando-se no conteúdo da manchete para em tom acusativo indicar que o presidente buscará ser, nos bastidores, ventríloquo a comandar o espetáculo da transição e até mesmo, quem sabe, insinuar-se nos passos seguintes do governo Rousseff.

Diz o jornal: Um dia após ter afirmado que não vai interferir na composição do governo de Dilma Rousseff -"rei morto, rei posto"-, o presidente Lula disse ontem, em reunião ministerial no Palácio do Planalto, que pretende negociar com a oposição e emplacar uma reforma política no primeiro ano do novo governo.

O jornalão dos Frias tenta fazer valer ao pé da letra o ditado popular, determinando que o ator político Lula deveria recobrir-se de algo como uma espécie de ingênuidade política, retirando-se de cena. 

A "verdade" jornalística está no fato de que, na legalidade da formulação do título, justifica-se a paralisia de Lula reivindicada pelo próprio título. A verdade de mundo reside no fato de que ingênuo seria cobrar de um ator político seu silêncio em momento que exige naturalmente sua presença e participação. Eu não disse "atitude decisória", mas "participação".

É embaralhando o real com o prescrito que o jornal proscreve esse mesmo real.

Jornalismo é técnica, mas também é arte. Como técnica atém-se a  função fática: narrar de forma credível e fazer coincidir narração, descrição ou relato com o fato que lhe deu causa. Como arte, manifesta-se na clareza, elegância, originalidade e até mesmo na pontuação poética de texto ou título como ocorre com a crônica.

No caso do título analisado nesta matéria, houve o recurso algo poético de referência ao ditame popular, buscando verossimilhança entre essa licença e a realidade que a Folha intenta apor a Lula. Ou seja: requer que o presidente declare-se "morto" e se assuma como tal. 

Em suma, não há, a rigor, informação. Pelo menos não informação em sentido estrito, mas informação impregnada, nas entrelinhas, do espírito de fazer oposição.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A mão que afaga...
Eamoel Barreto

A Folha sai hoje com editorial de mesuras à presidente Dilma. Como convém a um jornal que se pretende plural, apartidário e crítico - elogios e bom senso analítico são também manifestações de crítica, diga-se de passagem - o jornalão dos Frias concedeu à eleita dose homeopática de candura. Segue a transcrição, com um lembrete: a mão que afaga...

Boa impressão

Foi promissor o discurso proferido pela presidente eleita, Dilma Rousseff, na noite de domingo, após a confirmação de sua vitória eleitoral. O pronunciamento, que se revestiu de características de uma carta de intenções, convidou o país à conciliação, prestigiou a ordem democrática e sugeriu diretrizes de governo elogiáveis.

Como seria de esperar, a futura mandatária comprometeu-se com os direitos e garantias constitucionais. Incisivamente, com o intuito de dirimir suspeitas, prometeu zelar "pela mais irrestrita" liberdade de imprensa e de religião.

Na economia, foi além das promessas protocolares de responsabilidade, respeito a contratos e estímulo ao crescimento. Em considerações que poderiam ser endossadas por opositores e críticos dos atuais rumos do governo, fez questão de citar a "melhoria da qualidade do gasto público" e a "atenuação da tributação".

Não esqueceu também o respaldo às hoje aparelhadas agências reguladoras, para que atuem com "determinação e autonomia" na promoção da "saudável concorrência" -fraseologia que faz lembrar a influência do ex-ministro Antonio Palocci na campanha.
Ainda na área econômica, Dilma Rousseff referiu-se a cuidados com o ambiente, num aceno ao eleitorado de Marina Silva. E revelou ciência das dificuldades oferecidas pelo cenário global ainda marcado por sequelas da crise financeira -que exigirá de seu governo esforços para compensar a pouca pujança dos países ricos.

Nesse quadro, foi auspiciosa a menção às melhorias microeconômicas, com a valorização de "mecanismos que liberem a capacidade empreendedora de nosso empresariado e de nosso povo".

No que tange à administração pública, comprometeu-se com a transparência e ecoou o discurso de seu adversário José Serra, ao falar em "meritocracia" e garantir que não terá "compromisso com o erro, o desvio e o malfeito".

A presidente eleita foi menos específica ao se referir ao tema estratégico da educação, bem como à saúde e à segurança. Haverá por certo oportunidade adequada para que esclareça em detalhes suas políticas para essas áreas.

No terreno das reformas, o discurso enfatizou a política, para "elevar padrões republicanos" e avançar "em nossa jovem democracia". É uma tecla na qual o presidente Lula passou a insistir depois do escândalo do mensalão.

É fato que o sistema partidário e eleitoral tem defeitos. Parece no entanto irrealista e inapropriado que se consuma capital político em demasia nessa questão, na esperança de que novas regras venham a evitar mazelas que dependem, na realidade, de vigilância pública e de evolução da cultura política para serem sanadas.

Embora não devam ser consideradas como mais do que são -declarações políticas de uma candidata vitoriosa, que precisa atrair simpatias na metade do eleitorado que não a sufragou-, as primeiras palavras da futura presidente deixaram boa impressão.

Foto: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh-6if0k0_OANl5943j7Lby9LcdXtFGe5yBpa5-StcNFE1bvOA__tRqjMD9MIvvAanGSB3L0AL_O5qfOlKsRlUtVivQgIp4cM-r-SfuNe3S5tp8BHINIHlsFeULSH_d0PBsrbB-/s400/pedras+1.jpg&imgrefurl=http://fatosnoespelho.blogspot.com/2010/08/o-pt-e-o-ira-mao-que-afaga-e-mesma-que.html&usg=__NlNnpZgzctlHW2NG8kvLOO-zaBI=&h=193&w=280&sz=17&hl=pt-br&start=62&sig2=puzz6_vi8CWgXENFURkPrA&zoom=1&

domingo, 31 de outubro de 2010

Os terríveis vaticínios da Folha; um jornal agourando o futuro

A Folha de S. Paulo ou de como um jornal pode ser pregoeiro da desgraça
Emanoel Barreto

Estranha, muito estranha a mensagem da Folha. Numa primeira página em que admite a vitória da adversária ideológica, o jornalão exibe discurso iconográfico em que a apresenta e a seu opositor como habitantes de um mundo, melhor, um país surrealista, demencial, depressivo e deprimente. A Folha faz de tudo, até mesmo na undécima hora, para passar a ideia de que provável eleição de Dilma levará o Brasil a situação lastimosa.

Tudo no texto visual é triste, desolador, sorumbático, aterrador. A realidade nacional é cifrada em cor amarelada, num matiz social que impressiona o olhar com um sentido de coisa ruim. Todos os seres representados, incluindo o ícone de Serra, são entes oprimidos, privados de vontade, angustiados, mergulhados em situação de comleta decrepituda política e existencial, vivendo a vida como se esta por si só fosse um interminável e inexplicável exercício de padecimentos.

Vendas amordaçam esse enigmático mundo sem sentido. Serra é mostrado com aspecto infantilizado,  choramingas. Um pedinte político. O brasileiríssimo tucano traz o bico preso como se vivesse luto. 

Tocos de árvores sangram. Seres des-almados portam votos nas mãos como se caminhassem a esmo, perdidos em ilações sombrias. Vestidos com o azul de Serra são uma procissão, uma espécie de préstito da desgraça iminente.

Dilma tem o semblante sinistro, mão direita de lutador de boxe. Presa pelo pé à cabeça de Lula é de alguma forma também um lêmure sem vontade própria mas, mesmo assim, tem algo de maligno em sua figura fantasmática.

O discurso figurativo não alerta a um perigo, na verdade deseja que o país ingresse num tempo de trevas e de medo. A jornal como pregoeiro de desacerto e da hacatombe, desejando o mal ao futuro próximo. 

Mas, apesar da Folha, amanhã há de ser outro dia. E bem diferente do que anseia o jornal dos Frias.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Datafolha reconfirma tendêndia pró-Dilma
Emanoel Barreto

Eis o que dizem as coisas de jornal da Folha: Pesquisa Datafolha realizada ontem voltou a indicar estabilidade no quadro da corrida presidencial, com Dilma Rousseff (PT) mantendo liderança de 12 pontos sobre José Serra (PSDB).

A diferença agora é que o percentual de indecisos caiu de 8% para 4% em dois dias. Essa redução nesse grupo de eleitores indica que há cada vez menos espaço para mudanças na tendência de favoritismo da candidata do PT.

O levantamento do Datafolha, encomendado pela Folha, foi realizado ontem em 256 cidades e com 4.205 entrevistas. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

A lei da gravidade política às vezes é tão poderosa quanto os mais sólidos princípios newtonianos. É o que vemos neste resto de reta final da disputa pela presidência da República. Mesmo a Folha, o jornal que mais decididamente apoia a candidatura
Serra, tem de admitir com a publicação de pesquisa feita pelo instituto da casa.

O jornal, mesmo assim, tenta resgatar o tema "aborto", principal argumento serrista para chegar à presidência, requentando a matéria com a manchete "Papa cobra ação de bispos do Brasil contra aborto". Não deu certo, não dará certo especialmente agora, com a decidida cristalização de votos pró-Dilma.

Ao que tudo indica, consultadas as urnas domingo próximo, o resultado estará configurado e a petista

Estimo que, com isso, pretende-se mostrar que a aliança PT-PMDB teria sido tão-somente uma reunião de intentos, um agrupamento cujo único intuito seria o apoderamento do Estado para fins políticos, beneficiando grupos ou estamentos.

O governo do PT tem, efetivamente, essa marca: a reunião de interesses divergentes em torno do presidente Lula. A seu lado assentam-se empresários do agronegócio e tendências mais à esquerda, trabalhadores e empresários, bem como segmentos dos mais diversos matizes ideológicos.

Essa composição, que é díspar, sei disso, terminou por assegurar ao país um período de equilíbrio econômico talvez nunca visto. Haverá disputas por cargos? Sim. Mas o mais importante será a predominância de um discurso voltado para o social. Vamos ver o que acontece. A prática política em sua dinâmica histórica e a participação da sociedade civil exigindo de Dilma que cumpra com o compromisso assumido de dar prioridade ao que vem do povo.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Folha cobre corrupção tucana para afirmar isenção

Flagrada operação fraudulenta nas obras do metrô de São Paulo
Emanoel Barreto

Leio no jornal dos Frias:
A Folha soube seis meses antes da divulgação do resultado quem seriam os vencedores da licitação para concorrência dos lotes de 3 a 8 da linha 5 (Lilás) do metrô.
O resultado só foi divulgado na última quinta-feira, mas o jornal já havia registrado o nome dos ganhadores em vídeo e em cartório nos dias 20 e 23 de abril deste ano, respectivamente.
A licitação foi aberta em outubro de 2008, quando o governador de São Paulo era José Serra (PSDB) --ele deixou o cargo no início de abril deste ano para disputar a Presidência da República. Em seu lugar ficou seu vice, o tucano Alberto Goldman. 

O resultado da licitação foi conhecido previamente pela Folha apesar de o Metrô ter suspendido o processo em abril e mandado todas as empresas refazerem suas propostas. A suspensão do processo licitatório ocorreu três dias depois do registro dos vencedores em cartório.
O Metrô, estatal do governo paulista, afirma que vai investigar o caso. Os consórcios também negam irregularidades ou "acertos". 
 ..
O jornalismo das grandes corporações de mídia, antes de tudo um negócio, precisa acautelar-se diante dos mares sempre nevegados por sua política editorial. Frente à possibilidade real de eleição de Dilma Rousseff o jornal dá uma guinada em sua cobertura no noticiário nacional e começa a salientar como a corrupção se acantonou no governo tucano paulista.
O resultado da licitação citada acima foi anunciado quinta-feira da semana passada, mas somente agora dá à luz a matéria documentando o desacerto. As empreiteiras são empresas dadas a esse tipo de procedimento. Encastoadas ao poder político, são entidades de enorme influência junto ao poder estatal e a este de alguma forma se agregam pois o Estado atrai seus serviços necessariamente, visto que tem a obrigação de construir obras públicas.

Em 2007, Serra governador de S. Paulo, houve monumental desastre em parte das obras do metrô. A Folha cobriu com parcimônia o acontecimento, de forma a apresentar o tucanato como isento em relação ao desastre que fez vítimas fatais. Perícia compruvou que as obras não eram feitas segundo as normas da boa engenharia. No mesmo ano caiu um avião da TAM em S. Paulo e, como a estrutura aeroportuária é ligada ao governo federal o presidente Lula chegou a ser chamado de "assassino".

A alegação estaria fundamentada no fato de a Infrero, responsável pela manutenção dos aeroportos de todo o país, ser federa. Logo, Lula seria o culpado. 

Agora, ante a débâcle de Serra, o jornal busca preservar sua imagem - a empresa se apresenta como apartidária - e dá destaque de primeira página à corrupção nas obras do metrô. O jornal busca assegurar sua hegemonia no mercado da informação e assim anuncia que houve manipulação na escolha da empreiteiras que tocam as obras do metrô.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Folha exagera no apoio a Serra
Emanoel Barreto

A edição da hoje da Folha exagerou na dose de apoio a José Serra. Em matéria a respeito do candidato o título é "Ideal, antipetismo e ajuda de custo movem tucanos". 
O título, todavia, não é coincidente com o conteúdo do texto. Vejamos a matéria:

O pink quase fosforescente, uniforme do grupo de 20 mulheres que aguardava a chegada de José Serra na porta de um hotel de Porto Alegre (RS), na última sexta-feira, só não chamava mais atenção do que a gritaria que elas promoviam -"Brasil Decente, Serra Presidente!"


Quando se cansavam, as militantes sacavam cópias de um artigo de jornal em que se lia: "Dilma Rousseff defende a legalização do aborto", e começavam seu proselitismo: "Somos a favor da vida, e Dilma tem sido ambígua demais quando o assunto é aborto", repetia a presidente da Ação da Mulher Progressista do Rio Grande do Sul, Ana Gorski Rodrigues.

O entusiasmo das Penélopes Charmosas gaúchas por José Serra não depende de ajudas de custo, quentinhas com almoço ou promessas de emprego. "É ideologia mesmo. É um ideal", dizia a octogenária cor-de-rosa do boné ao tênis, só os imensos olhos azuis destoando.

"É por ideologia, sim, que estou aqui", proclamava o segundo tenente reformado Adair Gonçalves, 60, gaúcho de Pelotas, ontem, na caminhada com Serra pelo calçadão de Copacabana, no Rio.


Gonçalves, membro de uma comunidade de militares na internet chamada "Brasil Acima de Tudo", fez questão de levar para o ato duas "bombas", como ele chamava duas folhinhas que exibia para todos em volta. Em uma, via-se imagem de Dilma supostamente fotografada ao lado de uma metralhadora.

A coordenação de campanha da candidata petista tachou a imagem de "fotomontagem grosseira" --"Mesmo no julgamento a que a ditadura a submeteu, ela não foi acusada de ter participado de nenhuma ação que envolvesse armas", diz um blog antiboatos mantido pelo PT.

A outra "bomba" de Gonçalves era uma suposta certidão de nascimento lavrada na Bulgária, atestando que a candidata petista teria nascido naquele país. "Ela nem brasileira é", pregava o militar reformado.

No calçadão de Copacabana, distribuíram-se 200 capacetes, desses de operários, que foram disputados a empurrões pelos serristas.

Os mesmos capacetes já haviam aparecido, na véspera, em um bairro popular de Campinas onde Serra fez campanha. "É para a gente se proteger das agressões petistas", disse a psicóloga e escritora Ana Parreira, 58. "Pode vir coisa bem pior do que bolinhas de papel." Não veio.

"Nós não queremos que o Brasil se transforme em uma Cuba ou em uma Venezuela", discursava, risonha e confiante entre suas amigas, a administradora de empresas Maria Tavares, 65. O forte sotaque nordestino, ela não revelava de onde é. As amigas em tom de mistério diziam que Maria é uma celebridade da política alagoana refugiada há anos no Rio --mora ali, na área nobre da avenida Atlântica que assistiu à manifestação tucana.

O professor universitário de Direito João Francisco Sauwen Filho, 74, acompanhado pela também professora Regina Fiuza, 66, assim explicou seu apoio à candidatura Serra: "Cansei dessa cafajestocracia que dominou o Brasil." Instado pela Folha a explicar seu ponto de vista, o docente completou: "Posso estar sendo um tanto heterodoxo, mas eu não acredito em nenhuma solução que não passe pelas elites. A solução que não passar [pelas elites] é meia-sola", disse.


Entre tantos militantes "ideológicos", ainda se vê, no meio das hostes serristas, o velho cabo eleitoral remunerado, aquele sujeito que, em troca de R$ 50, agita durante seis horas consecutivas as bandeiras do PSDB. Como Natália Antunes, 25, moradora de um conjunto residencial popular.

No sábado, Natália e um grupo de 60 outras jovens, faziam figuração em uma rápida visita de Serra à periferia de Campinas (SP).

Serra desceu da van, andou menos de 100 metros, cercado por um enxame de repórteres e fotógrafos, parou no estacionamento de uma lanchonete, deu uma entrevista coletiva em que detonou o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), peça-chave do programa do PT, entrou na van e sumiu.

"Foi rapidinho", comemorou Jenifer Souza, 21, que receberá como se tivesse trabalhado seis horas. Natália vota em Serra, convicta. Suas amigas, não. São dilmistas que estão ali só por causa do dinheiro. Todas estão desempregadas. "Bandeirar é nossa atual profissão", diz, aproveitando para pedir "uma vaguinha na Folha depois que a campanha acabar".

Percebe-se claramente que a matéria tem intuito irônico. O uso de aspas insinua exatamente isso. Mesmo assim a editoria resolveu forçar uma situação que somente na internalidade do texto do título se justifica. A falta de contexto entre título/foto comprova que a "militância" de Serra é composta por mulheres "penélopes charmosas" e pessoas que usam a palavra ideologia sem saber exatamente o que significa além de pessoas remuneradas para animar a campanha. As aspas da repórter Márcia Capriglione, autora do texto, são enfáticas.

A citação das declarações, sempre aspeadas, revela, a meu juízo, como a jornalista encarou o acontecimento: algo meio bizarro, uma espécie de ridículo bem-intencionado da parte de alguns ou um ganha-pão ocasional para outros.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Datafolha reconfirma tendência pró-Dilma


 Vão-se os anéis, ficam os dedos
Emanoel Barreto


A mais nova pesquisa do Datafolha reconfirma a tendência: Dilma é virtualmente presidente eleita. A questão assume proporções que bem despertariam estudo alentado da sociologia da comunicação: uma candidata que está sob fogo da artilharia de imprensa consorciando-se a isto a elevação a níveis de aprovação jamais vistos de seu líder e patrono, Luis Inácio Lula da Silva.

E tudo se passa em ambiente social onde viceja campanha política que, da parte dos opositores de Dilma, se vale de todos os argumentos de comunicação: desde o discurso típico do candidato que se coloca como opção de governante, José Serra, com conteúdo otimista e elegante aos mais rasteiros gestos, como a provocação de segmentos da sociedade que se regem por princípios religiosos manipulados pelo seu marketing.


A votação de Dilma está cristalizada e agrega a si novos contingentes de eleitores. O discurso virtual que é ditado pelos que responderam à pesquisa é bem claro para quem quiser entender: esse ser coletivo a quem chamamos povo está dizendo que aprova o governo central e desta forma acata a pessoa proposta como sucessora e continuadora do estado de coisas hoje vivido: inflação sob controle, poder aquisitivo relativamente aumentado, assistência aos segmentos carentes da população. De forma resumida, é isso.


A pesquisa que dá Dilma com 12 pontos acima de Serra ganha em credibilidade porque advinda do mais poderoso jornal de oposição ao governo, Folha de S. Paulo, cujos dirigentes, sabedores de que a nau serrista está indo a pique, preferem ressalvar-se como grupo econômico e comunicacional que, que seria grandemente agravado caso resolvesse negar e não divulgar o resultado da pesquisa do Datafolha. 


Deve ser um bocado amargo para seu paladar de apoiadores de Serra, mas é preferível isso a colocar em risco a hegemonia do Grupo Folha, caso se buscasse maquiar o que eles mesmos apuraram: a iminente derrota de Serra. Vão-se os anéis, ficam os dedos.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Viva Chile, mierda!, gritou o presidente Piñera

A matéria da Folha mostra abaixo, em seu estilo gagá-dudu, como se processam os trabalhos de resgate dos mineiros. Especial atenção para a forma como o presidente Piñera vai se aproveitar da situação dos trabalhadores para ganhar popularidade e surgir como herói. Pena que o estilo gagá-dudu da Folha não traga em suas assertivas a representação da dramaticidade do momento e as manobras do presidente, o que somente seria conseguido se a repórter tivesse permissão para escrever. Escrever de verdade. (EB)

Operação de resgate dos 33 mineiros torna-se mina de ouro para presidente chileno


LAURA CAPRIGLIONE
ENVIADA ESPECIAL À COPIAPÓ (CHILE)


"Ele não perderá esse momento por nada neste mundo", disse Marta Flores Duhalde, da Cruz Vermelha, trabalhando no apoio emocional às famílias dos homens soterrados.
O presidente fez da operação de salvamento na mina San José ponto de honra de seu governo.
Em suas palavras, "o resgate será um verdadeiro renascimento não só dos 33 mineiros mas também para o espírito de unidade, força, fé e esperança" do Chile.


Já no momento em que se descobriu que os mineiros estavam vivos, Piñera fez um discurso inflamado, identificando o Chile, recém-assolado pela tragédia do terremoto do início do ano, aos mineiros enfrentando a tragédia do desabamento.

Transformou o salvamento dos homens sob a terra em uma metáfora do próprio Chile, que também poderia ser salvo. O governo Piñera, é claro, seria o condutor de ambos os salvamentos.

"Chi-chi-chi, le-le-le, viva Chile, mierda!", gritou o presidente, ao finalizar um discurso inflamado em homenagem aos mineiros, quando afinal se soube que eles ainda estavam vivos, no dia 22 de agosto. Piñera surpreendeu até seus aliados.

No governo, não se informa a quanto montam os custos da operação de salvamento, que implicaram trazer dos EUA e do Canadá equipamentos e pessoal especializado em perfuração.
É gente que atuou anteriormente no Afeganistão e em prospecção de petróleo.
Segundo a assessoria de imprensa, só depois do fim dos trabalhos se divulgarão os custos.

O dirigente da Codelco, a gigante estatal do cobre chileno, Gerardo Jofré, disse ao jornal "El Mercurio" que tem todos os gastos planilhados, mas que quem poderá divulgar os números é o governo.

Eleito em 17 de janeiro ao derrotar o candidato situacionista Eduardo Frei, o milionário Piñera, representante de uma coalizão de centro-direita, tinha a perspectiva de governar um país dividido. Unificá-lo era o seu principal desafio.


PATRIOTISMO

O clima patriótico do acampamento Esperanza, quando está para ser feito o resgate, se espalha pelo país por meio dos canais de TV.
E tudo o que se vê são pessoas cantando a plenos pulmões o hino nacional, imagens subterrâneas dos 33 mineiros, Piñera discursando e Laurence Golborne, o ministro da Mineração, transformado em líder supremo dos trabalhos de resgate.
A oposição desapareceu.


A não ser pelas visitas discretas da senadora Isabel Allende, filha do trágico presidente socialista Salvador Allende (1969-1973), e do deputado comunista Lautaro Carmona, é quase nula a presença da oposição ao presidente Piñera no drama que mobiliza o país.

Fora da sala de imprensa, de novo, vem o grito "Chi-chi-chi, le-le-le, los mineros de Chile!"
Também deve acompanhar o resgate o presidente boliviano, Evo Morales.


ENTREVISTA COLETIVA


Em entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira, o ministro da Saúde chileno, Jaime Mañalich, seu colega da pasta da Mineração, Laurence Golborne, e o chefe das operações de resgate, André Sougarret, explicaram detalhes e riscos da operação de resgate.

O trio deixou claro que não divulgará a lista com a ordem de retirada dos mineiros. "Qualquer dado em torno da ordem de saída dos mineiros é especulação. Não publicaremos a lista. O primeiro a subir, em particular, será decidido na última hora", disse o chefe das operações.

Já o ministro da Saúde informou que o estado dos 33 trabalhadores segue estável. "Não há novidades quanto à saúde deles, todos estão bem."
A coletiva das três figuras principais nas operações de resgate chegou algumas horas depois de ter sido feito o anúncio de que o revestimento do túnel pelo qual os 33 mineiros chilenos devem ser resgatados foi concluído nas primeiras horas desta segunda-feira.

Otimista, o ministro da Mineração disse que todos os testes com a cápsula Fênix 1 já foram finalizados, e após a descida do dispositivo até 610 metros --dos 622 necessários para alcançar os mineiros-- foi possível determinar que não há riscos de desabamento durante a subida dos trabalhadores à superfície.

CÁPSULA FÊNIX 1


André Sougarret disse que uma câmera instalada dentro da cápsula Fênix 1 revelou que não há rochas soltas. "Temos certeza agora de que não há rochas soltas e não haverá possibilidade de deslizamentos durante a passagem, que deve ocorrer à velocidade de 1 metro por segundo".

"Basicamente eliminamos todos os riscos de membros da equipe ficarem isolados lá dentro", complementou.
O chefe das operações acrescentou ainda que deve pedir dados adicionais para testar o sistema de subida.

CÁPSULAS RESERVA

Caso aconteça qualquer problema com a primeira cápsula, as equipes têm de prontidão outros dois dispositivos, a Fênix 2 e a Fênix 3.
O trio que lidera os trabalhos, no entanto, não escondeu a preocupação em torno da possibilidade de usar as reservas, que têm dimensões menores do que a primeira.
As cápsulas Fênix 2 e 3 não são ideais para transportar os mineiros", disse Mañalich.

Para Jaime Mañalich, da pasta da Saúde, a maior parte do trabalho será feita para preparar os mineiros antes da subida.


PREPARAÇÃO

O ministro da Saúde informou que os mineiros deverão começar uma dieta líquida cerca de seis horas antes do início dos trabalhos. "Será uma dieta com muitas calorias e suplementos de magnésio e fósforo".

SOCORRISTAS

O trio que lidera todas as operações de resgate informaram que quatro socorristas descerão para auxiliar na preparação dos mineiros.
São eles: um especialista em resgate em minas, dois enfermeiros e um mineiro.
"O principal trabalho será feito enquanto eles ainda estiverem lá embaixo. É importante que sejam quatro até para que possam descansar e se revezar durante os dias que a operação durar", informou o ministro da Saúde, Jaime Mañalich.


O grupo só saberá quem é o primeiro a descer horas antes do início da operação, para minimizar o stress e a tensão antes de começar a descida ao interior da mina, indicaram os ministros.


TRAJETO PARA OS HOSPITAIS


Um importante detalhe informado na coletiva é que há previsão de chuva para terça-feira e quarta-feira.
"Hoje [segunda-feira (11)] às 14h30 haverá testes com helicópteros da Força Aérea, simulando situações de pacientes com situação de risco máximo, caso precisemos fazer saídas muito rápidas", disse Mañalich.


Caso as aeronaves não tenham condições de voo, será necessário levar os mineiros de ambulância, por terra.

"Não publicaremos uma lista. O primeiro a subir, em particular, será decidido somente na última hora", disse André Sougarret


COMEÇO DOS TRABALHOS

Durante a coletiva o trio que chefia as operações deixou claro que os trabalhos devem ter início à meia-noite de terça-feira, acrescentando que os padrões de segurança serão o Norte durante todas as etapas.

"Não há preferência em termos de começar o processo de dia ou de noite, se tivermos as condições de segurança. É isso que vai determinar a hora em que a operação de resgate vai começar", disse Laurence Golborne.


"Para podermos prevenir situações de risco, a única maneira é estarmos alertas para a segurança o tempo inteiro", complementou.



segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Ministério público investiga uso de crianças para aumentar audiência de programas de TV

A Folha registra: 
Outro Canal

KEILA JIMENEZ keila.jimenez@grupofolha.com.br
Ministério Público investiga domingo na Record e no SBT 

O Ministério Público de São Paulo abriu procedimento para investigar denúncias de exploração indevida de imagem de menores de idade e de portadores de deficiência nos programas "Domingo Legal" (SBT) e "Domingo Espetacular" (Record).

As atrações estão sob a mira do Ministério Público por conta da exibição do caso de Elisany, jovem portadora de um distúrbio que a fez atingir 2,06 metros aos 14 anos, e o de Jocélia, cearense de 9 anos afetada por uma doença que causa envelhecimento precoce.
Segundo o procurador regional dos Direitos do Cidadão, Jefferson Aparecido Dias, a exploração da imagem de portadores de deficiência e menores de idade é irregular e deve ser fiscalizada pelos órgãos competentes.

"Mesmo com a presença e consentimento dos pais, é necessário que um juiz autorize a exposição de uma criança dessa forma", disse ele à Folha.

Nos próximos dias, o MP pretende notificar as duas emissoras, pedindo explicações. Na sequência, o órgão expedirá um termo de ajuste de conduta.

SBT e Record informaram, via assessoria de imprensa, que não vão se pronunciar pois ainda não receberam nenhuma notificação do Ministério Público.
 ..........
 Programas desse tipo são useiros e vezeiros na exploração do ser humano e suas desgraças, para fins de audiência. A proposta é "ajudar" a resolver problemas de tais pessoas. Isso é a face. Na contraface está mesmo o uso da imagem e do desamparo dos desvalidos, mostrados como pertencentes a algum circo de horrores que somente a TV consegue descobrir após cuidadoso trabalho de garimpagem de misérias por parte de sua produção. 


A utilização do sofrimento profundo de seres humanos é parte naturalizada dos espetáculos televisivos, especialmente aos domingos. Talvez você ainda lembre de Faustão torturando, é isso mesmo, torturando um jovem ingênuo, em seu palco. O tipo passou creio que uns dez minutos atacando o rapazinho que fora caracterizado como Latino, um cantor que à época usava um bogodinho estilo anos 50, típico de cantores de bolero.

Ele o chamava de Latininho e recebeu monumental repúdio pela brutalidade. 


São programas cruéis e mal-intencionados. Uma demonstração clara do quanto podemos nos valer dos que sofrem para acumular pontos de audiência. E dinheiro, muito dinheiro, claro. 



sábado, 9 de outubro de 2010

Estadão antecipa resultado de pesquisa feita pelo Grupo Folha

Datafolha confirma liderança de Dilma: 48% contra 41% de Serra

O Estadão antecipa resultado de pesquisa de intenção de voto e informa sobre sua edição de amanhã: Pesquisa Datafolha divulgada na edição de domingo, 10, do jornal 'Folha de S.Paulo' aponta a candidata do PT à Presidência da República com 48% das intenções de votos contra 41% de José Serra (PSDB). Em número de votos válidos (sem brancos, nulos e indecisos), Dilma tem 54% contra 46% de Serra. 4% dos eleitores afirmaram que irão votar em branco ou nulo e outros 7% estão indecisos.


Na pesquisa anterior, realizada entre os dias 1º e 2 de outubro, o instituto havia feito uma simulação para o segundo turno. Dilma aparecia com 52% dos votos totais contra 40% de Serra. 5% afirmaram que votariam em branco ou nulo e 3% estavam indecisos.

O Datafolha questionou também os eleitores de Marina Silva (PV), que teve quase 20 milhões de votos no primeiro turno, sobre a intenção de voto no segundo turno. 51% dos que votaram em Marina no primeiro turno declararam voto em Serra. Dila herda 22% dos votos de Marina. Na pesquisa anterior, a petista tinha 31% dos votos da candidata verde. Serra tinha 50% às vésperas do primeiro turno. O número de indecisos entre os verdes teve um aumento considerável, passando de 4% no primeiro turno para 18%.

O esforço da campanha de Serra, ao que parece, será baldado. Os números são suficientemente indicativos: Dilma estratificou seus resultados e a realidade que se supõe a partir dos números apurados o indica bem.

As pessoas que acompanham diariamente os jornais, seja pela internetpetista está passando por águas turbulentas. Não está. Há apenas essa sensação, passada pelos jornalões e revistas.

O excesso de informação a respeito de um assunto passa a ideia de supervalorização desse assunto, quando na realidade isso nem sempre ocorre. Em momentos como os vividos pelos mineiros emparedados no Chile isso pode corresponder à realidade, tal o drama existencial vivido por eles e de alguma forma experienciao pela população. É a proximidade afetiva que amplia os efeitos da comunicação.

No Brasil, com certeza as eleições não dominam a agenda pública, apesar de dela serem parte integrante, e parte muito importante. É que as eleições não estão ligadas a nenhum momento especial, como foi, por exemplo, a votação das Diretas-já. Na fase atual o processo eletivo se dá em ambiente de tranquilidade e nenhum dos dois candidatos tem em mente qualquer alteração profunda na vida nacional, estrutural ou conjunturalmente.

Os tucanos sabem disso, daí a necessidade de provocar fatos, criar situações, alarmar falsamente, a fim de sensibilizar, criar irritação social em torno de assuntos vazios, acontecimentos-nada, na busca do voto perdido.



Foto: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi1FATKLDpRtJ_k5Vp3nVe2S5dLinUVA1BE-oLLnLvbS5ri0GO-ylOSKdQ6olYoa4GKoicc60JpRFhyltAQWBzoxgYog4HK9iPtfPFFD8PioqL_u0mpyHti5wDZGPxGubuP-WkF4Q/s1600/serra+cara+feia.jpg



sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Minha vida mudou depois que li essa importante reportagem da Folha. Faça como eu: leia a matéria abaixo e torne-se uma pessoa feliz

Roberto Justus revela que faz pé e mão toda semana

DE SÃO PAULO
O apresentador e empresário Roberto Justus contou que faz o pé e a mão toda semana. Ele também disse que faz limpeza de pele uma vez por mês.
As revelação foi feita ao colega Raul Gil, em cujo programa ele vai aparecer no sábado (9) cantando.
A informação é da coluna Outro Canal, assinada interinamente por Laura Mattos e publicada na Folha desta sexta-feira (8). A íntegra da coluna está disponível para assinantes do jornal e do UOL.
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/811599-roberto-justus-revela-que-faz-pe-e-mao-toda-semana.shtml

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Índio do Serra vai querer apitar na campanha
Emanoel Barreto

A manchete de primeira página da Folha diz que Lula cobra "ajuste" na campanha de Dilma. O jornal alega, para justificar a escolha desse assunto como principal destaque, que o PT estaria temeroso de perder a disputa presidencial por causa de assuntos como aborto, quebra de sigilos e o escândalo envolvendo a então ministra Erenice.

Com isso busca insinuar que a a campanha de Dilma está em crise. Na verdade, a crise está no PSDB, que cogita da substituição do vice de Serra, Índio da Costa. A crise, sim, está aí. O jornal, todavia, colocou a matéria no canto inferior direito da primeira página.

Quem entende minimamente de jornal sabe que manchetes, com sua tipagem gande, letras em negrito, falam duas linguagens: a primeira o conteúdo mesmo do discurso; a segunda é o enunciando insinuado pela formatação gráfico-visual: o leitor, acostumado com a leiura de jornais, depreende que aquele assunto está ali por que "é o mais importante". Assim, justificada pela mamchete, a "crise" do PT mereceria tanto destaque.

Trata-se de factoide somente existente na legalidade interna da mancha gráfica da página, sem maiores ligações com o mundo real.

Qualquer pessoa medianamente informada e esclarecida sabe que se um partido busca substituir de afogadilho um candidato não o considera suficienetemente capacitato à disputa; o candidato é menor do que o cargo. Falou-se até mesmo em convidar Gabeira para o lugar de Índio. O intuito seria agregar valor ideológico à candidatura Serra, uma vez que Gabeira é figurinha modernete e poderia arrepanhar votos de uma certa esquerda festiva.

Sim, a crise está com o grupo de Serra. Ao que parece, o PSDB busca prender água com as mãos. Todo mundo sabe desde criancinha que isso é impossível. E assim, o índio do Serra vai querer apito.

Abaixo, íntegra da matéria da Folha:

PSDB cogita troca do vice e depois recua

CATIA SEABRA
DE SÃO PAULO


Integrantes do comitê de José Serra à Presidência consultaram a assessoria jurídica da campanha sobre a possibilidade de troca do vice Indio da Costa (DEM-RJ) no segundo turno da eleição.


O advogado da campanha, Ricardo Penteado, desaconselhou a operação, alertando para riscos de perda do registro da candidatura de Serra.


Segundo relato de um tucano, integrante da cúpula da campanha e íntimo colaborador de Serra, a assessoria jurídica argumentou que a substituição do vice pode ser questionada na Justiça.


A avaliação de Penteado é de que, apesar de dúbia, a Constituição permite a interpretação de que o vice é também titular da chapa, não só o candidato em si. E, que passado o primeiro turno, o vice pode ser considerado como uma espécie de sócio da votação destinada à chapa.


Especialistas ouvidos pela Folha afirmaram que a troca é permitida pela legislação.


Serra negou que tenha cogitado a substituição porque era "juridicamente inviável".


"Eu já sabia disso antes". Segundo democratas, o próprio Serra telefonou para Indio para negar qualquer intenção de substituição.


Alimentada por alguns integrantes da campanha, a ideia de substituição do vice nasceu da torcida pela ampliação do eleitorado de Serra no segundo turno. O nome de Fernando Gabeira (PV-RJ) chegou a ser cogitado.


Mas a proposta foi descartada porque a Lei Eleitoral não permite a indicação de um nome cujo partido não componha a coligação original do candidato.


Num segundo momento, ventilou-se a hipótese de o ex-governador Aécio Neves (PSDB) assumir a vice. Mas essa possibilidade foi desautorizada não só por orientação jurídica, mas por não se saber que impacto político provocaria sobretudo no Rio.


Segundo especialistas, para ocupar a vice Aécio teria que renunciar ao Senado.


O tema é controverso, uma vez que consulta feita ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em 1994 indicou que esse tipo de substituição poderia provocar um desequilíbrio no processo eleitoral.


Para descartar o assunto, democratas lembraram que a troca só seria possível com a anuência do próprio Indio, que teria que renunciar.


Irritados com os rumores, democratas chegaram a se queixar da discussão de uma agenda negativa num momento em que Serra deveria buscar a união entre aliados.


Para debelar a crise, tucanos se apressaram para negar qualquer iniciativa nesse sentido. "Isso é um factoide", afirmou Aloysio Nunes Ferreira, senador eleito pelo Estado de São Paulo.


Ontem, Indio acompanhou Serra numa reunião com o governador e senadores eleitos em Santa Catarina. Na reunião, Serra ouviu a avaliação dos presentes sobre a qualidade do programa de TV. Segundo participantes do encontro, ele prometeu um embate mais político.
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Colaborou FLÁVIO FERREIRA, de São Paulo