Caros Amigos,
A Folha de S. Paulo, em jornalismo reverente, divulga no caderno Ilustrada a volta de William Bonner à apresentação do Jornal Nacional e lembra - importantíssimo -, que há algum tempo Fátima Bernardes afastou-se do programa, entre um bloco e outro, devido a uma labirintite. Oh......
Ele estava afastado por causa de dores lombares e foi submetido a tratamento.
Isso mostra como o JN tornou-se, até mesmo para o jornalismo, uma espécie de ícone da comunicação de massa neste país. Por que a volta de um jornalista a seu local de trabalho merece tal destaque? Comentei há uns dias a respeito da morte de Joel Silveira, cujo perfil, bem superior ao de Bonner, não ganhou qualquer relevância de mídia.
Então, por que a volta do jornalista da Globo recebeu exposição? Por uma fator muito simples, o JN naturalizou-se como o mais importante telejornalismo do País, e tornou-se alvo de fascínio e atenções, Foi glamourizado pela Globo e ganhou, na verdade, feição de um show. É um jornal que não se indigna com nenhum problema nacional, não demonstra repúdio às injustiças que diariamente o povo brasileiro sofre.
Às vezes, Arnaldo Jabor aparece, fazendo uns comentários à guisa de editorial, que mais se parecem com as coisas do Casseta e Planeta. É mais uma ação satírica, humorística, que postura editorial: séria e, se preciso, ferina; atingindo o ponto a ser denunciado.
Não, não, não. Não tem qualquer importância a volta de Bonner ao JN. Se ele estava com dores nas costas, fez muito bem em se afastar para tratamento. No mais, é preciso entender que o Jornal Nacional não têm ancoragem, como estão dizendo por aí.
Um âncora comenta, explica, analisa, interpreta e apresenta de alguma forma a voz social que ele supõe representar. Bonner não comenta nada. Ele só apresenta o JN. O resto é show.
Emanoel Barreto
"Não é justo alguém ter o direito de ter uma empresa de aviação e outro não ter o direito de comer um pão." /////// JAMAIS IDE A UM LUGAR GRANDE DEMAIS. A UM LUGAR AONDE NÃO TENHAIS CORAGEM DA IMENSIDÃO - EMANOEL BARRETO - NATAL/RN
terça-feira, 21 de agosto de 2007
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Um tolo chamado Zottolo
Caros Amigos,
O velho e lamentável preconceito contra o povo nordestino volta à cena, com declarações do presidente da Phillips do Brasil, Paulo Zottolo. Para ele, "se o Piauí deixasse de existir, ninguém ficaria chateado por isso." Como houve um vigoroso repúdio à atitude no mínimo insana, Zotollo percebeu sua tolice e, pressionado a pedir desculpas pelo Governo do Estado, o fez publicamente em jornais e outros veículos com circulação no Piauí.
Desconheço o contexto em que a decclaração foi feita, mas esta revela como muitos brasileiros não-nordestinos vêem a nossa região, a vida do nosso povo, nossos valores e cultura.
Há uma imagem estereotipada do Nordeste como uma espécie de povoamento de pessoas levadas à indigência pela seca, padecentes de todos os sofrimentos que a terra queimada nos dá. Não se vê, como lembrou Euclides da Cunha, que o Nordestino é antes de tudo um forte. Somente um povo como o nosso, historicamente adaptado a conviver com as duras realidades da caatinga, conseguiria continuar a viver, com coragem e até mesmo com alegria.
Claro que Zottolo não fez o pedido de desculpas porque mudou de idéia de repente. Em Teresina houve protestos e foram quebrados produtos da marca Philips, em demonstração de repúdio. O que ele temia mesmo era uma retração nas vendas da sua empresa naquele estado.
Esse pessoal do dinheiro sofre da Síndrome do Tio Patinhas: não pode ver, sequer pensar, que em sua mala, em sua conta de lucros, está havendo qualquer índice de redução. Não: eles amam dinheiro, querem dinheiro, vivem para nadar em dinheiro.
Zottolo é, a meu juízo, um homem digno de pena. Vive só para ganhar dinheiro, o que, convenhamos, não é projeto de vida para quem se pretenda gente. Viver só para o dinheiro? Minhas comiserações.
Ah! Sim, um detalhe: a Phillips não é do Brasil. Pelo que sei, é dos holandeses...
Emanoel Barreto
O velho e lamentável preconceito contra o povo nordestino volta à cena, com declarações do presidente da Phillips do Brasil, Paulo Zottolo. Para ele, "se o Piauí deixasse de existir, ninguém ficaria chateado por isso." Como houve um vigoroso repúdio à atitude no mínimo insana, Zotollo percebeu sua tolice e, pressionado a pedir desculpas pelo Governo do Estado, o fez publicamente em jornais e outros veículos com circulação no Piauí.
Desconheço o contexto em que a decclaração foi feita, mas esta revela como muitos brasileiros não-nordestinos vêem a nossa região, a vida do nosso povo, nossos valores e cultura.
Há uma imagem estereotipada do Nordeste como uma espécie de povoamento de pessoas levadas à indigência pela seca, padecentes de todos os sofrimentos que a terra queimada nos dá. Não se vê, como lembrou Euclides da Cunha, que o Nordestino é antes de tudo um forte. Somente um povo como o nosso, historicamente adaptado a conviver com as duras realidades da caatinga, conseguiria continuar a viver, com coragem e até mesmo com alegria.
Claro que Zottolo não fez o pedido de desculpas porque mudou de idéia de repente. Em Teresina houve protestos e foram quebrados produtos da marca Philips, em demonstração de repúdio. O que ele temia mesmo era uma retração nas vendas da sua empresa naquele estado.
Esse pessoal do dinheiro sofre da Síndrome do Tio Patinhas: não pode ver, sequer pensar, que em sua mala, em sua conta de lucros, está havendo qualquer índice de redução. Não: eles amam dinheiro, querem dinheiro, vivem para nadar em dinheiro.
Zottolo é, a meu juízo, um homem digno de pena. Vive só para ganhar dinheiro, o que, convenhamos, não é projeto de vida para quem se pretenda gente. Viver só para o dinheiro? Minhas comiserações.
Ah! Sim, um detalhe: a Phillips não é do Brasil. Pelo que sei, é dos holandeses...
Emanoel Barreto
sábado, 18 de agosto de 2007
Prisão em boa hora
Caros Amigos
A Justiça americana condenou a "bispa" Sônia Hrnandes e seu marido e sócio no empreendimento Igreja Renascer, "apóstolo" Estevan Hernandes, a dez meses de prisão, com cinco meses na cadeia e cinco em domicílio. Além disso, informam as coisas de jornal, cada um pagará 30 mil dólares de multa, ambos perderão os 56 mil dólares não declarados quando entraram nos EUA e ambos permancerão por lá durante dois anos, sob liberdade condicional. Ótimo.
É assim que Justiça tem que agir, muito embora eu entenda que a pena foi muito suave, uma vez que, enganar a milhares de pessoas, num país como o Brasil, pessoas pobres, ignorantes e de boa-fé, para mim é um crime de lesa-povo e deveria caber uma forma mais pesada de prisão.
De qualquer maneira, foi um duro golpe na organização que, aparentemente, perde força com a imobilização de seus dois principais mentores. Mesmo assim, há um perigo: como são mestres nas artimanhas do marketing, irão usar sua prisão como martírio e transformar sua condição de criminosos em situação de pregadores do divino, incompreendidos e assim atacados pelos infiéis.
Diariamente, milhões de brasileiros são enganados e dão contribuições a esses "pastores" midiáticos, num processo cruel de exploração pela manipulação do sofrimento alheio. Ao que sei, o Brasil permite a liberdade de culto. Entretando, não creio que se permita liberdade de furto.
Oremos.
Bom fim de semana.
Emanoel Barreto
A Justiça americana condenou a "bispa" Sônia Hrnandes e seu marido e sócio no empreendimento Igreja Renascer, "apóstolo" Estevan Hernandes, a dez meses de prisão, com cinco meses na cadeia e cinco em domicílio. Além disso, informam as coisas de jornal, cada um pagará 30 mil dólares de multa, ambos perderão os 56 mil dólares não declarados quando entraram nos EUA e ambos permancerão por lá durante dois anos, sob liberdade condicional. Ótimo.
É assim que Justiça tem que agir, muito embora eu entenda que a pena foi muito suave, uma vez que, enganar a milhares de pessoas, num país como o Brasil, pessoas pobres, ignorantes e de boa-fé, para mim é um crime de lesa-povo e deveria caber uma forma mais pesada de prisão.
De qualquer maneira, foi um duro golpe na organização que, aparentemente, perde força com a imobilização de seus dois principais mentores. Mesmo assim, há um perigo: como são mestres nas artimanhas do marketing, irão usar sua prisão como martírio e transformar sua condição de criminosos em situação de pregadores do divino, incompreendidos e assim atacados pelos infiéis.
Diariamente, milhões de brasileiros são enganados e dão contribuições a esses "pastores" midiáticos, num processo cruel de exploração pela manipulação do sofrimento alheio. Ao que sei, o Brasil permite a liberdade de culto. Entretando, não creio que se permita liberdade de furto.
Oremos.
Bom fim de semana.
Emanoel Barreto
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
Eles vão pagar caro
Caros Amigos,
A Justiça americana está para decidir sobre a pena a ser aplicada ao casal Estevan Hernandes Filho e Sônia Hernanes, fundadores da Igreja Renascer. Ele se apresenta como "apóstolo" e ela como "bispa", cargos que se auto-outorgaram quando fundaram sua organização, que recolhe dinheiro de milhares de ingênuos brasileiros que acreditaram estar participando realmente de uma intituição cristã.
Foram presos dia 9 de janeiro, quando entravam nos EUA com 56 mil, 467 dólares escondidos em uma bolsa, na capa de uma bíblia, em um porta CDs e uma mala. Deveriam ter declarado à alfândega que estavam chegando como mais de dez mil dólares.
Essa quantia lhes valeu a prisão domiciliar que cumprem em um condomínio de luxo em Miami. Seus deslocamentos são monitorados por um aparelho eletrônico preso ao tornozelo de cada um.
Acho que Justiça é isso: rapidez e firmeza de decisão com pessoas que entram para - vou usar um lugar comum -, o "mundo do crime". Estima-se que peguem até 16 meses de prisão.
O casal é parte desse grande esquema de religião midiática que se espalha pelo mundo, ganhando muito dinheiro com a suposta propagação da fé. Prometem-se milagres, vida em abundância e uma existência paradisíaca a quem se filiar a qualquer dessas entidades ligadas ao sistema do religion biz.
Como o mundo vive um tempo de temores, insatisfações, a angústia grassa como uma tempestade e as pessoas, em seus múltiplos problemas cotidianos, não têm a quem apelar, tais "pregadores" fundam "igrejas" e passam a preencher o vazio ou o desespero existencial de quem precisaria mesmo era de emprego ou de um bom psicólogo e assim conseguem, de uma hora para outra, transformar-se em milionários.
A televisão é usada à larga por esses pregadores da fé midiatizada, o que inclui parcelas da Igreja católica, também useiras e vezeiras do rádio e TV para amealhar milhões.
No Brasil nada lhes acontece. Mas nos Estados Unidos, onde a lei é para ser cumprida, o casal amarga um bem aplicado calvário. Um calvário soft, bem sei, mas, de qualquer forma, uma punição a quem se apresentava com galardões de pregoeiros da fé e salvacionistas.
Entendo que a pena de 16 meses de prisão será pouco frente aos abusos que praticaram, utilizando-se da boa-fé de incautos para acumular fortuna.
De qualquer maneira, já é alguma coisa. Eles estão pagando o dízimo de César, quando ousaram entrar na terra que se tornou a pátria dos trinta dinheiros.
Emanoel Barreto
A Justiça americana está para decidir sobre a pena a ser aplicada ao casal Estevan Hernandes Filho e Sônia Hernanes, fundadores da Igreja Renascer. Ele se apresenta como "apóstolo" e ela como "bispa", cargos que se auto-outorgaram quando fundaram sua organização, que recolhe dinheiro de milhares de ingênuos brasileiros que acreditaram estar participando realmente de uma intituição cristã.
Foram presos dia 9 de janeiro, quando entravam nos EUA com 56 mil, 467 dólares escondidos em uma bolsa, na capa de uma bíblia, em um porta CDs e uma mala. Deveriam ter declarado à alfândega que estavam chegando como mais de dez mil dólares.
Essa quantia lhes valeu a prisão domiciliar que cumprem em um condomínio de luxo em Miami. Seus deslocamentos são monitorados por um aparelho eletrônico preso ao tornozelo de cada um.
Acho que Justiça é isso: rapidez e firmeza de decisão com pessoas que entram para - vou usar um lugar comum -, o "mundo do crime". Estima-se que peguem até 16 meses de prisão.
O casal é parte desse grande esquema de religião midiática que se espalha pelo mundo, ganhando muito dinheiro com a suposta propagação da fé. Prometem-se milagres, vida em abundância e uma existência paradisíaca a quem se filiar a qualquer dessas entidades ligadas ao sistema do religion biz.
Como o mundo vive um tempo de temores, insatisfações, a angústia grassa como uma tempestade e as pessoas, em seus múltiplos problemas cotidianos, não têm a quem apelar, tais "pregadores" fundam "igrejas" e passam a preencher o vazio ou o desespero existencial de quem precisaria mesmo era de emprego ou de um bom psicólogo e assim conseguem, de uma hora para outra, transformar-se em milionários.
A televisão é usada à larga por esses pregadores da fé midiatizada, o que inclui parcelas da Igreja católica, também useiras e vezeiras do rádio e TV para amealhar milhões.
No Brasil nada lhes acontece. Mas nos Estados Unidos, onde a lei é para ser cumprida, o casal amarga um bem aplicado calvário. Um calvário soft, bem sei, mas, de qualquer forma, uma punição a quem se apresentava com galardões de pregoeiros da fé e salvacionistas.
Entendo que a pena de 16 meses de prisão será pouco frente aos abusos que praticaram, utilizando-se da boa-fé de incautos para acumular fortuna.
De qualquer maneira, já é alguma coisa. Eles estão pagando o dízimo de César, quando ousaram entrar na terra que se tornou a pátria dos trinta dinheiros.
Emanoel Barreto
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
...e os jornais não disseram nada
Caros Amigos,
Percorrendo as páginas da net não vi, nas coisas de jornal, quaisquer informações ou registros a respeito da morte de Joel Silveira. O jornalismo é assim: quando da morte de figuras preeminentes dos mais diversos setores, às vezes ocupa páginas e páginas, merecidamente, relatando sua vida,documentando o seu perfil. Entretanto, quando retira-se da redação da vida um velho repórter, nunca, jamais, em tempo algum, há documentação jornalística maior. É uma das tradições perversas do jornalismo brasileiro: o esquecimento dos jornais àqueles que os fizeram.
Em Natal, somente uma matéria no Jornal de Hoje Primeira Edição, teve algum relevo. Nos demais, nada, ou quase. Somos uma categoria que forma opinião, está sempre passo-a-passo com os acontecimentos, às vezes antecedemo-nos ao tempo, muitas vezes corremos perigo, fazemos inimigos.
Não estou querendo dizer que a categoria é composta de santos e vestais. Muito pelo contrário, nosso perfil, que exige-nos agressividade e competitividade para o dia-a-dia das notícias, ajuda muitas vezes a formar grandes formuladores de cicuta, exímios e crotálicos alquimistas.
O que quero dizer é que, para os jornais, somos apenas - e não mais que isso -, peças da grande engrenagem do fordismo de nossa profissão. Joel se foi, os jornais ficaram.
E por falar em jornal, a primeira páginda do JB, que hoje é uma espécie de colcha de retalhos de fait divers, saiu hoje, em sua parte inferior, quase toralmente tomada por anúncio do Banco Itaú. Isso dá bem uma idéia da política editorial do JB: transformar-se num impresso, num infotainement, para ser vendido de qualquer maneira. Até desenhos da fada Sininho e da Cinderela já estiveram ocupando espaço nobre, no alto da coloridíssima primeira página do antes respeitável Jornal do Brasil.
É isso. E continua essa vida.
Emanoel Barreto
Percorrendo as páginas da net não vi, nas coisas de jornal, quaisquer informações ou registros a respeito da morte de Joel Silveira. O jornalismo é assim: quando da morte de figuras preeminentes dos mais diversos setores, às vezes ocupa páginas e páginas, merecidamente, relatando sua vida,documentando o seu perfil. Entretanto, quando retira-se da redação da vida um velho repórter, nunca, jamais, em tempo algum, há documentação jornalística maior. É uma das tradições perversas do jornalismo brasileiro: o esquecimento dos jornais àqueles que os fizeram.
Em Natal, somente uma matéria no Jornal de Hoje Primeira Edição, teve algum relevo. Nos demais, nada, ou quase. Somos uma categoria que forma opinião, está sempre passo-a-passo com os acontecimentos, às vezes antecedemo-nos ao tempo, muitas vezes corremos perigo, fazemos inimigos.
Não estou querendo dizer que a categoria é composta de santos e vestais. Muito pelo contrário, nosso perfil, que exige-nos agressividade e competitividade para o dia-a-dia das notícias, ajuda muitas vezes a formar grandes formuladores de cicuta, exímios e crotálicos alquimistas.
O que quero dizer é que, para os jornais, somos apenas - e não mais que isso -, peças da grande engrenagem do fordismo de nossa profissão. Joel se foi, os jornais ficaram.
E por falar em jornal, a primeira páginda do JB, que hoje é uma espécie de colcha de retalhos de fait divers, saiu hoje, em sua parte inferior, quase toralmente tomada por anúncio do Banco Itaú. Isso dá bem uma idéia da política editorial do JB: transformar-se num impresso, num infotainement, para ser vendido de qualquer maneira. Até desenhos da fada Sininho e da Cinderela já estiveram ocupando espaço nobre, no alto da coloridíssima primeira página do antes respeitável Jornal do Brasil.
É isso. E continua essa vida.
Emanoel Barreto
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
O repórter parou
Caros Amigos,
E lá se foi Joel Silveira. O homem do texto exímio, o colunista, o contista, o repórter que cobriu a Segunda Guerra para os Diários Associados aos 26 anos, despediu-se da vida no silêncio de uma velhice sofrida, amargando um câncer e desejando morrer.
Quando seguiu para a missão na Itália, partiu com o seguinte incentivo de Assis Chateaubriand: "Você vá, mas não me morra!"
Mesmo levando em consideração que publicou mais de 40 livros e destacou-se como repórter em todo o Brasil, para mim sua fase mais marcante foi mesmo a cobertura da guerra, chegando à Itália em 1944, em pleno inverno.
Suas memórias do front foram inicialmente publicadas sob o título Histórias de Pracinhas, em 1945, reeditadas depois como O Inverno da Guerra. Trata-se de obra tensa, em que se percebe o trabalho do jornalista em campanha, com todos os perigos e brutalidades que isso implica.
Sergipano, nasceu dia 23 de setembro de 1918. Foi para o Rio de Janeiro aos 18 anos e não parou mais, sempre crescendo no jornalismo.
Sobre o conflito disse: "Confesso que não foi exatamente por delicadeza que naqueles nove meses perdi uma parte de minha juventude, ou o que restava dela. A Guerra é nojenta. E o que ela nos tira, quando não nos tira e vida, nunca mais devolve."
Acho que o jornalismo brasileiro vem perdendo, ou já perdeu, os grandes repórteres, os grandes caçadores de notícias, comprometidos com o dever de informar, opinar e interpretar os acontecimentos. Perdeu aquele sabor de aventura, de risco de vida (ou de morte como andam dizendo), de trabalho que ele sabia ser da maior importância.
A morte, no entanto é pior que a guerra. Ela sempre nos tira e vida e nunca mais devolve. Tirou Joel aos poucos, exaurindo suas forças lentamente. Até que o repórter parou.
Emanoel Barreto
E lá se foi Joel Silveira. O homem do texto exímio, o colunista, o contista, o repórter que cobriu a Segunda Guerra para os Diários Associados aos 26 anos, despediu-se da vida no silêncio de uma velhice sofrida, amargando um câncer e desejando morrer.
Quando seguiu para a missão na Itália, partiu com o seguinte incentivo de Assis Chateaubriand: "Você vá, mas não me morra!"
Mesmo levando em consideração que publicou mais de 40 livros e destacou-se como repórter em todo o Brasil, para mim sua fase mais marcante foi mesmo a cobertura da guerra, chegando à Itália em 1944, em pleno inverno.
Suas memórias do front foram inicialmente publicadas sob o título Histórias de Pracinhas, em 1945, reeditadas depois como O Inverno da Guerra. Trata-se de obra tensa, em que se percebe o trabalho do jornalista em campanha, com todos os perigos e brutalidades que isso implica.
Sergipano, nasceu dia 23 de setembro de 1918. Foi para o Rio de Janeiro aos 18 anos e não parou mais, sempre crescendo no jornalismo.
Sobre o conflito disse: "Confesso que não foi exatamente por delicadeza que naqueles nove meses perdi uma parte de minha juventude, ou o que restava dela. A Guerra é nojenta. E o que ela nos tira, quando não nos tira e vida, nunca mais devolve."
Acho que o jornalismo brasileiro vem perdendo, ou já perdeu, os grandes repórteres, os grandes caçadores de notícias, comprometidos com o dever de informar, opinar e interpretar os acontecimentos. Perdeu aquele sabor de aventura, de risco de vida (ou de morte como andam dizendo), de trabalho que ele sabia ser da maior importância.
A morte, no entanto é pior que a guerra. Ela sempre nos tira e vida e nunca mais devolve. Tirou Joel aos poucos, exaurindo suas forças lentamente. Até que o repórter parou.
Emanoel Barreto
terça-feira, 14 de agosto de 2007
Onde está o dinheiro?
Caros Amigos,
O Governo, seus aliados e a oposição começam a discutir a prorrogação da CPMF, que deverá ficar valendo até 2011. Ou seja: prepara-se, no Congresso, mais um ataque ao bolso do brasileiro, ou melhor, a manutenção desse ataque, que vem sendo perpetrado desde 1994, quando então o poderoso era Fernando Henrique Cardoso.
O então chamado imposto do cheque deveria ter ser recursos voltados para a área da saúde, mas depois isso foi esquecido. Entendo que tal, na verdade, é uma espécie de invasão da privacidade bancária de todos os que fazem qualquer movimentação financeira.
Entendo, mais claramente, que trata-se de um esbulho às economias das famílias brasileiras, que sofrem essa penalidade sem ter como dela se livrar.
Pergunto: para onde vão as centenas de milhões que o Governo arrecada com esse dinheiro? Para a segurança? Seguramente, não. Pois a criminalidade está campeando à solta. Para a saúde? É inimaginável, pois esse setor está doente. Para a educação? Também não, pois nosso sistema público do setor está analfabeto de apoios ou incentivos. Para a malha viária? Inviável, já que não se tem notícia de recuperação ou ampliação desse segmento, salvo um ou outro caso. Para o ensino universitário? Qualquer recém-aprovado no vestibular sabe que não.
O que há é uma espécie d ferocidade do Estado sobre o contribuinte, que paga uma conta altíssima, por serviços públicos que de serviço ao público não têm nada. O dinheiro da CPMF se perde no vórtice da administração e o povo afunda no turbilhão do espando e do desamparo.
Emanoel Barreto
O Governo, seus aliados e a oposição começam a discutir a prorrogação da CPMF, que deverá ficar valendo até 2011. Ou seja: prepara-se, no Congresso, mais um ataque ao bolso do brasileiro, ou melhor, a manutenção desse ataque, que vem sendo perpetrado desde 1994, quando então o poderoso era Fernando Henrique Cardoso.
O então chamado imposto do cheque deveria ter ser recursos voltados para a área da saúde, mas depois isso foi esquecido. Entendo que tal, na verdade, é uma espécie de invasão da privacidade bancária de todos os que fazem qualquer movimentação financeira.
Entendo, mais claramente, que trata-se de um esbulho às economias das famílias brasileiras, que sofrem essa penalidade sem ter como dela se livrar.
Pergunto: para onde vão as centenas de milhões que o Governo arrecada com esse dinheiro? Para a segurança? Seguramente, não. Pois a criminalidade está campeando à solta. Para a saúde? É inimaginável, pois esse setor está doente. Para a educação? Também não, pois nosso sistema público do setor está analfabeto de apoios ou incentivos. Para a malha viária? Inviável, já que não se tem notícia de recuperação ou ampliação desse segmento, salvo um ou outro caso. Para o ensino universitário? Qualquer recém-aprovado no vestibular sabe que não.
O que há é uma espécie d ferocidade do Estado sobre o contribuinte, que paga uma conta altíssima, por serviços públicos que de serviço ao público não têm nada. O dinheiro da CPMF se perde no vórtice da administração e o povo afunda no turbilhão do espando e do desamparo.
Emanoel Barreto
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Que nem lata de sardinha
Caros Amigos,
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, está propondo que as empresas de aviação ampliem o espaço entre as cadeiras das aeronaves, a fim de que os passageiros tenham mais conforto e segurança nos vôos.
As empresas alegam que o espaço, mínimo, é essencial para que se mantenha sua lucratividade e que, caso seja aumentado esse espaço, as passagens deverão subir, para compensar o menor número de passageiros por avião.
Trata-se da velha lógica da exploração da sociedade, no caso, em proveito de uns poucos que detêm o controle desse segmento empresarial. O Ministro tem razão e deveria insistir nesse intento, coibindo, da mesma forma, a intenções de aumento de tarifas.
Nesse País já se paga muito por atendimentos de má qualidade e serviços que deixam a desejar. O presidente da Anac, Milton Zuanazzi diz, segundo informa a Folha, que uma pesquisa indica satisfação dos usuários, dos quais apenas cinco por cento se mostram insatisfeitos com a distância entre os cadeiras.
Custa-me crer nessa pesquisa. Como poderia uma pessoa sentir-se bem, imprensada em acomodações que mal dão para alguem se mover? A aviação brasileira vai mal, sim. E se o governo não se mostrar intransigente com o que está errado no setor, tais falhas se manterão ao longo do tempo, com as conseqüências que todos já conhecemos.
Emanoel Barreto
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, está propondo que as empresas de aviação ampliem o espaço entre as cadeiras das aeronaves, a fim de que os passageiros tenham mais conforto e segurança nos vôos.
As empresas alegam que o espaço, mínimo, é essencial para que se mantenha sua lucratividade e que, caso seja aumentado esse espaço, as passagens deverão subir, para compensar o menor número de passageiros por avião.
Trata-se da velha lógica da exploração da sociedade, no caso, em proveito de uns poucos que detêm o controle desse segmento empresarial. O Ministro tem razão e deveria insistir nesse intento, coibindo, da mesma forma, a intenções de aumento de tarifas.
Nesse País já se paga muito por atendimentos de má qualidade e serviços que deixam a desejar. O presidente da Anac, Milton Zuanazzi diz, segundo informa a Folha, que uma pesquisa indica satisfação dos usuários, dos quais apenas cinco por cento se mostram insatisfeitos com a distância entre os cadeiras.
Custa-me crer nessa pesquisa. Como poderia uma pessoa sentir-se bem, imprensada em acomodações que mal dão para alguem se mover? A aviação brasileira vai mal, sim. E se o governo não se mostrar intransigente com o que está errado no setor, tais falhas se manterão ao longo do tempo, com as conseqüências que todos já conhecemos.
Emanoel Barreto
sábado, 11 de agosto de 2007
Herança macabra: o brechó da morte
Caros Amigos,
Uma alfaiataria em Santiago do Chile está vendendo ternos que pertenceram ao ditador Augusto Pinochet. As peças, que ele usava nos anos 80, somente são oferecidas, em caráter reservado, àqueles que sabidamente eram simpatizantes do regime que torturou e matou centenas de milhares de chilenos.
A alfaiataria, um literal brechó da morte, faz assim a louvação de um dos carrascos da humanidade no século passado. Mas é uma louvação envergonhada, cabisbaixa, bisonha. Tanto, que os ternos ficam bem guardados e somente são oferecidos a homens iguais a Pinochet.
Por que não ficam expostos em vitrines chamativas, não são levados a um leilão como os óculos de Lennon? Por quê? Porque são o símbolo da desgraça e do sofrimento do povo chileno e, por que não, e até mesmo da consciência humana. Porque são a marca de uma mente que voltou-se para trucidar e esganar a todos aqueles que defendiam as liberdades e uma vida mais justa. Porque são peças de um museu cruel, onde a principal lembrança são brutalidades infernais regidas por um psicopata armado com a espada da desgraça.
Bom fim de semana.
Emanoel Barreto
Uma alfaiataria em Santiago do Chile está vendendo ternos que pertenceram ao ditador Augusto Pinochet. As peças, que ele usava nos anos 80, somente são oferecidas, em caráter reservado, àqueles que sabidamente eram simpatizantes do regime que torturou e matou centenas de milhares de chilenos.
A alfaiataria, um literal brechó da morte, faz assim a louvação de um dos carrascos da humanidade no século passado. Mas é uma louvação envergonhada, cabisbaixa, bisonha. Tanto, que os ternos ficam bem guardados e somente são oferecidos a homens iguais a Pinochet.
Por que não ficam expostos em vitrines chamativas, não são levados a um leilão como os óculos de Lennon? Por quê? Porque são o símbolo da desgraça e do sofrimento do povo chileno e, por que não, e até mesmo da consciência humana. Porque são a marca de uma mente que voltou-se para trucidar e esganar a todos aqueles que defendiam as liberdades e uma vida mais justa. Porque são peças de um museu cruel, onde a principal lembrança são brutalidades infernais regidas por um psicopata armado com a espada da desgraça.
Bom fim de semana.
Emanoel Barreto
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
Somos todos idiotas?
Caros Amigos,
Coisas de jornal que circulam na internet informam que no Japão está à venda uma gravata com ventilador. Serve para o homem usar conectada à saída USB do computador. Estamos, verdadeiramente, vivendo a idade da simulação de um certo tipo de vida social, com imposição de modismos que variam entre o ridículo, o grotesto e o criminal.
Ridículo e grotesto para quem usa. Criminal para a empresa que consegue atrair clientes e dinheiro com necessidades forjadas e inúteis. Vi há alguns dias, num shopping, um jovem beócio sendo puxado, numa coleirinha, por uma jovem tão fátua quanto ele. O casalzinho se exibia com um jeito que tentava se fazer passar por blasé, caminhando lentamente: ela à frente, ele seguindo-a, como a pedir, com tal comportanto, às pessoas que passavam: "Olhem como sou tolo. Eu sou um imbecil. Vocês não percebem?"
A imposição de falsas necessidades tornou-se alvo preferencial do marketing. Em qualquer canal a cabo há aqueles anúncios que propalam eletrodomésticos e outras traquitanas que irão mudar a sua vida e fazer de você uma pessoa feliz: quer emagrecer? Use aparelho tal. Quem ficar mais jovem? Compre uns elásticos que são colocados sob o cabelo a partir das orelhas. Eles vão esticar a pele e você ficará lindíssima. Deseja um bom suco? Compre a máquina não-sei-o-que-lá, que ela vai fazer maravilhas. Quer isso, quer aquilo, quer aquilo outro? Faça assim, coisa e tal e tudo bem, viu?
Agora, eu pergunto: quer ficar em paz? Desligue a TV quando esses comerciais estiverem no ar. Sua integridade mental estará, seguramente, protegida.
Emanoel Barreto
Coisas de jornal que circulam na internet informam que no Japão está à venda uma gravata com ventilador. Serve para o homem usar conectada à saída USB do computador. Estamos, verdadeiramente, vivendo a idade da simulação de um certo tipo de vida social, com imposição de modismos que variam entre o ridículo, o grotesto e o criminal.
Ridículo e grotesto para quem usa. Criminal para a empresa que consegue atrair clientes e dinheiro com necessidades forjadas e inúteis. Vi há alguns dias, num shopping, um jovem beócio sendo puxado, numa coleirinha, por uma jovem tão fátua quanto ele. O casalzinho se exibia com um jeito que tentava se fazer passar por blasé, caminhando lentamente: ela à frente, ele seguindo-a, como a pedir, com tal comportanto, às pessoas que passavam: "Olhem como sou tolo. Eu sou um imbecil. Vocês não percebem?"
A imposição de falsas necessidades tornou-se alvo preferencial do marketing. Em qualquer canal a cabo há aqueles anúncios que propalam eletrodomésticos e outras traquitanas que irão mudar a sua vida e fazer de você uma pessoa feliz: quer emagrecer? Use aparelho tal. Quem ficar mais jovem? Compre uns elásticos que são colocados sob o cabelo a partir das orelhas. Eles vão esticar a pele e você ficará lindíssima. Deseja um bom suco? Compre a máquina não-sei-o-que-lá, que ela vai fazer maravilhas. Quer isso, quer aquilo, quer aquilo outro? Faça assim, coisa e tal e tudo bem, viu?
Agora, eu pergunto: quer ficar em paz? Desligue a TV quando esses comerciais estiverem no ar. Sua integridade mental estará, seguramente, protegida.
Emanoel Barreto
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
Um protesto fora de hora
Caros Amigos,
Está em andamento um protesto intitulado de "Cansei", numa alusão ao governo Lula e suas escaramuças, equívocos e atos falhos, vide "Relaxe e goze" de Marta Suplicy, nas antevésperas da tragédia da TAM.
O problema é que não há clima de opinião pública propício a tal iniciativa, não há qualquer mobilização anti-Lula, enfim, nenhum processo de repúdio ao sistema ora no poder, para que esse Cansei viesse a ser ativado.
Ademais, seus líderes não têm biografia para se lançar a essa empreitada, melhor diria intentona, de tentar desestabilizar Lula. Se nem mesmo há mobilização contra a presença de Calheiros na calhas do Senado, imagine contra Lula e seus epígonos, entre eles o próprio Renan.
Há um certo Dória e um advogado, d'Urso, presidente da seção da OAB de São Paulo, mas, frente à Nação, literalmente ilustres desconhecidos e sem qualquer participação histórica que os qualifique a tomar o timão do tal Cansei.
Ao que parece-me, trata-se de de atitude tática buscando lançar amarras anti-Lula para a próxima eleição presidencial, quando o presidente lançará candidato à sua sucessão. Ao que entendi, seriam prejudicados Lula em seu futuro político, e aquele que receber o seu apoio. É uma operação-desgaste, que já nasceu falida.
O Cansei não tem apelo popular, não brotou de bases legítimas e não vai dar certo. Afinal, seria lamentavelmente mais uma farsa a se impor ao País.
Emanoel Barreto
Está em andamento um protesto intitulado de "Cansei", numa alusão ao governo Lula e suas escaramuças, equívocos e atos falhos, vide "Relaxe e goze" de Marta Suplicy, nas antevésperas da tragédia da TAM.
O problema é que não há clima de opinião pública propício a tal iniciativa, não há qualquer mobilização anti-Lula, enfim, nenhum processo de repúdio ao sistema ora no poder, para que esse Cansei viesse a ser ativado.
Ademais, seus líderes não têm biografia para se lançar a essa empreitada, melhor diria intentona, de tentar desestabilizar Lula. Se nem mesmo há mobilização contra a presença de Calheiros na calhas do Senado, imagine contra Lula e seus epígonos, entre eles o próprio Renan.
Há um certo Dória e um advogado, d'Urso, presidente da seção da OAB de São Paulo, mas, frente à Nação, literalmente ilustres desconhecidos e sem qualquer participação histórica que os qualifique a tomar o timão do tal Cansei.
Ao que parece-me, trata-se de de atitude tática buscando lançar amarras anti-Lula para a próxima eleição presidencial, quando o presidente lançará candidato à sua sucessão. Ao que entendi, seriam prejudicados Lula em seu futuro político, e aquele que receber o seu apoio. É uma operação-desgaste, que já nasceu falida.
O Cansei não tem apelo popular, não brotou de bases legítimas e não vai dar certo. Afinal, seria lamentavelmente mais uma farsa a se impor ao País.
Emanoel Barreto
quarta-feira, 8 de agosto de 2007
Os ratos, a explosão e o indivíduo que berra
Caros Amigos,
A agenda das coisas de jornal tem dois assuntos em pauta: o caso Renan Calheiros e a tragédia da TAM. São os que mais estão ocupando espaços nobres nos noticiários. A questão da TAM entra agora no terreno jurídico: viscoso, escorregadio, entremeado de luz e sombra, desvãos e chicanas de advogados. Até uma autoridade da Aeronáutica, em depoimento a parlamentares, permaneceu praticamente muda, alegando "assunto sigiloso".
Acho que sigilo, sigilo mesmo, está ocorrendo com os familiares das vítimas, que sofrem em silêncio a perda de pessoas queridas e vão entrar no empura-empurra dos envolvidos, cada um querendo se safar, possivelmente passar a culpa aos pilotos. É como em história de literatura policial: sempre o mordono é o culpado e todo mordomo chama-se Jarbas. Os pilotos, ao que temo, talvez venham a ser apontados como os jarbas do holocausto da TAM.
Quando ao indivíduo Renan Calheiros, reforçam-se os indícios de que terá seu patrimônio político levado à hasta pública do plenário, cassado e guilhotinado politicamente. O butim deverá ficar com o PMDB. É o que dizem as coisas de jornal, alertando que até o Planalto já teme que a demora com que se arrasta a luta do citado elemento, que se insiste em ser bom, digno, reto e bom cristão, venha a respingar no Governo.
E quando políticos começam a temer por seu futuro, esteja certo, esteja certa: deixa o navio e toma o primeiro salva-vidas que esteja passando por perto. Pena que o povo não possa tomar um salva-vidas e deixar, no navio que afunda, todos os ratos que habitam desde o seu porão até a ponte de comando.
Emanoel Barreto
A agenda das coisas de jornal tem dois assuntos em pauta: o caso Renan Calheiros e a tragédia da TAM. São os que mais estão ocupando espaços nobres nos noticiários. A questão da TAM entra agora no terreno jurídico: viscoso, escorregadio, entremeado de luz e sombra, desvãos e chicanas de advogados. Até uma autoridade da Aeronáutica, em depoimento a parlamentares, permaneceu praticamente muda, alegando "assunto sigiloso".
Acho que sigilo, sigilo mesmo, está ocorrendo com os familiares das vítimas, que sofrem em silêncio a perda de pessoas queridas e vão entrar no empura-empurra dos envolvidos, cada um querendo se safar, possivelmente passar a culpa aos pilotos. É como em história de literatura policial: sempre o mordono é o culpado e todo mordomo chama-se Jarbas. Os pilotos, ao que temo, talvez venham a ser apontados como os jarbas do holocausto da TAM.
Quando ao indivíduo Renan Calheiros, reforçam-se os indícios de que terá seu patrimônio político levado à hasta pública do plenário, cassado e guilhotinado politicamente. O butim deverá ficar com o PMDB. É o que dizem as coisas de jornal, alertando que até o Planalto já teme que a demora com que se arrasta a luta do citado elemento, que se insiste em ser bom, digno, reto e bom cristão, venha a respingar no Governo.
E quando políticos começam a temer por seu futuro, esteja certo, esteja certa: deixa o navio e toma o primeiro salva-vidas que esteja passando por perto. Pena que o povo não possa tomar um salva-vidas e deixar, no navio que afunda, todos os ratos que habitam desde o seu porão até a ponte de comando.
Emanoel Barreto
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
O risco-país e o país riscado
Caros Amigos,
As coisas de jornal da Folha Online trazem ao leitor o que seja o risco-país. É o seguinte: "O risco-país é visto como um "termômetro" informal da confiança dos investidores globais em país de economia emergente. Se o indicador sobe muito, por exemplo, é um sinal de que os investidores globais desconfiam cada vez mais que um país não vai saldar os pagamentos regulares de sua dívida externa. Essa percepção pode ser afetada por algum evento global --a piora da economia mundial-- ou algum evento local --o país acumula dívidas cada vez maiores, mas não poupa em ritmo suficiente para pagá-las. Em 1995, a desvalorização do peso mexicano detonou uma onda generalizada de descrença sobre as economias emergentes. O Brasil sofreu as conseqüências: o risco-país bateu em 1.689 pontos em março daquele mesmo ano."
Não fala, entretanto, das origens, das causa sócio-históricas de um país e de o quanto aquele país já foi explorado pelos mesmos tipos que criaram o tal risco-país.
Para mim, risco-país é menino morrendo de fome e de doença e os paises não terem dinheiro para atendimento médico e remédios; é mulher se prostituindo; é o cidadão desesperado porque perdeu o emprego e não teve qualificação escolar para buscar uma melhor colocação; é traficante literalmente dominando uma cidade como o Rio de Janeiro; é político desonesto escapando impune, apesar de infame; é avião caindo por falta de manutenção e pista de má qualidade; é prato vazio na hora do almoço, café e jantar; é tristeza entrando por baixo da porta da casa do povo e dizendo: cheguei para ficar. Risco-país é o país em risco. É o país riscado do mapa da dignidade.
Emanoel Barreto
As coisas de jornal da Folha Online trazem ao leitor o que seja o risco-país. É o seguinte: "O risco-país é visto como um "termômetro" informal da confiança dos investidores globais em país de economia emergente. Se o indicador sobe muito, por exemplo, é um sinal de que os investidores globais desconfiam cada vez mais que um país não vai saldar os pagamentos regulares de sua dívida externa. Essa percepção pode ser afetada por algum evento global --a piora da economia mundial-- ou algum evento local --o país acumula dívidas cada vez maiores, mas não poupa em ritmo suficiente para pagá-las. Em 1995, a desvalorização do peso mexicano detonou uma onda generalizada de descrença sobre as economias emergentes. O Brasil sofreu as conseqüências: o risco-país bateu em 1.689 pontos em março daquele mesmo ano."
Não fala, entretanto, das origens, das causa sócio-históricas de um país e de o quanto aquele país já foi explorado pelos mesmos tipos que criaram o tal risco-país.
Para mim, risco-país é menino morrendo de fome e de doença e os paises não terem dinheiro para atendimento médico e remédios; é mulher se prostituindo; é o cidadão desesperado porque perdeu o emprego e não teve qualificação escolar para buscar uma melhor colocação; é traficante literalmente dominando uma cidade como o Rio de Janeiro; é político desonesto escapando impune, apesar de infame; é avião caindo por falta de manutenção e pista de má qualidade; é prato vazio na hora do almoço, café e jantar; é tristeza entrando por baixo da porta da casa do povo e dizendo: cheguei para ficar. Risco-país é o país em risco. É o país riscado do mapa da dignidade.
Emanoel Barreto
domingo, 5 de agosto de 2007
A moça vai ficar nua
Caros Amigos,
Do mesmo modo que Cebolinha tem um problema de relacionamento com a Mônica e seu coelhinho, o senador Renan Calheiros tem também turbulências pessoais com sua ex-amante Mônica Veloso, que agora vai ser coelhinha da Playboy.
Dizem as coisas de jornal que a moça já fechou um contrato de 400 mil reais para posar nua e manter aceso o incêndio do escândalo que devasta o território político do senador das Alagoas. E mais: fala-se na descoberta de novos negócios transversos, com sua participação ilícita e oculta em emissoras de rádio.
Somente no país como o nosso um homem assim se sustenta no Poder, apesar de todos os tsunamis e fucarões que o têm acossado. Entretanto, ancorado firmemente no cais que acolhe a corrupção e todos os que são portadores de elasticidades morais, ele tem amarras fortes com o grupo de políticos que o apóia incondicionalmente, e até com o presidente Lula.
Como se vê, o coelhinho da Mônica e a Mônica Coelhinha são terríveis e podem atenazar até mesmo a vida do mais duro lobo mau.
Emanoel Barreto
Do mesmo modo que Cebolinha tem um problema de relacionamento com a Mônica e seu coelhinho, o senador Renan Calheiros tem também turbulências pessoais com sua ex-amante Mônica Veloso, que agora vai ser coelhinha da Playboy.
Dizem as coisas de jornal que a moça já fechou um contrato de 400 mil reais para posar nua e manter aceso o incêndio do escândalo que devasta o território político do senador das Alagoas. E mais: fala-se na descoberta de novos negócios transversos, com sua participação ilícita e oculta em emissoras de rádio.
Somente no país como o nosso um homem assim se sustenta no Poder, apesar de todos os tsunamis e fucarões que o têm acossado. Entretanto, ancorado firmemente no cais que acolhe a corrupção e todos os que são portadores de elasticidades morais, ele tem amarras fortes com o grupo de políticos que o apóia incondicionalmente, e até com o presidente Lula.
Como se vê, o coelhinho da Mônica e a Mônica Coelhinha são terríveis e podem atenazar até mesmo a vida do mais duro lobo mau.
Emanoel Barreto
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
Ela...
Ela tem os passos macios,
ela tem o olhar das manhãs.
Ela é o instante secreto,
ela é o pólen do sol.
No silêncio de um tempo só nosso,
vela instantes que são de entreluz.
E depois da noite que amanhece,
me sorri com espelhos de jade.
E o nunca inexiste
entre nós.
ela tem o olhar das manhãs.
Ela é o instante secreto,
ela é o pólen do sol.
No silêncio de um tempo só nosso,
vela instantes que são de entreluz.
E depois da noite que amanhece,
me sorri com espelhos de jade.
E o nunca inexiste
entre nós.
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
O milagre de Brisa Milagros
Caros Amigos,
As coisas de jornal informam que, na Argentina, uma menina recém-nascida não apresentou sinais vitais, foi dada como morta e levada ao necrotério. Ali, após algum tempo, chorou, o que a livrou, com toda a certeza, de realmente morrer. Percebido o erro, os médicos levaram-na a atendimento de urgência e agora ela está numa incumbadora.
Os pais, em sua perplexa alegria, deram-lhe o nome de Brisa Milagros. Eis aí um belo poema, uma sagração à vida, que é sopro, leve vagar que nos percorre o corpo e a alma. Vida tão frágil, silencioso impulso que nos anima o ser.
Brisa Milagros, que os tempos que ainda virão para ti sejam bons. E mesmo que a brisa da vida, a brisa do mundo, que pode se transformar em tempestade, venha a te ameaçar com temores e trevas como as que enfrentaste, seja enfrentada por ti com a coragem serena dos que sabem se ser.
Emanoel Barreto
As coisas de jornal informam que, na Argentina, uma menina recém-nascida não apresentou sinais vitais, foi dada como morta e levada ao necrotério. Ali, após algum tempo, chorou, o que a livrou, com toda a certeza, de realmente morrer. Percebido o erro, os médicos levaram-na a atendimento de urgência e agora ela está numa incumbadora.
Os pais, em sua perplexa alegria, deram-lhe o nome de Brisa Milagros. Eis aí um belo poema, uma sagração à vida, que é sopro, leve vagar que nos percorre o corpo e a alma. Vida tão frágil, silencioso impulso que nos anima o ser.
Brisa Milagros, que os tempos que ainda virão para ti sejam bons. E mesmo que a brisa da vida, a brisa do mundo, que pode se transformar em tempestade, venha a te ameaçar com temores e trevas como as que enfrentaste, seja enfrentada por ti com a coragem serena dos que sabem se ser.
Emanoel Barreto
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
A Caixa-Preta Brasil
Caros Amigos,
Diante de tanta confusão a respeito da caixa-preta da Tam, entendo que, de alguma forma, o Brasil, com seus descaminhos, casos fortuitos, coisas inesperadas, tramas escusas, atos nebulosos, inquéritos jamais concluídos, políticos da estatura moral de Renan Calheiros e outros quejandos é, à sua maneira, também uma enorme caixa-preta.
Portanto, precisa ser desvendada. Mas, como se sabe, caixas-pretas somente podem ser abertas e analisadas nos Estados Unidos. Assim, o Brasil deverá ser embalado, cuidadosamente embalado, e enviado aos EUA. Mas, como aqui as coisas não funcionam bem, algum funcionário esquecerá de comunicar que o Brasil está chegando por lá para ser examinado, e então acontece o seguinte: aquele pacotão vai chegar, terá apenas a inscrição "fragile" na embalagem, nada de remetente ou destinatário, e os americanos ficarão loucos: vão pensar que Osama enviou para lá uma bomba de alto poder mortífero e convocarão todos os seus setores de segurança.
O Pacote-Brasil vai virar, aí sim, para eles, o verdadeiro Risco-Brasil. Os maiores peritos em explosivos serão chamados e dirão: "Oh! My God!", tão logo auscultarem o pacote e ouvirem os tiros sendo disparados no Rio de Janeiro: "It's dangerous! Run! Run! Run!"
E todos sairão correndo, ante o temor da explosão, pois o pacote estará sendo agora movido por grandes abalos. São os senadores amigos do Renan tentando desesperadamente dizer que trata-se de um santo homem, devoto e dedicado à família, injustiçado e probo. Serão tantos os corre-corres, que eles acabarão provocando grandes sismos no pacote.
Depois, silêncio total. Os especialistas se aproximarão com todo o cuidado e abrirão o grande pacote. E aí, encontrarão a enorme caixa-preta. E dirão: "What is it?" Pé ante pé, medo retesado à máxima tentão, irão abri-la. Pronto, a caixa-preta está aberta.
E então, quando descobrirem que estão vendo o Brasil em funcionamento, ficarão tão apavorados que dirão: "Dephressa, vamous mandhar devoulver pahra Porthugal..."
E mandam tudo para os patrícios. E, quando eles abrirem, em prantos cantarão fados tão tristes, e tão dolorosos versos seus, que banharão de dor tod'alma lusitana. E, em lágrimas lamentosas, dirão: "Meu Deus, meu Deus, o que foi que nós criamos?"
Abraços,
Emanoel Barreto
Diante de tanta confusão a respeito da caixa-preta da Tam, entendo que, de alguma forma, o Brasil, com seus descaminhos, casos fortuitos, coisas inesperadas, tramas escusas, atos nebulosos, inquéritos jamais concluídos, políticos da estatura moral de Renan Calheiros e outros quejandos é, à sua maneira, também uma enorme caixa-preta.
Portanto, precisa ser desvendada. Mas, como se sabe, caixas-pretas somente podem ser abertas e analisadas nos Estados Unidos. Assim, o Brasil deverá ser embalado, cuidadosamente embalado, e enviado aos EUA. Mas, como aqui as coisas não funcionam bem, algum funcionário esquecerá de comunicar que o Brasil está chegando por lá para ser examinado, e então acontece o seguinte: aquele pacotão vai chegar, terá apenas a inscrição "fragile" na embalagem, nada de remetente ou destinatário, e os americanos ficarão loucos: vão pensar que Osama enviou para lá uma bomba de alto poder mortífero e convocarão todos os seus setores de segurança.
O Pacote-Brasil vai virar, aí sim, para eles, o verdadeiro Risco-Brasil. Os maiores peritos em explosivos serão chamados e dirão: "Oh! My God!", tão logo auscultarem o pacote e ouvirem os tiros sendo disparados no Rio de Janeiro: "It's dangerous! Run! Run! Run!"
E todos sairão correndo, ante o temor da explosão, pois o pacote estará sendo agora movido por grandes abalos. São os senadores amigos do Renan tentando desesperadamente dizer que trata-se de um santo homem, devoto e dedicado à família, injustiçado e probo. Serão tantos os corre-corres, que eles acabarão provocando grandes sismos no pacote.
Depois, silêncio total. Os especialistas se aproximarão com todo o cuidado e abrirão o grande pacote. E aí, encontrarão a enorme caixa-preta. E dirão: "What is it?" Pé ante pé, medo retesado à máxima tentão, irão abri-la. Pronto, a caixa-preta está aberta.
E então, quando descobrirem que estão vendo o Brasil em funcionamento, ficarão tão apavorados que dirão: "Dephressa, vamous mandhar devoulver pahra Porthugal..."
E mandam tudo para os patrícios. E, quando eles abrirem, em prantos cantarão fados tão tristes, e tão dolorosos versos seus, que banharão de dor tod'alma lusitana. E, em lágrimas lamentosas, dirão: "Meu Deus, meu Deus, o que foi que nós criamos?"
Abraços,
Emanoel Barreto
terça-feira, 31 de julho de 2007
Caminhando entre monstros
Caros Amigos,
Monstros nos olham
diariamente pela tela da TV.
Monstros nos falam todos os dias
nas coisas de jornal
e dizem como são bons e Justos.
Monstros assumem
quase diariamente
lugares os mais altos,
nos Poderes empoleirados.
Seus pedestais são feitos de ferro e dor,
concreto e restos
das vidas que tragaram.
Monstros nos olham
diariamente pela tela da TV.
Monstros se explicam
com sombras evidentes
e nos calam o direito de falar.
Monstros ditam leis injustas e prestam,
todos os dias,
culto ao deus dinheiro
e a seus anjos, o mercado e os bancos.
Monstros se dizem austeros,
dignos, circunspectos e respeitáveis.
Mas são apenas monstros;
que caminham rápidos na noite que
construíram e operam seus
sórdidos milagres de enriquecer sempre.
Emanoel Barreto
Monstros nos olham
diariamente pela tela da TV.
Monstros nos falam todos os dias
nas coisas de jornal
e dizem como são bons e Justos.
Monstros assumem
quase diariamente
lugares os mais altos,
nos Poderes empoleirados.
Seus pedestais são feitos de ferro e dor,
concreto e restos
das vidas que tragaram.
Monstros nos olham
diariamente pela tela da TV.
Monstros se explicam
com sombras evidentes
e nos calam o direito de falar.
Monstros ditam leis injustas e prestam,
todos os dias,
culto ao deus dinheiro
e a seus anjos, o mercado e os bancos.
Monstros se dizem austeros,
dignos, circunspectos e respeitáveis.
Mas são apenas monstros;
que caminham rápidos na noite que
construíram e operam seus
sórdidos milagres de enriquecer sempre.
Emanoel Barreto
segunda-feira, 30 de julho de 2007
Os montes das Vênus
No mapa da beleza,
a topografia feminina
exibe duas montanhas
que se mostram
como desafio ao alpinismo do olhar.
Encantadores montes de beleza,
eles estão sempre à frente, ternos e lindos.
Desafiam curiosidades,
estimulam elogios,
buscam refúgio muitas vezes
em minúsculos abrigos,
onde mais se mostram que se ocultam.
Dotados de volumes e formas variados,
eles não se podem esconder.
E seguem sempre,
montes das Vênus,
a encantar o imaginário,
como se fossem,
em meio ao mundo de tormentos, um sinal.
O sinal de que, um dia,
o amor se aninhará na mão que tiver,
da bela, permissão para ser mais atrevida
a topografia feminina
exibe duas montanhas
que se mostram
como desafio ao alpinismo do olhar.
Encantadores montes de beleza,
eles estão sempre à frente, ternos e lindos.
Desafiam curiosidades,
estimulam elogios,
buscam refúgio muitas vezes
em minúsculos abrigos,
onde mais se mostram que se ocultam.
Dotados de volumes e formas variados,
eles não se podem esconder.
E seguem sempre,
montes das Vênus,
a encantar o imaginário,
como se fossem,
em meio ao mundo de tormentos, um sinal.
O sinal de que, um dia,
o amor se aninhará na mão que tiver,
da bela, permissão para ser mais atrevida
sábado, 28 de julho de 2007
O quinteto precisa de bons empregos
Caros Amigos,
As coisas de jornal informam que o governo federal está desenvolvendo esforços no sentido de que a direção da Anac, a anarquizada Agência Nacional de Aviação Civil, peça demissão coletiva até a próxima terça-feira. O problema é que seus cinco diretores têm mandato e, portanto, não podem, a priori, ser demitidos: só a pedido.
Mas isso o Poder sabe como resolver muito bem. Nas refrigeradas e ocultas salas, o Poder sabe como resolver seus próprios meandros, exculpar-se de suas indecências e apresentar-se ante seu próprio espelho, dizendo a Narciso: eu sou o belo. Todos serão demitidos, como se pedido tivessem feito.
O problema, dizem as coisas de jornal, é que o Planalto quer uma "saída" honrosa para essas pessoas. Ou seja: cavilação política, enodoada de paternalismo viscoso.
Pos saída honrosa entenda-se também que é preciso arranjar novos empregos para os quatro diretores e uma diretora. Melhor dizendo: bons e bem remunerados empregos, seja na espera do poder público ou na iniciativa privada. Aí, valerão laços de influências, trocas de favores, promessas para o futuro. Quem sabe... quem sabe...
É lamentável essa prática de apadrinhamento aos ricos e bem possuídos, enquanto os pobres e despidos de tudo, os sem-nada, nada conseguem fazer quando os horrores da vida lhes alcançam os calcanhares.
É preciso acomodar o quinteto que de alguma forma deu colaboração para que o sistema aéreo brasileiro tenha chegado ao ponto de exaustão e descontrole em que se encontra.
É necessário um bom pouso aos aeronautas do descalebro. Enfim, é preciso garantir a indivíduos incompetentes e insensíveis, repouso e repasto. Afinal, eles promoveram uma baderna nos céus e precisam escapar da própria tempestade. Fique tranqüilo: terça-feira, todos estarão em novos empregos. Imagine-se o que não farão por lá...
Um bom fim de semana.
Um abraço.
Emanoel Barreto
As coisas de jornal informam que o governo federal está desenvolvendo esforços no sentido de que a direção da Anac, a anarquizada Agência Nacional de Aviação Civil, peça demissão coletiva até a próxima terça-feira. O problema é que seus cinco diretores têm mandato e, portanto, não podem, a priori, ser demitidos: só a pedido.
Mas isso o Poder sabe como resolver muito bem. Nas refrigeradas e ocultas salas, o Poder sabe como resolver seus próprios meandros, exculpar-se de suas indecências e apresentar-se ante seu próprio espelho, dizendo a Narciso: eu sou o belo. Todos serão demitidos, como se pedido tivessem feito.
O problema, dizem as coisas de jornal, é que o Planalto quer uma "saída" honrosa para essas pessoas. Ou seja: cavilação política, enodoada de paternalismo viscoso.
Pos saída honrosa entenda-se também que é preciso arranjar novos empregos para os quatro diretores e uma diretora. Melhor dizendo: bons e bem remunerados empregos, seja na espera do poder público ou na iniciativa privada. Aí, valerão laços de influências, trocas de favores, promessas para o futuro. Quem sabe... quem sabe...
É lamentável essa prática de apadrinhamento aos ricos e bem possuídos, enquanto os pobres e despidos de tudo, os sem-nada, nada conseguem fazer quando os horrores da vida lhes alcançam os calcanhares.
É preciso acomodar o quinteto que de alguma forma deu colaboração para que o sistema aéreo brasileiro tenha chegado ao ponto de exaustão e descontrole em que se encontra.
É necessário um bom pouso aos aeronautas do descalebro. Enfim, é preciso garantir a indivíduos incompetentes e insensíveis, repouso e repasto. Afinal, eles promoveram uma baderna nos céus e precisam escapar da própria tempestade. Fique tranqüilo: terça-feira, todos estarão em novos empregos. Imagine-se o que não farão por lá...
Um bom fim de semana.
Um abraço.
Emanoel Barreto
sexta-feira, 27 de julho de 2007
Caros Amigos,
Em sua vinda a Natal, hoje, o presidente Lula foi alvo de manifestações de um pequeno grupo. Chegou ao Estado para lançar o PAC e sua segurança conseguiu driblar os apupadores.
Com um discurso clássico para essas ocasiões, posando de democrata, a ministra Dilma Roussef disse que as pessoas deveriam ter tido acesso ao Centro de Convenções, onde Lula foi recepcionado pela governadora Wilma de Faria. Segundo afirmou, as pessoas deveriam expressar seu decontentamento com a situação nacional. Vide aeroporto de São Paulo.
Isso é coisa da democracia, garantiu.
Ainda de protestos, as coisas de jornal informam que Lula não comparecerá domingo ao Maracanã, a fim de dar por encerrados os Jogos do Pan. Precavido, requisitou para o ato o vice José Alencar, a fim de que cumpra o ritual de receber vaias.
Somos um país de pasmos, mas talvez mesmo um país de parvos, apavorados com o achincalhe, que calhou de historicamente se abater sobre nós, que nos debatemos sem ter porta aonde bater.
Um abraço,
Emanoel Barreto
Em sua vinda a Natal, hoje, o presidente Lula foi alvo de manifestações de um pequeno grupo. Chegou ao Estado para lançar o PAC e sua segurança conseguiu driblar os apupadores.
Com um discurso clássico para essas ocasiões, posando de democrata, a ministra Dilma Roussef disse que as pessoas deveriam ter tido acesso ao Centro de Convenções, onde Lula foi recepcionado pela governadora Wilma de Faria. Segundo afirmou, as pessoas deveriam expressar seu decontentamento com a situação nacional. Vide aeroporto de São Paulo.
Isso é coisa da democracia, garantiu.
Ainda de protestos, as coisas de jornal informam que Lula não comparecerá domingo ao Maracanã, a fim de dar por encerrados os Jogos do Pan. Precavido, requisitou para o ato o vice José Alencar, a fim de que cumpra o ritual de receber vaias.
Somos um país de pasmos, mas talvez mesmo um país de parvos, apavorados com o achincalhe, que calhou de historicamente se abater sobre nós, que nos debatemos sem ter porta aonde bater.
Um abraço,
Emanoel Barreto
quinta-feira, 26 de julho de 2007
Jobim ou Ícaro?
Caros Amigos
As coisas de jornal informam que o agora ministro da Defesa, Nelson Jobim, promete que o caos aéreo será controlado e que ele tem as condições de liderança e decisão pessoal - além de carta branca do presidente Lula - para pôr as coisas em ordem.
Espero que sim. Não digo que confio que sim. Apenas, espero que sim. Já são mais de dez meses de completa instabilidade e desarticulação no setor, que, dizem as coisas de jornal, tem também a presença da velha amiga dos criminosos do Poder, a corrupção, em obras da Infraero. Vejamos se o Ministro vai sanar isso também. Vejamos se vai sanar alguma coisa.
O Brasil tem um dado cultural aterrorizante, em termos de administração pública: a leniência com a incompetência e com os que delinqüem com os dinheiros do povo, uma espécie de aliança não formal, mas que funciona, de um governo para o outro. Crimes ficam encobertos e o governante e todos os seus sequazes voltaram, em alguma quadra da história, a compor um dado de Poder, em qualquer escalão.
Casos recentíssimos foram os do mensalão, quando, após algumas punições, como a do ministro José Dirceu, aos poucos, os poucos pudores do Congresso foram caindo e os demais acusados nada sofreram. Foi quando houve a imoral dança da corrupção da hoje ex-deputada Ângela Guadagnin, comemorando a escapada de um seu igual. Foi o epílogo da decência.
Vejamos se o Ministro porá ordem na casa. Ou, quem sabe, deveríamos chamar Dédalo e Ícaro. Talvez os heróicos personagens da mitologia grega possam, eles sim, poéticos e grandiosos, dar ao nosso povo alento e força para seguir voando em céu tão cinzento.
Abraços,
Emanoel Barreto
As coisas de jornal informam que o agora ministro da Defesa, Nelson Jobim, promete que o caos aéreo será controlado e que ele tem as condições de liderança e decisão pessoal - além de carta branca do presidente Lula - para pôr as coisas em ordem.
Espero que sim. Não digo que confio que sim. Apenas, espero que sim. Já são mais de dez meses de completa instabilidade e desarticulação no setor, que, dizem as coisas de jornal, tem também a presença da velha amiga dos criminosos do Poder, a corrupção, em obras da Infraero. Vejamos se o Ministro vai sanar isso também. Vejamos se vai sanar alguma coisa.
O Brasil tem um dado cultural aterrorizante, em termos de administração pública: a leniência com a incompetência e com os que delinqüem com os dinheiros do povo, uma espécie de aliança não formal, mas que funciona, de um governo para o outro. Crimes ficam encobertos e o governante e todos os seus sequazes voltaram, em alguma quadra da história, a compor um dado de Poder, em qualquer escalão.
Casos recentíssimos foram os do mensalão, quando, após algumas punições, como a do ministro José Dirceu, aos poucos, os poucos pudores do Congresso foram caindo e os demais acusados nada sofreram. Foi quando houve a imoral dança da corrupção da hoje ex-deputada Ângela Guadagnin, comemorando a escapada de um seu igual. Foi o epílogo da decência.
Vejamos se o Ministro porá ordem na casa. Ou, quem sabe, deveríamos chamar Dédalo e Ícaro. Talvez os heróicos personagens da mitologia grega possam, eles sim, poéticos e grandiosos, dar ao nosso povo alento e força para seguir voando em céu tão cinzento.
Abraços,
Emanoel Barreto
terça-feira, 24 de julho de 2007
História do Brasil - revista e atualizada (II)
Caros Amigos,
Há alguns dias publiquei recentes descobertas a respeito da História do Brasil. Agora, trago novas informações que pesquisadores, grandes estudiosos, filiados à escola da Sociologia do Cinismo, me enviaram em caráter exclusivo. Dizem os estudos:
Certa vez, em desespero após o caos aéreo, tanta gente morta em aviões, outros tantos mortos por bandidos e mais outros mortos pelo Congresso Nacional, cujos sequazes se apoderam de dinheiro público em proveito próprio, contribuindo assim para prejudicar programas de ação social e de saúde, o povo decidiu, assim, de uma hora para outra, que as coisas deveriam mudar: "Vamos fazer greve de nacionalidade. Vamos deixar de ser brasileiros. Vamos acabar com o Brasil. Não existe mais Brasil. Assim, não precisaremos mais pagar impostos, nem contas de água, luz e telefone, IPTU e imposto de renda. Melhor, como não somos mais brasileiros, não teremos mais a obrigação de ser assaltados pelos bandidos, nem os de rua, nem os da política."
A proposta, feita por não-sei-quem, foi aceita por aclamação. E começou a greve de povo. Da seguinte maneira: todos foram para suas casas, se fecharam, ficaram só vendo televisão. Quando a TV deixou de funcionar, porque os jornalistas e demais funcionários também foram para casa, as pessoas, calmamente, foram dormir. Quando acordavam, iam à geladeira, pegavam algo, comiam e assim ficavam em casa, sem o perigo de ser brasileiros. Nesse novo mundo, estranhamente, as geladeiras estavam sempre cheias, as despensas eram fartas e tudo ia muito bem.
Mas, então, o Congresso e os bandidos convencionais logo descobriram que não havia mais povo para ser explorado e assaltato, nem jovens para a venda de drogas. E, numa reunião secreta, o Congresso e os principais líderes do tráfico manifestaram sua perplexidade e todos disseram: "Isso é um absurdo! Como se pode admitir uma bandalheira dessas? Eu quero assaltar, não tenho a quem. E eu quero um mensalão e não tenho como arranjar." E concluíram: "Perdemos nossa fonte de renda. Perdemos o povo. Precisamos recapturar o povo e obrigá-lo a ser assaltado, a se viciar e a votar. Precisamos reinventar o Brasil. Queremos o Brasil-sil-sil!"
Os congressistas financiaram os bandidos e estes importaram armas de grosso calibre, munição especial e alto poder mortífero. Investigaram tudo e descobriram que as pessoas estavam em casa. E atacaram as casas com fogo nutrido. Em pânico homens, mulheres e crianças correram para o meio da rua e foram assaltados e muitos foram atraídos para as drogas.
O Congresso, imediatamente, deu início a um processo eleitoral, com grandes campanhas na TV, jornal e rádio, dizendo que o Brasil estava em perigo, os bandidos estavam nas ruas e era preciso fazer alguma coisa para salvar o Brasil.
Desesperadas, as pessoas diziam: "Mas, não existe mais Brasil, não era para isso estar acontecendo." Entretanto, as campanhas,a propaganda política, diziam: "Existe Brasil! Existe Brasil! Votem, para melhorar o Brasil! Vote em mim, que eu não sou ruim!"
E assim, em desespero, as multidões foram votar e elegeram os mesmos. E tudo continuou igual. Foi desta forma que o Brasil desapareceu e renasceu, os congressistas mantiveram as suas patranhas e os bandidos continuaram a assaltar o povo. Tudo voltou ao que era e quem vivia bem ficou muito bem.
Aguardem novas descobertas dos pesquisadores da Sociologia do Cinismo.
Abraços,
Emanoel Barreto
Há alguns dias publiquei recentes descobertas a respeito da História do Brasil. Agora, trago novas informações que pesquisadores, grandes estudiosos, filiados à escola da Sociologia do Cinismo, me enviaram em caráter exclusivo. Dizem os estudos:
Certa vez, em desespero após o caos aéreo, tanta gente morta em aviões, outros tantos mortos por bandidos e mais outros mortos pelo Congresso Nacional, cujos sequazes se apoderam de dinheiro público em proveito próprio, contribuindo assim para prejudicar programas de ação social e de saúde, o povo decidiu, assim, de uma hora para outra, que as coisas deveriam mudar: "Vamos fazer greve de nacionalidade. Vamos deixar de ser brasileiros. Vamos acabar com o Brasil. Não existe mais Brasil. Assim, não precisaremos mais pagar impostos, nem contas de água, luz e telefone, IPTU e imposto de renda. Melhor, como não somos mais brasileiros, não teremos mais a obrigação de ser assaltados pelos bandidos, nem os de rua, nem os da política."
A proposta, feita por não-sei-quem, foi aceita por aclamação. E começou a greve de povo. Da seguinte maneira: todos foram para suas casas, se fecharam, ficaram só vendo televisão. Quando a TV deixou de funcionar, porque os jornalistas e demais funcionários também foram para casa, as pessoas, calmamente, foram dormir. Quando acordavam, iam à geladeira, pegavam algo, comiam e assim ficavam em casa, sem o perigo de ser brasileiros. Nesse novo mundo, estranhamente, as geladeiras estavam sempre cheias, as despensas eram fartas e tudo ia muito bem.
Mas, então, o Congresso e os bandidos convencionais logo descobriram que não havia mais povo para ser explorado e assaltato, nem jovens para a venda de drogas. E, numa reunião secreta, o Congresso e os principais líderes do tráfico manifestaram sua perplexidade e todos disseram: "Isso é um absurdo! Como se pode admitir uma bandalheira dessas? Eu quero assaltar, não tenho a quem. E eu quero um mensalão e não tenho como arranjar." E concluíram: "Perdemos nossa fonte de renda. Perdemos o povo. Precisamos recapturar o povo e obrigá-lo a ser assaltado, a se viciar e a votar. Precisamos reinventar o Brasil. Queremos o Brasil-sil-sil!"
Os congressistas financiaram os bandidos e estes importaram armas de grosso calibre, munição especial e alto poder mortífero. Investigaram tudo e descobriram que as pessoas estavam em casa. E atacaram as casas com fogo nutrido. Em pânico homens, mulheres e crianças correram para o meio da rua e foram assaltados e muitos foram atraídos para as drogas.
O Congresso, imediatamente, deu início a um processo eleitoral, com grandes campanhas na TV, jornal e rádio, dizendo que o Brasil estava em perigo, os bandidos estavam nas ruas e era preciso fazer alguma coisa para salvar o Brasil.
Desesperadas, as pessoas diziam: "Mas, não existe mais Brasil, não era para isso estar acontecendo." Entretanto, as campanhas,a propaganda política, diziam: "Existe Brasil! Existe Brasil! Votem, para melhorar o Brasil! Vote em mim, que eu não sou ruim!"
E assim, em desespero, as multidões foram votar e elegeram os mesmos. E tudo continuou igual. Foi desta forma que o Brasil desapareceu e renasceu, os congressistas mantiveram as suas patranhas e os bandidos continuaram a assaltar o povo. Tudo voltou ao que era e quem vivia bem ficou muito bem.
Aguardem novas descobertas dos pesquisadores da Sociologia do Cinismo.
Abraços,
Emanoel Barreto
segunda-feira, 23 de julho de 2007
Segunda-feira num país confuso
Caros Amigos,
Sem comentários, leia este texto da Folha de S. Paulo, referente ao pronunciamento do presidente Lula, a respeito da tragédia com o avião da TAM.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, durante o programa de rádio "Café com o Presidente", que não existe hipótese alguma de a verdade sobre o acidente com o avião da TAM, na última terça-feira (17), em Congonhas (zona sul de São Paulo), não vir à tona.
"Eu só peço a compreensão, a compreensão do povo brasileiro para que não haja julgamento precipitado de quem quer que seja, que a gente espere, com prudência, a investigação para dizer o que aconteceu. Ou seja, não existe hipótese alguma da verdade não vir à tona. Se o problema foi da chuva, se o problema foi da pista, do avião, se o problema era do piloto. Tudo isso, eu peço a Deus que a gente tenha condições de obter o resultado na caixa-preta do avião para que a gente possa informar a opinião pública", disse.
Lula ainda mandou um recado para os parentes das vítimas da tragédia. "As pessoas têm o direito de estarem revoltadas, têm o direito de estarem querendo saber o que aconteceu. E essa é a obrigação do governo, fazer uma investigação séria para que a gente não acuse e nem absolva ninguém antes de a gente ter uma apuração correta, que ela vai sair com base nas investigações que a Aeronáutica está fazendo e sobretudo com o resultado do que tiver na caixa-preta do avião que neste momento está nos Estados Unidos sendo aberta para que a gente possa apurar. Eu queria pedir para as famílias apenas isso: força. Muita força, muita fé em Deus porque eu sei o que vocês estão passando e eu sei o sofrimento."
O presidente também falou sobre a necessidade de diminuir os vôos no aeroporto de Congonhas. "Nós vamos transformar o aeroporto de Congonhas, que vai cuidar do transporte São Paulo e Rio, quem sabe de Congonhas a Belo Horizonte, quem sabe Brasília. Mas é preciso diminuir os vôos, que não tenha mais conexões, que não tenha mais troca de passageiros ali em Congonhas e que a gente tente utilizar Viracopos, tente utilizar o aeroporto de Guarulhos. Também nós decidimos que em 90 dias o Conac [Conselho de Aviação Civil] vai apresentar para o governo uma proposta e um local da construção de um novo aeroporto em São Paulo."
"Por mais seguro que seja o aeroporto de Congonhas, ele foi cercado pela cidade. É só olhar de baixo ou de cima que a gente vai ver a quantidade de prédios e mais ainda, não faz muito tempo, tem prédios novos sendo inaugurados ali na linha que passa o avião perto do Jóquei Clube em São Paulo. Essas coisas, nós vamos fazer a parte que cabe ao governo federal, à Infraero, à Aeronáutica, ao Ministério da Defesa, vamos procurar um outro local, vamos tentar fazer um outro aeroporto para diminuir as possibilidades de uma nova tragédia", reiterou.
Agora, somente uma observação: você acredita?
Abraços,
Emanoel Barreto
Sem comentários, leia este texto da Folha de S. Paulo, referente ao pronunciamento do presidente Lula, a respeito da tragédia com o avião da TAM.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, durante o programa de rádio "Café com o Presidente", que não existe hipótese alguma de a verdade sobre o acidente com o avião da TAM, na última terça-feira (17), em Congonhas (zona sul de São Paulo), não vir à tona.
"Eu só peço a compreensão, a compreensão do povo brasileiro para que não haja julgamento precipitado de quem quer que seja, que a gente espere, com prudência, a investigação para dizer o que aconteceu. Ou seja, não existe hipótese alguma da verdade não vir à tona. Se o problema foi da chuva, se o problema foi da pista, do avião, se o problema era do piloto. Tudo isso, eu peço a Deus que a gente tenha condições de obter o resultado na caixa-preta do avião para que a gente possa informar a opinião pública", disse.
Lula ainda mandou um recado para os parentes das vítimas da tragédia. "As pessoas têm o direito de estarem revoltadas, têm o direito de estarem querendo saber o que aconteceu. E essa é a obrigação do governo, fazer uma investigação séria para que a gente não acuse e nem absolva ninguém antes de a gente ter uma apuração correta, que ela vai sair com base nas investigações que a Aeronáutica está fazendo e sobretudo com o resultado do que tiver na caixa-preta do avião que neste momento está nos Estados Unidos sendo aberta para que a gente possa apurar. Eu queria pedir para as famílias apenas isso: força. Muita força, muita fé em Deus porque eu sei o que vocês estão passando e eu sei o sofrimento."
O presidente também falou sobre a necessidade de diminuir os vôos no aeroporto de Congonhas. "Nós vamos transformar o aeroporto de Congonhas, que vai cuidar do transporte São Paulo e Rio, quem sabe de Congonhas a Belo Horizonte, quem sabe Brasília. Mas é preciso diminuir os vôos, que não tenha mais conexões, que não tenha mais troca de passageiros ali em Congonhas e que a gente tente utilizar Viracopos, tente utilizar o aeroporto de Guarulhos. Também nós decidimos que em 90 dias o Conac [Conselho de Aviação Civil] vai apresentar para o governo uma proposta e um local da construção de um novo aeroporto em São Paulo."
"Por mais seguro que seja o aeroporto de Congonhas, ele foi cercado pela cidade. É só olhar de baixo ou de cima que a gente vai ver a quantidade de prédios e mais ainda, não faz muito tempo, tem prédios novos sendo inaugurados ali na linha que passa o avião perto do Jóquei Clube em São Paulo. Essas coisas, nós vamos fazer a parte que cabe ao governo federal, à Infraero, à Aeronáutica, ao Ministério da Defesa, vamos procurar um outro local, vamos tentar fazer um outro aeroporto para diminuir as possibilidades de uma nova tragédia", reiterou.
Agora, somente uma observação: você acredita?
Abraços,
Emanoel Barreto
sábado, 21 de julho de 2007
Cora Coralina e um país de emoções despenteadas
Caros Amigos,
Hoje não vamos ver as coisas de jornal. O Brasil está tão triste, tão feio, apesar do Pan. O Brasil é hoje um país de emoções despenteadas, rotas, cara fechada para uma manhã de nada. Em lugar das coisas de jornal, trago Cora Coralina num poema reflexivo, intenso, um jorro de emoção que nos joga ao encontro da vida, suas perplexidades e danos.
Abraços, e um bom fim de semana.
Emanoel Barreto
O Passado...
Homens sem pressa, talvez cansados,
descem com leva madeirões pesados,
lavrados por escravos em rudes simetrias,
do tempo das acutas.
Inclemência.
Caem pedaços na calçada.
Passantes cautelosos
desviam-se com prudência.
Que importa a eles o sobrado?
Gente que passa indiferente,
olha de longe,
na dobra das esquinas,
as traves que despencam.
-Que vale para eles o sobrado?
Quem vê nas velhas sacadas
de ferro forjado as sombras debruçadas?
Quem é que está ouvindo o clamor,
o adeus, o chamado?...
Que importa a marca
dos retratos na parede?
Que importam as salas destelhadas,
e o pudor das alcovas devassadas...
Que importam?
E vão fugindo do sobrado,
aos poucos,
os quadros do Passado.
Cora Coralina
......................................
E agora, uma postagem do amigo, jornalista e poeta Walter Medeiros:
Segredos
O relance dos teus olhos
Nos meus olhos
Tem um brilho inesquecível,
Uma profundidade inexplicável,
Um sentimento acalantador.
Teus olhos deviam ter
Todo tempo do mundo
Para ficar numa expectativa.
Mas um segundo que seja,
Deixa a lembrança inapagável
E a esperança do reencontro
Nos meus olhos.
Olhos belos, que brilham
E transmitem a doçura
Do teu pensamento.
Que tem segredos,
Bens incomparáveis
Que um dia saberei,
Tenho esperança.
São eles (teus olhos)
Que quero ter
Para contemplar
Todos os dias.
Eles falam por teu coração
E são uma mostra da tua beleza.
Walter Medeiros
Hoje não vamos ver as coisas de jornal. O Brasil está tão triste, tão feio, apesar do Pan. O Brasil é hoje um país de emoções despenteadas, rotas, cara fechada para uma manhã de nada. Em lugar das coisas de jornal, trago Cora Coralina num poema reflexivo, intenso, um jorro de emoção que nos joga ao encontro da vida, suas perplexidades e danos.
Abraços, e um bom fim de semana.
Emanoel Barreto
O Passado...
Homens sem pressa, talvez cansados,
descem com leva madeirões pesados,
lavrados por escravos em rudes simetrias,
do tempo das acutas.
Inclemência.
Caem pedaços na calçada.
Passantes cautelosos
desviam-se com prudência.
Que importa a eles o sobrado?
Gente que passa indiferente,
olha de longe,
na dobra das esquinas,
as traves que despencam.
-Que vale para eles o sobrado?
Quem vê nas velhas sacadas
de ferro forjado as sombras debruçadas?
Quem é que está ouvindo o clamor,
o adeus, o chamado?...
Que importa a marca
dos retratos na parede?
Que importam as salas destelhadas,
e o pudor das alcovas devassadas...
Que importam?
E vão fugindo do sobrado,
aos poucos,
os quadros do Passado.
Cora Coralina
......................................
E agora, uma postagem do amigo, jornalista e poeta Walter Medeiros:
Segredos
O relance dos teus olhos
Nos meus olhos
Tem um brilho inesquecível,
Uma profundidade inexplicável,
Um sentimento acalantador.
Teus olhos deviam ter
Todo tempo do mundo
Para ficar numa expectativa.
Mas um segundo que seja,
Deixa a lembrança inapagável
E a esperança do reencontro
Nos meus olhos.
Olhos belos, que brilham
E transmitem a doçura
Do teu pensamento.
Que tem segredos,
Bens incomparáveis
Que um dia saberei,
Tenho esperança.
São eles (teus olhos)
Que quero ter
Para contemplar
Todos os dias.
Eles falam por teu coração
E são uma mostra da tua beleza.
Walter Medeiros
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Quando os ímpios comemoram
Caros Amigos,
As coisas de jornal estão dizendo - e mostrando no You Tube - a horrenda comemoração de dois assessores do presidente Lula, quando o Jornal Nacional aventou a possibilidade de a tragédia de São Paulo ter sido por falha mecânica do avião.
Uma câmera da Globo flagrou o assessor especial da presidência Marco Aurélio Garcia, fazendo gestos obscenos em comemoração ao anúncio, que, a seu ver, desculpabiliza o governo quando ao ocorrido. Sim, porque se o avião tinha problemas técnicos de frenagem ou o que seja, a questão da pista malfeita ficaria para segundo plano. Ponto para Lula!
A seu lado, o assessor de imprensa Bruno Gaspar também fazia movimentos obscenos com uma expressão corporal de fazer corar qualquer maníaco. A câmera da Globo estava ao longe e captou toda a imoralidade: a comemoração pelo escape do governo frente à opinião pública.
Depois, Garcia disse à Folha de S. Paulo: "Não aceito dizer que a gente comemorou. Foi um momento de extravasamento com a conclusão de que o acidente pode ter sido mais complexo do que em princípio chegaram a levantar. Foi uma reação de "poxa, tá vendo?'... Porque houve precipitação. Alguns setores tentaram atingir o governo politicamente e nos culpar. Agora está visto que não é bem assim."
Na verdade, quem procura politizar o tema é o próprio governo. Tanto, que seus usufrutuários comemoraram à larga, demonstrando toda a sua baixeza. Ou seja: vale qualquer coisa, mesmo tripudiar sobre a dor nacional, desde que as cadeiras reclináveis de Brasília fiquem a salvo de suas responsabilidades.
Os ímpios comemoraram.
Eles fazem sempre assim.
Emanoel Barreto
As coisas de jornal estão dizendo - e mostrando no You Tube - a horrenda comemoração de dois assessores do presidente Lula, quando o Jornal Nacional aventou a possibilidade de a tragédia de São Paulo ter sido por falha mecânica do avião.
Uma câmera da Globo flagrou o assessor especial da presidência Marco Aurélio Garcia, fazendo gestos obscenos em comemoração ao anúncio, que, a seu ver, desculpabiliza o governo quando ao ocorrido. Sim, porque se o avião tinha problemas técnicos de frenagem ou o que seja, a questão da pista malfeita ficaria para segundo plano. Ponto para Lula!
A seu lado, o assessor de imprensa Bruno Gaspar também fazia movimentos obscenos com uma expressão corporal de fazer corar qualquer maníaco. A câmera da Globo estava ao longe e captou toda a imoralidade: a comemoração pelo escape do governo frente à opinião pública.
Depois, Garcia disse à Folha de S. Paulo: "Não aceito dizer que a gente comemorou. Foi um momento de extravasamento com a conclusão de que o acidente pode ter sido mais complexo do que em princípio chegaram a levantar. Foi uma reação de "poxa, tá vendo?'... Porque houve precipitação. Alguns setores tentaram atingir o governo politicamente e nos culpar. Agora está visto que não é bem assim."
Na verdade, quem procura politizar o tema é o próprio governo. Tanto, que seus usufrutuários comemoraram à larga, demonstrando toda a sua baixeza. Ou seja: vale qualquer coisa, mesmo tripudiar sobre a dor nacional, desde que as cadeiras reclináveis de Brasília fiquem a salvo de suas responsabilidades.
Os ímpios comemoraram.
Eles fazem sempre assim.
Emanoel Barreto
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Os que caminham no nada
Caros Amigos,
Agora que as dores nascidas das chamas do avião de São Paulo começam a se acalmar, e a se transformar em saudade triste, aninhada no peito de quem perdeu amores, nasce em todas as vozes a revolta, a repulsa, o grito: onde estão os responsáveis?
A sociedade está em choque, o brasileiro está pasmo, perplexo com tanto horror. E tudo é culpa da incompetência gerencial, da imprevidência administrativa, da inapetência por um serviço ao público sério e bem feito.
Dizem as coisas de jornal que a pista de Congonhas é cheia de falhas, que não permitem a aderência perfeita dos pneus em dias de chuva. E que falta, ao final da pista, um sistema de frenagem que literalmente prende o avião ao solo em caso de emergência; pois essa parte, feita em concreto poroso, se racha, as rodas afundam, e isso detém a corrida da aeronave.
Agora, esteja certo - eu já estou - virão mil desculpas, inquéritos, declarações as mais escabrosas, acusações sempre rebatidas, e, tenho quase certeza, nada será feito. É parte da nossa cultura: acomodatícia, solerte, um meio tom de cinza, sempre a encobrir culpados e criminosos de toda espécie.
Se a pista tem falhas, como está sendo dito, não houve um acidente, mas homicídios culposos. Todas aquelas pessoas foram assassinadas pelo engenheiro ou engenheiros que projetaram-na imperfeita e pelos que a aprovaram como obra pronta. Mas ninguém será preso, nada se fará. Esteja certo - foi feito algo a respeito da construção do túnel, também em São Paulo, cujas paredes ruíram? Não. Nada aconteceu.
E depois, em meio à solidão escura dos que perderam amigos,esposas, maridos, filhos, gente a quem se queria bem, haverá silêncio grande a soluçar saudades e dizer baixinho que estar só é como caminhar no nada.
Emanoel Barreto
Agora que as dores nascidas das chamas do avião de São Paulo começam a se acalmar, e a se transformar em saudade triste, aninhada no peito de quem perdeu amores, nasce em todas as vozes a revolta, a repulsa, o grito: onde estão os responsáveis?
A sociedade está em choque, o brasileiro está pasmo, perplexo com tanto horror. E tudo é culpa da incompetência gerencial, da imprevidência administrativa, da inapetência por um serviço ao público sério e bem feito.
Dizem as coisas de jornal que a pista de Congonhas é cheia de falhas, que não permitem a aderência perfeita dos pneus em dias de chuva. E que falta, ao final da pista, um sistema de frenagem que literalmente prende o avião ao solo em caso de emergência; pois essa parte, feita em concreto poroso, se racha, as rodas afundam, e isso detém a corrida da aeronave.
Agora, esteja certo - eu já estou - virão mil desculpas, inquéritos, declarações as mais escabrosas, acusações sempre rebatidas, e, tenho quase certeza, nada será feito. É parte da nossa cultura: acomodatícia, solerte, um meio tom de cinza, sempre a encobrir culpados e criminosos de toda espécie.
Se a pista tem falhas, como está sendo dito, não houve um acidente, mas homicídios culposos. Todas aquelas pessoas foram assassinadas pelo engenheiro ou engenheiros que projetaram-na imperfeita e pelos que a aprovaram como obra pronta. Mas ninguém será preso, nada se fará. Esteja certo - foi feito algo a respeito da construção do túnel, também em São Paulo, cujas paredes ruíram? Não. Nada aconteceu.
E depois, em meio à solidão escura dos que perderam amigos,esposas, maridos, filhos, gente a quem se queria bem, haverá silêncio grande a soluçar saudades e dizer baixinho que estar só é como caminhar no nada.
Emanoel Barreto
quarta-feira, 18 de julho de 2007
O avião que explodiu em dores
Caros Amigos,
A tragédia de São Paulo mostra o quanto é insana e desvairada, gauche e imponderável essa louca vida, paradoxalmente breve e sutil maravilha, que em seu destino de vida se transforma em caos e pavor.
As coisas de jornal informam, já com mais detalhes, o horror de São Paulo, um horror que atingiu a todos nós, em cada recanto mais escondido destes brasis de asfalto e rincões perdidos em vastidões tão largas, tão largas que podem abraçar todas as eternidades.
Aquelas pessoas vinham em viagem tranqüila, esperando chegar. De repente, o destino, fado, sina ou acidente, como se queira, aparece e puxa as cortinas da tragédia, abrindo o palco amargo dos horrores a todos que estavam ali dentro.
E então o ser humano, em sua condição mais desesperadora, viu-se frente a frente com o espanto, o terror circulando nas veias, olhos olhando a morte amordaçando a vida.
Vida presa na fornalha daqueles instantes. O Brasil está perplexo com o pior acidente de avião de sua história. E o público das coisas de jornal tornou-se, de alguma forma, uma família. Todos nós, de alguma forma, perdemos alguém naquele avião que derrapou e explodiu em dores.
Emanoel Barreto
A tragédia de São Paulo mostra o quanto é insana e desvairada, gauche e imponderável essa louca vida, paradoxalmente breve e sutil maravilha, que em seu destino de vida se transforma em caos e pavor.
As coisas de jornal informam, já com mais detalhes, o horror de São Paulo, um horror que atingiu a todos nós, em cada recanto mais escondido destes brasis de asfalto e rincões perdidos em vastidões tão largas, tão largas que podem abraçar todas as eternidades.
Aquelas pessoas vinham em viagem tranqüila, esperando chegar. De repente, o destino, fado, sina ou acidente, como se queira, aparece e puxa as cortinas da tragédia, abrindo o palco amargo dos horrores a todos que estavam ali dentro.
E então o ser humano, em sua condição mais desesperadora, viu-se frente a frente com o espanto, o terror circulando nas veias, olhos olhando a morte amordaçando a vida.
Vida presa na fornalha daqueles instantes. O Brasil está perplexo com o pior acidente de avião de sua história. E o público das coisas de jornal tornou-se, de alguma forma, uma família. Todos nós, de alguma forma, perdemos alguém naquele avião que derrapou e explodiu em dores.
Emanoel Barreto
terça-feira, 17 de julho de 2007
É início de noite. E uma tragédia explode nossos medos
Caros Amigos,
É início de noite: pela TV, imagens ao vivo do avião que incendiou-se em São Paulo. A vida, e as tragédias do cotidiano, passam rápidas pela tela da TV. Imagino o horror, o pavor paralisando corações e mentes daqueles que estavam presos à terrível masmorra em que, de repente, o avião se transformou.
Imagino pessoas petrificadas de medo, os gritos, todos tentando de alguma forma escapar; a fumaça ácida penetrando os pulmões, corpos transidos de desespero, o calor brutal esmagando esperanças de salvação, casais buscando se ajudar, vidas com medo de morrer.
As coisas de jornal na internet dão informações incompletas, o que faz aumentar em mim um sentimendo de solidariedade, uma espécie de ânsia temerosa de que haja muitos mortos.
É início de noite. Daqui a pouco os telejornais devem espocar dados e números. E o ser humano que em mim me habita compreende que é pouco mais que um suspiro.
Um abraço.
Emanoel Barreto
É início de noite: pela TV, imagens ao vivo do avião que incendiou-se em São Paulo. A vida, e as tragédias do cotidiano, passam rápidas pela tela da TV. Imagino o horror, o pavor paralisando corações e mentes daqueles que estavam presos à terrível masmorra em que, de repente, o avião se transformou.
Imagino pessoas petrificadas de medo, os gritos, todos tentando de alguma forma escapar; a fumaça ácida penetrando os pulmões, corpos transidos de desespero, o calor brutal esmagando esperanças de salvação, casais buscando se ajudar, vidas com medo de morrer.
As coisas de jornal na internet dão informações incompletas, o que faz aumentar em mim um sentimendo de solidariedade, uma espécie de ânsia temerosa de que haja muitos mortos.
É início de noite. Daqui a pouco os telejornais devem espocar dados e números. E o ser humano que em mim me habita compreende que é pouco mais que um suspiro.
Um abraço.
Emanoel Barreto
domingo, 15 de julho de 2007
Memória do Comércio do Rio Grande do Norte
Caros Amigos,Será lançado hoje(16/07) no Portugal Center, às 18h, o livro Memória do Comércio do Rio Grande do Norte. É um trabalho de minha autoria, em parceria com a jornalista Auricéia Antunes de Lima, realizado sob o patrocínio da Federação do Comércio do Rio Grande do Norte. Abaixo, uma breve introdução da obra.
Aos leitores
Registrar a vida é como documentar uma aventura, a grande aventura do Homem sobre a face da Terra. Há algo de inesperado e belo, grandioso e fugaz, sofrido e vitorioso no dia-a-dia, mas nem sempre o percebemos. Ao assumir o compromisso da realização desta obra encarei o desafio de resgatar memórias, recordar emoções, palmilhar sentimentos e instantes de vidas cuja intensidade verteu-se no empreendedorismo e realizações com largos desdobramentos humanos, econômicos e sociais.
As entrevistas que me chegavam às mãos vinham plenas de um vigor que somente os depoimentos de vida, histórias no tempo, podem conter. Havia palpitação emotiva e força poética no declaratório de quem falava de si ou sobre o personagem biografado. E isso guiou o meu texto, permitindo-lhe vôos de verossimilhança, caminhos para a imaginação, descrição de momentos, intensidade de situações, imersão em instantes de humana força.
Foram seis meses de trabalho intenso, ao lado de uma jovem equipe. O instigante desafio partiu de Tertuliano Pinheiro, executivo de marketing da Federação Norte-rio-grandense do Comércio e idealizador deste projeto. Com ele, Rogério Almeida Freitas, também executivo da Fecomércio-RN, que sob a liderança e sensibilidade do presidente da instituição, Marcantoni Gadelha de Sousa, asseguraram todas as condições para a execução do empreendimento, um resgate urgente e oportuno da memória do comércio do Rio Grande do Norte.
Registrar a vida, sabendo que o registro passará a compor a própria vida, é sentir-se na situação de quem caminha: seus passos deixam rastros, que se aliam ao tempo e são acolhidos pela História.
Emanoel Barreto
BARRETO, Emanoel; LIMA, Auricéia A. de. Memória do Comércio - Rio Grande do Norte. Natal: RN Econômico, 2007
O Risco Brasil
Caros Amigos,
O capital internacioinal estabeleceu uma tabela pela qual calcula os riscos de investimento em países periféricos. É o chamado risco país. Quando mais um páís se inserir no perfil previsto pelos investidores, menor o seu risco. O inverso também é verdade.
Aqui, ele é denominado Risco Brasil. As coisas de jornal indicam que ele, o risco, aponta que são boas as perspectivas para quem queira trazer capital de fora para aqui investir.
Para mim, Risco Brasil é o seguinte: balas perdidas, ônibus incendiados, escolas que não funcionam, universidades sem dinheiro para completar seus quadros docentes, poderio do tráfico de drogas, instituições políticas decaídas, corrupção no governo e fora dele, má educação, seqüestos, crianças sem futuro, prostituição, trabalho escravo, cinismo dos políticos, poluição ambiental, destruição das florestas, má utilização de verbas públicas, falta de políticas públicas, desperdício de dinheiro com coisas como o Pan, o Nordeste ainda dependente da chuva para garantir safras, desemprego, cidades inundadas quando chove - por falta de planejamento urbano - miséria, pedintes nos sinais de trânsito, favelização crescente nas grandes áreas urbanas, políticos impunes, trânsito caótico, o lamentável "jeitinho" brasileiro, o baixíssimo nível de leitura de livros e jornais, o uso da internet para tolices, os crimes via informática, o desaparelhamento das polícias, hospitais públicos em péssimas condições, uma juventude inculta, tola e consumista, professores desmotivados e mal pagos, a mercantilização do ensino superior, uma programação de TV voltada para tornar estúpidas todas as pessoas, as agressões aos valores culturais, a falta de preservação do patrimônio imaterial, a leniência e paralisia das autoridades governamentais, o uso criminoso dos dinheiros públicos, a falta de memória da sociedade que elege e reelege indivíduos notoriamente criminosos, a necessidade quase patológica que o brasileiro tem de feriados e feriadões, a preguiça que domina os jovens, o vagabundo que ataca uma menina e lhe toma a bolsa, o traficante que lhe ameaça a família, o bandido que decepa vidas para comprar drogas, o empresário que arma esquemas para se apoderar de verbas, o lobista que fecha negócios com o dinheiro do povo, deputados, senadores e vereadores de mãos encardidas, um país inteiro vestido de trapos, fiapos e restos de uma moral perfurada.
Vou parar por aqui. Sinto uma espécie de tristeza cinza, um sentimento de saudade dos meus sonhos e uma vontade enorme de dizer: "Por quê?"
Emanoel Barreto
O capital internacioinal estabeleceu uma tabela pela qual calcula os riscos de investimento em países periféricos. É o chamado risco país. Quando mais um páís se inserir no perfil previsto pelos investidores, menor o seu risco. O inverso também é verdade.
Aqui, ele é denominado Risco Brasil. As coisas de jornal indicam que ele, o risco, aponta que são boas as perspectivas para quem queira trazer capital de fora para aqui investir.
Para mim, Risco Brasil é o seguinte: balas perdidas, ônibus incendiados, escolas que não funcionam, universidades sem dinheiro para completar seus quadros docentes, poderio do tráfico de drogas, instituições políticas decaídas, corrupção no governo e fora dele, má educação, seqüestos, crianças sem futuro, prostituição, trabalho escravo, cinismo dos políticos, poluição ambiental, destruição das florestas, má utilização de verbas públicas, falta de políticas públicas, desperdício de dinheiro com coisas como o Pan, o Nordeste ainda dependente da chuva para garantir safras, desemprego, cidades inundadas quando chove - por falta de planejamento urbano - miséria, pedintes nos sinais de trânsito, favelização crescente nas grandes áreas urbanas, políticos impunes, trânsito caótico, o lamentável "jeitinho" brasileiro, o baixíssimo nível de leitura de livros e jornais, o uso da internet para tolices, os crimes via informática, o desaparelhamento das polícias, hospitais públicos em péssimas condições, uma juventude inculta, tola e consumista, professores desmotivados e mal pagos, a mercantilização do ensino superior, uma programação de TV voltada para tornar estúpidas todas as pessoas, as agressões aos valores culturais, a falta de preservação do patrimônio imaterial, a leniência e paralisia das autoridades governamentais, o uso criminoso dos dinheiros públicos, a falta de memória da sociedade que elege e reelege indivíduos notoriamente criminosos, a necessidade quase patológica que o brasileiro tem de feriados e feriadões, a preguiça que domina os jovens, o vagabundo que ataca uma menina e lhe toma a bolsa, o traficante que lhe ameaça a família, o bandido que decepa vidas para comprar drogas, o empresário que arma esquemas para se apoderar de verbas, o lobista que fecha negócios com o dinheiro do povo, deputados, senadores e vereadores de mãos encardidas, um país inteiro vestido de trapos, fiapos e restos de uma moral perfurada.
Vou parar por aqui. Sinto uma espécie de tristeza cinza, um sentimento de saudade dos meus sonhos e uma vontade enorme de dizer: "Por quê?"
Emanoel Barreto
sábado, 14 de julho de 2007
Dai ao povo Pan e Rio
Caros Amigos,
As monumentais vaias que o povo destinou ontem ao presidente Lula, durante a grandiosa abertura do Pan, dão mostra de que, de alguma forma, difusa entre as gentes,há um sentimento de repúdio a tudo o que se passa no País (vide Renan Calheiros).
As coisas de jornal dizem que ele, tíbio ante as demonstrações populares, Lula recuou, temeroso de novas demonstrações de caloroso desdém por parte do povo. Sua imagem até chegou a ser mostrada na TV, diante de um microfone,prestes a dar por abertos os Jogos, mas logo depois ele sumiu, perdido entre cores, jogos de luzes e sombra que aproveitou como providencial abrigo para sentar-se e evitar novos apupos.
Mas brasileiro é assim mesmo: após demonstrar momescamente seu desencanto com a carnavalizada cena nacional, aproveita mesmo o momento de samba e imerge na realidade ficcional criada pelos que, pensando em dela se aproveitar, são vaiados. Ou por outra: levado a um simulacro de felicidade, o povo vaia quem programou a festa e se aproveita dessa mesma festa, como se cumprisse um fado eterno ou sina secular de ser feliz falsamente.
Mas afinal chegou o Pan e o povo tem circo. As coisas de jornal dizem que o custo final da farra de jogos será de 3 bilhões, 600 mil reais. Dinheiro pessimamente empregado.
As coisas, entretanto, estão feitas e é preciso cumprir o roteiro até o fim. O povo tem Pan e Rio. Que comecem os jogos.
Ave, Júpiter, dai-me a vitória.
Emanoel Barreto
As monumentais vaias que o povo destinou ontem ao presidente Lula, durante a grandiosa abertura do Pan, dão mostra de que, de alguma forma, difusa entre as gentes,há um sentimento de repúdio a tudo o que se passa no País (vide Renan Calheiros).
As coisas de jornal dizem que ele, tíbio ante as demonstrações populares, Lula recuou, temeroso de novas demonstrações de caloroso desdém por parte do povo. Sua imagem até chegou a ser mostrada na TV, diante de um microfone,prestes a dar por abertos os Jogos, mas logo depois ele sumiu, perdido entre cores, jogos de luzes e sombra que aproveitou como providencial abrigo para sentar-se e evitar novos apupos.
Mas brasileiro é assim mesmo: após demonstrar momescamente seu desencanto com a carnavalizada cena nacional, aproveita mesmo o momento de samba e imerge na realidade ficcional criada pelos que, pensando em dela se aproveitar, são vaiados. Ou por outra: levado a um simulacro de felicidade, o povo vaia quem programou a festa e se aproveita dessa mesma festa, como se cumprisse um fado eterno ou sina secular de ser feliz falsamente.
Mas afinal chegou o Pan e o povo tem circo. As coisas de jornal dizem que o custo final da farra de jogos será de 3 bilhões, 600 mil reais. Dinheiro pessimamente empregado.
As coisas, entretanto, estão feitas e é preciso cumprir o roteiro até o fim. O povo tem Pan e Rio. Que comecem os jogos.
Ave, Júpiter, dai-me a vitória.
Emanoel Barreto
quarta-feira, 11 de julho de 2007
Quer um mundo mais feliz? Compre, consuma
A TV está veiculando um comercial do Fox, apresentado como um carro compacto, versátil, que estaciona em qualquer lugar e com isso facilita a vida das pessoas. Só que o texto do publicitário que redigiu a peça é um primor de desfaçatez, cinismo e simplificação indigente da vida e dos processos sociais.
Ele garante que, você comprando um Fox, ficará mais alegre, seu vizinho vai imitá-lo, ficará também mais feliz e essa corrente de bem-estar se espalhará de uma tal forma que chegará aos mais altos dirigentes do mundo. Estes entrarão em diálogo fraternal e,resultado: como o Fox também polui menos, teremos afinal um mundo feliz, sem poluição e cheio de pessoas sorridentes e bem-intencionadas.
Ou seja, Fox:o paraíso chegou. Ou seja: compre, consuma, que com o seu dinheiro haverá fartura de boa vontade e todos se tornarão pessoas melhores e cooperativas.
Se a idéia foi produzir um comercial bonitinho, entremeado de uma brincadeira, uma licença poética sobre uma marca de carro, o publicitário terminou, no seu sub-texto, por passar uma idéia de como vê o mundo: é preciso vender de qualquer maneira, mesmo que se utilizando de um recurso estilístico que, a propósito de ser vivaz, é na verdade grotesco e desumano.
Brinca com coisa séria e zomba do terrível mundo que temos aí.
Emanoel Barreto
Ele garante que, você comprando um Fox, ficará mais alegre, seu vizinho vai imitá-lo, ficará também mais feliz e essa corrente de bem-estar se espalhará de uma tal forma que chegará aos mais altos dirigentes do mundo. Estes entrarão em diálogo fraternal e,resultado: como o Fox também polui menos, teremos afinal um mundo feliz, sem poluição e cheio de pessoas sorridentes e bem-intencionadas.
Ou seja, Fox:o paraíso chegou. Ou seja: compre, consuma, que com o seu dinheiro haverá fartura de boa vontade e todos se tornarão pessoas melhores e cooperativas.
Se a idéia foi produzir um comercial bonitinho, entremeado de uma brincadeira, uma licença poética sobre uma marca de carro, o publicitário terminou, no seu sub-texto, por passar uma idéia de como vê o mundo: é preciso vender de qualquer maneira, mesmo que se utilizando de um recurso estilístico que, a propósito de ser vivaz, é na verdade grotesco e desumano.
Brinca com coisa séria e zomba do terrível mundo que temos aí.
Emanoel Barreto
terça-feira, 10 de julho de 2007
Polícia do Rio entra no samba do Pan
Caros Amigos,
A polícia civil do Rio está em greve, a quatro dias do Pan. Isso é bem Brasil. Numa cidade conflagrada por problemas sociais intensos, cercada por bandidos e invadida por uma alegria insana com os tais Jogos - que o País não teria, na prática, condições de estar bancando - os policiais negam-se a trabalhar.
Têm certamente, por objetivo, ampliar, com sua omissão, o poder de ação dos bandidos e com isso atrair alguma manifestação criminosa, para poder repercutir na imprensa. E então porão no Estado a culpa pela sua paralisação. E então poderão dizer: "Estão vendo? Eu bem que avisei..."
É a cultura da ausência da autoridade, quando mais se precisa dela. O problema é que, aqui, as autoridades, os serviços públicos já são tão ausentes, que, na prática, deles não se sente falta.
Revela-se também a quebra dos padrões normativos que devem dirigir o aparelho estatal em todos os seus segmentos, sabedores os policiais que, após o movimento, não terão punição alguma.
No mais, é samba e grito de gol e anúncios de medalhas para os "nossos meninos e meninas". Como se isso fosse fazer diferença na vida das pessoas. Mas, o pior, o pior mesmo é o seguinte: todo o rebanho seguirá as ordens da festa e vai comemorar medalhas e outros mimos ganhos pelos atletas.
No morro, enquanto isso, mais um menino estará aderindo ao tráfico, e, num hospital qualquer, uma mãe vai implorar inutilmente para que atendam a seu filho que está doente há mais de quatro dias.
Bem Brasil.
Emanoel Barreto
A polícia civil do Rio está em greve, a quatro dias do Pan. Isso é bem Brasil. Numa cidade conflagrada por problemas sociais intensos, cercada por bandidos e invadida por uma alegria insana com os tais Jogos - que o País não teria, na prática, condições de estar bancando - os policiais negam-se a trabalhar.
Têm certamente, por objetivo, ampliar, com sua omissão, o poder de ação dos bandidos e com isso atrair alguma manifestação criminosa, para poder repercutir na imprensa. E então porão no Estado a culpa pela sua paralisação. E então poderão dizer: "Estão vendo? Eu bem que avisei..."
É a cultura da ausência da autoridade, quando mais se precisa dela. O problema é que, aqui, as autoridades, os serviços públicos já são tão ausentes, que, na prática, deles não se sente falta.
Revela-se também a quebra dos padrões normativos que devem dirigir o aparelho estatal em todos os seus segmentos, sabedores os policiais que, após o movimento, não terão punição alguma.
No mais, é samba e grito de gol e anúncios de medalhas para os "nossos meninos e meninas". Como se isso fosse fazer diferença na vida das pessoas. Mas, o pior, o pior mesmo é o seguinte: todo o rebanho seguirá as ordens da festa e vai comemorar medalhas e outros mimos ganhos pelos atletas.
No morro, enquanto isso, mais um menino estará aderindo ao tráfico, e, num hospital qualquer, uma mãe vai implorar inutilmente para que atendam a seu filho que está doente há mais de quatro dias.
Bem Brasil.
Emanoel Barreto
segunda-feira, 9 de julho de 2007
Casa de tolerância
Caros Amigos,
A semana começa com novas denúncias contra o senador Renan Calheiros. Agora, segundo a Veja, descobrindo-se que está envolvido em tenebrosas transações com a Schincariol. Muito dinheiro de origem viscosa, facilitação de cancelamento de dívidas da Schin junto ao INSS e venda de uma fábrica de refrigerante, de propriedade de Renan, à cervejaria, em troca do favorzinho junto Instituto.
O senado brasileiro precisa dar um basta a essa situação. A Casa está se mostrando não como um senado, mas como um antro, uma casa de licenças, um ambiente de tolerância, licenciosa e espúria. Mas, até o momento, o que se vê são algumas vozes de erguendo, para pedir que Calheiros ao menos de licencie do cargo, enquanto as investigações se aprofundam.
Ele mantém-se irredutivel. A sociedade civil, por seus meios organizados, não se manifesta. A nação pode estar atenta, mas não está em alerta e não se alevanta e protesto e indignação. Somos um povo deitado.
Acho que, afinal, chegamos ao tempo previsto por Rui Barbosa, em que os poderes estão nas mãos dos maus e os homens têm vergonha de ser honestos.
Emanoel Barreto
A semana começa com novas denúncias contra o senador Renan Calheiros. Agora, segundo a Veja, descobrindo-se que está envolvido em tenebrosas transações com a Schincariol. Muito dinheiro de origem viscosa, facilitação de cancelamento de dívidas da Schin junto ao INSS e venda de uma fábrica de refrigerante, de propriedade de Renan, à cervejaria, em troca do favorzinho junto Instituto.
O senado brasileiro precisa dar um basta a essa situação. A Casa está se mostrando não como um senado, mas como um antro, uma casa de licenças, um ambiente de tolerância, licenciosa e espúria. Mas, até o momento, o que se vê são algumas vozes de erguendo, para pedir que Calheiros ao menos de licencie do cargo, enquanto as investigações se aprofundam.
Ele mantém-se irredutivel. A sociedade civil, por seus meios organizados, não se manifesta. A nação pode estar atenta, mas não está em alerta e não se alevanta e protesto e indignação. Somos um povo deitado.
Acho que, afinal, chegamos ao tempo previsto por Rui Barbosa, em que os poderes estão nas mãos dos maus e os homens têm vergonha de ser honestos.
Emanoel Barreto
sexta-feira, 6 de julho de 2007
Coisas de jornal
Caros Amigos,
Coisas de jornal são fatos, são atos,
gritantes, hostis.
São coisas tão tristes,
às vezes alegres, mas são
sempre coisas, coisas de jornal.
Coisas de jornal são tantas,
tão tolas, tão grandes, febris.
São fomes, são gestos,
são medos sem fim.
Coisas de jornal
são protestos nas ruas,
são balas que rasgam,
são vítimas sem paz.
São meninos magros,
meninas em risco,
homens sem emprego,
mulheres, parir.
Coisas de jornal
são coisas da vida,
são coisas da morte,
são egos inflados,
gorduchos de si.
Coisas de jornal
são letras que falam.
Manchetes lampejam
chamando o leitor.
Depois você lê.
Depois joga fora.
Jornal vai às ruas,
grudado de vida.
Vida vira tinta,
lembrança em papel.
Coisas de jornal,
tragédias diárias.
Estranhos momentos,
todos somos sós.
Emanoel Barreto
Coisas de jornal são fatos, são atos,
gritantes, hostis.
São coisas tão tristes,
às vezes alegres, mas são
sempre coisas, coisas de jornal.
Coisas de jornal são tantas,
tão tolas, tão grandes, febris.
São fomes, são gestos,
são medos sem fim.
Coisas de jornal
são protestos nas ruas,
são balas que rasgam,
são vítimas sem paz.
São meninos magros,
meninas em risco,
homens sem emprego,
mulheres, parir.
Coisas de jornal
são coisas da vida,
são coisas da morte,
são egos inflados,
gorduchos de si.
Coisas de jornal
são letras que falam.
Manchetes lampejam
chamando o leitor.
Depois você lê.
Depois joga fora.
Jornal vai às ruas,
grudado de vida.
Vida vira tinta,
lembrança em papel.
Coisas de jornal,
tragédias diárias.
Estranhos momentos,
todos somos sós.
Emanoel Barreto
quinta-feira, 5 de julho de 2007
O Brasil, bem... que pena...
Caros Amigos,
Olhar a realidade brasileira é como pôr óculos escuros, quando já se está em plena escuridão. É como caminhar entre monstros, passear entre feras, equilibrar-se em corda que se vai partir.
O senado está coalhado de corruptos intensos, imorais convictos, profissionais do escuso. Enquanto o presidente Renan Calheiros se expõe com cinismo universal e se alega inocente, outro senador, Joaquim Roriz, cai em meio a um abismo de moral viscosa. Seu suplente está sob suspeita de corrupção e o segundo suplente pode não assumir, para que haja nova eleição ao senado e Roriz possa de candidatar.
Trata-se, na verdade de uma solerte usurpação do sentido do voto e da cidadania.
No Rio, os bandidos estão firmes, apesar de acossados pela polícia e pela Força Nacional de Segurança - e não há indícios de que venham a ficar sob controle.
Em meio a tudo isso, o País gasta milhões com os Jogos Pan-americanos, crianças não têm boa escola, muitos não têm o que comer. Que pena.
Não quero fazer uma ladainha de mazelas, tristezas coletivas, pessimismo em tempos de cólera. Apenas lamento os lamentos; a pobreza conformada; a dor tão grande e tão distribuída; o olhar cabisbaixo; o estranhamento a uma realidade tão pavorosamente larga em incertezas, e prelúdio de mais males.
Emanoel Barreto
Olhar a realidade brasileira é como pôr óculos escuros, quando já se está em plena escuridão. É como caminhar entre monstros, passear entre feras, equilibrar-se em corda que se vai partir.
O senado está coalhado de corruptos intensos, imorais convictos, profissionais do escuso. Enquanto o presidente Renan Calheiros se expõe com cinismo universal e se alega inocente, outro senador, Joaquim Roriz, cai em meio a um abismo de moral viscosa. Seu suplente está sob suspeita de corrupção e o segundo suplente pode não assumir, para que haja nova eleição ao senado e Roriz possa de candidatar.
Trata-se, na verdade de uma solerte usurpação do sentido do voto e da cidadania.
No Rio, os bandidos estão firmes, apesar de acossados pela polícia e pela Força Nacional de Segurança - e não há indícios de que venham a ficar sob controle.
Em meio a tudo isso, o País gasta milhões com os Jogos Pan-americanos, crianças não têm boa escola, muitos não têm o que comer. Que pena.
Não quero fazer uma ladainha de mazelas, tristezas coletivas, pessimismo em tempos de cólera. Apenas lamento os lamentos; a pobreza conformada; a dor tão grande e tão distribuída; o olhar cabisbaixo; o estranhamento a uma realidade tão pavorosamente larga em incertezas, e prelúdio de mais males.
Emanoel Barreto
quarta-feira, 4 de julho de 2007
Até quando? Até quando? Até quando?
Arrasta-se no senado uma luta intensa e surda, com golpes e contragolpes, pressões se empurrando no recinto estreito da insalubridade moral. O presidente da Casa, Renan Calheiros, insiste em permanecer no cargo, a despeito da fartura de provas de que mantinha concubinato ético e financeiro com lobistas, relação da qual retirava as trinta moedas com as quais sustentava uma filha tida fora do casamento.
Senadores, ontem, fizeram apelo ao seu bom senso, a fim de que renunciasse, para que a instituição seja poupada dos apupos e do achincalhe a que se acha exposta aos olhos da nação.
Ele reagiu. Como que prevendo a chuva de palavras de advertência, todas feitas em com cerimonioso e polido ele, sentado à cadeira presidencial, refutou a todos os argumentos com um discurso previamente redigido, eivado de um cinismo que beirava o deboche. Disse que estava sob a proteção de sua inocência e assim não se afastaria do cargo.
A honradez é o desmancha-prazeres dos desordeiros morais. Renan demonstra uma incrível capacidade de resistir, em meio ao fragor de tempestade que instaurou-se por sua própria culpa.
Até quando a sociedade brasileira, em seus costumes, sua cultura e sua visão de mundo, enquanto ser coletivo, continuará a produzir seres como esse senador?
Senadores, ontem, fizeram apelo ao seu bom senso, a fim de que renunciasse, para que a instituição seja poupada dos apupos e do achincalhe a que se acha exposta aos olhos da nação.
Ele reagiu. Como que prevendo a chuva de palavras de advertência, todas feitas em com cerimonioso e polido ele, sentado à cadeira presidencial, refutou a todos os argumentos com um discurso previamente redigido, eivado de um cinismo que beirava o deboche. Disse que estava sob a proteção de sua inocência e assim não se afastaria do cargo.
A honradez é o desmancha-prazeres dos desordeiros morais. Renan demonstra uma incrível capacidade de resistir, em meio ao fragor de tempestade que instaurou-se por sua própria culpa.
Até quando a sociedade brasileira, em seus costumes, sua cultura e sua visão de mundo, enquanto ser coletivo, continuará a produzir seres como esse senador?
terça-feira, 3 de julho de 2007
Uma estranha reunião
Os jornais contam que está prevista para hoje às 10h, reunião do Conselho de Ética a fim de decidir se o processo contra o presidente da Casa, Renan Calheiros,será arquivado. Esperemos para comentar.
Emanoel Barreto
Emanoel Barreto
segunda-feira, 2 de julho de 2007
A conversa do louco
Assisti há alguns dias a um inesperado, incrível e magnífico diálogo entre um louco e o seu imaginário mundo paralelo. Alguém, um personagem vivo apenas em sua imaginação, levava aquele homem a uma conversa que a nós, normais, soaria estranha, desviada, gauche.
Sentado a um batente, vestindo apenas bermudas, ele gesticulava, falava, dizia coisas. Parava uns instantes e parecia estar ouvindo respostas ou contradições àquilo que dizia. Em seguida, retomava e continuava a falar. Tão calmo, tão sereno...
Marcou-me fortemente sua expressão facial. O semblante era de quem aconselhava, censurava mansamente a alguém que precisava ser advertido, alertado das coisas e dos perigos da vida. A gestualidade das mãos complementava a postura do rosto. Eram movimentos lentos, como se em cada passo desse balé das mãos houvesse sempre um abraço, a proteção a um filho pródigo que acabara de chegar, fora recebido e agora era aconselhado.
O olhar tinha algo de sinceridade. Sim, ele estava realmente falando com alguém, alguém que habita a sua vida e certamente com ele confabula dramas e problemas do seu cotidiano enviesado.
Segui adiante e o louco ficou. E fiquei imaginando que conselhos ele daria a nós, sãos, para tentarmos entender, em nossas vidas, tanta insanidade, mistérios hediondos, maldades insanáveis.
Sentado a um batente, vestindo apenas bermudas, ele gesticulava, falava, dizia coisas. Parava uns instantes e parecia estar ouvindo respostas ou contradições àquilo que dizia. Em seguida, retomava e continuava a falar. Tão calmo, tão sereno...
Marcou-me fortemente sua expressão facial. O semblante era de quem aconselhava, censurava mansamente a alguém que precisava ser advertido, alertado das coisas e dos perigos da vida. A gestualidade das mãos complementava a postura do rosto. Eram movimentos lentos, como se em cada passo desse balé das mãos houvesse sempre um abraço, a proteção a um filho pródigo que acabara de chegar, fora recebido e agora era aconselhado.
O olhar tinha algo de sinceridade. Sim, ele estava realmente falando com alguém, alguém que habita a sua vida e certamente com ele confabula dramas e problemas do seu cotidiano enviesado.
Segui adiante e o louco ficou. E fiquei imaginando que conselhos ele daria a nós, sãos, para tentarmos entender, em nossas vidas, tanta insanidade, mistérios hediondos, maldades insanáveis.
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