Veja o que stá publicando o Estadão on line: Segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), a gasolina no Brasil está 36% mais cara que nos Estados Unidos. No caso do diesel, o preço interno está 19% mais alto que as cotações internacionais.
A espoliação é mais fácil aqui
Quem determina os preços de gasolina e diesel no País é a Petrobras. Entre estupefato e indignado questiono: por que a estatal mantém esse garroteamento do consumidor nacional, cujas condições financeiras são sabidamente inferiores às do consumidor americano? Por que a Petrobras não adota uma política de preços preferenciais ao mercado interno, favorecendo, numa cadeia virtuosa, toda a economia? Com gasolina e diesel mais baixos, e não é preciso ser clarividente para perceber isso, todos os demais preços sofrerão, de alguma forma, pressão para menos.
Talvez seja porque não sou economista, talvez seja porque sou povo, talvez seja porque não sou funcionário da Petrobras, talvez seja porque sou um tolo, mas acho que a Petrobras não sabe o que é Brasil. Ela é uma estatal cicunstancialmente brasileira, ou seja, apenas uma organização com sede no País, mas com essência e pensamento coletivo interno de multinacional.
Além do mais, é preciso manter os mastodônticos privilégios de seus mega-executivos e funciónários, seus altíssimos salários e vantagens, tudo isso fortalecido por um profundo e histórico corporativismo. E como o povo brasileiro é mais fácil de ser espoliado que o povo americano, a quem mais a Petrobras iria pensar em espoliar?
Não é preciso ser gênio para concluir,in english, please: The brazilian people, of course...
"Não é justo alguém ter o direito de ter uma empresa de aviação e outro não ter o direito de comer um pão." /////// JAMAIS IDE A UM LUGAR GRANDE DEMAIS. A UM LUGAR AONDE NÃO TENHAIS CORAGEM DA IMENSIDÃO - EMANOEL BARRETO - NATAL/RN
sexta-feira, 12 de janeiro de 2007
quarta-feira, 10 de janeiro de 2007
Agora estão se penitenciando da morte de Saddam
BAGDÁ - As autoridades iraquianas entregaram à Justiça um homem acusado de ter participado das humilhações verbais contra Saddam Hussein, instantes antes do enforcamento do ex-ditador, informou um funcionário nesta terça-feira.
Ali Al Dabbagh, porta-voz do governo iraquiano, disse que a investigação oficial concluiu que os incidentes ocorridos durante a execução em 30 de dezembro, e registrados clandestinamente em vídeo, deveriam ser atribuídos a um "comportamento individual".
Também na terça-feira, apareceu na internet um novo vídeo clandestino sobre a execução. Nesse, Saddam aparece numa maca hospitalar, com uma profunda ferida no pescoço.
A transcrição é do Estadão on line. O comentário é curto: trata-se de uma farsa ou de uma demonstração de demência política? Afinal de contas, justiçar uma pessoa na forca já é um processo de grande humilhação. Os Estados Unidos invadiram o Iraque a título de encontrar armas químicas, que não existiam. Agora, simulando alguma dignidade, o que lá se chama de "autoridade" tenta impingir ao mundo seriedade e respeitabilidade, quando são apenas títeres do governo americano. Não há dignidade naquilo que é monstruoso. Não havia em Saddam, como não há em seus sucedâneos políticos.
Ali Al Dabbagh, porta-voz do governo iraquiano, disse que a investigação oficial concluiu que os incidentes ocorridos durante a execução em 30 de dezembro, e registrados clandestinamente em vídeo, deveriam ser atribuídos a um "comportamento individual".
Também na terça-feira, apareceu na internet um novo vídeo clandestino sobre a execução. Nesse, Saddam aparece numa maca hospitalar, com uma profunda ferida no pescoço.
A transcrição é do Estadão on line. O comentário é curto: trata-se de uma farsa ou de uma demonstração de demência política? Afinal de contas, justiçar uma pessoa na forca já é um processo de grande humilhação. Os Estados Unidos invadiram o Iraque a título de encontrar armas químicas, que não existiam. Agora, simulando alguma dignidade, o que lá se chama de "autoridade" tenta impingir ao mundo seriedade e respeitabilidade, quando são apenas títeres do governo americano. Não há dignidade naquilo que é monstruoso. Não havia em Saddam, como não há em seus sucedâneos políticos.
terça-feira, 9 de janeiro de 2007
Cuidando dos negócios do meu Pai
O Globo on line informa que o auto-intitulado apóstolo Estevan Hernandes e sua mulher, que se diz bispa, Sônia Hadad Moraes Hernandes, foram capturados pelo FBI quando tentavam desembarcar no aeroporto de Miami com 56 mil dólares. Haviam declarado apenas 15 mil.
Ambos dirigem um grande empório religioso, de nome Igreja Renascer em Cristo, que tem como grande fonte de renda dinheiro doado por segidores da seita. São acusados de falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e estelionato.
Esses cultos evangélicos que proliferam no Brasil, baseados em grandes ações de marketing que tem na mídia televisiva seu veículo preferencial, tornou-se um fenômeno empresarial de grande sucesso. E está levando à roda da fortuna pessoas que têm facilidade de se expressar, demonstram um relativo conhecimento da Bíblia e não se importam em se anunciar como agenciadores de milagres.
A exploração da boa-fé de milhares de pessoas simples, pessoas que vivem acossadas por problemas que vão do desemprego a doenças, desavença de casais a falência de pequenos negócios, tem gerado o surgimento e sustentação dessas Igrejas.
Num mundo onde o homem perdeu a fé em seu semelhante e se sente explorado, a necessidade de receber um auxílio do Alto o transforma em presa fácil desses comerciantes da crença. A religião tornou-se um negócio de milhões de dólares.
E, ao que parece, esses pastores e pastoras estão levando muito ao pé-da-letra aquela pessagem bíblica em que Jesus, após haver se perdido dos pais, que o procuravam quase em desespero, é encontrado no templo discutindo com os doutores da lei. Quando a mãe o interroga por que havia desaparecido, ele responde: "Estava cuidando dos negócios do meu Pai."
Ambos dirigem um grande empório religioso, de nome Igreja Renascer em Cristo, que tem como grande fonte de renda dinheiro doado por segidores da seita. São acusados de falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e estelionato.
Esses cultos evangélicos que proliferam no Brasil, baseados em grandes ações de marketing que tem na mídia televisiva seu veículo preferencial, tornou-se um fenômeno empresarial de grande sucesso. E está levando à roda da fortuna pessoas que têm facilidade de se expressar, demonstram um relativo conhecimento da Bíblia e não se importam em se anunciar como agenciadores de milagres.
A exploração da boa-fé de milhares de pessoas simples, pessoas que vivem acossadas por problemas que vão do desemprego a doenças, desavença de casais a falência de pequenos negócios, tem gerado o surgimento e sustentação dessas Igrejas.
Num mundo onde o homem perdeu a fé em seu semelhante e se sente explorado, a necessidade de receber um auxílio do Alto o transforma em presa fácil desses comerciantes da crença. A religião tornou-se um negócio de milhões de dólares.
E, ao que parece, esses pastores e pastoras estão levando muito ao pé-da-letra aquela pessagem bíblica em que Jesus, após haver se perdido dos pais, que o procuravam quase em desespero, é encontrado no templo discutindo com os doutores da lei. Quando a mãe o interroga por que havia desaparecido, ele responde: "Estava cuidando dos negócios do meu Pai."
segunda-feira, 8 de janeiro de 2007
A sofisticação da babárie: desejo de matar
George W. Bush está sentindo desejo de matar. É o que noticiam os jornais. Igual a Charles Bronson em sua série de filmes, quando um personagem obcecado munia-se de armas de grosso calibre, munição especial e alto poder mortífero, e assim abastecido eliminava inimigos, o estranho indivíduo acha que as armas atômicas do seu país estão obsoletas e quer mais: quer reunir dois projetos de uma poderosa arma nuclear em um só e produzir um ciclópico artefato cujo custo está orçado em mais de cem bilhões de dólares.
Ao mesmo tempo, quer impedir que seus assemelhados coreanos reforcem o arsenal nuclear: eles não merecem confiança e assim não podem deter o controle sobre matrial de tão alta periculosidade. Somente os americanos, claro, devem ter bombas, pois são dotados de sapiência e serenidade suficientes para saber quando devem usá-las. Tanto, que esperaram muito, tiveram uma paciêicia imensa, até atirar as bombas "Little Joe", sobre Hiroxima, e "Fat Man", em Nagasáqui. A alegação foi a seguinte: uma espécie de uso humanitário, para impedir que a guerra continuasse e houvesse mais mortes. É a lógica do exterminador.
Bush está argumentando com o congresso dos Estados Unidos para que a fabulosa verba seja destinava à fabricação da bomba. A violência está crescendo em função de homens como Bush. E a insanidade se torna padrão para a caótica ordem estabelecida. A barbárie está bastante sofisticada e o desejo de matar cresce e cada instante. Na África, crianças estendem a mão, pedindo um prato de comida.
Ao mesmo tempo, quer impedir que seus assemelhados coreanos reforcem o arsenal nuclear: eles não merecem confiança e assim não podem deter o controle sobre matrial de tão alta periculosidade. Somente os americanos, claro, devem ter bombas, pois são dotados de sapiência e serenidade suficientes para saber quando devem usá-las. Tanto, que esperaram muito, tiveram uma paciêicia imensa, até atirar as bombas "Little Joe", sobre Hiroxima, e "Fat Man", em Nagasáqui. A alegação foi a seguinte: uma espécie de uso humanitário, para impedir que a guerra continuasse e houvesse mais mortes. É a lógica do exterminador.
Bush está argumentando com o congresso dos Estados Unidos para que a fabulosa verba seja destinava à fabricação da bomba. A violência está crescendo em função de homens como Bush. E a insanidade se torna padrão para a caótica ordem estabelecida. A barbárie está bastante sofisticada e o desejo de matar cresce e cada instante. Na África, crianças estendem a mão, pedindo um prato de comida.
domingo, 7 de janeiro de 2007
Um pouco de Drummond
Hoje,vamos ler um pouco do pensamento de Carlos Drummond de Andrade. Depois, vale a pena se perguntar: como é que o Brasil consegue existir?
Inocentes do Leblon
Os inocentes do Leblon não viram o navio entrar.
Trouxe bailarinas?
trouxe imigrantes?
trouxe um grama de rádio?
Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,
mas a areia é quente, e há um óleo suave
que eles passam nas costas, e esquecem.
Inocentes do Leblon
Os inocentes do Leblon não viram o navio entrar.
Trouxe bailarinas?
trouxe imigrantes?
trouxe um grama de rádio?
Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,
mas a areia é quente, e há um óleo suave
que eles passam nas costas, e esquecem.
sábado, 6 de janeiro de 2007
Por que se assiste ao Big Brother Brasil?
A Folha de S. Paulo on line está fazendo uma enquete em que busca aferir os motivos pelos quais as pessoas vêem o BBB. Diz a Folha:
Desde 2002, o verão da Globo aposta na exposição da intimidade e de conflitos entre anônimos com o "Big Brother Brasil". Na sua opinião, qual a principal explicação para o interesse do público por esse tipo de atração?
Voyeurismo: a Globo explora cenas dos participantes em trajes mínimos e em situações de apelo erótico.
---
Preguiça: besteirol e conteúdo vazio dos participantes não exigem muito esforço mental do telespectador.
---
Identificação: o telespectador acompanha se o seu participante preferido será punido ou recompensado.
---
Força do hábito: há quem nunca mude de canal e tenha a TV sempre ligada na Globo, passivamente.
---
Falta de opção: a programação da TV aberta é de péssima qualidade. Não há opção melhor no horário.
---
Por acidente: Espectador aguarda fim do "BBB" para ver minissérie -- JK (2006) e Amazônia (2007).
---
Gosto pelo grotesco: programa incentiva situações constrangedoras, ridicularizantes e preconceituosa.
O internauta escolhe uma das opções e vota. É claro que isso não é uma pesquisa, nem tem qualquer valor do ponto de vista estatístico. Faz parte do conteúdo diversional da Folha on line.
Quanto ao questionário, creio que todas as respostas são válidas.O BBB é um produto da Globo com o objetivo de arrecadar aportes financeiros, manter sua imagem de emissora que "oferece ao público o que o público quer", mesmo que a grosseria e a vulgaridades ofertadas venham embaladas em finíssima embalagem visual.
Com o BBB a emissora cria um falso acontecimento, estabelece situações humanas televisadas e aparentemente espontâneas. Não são espontâneas. Tudo ali segue regras, para parecer o mais "normal" possível, como uma discussão entre participantes.
Entretanto, se essa discussão se transformar mesmo num conflito - como já ocorreu certa vez - há uma imediata interferência dos dirigentes do programa. Ou seja: até a grosseria é falsificada. Se a baixaria se expuser às claras, certamente vai ferir as pessoas na intimidade de suas casas e haveria reação daquilo que se chama de opinião pública.
Já imaginou se alguma mulher ou um marmanjo de repente aparecesse em nu frontal, caminhando tranqüilamente frente às câmeras? Creio que isso jamais acontecerá. E não acontecerá, porque ali existe uma realidade sob controle, uma simulação comportamental, para atrair audiência.
E,nas ruas, tolos irão ser "entrevistados" sobre o BBB e quanto ao que deve fazer personagem A ou B em determinada situação de confronto. Sinceramente, acho mais honesto aqueles pastores midiátidos pedindo dinheiro aos fiéis. É às claras e os caras pedem mesmo, sem qualquer cerimônia.
Desde 2002, o verão da Globo aposta na exposição da intimidade e de conflitos entre anônimos com o "Big Brother Brasil". Na sua opinião, qual a principal explicação para o interesse do público por esse tipo de atração?
Voyeurismo: a Globo explora cenas dos participantes em trajes mínimos e em situações de apelo erótico.
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Preguiça: besteirol e conteúdo vazio dos participantes não exigem muito esforço mental do telespectador.
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Identificação: o telespectador acompanha se o seu participante preferido será punido ou recompensado.
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Força do hábito: há quem nunca mude de canal e tenha a TV sempre ligada na Globo, passivamente.
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Falta de opção: a programação da TV aberta é de péssima qualidade. Não há opção melhor no horário.
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Por acidente: Espectador aguarda fim do "BBB" para ver minissérie -- JK (2006) e Amazônia (2007).
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Gosto pelo grotesco: programa incentiva situações constrangedoras, ridicularizantes e preconceituosa.
O internauta escolhe uma das opções e vota. É claro que isso não é uma pesquisa, nem tem qualquer valor do ponto de vista estatístico. Faz parte do conteúdo diversional da Folha on line.
Quanto ao questionário, creio que todas as respostas são válidas.O BBB é um produto da Globo com o objetivo de arrecadar aportes financeiros, manter sua imagem de emissora que "oferece ao público o que o público quer", mesmo que a grosseria e a vulgaridades ofertadas venham embaladas em finíssima embalagem visual.
Com o BBB a emissora cria um falso acontecimento, estabelece situações humanas televisadas e aparentemente espontâneas. Não são espontâneas. Tudo ali segue regras, para parecer o mais "normal" possível, como uma discussão entre participantes.
Entretanto, se essa discussão se transformar mesmo num conflito - como já ocorreu certa vez - há uma imediata interferência dos dirigentes do programa. Ou seja: até a grosseria é falsificada. Se a baixaria se expuser às claras, certamente vai ferir as pessoas na intimidade de suas casas e haveria reação daquilo que se chama de opinião pública.
Já imaginou se alguma mulher ou um marmanjo de repente aparecesse em nu frontal, caminhando tranqüilamente frente às câmeras? Creio que isso jamais acontecerá. E não acontecerá, porque ali existe uma realidade sob controle, uma simulação comportamental, para atrair audiência.
E,nas ruas, tolos irão ser "entrevistados" sobre o BBB e quanto ao que deve fazer personagem A ou B em determinada situação de confronto. Sinceramente, acho mais honesto aqueles pastores midiátidos pedindo dinheiro aos fiéis. É às claras e os caras pedem mesmo, sem qualquer cerimônia.
sexta-feira, 5 de janeiro de 2007
Crônicas para Natal
Feira do Alecrim
Alecrim, plantinha do mato, curadeira e boa.
Alecrim, bairro velho de Natal.
A feira do Alecrim é uma área
especializada em tudo,
tudo o que for para se vender, comprar, comer.
Tradicional, movimentada feira.
Seus tipos humanos, seu comércio,
universo nordestino de coisas que brotam do chão.
Na feira, ninguém precisa ser muito.
Basta ser comprador
ou estar vendendo alguma coisa.
É esse o traço de união
que junta as pessoas
e faz da feira um pequeno país,
onde o dinheiro é pobre e corre solto.
Pregões ao meio dia.
E, nas manhãs de sábado,
o feirante se faz rei e todos o obedecem.
Porque todos têm que comprar.
Alecrim, plantinha do mato, curadeira e boa.
Alecrim, bairro velho de Natal.
A feira do Alecrim é uma área
especializada em tudo,
tudo o que for para se vender, comprar, comer.
Tradicional, movimentada feira.
Seus tipos humanos, seu comércio,
universo nordestino de coisas que brotam do chão.
Na feira, ninguém precisa ser muito.
Basta ser comprador
ou estar vendendo alguma coisa.
É esse o traço de união
que junta as pessoas
e faz da feira um pequeno país,
onde o dinheiro é pobre e corre solto.
Pregões ao meio dia.
E, nas manhãs de sábado,
o feirante se faz rei e todos o obedecem.
Porque todos têm que comprar.
quinta-feira, 4 de janeiro de 2007
Ação contra o crime organizado
Ao que parece, as autoridades do Rio e de Brasília estão começando a tomar atitudes que resultarão em ações efetivas contra o crime organizado, pelo menos no que diz respeito à parte operacional, aquele que fica sob a responsabilidade dos dos bandidos, nas ruas. Com o patrulhamento das estradas que dão acesso ao Rio, as autoridades esperam controlar o tráfico de armas e de drogas.
Os serviços de inteligência deveriam, paralelamente, invadir o outro lado do banditismo, o lado clean, charmoso e rico, dos grandes traficantes, daqueles que ficam em suas coberturas e de lá têm articulações com o crime, ou melhor, com ele estão efetivamente envolvidos. É preciso também desarticular as ligações dos criminosos com a polícia e demais setores do Poder, conexos ao tráfico.
É necessário uma legislação mais dura, pois as ações de barbaridade cometidas recentemente no Rio, e já há algum tempo em São Paulo, são um demonstrativo exato de que as quadrilhas não temem a polícia e desafiam a sociedade. A barbárie é um discurso, uma ação comportamental que transmite uma mensagem: "Nós temos força e vamos usá-la."
O trabalho de domínio dos bandidos é longo, penoso e exige tenacidade e decisão de vencer. Exige, portanto, uma política de segurança nacional e integrada, com desdobramentos ao longo do tempo e adaptação às situações que venham a se postar. O crime é algo inserido na História e assim é mutável, adaptado seu modus operandi às circunstâncias nas quais esteja imerso. A repressão mudou? Muda-se também a forma de enfrentá-la.
Se os bandidos, acossados pela polícia, resolverem, por exemplo, voltar seus olhos para o Nordeste, ou para o Sul, haveria que tipo de reação das forças que o combatem? Reação pronta? Há planos para situações desse tipo?
Esperemos que, de início haja a vitória da legalidade. Depois, é esperar para ver se entrará realmente em ação uma política nacional de segurança pública, de caráter permanente e implacável contra o crime organizado.
Os serviços de inteligência deveriam, paralelamente, invadir o outro lado do banditismo, o lado clean, charmoso e rico, dos grandes traficantes, daqueles que ficam em suas coberturas e de lá têm articulações com o crime, ou melhor, com ele estão efetivamente envolvidos. É preciso também desarticular as ligações dos criminosos com a polícia e demais setores do Poder, conexos ao tráfico.
É necessário uma legislação mais dura, pois as ações de barbaridade cometidas recentemente no Rio, e já há algum tempo em São Paulo, são um demonstrativo exato de que as quadrilhas não temem a polícia e desafiam a sociedade. A barbárie é um discurso, uma ação comportamental que transmite uma mensagem: "Nós temos força e vamos usá-la."
O trabalho de domínio dos bandidos é longo, penoso e exige tenacidade e decisão de vencer. Exige, portanto, uma política de segurança nacional e integrada, com desdobramentos ao longo do tempo e adaptação às situações que venham a se postar. O crime é algo inserido na História e assim é mutável, adaptado seu modus operandi às circunstâncias nas quais esteja imerso. A repressão mudou? Muda-se também a forma de enfrentá-la.
Se os bandidos, acossados pela polícia, resolverem, por exemplo, voltar seus olhos para o Nordeste, ou para o Sul, haveria que tipo de reação das forças que o combatem? Reação pronta? Há planos para situações desse tipo?
Esperemos que, de início haja a vitória da legalidade. Depois, é esperar para ver se entrará realmente em ação uma política nacional de segurança pública, de caráter permanente e implacável contra o crime organizado.
quarta-feira, 3 de janeiro de 2007
Chineses vão tomar emprego de brasileiros
Em Coisas da Política, Mauro Santayana analisa a vinda de operários chineses para trabalhar na construção de uma usina a ser construída pela Companhia Siderúrgica do Atlântico, uma joint-venture da Thissen com a Vale do Rio Doce. A obra será em Itaguaí, Rio.
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro-Firjan, justifica a contratação dessa mão-de-obra como uma simples terceirização, já muito comum no Brasil e, acima de tudo, diz: os empresários têm o direito de reduzir os custos do trabalho. Até que têm, só que, com isso, estão espulsando trabalhadores brasileiros, em favor de interesses mesquinhos do empresariado internacional e fluminense. Ralvez fosse a hoje de o governo federal intervir, de alguma maneira.
A tendência é mundial, ou seja: universaliza-se a precarização do trabalho, sob alegação de modernidade e globalização, enquanto o dado humano da questão, o dado trabalhador, é colocado em segundo plano. O trabalhador terceirizado, que é literalmente importado como peça de uma engrenagem de exploração e lucro, é somente isso: peça de engrenagem mais barata, um item que entra como insumo e pode ser descartado. Só isso.
Não é mão-de-obra qualificada, é gente simples, que fará trabalho pesado e pago a preço abaixo daquele que seria cobrado em caso de mobilização de trabalhador local.
Essa é uma, mais uma das manifestações perversas da globalização, que partilha com grande equanimidade sofrimentos, humilhações, desemprego, subemprego, demissões e toda espécie de exclusão em favor do capital, do lucro a qualquer custo - desde que o custo seja pago pelo trabalhador.
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro-Firjan, justifica a contratação dessa mão-de-obra como uma simples terceirização, já muito comum no Brasil e, acima de tudo, diz: os empresários têm o direito de reduzir os custos do trabalho. Até que têm, só que, com isso, estão espulsando trabalhadores brasileiros, em favor de interesses mesquinhos do empresariado internacional e fluminense. Ralvez fosse a hoje de o governo federal intervir, de alguma maneira.
A tendência é mundial, ou seja: universaliza-se a precarização do trabalho, sob alegação de modernidade e globalização, enquanto o dado humano da questão, o dado trabalhador, é colocado em segundo plano. O trabalhador terceirizado, que é literalmente importado como peça de uma engrenagem de exploração e lucro, é somente isso: peça de engrenagem mais barata, um item que entra como insumo e pode ser descartado. Só isso.
Não é mão-de-obra qualificada, é gente simples, que fará trabalho pesado e pago a preço abaixo daquele que seria cobrado em caso de mobilização de trabalhador local.
Essa é uma, mais uma das manifestações perversas da globalização, que partilha com grande equanimidade sofrimentos, humilhações, desemprego, subemprego, demissões e toda espécie de exclusão em favor do capital, do lucro a qualquer custo - desde que o custo seja pago pelo trabalhador.
terça-feira, 2 de janeiro de 2007
Borboletas precisam voar
O discurso de posse do presidente Lula, em que aproveitou trechos da fábula "A lição da borboleta", não foi nenhuma peça oratória, escapava a qualquer aproximação com a força retórica, não teve qualquer eloqüência ou vigor estilístico. Foi um texto chão, quase que se poderia dizer um texto tosco, frente à relevância do momento.
A única coisa a ser destacada foi a citação à fábula da borboleta. De autoria desconhecida, a fábula foi adaptada pela socióloga Mary Lourdes Machado Barbosa para homenagear o então governador de São Paulo, Mário Covas, que estivera internado no mesmo hospital que o marido dela, num apartamento ao lado. No corredor fizeram amizade, o governador solidarizou-se com Adilson Alves Barbosa, o marido de Mary e ela enviou ao governador o relato sobre a borboleta, incentivando-o a lutar pela vida. À época,a revista Istoé registrou.
O uso da fábula no discurso, escrito pelo ministro Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência, foi algo matreiro, não só por aproveitar-se de um texto que sem dúvida alguma cala fundo no senso comum, como sobretudo pela fina sensibilidade, que teve o ministro, antecipando a repercussão na imprensa.
À época, o governador Mário Covas leu o texto às lágrimas, durante entrevista coletiva, quando lutava contra o câncer e falava a respeito de como se sentia. Mas, convenhamos, o Brasil precisa mesmo dessas lições simples, os políticos brasileiros precisam mesmo aprender com as borboletas. Ou teremos sempre um povo rastejando, enquanto deputados e senadores recheiam suas contas bancárias às custas do sofrimento geral da nação.
Abaixo, o texto d'A lição da borboleta:
"Um dia, uma pequena abertura apareceu num casulo; um homem sentou e observou a borboleta por várias horas, conforme ela se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco.Então pareceu que ela havia parado de fazer qualquer progresso.Parecia que ela tinha ido o mais longe que podia, e não conseguia ir mais.
Então o homem decidiu ajudar a borboleta: ele pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo. A borboleta então saiu facilmente.Mas seu corpo estava murcho, era pequeno e tinha as asas amassadas.O homem continuou a observá-la, porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e esticassem para serem capazes de suportar o corpo que iria se afirmar a tempo.Nada aconteceu!
Na verdade, a borboleta passou o resto de sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de voar. O que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia, era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura era o modo pelo qual Deus fazia com que o fluido do corpo da borboleta fosse para as suas asas, de forma que ela estaria pronta para voar uma vez que estivesse livre do casulo.
Algumas vezes, o esforço é justamente o que precisamos em nossa vida.Se Deus nos permitisse passar através de nossas vidas sem quaisquer obstáculos, ele nos deixaria aleijados. Nós não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido. Nós nunca poderíamos voar.
Eu pedi forças...e Deus
deu-me dificuldades para fazer-me forte.
Eu pedi sabedoria...
e Deus deu-me
problemas para resolver.
Eu pedi prosperidade...
e Deus deu-me cérebro e músculos para trabalhar.
Eu pedi coragem...
e Deus deu-me obstáculos para superar.
Eu pedi amor...e Deus deu-me
pessoas com problemas para ajudar.
Eu pedi favores...e Deus deu-me oportunidades.
Eu não recebi nada do que pedi...
Mas eu recebi tudo de que precisava."
A única coisa a ser destacada foi a citação à fábula da borboleta. De autoria desconhecida, a fábula foi adaptada pela socióloga Mary Lourdes Machado Barbosa para homenagear o então governador de São Paulo, Mário Covas, que estivera internado no mesmo hospital que o marido dela, num apartamento ao lado. No corredor fizeram amizade, o governador solidarizou-se com Adilson Alves Barbosa, o marido de Mary e ela enviou ao governador o relato sobre a borboleta, incentivando-o a lutar pela vida. À época,a revista Istoé registrou.
O uso da fábula no discurso, escrito pelo ministro Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência, foi algo matreiro, não só por aproveitar-se de um texto que sem dúvida alguma cala fundo no senso comum, como sobretudo pela fina sensibilidade, que teve o ministro, antecipando a repercussão na imprensa.
À época, o governador Mário Covas leu o texto às lágrimas, durante entrevista coletiva, quando lutava contra o câncer e falava a respeito de como se sentia. Mas, convenhamos, o Brasil precisa mesmo dessas lições simples, os políticos brasileiros precisam mesmo aprender com as borboletas. Ou teremos sempre um povo rastejando, enquanto deputados e senadores recheiam suas contas bancárias às custas do sofrimento geral da nação.
Abaixo, o texto d'A lição da borboleta:
"Um dia, uma pequena abertura apareceu num casulo; um homem sentou e observou a borboleta por várias horas, conforme ela se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco.Então pareceu que ela havia parado de fazer qualquer progresso.Parecia que ela tinha ido o mais longe que podia, e não conseguia ir mais.
Então o homem decidiu ajudar a borboleta: ele pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo. A borboleta então saiu facilmente.Mas seu corpo estava murcho, era pequeno e tinha as asas amassadas.O homem continuou a observá-la, porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e esticassem para serem capazes de suportar o corpo que iria se afirmar a tempo.Nada aconteceu!
Na verdade, a borboleta passou o resto de sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de voar. O que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia, era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura era o modo pelo qual Deus fazia com que o fluido do corpo da borboleta fosse para as suas asas, de forma que ela estaria pronta para voar uma vez que estivesse livre do casulo.
Algumas vezes, o esforço é justamente o que precisamos em nossa vida.Se Deus nos permitisse passar através de nossas vidas sem quaisquer obstáculos, ele nos deixaria aleijados. Nós não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido. Nós nunca poderíamos voar.
Eu pedi forças...e Deus
deu-me dificuldades para fazer-me forte.
Eu pedi sabedoria...
e Deus deu-me
problemas para resolver.
Eu pedi prosperidade...
e Deus deu-me cérebro e músculos para trabalhar.
Eu pedi coragem...
e Deus deu-me obstáculos para superar.
Eu pedi amor...e Deus deu-me
pessoas com problemas para ajudar.
Eu pedi favores...e Deus deu-me oportunidades.
Eu não recebi nada do que pedi...
Mas eu recebi tudo de que precisava."
sábado, 30 de dezembro de 2006
Morreu aquele que muito matou
À uma hora de Brasília,foi enforcado Saddam Hussein.
Mas isso não livra o mundo do mal,
pois o mal, como o vento, circula à solta.
O mal é um vento frio,
que atinge a alma e nos põe cabisbaixos.
Outros saddams existem.
E estão habitando o mundo
e as vidas de milhões de pessoas.
E isso faz do mundo um grande cortejo de vazios,
um préstito de medos solitários,
uma procissão de desvalidos coxeando.
Somos todos sombras caminhantes.
Por uma questão de bom senso - e de respeito a você - não sei se devo enganar a quem me lê, desejando um feliz ano novo. Desejo-lhe, sim, paz interior. Essa, você pode procurar.
Emanoel Barreto
PS: Voltarei a atualizar o blog dia 2 de janeiro
=========
O texto a seguir foi enviado pela cronista Zilda Neves. Vale publicar, já que os ecos do natal ainda ressoam em nossa vida.
O PRESENTE
24 de dezembro. Vinte reais. Era toda sua economia de um ano. Como presentear Roberto, no dia de Natal. Lágrimas rolam pelo rosto desconsolado de Silvia. Dona de casa exemplar, após todos os gastos mensais, guardava as moedas que poupava, num pequeno cofre.
Roberto, seu marido, merecia um presente digno, algo que marcasse sua vida. Tinham poucos bens móveis; alguns, guardados como relíquias.
Certamente, o marido admirava seus cabelos: longos, sedosos, naturais; ela, por sua vez, se orgulhava do relógio que ele conservava como lembrança de seu avô paterno.
Silvia enxugou as lágrimas colocou uma blusa já surrada, e altiva, levantou-se da cadeira, indo para a rua. As vitrines enfeitadas, coloridas, davam-lhe coragem.
Parou em frente a uma loja onde uma placa anunciava: “COIFFEUR”: tudo para seu cabelo. Entre e confira!
Ela entrou certa do que queria: vender seu cabelo.
- Eu compro, disse o cabeleireiro. Deixe-me vê-los soltos. Rapidamente as travessas foram retiradas, e uma linda cascata castanha, rolou pelos ombros da cliente. Oitenta reais é o que valem, questionou o dono do salão!
- São seus, disse Silvia.
As horas passavam rapidamente. Algumas lojas foram vasculhadas e finalmente encontrou o que procurava com os cem reais conseguidos: uma corrente de prata, para relógio. O relógio de Roberto!
Em casa, feliz com a compra, só então ela se deu conta do seu visual. Olhou-se no espelho e novamente lágrimas rolaram em sua face. O que iria dizer ao marido?
23 horas... A porta se abriu. Roberto, cansado, imóvel olha para a mulher. Um olhar sem expressão. Silvia corre para ele e diz:
- Não me censure. Por favor! Vendi-o, mas crescerá novamente. Sou a mesma pessoa que você ama! Veja que lindo presente tenho para você.
Roberto, perplexo, finalmente parece acordar. Abraçando-a, entrega-lhe um pequeno embrulho. Silvia, nervosamente abre-o e surpresa vê as “Travessas de madrepérola” , que tanto sonhara para prender seus cabelos...
Rapidamente, ela pede o relógio ao marido dizendo:
- Veja como vai ficar bonito, entregando-lhe a corrente.
Roberto cabisbaixo, responde:
- Não tenho mais relógio. Vendi-o para comprar seu presente.
A emoção toma conta do casal.
Abraçados choram, riem, gritando: “Feliz Natal”!
Mas isso não livra o mundo do mal,
pois o mal, como o vento, circula à solta.
O mal é um vento frio,
que atinge a alma e nos põe cabisbaixos.
Outros saddams existem.
E estão habitando o mundo
e as vidas de milhões de pessoas.
E isso faz do mundo um grande cortejo de vazios,
um préstito de medos solitários,
uma procissão de desvalidos coxeando.
Somos todos sombras caminhantes.
Por uma questão de bom senso - e de respeito a você - não sei se devo enganar a quem me lê, desejando um feliz ano novo. Desejo-lhe, sim, paz interior. Essa, você pode procurar.
Emanoel Barreto
PS: Voltarei a atualizar o blog dia 2 de janeiro
=========
O texto a seguir foi enviado pela cronista Zilda Neves. Vale publicar, já que os ecos do natal ainda ressoam em nossa vida.
O PRESENTE
24 de dezembro. Vinte reais. Era toda sua economia de um ano. Como presentear Roberto, no dia de Natal. Lágrimas rolam pelo rosto desconsolado de Silvia. Dona de casa exemplar, após todos os gastos mensais, guardava as moedas que poupava, num pequeno cofre.
Roberto, seu marido, merecia um presente digno, algo que marcasse sua vida. Tinham poucos bens móveis; alguns, guardados como relíquias.
Certamente, o marido admirava seus cabelos: longos, sedosos, naturais; ela, por sua vez, se orgulhava do relógio que ele conservava como lembrança de seu avô paterno.
Silvia enxugou as lágrimas colocou uma blusa já surrada, e altiva, levantou-se da cadeira, indo para a rua. As vitrines enfeitadas, coloridas, davam-lhe coragem.
Parou em frente a uma loja onde uma placa anunciava: “COIFFEUR”: tudo para seu cabelo. Entre e confira!
Ela entrou certa do que queria: vender seu cabelo.
- Eu compro, disse o cabeleireiro. Deixe-me vê-los soltos. Rapidamente as travessas foram retiradas, e uma linda cascata castanha, rolou pelos ombros da cliente. Oitenta reais é o que valem, questionou o dono do salão!
- São seus, disse Silvia.
As horas passavam rapidamente. Algumas lojas foram vasculhadas e finalmente encontrou o que procurava com os cem reais conseguidos: uma corrente de prata, para relógio. O relógio de Roberto!
Em casa, feliz com a compra, só então ela se deu conta do seu visual. Olhou-se no espelho e novamente lágrimas rolaram em sua face. O que iria dizer ao marido?
23 horas... A porta se abriu. Roberto, cansado, imóvel olha para a mulher. Um olhar sem expressão. Silvia corre para ele e diz:
- Não me censure. Por favor! Vendi-o, mas crescerá novamente. Sou a mesma pessoa que você ama! Veja que lindo presente tenho para você.
Roberto, perplexo, finalmente parece acordar. Abraçando-a, entrega-lhe um pequeno embrulho. Silvia, nervosamente abre-o e surpresa vê as “Travessas de madrepérola” , que tanto sonhara para prender seus cabelos...
Rapidamente, ela pede o relógio ao marido dizendo:
- Veja como vai ficar bonito, entregando-lhe a corrente.
Roberto cabisbaixo, responde:
- Não tenho mais relógio. Vendi-o para comprar seu presente.
A emoção toma conta do casal.
Abraçados choram, riem, gritando: “Feliz Natal”!
sexta-feira, 29 de dezembro de 2006
A cidadania refém. O medo seqüestra o Rio
Depois de o terror ter invadido as ruas de São Paulo, o Rio de Janeiro agora é a nova praça de guerra. As autoridades, como sempre, fazem reações pontuais, atacam favelas e depois se retiram. Os bandidos, na verdade, são o lado proativo do conflito.
Ele tomam a iniciativa, eles fazem os ataques, eles agem a qualquer hora, eles matam pessoas indefesas com a utilização de meios cruéis, eles depois escapam.
Não há, da parte do Estado, uma ação permanente e profunda de desarticulação das quadrilhas e captura e punição de seus membros. Sei que estamos lidando com o crime organizado, conseqüentemente, estamos enfrentando um sistema, cujas ramificações estão infiltradas na polícia e em outros segmentos do Poder formal. Mas sei também que a sociedade, pelos seus representantes legais, também é um sistema e com total respaldo jurídico para ações preventivas e repressivas.
Não havendo essas ações, agora que a hidra já começa a mostrar as suas cabeças, em futuro muito próximo será literalmente impossível seu enfrentamento. Especialmente porque, nos segmentos sociais onde grassam a miséria e a pobreza insolóveis, estão os solos férteis para o surgimento de quadrilhas.
A ação precisa ser social, para reverter um quadro perverso de divisão de renda, mas respaldada por um ataque contínuo e implacável aos criminosos. Não se pode admitir a cidadania oprimida por criminosos, assim como não se pôde admitir a cidadania oprimida pela ditadura que infelicitou o País durante tantos anos.
Ele tomam a iniciativa, eles fazem os ataques, eles agem a qualquer hora, eles matam pessoas indefesas com a utilização de meios cruéis, eles depois escapam.
Não há, da parte do Estado, uma ação permanente e profunda de desarticulação das quadrilhas e captura e punição de seus membros. Sei que estamos lidando com o crime organizado, conseqüentemente, estamos enfrentando um sistema, cujas ramificações estão infiltradas na polícia e em outros segmentos do Poder formal. Mas sei também que a sociedade, pelos seus representantes legais, também é um sistema e com total respaldo jurídico para ações preventivas e repressivas.
Não havendo essas ações, agora que a hidra já começa a mostrar as suas cabeças, em futuro muito próximo será literalmente impossível seu enfrentamento. Especialmente porque, nos segmentos sociais onde grassam a miséria e a pobreza insolóveis, estão os solos férteis para o surgimento de quadrilhas.
A ação precisa ser social, para reverter um quadro perverso de divisão de renda, mas respaldada por um ataque contínuo e implacável aos criminosos. Não se pode admitir a cidadania oprimida por criminosos, assim como não se pôde admitir a cidadania oprimida pela ditadura que infelicitou o País durante tantos anos.
quinta-feira, 28 de dezembro de 2006
Saddam, o cadafalso e as dores do mundo
Os jornais falam que o enforcamento de Saddam Hussein pode se dar a qualquer momento. E as manchetes gritam seu anúncio da vingança do Estado contra quem, quando foi dono do Estado, fazia com os outros aquilo que farão com ele.
Seus adversários decerto irão comemorar sua morte, humilhante e grotescamente cruel; seus amigos e partidários gritarão aos céus, erguerão as mãos a Alá, o Misericordioso, chorando mais um mártir.
Na verdade, o Iraque é um país perplexo de si mesmo, exausto de seus dramas e inundado pelas lágrimas de suas mulheres; pasmo do medo das suas crianças, lavado pelo sangue do invasor arrogante, devastado pelas explosões enlouquecidas de seus homens-bomba e cheio do doloroso vazio de estar vivo entre escombros de homens e de máquinas. O Iraque é o esconderijo da ira.
A crônica da História já intimou ao cadafalso da tragédia a morte de quem tanto matou. E a Morte, esse ser sem forma e sem consistência; esse ser que não é porque não existe; não existe porque é ausência de vida, mas que todos guardamos dentro de nós, sempre acorre, quando se faz chamada. E virá até Saddam no nó corrediço da Justiça vingativa.
Segue Saddam, segue à tua forca. Mas, lamentável e tristemente, de alguma forma todo o mundo, como em profunda solidão rumo às sombras, também sucumbirá à agonia, ave soturna de tua estúpida paixão.
Seus adversários decerto irão comemorar sua morte, humilhante e grotescamente cruel; seus amigos e partidários gritarão aos céus, erguerão as mãos a Alá, o Misericordioso, chorando mais um mártir.
Na verdade, o Iraque é um país perplexo de si mesmo, exausto de seus dramas e inundado pelas lágrimas de suas mulheres; pasmo do medo das suas crianças, lavado pelo sangue do invasor arrogante, devastado pelas explosões enlouquecidas de seus homens-bomba e cheio do doloroso vazio de estar vivo entre escombros de homens e de máquinas. O Iraque é o esconderijo da ira.
A crônica da História já intimou ao cadafalso da tragédia a morte de quem tanto matou. E a Morte, esse ser sem forma e sem consistência; esse ser que não é porque não existe; não existe porque é ausência de vida, mas que todos guardamos dentro de nós, sempre acorre, quando se faz chamada. E virá até Saddam no nó corrediço da Justiça vingativa.
Segue Saddam, segue à tua forca. Mas, lamentável e tristemente, de alguma forma todo o mundo, como em profunda solidão rumo às sombras, também sucumbirá à agonia, ave soturna de tua estúpida paixão.
quarta-feira, 27 de dezembro de 2006
Já pensou se o menino é mesmo o Buda?
Ram Bahadur Banjan, de 15 anos, foi reencontrado numa floresta ao sul do Nepal. Ele estava desaparecido havia dez meses, supostamente sem ingerir água ou alimentos e dedicando-se unicamente à meditação. Aparentemente, isso seria apenas uma coisa de jornal, uma matéria voltada para despertar o lado da curiosidade básica de todo ser humano. Aquela coisa de o leitor dizer "Nossa!" e continuar, ávido, na seqüência do texto.
Mas, há um detalhe de qualidade: o rapaz seria a reencarnação de Sidartha Gautama, o Buda, o Iluminado. E, nos tempos de hoje em dia, quando muito se fala e se noticia a respeito de homens-bomba, iminente execução de Saddam Hussein, fome no mundo, e agora essa guerra na África, bem como os rotineiros ataques do PCC, até que faz bem ouvir o jornal dizer que um menino pode ser o Buda - jornais falam, manchetes representam gritos, o tamanho da letra tem relação com a altura da voz, já havia pensado nisso?
Sinceramente, espero que seja mesmo o Buda. Estou cansado, todos estamos cansados do dia-a-dia de dor e ódio. Já reparou que todos os telejornais são praticamente iguais? Já reparou que a miséria humana tornou-se uma banalidade impressa ou dita na TV ou no rádio? Já olhou para dentro de si e admitiu que pode haver algo mais que isso? Já pensou se esse menino é mesmo o Buda? Já pensou se esse menino é mesmo o Buda? Já pensou se esse menino é mesmo o Buda?
Mas, há um detalhe de qualidade: o rapaz seria a reencarnação de Sidartha Gautama, o Buda, o Iluminado. E, nos tempos de hoje em dia, quando muito se fala e se noticia a respeito de homens-bomba, iminente execução de Saddam Hussein, fome no mundo, e agora essa guerra na África, bem como os rotineiros ataques do PCC, até que faz bem ouvir o jornal dizer que um menino pode ser o Buda - jornais falam, manchetes representam gritos, o tamanho da letra tem relação com a altura da voz, já havia pensado nisso?
Sinceramente, espero que seja mesmo o Buda. Estou cansado, todos estamos cansados do dia-a-dia de dor e ódio. Já reparou que todos os telejornais são praticamente iguais? Já reparou que a miséria humana tornou-se uma banalidade impressa ou dita na TV ou no rádio? Já olhou para dentro de si e admitiu que pode haver algo mais que isso? Já pensou se esse menino é mesmo o Buda? Já pensou se esse menino é mesmo o Buda? Já pensou se esse menino é mesmo o Buda?
terça-feira, 26 de dezembro de 2006
Vivendo à luz de velas
O texto abaixo é transcrito do Jornal da Tarde on line. Sem comentários.
MARICI CAPITELLI,
marici.capitelli@grupoestado.com.br
A sensação é angustiante. O apartamento de 40 m² escuro e abafado com 18 crianças, entre 2 e 12 anos, vivendo amontoadas com a avó. Quando o dinheiro dá, a família, que está com a energia cortada por falta de pagamento há dois anos e meio, ainda compra algumas velas.
Só que, quando elas são acesas, os vizinhos entram em pânico com medo de incêndio. O apartamento fica no quinto e último andar do Conjunto Habitacional CDHU E, em Carapicuíba, Grande São Paulo. Ao todo são 320 famílias. Além disso, quando a avó não tem gás para cozinhar, o que é comum, ela costuma usar álcool que compra no posto de gasolina a R$ 0,80 o litro.
Dessa maneira, pode fazer comida em uma latinha em chamas no chão do apartamento. “O risco de incêndio que preocupa todo mundo é muito real. Se pegar fogo vai ser uma tragédia porque algumas das crianças são pequenas e ficam todas amontoadas”, denuncia Fáttima Fant, da Associação Um Toque de Mulher que trabalha com famílias carentes em situação de risco e recebeu pedido de ajuda dos vizinhos para tentar resolver o drama da família que vive na escuridão.
Os problemas do dia-a-dia são tantos que o medo de um possível incêndio é o que menos preocupa a responsável pelas crianças, Vera Lúcia de Moura, de 57 anos, a avó. Em abril, vai fazer três anos que a família está sem luz.O valor da conta é de R$ 320. Com vela ou sem vela, a vida da família que vive na escuridão é um inferno.
Não tem água quente para banho mesmo nos dias mais frios. Uma das crianças já teve pneumonia. Também não é possível usar a geladeira. Outra missão impossível para a garotada é fazer lição de casa quando escurece. Loucas por televisão, as crianças mais velhas ficam nos corredores do prédio tentando assistir o aparelho dos vizinhos pelas frestas das janelas. “Encosto bem no vidro e posso escutar o que estão falando na televisão. Adoro desenhos”, contou Lucas, 11 anos.
Sem comida, a ordem na casa é ou almoçar ou jantar. E mesmo assim, sem qualquer tipo de mistura. Também são raros os dias em que as crianças podem se dar ao luxo de comer um pãozinho inteiro cada uma com um pouco de maionese comprada na loja de R$ 1.“Não dá para ter as duas refeições de jeito nenhum. Muitas vezes, só faço milharina ou chá para que possam encher a barriga e parem de chorar de fome”, explicou a avó, que tem graves problemas de saúde, mas que fica até dois dias sem comida para alimentar os netos.
O mesmo acontece com o gato das crianças, que também passa dias sem comida.Mas a garotada não quer abrir mão do animal, que está desnutrido. “Quando eles ganham uma moeda na feira vão correndo comprar gramas de ração para o gatinho”, disse Vera Lúcia emocionada. Sem nenhuma renda, a família vive com a doação dos vizinhos, que também não é muita, já que a comunidade é pobre. Sobram para os vizinhos, além do medo do incêndio, o choro de fome das crianças.
MARICI CAPITELLI,
marici.capitelli@grupoestado.com.br
A sensação é angustiante. O apartamento de 40 m² escuro e abafado com 18 crianças, entre 2 e 12 anos, vivendo amontoadas com a avó. Quando o dinheiro dá, a família, que está com a energia cortada por falta de pagamento há dois anos e meio, ainda compra algumas velas.
Só que, quando elas são acesas, os vizinhos entram em pânico com medo de incêndio. O apartamento fica no quinto e último andar do Conjunto Habitacional CDHU E, em Carapicuíba, Grande São Paulo. Ao todo são 320 famílias. Além disso, quando a avó não tem gás para cozinhar, o que é comum, ela costuma usar álcool que compra no posto de gasolina a R$ 0,80 o litro.
Dessa maneira, pode fazer comida em uma latinha em chamas no chão do apartamento. “O risco de incêndio que preocupa todo mundo é muito real. Se pegar fogo vai ser uma tragédia porque algumas das crianças são pequenas e ficam todas amontoadas”, denuncia Fáttima Fant, da Associação Um Toque de Mulher que trabalha com famílias carentes em situação de risco e recebeu pedido de ajuda dos vizinhos para tentar resolver o drama da família que vive na escuridão.
Os problemas do dia-a-dia são tantos que o medo de um possível incêndio é o que menos preocupa a responsável pelas crianças, Vera Lúcia de Moura, de 57 anos, a avó. Em abril, vai fazer três anos que a família está sem luz.O valor da conta é de R$ 320. Com vela ou sem vela, a vida da família que vive na escuridão é um inferno.
Não tem água quente para banho mesmo nos dias mais frios. Uma das crianças já teve pneumonia. Também não é possível usar a geladeira. Outra missão impossível para a garotada é fazer lição de casa quando escurece. Loucas por televisão, as crianças mais velhas ficam nos corredores do prédio tentando assistir o aparelho dos vizinhos pelas frestas das janelas. “Encosto bem no vidro e posso escutar o que estão falando na televisão. Adoro desenhos”, contou Lucas, 11 anos.
Sem comida, a ordem na casa é ou almoçar ou jantar. E mesmo assim, sem qualquer tipo de mistura. Também são raros os dias em que as crianças podem se dar ao luxo de comer um pãozinho inteiro cada uma com um pouco de maionese comprada na loja de R$ 1.“Não dá para ter as duas refeições de jeito nenhum. Muitas vezes, só faço milharina ou chá para que possam encher a barriga e parem de chorar de fome”, explicou a avó, que tem graves problemas de saúde, mas que fica até dois dias sem comida para alimentar os netos.
O mesmo acontece com o gato das crianças, que também passa dias sem comida.Mas a garotada não quer abrir mão do animal, que está desnutrido. “Quando eles ganham uma moeda na feira vão correndo comprar gramas de ração para o gatinho”, disse Vera Lúcia emocionada. Sem nenhuma renda, a família vive com a doação dos vizinhos, que também não é muita, já que a comunidade é pobre. Sobram para os vizinhos, além do medo do incêndio, o choro de fome das crianças.
segunda-feira, 25 de dezembro de 2006
Good bye, James Brown
ATLANTA, EUA - O polêmico e genial cantor americano James Brown, o "Padrinho do Soul", dono de uma voz rascante e de um estilo único o que o tornaram um dos fundadores do rap, do funk e da disco music, morreu nesta segunda-feira, em Atlanta (EUA). Brown tinha 73 anos.
A notícia saiu no Estadão online. Sai de cena uma grande voz universal. Jovem até o último instante, ele abrigava em si a condição de juventude, uma vez que esta é um estado de espírito e estado de espírito é algo que se tem e se vive; do mesmo modo que para ser poeta não é preciso fazer poemas, mas viver poeticamente,na sana loucura de ser-se em si, ser igual a si e diferente dos demais. Mesmo pagando o preço das opções que não rendam dinheiro ou simpatia.
O encantamento de Brown, assim como o de Braguinha, morto também neste período natalino, traz consigo uma indagação e uma perplexidade. No mundo das artes, especialmente no mundo da música popular, os grandes criadores e intérpretes cumprem seu período de vida, vivem seu tempo com intensidade, marcam épocas,impõem estilos, e quando partem deixam um grande vazio.
Um vazio que essa pós-modernidade que aí está jamais preencherá. As condições históricas são irrepetíveis e a indústria fonográfica está muito mais interessada em fabricar produtos-cantores, que levar adiante uma obra musical sólida e esteticamente relevante.
A efemeridade de cantores e grupos musicais que surgem de repente e desaparecem sem ninguém saber como, é parte do jogo da indústria cultural no plano da música.
Isso tudo é um reflexo dos tempos. São tempos de um grande vazio, onde a confusão reina, as pessoas estão imersas numa espécie de torpor violento e fugaz, onde comprar o objeto do momento é o grande objetivo de vida.
Foi-se James Brown, foi-se Braguinha. A vida mudou. O mundo grita suas músicas fast food. Mas nunca esteve tão mudo.
A notícia saiu no Estadão online. Sai de cena uma grande voz universal. Jovem até o último instante, ele abrigava em si a condição de juventude, uma vez que esta é um estado de espírito e estado de espírito é algo que se tem e se vive; do mesmo modo que para ser poeta não é preciso fazer poemas, mas viver poeticamente,na sana loucura de ser-se em si, ser igual a si e diferente dos demais. Mesmo pagando o preço das opções que não rendam dinheiro ou simpatia.
O encantamento de Brown, assim como o de Braguinha, morto também neste período natalino, traz consigo uma indagação e uma perplexidade. No mundo das artes, especialmente no mundo da música popular, os grandes criadores e intérpretes cumprem seu período de vida, vivem seu tempo com intensidade, marcam épocas,impõem estilos, e quando partem deixam um grande vazio.
Um vazio que essa pós-modernidade que aí está jamais preencherá. As condições históricas são irrepetíveis e a indústria fonográfica está muito mais interessada em fabricar produtos-cantores, que levar adiante uma obra musical sólida e esteticamente relevante.
A efemeridade de cantores e grupos musicais que surgem de repente e desaparecem sem ninguém saber como, é parte do jogo da indústria cultural no plano da música.
Isso tudo é um reflexo dos tempos. São tempos de um grande vazio, onde a confusão reina, as pessoas estão imersas numa espécie de torpor violento e fugaz, onde comprar o objeto do momento é o grande objetivo de vida.
Foi-se James Brown, foi-se Braguinha. A vida mudou. O mundo grita suas músicas fast food. Mas nunca esteve tão mudo.
Um poema de natal
Recebi do poeta e jornalista Walter Medeiros o poema "Natal". Poeta cordelista, Walter traz em suas palavras a simplicidade da grandeza das rimas do Nordeste.
Ouço harpas angelicais,
Que trazem um som divino,
Tocadas para um menino,
Que nasceu trazendo paz.
Vejo a paz nos semblantes,
Que me rodeiam cada dia,
Parece uma fantasia,
Algo bem contagiante.
Sinto a vontade sincera,
De ter um mundo melhor,
De amor, respeito e dó,
Fazendo uma nova era.
Desejo que nesta hora,
Um anjo bom te ilumine,
Que o amor nunca termine,
Haja sempre boa aurora.
Ouço harpas angelicais,
Sinto este som tão divino,
Vamos louvar o menino,
Num Natal cheio de paz.
Agradecemos e retribuímos os votos de Feliz Natal e Próspero Ano Novo.
Walter e Graça ( http://paginas.terra.com.br/arte/cordel/ap13.htm - Poemas de Cordel )
Ouço harpas angelicais,
Que trazem um som divino,
Tocadas para um menino,
Que nasceu trazendo paz.
Vejo a paz nos semblantes,
Que me rodeiam cada dia,
Parece uma fantasia,
Algo bem contagiante.
Sinto a vontade sincera,
De ter um mundo melhor,
De amor, respeito e dó,
Fazendo uma nova era.
Desejo que nesta hora,
Um anjo bom te ilumine,
Que o amor nunca termine,
Haja sempre boa aurora.
Ouço harpas angelicais,
Sinto este som tão divino,
Vamos louvar o menino,
Num Natal cheio de paz.
Agradecemos e retribuímos os votos de Feliz Natal e Próspero Ano Novo.
Walter e Graça ( http://paginas.terra.com.br/arte/cordel/ap13.htm - Poemas de Cordel )
domingo, 24 de dezembro de 2006
Calma na Alma é calma na Vida. Um Feliz Natal
Não chore o tempo que passou,
o sonho perdido,
o paraíso que não existe mais,
a força que já não é tão forte,
o medo que ronda na noite,
o temor de morrer amanhã,
o sentimento que não se pode expressar,
o golpe que vem traiçoeiro,
o talento que não foi reconhecido,
a boa vontade que não foi compreendida,
a ajuda que você não pôde dar,
a ajuda que não pode receber,
a palavra dura,
a ingratidão,
o silêncio quando você queria uma palavra,
a insensatez que corre pelas ruas,
o pavor dominando a paz,
o triunfo cintilante do mal,
a cara triste do pedinte,
a mudez do trabalhador exausto,
a honradez cansada de persistir,
o escárnio do político que se enriquece,
a solidão plantada em cada alma.
Não chore.
Não chore, pois ainda há tempo sob o sol.
Havendo confiança, haverá coragem.
Havendo coragem, chegarão as mudanças.
O futuro é incerto e não-sabido.
Mas o golpe aparado pelo que resiste
é sinal de que amanhã haverá mais resistência.
Não chore. Sempre há alguém,
no silêncio e no frio, acreditando na Estrela.
Eu estou acredianto na Estrela.
Calma na Alma é calma na Vida.
Um Feliz Natal.
o sonho perdido,
o paraíso que não existe mais,
a força que já não é tão forte,
o medo que ronda na noite,
o temor de morrer amanhã,
o sentimento que não se pode expressar,
o golpe que vem traiçoeiro,
o talento que não foi reconhecido,
a boa vontade que não foi compreendida,
a ajuda que você não pôde dar,
a ajuda que não pode receber,
a palavra dura,
a ingratidão,
o silêncio quando você queria uma palavra,
a insensatez que corre pelas ruas,
o pavor dominando a paz,
o triunfo cintilante do mal,
a cara triste do pedinte,
a mudez do trabalhador exausto,
a honradez cansada de persistir,
o escárnio do político que se enriquece,
a solidão plantada em cada alma.
Não chore.
Não chore, pois ainda há tempo sob o sol.
Havendo confiança, haverá coragem.
Havendo coragem, chegarão as mudanças.
O futuro é incerto e não-sabido.
Mas o golpe aparado pelo que resiste
é sinal de que amanhã haverá mais resistência.
Não chore. Sempre há alguém,
no silêncio e no frio, acreditando na Estrela.
Eu estou acredianto na Estrela.
Calma na Alma é calma na Vida.
Um Feliz Natal.
sábado, 23 de dezembro de 2006
Crônicas para Natal
A cidade natalina
A cidade se ilumina
para o tempo grande do Natal.
As luzes são indicativo
da festa anual que se repete,
fazendo renascer o
sentimento guardado e mudo, de paz.
Para muitos, o Natal é isso: uma festa
que chega e passa. E dela não levam
senão um gosto de vinho e de alegrias
engarrafadas, enquanto, no íntimo de cada um,
permanece um sentimento de nada.
Que o Natal, sirva para não mais
um brinde de bebidas, mas erga,
bem alto, a esperança de um Homem novo.
A cidade se ilumina
para o tempo grande do Natal.
As luzes são indicativo
da festa anual que se repete,
fazendo renascer o
sentimento guardado e mudo, de paz.
Para muitos, o Natal é isso: uma festa
que chega e passa. E dela não levam
senão um gosto de vinho e de alegrias
engarrafadas, enquanto, no íntimo de cada um,
permanece um sentimento de nada.
Que o Natal, sirva para não mais
um brinde de bebidas, mas erga,
bem alto, a esperança de um Homem novo.
Uma crônica de Augusto Seveto
Mexendo nos meus arquivos virtuais encontrei a transcrição desta belíssima crônica de Augusto Severo Neto, escritor, poeta, homem de elegância e de talento. A transcrição fora feita por Woden Madruga. Ótima para se ler, mesmo que o tema não seja natalino. Mas o estilo e a beleza são puro encantamento, como este encantamento de natal, que teimamos, apesar de tudo, em manter brilhando na alma.
"Um sábado qualquer do mês de maio. Maio das flores e das noivas, de um tempo em que isso não significava apenas uma promoção a mais de diretores lojistas, das lojas de eletrodomésticos, dos magazines de confecções e outros como tais. Mês de maio inteiro e de vergonha, daqueles que, às vezes, ainda aparecem nos antigos filmes e nos romances de primavera e de amor.
Sendo sábado e principalmente sábado de maio, era dia de footing na Ribeira. Isso significava que a rua Doutor Barata, a rua das Virgens, a Duque de Caxias, a Tavares de Lira e principalmente a Praça Augusto Severo (cuja estátua ostentava um ar particularmente feliz), estavam floridas de mulheres bonitas, que desfilavam seus vestidos de melindrosas, suas meias de seda e seus sapatos de saltos altos e grossos, semelhantes aos das dançarinas de flamengo, até mesmo pela correia trespassada no peito do pé.
Era um colorido macio de tons pastéis, que harmonizavam com os rubans de vlours em torno do pescoço onde se costumava prender uma flor, ou terminados em laço, cujas pontas pendiam adiante e atrás, sobre as espáduas. Somava-se a isso o brilho dos pendentifs de coral encastoado em ouro; de esmalte, com o retrato do ser querido, ou ainda tipo coffret ultra pequeno, contendo uma romântica mecha de cabelos. Além disso, os colares, os anéis, as pulseiras e os brincos de pérolas, rubis, esmeraldas ou brilhantes, igualmente encastoadas em ouro.
Também naquele sábado, os homens envergavam seus melhores ternos, duques ou jaquetões, ou blazers de mescla inglesa, cinza chumbo, com calças pretas, com riscas de giz. Podia ser que estivessem ainda de calças de flanela branca ou creme bem claro, com paletó azul, tipo comodoro, com botões de metal. Meias de seda ou de fio de Escóssia, cuidadosamente estiradas pelas ligas. Sapatos de duas cores (branco e marrom), ou então negro, de verniz ou pelica.
O uso do colete era comum e havia uma predominância de gravatas-borboletas em seda, com petit-pois vermelhos, verdes ou de outras cores, mais ou menos graúdos. Se a gravata era de manta, trazia, quase sempre, um alfinete ou um prendedor de ouro, com uma pérola preciosa, ou o monograma de quem os usava.
João Alves de Melo, da Photografia Elite e João Galvão do Photo Chic eram os fotógrafos da cidade e estavam ali presentes, atendendo moças, moços ou casais que quisessem guardar, como lembrança, uma foto em uma das passarelas-pontes da praça; debruçados no belo coreto; junto a Erma com o medalhão de Nísia Floresta Brasileira Augusta; sentados em um dos bancos de ferro forjado e pinho-de-Riga; ou ao pé do chafariz com sua graciosa indiazinha apertando a cabeça da serpente, de cuja boca saía um jorro de água. A Erma, o Chafariz e os bancos sumiram; as pontes-passarelas e o coreto foram destruídos, para dar lugar a isso que vocês estão vendo.
Do primeiro andar da Escola Doméstica fundada pelo Doutor Henrique Castriciano (irmão de Eloy e de Auta de Souza), as alunas internas olhavam a paisagem festiva e respondiam aos acenos dos moços da praça. A loja Paris em Natal estava com as vitrinas iluminadas e expunha seus artigos mais finos. Por entre os pares, na praça, havia vendedores de flores e garotos que carregavam taboleiros, oferecendo açúcar candi, sequilhos, alfenins, chocolates, "Charuto" e confeitos "Baratinha". Ouvia-se também o retinir do triângulo do vendedor de cavaco chinês. A sorveteria Polyteama estava cheia e era grande o consumo dos sorvetes e dos "polys".
À noite a festa continuaria. Haveria o concerto de uma cantora lírica no Theatro Carlos Gomes e um baile a rigor no Aero Clube. Luxuosos longos, muitas jóias, casacas e fraques, além dos primeiros smokers que começavam a aparecer. João Galvão e João Alves estariam presentes, espoucando seus flashes de magnésio e documentando fotograficamente as belas e os elegantes. Depois tudo sairia publicado n’A Cigarra, do saudoso e inesquecível Adherbal de França, o Danilo, primeiro cronista social da cidade."
Numa crônica anterior, "O cine Polytheama", que era o número 252 da Praça Augusto Severo e cujo prédio não existe mais, Augusto faz uma outra referência a loja Paris em Natal:
"Pegada com o Polytheama estava a loja "Paris em Natal", um belo sobradão de balcões de ferro, onde o coronel Aureliano de Medeiros, com seus filhos Oswado e Ulisses, oferecia ao povo chique da cidade, toda sorte de artigos importados, que iam do pó de arroz ao extrato; do calçado ao chapéu da palhinha, feltro ou Panamá; do foulard de fina seda francesa aos cortes de pura casemira inglesa. O próprio interior da loja sugeria coisas da velha Europa. Paris em Natal fazia esquina com a travessa que ia dar na Alfândega Velha, hoje chamada Travessa Aureliano".
O Poytheama eu não alcancei. A Paris em Natal, sim. A conheci com todo o seu esplendor, a mais chique loja da cidade, começo dos anos quarenta. Menino ainda de calças curtas fui lá várias vezes. Meu tio Antônio Coutinho Madruga, irmão mais velho do meu pai, era o seu gerente. E eu era aluno do Colégio Pedro II, na rua Sachet, oitão do então Teatro Carlos Gomes, duas quadras só distantes da famosa loja.
"Um sábado qualquer do mês de maio. Maio das flores e das noivas, de um tempo em que isso não significava apenas uma promoção a mais de diretores lojistas, das lojas de eletrodomésticos, dos magazines de confecções e outros como tais. Mês de maio inteiro e de vergonha, daqueles que, às vezes, ainda aparecem nos antigos filmes e nos romances de primavera e de amor.
Sendo sábado e principalmente sábado de maio, era dia de footing na Ribeira. Isso significava que a rua Doutor Barata, a rua das Virgens, a Duque de Caxias, a Tavares de Lira e principalmente a Praça Augusto Severo (cuja estátua ostentava um ar particularmente feliz), estavam floridas de mulheres bonitas, que desfilavam seus vestidos de melindrosas, suas meias de seda e seus sapatos de saltos altos e grossos, semelhantes aos das dançarinas de flamengo, até mesmo pela correia trespassada no peito do pé.
Era um colorido macio de tons pastéis, que harmonizavam com os rubans de vlours em torno do pescoço onde se costumava prender uma flor, ou terminados em laço, cujas pontas pendiam adiante e atrás, sobre as espáduas. Somava-se a isso o brilho dos pendentifs de coral encastoado em ouro; de esmalte, com o retrato do ser querido, ou ainda tipo coffret ultra pequeno, contendo uma romântica mecha de cabelos. Além disso, os colares, os anéis, as pulseiras e os brincos de pérolas, rubis, esmeraldas ou brilhantes, igualmente encastoadas em ouro.
Também naquele sábado, os homens envergavam seus melhores ternos, duques ou jaquetões, ou blazers de mescla inglesa, cinza chumbo, com calças pretas, com riscas de giz. Podia ser que estivessem ainda de calças de flanela branca ou creme bem claro, com paletó azul, tipo comodoro, com botões de metal. Meias de seda ou de fio de Escóssia, cuidadosamente estiradas pelas ligas. Sapatos de duas cores (branco e marrom), ou então negro, de verniz ou pelica.
O uso do colete era comum e havia uma predominância de gravatas-borboletas em seda, com petit-pois vermelhos, verdes ou de outras cores, mais ou menos graúdos. Se a gravata era de manta, trazia, quase sempre, um alfinete ou um prendedor de ouro, com uma pérola preciosa, ou o monograma de quem os usava.
João Alves de Melo, da Photografia Elite e João Galvão do Photo Chic eram os fotógrafos da cidade e estavam ali presentes, atendendo moças, moços ou casais que quisessem guardar, como lembrança, uma foto em uma das passarelas-pontes da praça; debruçados no belo coreto; junto a Erma com o medalhão de Nísia Floresta Brasileira Augusta; sentados em um dos bancos de ferro forjado e pinho-de-Riga; ou ao pé do chafariz com sua graciosa indiazinha apertando a cabeça da serpente, de cuja boca saía um jorro de água. A Erma, o Chafariz e os bancos sumiram; as pontes-passarelas e o coreto foram destruídos, para dar lugar a isso que vocês estão vendo.
Do primeiro andar da Escola Doméstica fundada pelo Doutor Henrique Castriciano (irmão de Eloy e de Auta de Souza), as alunas internas olhavam a paisagem festiva e respondiam aos acenos dos moços da praça. A loja Paris em Natal estava com as vitrinas iluminadas e expunha seus artigos mais finos. Por entre os pares, na praça, havia vendedores de flores e garotos que carregavam taboleiros, oferecendo açúcar candi, sequilhos, alfenins, chocolates, "Charuto" e confeitos "Baratinha". Ouvia-se também o retinir do triângulo do vendedor de cavaco chinês. A sorveteria Polyteama estava cheia e era grande o consumo dos sorvetes e dos "polys".
À noite a festa continuaria. Haveria o concerto de uma cantora lírica no Theatro Carlos Gomes e um baile a rigor no Aero Clube. Luxuosos longos, muitas jóias, casacas e fraques, além dos primeiros smokers que começavam a aparecer. João Galvão e João Alves estariam presentes, espoucando seus flashes de magnésio e documentando fotograficamente as belas e os elegantes. Depois tudo sairia publicado n’A Cigarra, do saudoso e inesquecível Adherbal de França, o Danilo, primeiro cronista social da cidade."
Numa crônica anterior, "O cine Polytheama", que era o número 252 da Praça Augusto Severo e cujo prédio não existe mais, Augusto faz uma outra referência a loja Paris em Natal:
"Pegada com o Polytheama estava a loja "Paris em Natal", um belo sobradão de balcões de ferro, onde o coronel Aureliano de Medeiros, com seus filhos Oswado e Ulisses, oferecia ao povo chique da cidade, toda sorte de artigos importados, que iam do pó de arroz ao extrato; do calçado ao chapéu da palhinha, feltro ou Panamá; do foulard de fina seda francesa aos cortes de pura casemira inglesa. O próprio interior da loja sugeria coisas da velha Europa. Paris em Natal fazia esquina com a travessa que ia dar na Alfândega Velha, hoje chamada Travessa Aureliano".
O Poytheama eu não alcancei. A Paris em Natal, sim. A conheci com todo o seu esplendor, a mais chique loja da cidade, começo dos anos quarenta. Menino ainda de calças curtas fui lá várias vezes. Meu tio Antônio Coutinho Madruga, irmão mais velho do meu pai, era o seu gerente. E eu era aluno do Colégio Pedro II, na rua Sachet, oitão do então Teatro Carlos Gomes, duas quadras só distantes da famosa loja.
sexta-feira, 22 de dezembro de 2006
Crônicas para Natal
Árvore de dor e de coragem
A Árvore da Cidade fica na Ribeira
como uma espécie de marco vegetal
a indicar os rumos de Natal.
Retorcida em seu tronco sofrido e resistente,
a árvore estira-se para o céu,
com seus galhos de dor e de coragem, nordestina e firme.
Ser vivo feito de seiva,
árvore construída pela força da vida,
ela cresceu sem cuidados,
sem adubos, favorecimento ou zelo.
E hoje, como Árvore da Cidade,
dá as boas vindas ao Natal de 2006,
sem saber que ela própria é um
símbolo do amanhã,
uma vez que traz,
escondidos em seu tronco,
todos os dramas de todos os tempos.
A Árvore da Cidade fica na Ribeira
como uma espécie de marco vegetal
a indicar os rumos de Natal.
Retorcida em seu tronco sofrido e resistente,
a árvore estira-se para o céu,
com seus galhos de dor e de coragem, nordestina e firme.
Ser vivo feito de seiva,
árvore construída pela força da vida,
ela cresceu sem cuidados,
sem adubos, favorecimento ou zelo.
E hoje, como Árvore da Cidade,
dá as boas vindas ao Natal de 2006,
sem saber que ela própria é um
símbolo do amanhã,
uma vez que traz,
escondidos em seu tronco,
todos os dramas de todos os tempos.
quinta-feira, 21 de dezembro de 2006
Numa falsa entrevista, é verdade que tudo é mentira
A construção da fama na mídia, caso isto resulte de um processo mercadológico, uma ação intensiva e extensiva, programada passo a passo para o convencimento da sociedade de que alguém é importante o suficiente para merecer atenções enfáticas, é algo que chega a ser monstruoso, dada a fonalidade manipulatória a que se destina.
Esse processo vem se desenvolvendo ao longo dos anos com Xuxa, que hoje menos que uma pessoa é um produto, é usada por uma engrenagem de mídia e dessa engrenagem também se locupleta. A coluna Zapping, da Folha online, conta que hoje a filha da apresentadora, Sasha, irá ao Programa do Jô reclamar que as coleguinhas de escola só se aproximam dela por ser filha de alguém famoso.
Tem-se aí um factóide, um falso acontecimento, um pseudo-acontecimento, uma entrevista programada para obter o efeito-fofoca, um disse-me-disse em torno de algo que, em si, não tem qualquer importância.
O que a menina vai declarar vai muito distante de um drama existencial, um angústia, algo desesperador. Sequer passa longe do assédio moral, caracterizado pela ação coercitiva, humilhante ou de qualquer forma discriminatória de alguém ou de um grupo sobre alguém ou grupo, visando que esse alguém ou grupo assim assediado seja prejudicado em suas atividades. Disso resulta uma má imagem e acabrunhamento às vítimas.
Nada disso ocorre com a filha de Xuxa. A aproximação das coleguinhas de escola pode até incomodar, se alguma quiser sair por aí dizendo que convive com algujém célebre, mas a filha de Xuxa convive com outras pré-adolescentes de igual classe social, compatilha com estas valores e visões de mundo, perfeitamente adaptada. Não tenho qualquer dúvida.
A entrevista com Jô Soares soa, assim, muito mais como uma jogada de marketing de Xuxa, que já deve estar programando sua saída do vídeo. Afinal, já está uma senhora com seus 43 anos. Não creio que pretenda chegar aos 60 usando maria-chiquinha e se apresentando como a rainha dos baixinhos.
Esse processo vem se desenvolvendo ao longo dos anos com Xuxa, que hoje menos que uma pessoa é um produto, é usada por uma engrenagem de mídia e dessa engrenagem também se locupleta. A coluna Zapping, da Folha online, conta que hoje a filha da apresentadora, Sasha, irá ao Programa do Jô reclamar que as coleguinhas de escola só se aproximam dela por ser filha de alguém famoso.
Tem-se aí um factóide, um falso acontecimento, um pseudo-acontecimento, uma entrevista programada para obter o efeito-fofoca, um disse-me-disse em torno de algo que, em si, não tem qualquer importância.
O que a menina vai declarar vai muito distante de um drama existencial, um angústia, algo desesperador. Sequer passa longe do assédio moral, caracterizado pela ação coercitiva, humilhante ou de qualquer forma discriminatória de alguém ou de um grupo sobre alguém ou grupo, visando que esse alguém ou grupo assim assediado seja prejudicado em suas atividades. Disso resulta uma má imagem e acabrunhamento às vítimas.
Nada disso ocorre com a filha de Xuxa. A aproximação das coleguinhas de escola pode até incomodar, se alguma quiser sair por aí dizendo que convive com algujém célebre, mas a filha de Xuxa convive com outras pré-adolescentes de igual classe social, compatilha com estas valores e visões de mundo, perfeitamente adaptada. Não tenho qualquer dúvida.
A entrevista com Jô Soares soa, assim, muito mais como uma jogada de marketing de Xuxa, que já deve estar programando sua saída do vídeo. Afinal, já está uma senhora com seus 43 anos. Não creio que pretenda chegar aos 60 usando maria-chiquinha e se apresentando como a rainha dos baixinhos.
terça-feira, 19 de dezembro de 2006
Ilusões do amanhã
Recebi e publico o poema abaixo. Uma mostra de sensibilidade, simplicidade e grandeza.
(Alexandre Lemos - APAE)
Este poema foi escrito por um aluno da APAE, chamado, pela sociedade, de excepcional.
Excepcional é a sua sensibilidade!
Ele tem 28 anos, com idade mental de 15 e peço que divulguem para prestigiá-lo.
Se uma pessoa assim acredita tanto por que as que se dizem normais não acreditam?
ILUSÕES DO AMANHÃ
(autor: Alexandre Lemos_Aluno da APAE)
"Por que eu vivo procurando um motivo de viver,
Se a vida às vezes parece de mim esquecer?"
Procuro em todas, mas todas não são você
Eu quero apenas viver
Se não for para mim que seja pra você.
Mas às vezes você parece me ignorar
Sem nem ao menos me olhar
Me machucando pra valer.
Atrás dos meus sonhos eu vou correr
Eu vou me achar, pra mais tarde em você me perder.
Se a vida dá presente pra cada um
O meu, cadê?
Será que esse mundo tem jeito?
Esse mundo cheio de preconceito.
Quando estou só, preso na minha solidão
Juntando pedaços de mim que caíam ao chão
Juro que às vezes nem ao menos sei, quem sou.
Talvez eu seja um tolo,
Que acredita num sonho
Na procura de te esquecer
Eu fiz brotar a flor
Para carregar junto ao peito
E crer que esse mundo ainda tem jeito
E como príncipe sonhador
Sou um tolo que acredita ainda no amor.
(Alexandre Lemos - APAE)
Este poema foi escrito por um aluno da APAE, chamado, pela sociedade, de excepcional.
Excepcional é a sua sensibilidade!
Ele tem 28 anos, com idade mental de 15 e peço que divulguem para prestigiá-lo.
Se uma pessoa assim acredita tanto por que as que se dizem normais não acreditam?
ILUSÕES DO AMANHÃ
(autor: Alexandre Lemos_Aluno da APAE)
"Por que eu vivo procurando um motivo de viver,
Se a vida às vezes parece de mim esquecer?"
Procuro em todas, mas todas não são você
Eu quero apenas viver
Se não for para mim que seja pra você.
Mas às vezes você parece me ignorar
Sem nem ao menos me olhar
Me machucando pra valer.
Atrás dos meus sonhos eu vou correr
Eu vou me achar, pra mais tarde em você me perder.
Se a vida dá presente pra cada um
O meu, cadê?
Será que esse mundo tem jeito?
Esse mundo cheio de preconceito.
Quando estou só, preso na minha solidão
Juntando pedaços de mim que caíam ao chão
Juro que às vezes nem ao menos sei, quem sou.
Talvez eu seja um tolo,
Que acredita num sonho
Na procura de te esquecer
Eu fiz brotar a flor
Para carregar junto ao peito
E crer que esse mundo ainda tem jeito
E como príncipe sonhador
Sou um tolo que acredita ainda no amor.
A condição humana
Uma notícia chamou-me a atenção em especial, ao ler os jornais na internet. a desesperadora situação de Mateus, de oito anos, que passou oito dias preso num buraco de um metro e meio de diâmetro e seis de profundidade.
Alimentava-se de lama e capim e à noite, para suportar o frio, se cobria com lama. Foi resgatado domingo último. Os pais, até a leitura da matéria por mim, não o haviam ido buscar no hospital para onde foi levado, em Goiânia. O buraco , armadilha silenciosa e estática, fora escavado num terreno que fica a
15 quilômetros de Goiânia.
São surpresas assim, acontecimentos assim, que se postam ante nossas vidas, que nos fazem pensar na triste e pobre, maravilhosa e extasiante, miserável e grandiosa condição humana. O ser humano é possuído e possuidor da grandeza e da decadência. Age e destrói. Assim como pode ser alvo da ação da natureza e por esta destruído. Afora o fato de que traz em si mesmo sua última destruição, a própria morte.
Estamos sujeitos à álea, aos imprevistos. Pensamos que a vida, os acontecimentos, seguem um rumo normal e reto, quando na verdade tudo é ilusão.
O que há são construtos mentais. Esquemas mentais decorrentes do pensar coletivo, que permeia todo o grupo do qual se faz parte. E assim, quando o menino Mateus, ao correr pelo terreno para cortar caminho e chegar à sua casa mais rápido, imergia ali no seu sentido de realidade, na sua sensação de normalidade: foi pego e tragado pelo chão aberto e soube aí o perfeito sentido da palavra solidão. Gritou até acabar a voz.
E então entrou no doloroso e terrível momento da espera. A álea, a moira, o fizeram afundar na terra. Agora, está num hospital à espera do pai adotivo e da mãe, que não apareceram. O ser humano é alguém em processo. Para quê? Essa é uma pergunta que ronda a humanidade há milênios.
Alimentava-se de lama e capim e à noite, para suportar o frio, se cobria com lama. Foi resgatado domingo último. Os pais, até a leitura da matéria por mim, não o haviam ido buscar no hospital para onde foi levado, em Goiânia. O buraco , armadilha silenciosa e estática, fora escavado num terreno que fica a
15 quilômetros de Goiânia.
São surpresas assim, acontecimentos assim, que se postam ante nossas vidas, que nos fazem pensar na triste e pobre, maravilhosa e extasiante, miserável e grandiosa condição humana. O ser humano é possuído e possuidor da grandeza e da decadência. Age e destrói. Assim como pode ser alvo da ação da natureza e por esta destruído. Afora o fato de que traz em si mesmo sua última destruição, a própria morte.
Estamos sujeitos à álea, aos imprevistos. Pensamos que a vida, os acontecimentos, seguem um rumo normal e reto, quando na verdade tudo é ilusão.
O que há são construtos mentais. Esquemas mentais decorrentes do pensar coletivo, que permeia todo o grupo do qual se faz parte. E assim, quando o menino Mateus, ao correr pelo terreno para cortar caminho e chegar à sua casa mais rápido, imergia ali no seu sentido de realidade, na sua sensação de normalidade: foi pego e tragado pelo chão aberto e soube aí o perfeito sentido da palavra solidão. Gritou até acabar a voz.
E então entrou no doloroso e terrível momento da espera. A álea, a moira, o fizeram afundar na terra. Agora, está num hospital à espera do pai adotivo e da mãe, que não apareceram. O ser humano é alguém em processo. Para quê? Essa é uma pergunta que ronda a humanidade há milênios.
segunda-feira, 18 de dezembro de 2006
"Vamos transformar a vida deles num inferno."
Deu no Estadão online: “Aldo e Renan vão ter de recuar e desistir desse reajuste. Se não fizerem isso, vamos transformar a vida deles num inferno na próxima legislatura”, ameaçou o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ). Os comandantes da reação acreditam que no plenário o valor fixado seria outro. Isso porque a questão teria de ser definida em votação aberta, expondo todos os congressistas ao constrangimento de tomar uma posição pública sobre o assunto."
A reação popular ao escárnio comandado pelo deputado Aldo Rebelo e pelo senador Renan Calheiros está mobilizando parlamentares, que tentam de alguma forma reduzir o impacto que um aumento de quase 91 por cento na remnueração dos deputados e senadores representaria, moral e moneratiamente.
É que, além do aumento, o congresso também planeja, ou não seria melhor dizer trama?, a construção de banheiros nos gabinetes e, pasme, até mesmo um mini-shopping center, certamente para atender aos sonhos de consumo dos Srs. e Sras. senadores e deputados.
O jornal também informa: "Durante o fim de semana, o deputado Walter Pinheiro (PT-BA) se dedicou a redigir um projeto de decreto legislativo - o instrumento legal usado para tratar de questões internas do Congresso. O texto não sugere um critério de correção, mas uma das propostas em debate é que o reajuste corresponda à inflação acumulada ao longo dos últimos quatro anos, de 28,4% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)."
Não é o ideal, pois o salário mínimo não é reajustado com igual teor, nem mesmo as remunerações de categorias que ganham mais que o mínimo. Serve pelo menos de consolo, muito embora o ideal fosse que deputados e senadores não tivessem aumento algum. E se esse aumento é determinado em lei, que fixa subida de remuneração após cada legislatura, é muito simples, mude-se a lei e acabe-se com essa imoralidade.
A reação popular ao escárnio comandado pelo deputado Aldo Rebelo e pelo senador Renan Calheiros está mobilizando parlamentares, que tentam de alguma forma reduzir o impacto que um aumento de quase 91 por cento na remnueração dos deputados e senadores representaria, moral e moneratiamente.
É que, além do aumento, o congresso também planeja, ou não seria melhor dizer trama?, a construção de banheiros nos gabinetes e, pasme, até mesmo um mini-shopping center, certamente para atender aos sonhos de consumo dos Srs. e Sras. senadores e deputados.
O jornal também informa: "Durante o fim de semana, o deputado Walter Pinheiro (PT-BA) se dedicou a redigir um projeto de decreto legislativo - o instrumento legal usado para tratar de questões internas do Congresso. O texto não sugere um critério de correção, mas uma das propostas em debate é que o reajuste corresponda à inflação acumulada ao longo dos últimos quatro anos, de 28,4% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)."
Não é o ideal, pois o salário mínimo não é reajustado com igual teor, nem mesmo as remunerações de categorias que ganham mais que o mínimo. Serve pelo menos de consolo, muito embora o ideal fosse que deputados e senadores não tivessem aumento algum. E se esse aumento é determinado em lei, que fixa subida de remuneração após cada legislatura, é muito simples, mude-se a lei e acabe-se com essa imoralidade.
domingo, 17 de dezembro de 2006
O Internacional é campeão e o Brasil mais bobalhão
O Internacional ganhou do Barcelona e agora é campeão mundial de clubes. Os deputados também são campeões de salário. Segundo li, ganham até mesmo melhor que seus, digamos, congêneres europeus.
Mas, pronto, o Inter ganhou. Milhares de brasileiros, talvez milhões, expurgaram com o gol dos gaúchos suas angústias e medos, sua submissão ao salário mínimo, às humilhantes filas de aposentados, às lamentáveis filas do SUS, à falta de remédios, aos bandidos que transformaram São Paulo e Rio em cidadelas do medo.
É para isso que serve o futebol: para cumprir um processo de catarse coletiva, fazer do povo massa de manobra eufórica, que se esbalda a cada grito de gol. Reconheço que o esporte - amador, esporte amador - tem sua validade, abre espaços a jovens para que deixem as drogas e o crime. Mas isso é em pequeníssima proporção.
No centro da questão estão mesmo os milhões em dinheiro e a empáfia de jogadores que se consideram o centro do universo. Isto é, aqueles que conseguem chegar ao estrelato. A maioria fica mesmo no meio do caminho ou amarga uma cruel e acabrunhante decadência, como o velho Túlio Maravilha. Lembra dele?
No mais, de qualquer maneira, é comemorar. Faz parte de um bom domingo de sol. Mas, no fundo, é triste comemorar um gol e sair amanhã com a cabeça cheia de problemas, mas pensando: meu time ganhou, eu sou campeão.
É não, é campeão não; é bobalhão.
Mas, pronto, o Inter ganhou. Milhares de brasileiros, talvez milhões, expurgaram com o gol dos gaúchos suas angústias e medos, sua submissão ao salário mínimo, às humilhantes filas de aposentados, às lamentáveis filas do SUS, à falta de remédios, aos bandidos que transformaram São Paulo e Rio em cidadelas do medo.
É para isso que serve o futebol: para cumprir um processo de catarse coletiva, fazer do povo massa de manobra eufórica, que se esbalda a cada grito de gol. Reconheço que o esporte - amador, esporte amador - tem sua validade, abre espaços a jovens para que deixem as drogas e o crime. Mas isso é em pequeníssima proporção.
No centro da questão estão mesmo os milhões em dinheiro e a empáfia de jogadores que se consideram o centro do universo. Isto é, aqueles que conseguem chegar ao estrelato. A maioria fica mesmo no meio do caminho ou amarga uma cruel e acabrunhante decadência, como o velho Túlio Maravilha. Lembra dele?
No mais, de qualquer maneira, é comemorar. Faz parte de um bom domingo de sol. Mas, no fundo, é triste comemorar um gol e sair amanhã com a cabeça cheia de problemas, mas pensando: meu time ganhou, eu sou campeão.
É não, é campeão não; é bobalhão.
Pimenta nos olhos da Justiça - II
Está suspensa a determinação judicial para que o jornalisma Antônio Marcos Pimenta Neves seja preso pelo assassinato de sua ex-namorada Sandra Gomide, ocorrido em 2000. Ele fora condenado em júri, mas o juiz decidiu que, mesmo assim, o criminoso poderia ficar em liberdade.
Agora, quando já se encontrava na condição de foragido e a opinião pública esperava sua captura, a ministra Maria Thereza de Assis Moura, do Superior Tribunal de Justiça, revoga o pedido de prisão. Entende que, como ainda cabem recursos, seria injusto que ele fosse preso, uma vez que, ao final do processo, poderia não se confirmar uma sentença condenatória.
Tecnicamente, pode estar perfeito o juízo. Mas o Direito não deveria ser aplicado unicamente a partir da letra fria de um processo. Cada caso é um caso. O matador, ao sair de casa portanto malas, para em seguida manter-se escondido, deu claros indícios de que pretendia burlar a aplicação da lei. Pimenta sentiu-se acossado ante a possibilidde de ser preso, uma vez que pedido nesse sentido havia sido feito pelo advogado da família da jovem a quem literalmente abateu, a tiros de revólver.
A voz das ruas, a opinião pública, o sentimento de humanidade, foram, com o assassínio da jovem Gomide, também afrontados pelo ato de Pimenta, cujo molho de ódio desabou sobre uma mulher indefesa.
Mas é assim que se faz o Brasil do cotidiano: com atitudes de insensibilidade, que de alguma forma respalda a crueldade; com ações de tecnicismo, que garantem a impunidade.
É Pimenta em liberdade e pimenta nos olhos da Justiça. Mas quem chora são os olhos de todos nós.
Agora, quando já se encontrava na condição de foragido e a opinião pública esperava sua captura, a ministra Maria Thereza de Assis Moura, do Superior Tribunal de Justiça, revoga o pedido de prisão. Entende que, como ainda cabem recursos, seria injusto que ele fosse preso, uma vez que, ao final do processo, poderia não se confirmar uma sentença condenatória.
Tecnicamente, pode estar perfeito o juízo. Mas o Direito não deveria ser aplicado unicamente a partir da letra fria de um processo. Cada caso é um caso. O matador, ao sair de casa portanto malas, para em seguida manter-se escondido, deu claros indícios de que pretendia burlar a aplicação da lei. Pimenta sentiu-se acossado ante a possibilidde de ser preso, uma vez que pedido nesse sentido havia sido feito pelo advogado da família da jovem a quem literalmente abateu, a tiros de revólver.
A voz das ruas, a opinião pública, o sentimento de humanidade, foram, com o assassínio da jovem Gomide, também afrontados pelo ato de Pimenta, cujo molho de ódio desabou sobre uma mulher indefesa.
Mas é assim que se faz o Brasil do cotidiano: com atitudes de insensibilidade, que de alguma forma respalda a crueldade; com ações de tecnicismo, que garantem a impunidade.
É Pimenta em liberdade e pimenta nos olhos da Justiça. Mas quem chora são os olhos de todos nós.
sábado, 16 de dezembro de 2006
O escárnio dos deputados: os lobos atacam o dinheiro do povo
A Folha on line publicou: "Em pouco mais de 15 horas, desde as 20h de ontem, mais de 1.100 leitores enviaram e-mails para a Folha Online opinando sobre a decisão dos parlamentares de reajustarem os próprios salários em 90,7% a partir de fevereiro de 2007. Eles passarão a ganhar R$ 24,5 mil mensais.A maioria esmagadora das mensagens revela indignação, revolta e também sensação de impotência do cidadão comum diante da decisão dos políticos, que é tomada como uma espécie de escárnio. O aumento vai ampliar os gastos públicos em R$ 1,6 bilhão no próximo ano."
O jornal anunciou também: "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira (ontem) que o aumento dos salários dos deputados e senadores para R$ 24.500 não vai produzir efeito cascata no funcionalismo público federal. "Não vai ter efeito cascata, pode ficar certo disso porque não vamos abrir mão da nossa responsabilidade de manter uma política fiscal com o desejo que temos de crescimento", disse.Apesar da declaração de Lula, Assembléias de vários Estados já estão programando o aumento dos deputados estaduais. Esse é o caso da Assembléia Legislativa de São Paulo. Em Brasília, os deputados distritais também querem auto-reajustar seus salários.Lula disse acreditar que os presidentes da Câmara e do Senado, Aldo Rebelo (PC do B-SP) e Renan Calheiros (PMDB-AL), autorizaram o aumento porque sabem que o Orçamento do Congresso Nacional poderá absorver os impactos do reajuste. "Eu acho que o país comporta [o reajuste] se o país tiver crescendo a economia, se o país estiver rico. Agora, como os dois presidentes conhecem os seus orçamentos, eles sabem se dá ou não para dar", afirmou."
Os deputados, com esse aumento estratosférico, escarnecem, tripudiam sobre o povo e ainda se apresentam como representantes do povo. Os políticos brasileiros formam uma espécie sui generis de casta que se autopreserva: mesmo sabendo a temporariedade do mandato, o político cumpre à risca os ditames da ideologia que perpassa esse estamento e, mesmo aqueles que não se reelegem, criam as condições perversas para que seus sucessores cevem seus apetites monetários mais baixos às custas de um povo que sobrevive com um salário mínimo de 350 reais.
Para completar, o presidente Lula diz que o aumento não terá repercussões no funcionalismo público: é claro que não. Aumento de servidor não está atrelado a aumento de deputado. O efeito se datá nos segmentos políticos localizados nas assemléias legislativas, cujas remunerações parlamentares estão vinculadas à da câmara federal. Câmaras de vereadores também engordarão o pagamento de seus integrantes, dependendo do tamanho do município. É uma farra com o dinheiro do contribuinte, é um acinte à pobreza do povo brasileiro.
E o presidente ainda tem a desfaçatez de afirmar que os presidentes da câmara e do senado (que também autorizou aumento para os seus pares) sabem o que estão fazendo. Sabem, sabem sim: sabem que vão ganhar muito dinheiro, que vão manter o povo encurvado ao peso de seus baixos salários e que, por isso mesmo, poderão prometer muito na próxima eleição. O povo vai votar e... não vai acontecer nada. A não ser um novo e escandaloso aumento de remuneração disso que se chama de classe política.
O jornal anunciou também: "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira (ontem) que o aumento dos salários dos deputados e senadores para R$ 24.500 não vai produzir efeito cascata no funcionalismo público federal. "Não vai ter efeito cascata, pode ficar certo disso porque não vamos abrir mão da nossa responsabilidade de manter uma política fiscal com o desejo que temos de crescimento", disse.Apesar da declaração de Lula, Assembléias de vários Estados já estão programando o aumento dos deputados estaduais. Esse é o caso da Assembléia Legislativa de São Paulo. Em Brasília, os deputados distritais também querem auto-reajustar seus salários.Lula disse acreditar que os presidentes da Câmara e do Senado, Aldo Rebelo (PC do B-SP) e Renan Calheiros (PMDB-AL), autorizaram o aumento porque sabem que o Orçamento do Congresso Nacional poderá absorver os impactos do reajuste. "Eu acho que o país comporta [o reajuste] se o país tiver crescendo a economia, se o país estiver rico. Agora, como os dois presidentes conhecem os seus orçamentos, eles sabem se dá ou não para dar", afirmou."
Os deputados, com esse aumento estratosférico, escarnecem, tripudiam sobre o povo e ainda se apresentam como representantes do povo. Os políticos brasileiros formam uma espécie sui generis de casta que se autopreserva: mesmo sabendo a temporariedade do mandato, o político cumpre à risca os ditames da ideologia que perpassa esse estamento e, mesmo aqueles que não se reelegem, criam as condições perversas para que seus sucessores cevem seus apetites monetários mais baixos às custas de um povo que sobrevive com um salário mínimo de 350 reais.
Para completar, o presidente Lula diz que o aumento não terá repercussões no funcionalismo público: é claro que não. Aumento de servidor não está atrelado a aumento de deputado. O efeito se datá nos segmentos políticos localizados nas assemléias legislativas, cujas remunerações parlamentares estão vinculadas à da câmara federal. Câmaras de vereadores também engordarão o pagamento de seus integrantes, dependendo do tamanho do município. É uma farra com o dinheiro do contribuinte, é um acinte à pobreza do povo brasileiro.
E o presidente ainda tem a desfaçatez de afirmar que os presidentes da câmara e do senado (que também autorizou aumento para os seus pares) sabem o que estão fazendo. Sabem, sabem sim: sabem que vão ganhar muito dinheiro, que vão manter o povo encurvado ao peso de seus baixos salários e que, por isso mesmo, poderão prometer muito na próxima eleição. O povo vai votar e... não vai acontecer nada. A não ser um novo e escandaloso aumento de remuneração disso que se chama de classe política.
sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
Foi-se o grande homem dos concertos sanfônicos
Com a morte de Sivuca desaparece mais um grande sanfoneiro. Há muitos anos foi-se Luiz Gonzaga, mais recentemente Mário Zan, e agora o grande Severino Dias de Oliveira, aos 76 anos.
Músico de capacidade e talento, fez carreira internacional. Foi diretor musical de Miriam Makeeba. Lembra-se de Pata-pata, sucessão nos anos 60? Era ele quem dirigia a encapetada cantora. Foi ele quem criou uma orquestra sanfônica, grande espetáculo de força e paixão musical.
A morte de grandes artistas, nos dias atuais, em que o lado comercial tem grande prevalência na música, sinaliza para uma preocupação: até que ponto os interesses da grande mídia musical tem condições de impedir o surgimento de talentos de valor, favorecendo grupos e cantores descartáveis?
Trata-se, na verdade, de um processo perverso, que fideliza, ou melhor, vicia, um certo tipo de público, definido com bastante precisão por pesquisas e estudos de recepção de mensagens de massa, cujo perfil torna-se assim bem delineado e apto a comprar coisas como a "Egüinha Pocotó", somente para citar um exemplo.
Por trás de tudo, interesses comerciais que não têm qualquer compromisso com a cultura, o respeito às artes, o respeito até mesmo à pessoa humana, já que o consumidor é visto e tratado apenas como alguém apto a comprar, a curvar-se a modismos e vulgaridades.
Sivuca, a quem conheci em Natal após um show, marcou um período de criatividade e consolidação da música nordestina. Que faça uma grande festa com seu Luiz e Mário Zan.
Músico de capacidade e talento, fez carreira internacional. Foi diretor musical de Miriam Makeeba. Lembra-se de Pata-pata, sucessão nos anos 60? Era ele quem dirigia a encapetada cantora. Foi ele quem criou uma orquestra sanfônica, grande espetáculo de força e paixão musical.
A morte de grandes artistas, nos dias atuais, em que o lado comercial tem grande prevalência na música, sinaliza para uma preocupação: até que ponto os interesses da grande mídia musical tem condições de impedir o surgimento de talentos de valor, favorecendo grupos e cantores descartáveis?
Trata-se, na verdade, de um processo perverso, que fideliza, ou melhor, vicia, um certo tipo de público, definido com bastante precisão por pesquisas e estudos de recepção de mensagens de massa, cujo perfil torna-se assim bem delineado e apto a comprar coisas como a "Egüinha Pocotó", somente para citar um exemplo.
Por trás de tudo, interesses comerciais que não têm qualquer compromisso com a cultura, o respeito às artes, o respeito até mesmo à pessoa humana, já que o consumidor é visto e tratado apenas como alguém apto a comprar, a curvar-se a modismos e vulgaridades.
Sivuca, a quem conheci em Natal após um show, marcou um período de criatividade e consolidação da música nordestina. Que faça uma grande festa com seu Luiz e Mário Zan.
quinta-feira, 14 de dezembro de 2006
Pimenta nos olhos da Justiça
O jornalista Pimenta Neves, ex-editor do Estadão, assassino da sua colega e namorada Sandra Gomide em agosto de 2000, agora está na condição de foragido. Ele fora condenado pelo corpo de jurados, mas, mesmo assim, colocado em liberdade logo em seguida, pelo juiz que presidia o júri. Ou seja: somente depois desse tempo todo, a Justiça percebeu que havia posto em liberdade um criminoso frio, calculista e cruel. E agora, está acionando o aparelho policial para a sua captura.
Enquanto isso, a mãe da jornalista, Leonilda Gomide, sofre com sérios problemas psiquiátricos. Está internada em uma clínida em Santos, onde alterna fases em que acredita que a filha está viva, com etapas de sanidade. O pai, também um homem doente, sofre com tudo isso.
E Pimenta, alheio ao sofrimento que causou, continuava desfrutando total tranqüilidade, até que afinal foi decretada a sua prisão. São casos assim que fazem do nosso País uma espécie de circo de horrores; horrores que nos cercam e que de alguma forma ameaçam a qualquer um de nós, que pode entrar no espetáculo da agressão e do desamparo a qualquer momento.
A conclusão é triste, surreal e absurda: Pimenta nos olhos da Justiça não é refresco para o cidadão. Data vênia.
Enquanto isso, a mãe da jornalista, Leonilda Gomide, sofre com sérios problemas psiquiátricos. Está internada em uma clínida em Santos, onde alterna fases em que acredita que a filha está viva, com etapas de sanidade. O pai, também um homem doente, sofre com tudo isso.
E Pimenta, alheio ao sofrimento que causou, continuava desfrutando total tranqüilidade, até que afinal foi decretada a sua prisão. São casos assim que fazem do nosso País uma espécie de circo de horrores; horrores que nos cercam e que de alguma forma ameaçam a qualquer um de nós, que pode entrar no espetáculo da agressão e do desamparo a qualquer momento.
A conclusão é triste, surreal e absurda: Pimenta nos olhos da Justiça não é refresco para o cidadão. Data vênia.
quarta-feira, 13 de dezembro de 2006
O Vietnã voltou. E os americanos não querem acreditar
O Estadão online traz a seguinte matéria: "Heróis são necessários para se sentir em casa. Este é o cerne da revista em quadrinhos The New Avengers - Letters Home. Numa revista que se confunde com a própria mensagem, ela mostra Capitão América, Surfista Prateado, Motoqueiro-Fantasma e Justiceiro numa “nobre” missão: garantir que os soldados americanos espalhados pelo globo na guerra contra o terror mantenham contato com seus entes queridos e se sintam mais próximos de casa."
Diz ainda a matéria: "Na revista, a organização criminosa Hydra - pense aí uma versão em quadrinhos da Al Qeada, Taleban ou ETA altamente sofisticada - rouba um satélite de comunicações americano. Cabe aos heróis liderados pelo Capitão América resgatar o artefato e permitir que os soldados no exterior consigam mandar mensagens de natal para suas famílias nos Estados Unidos."
O lançamento da revista está previsto para o próximo dia 20. O uso de personagens de histórias em quadrinhos pelos Estados Unidos em períodos de guerra é recorrente. Os personagens são símbolos, reúnem em suas figuras características e essências muito caras ao povo americano, especialmnte o patriotismo e a defesa subliminar da democracia. Democracia na acepção americana do termo: todos os povos obedecendo ao que eles determinam. Esta a liberdade versão United States.
Entretanto, agora, quando aumentam as baixas do exército, já há descontentamento entre o povo, mães e pais temem pela sorte dos filhos que podem morrer no Iraque por uma causa no mínimo duvidosa, eis que surgem os super-heróis para compensar, no imaginário da tropa, a dura realidade do dia-a-dia de homens-bomba, armadilhas e medo.
A missão, resgatar um satélite para que os soldados possam mandar mensagens de natal a seus familiares - que amor -, reveste-se não só do patriorismo heróico, mas do pieguismo choramingas: o filhinho que precisa falar com mamãezinha mas não pode porque meninos maus querem dominar o mundo, o filhinho tem que enfrentar os malvados e precisa deixar o ninho e sair de metralhadora em punho, tadinho.
Agora, chega o Natal e não é que os malvados querem até mesmo que Johnny deixe de falar com a mamãe? Nada disso! Capitão América chegou, para resolver a situação.
Assim estão as coisas. Zé Carioca já serviu para incluir o Brasil no mundo da Disney, na Segunda Guerra. Fomos promovidos a personagem da Disney, já pensou? Agora, até msmo as tropas deles precisam ser incluídas em seu próprio mundo de simulacro, para poder suportar o real. O Vietnã voltou e eles não querem acreditar.
Diz ainda a matéria: "Na revista, a organização criminosa Hydra - pense aí uma versão em quadrinhos da Al Qeada, Taleban ou ETA altamente sofisticada - rouba um satélite de comunicações americano. Cabe aos heróis liderados pelo Capitão América resgatar o artefato e permitir que os soldados no exterior consigam mandar mensagens de natal para suas famílias nos Estados Unidos."
O lançamento da revista está previsto para o próximo dia 20. O uso de personagens de histórias em quadrinhos pelos Estados Unidos em períodos de guerra é recorrente. Os personagens são símbolos, reúnem em suas figuras características e essências muito caras ao povo americano, especialmnte o patriotismo e a defesa subliminar da democracia. Democracia na acepção americana do termo: todos os povos obedecendo ao que eles determinam. Esta a liberdade versão United States.
Entretanto, agora, quando aumentam as baixas do exército, já há descontentamento entre o povo, mães e pais temem pela sorte dos filhos que podem morrer no Iraque por uma causa no mínimo duvidosa, eis que surgem os super-heróis para compensar, no imaginário da tropa, a dura realidade do dia-a-dia de homens-bomba, armadilhas e medo.
A missão, resgatar um satélite para que os soldados possam mandar mensagens de natal a seus familiares - que amor -, reveste-se não só do patriorismo heróico, mas do pieguismo choramingas: o filhinho que precisa falar com mamãezinha mas não pode porque meninos maus querem dominar o mundo, o filhinho tem que enfrentar os malvados e precisa deixar o ninho e sair de metralhadora em punho, tadinho.
Agora, chega o Natal e não é que os malvados querem até mesmo que Johnny deixe de falar com a mamãe? Nada disso! Capitão América chegou, para resolver a situação.
Assim estão as coisas. Zé Carioca já serviu para incluir o Brasil no mundo da Disney, na Segunda Guerra. Fomos promovidos a personagem da Disney, já pensou? Agora, até msmo as tropas deles precisam ser incluídas em seu próprio mundo de simulacro, para poder suportar o real. O Vietnã voltou e eles não querem acreditar.
terça-feira, 12 de dezembro de 2006
Lula: esquerda é coisa de menino
O presidente Lula agora está dizendo que essa coisa de esquerda é para a juventude. Quem tem maturidade vai para o centro, tende a um maior equilíbrio, entende o presidente. Destacou que um jovem de direita está com problemas e um homem maduro de esquerda, também está com problemas. Ou seja: posições extremadas têm data certa para começar a terminar.
Reducionismos à parte, o presidente tem razão ao, mesmo que transversalmente, tocar na questão de que, com o tempo, o ser humano sofre mudanças que o encaminham para a ponderação, a serenidade, a sobriedade. O que não se pode é aceitar que, em nome da maturidade, alguém renegue todo o seu passado e adote comportamentos que contrariem frontalmente aquilo que sempre defendera.
Existe, a par da maturidade, uma coisa chamada coerência. O que se deve, com o passar do tempo, é reelaborar convicções, aperfeiçoar visões de mundo, aprender a convivência com os contrários, sabendo que as divergências são essenciais à vida em sociedade.
Para encerrar: maturidade não se confunde com sagacidade; escolher o caminho do meio não significa esconder-se nas dobras da dubiedade. Falar em equilíbrio não quer dizer jogar na lata do lixo da História compromissos que sempre foram bandeira de luta.
Reducionismos à parte, o presidente tem razão ao, mesmo que transversalmente, tocar na questão de que, com o tempo, o ser humano sofre mudanças que o encaminham para a ponderação, a serenidade, a sobriedade. O que não se pode é aceitar que, em nome da maturidade, alguém renegue todo o seu passado e adote comportamentos que contrariem frontalmente aquilo que sempre defendera.
Existe, a par da maturidade, uma coisa chamada coerência. O que se deve, com o passar do tempo, é reelaborar convicções, aperfeiçoar visões de mundo, aprender a convivência com os contrários, sabendo que as divergências são essenciais à vida em sociedade.
Para encerrar: maturidade não se confunde com sagacidade; escolher o caminho do meio não significa esconder-se nas dobras da dubiedade. Falar em equilíbrio não quer dizer jogar na lata do lixo da História compromissos que sempre foram bandeira de luta.
segunda-feira, 11 de dezembro de 2006
Morre El Jefe Pinochet: da cinzas à cinza; do pó ao pó
Morreu ontem, Dia Internacional dos Direitos Humanos, El Jefe Augusto Pinochet, que durante 17 anos fez do Chile um país sitiado pelo terror e pelo ódio aos mais mínimos princípios da democracia. Se a história lhe foi irônica ao marcar sua morte no dia em que, em essência, se comemora a dignidade humana, algo que o general desprezava, também lhe foi implacável pelo lado afetivo, pois ontem também se comemoravam os 84 anos de sua mulher, Lucía Hiriart Rodríguez.
O que se viu ontem, com a morte de Pinochet em tais circunstâncias, em que as coincidências tornam ainda mais dolorosas para seus seguidores as condições em que se deu seu fim? A pura e simples demonstração da triste condição humana. Aquele que foi o todo-poderoso, o tirano que impunha terror como norma de estado, o general que ordenava a morte de pessoas sem pestanejar, foi afinal fulminado e mergulhou seu nome sombrio nos registros implacáveis da História.
Seus admiradores o têm na conta de uma espécie de déspota esclarecido, um homem que deu rumo à economia do Chile. Mas os familiares de milhares de homens e mulheres, velhos ou jovens que tombaram sob o peso dos sabres da opressão, entendem bem o que seja a acepção estrita e bruta da palavra ditadura.
Foi sob Pinochet que desenvolveu-se a partir do Chile a Operação Condor, que reunia numa espécie de força-tarefa da morte os sistema de repressão dos países do cone Sul, para a captura e troca de prisioneiros políticos. Houve também a sinistra caravana da morte, onde batalhões percorriam prisões e locais onde estavam presos oposicionistas e simplesmente os executavam.
Ontem, multidões barulhentas acorreram às ruas de Santiago e outras cidades para comemorar, com brindes de champanhe, vinho e cerveja, a morte do Jefe. Seu corpo será cremado e as cinzas entregues à família. Somente em quartéis e repartições militares as bandeiras ficarão a meio pau.
Mesmo comemorando, o Chile secretamente chora os mais de três mil mortos e desaparecidos. E entidades internacionais de direitos humanos reclamam que seres como ele não sejam punidos, tais os entraves legais.
De qualquer maneira, foi-se Pinochet. Seu corpo prestes e virar cinzas. Da cinza à cinza; do pó ao pó.
O que se viu ontem, com a morte de Pinochet em tais circunstâncias, em que as coincidências tornam ainda mais dolorosas para seus seguidores as condições em que se deu seu fim? A pura e simples demonstração da triste condição humana. Aquele que foi o todo-poderoso, o tirano que impunha terror como norma de estado, o general que ordenava a morte de pessoas sem pestanejar, foi afinal fulminado e mergulhou seu nome sombrio nos registros implacáveis da História.
Seus admiradores o têm na conta de uma espécie de déspota esclarecido, um homem que deu rumo à economia do Chile. Mas os familiares de milhares de homens e mulheres, velhos ou jovens que tombaram sob o peso dos sabres da opressão, entendem bem o que seja a acepção estrita e bruta da palavra ditadura.
Foi sob Pinochet que desenvolveu-se a partir do Chile a Operação Condor, que reunia numa espécie de força-tarefa da morte os sistema de repressão dos países do cone Sul, para a captura e troca de prisioneiros políticos. Houve também a sinistra caravana da morte, onde batalhões percorriam prisões e locais onde estavam presos oposicionistas e simplesmente os executavam.
Ontem, multidões barulhentas acorreram às ruas de Santiago e outras cidades para comemorar, com brindes de champanhe, vinho e cerveja, a morte do Jefe. Seu corpo será cremado e as cinzas entregues à família. Somente em quartéis e repartições militares as bandeiras ficarão a meio pau.
Mesmo comemorando, o Chile secretamente chora os mais de três mil mortos e desaparecidos. E entidades internacionais de direitos humanos reclamam que seres como ele não sejam punidos, tais os entraves legais.
De qualquer maneira, foi-se Pinochet. Seu corpo prestes e virar cinzas. Da cinza à cinza; do pó ao pó.
domingo, 10 de dezembro de 2006
"Turistas", uma história de horror onde o Brasil é personagem e monstro
Circula na internet um indignado texto atribuído à internauta Rosely Júlio, onde se denuncia que estreará no Brasil, em fevereiro de 2007, o filme "Turistas" - assim mesmo, em português. A indignação com a produção da Fox é que, em resumo, esta apresenta nosso país como uma terra de bárbaros, aproveitadores, gente sem o menor escrúpulo que seqüestra um grupo de jovens americanos para lhes retirar órgãos e vender no sinistro mercado que comercia a vida humana.
Trata-se evidentemente de um reducionismo grosseiro e mal-intencionado, feito a partir do estereótipo sensualidade tropical&selva. Selva para onde os jovens são levados após uma farra na praia, quando teriam sido vítimas do golpe do boa-noite-cinderela. Ali, em plena jungle, são submetidos a tratamento brutal numa cabana e aterrorizados. Aparetemente tentam fugir e uma jovem cai num abismo. O trailer que me chegou mostra até aí.
Vejamos agora alguns aspectos: primeiro - a Fox é propriedade do magnata anglo-australiano Rupert Murdoch, dono do grupo News Corporation, que no Brasil tem o controle das operadoras Sky e DirecTV. Portanto, ele tem todo o interesse em desmoralizar o Brasil selvagem, inculto, belo porém bárbaro, para dar lugar à nova cultura globalizada, que certamente nos levará ao caminho reto e seguro do american way of life.
Segundo, e aí a visão internacional sobre o Brasil se arrima para avançar sobre nós garras e asas dos falcões do capitalismo internacional, nós mesmos projetamos para o exterior a idéia de que somos ao mesmo tempo hedonistas e dependentes, lascivos e irresponsáveis, licenciosos e incompetentes. Ficamos loucos de alegria quando o carnaval explode em sexo e orgia e isso atrai dólares e, aí sim, turistas.
Para completar, os correspondentes estrangeiros somente enviam aos seus jornais e agências de notícias aquilo que a noticiabilidade jornalística já tem incorporada há séculos: acontecimentos brutais como a guerra dos traficantes no Rio, a incompetência do Estado brasileiro em enfrentar o crime organizado, sua histórica omissão perante a Amazônia em devastação.
Para os invasores, vale tudo para manter em maré alta sua situação central e a nossa periferia. De alguma forma esse tipo de filme é indicial, é uma pista de que algo não vai bem. E não vai bem há muito tempo. Há poucos dias a presidente do STF, ministra Ellen Gracia, foi assaltada. Seus seguranças sequer resistiram. Ela não deu queixa à polícia. Os invasores vêem isso e estão à espreita. Depois, sair da ficção para ingressar na realidade é um passo.
Ou alguém duvida que em mais uns quarenta anos os marines estejam saltando sobre a Amazônia para garantir que o Inferno Verde seja salvo da insanidade nossa, e todo o território seja entregue ao controle internacional? Afinal, a floresta está sendo atacada, e atacada por nós, brasileiros.
Como no filme, seus órgãos vitais, as árvores, estão sendo retirados e vendidos. E então, Turistas será uma visão antecipada, uma metáfora inesperada e truculenta daquilo que, temo, virá. E aí, chegará a hora dos rangers aportar em socorro da vida. Depois bye, bye Brasil. Será tarde e Inês é morta.
E o mais irônico: mesmo manifestando indignação com Turistas, o texto atribuído a Rosely informa que ela mora no exterior, amedrontada que está com a violência em nosso país. É um protesto ridículo ou deplorável? Será que somos apenas isso: ridículos e deploráveis?
Trata-se evidentemente de um reducionismo grosseiro e mal-intencionado, feito a partir do estereótipo sensualidade tropical&selva. Selva para onde os jovens são levados após uma farra na praia, quando teriam sido vítimas do golpe do boa-noite-cinderela. Ali, em plena jungle, são submetidos a tratamento brutal numa cabana e aterrorizados. Aparetemente tentam fugir e uma jovem cai num abismo. O trailer que me chegou mostra até aí.
Vejamos agora alguns aspectos: primeiro - a Fox é propriedade do magnata anglo-australiano Rupert Murdoch, dono do grupo News Corporation, que no Brasil tem o controle das operadoras Sky e DirecTV. Portanto, ele tem todo o interesse em desmoralizar o Brasil selvagem, inculto, belo porém bárbaro, para dar lugar à nova cultura globalizada, que certamente nos levará ao caminho reto e seguro do american way of life.
Segundo, e aí a visão internacional sobre o Brasil se arrima para avançar sobre nós garras e asas dos falcões do capitalismo internacional, nós mesmos projetamos para o exterior a idéia de que somos ao mesmo tempo hedonistas e dependentes, lascivos e irresponsáveis, licenciosos e incompetentes. Ficamos loucos de alegria quando o carnaval explode em sexo e orgia e isso atrai dólares e, aí sim, turistas.
Para completar, os correspondentes estrangeiros somente enviam aos seus jornais e agências de notícias aquilo que a noticiabilidade jornalística já tem incorporada há séculos: acontecimentos brutais como a guerra dos traficantes no Rio, a incompetência do Estado brasileiro em enfrentar o crime organizado, sua histórica omissão perante a Amazônia em devastação.
Para os invasores, vale tudo para manter em maré alta sua situação central e a nossa periferia. De alguma forma esse tipo de filme é indicial, é uma pista de que algo não vai bem. E não vai bem há muito tempo. Há poucos dias a presidente do STF, ministra Ellen Gracia, foi assaltada. Seus seguranças sequer resistiram. Ela não deu queixa à polícia. Os invasores vêem isso e estão à espreita. Depois, sair da ficção para ingressar na realidade é um passo.
Ou alguém duvida que em mais uns quarenta anos os marines estejam saltando sobre a Amazônia para garantir que o Inferno Verde seja salvo da insanidade nossa, e todo o território seja entregue ao controle internacional? Afinal, a floresta está sendo atacada, e atacada por nós, brasileiros.
Como no filme, seus órgãos vitais, as árvores, estão sendo retirados e vendidos. E então, Turistas será uma visão antecipada, uma metáfora inesperada e truculenta daquilo que, temo, virá. E aí, chegará a hora dos rangers aportar em socorro da vida. Depois bye, bye Brasil. Será tarde e Inês é morta.
E o mais irônico: mesmo manifestando indignação com Turistas, o texto atribuído a Rosely informa que ela mora no exterior, amedrontada que está com a violência em nosso país. É um protesto ridículo ou deplorável? Será que somos apenas isso: ridículos e deploráveis?
sábado, 9 de dezembro de 2006
Crônicas para Natal
Cidade mulher
Natal mulher. Descobridora de pétalas,
filha do sol, amiga da beleza,
desenho íntimo do instante feminino.
Grávida de paz, mãe de todas
as belezas, teus olhos
cultivam a alma da vida.
Cidade de espumas.
Artesã de teias invisíveis.
Menina linda. Que se atira, doce,
aos caminhos da beleza.
E que dorme, bela,
no silêncio do mar
profundo e manso.
Natal mulher. Descobridora de pétalas,
filha do sol, amiga da beleza,
desenho íntimo do instante feminino.
Grávida de paz, mãe de todas
as belezas, teus olhos
cultivam a alma da vida.
Cidade de espumas.
Artesã de teias invisíveis.
Menina linda. Que se atira, doce,
aos caminhos da beleza.
E que dorme, bela,
no silêncio do mar
profundo e manso.
sexta-feira, 8 de dezembro de 2006
Precisamos de um tapete mágico
Um sargento cujo nome é mantido em sigilo, confessou, chorando, ser o responsável pelo apagão dos aeroportos brasileiros. Ele trocou, por incapacidade profissional, os comandos que acionariam um sistema de rádio suplementar, que substituiria o sistema principal, que apresentava problemas.
Aí está a situação do controle de tráfego aéreo brasileiro. Entregue a gente desqualificada e o que é pior: eticamente incapacitada para o exercício de uma atividade tão importante. Explico: segundo o Estadão, ao perceber o erro, pois tudo imediatamente parou de funcionar, o militar retirou-se sorrateiramente. Somente depois que o pânico instalou-se, e mesmo assim muito tempo depois, ele confessou a falha e a fuga.
Resumo: e apesar de tudo,não se percebe uma ação enérgica do governo federal, através de suas instâncias competentes para o setor,na solução do problema. É inadmissível que num país como o nosso, com o volume de tráfego aéreo que apresentamos, tal situação se mantenha.
A categoria dos controladores de vôo precisa ser qualificada, treinada, inclusive em termos salariais, e ter um plano de carreira. Essas falhas que agora explodem são o resultado de anos e anos de ocultamento; mantinha-se uma situação caótica em seu limite máximo, até que aconteceu o acidente envolvendo o Legacy e um avião de carreira. E tudo veio abaixo.
Não se vê ação ou solução a curto prazo. Enquanto isso, podemos pensar: como seria bom ter um tapete voador. Ele seria como um bichinho mágico e amestrado. Voaríamos em paz e todas as nossas viagens seriam um sonho.
Aí está a situação do controle de tráfego aéreo brasileiro. Entregue a gente desqualificada e o que é pior: eticamente incapacitada para o exercício de uma atividade tão importante. Explico: segundo o Estadão, ao perceber o erro, pois tudo imediatamente parou de funcionar, o militar retirou-se sorrateiramente. Somente depois que o pânico instalou-se, e mesmo assim muito tempo depois, ele confessou a falha e a fuga.
Resumo: e apesar de tudo,não se percebe uma ação enérgica do governo federal, através de suas instâncias competentes para o setor,na solução do problema. É inadmissível que num país como o nosso, com o volume de tráfego aéreo que apresentamos, tal situação se mantenha.
A categoria dos controladores de vôo precisa ser qualificada, treinada, inclusive em termos salariais, e ter um plano de carreira. Essas falhas que agora explodem são o resultado de anos e anos de ocultamento; mantinha-se uma situação caótica em seu limite máximo, até que aconteceu o acidente envolvendo o Legacy e um avião de carreira. E tudo veio abaixo.
Não se vê ação ou solução a curto prazo. Enquanto isso, podemos pensar: como seria bom ter um tapete voador. Ele seria como um bichinho mágico e amestrado. Voaríamos em paz e todas as nossas viagens seriam um sonho.
quinta-feira, 7 de dezembro de 2006
Crônicas para Natal
O vigilante do Atlântico
Ele é uma espécie de guardião
dos mares, vigia perpétuo da noite,
protetor de náufragos tardios.
O Farol de Mãe Luíza
ergue-se como um porta
de salvação aos navios
que cruzam a noite
marinha e solitária.
Suas escadas são o
passo a passo de quem
segue a rota das ondas e
sabe que, no rebrilhar de
suas luzes, talvez esteja
o último alento dos navegantes
em meio à tempestade.
Farol de Mãe Luíza: vigilante
do Atlântico, amigo dos
que viajam no silêncio do mar.
Ele é uma espécie de guardião
dos mares, vigia perpétuo da noite,
protetor de náufragos tardios.
O Farol de Mãe Luíza
ergue-se como um porta
de salvação aos navios
que cruzam a noite
marinha e solitária.
Suas escadas são o
passo a passo de quem
segue a rota das ondas e
sabe que, no rebrilhar de
suas luzes, talvez esteja
o último alento dos navegantes
em meio à tempestade.
Farol de Mãe Luíza: vigilante
do Atlântico, amigo dos
que viajam no silêncio do mar.
quarta-feira, 6 de dezembro de 2006
A maldição de Ícaro
Às vezes penso que Ícaro, depois de haver derretido suas asas na tentativa de voar, agora está se vingando e escolheu o Brasil para fazer valer seus ressentimentos.
Maldição de Ícaro ou o que seja, o problema dos congestionamentos dos aeroportos por falha do sistema nacional de radares que rastreia o setor, dá bem um demonstrativo de como é frágil, insegura, incompetente e imprevidente a administração pública deste país.
Se, ao invés do problema da aviação estivéssemos enfrentando um estado de guerra ou algo talvez até mais terrível, como a gripe aviária, estaríamos literalmente entregues ao caos. Haveria, como nos relatos bíblicos, choro e ranger de dentes. O Brasil já está socialmente sucateado; não suporta - nem merece - mais nenhuma avaria.
Mas as autoridades, de cima a baixo, continuam a se pautar pela cultura da imprudência, porque são imprudentes; pela ação do ócio, porque são desatentas; pela presença da ausência, porque estão pensando em seu futuro.
No mais, é o seguinte: quando o caos se instalar, quando alguma praga social se abater sobre o povo, estejamos certos: haverá choro e ranger de dentes.
Maldição de Ícaro ou o que seja, o problema dos congestionamentos dos aeroportos por falha do sistema nacional de radares que rastreia o setor, dá bem um demonstrativo de como é frágil, insegura, incompetente e imprevidente a administração pública deste país.
Se, ao invés do problema da aviação estivéssemos enfrentando um estado de guerra ou algo talvez até mais terrível, como a gripe aviária, estaríamos literalmente entregues ao caos. Haveria, como nos relatos bíblicos, choro e ranger de dentes. O Brasil já está socialmente sucateado; não suporta - nem merece - mais nenhuma avaria.
Mas as autoridades, de cima a baixo, continuam a se pautar pela cultura da imprudência, porque são imprudentes; pela ação do ócio, porque são desatentas; pela presença da ausência, porque estão pensando em seu futuro.
No mais, é o seguinte: quando o caos se instalar, quando alguma praga social se abater sobre o povo, estejamos certos: haverá choro e ranger de dentes.
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