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sábado, 1 de outubro de 2011

Ministro diz que brasileiros devem comprar um terço de ingressos à Copa e não confirma meia-entrada

O ministro do Esporte, Orlando Silva, disse nesta sexta-feira que cerca de um milhão dos 3,5 milhões de ingressos da Copa do Mundo de 2014 devem ser vendidos a brasileiros. Ainda segundo o político, a Fifa é quem vai definir os preços das entradas para o evento.

"A venda de ingressos é um assunto muito importante. A informação que eu tenho é que é possível ofertar cerca de 3,5 milhões de tíquetes. Não me surpreenderia se a venda direta ao público brasileiro seja da ordem de 1 milhão", disse Orlando Silva ao Sportv.

Além disso, o ministro foi evasivo sobre a questão da meia-entrada para os estudantes. O governo, por meio da Lei Geral da Copa, pretende que o benefício seja concedido, mas a Fifa se disse contra a medida. Por outro lado, Silva confirmou que idosos terão direito a pagar metade por ingresso.

A tramitação da Lei Geral da Copa desagrada à Fifa. A entidade reclama que o país não acatou todas as exigências negociadas para a realização do evento. Os principais pontos de discórdia envolvem a venda de meia-entrada para idosos e estudantes e a proibição da comercialização de bebidas alcoólicas nos estádios brasileiros - a associação é patrocinada pela Budweiser.

"O estatuto do idoso é uma lei federal, e neste tema há uma decisão do governo brasileiro de não suspender o estatuto. É o típico tema que é sensível, mas passível de resolução.(Folha de S. Paulo)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A farra e o povo besta

Ao desenvolver pesquisa para redação de artigo acadêmico abordando a Copa do Mundo de 2014 tenho encontrado uma profusão de números delirantes; dinheiro a ser despejado na cornucópia faminta da Fifa. Verbas ad infinitum como se esse país fosse uma arca do tesouro de onde se poderia retirar tudo o que os cartolas do futebol mundial desejam.
http://www.google.com/imgres?q=futebol&hl=pt-BR&safe

E o que é pior, nenhum jornal de peso, nenhuma grande publicação assume atitude editorial criticando essa intentona de desperdício. Todos, desde o mais, digamos assim, qualificado paredro - como eram chamados em priscas eras os cartolas -, até o mais chão dentre os mortais sabem que em vez de estádios caríssimos, deveriam as políticas públicas estar voltadas para questões básicas como saúde, segurança e educação.

Mas, não: o Brasil tem de gastar dinheiro, tem dizer ao mundo que o país é mesmo maluco por futebol. E toma lá o mega-evento, toma lá esse acontecimento ciclópico que somente atenderá aos interesses do grande capital.

Outra coisa: os que integram o ser coletivo a quem chamamos povo - e isso é péssimo -, foi convencido que os jogos serão para ele, povo. Na verdade, poucos terão dinheiro suficiente para comprar um ingresso que seja; nem mesmo poderão ficar nas imediações dos estádios - a Fifa não deixa camelô vender pipoca.

Quando terminar a soma da farra publico aqui o resultado.

domingo, 14 de agosto de 2011

Vai começar a destruição do Machadão

Leio na Tribuna do Norte que nesta segunda começam os trabalhos de destruição do Machadão. É o início de uma intentona que tem por objetivo erguer um elefante branco para que sejam realizados aqui jogos de Copa do Mundo. Pior que isso é a revelação de que tipo de governantes temos: gente que relega a segundo prioridades como saúde, educação e segurança em favor de um projeto que somente servirá para enriquecer as construtoras. 


Assim construímos a realidade desse país, moldamos o seu futuro, cavamos o fosso profundo onde nossos pés se afundarão. 

O mundo está lutando para não entrar numa crise financeira terrível e nós festejamos não sei bem o quê; talvez a construção de um abismo de onde futuramente alguém haverá de dizer que, como é muito profundo, é melhor que fiquemos lá.

domingo, 10 de julho de 2011

Jogando dinheiro fora
Emanoel Barreto

No post abaixo desta matéria publico texto meu e reportagem de Maiara Felipe, d'O Poti, a respeito do estado caótico do Walfredo Gurgel. O hospital não tem dinheiro para funcionar de forma decente. Enquanto isso, vejo na Tribuna do Norte texto de Ricardo Araújo a respeito do quanto já se desperdiçou com a Copa do Mundo. São duas formas de manifestação de como os governos tratam a coisa pública. Leia a matéria da Tribuna e depois, faça-me o favor, veja a matéria sobre o Walfredo Gurgel.

RN já gastou R$ 22 milhões só em consultorias e projetos

Ricardo Araújo - repórter

Os gastos com a Copa do Mundo 2014 no Brasil fluem como um rio que corre ao encontro do mar. Até a realização do mundial, serão gastos aproximadamente R$ 5,07 bilhões somente com a construção dos estádios/arenas multiuso. As  obras, porém, serão produtos finais de uma engenharia superdimensionada e, de acordo com especialistas, dispensáveis à maioria das cidades-sede. No Rio Grande do Norte, o dispêndio começou ainda em 2009 e já soma cerca de R$ 22,3 milhões três anos antes dos jogos. São consultorias, projetos executivos, publicidade.

DivulgaçãoO primeiro projeto do Arena das Dunas foi pago, mas dele, pouca coisa pôde ser aproveitadaO primeiro projeto do Arena das Dunas foi pago, mas dele, pouca coisa pôde ser aproveitada
Já as obras, se resumiram a derrubada de uma creche e ao cercamento do estádio Machadão e entorno. Somente o Governo do Estado, gastou cerca de R$ 13 milhões com a confecção de projetos básicos e maquetes virtuais em terceira dimensão que acabaram se tornando inúteis. Mesmo com o cancelamento dos contratos - orçados em R$ 27,47 milhões - com as empresas Populous Arquitetura Ltda e Stadia - Projetos, Engenharia e Consultoria Ltda, o Estado arcou com uma despesa de cerca de R$ 10 milhões. O custo foi confirmado pelo secretário extraordinário da Copa do Mundo 2014, Demétrio Torres.

Para o chefe da Controladoria Geral da União - Regional Rio Grande do Norte, Moacir Rodrigues de Oliveira, a fraqueza dos projetos básicos contribuem para os sucessivos gastos com consultoria. "O que a gente percebe são fragilidades nos projetos básicos que não tem contemplado a obra como deveria", afirma. Além disso, segundo ele, a má  contratação dos planos gráficos e descritivos repercutem na convocação de empresas de consultoria e na renovação dos certames através de aditivos que infringem a Lei das Licitações ( nº 8.666/1993).

De mãos dadas ao Estado, pelo menos nos gastos para o mundial sem transparência, a Prefeitura de Natal já investiu R$ 9,3 milhões em ações voltadas para a Copa do Mundo em Natal. Os gastos incluem desde repasses à Secretaria Municipal de Turismo e Desenvolvimento Econômico (Seturde) à contratação por R$ 942.030,00 de uma Organização  da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), De Peito Aberto - Incentivo ao Esporte. Há também, os projetos de mobilidade urbana com vistas ao mundial.

O Município contratou o consórcio paulista EBEI e MWH Brasil por R$ 7.276.034,54 para a confecção dos projetos executivos do plano de mobilidade urbana que ainda não saiu do papel quatro meses após a assinatura da ordem de serviço. Além disso, a entrega do projeto executivo à Caixa Econômica Federal, financiadora do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) no qual a obra está inscrita, já foi postergada quatro vezes. De acordo com o secretário de Planejamento de Secretaria Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura adjunto (Semopi), Walter Fernandes de Miranda Neto, as obras dos lote 1 iniciarão ainda este ano, provavelmente em setembro ou outubro.

Mesmo com todos os atrasos e com a monta envolvida na contratação de empresas de consultoria cujos trabalhos não são visíveis, pelo menos por enquanto, a população natalense aprova a realização da Copa do Mundo. Numa pesquisa encomendada à Certus - Pesquisa e Consultoria pela TRIBUNA DO NORTE, realizada entre os dias 2 e 3 deste mês, 68% dos entrevistados aprovam totalmente a vinda da Copa. Em detrimento de 16,8% que desaprovam integralmente os jogos na capital. Foram ouvidas 700 pessoas maiores de 16 anos em Natal, São Gonçalo do Amarante, Macaíba e Parnamirim.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Vejo na Folha suíte de matéria sobre esquema de ocultação da farra da Copa 2014. Compartilho.
 
Governo esconde gastos com novas obras da Copa

Ministério recua e não assegura mais divulgação de despesas na internet

Relator dos projetos do Mundial no TCU considera grave a falta de transparência dos gastos públicos


DIMMI AMORA
DE BRASÍLIA

O governo federal decidiu que não vai mais divulgar todos os gastos com obras e serviços contratados para a Copa do Mundo de 2014.
Em ofício enviado ao Tribunal de Contas da União, o Ministério do Esporte avisou que a prestação de contas de novos contratos de valor estimado em R$ 10 bilhões vai depender da "conveniência do Poder Executivo".

Esse é o segundo recuo do Planalto quanto à transparência das informações das obras da Copa. Anteontem, ele mudou a redação da nova Lei de Licitações e tornou sigiloso também o orçamento inicial. O projeto foi aprovado pela Câmara e ainda será examinado pelo Senado.
Se a mudança for mantida, órgãos de controle como o Tribunal de Contas da União só serão informados sobre as previsões de gastos se o governo achar conveniente, o que poderá prejudicar a fiscalização dos projetos, como a Folha mostrou ontem.

Quando se candidatou a sediar a Copa, o Brasil se comprometeu com a ampla divulgação de suas despesas com o evento. "Todos os gastos públicos serão acompanhados pela internet por qualquer cidadão brasileiro ou do mundo todo", disse o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em julho de 2010.
O Planalto prometeu divulgar no Portal da Transparência, mantido pelo governo, na internet informações detalhadas sobre os gastos.

Agora, segundo ofício do Ministério do Esporte, o site só acompanhará contratos que já tinham começado a ser divulgados. A inclusão de novos gastos em áreas como segurança e telecomunicações não é assegurada.

O TCU aponta em relatório outro problema: o portal não tem sido atualizado.
Os técnicos afirmam que não aparecem no site pouco mais de R$ 500 milhões gastos em obras e serviços das rubricas que a pasta prometeu continuar a divulgar.
Entre as obras está a intervenção urbana na rodovia BR-163, em Cuiabá, avaliada em R$ 357 milhões.
Também não foram atualizados os orçamentos das obras dos estádios. O custo do Maracanã, por exemplo, cujo projeto foi modificado, saltou de R$ 600 milhões para cerca de R$ 1 bilhão.
O relator dos projetos da Copa no TCU, ministro Valmir Campello, considerou grave a predisposição do ministério em não prestar todas as informações.

"Não vejo como tratar desse fluxo de informações sem uma ciência ampla de todas as ações envolvidas", escreveu em relatório analisado na quarta-feira. "[Isso] representa uma prévia assunção às cegas dos riscos envolvidos para a realização bem-sucedida do Mundial."
O TCU determinou que até o fim de julho o Ministério do Esporte detalhe seus planos para segurança, turismo, saúde e outras áreas e atualize essas informações a cada quatro meses. E que atualize, ainda, os cronogramas de obras que já estão no portal.

Segundo o TCU, esta parte do planejamento está atrasada. O ministério não respondeu aos questionamentos da Folha alegando que ainda não foi informado pelo TCU das críticas feitas no relatório de Campello.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Refocilar no ragabofe

Encerrada rapidamente, a crise no governo é apenas mais um espetáculo da cena brasileira em seu plano político. Enredado em meio a denúncias de concupiscência, digamos concupiscência financeira, Palocci deixa o palco e vejo na Folha que anunciou que agora "quer emagrecer, viajar de férias e retomar a empresa". A "empresa" é a mesma com a qual amuentou seu patrimônio vinte vezes em quatro anos.  

Afastado Palocci, o que temos? Ou melhor, o que tivemos? Muito simples: um homem flagrado em meio às suas trabalhadas com dinheiro e supostamente tráfico de influência, a Folha de S. Paulo capitaneando seu bombardeio, a oposição falando em CPI, blá, blá, blá... Tudo encenação, tudo patuscada. Palocci somente fez o que muitos opositores, podendo, fariam ou fazem. A Folha, por sua vez, não trataria assim alguém do PSDB.

O que quero dizer é que isso é Brasil. Palocci, de forma precautória, já foi inocentado por instância jurídica garantindo-se para o futuro, a CPI acho que não sai e os opositores ficarão à espreita de alguma falha no governo para nova investida. Todos são um mesmo tipo, todos jogam a mesma partida, seguem as mesmas regras, refocilam no mesmo regabofe.

O povo? O povo espera é Copa do Mundo...

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O povo está nu ou tristes trópicos

O encaminhamento da realização da Copa de 2014 dá-me a sensação de que autoridades e sociedade vivenciam os efeitos do soma, uma beberagem que as personagens de "Admirável mundo novo" ingeriam para sentir-se felizes e ajustadas a uma dada realidade perversa. Será que ninguém percebe que este país precisa de algo mais, muito mais que estádios suntuosos de futebol, templos alucinados de grandeza voltada a uma aventura desportiva que deixará, especialmente aos mais necessitados, uma herança maldita, uma dívida impagável, um custo social imenso e lamentável?
Retirantes, de Portinari: uma visão pungente da condição do povo

Na imprensa, o que se questiona é se as obras estão ou não atrasadas, criticando-se esse atraso. Não há matérias, editoriais, artigos, ação jornalística incisiva questionando a realização da Copa. Algum jornal já pautou repórter para que vá à África do Sul e veja sua realidade após a Copa ali realizada? Algum jornal já pensou em relatar o que ficou de bom, o que mudou na vida dos pobres e miseráveis daquele país? Não. O que se acompanha é o sonho faraônico, o erguimento da grande pirâmide dos estádios chamados de arenas, onde os jogadores, os neogladiadores, irão se enfrentar em prélios renhidos, lutas pela bola.

O povo geme e chora todos os dias nos noticiários televisivos lamentando sua triste sina ante ataques de criminosos, sofrimento nas filas enormes alinhadas frente a postos de saúde e hospitais que mal funcionam ou não funcionam, escolas onde falta merenda, estradas que desafiam a perícia e a paciência dos motoristas. 

A corrupção se alastra como praga incurável e em torno disso há um silêncio grande, no máximo o velho ditado: é isso mesmo.

E assim o povo, adestrado historicamente a esperar felicidade num grito de gol, espera a Copa. E a grande procissão de infelizes canta loas e pede para ver chuteiras em ação. O povo está nu e quer sambar cachaça. O povo está bêbado de gol, esquecendo que a ressaca dessa Copa o levará a uma cozinha vazia. O povo aplaude e ainda pede bis, pois logo depois vai querer a Olimpíada. Tristes trópicos.

sábado, 7 de maio de 2011

A alegria dos desgraçados

Talvez devido às minhas limitações, que são muitas e muito grandes, não tenha percebido o grande valor, importância histórica e relevância social que constituem o cerne da construção da Arena das Dunas, o presumido local onde o Rio Grande do Norte terá a honra de receber jogos da Copa do Mundo. Certamente devido a essas limitações não tenha compreendido o motivo, o porquê da construção desse estádio, bem mais relevante que, por exemplo, a implementação de uma política de saúde consistente ou um sistema de educação público que atenda às demandas do setor. 

Sem dúvida, encher a boca do povo com gritos de gol é mais importante que atender a reclamos históricos, é mais desejável que suprir as fomes sociais e promover a partilha das riquezas, tornar o PIB referente econômico de que tudo o que foi produzido terá destinação voltada a aplacar a sede de justiça. Ao que vejo, mais vale atender aos apetites de uns poucos, exatamente aqueles que lucrarão horrores com a construção desse estádio, que a busca da promoção do bem-comum.

As minhas limitações, perplexas, me chamam e me dizem que estamos todos incorrendo numa grande, ilimitada loucura. Uma loucura que provoca consenso e garante que, sim, construir um campo de futebol faraônico é algo imprescindível a Natal: primeiro, porque vamos ser alegres por alguns dias, saciados, empanturrados de futebol; segundo porque, pelo miraculoso espetáculo a ser proporcionado, todos os problemas da cidade serão solvidos nessa maravilhosa poção que envolve e mistura interesses políticos, ganância dos investidores e embotamento das massas.

Essa Copa do Mundo, dizem-me as minhas limitações, é uma intentona, um fato monstruoso; seja pelas suas próprias dimensões ciclópicas, seja pelos interesses perversos que se ocultam em seu manto poderoso e desvairado, oportunista e cheio da gana. 

Mas a plateia foi adestrada e quer, pensa que quer e assim quer pensar, em função desse adestramento, que é mais importante um campo de futebol que um hospital que seja digno desse nome - só para ficar nesse exemplo. Então, se é assim, que venha o circo. Depois, os palhaços não reclamem da tragédia que está sendo montada.


segunda-feira, 14 de março de 2011

Sou inimigo público número um de Natal

Teremos no Brasil, já está em andamento, um tsunami social e econômico que despejará na praia do desperdício bilhões de reais, em detrimento de questões sérias. Falo a respeito da Copa do Mundo e das Olimpíadas, falo dos hospitais que deixarão de ser construídos, do desmantelamento material das Forças Armadas, das escolas largadas a si mesmas, das estradas esburacadas, do tráfico de drogas, da exploração sexual de crianças e adolescentes, falo do cotidiano que você vê e vive. Basta olhar pela janela do carro. Ou estar entulhado em algum ônibus sacolejante.

Mas Lula decidiu essa loucura e Dilma a levará adiante. Literalmente, custe o que custar. Serra não faria por menos, eleito tivesse sido. Ou alguém é louco de negar circo ao povo? Quase todos os dias vejo noticiário falando do descalabro no Walfredo Gurgel. Falta de dinheiro. Ontem, o Fantástico mostrou a quantas anda no Nordeste, em Natal especialmente, a questão do turismo sexual. Também não há dinheiro para a polícia coibir esse tipo de atividade. Mas haverá grana, e muita, para um ou dois joguinhos de segunda numa Copa de Mundo feita para o povo encher a boca de gritos de gol. 

E ai de quem for contra: é reacionário e inimigo de Natal. Pois bem: nesse caso sou reacionário e inimigo púlblico número um de Natal.

--Abaixo, reproduzo a matéria do Fantástico.

sábado, 20 de novembro de 2010

Arena das Dunas sequer é mencionada entre projetos dos estádios para 2014. Culpa de Drácula?
Emanoel Barreto

O projeto da Arena das Dunas não foi apresentado em Nova Iorque durante evento em que foram mostrados os projetos dos estádios para a Copa de 2014. A notícia até então não repercutiu no jornalismo de acá. Parece que temos falta de pauteiros em nossas redações. Mas, a valer algum caiporismo, o nome do responsável pelo Arena das Dunas é Christopher Lee, o mesmo do ator que interpreta Drácula. Não sei se o projeto da Arena está sendo vampirizado, mas... Bom, acabo de ver a matéria na Folha e transcrevo:

A proposta era apresentar, em Nova York, os 12 projetos de estádios para a Copa do Mundo de 2014. Mas a 2014 Brazil World Cup Architectural Summit, que ocorreu na quinta e sexta-feira, revelou só dez dos eleitos e alguns constrangimentos.
Christopher Lee, do escritório Populous, causou estranhamento ao não mencionar a reforma da Arena das Dunas, em Natal, sob sua responsabilidade. 

Em vez disso, preparou apresentação sobre o estádio idealizado para a Olimpíada de Londres, em 2012.


Pelos corredores, comentava-se que a omissão se deveu ao fato de que o projeto está sob risco de suspensão. Lee minimizou a polêmica e disse que se tratava de um evento de design esportivo. 

O estádio de Natal chegou a ter suspensa a concorrência para a contratação da empresa construtora, depois de o Ministério Público do Rio Grande do Norte apontar falha no edital. O governo alterou o documento e foi autorizado a retomar o processo

A arquiteta convidada a falar sobre a reforma do Maracanã, Cátia Castro, afirmou que o projeto precisa de mudanças quase diárias para conciliar as exigências da Fifa com o tombamento da estrutura externa do estádio. 

O projeto, cujo orçamento era de R$ 430 milhões, alcançou R$ 705 milhões devido às ordens da Fifa e do COL para mantê-lo como palco da final. A reforma, a ser financiada pelo governo, pode custar 25% a mais do que o valor licitado, segundo o edital. 

Por fim, para representar São Paulo, foi escolhido o escritório de Ruy Ohtake, responsável pelo projeto do Morumbi, já rejeitado pela Fifa. 

O COL, o governo do Estado e a prefeitura paulistana oficializaram a indicação do estádio do Corinthians para a abertura da Copa. A decisão depende de chancela da Fifa. 

Segundo a organização, Anibal Coutinho, autor do projeto corintiano, recusou convite para representar São Paulo em Nova York. 

"Ele disse que o Corinthians não queria assumir a responsabilidade de aparecer oficialmente como o estádio da Copa", falou à Folha Marcos de Souza, da Mandarim Comunicação, que fez os convites aos arquitetos. 

"Como o escritório do Ruy Ohtake desenvolveu um trabalho de longo prazo, e o projeto estava completo, embora vetado pela Fifa, achamos que isso fazia parte da história dos preparativos." 

Foto: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://blogs.citypages.com/gimmenoise/lee450.jpg&

segunda-feira, 20 de setembro de 2010


 Os milagres que farei quando for candidato
Emanoel Barreto

Quando eu for candidato farei milagres
por antecipação, protomilagres, 
milagres prévios e todos serão felizes há dois minutos atrás
mesmo que não o percebam.



Farei a inauguração do sol todos os dias
e a lua também será inaugurada,
e assim também todas as sarjetas.


Todos terão direito a cheirar uma flor.
Terão direito a respirar, a andar.
Terão direito a olhar, não é incrível?

Quando eu for candidato, prometo,
vou salvar o mundo anteontem.
E depois, quando eu não fizer nada,
estejam certos: é que tudo aconteceu tão de repente
que as lentidão da vida não se emparelhou.

sábado, 3 de julho de 2010

http://fotografia.folha.com.br/galerias/232-argentina-x-alemanha#foto-5162
Don't cry for me, Argentina
(Ou Maradona foi reduzido a pó)
Emanoel Barreto

Don't cry for me, Argentina.
Teu tango está tão perdido
Quanto meu samba entristecido.

Don't cry for me, Argentina.
Chora antes por teu Messi
Que não fez gol nem deu passe
- nem mesmo com muita prece.

Don't cry for me, Argentina.
Maradona só tem marra
Que amarra tua honra.

Don't cry for me, Argentina.
Chora antes por teus craques
Que têm o poder de um traque.

Don't cry for me, Argentina.
Chora então por teus pimpolhos
Que também como meu samba, desperdiçaram o ouro.

Don't cry for me, Argentina.
Maradona, arruaceiro, agressivo, baderneiro
foi reduzido a pó.

segunda-feira, 28 de junho de 2010


Na África do Sul é assim:  cueca de branco mete neguinho na cadeia
Emanoel Barreto

A Folha informa: Durante o tempo que permaneceu hospedada em um hotel de luxo em Rustemburgo, a delegação inglesa foi vítima de diversos furtos. Entre as "lembranças" levadas por funcionários do local, estava até uma cueca.


"Tudo o que foi roubado foi recuperado, e eles [os ladrões] estão atrás das grades", disse um porta-voz da polícia, Junior Metsi.


Os roubos foram realizados por funcionários do hotel e teriam começado a acontecer em 21 de junho.

Além da cueca, que não teve o dono revelado, uma camisa dos Estados Unidos foi levada, trocada no empate em 1 a 1 dos ingleses na estreia do Mundial. Cerca de US$ 750 [quase R$ 1.330] e uma medalha concedida pela Fifa foram roubadas também. O nome de nenhum atleta furtados foi divulgado.

No domingo, dia em que as queixas foram feitas, os casos foram rapidamente solucionados. Buscas foram feitas em casas de funcionários suspeitos e os bens foram encontrados. Cinco pessoas foram condenadas à três anos de prisão e multadas em cerca de US$ 800 [mais de R$ 1.400].
..........

São altíssimas as penas de prisão alicadas a sul-africanos que se envolverem em algum tipo de violência contra qualquer branco estrangeiro durante a Copa . Pelo que li e vi na TV há casos de até 15 anos de cadeia. Tudo por imposição da Fifa.

Mais claramente o Poder Branco, mediante a "autoridade" de ente privado, a Fifa, determinou, e os "negros" cumpriram. É mais uma forma abjeta de domínio, um resquício do colonialismo europeu. Mais claramente, o Estado sul-africano de forma servil, covarde, torpe, ignóbil, estabeleceu, ao que me parece, uma legislação casuística e perversa.

Não se trata de defender criminosos. O que está em causa é a dignidade de todo um povo já tão maltratado e historicamente vilipendiado.

A prisão, conceitualmente, não se dirige ao indivíduo infrator, mas à sua condição de negro, predominantemente a etnia com supostas tendências criminais. Lombroso não faria melhor. Só falta medir a conformação craniana do preso para diagnosticar o "criminoso nato".

Agora atenção: a mesma coisa deverá ser exigida do Brasil. E aqui, neguinho vai ter que chiar. Ou vamos engolir calados a lei da cueca?