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quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Frei Damião falava ao povo e a multidão pedia o comunismo

 Por Emanoel Barreto

 Creio que foi no ano da graça de 1980 que tive a oportunidade de entrevistar a venerável figura de Frei Damião, o santo do sertão, amado do povo, protegido de Deus e de Nossa Senhora, vindo da distante cidade de Bozzano, Itália, para cuidar do rebanho de sertanejos, preservar a fé e encaminhar as almas todas para o Céu.

Fui à cidade de Ceará Mirim, pouco mais de 40 minutos de Natal, onde ele se encontrava. Encontrei-o na igreja matriz. Abençoado templo povoado por imagens de santos e de anjos, querubins e serafins. A pequena e cândida figura atendia em confissão a enorme fila de mulheres cobertas por véus e envoltas em doce auréola de rezadeiras, como só as existem no Nordeste. Mulheres suadas de fé.

E eu fiquei olhando para elas. Atentei para suas bocas que fervilhavam baixinho rezas velhas, mistérios sussurrados em uma língua estranha que jamais consegui apreender desde quando, ainda menino, olhava minhas tias fervorosas diante de uma vela e de uma imagem de Nossa Senhora. Deviam ser coisas muito altas, evoladas da inefável religião dos bons, áugúrios de uma vida melhor depois da morte, quem sabe o repouso calmo no regaço da Virgem.

Preste atenção na boca de uma velha rezadeira: é ali que mora a alma, tenho certeza. A minha mente de repórter, todavia, estava preocupada com algo mais urgente e menos devoto: o tempo. Eu tinha hora para voltar à Tribuna do Norte e fazer o meu texto.

Com alguma insistência junto a um auxiliar do beato consegui parar a confissão e ele me atendeu. Confesso, sem trocadilho algum, que nem mesmo sei o que perguntei. Mas, o que mais valia era relatar o encontro dulcíssimo do pastor com o seu rebanho, captar o ambiente angélico, a doçura do olhar do Frei, seus conselhos e penitências passadas àquelas pessoas sacras e pias.

Saí, confesso novamente, com a alma cheia de alguma candura - certamente meu coração de repórter, feio e mau, tocado pelos instantes miríficos. Assim, de volta à redação, encontro com outra figura humana portentosa: Dorian Jorge Freire, diretor de Redação. Católico, minúsculo de tamanho, mas enorme em sabedoria e humanismo.

Terminado o meu texto, Dorian, que também tinha grande espírito de humor, contou-me o seguinte: 

Certa vez, Barreto, Frei Damião estava com suas missões pelos sertões distantes. Fazia sua costumeira pregação contra o pecado, a devassidão e o adultério. Defendia o sacramento do matrimônio e dizia que, sem ser casado, o casal era "como o cachorro e a cachorra, o touro e a vaca." . Advertia também a todos contra o perigo do comunismo vermelho e ateu.

E dizia: "O comunismo é pecado grande, pecado mortal. O comunismo é a besta-fera que vem para desafiar o Evangelho. O comunismo é o perigo até mesmo para as mocinhas." O povo olhava e ouvia tudo, pasmo, temeroso, pronto para fugir, caso o comunismo chegasse a qualquer instante.

  Parecia até que o comunismo estava por ali, pronto para desferir seu bote. Afinal, Frei Damião fez sua última invectica contra o comunismo periculoso e bradou ao povo sertanejo, como se fora um novo Conselheiro: "E então, quereis o comunismo?, e o contrito povo, procissão desvelada e crente, respondeu piedosamente, em coro monumental "Quereis!"

 

 

segunda-feira, 20 de julho de 2020


that’s the question




Por Emanoel Barreto

Primeiramente veio uma praga política que tisnou – ou melhor, calibrou com ódio de jararaca braba – o voto de eleitores e o resultado das urnas; depois chegaram ondas e ondas de peste, numa baba grossa de cólera e tramas, azedumes e ímpetos – atos que variam da zanga à sanha, da fúria a danações, do rancor à ira.

Quem vê tudo isso – e tem algum juízo – tem medo. Como diz a canção do Roberto, certas recordações me matam. 

Afinal, após o aporte da tormenta chegou da natureza bruta um ser, um parasita que tomou de assalto o mundo e instalou-se entre nós. Aqui encontrou porto seguro e a presença luxuosa de quem tem o poder de gerar confusão e alarido. 

É triste: mas passamos a conviver com o coronavírus.
E tem gente que o aceita bem. Muitos, de forma troncha, quase o cultuam como a um deus: o corona é o novo bezerro de ouro, ave. É uma relação de risco a adoração do bizarro bezerro. Suspeito até que haja quem o veja como mansinho, criaturinha adorável... 

Perdão, sei que exagero. Mas, se não se chega a tanto, há pelo menos quem admita: com jeitinho podemos com ele nos acomodar.  

Faz assim: fasta uma mesa pra cá, fasta outra mesa pra lá, e a gente convive com o corona. Especialmente porque o bicho é sociável, notou? Onde tem festa ele vai e participa, confraterniza com a alegria e se abraça com quem é de abraço. Tem grande empatia e gosta de gente. 

O bom senso manda que devemos manter distância, mas quem aguenta ficar em casa? Tem praia, tem bar, tem shopping pessoal... Vamos perder tudo isso? Vamos deixar de viver? Tem gente morrendo? Basta dizer não sou coveiro, e pronto. O cara tem mesmo é que dizer: ninguém merece morrer de tédio...
E aí, abre a porta e vai...

terça-feira, 8 de novembro de 2016

A eleição americana, o computador e o urubu


A escolha entre a mulher e o louco
Os americanos vão eleger hoje alguém que substitua Barack Obama. As pesquisas indicam ligeira vantagem de Hillary Clinton ante Donald Trump. 

Isso é revelador do quanto a sociedade norte-americana tem em seus segmentos sociais uma expressiva essência conservadora, um algo voltado para o que há de pior na política em termos de preconceito, ignorância, atraso, brutalidade. 

A eleição americana é elemento de significância para todo o mundo uma vez que aquele país, pela forma como está organizado em termos geopolíticos, tem interferência em todos os quadrantes do planeta. 

Espero que Trump não assuma o trumpete de orquestra americana. Seus clarins soarão como as trombetas da loucura e da guerra . 

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https://www.google.com.br/search?q=computadores&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwiQuNP37OrKAhVKC5AKHUIfA2MQ_AUICCgC&biw=1920&bih=916#imgrc=W9sMxmfK8JfBQM%3A
Maldito computador!

Todo produto tecnológico, especialmente máquinas, redunda em alguma forma de aprendizado humano quanto a seu uso. Em outras palavras, algum tipo de adequação, ajustamento, vassalagem, jugo, sujeição. Quem sabe, quem, sabe... 

No que diz respeito ao computador creio que a coisa chega mesmo a alguma forma de cotidiana submissão, estranha subserviência; especialmente se você está capacitado apenas à sua operação mais imediata como produção de textos, planilhas, postagens de fotos, essas coisas.

E quando o computador e toda a sua parafernália começam a falhar as coisas se complicam. Pode ser vírus, deficiência em download, fracasso no upload, desconfiguração não se de quê, defeito na placa e tudo o mais que essas máquinas que maquinam possam nos proporcionar. 

Vivo momento assim: truculento, o computador já exauriu todos os meus pobres e limitados conhecimentos: já reiniciei mais de mil vezes, passei o antivírus mais poderoso que conheço, liberei espaço em disco, deletei programas que não usava... 

Sim, trouxe o técnico, que utilizou de todos os seus conhecimentos esotéricos e nada: a máquina continua a maquiar suas más intenções com falsos piques de rapidez, logo volta à pachorra e trabalha com lentidão que faria inveja ao mais lamentável indolente.

Como último recurso liguei para o provedor: ficaram de me mandar um técnico. Mas somente amanhã, é claro. E me avisaram: se o defeito for do meu maldito computador e não culpa da empresa – que, garante, envia dados em banda larga velocíssimos – terei que pagar a visita.

Pagar a visita? --fiquei perplexo.
Claro, pagar visita -- foi a resposta.

Aí eu fiquei assim: já pensou, você ter que pagar para ser visitado? E já pensou se a moda pega?

Exemplo:
Você diz: – Ei, estou sozinho. Você pode me visitar? Você é um visitador profissional? Pode vir aqui? – e lá vem a resposta:

– Trinta reais a hora: minha conversa é boa e vale a pena. Falo sobe política, futebol, asteroides, alta filosofia e piadas de todo o tipo. Mas não esqueça de um bom uísque, canapés e outras guloseimas. E se você estiver tipo deprimido, ansioso ou prestes a cometer um desatino o preço sobe para 60 reais, mais seguro de vida. Já pensou se você surta e quer me atacar? 

Vou tomar um tranquilizante e esperar meu visitador de computador. Obrigado leitor ou leitora. De alguma forma vocês já me visitaram. Já me sinto melhor. Graças.
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ZOORÓSCOPO 

Personagem Zeca Urubu
Urubu - Adora atrapalhar a vida dos outros, pulando no galho da paciência alheia. Evite conviver com eles especialmente se você é do zoosigno de golfinho (bons, alegres e ingênuos), a fim de não se prejudicar. Mas os de Urubu cometem um grande equivoco: metem-se tanto na vida das pessoas que, se estas tiverem habilidade, conseguem repassar para eles apenas o seu lixo. E os urubuínos se dão mal.