Leio no Jornal do Brasil que a polícia, no Rio, começa a sufocar o tráfico. Descapitalizados, diz o jornal, os criminosos podem tentar ações no asfalto, em busca de compensar as perdas com a redução na venda de drogas.
Suponho que a ação em desenvolvimento, com o apoio da Força Nacional de Segurança, é pontual e tática, devendo portanto evoluir para um tratamento estratégico e intenso, mantendo os criminosos permanentemente sob a mira da polícia.
É claro que a questão do tráfico no País é algo complexo e historicamente enraizado. Não há como negar que a simples ação atualmente em andamento no Rio não vai desarticular esse tipo de atividade, até porque suas ramificações se estendem para muito além dos morros e chega aos gabinetes e ambientes VIP.
A atuação policial deve ser o indicativo de que a sociedade começa a se posicionar, através do seu aparelho de repressão, e a dizer aos criminosos que eles agora terão um limite.
Mesmo assim, pontual e tática, a atitude já representa alguma coisa. Agora, é esperar que a presença da polícia nas ruas e um trabalho competente de inteligência venham a resultar num arrocho tal que os bandidos sejam contidos.
Por outro lado, é preciso promover a denúncia da cultura das drogas, convencer o jovem de que a droga não deve significar um estilo de vida e que, em si, não leva a nada.
"Não é justo alguém ter o direito de ter uma empresa de aviação e outro não ter o direito de comer um pão." /////// JAMAIS IDE A UM LUGAR GRANDE DEMAIS. A UM LUGAR AONDE NÃO TENHAIS CORAGEM DA IMENSIDÃO - EMANOEL BARRETO - NATAL/RN
sábado, 17 de fevereiro de 2007
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007
Gastando à toa o meu inglês
Quando o verão se abre em cores e belezas sobre Natal, os turistas estrangeiros chegam como enxame de gente curiosa, quase aflita para aproveitar o sol, o calor, a areia da praia quase brilhando de tanta luz. Natal é uma cidade de lluminosidade muito especial,e esse brilho de alguma maneira se reflete na alma das pessoas. Natal vira um estado de espírito.
A cidade vira um democrático estardalhaço de alegrias. Gente que veio da Escandinávia troca o branco da pele pelo queimado do sol nordestino, gente que veio de outros Estados brasileiros adora essa paisagem de paraíso, gente que veio não-sei-de-onde fica alegre, vira jovem, vira menino.
E os daqui, os que de alguma maneira vivem do turismo, aproveitam para trabalhar e ganhar o seu dinheiro. Então, surge um comércio simples, o comércio dos que sobrevivem de vender água de coco, uma dose de caipirinha, casquinho de caranguejo e uma cervejinha gelada.
Esses, sabe-se lá como, aprendem palavras ou expressões básicas em inglês e saem por aí, pelas praias, vendendo. Sorridentes, oferecem: "Beer?"
E os estrangeiros: "Oh, yes".
E os vendedores: "Tá bem, tá aqui a sua beer."
Às vezes, os vendedores confundem as pessoas. Basta que você seja confundido com um nórdico, para ser abordado. E foi isso o que aconteceu, com a minha mulher e com uma conhada, em férias conosco.
Elas estavam nas imediações da Fortaleza dos Reis Magos, monumental construção portuguesa e um dos símbolos da cidade, quando, de repente, um menino disse: "Beer?"
E mais uma vez "Beer?" Elas não comprenderam a abordagem, até perceber que estavam em meio a um grupo de famílias da Escandinávia.
Como eles acenaram que não, que não queriam a cerveja, o menino passou a pedir: "Money, money."
Afinal, elas, em português, disseram que não queriam nada nem tinham trocado. Sabe qual foi a resposta dele?
"Ah, aqui perdi meu tempo. Estou gastando à toa o meu inglês."
A cidade vira um democrático estardalhaço de alegrias. Gente que veio da Escandinávia troca o branco da pele pelo queimado do sol nordestino, gente que veio de outros Estados brasileiros adora essa paisagem de paraíso, gente que veio não-sei-de-onde fica alegre, vira jovem, vira menino.
E os daqui, os que de alguma maneira vivem do turismo, aproveitam para trabalhar e ganhar o seu dinheiro. Então, surge um comércio simples, o comércio dos que sobrevivem de vender água de coco, uma dose de caipirinha, casquinho de caranguejo e uma cervejinha gelada.
Esses, sabe-se lá como, aprendem palavras ou expressões básicas em inglês e saem por aí, pelas praias, vendendo. Sorridentes, oferecem: "Beer?"
E os estrangeiros: "Oh, yes".
E os vendedores: "Tá bem, tá aqui a sua beer."
Às vezes, os vendedores confundem as pessoas. Basta que você seja confundido com um nórdico, para ser abordado. E foi isso o que aconteceu, com a minha mulher e com uma conhada, em férias conosco.
Elas estavam nas imediações da Fortaleza dos Reis Magos, monumental construção portuguesa e um dos símbolos da cidade, quando, de repente, um menino disse: "Beer?"
E mais uma vez "Beer?" Elas não comprenderam a abordagem, até perceber que estavam em meio a um grupo de famílias da Escandinávia.
Como eles acenaram que não, que não queriam a cerveja, o menino passou a pedir: "Money, money."
Afinal, elas, em português, disseram que não queriam nada nem tinham trocado. Sabe qual foi a resposta dele?
"Ah, aqui perdi meu tempo. Estou gastando à toa o meu inglês."
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007
Salve-se quem puder
O Estadão online publicou:
JOHANESBURGO - Algumas estrelas de Hollywood resolveram recorrer aos serviços dos sangomas, bruxos sul-africanos, para controlar a ansiedade nos dias que precedem a entrega do Oscar, de acordo com o jornal The Mercury. Elliot Ndlovu, um curandeiro da região de Kwazulu-Natal, usará de sua tradição para acalmar as estrelas.
Ele viajou para os EUA, a convite de uma empresa da Califórnia, e por quatro dias deverá aplicar os conhecimentos da medicina tradicional zulu, bem como medicamentos à base de plantas, sementes e ossos, e também usará a observação das estrelas para adivinhação do futuro de apresentadores e indicados.
Talvez seja também a hora de trazermos o homem até o Brasil, para abrandar o coração dos criminosos, comuns e de colarinho branco, que assolam ruas e plenários desta mui amada pátria nossa, salve, salve.
Salve, salve?
É mesmo. Salve-se quem puder.
JOHANESBURGO - Algumas estrelas de Hollywood resolveram recorrer aos serviços dos sangomas, bruxos sul-africanos, para controlar a ansiedade nos dias que precedem a entrega do Oscar, de acordo com o jornal The Mercury. Elliot Ndlovu, um curandeiro da região de Kwazulu-Natal, usará de sua tradição para acalmar as estrelas.
Ele viajou para os EUA, a convite de uma empresa da Califórnia, e por quatro dias deverá aplicar os conhecimentos da medicina tradicional zulu, bem como medicamentos à base de plantas, sementes e ossos, e também usará a observação das estrelas para adivinhação do futuro de apresentadores e indicados.
Talvez seja também a hora de trazermos o homem até o Brasil, para abrandar o coração dos criminosos, comuns e de colarinho branco, que assolam ruas e plenários desta mui amada pátria nossa, salve, salve.
Salve, salve?
É mesmo. Salve-se quem puder.
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007
Crônicas para Natal
O horizonte e a pérola
A praia se abre ao horizonte
como uma ostra
que oculta a pérola dos mares.
Pirangi, a praia,
é uma área privativa do lazer,
local exclusivo para as férias,
alegre clausura do prazer.
Sua areia é trilha
para todos os pés
que correm para o mar.
E as ondas, mansas,
são mulheres massageadas de ternura.
Pirangi, Veneza do mar,
seus barcos desfilam
sem pressa
nas avenidas de todas as ondas.
A praia se abre ao horizonte
como uma ostra
que oculta a pérola dos mares.
Pirangi, a praia,
é uma área privativa do lazer,
local exclusivo para as férias,
alegre clausura do prazer.
Sua areia é trilha
para todos os pés
que correm para o mar.
E as ondas, mansas,
são mulheres massageadas de ternura.
Pirangi, Veneza do mar,
seus barcos desfilam
sem pressa
nas avenidas de todas as ondas.
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
Roberto Carlos: a brasa ainda não apagou.
Numa de suas raríssimas entrevistas, Roberto Carlos falou a vários jornalistas e alguns privilegiados turistas do transatlântico Costa Fortuna, onde apresenta shows para uma platéia classe A.
Conversou sobre sua carreira, admitiu a possibilidade de em futuro próximo vir a fazer plástica, revelou-se adepto da malhação para se manter em forma aos 65 anos e até admitiu ter simpatias pelo funk.
Roberto Carlos, que somente não gostou de falar sobre sua biografia não-autorizada, anunciou que publicará uma autobiografia e garantiu: não usa Viagra.
Claro, a brasa ainda não apagou.
Agora, um detalhe: a rigor, qual a importância de tudo isso? Quantos homens de 65 anos também fazem cruzeiros, são riquíssimos, podem até pensar em publicar uma autobiografia, malham diariamente não usam Viágra e ninguém sai à sua procura, para saber detalhes de suas vidas, etc.. etc... etc...?
Respondendo: não há, em essência, qualquer importância. O único - e vigoroso detalhe - é que Roberto Carlos é uma figura midiática, administra muito bem sua imagem, trabalha sua visibilidade e tem todo um passado, também midiatizado, a respaldar sua pessoa.
E as figuras midiáticas são assim: cobrem-se como véu transparente da fama e tornam-se distantes, porém visíveis pela TV, jornal ou revista, internet ou o que mais seja. São visíveis, mas intangíveis, ausentes ao contato visual direto, ao toque de mão, ao carinho, ao abraço.
E disso sobrevivem, e isso industrializam pela mídia. São produtos de massa e assim tornam-se reis.
Conversou sobre sua carreira, admitiu a possibilidade de em futuro próximo vir a fazer plástica, revelou-se adepto da malhação para se manter em forma aos 65 anos e até admitiu ter simpatias pelo funk.
Roberto Carlos, que somente não gostou de falar sobre sua biografia não-autorizada, anunciou que publicará uma autobiografia e garantiu: não usa Viagra.
Claro, a brasa ainda não apagou.
Agora, um detalhe: a rigor, qual a importância de tudo isso? Quantos homens de 65 anos também fazem cruzeiros, são riquíssimos, podem até pensar em publicar uma autobiografia, malham diariamente não usam Viágra e ninguém sai à sua procura, para saber detalhes de suas vidas, etc.. etc... etc...?
Respondendo: não há, em essência, qualquer importância. O único - e vigoroso detalhe - é que Roberto Carlos é uma figura midiática, administra muito bem sua imagem, trabalha sua visibilidade e tem todo um passado, também midiatizado, a respaldar sua pessoa.
E as figuras midiáticas são assim: cobrem-se como véu transparente da fama e tornam-se distantes, porém visíveis pela TV, jornal ou revista, internet ou o que mais seja. São visíveis, mas intangíveis, ausentes ao contato visual direto, ao toque de mão, ao carinho, ao abraço.
E disso sobrevivem, e isso industrializam pela mídia. São produtos de massa e assim tornam-se reis.
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007
Crônicas para Natal
Os grãos do passado
Pedras antigas, grãos
do passado de Natal,
respingam essa rua
esquecida e solitária,
ao lado do Solar Bela Vista.
Rua de calçamento irregular,
suas pedras rudes fervilham
sob os pés de quem a caminha.
As pedras são devoradoras
de passos, como, na própria vida,
muitos dos nossos passos se perdem.
Rua antiga, esquecida
numa das dobras da cidade,
esperemos que fiques assim,
como um velho livro.
Guardando, para sempre,
lembranças de passos
que não voltam mais.
Pedras antigas, grãos
do passado de Natal,
respingam essa rua
esquecida e solitária,
ao lado do Solar Bela Vista.
Rua de calçamento irregular,
suas pedras rudes fervilham
sob os pés de quem a caminha.
As pedras são devoradoras
de passos, como, na própria vida,
muitos dos nossos passos se perdem.
Rua antiga, esquecida
numa das dobras da cidade,
esperemos que fiques assim,
como um velho livro.
Guardando, para sempre,
lembranças de passos
que não voltam mais.
sábado, 10 de fevereiro de 2007
Brasil, um arrabalde de nação, o país do futebol
Leio, entre estarrecido e indignado, que a Confederação Brasileira de Futebol prossegue com a intentona de o Brasil sediar a Copa do Mundo de 2014, uma insanidade que custaria ao povo brasileiro a bagatela de dois bilhões de dólares para a restauração e construção de estádios, sem incluir obras de infra-estrutura.
Não é um projeto, é um crime contra quem vive de salário mínimo, vê deputados e senadores espoliar o erário, esmola um atendimento em hospital do SUS e teme que bandidos impunes o matem na próxima esquima.
É um crime contra um povo que viu seu país ser transformado num arrabalde de nação, num beco da História, no sacrário da miséria.
O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, está tentanto convencer Pelé a ser o embaixador do Brasil junto à Fifa, na busca de convencer a cúpúla do futebol mundial a nos aceitar como sede.
Pelé, por sua vez, teme que sua imagem saia desgastada, caso surjam - como seria naturalíssimo no Brasil - acusações ou constatações de desvio de verbas. Fala-se que a empreitada, ponto de fulgor da insensatez, está sendo comparada à construção de uma nova Brasília.
Orater frater, e peçamos a Deus que tal insânia não venha a se abater sobre o nosso povo. Até quando políticos e outros que tais pensam que é possível tripudiar sobre a nossa pobreza e o nosso sofrimento, pensando que o povo, de barriga vazia, irá se contentar com o circo?
Quando a cuíca da fome ronca na barriga, pode ser sinal que a dívida do prato vazio venha a ser cobrada de forma perversa com dor e balas. Aliás - perdão pelo aliás - já está sendo cobrada. Só que parece que ninguém vê.
Não é um projeto, é um crime contra quem vive de salário mínimo, vê deputados e senadores espoliar o erário, esmola um atendimento em hospital do SUS e teme que bandidos impunes o matem na próxima esquima.
É um crime contra um povo que viu seu país ser transformado num arrabalde de nação, num beco da História, no sacrário da miséria.
O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, está tentanto convencer Pelé a ser o embaixador do Brasil junto à Fifa, na busca de convencer a cúpúla do futebol mundial a nos aceitar como sede.
Pelé, por sua vez, teme que sua imagem saia desgastada, caso surjam - como seria naturalíssimo no Brasil - acusações ou constatações de desvio de verbas. Fala-se que a empreitada, ponto de fulgor da insensatez, está sendo comparada à construção de uma nova Brasília.
Orater frater, e peçamos a Deus que tal insânia não venha a se abater sobre o nosso povo. Até quando políticos e outros que tais pensam que é possível tripudiar sobre a nossa pobreza e o nosso sofrimento, pensando que o povo, de barriga vazia, irá se contentar com o circo?
Quando a cuíca da fome ronca na barriga, pode ser sinal que a dívida do prato vazio venha a ser cobrada de forma perversa com dor e balas. Aliás - perdão pelo aliás - já está sendo cobrada. Só que parece que ninguém vê.
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007
O fim do jornalismo impresso
O The New York Times, o jornal mais prestigioso do mundo, começa a admitir, e a divulgar, que em mais cindo anos a publicação poderá deixar de ser impressa e passar unicamente a ser feita via internet. A empresa que edita o jornal e outros diários está amargando prejuízos. Por outro lado, já percebeu que os acessos à versão online superam a casa de 1 milhão e 500 mil por dia, enquanto a edição impressa tem 1 milhão e cem mil assinantes.
Acho que a diferença entre os números não seja assim tão expressiva, que justifique o fim do jornal impresso. Afinal, a internet certamente deveria permitir um acesso bem mais elevado. Aspectos como gratuidade e maior facilidade de se ler o conteúdo deveriam incentivar uma quantidade bem maior de leitores.
Mas deve-se levar em conta, também, a questão financeira. Os donos são quem sabe onde o sapato lhes aperta. Mas, estaria o mundo já socialmente condicionado, a ponto de prescindir dos jornais impressos?
Agora, a questão de fundo é efetivamente essa: até quando o jornal impresso poderá resistir, como meio eficaz de envio de informações de massa? Quando passará a ser visto como um anacronismo, uma vez que sua feitura, mesmo sob pressão, é lenta, se comparada à elaboração de material para a internet? Depois disso, vem a distribuição, trabalhosa, que envolve uma grande equipe de motoristas e descarregadores.
E isso sem levar em conta os custos com a informatização das redações, parques gráficos caríssimos, tinta, papel, fotolitos, chapas matriciais e toda a equipe que orbita em volta da redação: setor comercial, administrativo e funcionários de serviços gerais. É muita coisa.
Mas, a internet está apenas começando. Com passos largos, ganha espaço e socializa como veículo preferencial, especialmente entre os jovens. Por sua vez, o jornal impresso é veículo legitimado, portador de informações e opiniões credibilizadas historicamente e não vejo assim, num horizonte tão próximo, o fim das velhas folhas que tão costumeiramente manuseamos.
Creio que tudo virá a seu tempo. E esse tempo ainda não chegou.
Acho que a diferença entre os números não seja assim tão expressiva, que justifique o fim do jornal impresso. Afinal, a internet certamente deveria permitir um acesso bem mais elevado. Aspectos como gratuidade e maior facilidade de se ler o conteúdo deveriam incentivar uma quantidade bem maior de leitores.
Mas deve-se levar em conta, também, a questão financeira. Os donos são quem sabe onde o sapato lhes aperta. Mas, estaria o mundo já socialmente condicionado, a ponto de prescindir dos jornais impressos?
Agora, a questão de fundo é efetivamente essa: até quando o jornal impresso poderá resistir, como meio eficaz de envio de informações de massa? Quando passará a ser visto como um anacronismo, uma vez que sua feitura, mesmo sob pressão, é lenta, se comparada à elaboração de material para a internet? Depois disso, vem a distribuição, trabalhosa, que envolve uma grande equipe de motoristas e descarregadores.
E isso sem levar em conta os custos com a informatização das redações, parques gráficos caríssimos, tinta, papel, fotolitos, chapas matriciais e toda a equipe que orbita em volta da redação: setor comercial, administrativo e funcionários de serviços gerais. É muita coisa.
Mas, a internet está apenas começando. Com passos largos, ganha espaço e socializa como veículo preferencial, especialmente entre os jovens. Por sua vez, o jornal impresso é veículo legitimado, portador de informações e opiniões credibilizadas historicamente e não vejo assim, num horizonte tão próximo, o fim das velhas folhas que tão costumeiramente manuseamos.
Creio que tudo virá a seu tempo. E esse tempo ainda não chegou.
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007
Indignos até da morte
Deu no Estadão online.
RIO - A morte de João Hélio Fernandes, de seis anos, chocou até a polícia do Rio de Janeiro. O delegado Hércules Pires do Nascimento, que investiga a morte do menino arrastado por sete quilômetros do lado de fora do carro de sua mãe, que havia sido roubado, classificou os criminosos de "monstros". "As pessoas nas ruas gritavam para que eles parassem. Acredito que estivessem drogados", afirmou. O Disque-Denúncia do Rio está oferecendo uma recompensa de R$ 2 mil para informações que levem à identificação e prisão dos assassinos. O telefone é 21-2253-1177.
Segundo o delegado, os dois assaltantes perceberam que João Hélio Fernandes estava preso no cinto de segurança mas não pararam o Corsa. Eles estacionaram o carro, na tentativa de esconder o veículo, e fugiram a pé.
A mãe da criança, Rosa Cristina Fernandes, de 41 anos, estava com a filha Aline, de 13 anos, ao seu lado, no banco da frente, e João Hélio no banco de trás. A família foi abordada quando o Corsa parou num sinal na esquina das ruas João Vicente com Henrique de Melo, no bairro de Oswaldo Cruz, na zona norte do Rio.
A mãe abriu a porta traseira para tirar o garoto, mas João Hélio ficou preso pelo cinto, do lado de fora do carro. Os criminosos arrancaram, a porta do veículo fechou e o menino foi levado pendurado pelo abdome. Eles percorreram quatro bairros - Oswaldo Cruz, Campinho, Cascadura e Madureira.
E agora?
Dizer o quê, diante desse fato: Pai, perdoai-os, pois não sabem o que fazem?
Dizer o quê, diante desse fato: os bandidos são vítimas da sociedade e estão somente reproduzindo o modelo de exclusão e opressor ao qual estão vinculados?
Dizer o quê, não sei. Mas, fazer o quê, acho que sei: está na hora de a sociedade responder à altura, com força e armas, em ação permanente e diária, no enfrentamento de tais criminosos.
Não há justificativa a uma ação de tamanha brutalidade ante uma criança indefesa, mais que isso, inofensiva e incapaz de fugir ao ataque de homens que são indignos até da morte.
RIO - A morte de João Hélio Fernandes, de seis anos, chocou até a polícia do Rio de Janeiro. O delegado Hércules Pires do Nascimento, que investiga a morte do menino arrastado por sete quilômetros do lado de fora do carro de sua mãe, que havia sido roubado, classificou os criminosos de "monstros". "As pessoas nas ruas gritavam para que eles parassem. Acredito que estivessem drogados", afirmou. O Disque-Denúncia do Rio está oferecendo uma recompensa de R$ 2 mil para informações que levem à identificação e prisão dos assassinos. O telefone é 21-2253-1177.
Segundo o delegado, os dois assaltantes perceberam que João Hélio Fernandes estava preso no cinto de segurança mas não pararam o Corsa. Eles estacionaram o carro, na tentativa de esconder o veículo, e fugiram a pé.
A mãe da criança, Rosa Cristina Fernandes, de 41 anos, estava com a filha Aline, de 13 anos, ao seu lado, no banco da frente, e João Hélio no banco de trás. A família foi abordada quando o Corsa parou num sinal na esquina das ruas João Vicente com Henrique de Melo, no bairro de Oswaldo Cruz, na zona norte do Rio.
A mãe abriu a porta traseira para tirar o garoto, mas João Hélio ficou preso pelo cinto, do lado de fora do carro. Os criminosos arrancaram, a porta do veículo fechou e o menino foi levado pendurado pelo abdome. Eles percorreram quatro bairros - Oswaldo Cruz, Campinho, Cascadura e Madureira.
E agora?
Dizer o quê, diante desse fato: Pai, perdoai-os, pois não sabem o que fazem?
Dizer o quê, diante desse fato: os bandidos são vítimas da sociedade e estão somente reproduzindo o modelo de exclusão e opressor ao qual estão vinculados?
Dizer o quê, não sei. Mas, fazer o quê, acho que sei: está na hora de a sociedade responder à altura, com força e armas, em ação permanente e diária, no enfrentamento de tais criminosos.
Não há justificativa a uma ação de tamanha brutalidade ante uma criança indefesa, mais que isso, inofensiva e incapaz de fugir ao ataque de homens que são indignos até da morte.
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
Não incomode os tolos, eles estão com preguiça
Começo citando Drummond, no poema "Inocentes do Leblon*".
Os inocentes do Leblon
não viram o navio entrar.
Trouxe bailarinas?
trouxe imigrantes?
trouxe um grama de rádio?
Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,
mas a areia é quente, e há um óleo suave
que eles passam nas costas, e esquecem.
A inocência, em verdade alienação ou estupidez preguiçosa, como que
espalhou-se do Leblon visto pelo poeta e hoje habita cada tela de TV, cada Ipod, cada orkut, CDs, tênis, roupas, modo de ser.
Há, na juventude, como que uma espécie de ópio lamentável, sonolência social, preguiça que brota de um embrutecimento que virou padrão. Sinalizados por um sistema de mídia que valoriza uma vida vazia, tola, consumista, a juventude assume a banalidade como bandeira de seus ideais fátuos e faz da fatuidade um fato consumado.
Temos uma juventude que dorme, mas não tem sonhos, ideais vontade. Temos ainda hoje inocentes do Leblon, mas uma inocência perversa, inocência devassa de consumismo e bobagens que são compradas por muito dinheiro. Que preguiça.
*Carlos Drummond de Andrade In "Sentimento do Mundo' - Irmãos Pongetti, 1940© Graña Drummond.
Os inocentes do Leblon
não viram o navio entrar.
Trouxe bailarinas?
trouxe imigrantes?
trouxe um grama de rádio?
Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,
mas a areia é quente, e há um óleo suave
que eles passam nas costas, e esquecem.
A inocência, em verdade alienação ou estupidez preguiçosa, como que
espalhou-se do Leblon visto pelo poeta e hoje habita cada tela de TV, cada Ipod, cada orkut, CDs, tênis, roupas, modo de ser.
Há, na juventude, como que uma espécie de ópio lamentável, sonolência social, preguiça que brota de um embrutecimento que virou padrão. Sinalizados por um sistema de mídia que valoriza uma vida vazia, tola, consumista, a juventude assume a banalidade como bandeira de seus ideais fátuos e faz da fatuidade um fato consumado.
Temos uma juventude que dorme, mas não tem sonhos, ideais vontade. Temos ainda hoje inocentes do Leblon, mas uma inocência perversa, inocência devassa de consumismo e bobagens que são compradas por muito dinheiro. Que preguiça.
*Carlos Drummond de Andrade In "Sentimento do Mundo' - Irmãos Pongetti, 1940© Graña Drummond.
terça-feira, 6 de fevereiro de 2007
Crônicas para Natal
O edifício da fé
Templo antigo, pesada beleza,
a Igreja Matriz,
catedral da Natal província,
repousa no lado velho da cidade.
Largo edifício da fé,
a igreja ergue suas torres
como mãos em prece todo dia.
Dentro, os fiéis são seguidores do divino.
E a igreja é como um grande mapa da religião.
No grande altar,
nas imagens,
nos recantos de silêncio e paz.
Igreja matriz,
relicário da fé
mais sincera do povo.
Templo antigo, pesada beleza,
a Igreja Matriz,
catedral da Natal província,
repousa no lado velho da cidade.
Largo edifício da fé,
a igreja ergue suas torres
como mãos em prece todo dia.
Dentro, os fiéis são seguidores do divino.
E a igreja é como um grande mapa da religião.
No grande altar,
nas imagens,
nos recantos de silêncio e paz.
Igreja matriz,
relicário da fé
mais sincera do povo.
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007
A morte pede milhões
O desejo de matar do presidente Bush não tem limites. Ainda hoje deverá enviar ao congresso do seu país pedido de 235 bilhões de dólares, para gastar nas guerras do Iraque e Afeganistão.
Se o pedido for aprovado, o dinheiro será somado a 70 bilhões recentemente aprovados. Reunindo todo o poderio bélico-financeiro americano aos financiamentos já liberados, a nação do Norte terá gasto até agora 745 bilhões de dólares desde os atentados de 11 de setembro de 2001,em Nova Iorque e Washington.
Tais atitudes se processam em detrimento de políticas públicas voltadas para o social. O caso mais gritante é a deplorável situação em que se encontra Nova Orleans, que desde a passagem do furacão Katrina deixou de ser uma linda e delirantemente alegre cidade, para se transformar num lugar triste, quase lúgubre, onde pessoas de amontoam em traillers, já que não têm casas para morar. Boa parte delas foi destruída. E o Governo Bush omitiu-se por completo. Detalhe: a população é eminentemente negra.
A obsessão de Bush com o terrorismo é tanta, que ele esquece algo bastante óbvio: primeiro, não conseguirá vencer a resistência dos também demenciais radicais islâmicos do Iraque; segundo, isso, além do mais, prolongará o confronto até o limite do insuportável pela sociedade americana - até que ponto pais e mães irão aceitar a morte de seus filhos num conflito tão insano?; terceiro, Osama bin Landen não está morto - pelo menos é o que parece - e nada faz desacreditar da possibilidade de que volte a trazer a território americano sua dose de loucura em resposta à loucura de Bush.
Se o pedido for aprovado, o dinheiro será somado a 70 bilhões recentemente aprovados. Reunindo todo o poderio bélico-financeiro americano aos financiamentos já liberados, a nação do Norte terá gasto até agora 745 bilhões de dólares desde os atentados de 11 de setembro de 2001,em Nova Iorque e Washington.
Tais atitudes se processam em detrimento de políticas públicas voltadas para o social. O caso mais gritante é a deplorável situação em que se encontra Nova Orleans, que desde a passagem do furacão Katrina deixou de ser uma linda e delirantemente alegre cidade, para se transformar num lugar triste, quase lúgubre, onde pessoas de amontoam em traillers, já que não têm casas para morar. Boa parte delas foi destruída. E o Governo Bush omitiu-se por completo. Detalhe: a população é eminentemente negra.
A obsessão de Bush com o terrorismo é tanta, que ele esquece algo bastante óbvio: primeiro, não conseguirá vencer a resistência dos também demenciais radicais islâmicos do Iraque; segundo, isso, além do mais, prolongará o confronto até o limite do insuportável pela sociedade americana - até que ponto pais e mães irão aceitar a morte de seus filhos num conflito tão insano?; terceiro, Osama bin Landen não está morto - pelo menos é o que parece - e nada faz desacreditar da possibilidade de que volte a trazer a território americano sua dose de loucura em resposta à loucura de Bush.
sábado, 3 de fevereiro de 2007
Pode vir quente, que eu estou fervendo
As notícias estão em ebulição na imprensa do mundo: os jornais tratam com destaque o aquecimento global, as pessoas se atemorizam, mas não há, em nível mundial, numa ação conjunta da humanidade, qualquer ação voltada para a realidade de hoje e prevenção daquilo que virá.
O Comitê Científico Internacional, encarregado de estudar o assundo, alarma que o quadro resulta de ação humana e deverá permanecer assim durante séculos. Com o aquecimento, haverá uma crescente elevação da temperatura do ar,derretimento de gelo e neve, bem como elevação do nível do mar.
Diz o Estadão on line que "o Comitê prevê uma elevação de temperatura de 1,1º C a 6,4º C até 2100. Esta é uma faixa de variação maior que a que constava do relatório anterior, de 2001, mas o comitê também diz que a melhor estimativa fixa a mudança entre 1,8º C e 4º C."
E mais: "No que diz respeito ao nível do mar, o relatório projeta elevações de 18 a 58 centímetros. Mas essa faixa pode ser ampliada em outros 10 a 20 centímetros se do derretimento das capas de gelo sobre as regiões polares continuar."
Está claro que estamos preparando um armagedom. A cobiça, a ganância, a necessidade desmedida de ganhar dinheiro às custas do meio ambiente, está levando as grandes corporações internacionais e grupos nacionais que lhes sejam satélites, a continuar com a insanidade. Muitas populações, por pobreza,ignorância ou estupidez, também contribuem para a degradação do planeta.
A Terra vai deixar de ser "azul e linda", como vista no olhar enternecido do cosmonauta Gagarin.
O objetivo dos homens é conviver com cinzas.
O Comitê Científico Internacional, encarregado de estudar o assundo, alarma que o quadro resulta de ação humana e deverá permanecer assim durante séculos. Com o aquecimento, haverá uma crescente elevação da temperatura do ar,derretimento de gelo e neve, bem como elevação do nível do mar.
Diz o Estadão on line que "o Comitê prevê uma elevação de temperatura de 1,1º C a 6,4º C até 2100. Esta é uma faixa de variação maior que a que constava do relatório anterior, de 2001, mas o comitê também diz que a melhor estimativa fixa a mudança entre 1,8º C e 4º C."
E mais: "No que diz respeito ao nível do mar, o relatório projeta elevações de 18 a 58 centímetros. Mas essa faixa pode ser ampliada em outros 10 a 20 centímetros se do derretimento das capas de gelo sobre as regiões polares continuar."
Está claro que estamos preparando um armagedom. A cobiça, a ganância, a necessidade desmedida de ganhar dinheiro às custas do meio ambiente, está levando as grandes corporações internacionais e grupos nacionais que lhes sejam satélites, a continuar com a insanidade. Muitas populações, por pobreza,ignorância ou estupidez, também contribuem para a degradação do planeta.
A Terra vai deixar de ser "azul e linda", como vista no olhar enternecido do cosmonauta Gagarin.
O objetivo dos homens é conviver com cinzas.
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007
Panis et circensis
O Estadão online publica uma paleta de fotos sobre a estréia dos novos eleitos e dos reeleitos, para a Câmara e o Senado. Digo paleta pois as duas Casas terão efetivamente uma tal variedade de cores morais, de tons e semitons éticos, de valores intrínsecos aos parlamentares, que somente a designação, tomada de empréstimo ao léxico dos pintores, poderia abarcá-la por inteiro.
O trabalho feito pelos repórteres-fotográficos do Estadão, olhado em seu conjunto, dá idéia da pauta que receberam: exatamente colher pelo olhar e enquadramentos das lentes, uma forma de manifestação do que seja a essência do Congresso: um fulgurante cortejo de interesses os mais diversos. Desde a presença da cupidez do deputado Paulo Maluf, até a discretamente espalhafatosa presença do recém-empossado deputado Clodovil Hernandez.
Todo de branco, com um colete em tons negros, bengala, óculos escuros e a carteira de identidade parlamentar colocada sobre a bancada, ele apurou seus ademanes para manter-se no foco da mídia.
Vamos ver o que acontece. Collor está de volta, como senador. Sua primeira medida foi mudar de pardido. Ele fazia parte de um PS-não-sei-o quê e filiou-se ao PTB. A deputada Manuela, do PC do B, Rio Grande do Sul, foi de cara vista como a nova belezinha do plenário. Caras e bocas estão prontas para se apresentar.
Os velhos integrantes do baixo-clero também estarão atentos às suas manobras e meneios, jogadas e desvãos, sempre em busca de um mandato rentável. E ao, povo; bom, ao povo, pão e circo.
O trabalho feito pelos repórteres-fotográficos do Estadão, olhado em seu conjunto, dá idéia da pauta que receberam: exatamente colher pelo olhar e enquadramentos das lentes, uma forma de manifestação do que seja a essência do Congresso: um fulgurante cortejo de interesses os mais diversos. Desde a presença da cupidez do deputado Paulo Maluf, até a discretamente espalhafatosa presença do recém-empossado deputado Clodovil Hernandez.
Todo de branco, com um colete em tons negros, bengala, óculos escuros e a carteira de identidade parlamentar colocada sobre a bancada, ele apurou seus ademanes para manter-se no foco da mídia.
Vamos ver o que acontece. Collor está de volta, como senador. Sua primeira medida foi mudar de pardido. Ele fazia parte de um PS-não-sei-o quê e filiou-se ao PTB. A deputada Manuela, do PC do B, Rio Grande do Sul, foi de cara vista como a nova belezinha do plenário. Caras e bocas estão prontas para se apresentar.
Os velhos integrantes do baixo-clero também estarão atentos às suas manobras e meneios, jogadas e desvãos, sempre em busca de um mandato rentável. E ao, povo; bom, ao povo, pão e circo.
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007
O preço da cascavel
A morte de Seu João Vilaça chocou a todos quantos o conheciam. Homem bom, sertanejo de têmpera de aço, tinha, por trás da cara amarrada, um grande coração, jamais negando uma ajuda a quem quer que fosse. Assim, familiares e amigos estranharam muito quando ele foi atacado e morto por um bandido.
O agressor chegou e, sem palavra, disparou a arma uma, duas, três vezes. Seu Vilaça caiu pronto. Homem querido, o velório recebeu muitas presenças. Todos lamentavam a morte: “Era um velho duro”, disse um amigo. “Se não fosse isso, ainda iria viver muitos anos”, completou uma senhora.
As pessoas lamentavam o ocorrido e enfatizavam: mas como isso poderia ter ocorrido? Não houvera discussão, briga, desentendimento algum. Nem mesmo uma tentativa de assalto.
A família lamentava a frieza como o crime fora cometido, o que aumentava a revolta e a dor. Ninguém encontrava explicação e havia mesmo quem pensasse em reunir um grupo de amigos para encontrar e justiçar o matador.
“Não se pode aceitar uma coisa dessas. A violência chegou limites do insuportável para os cidadãos de bem”, reprovava um velho amigo de Seu Vilaça.
Como, porquê o bandido tomara tal atitude frente a um homem velho, indefeso, incapaz de agredir alguém?
Nisso, entra na casa um estranho. Esgueirando-se por entre as pessoas, o homem pediu licença a Genebaldo, um amigo do morto, e disse que precisava urgente falar com alguém da família, alguém muito próximo, de preferência filho ou até mesmo a viúva. Insistia: era assunto importante e somente com uma pessoa assim poderia conversar.
O velho tinha prole numerosa. Genebaldo ficou assim, olhou para um lado, para o outro e afinal seus olhos encontraram a figura de Arminda, a filha mais velha de Vilaça, e que estava em melhores condições emocionais frente à tragédia.
Ela conduziu o estranho à cozinha e dele ouviu a seguinte história: Seu Vilaça sempre havia devotado grande ódio a bandidos. Desde os bandidos convencionais, digamos assim, até aqueles de colarinho branco.
“Sei disso”, admitiu Arminda. “E daí?”
Daí, prosseguiu o homem, que Seu Vilaça havia encontrado um modo engenhoso de matar bandidos, sem que ninguém desconfiasse.
“Como assim?”, quis saber Arminda.
Ora, muito simples: toda semana o estranho, que morava numa cidadezinha do interior, capturava uma cobra, que era levada a Seu Vilaça. Ele recebia, pagava e colocava o bicho numa valise bem trancada. Ele tinha preferência por cascavéis (“Adorava o barulhinho assassino do maracá”), o homem fez questão de detalhar, assumindo ares de grande conhecedor.“E para que ele queria essas cobras?”, quis saber Arminda.
Claríssimo estava, salientou o sujeito: para matar bandidos. Seu Vilaça ia ao Centro da cidade com a valise na mão, encaminhando-se a locais onde notoriamente agiam ladrões especializados em furtar bolsas, pastas, carteiras.
Ele se enfiava no meio da multidão, procurando atrair a atenção dos bandidos. Logo, logo, um deles se atirava sobre o velho e roubava a mala. É claro que, na confusão, na correria, o bicho ficava assanhado e, pouco depois, quando o ladrão abria a valise, a cobra pá!, tacava-lhe a mordida letal. "E olhe que ele havia matado muitos, muitos desse jeito, viu? Pelo menos uns vinte."
“Então...”, balbuciou Arminda.
"...então", esclareceu o homem, "Vilaça foi morto por vingança."
“Vingança?, balbuciou a mulher.
Sim. Claro. Os marginais terminaram percebendo que estavam sendo vítimas de uma armadilha e abriram fogo. E afinal, frente a uma Arminda paralisada de susto e dor, o homem arremeteu seu bote:“Sim, minha senhora, foi uma vingança. E eu não posso ficar no prejuízo. E agora por favor, decida: quem vai me pagar a cobra?"
O agressor chegou e, sem palavra, disparou a arma uma, duas, três vezes. Seu Vilaça caiu pronto. Homem querido, o velório recebeu muitas presenças. Todos lamentavam a morte: “Era um velho duro”, disse um amigo. “Se não fosse isso, ainda iria viver muitos anos”, completou uma senhora.
As pessoas lamentavam o ocorrido e enfatizavam: mas como isso poderia ter ocorrido? Não houvera discussão, briga, desentendimento algum. Nem mesmo uma tentativa de assalto.
A família lamentava a frieza como o crime fora cometido, o que aumentava a revolta e a dor. Ninguém encontrava explicação e havia mesmo quem pensasse em reunir um grupo de amigos para encontrar e justiçar o matador.
“Não se pode aceitar uma coisa dessas. A violência chegou limites do insuportável para os cidadãos de bem”, reprovava um velho amigo de Seu Vilaça.
Como, porquê o bandido tomara tal atitude frente a um homem velho, indefeso, incapaz de agredir alguém?
Nisso, entra na casa um estranho. Esgueirando-se por entre as pessoas, o homem pediu licença a Genebaldo, um amigo do morto, e disse que precisava urgente falar com alguém da família, alguém muito próximo, de preferência filho ou até mesmo a viúva. Insistia: era assunto importante e somente com uma pessoa assim poderia conversar.
O velho tinha prole numerosa. Genebaldo ficou assim, olhou para um lado, para o outro e afinal seus olhos encontraram a figura de Arminda, a filha mais velha de Vilaça, e que estava em melhores condições emocionais frente à tragédia.
Ela conduziu o estranho à cozinha e dele ouviu a seguinte história: Seu Vilaça sempre havia devotado grande ódio a bandidos. Desde os bandidos convencionais, digamos assim, até aqueles de colarinho branco.
“Sei disso”, admitiu Arminda. “E daí?”
Daí, prosseguiu o homem, que Seu Vilaça havia encontrado um modo engenhoso de matar bandidos, sem que ninguém desconfiasse.
“Como assim?”, quis saber Arminda.
Ora, muito simples: toda semana o estranho, que morava numa cidadezinha do interior, capturava uma cobra, que era levada a Seu Vilaça. Ele recebia, pagava e colocava o bicho numa valise bem trancada. Ele tinha preferência por cascavéis (“Adorava o barulhinho assassino do maracá”), o homem fez questão de detalhar, assumindo ares de grande conhecedor.“E para que ele queria essas cobras?”, quis saber Arminda.
Claríssimo estava, salientou o sujeito: para matar bandidos. Seu Vilaça ia ao Centro da cidade com a valise na mão, encaminhando-se a locais onde notoriamente agiam ladrões especializados em furtar bolsas, pastas, carteiras.
Ele se enfiava no meio da multidão, procurando atrair a atenção dos bandidos. Logo, logo, um deles se atirava sobre o velho e roubava a mala. É claro que, na confusão, na correria, o bicho ficava assanhado e, pouco depois, quando o ladrão abria a valise, a cobra pá!, tacava-lhe a mordida letal. "E olhe que ele havia matado muitos, muitos desse jeito, viu? Pelo menos uns vinte."
“Então...”, balbuciou Arminda.
"...então", esclareceu o homem, "Vilaça foi morto por vingança."
“Vingança?, balbuciou a mulher.
Sim. Claro. Os marginais terminaram percebendo que estavam sendo vítimas de uma armadilha e abriram fogo. E afinal, frente a uma Arminda paralisada de susto e dor, o homem arremeteu seu bote:“Sim, minha senhora, foi uma vingança. E eu não posso ficar no prejuízo. E agora por favor, decida: quem vai me pagar a cobra?"
terça-feira, 30 de janeiro de 2007
E não tem sido sempre assim?
Estranhos tempos, tristes personagens.
Lutamos por dinheiro, luxo, luxúria,
vitórias, carros, mansões, poder, fama,
fortuna, dominação, império, tudo na
suave dormência de quem pode e manda.
Estranhos tempos, tristes personagens.
Lutamos tanto, que o dinheiro de poucos
é a miséria de milhões; e o luxo, a luxúria,
as vitórias, os carros, as mansões, o poder,
a fama, a fortuna, a dominação, o império,
tudo isso forma a terrível demência que
controla o mundo.
E não tem sido sempre assim?
Lutamos por dinheiro, luxo, luxúria,
vitórias, carros, mansões, poder, fama,
fortuna, dominação, império, tudo na
suave dormência de quem pode e manda.
Estranhos tempos, tristes personagens.
Lutamos tanto, que o dinheiro de poucos
é a miséria de milhões; e o luxo, a luxúria,
as vitórias, os carros, as mansões, o poder,
a fama, a fortuna, a dominação, o império,
tudo isso forma a terrível demência que
controla o mundo.
E não tem sido sempre assim?
segunda-feira, 29 de janeiro de 2007
José Wilker pode salvar o Brasil.
O Jornal do Brasil de domingo último abordou tema que deveria causar temor em todo brasileiro: a crescente internacionalização da Amazônia mediante um estratagema simples e eficaz: permitindo-se a presença de missionários, cientistas, organizações não-governamentais e empresas, que, sob o aparente manto de agir sem segundas intenções, têm terceiras ou quartas,e todas elas muito más, todas voltadas para uma futura captura de toda aquela imensa e valiosa região.
O Estado brasileiro tem sido incompetente, ao longo dos séculos, para tratar da questão amazônica com a urgência e seriedade que esta requer: seja de povoamento, condições de habitabilidade, desenvolvimento sustentável, maior presença militar, implantação de rodovias e ferrovias, enfim, uma ação administrativa ampla, de forma a assegurar ao País a manutenção de um território tão grande e tão nosso.
Os indicadores históricos atuais apontam para o seguinte e sombrio quadro: o agravamento da violência no Rio e em São Paulo, sem que o Estado esboce qualquer reação estrutural mais vigorosa, a não ser que se considere ação vigorosa a presença da Força Nacional de Segurança; e a real possibilidade de perda da Amazônia para países centrais, de há muito cobiçosos em nosso território.
Por enquanto, eles estão pilhando a biodiversidade da Amazônia, ante a sonolência estatal. Proximamente, estarão desembarcando tropas, alegando que querem preservar o pulmão do mundo, interesse da humanidade.
Mas, como somos o país do carnaval, tropicalmente alegre, quem sabe venhamos convencer José Wilker a assumir de fato a personalidade de Galvez, o imperador do Acre, para que ele tome a pulso a defesa dos interesses nacionais. A Globo gravaria tudo e ainda passava no Jornal Nacional. Talvez seja, a loucura,
a solução para este país.
E, como dizia Jobim, é verdade que o Brasil não é para principiantes.
O Estado brasileiro tem sido incompetente, ao longo dos séculos, para tratar da questão amazônica com a urgência e seriedade que esta requer: seja de povoamento, condições de habitabilidade, desenvolvimento sustentável, maior presença militar, implantação de rodovias e ferrovias, enfim, uma ação administrativa ampla, de forma a assegurar ao País a manutenção de um território tão grande e tão nosso.
Os indicadores históricos atuais apontam para o seguinte e sombrio quadro: o agravamento da violência no Rio e em São Paulo, sem que o Estado esboce qualquer reação estrutural mais vigorosa, a não ser que se considere ação vigorosa a presença da Força Nacional de Segurança; e a real possibilidade de perda da Amazônia para países centrais, de há muito cobiçosos em nosso território.
Por enquanto, eles estão pilhando a biodiversidade da Amazônia, ante a sonolência estatal. Proximamente, estarão desembarcando tropas, alegando que querem preservar o pulmão do mundo, interesse da humanidade.
Mas, como somos o país do carnaval, tropicalmente alegre, quem sabe venhamos convencer José Wilker a assumir de fato a personalidade de Galvez, o imperador do Acre, para que ele tome a pulso a defesa dos interesses nacionais. A Globo gravaria tudo e ainda passava no Jornal Nacional. Talvez seja, a loucura,
a solução para este país.
E, como dizia Jobim, é verdade que o Brasil não é para principiantes.
domingo, 28 de janeiro de 2007
A nova queridinha das passarelas é nordestina. Pode?
A Folha online anuncia: "Direto das passarelas internacionais, a nova promessa 'made in Brazil' é Bruna Tenório", de 17 anos. A jovem participa com grande destaque da 22ª Edição da São Paulo Fashion Week, que se encerra amanhã, em São Paulo.
No terceiro parágrafo a Folha se desmente e revela: "Bruna nasceu em Maceió e foi descoberta por um booker da New Models." Há aí um sutil processo de ocultação, de manipulação textual, ou seja, a menina não "veio diretamente das passarelas internacionais"; nada disso. A jovem é nor-des-ti-na. Por que o jornal não a apresentou assim?
Claro que não. A angulação da matéria não poderia jamais ressaltar esse defeito,claro. Ia pegar mal e prejudicar os lucros da indústria da moda.
Afinal, para a grande imprensa e para a grande mídia em geral, ser nordestino é ser pobre, mestiço, feio, esmolar alguma ajuda e viver na caatinga. Nordestino é como uma espécie de raça inferior, que fala com um sotaque feio. Basta ver qualquer novela ou produção da Globo, onde atores representem de forma caricata personagens vindos do Nordeste, que é quase uma pátria para os que aqui nascemos.
Mas a beleza e o modo de desfilar da jovem, elogiados pelo jornal, desmantelam o preconceito e a colocam, mesmo contra a vontade do texto,como uma espécie de síntese da grandeza e da essência do nosso povo. No Nordeste há beleza, não só nas praias e no sertão, quando a chuva inunda açudes e faz da caatinga um verde só,uma festa para os olhos. Há beleza e alegria no nosso povo.
Tenho uma visão bastante crítica, ácida mesmo, com relação ao mundo da moda, pela forma como manipula moças e até as mata, literalmente, de fome. Mas, se uma nordestina chega lá, e chegou para brilhar, ela não "veio das passarelas internacionais". Veio mesmo daqui. Brotou desse chão de Brasil e assim deve ser apresentada.
Falar que "ela nasceu em Maceió", ao invés de apresentá-la como nordestina, é ato falho, é revelação de preconceito. Qualquer análise de discurso descobrirá isso facilmente.
No terceiro parágrafo a Folha se desmente e revela: "Bruna nasceu em Maceió e foi descoberta por um booker da New Models." Há aí um sutil processo de ocultação, de manipulação textual, ou seja, a menina não "veio diretamente das passarelas internacionais"; nada disso. A jovem é nor-des-ti-na. Por que o jornal não a apresentou assim?
Claro que não. A angulação da matéria não poderia jamais ressaltar esse defeito,claro. Ia pegar mal e prejudicar os lucros da indústria da moda.
Afinal, para a grande imprensa e para a grande mídia em geral, ser nordestino é ser pobre, mestiço, feio, esmolar alguma ajuda e viver na caatinga. Nordestino é como uma espécie de raça inferior, que fala com um sotaque feio. Basta ver qualquer novela ou produção da Globo, onde atores representem de forma caricata personagens vindos do Nordeste, que é quase uma pátria para os que aqui nascemos.
Mas a beleza e o modo de desfilar da jovem, elogiados pelo jornal, desmantelam o preconceito e a colocam, mesmo contra a vontade do texto,como uma espécie de síntese da grandeza e da essência do nosso povo. No Nordeste há beleza, não só nas praias e no sertão, quando a chuva inunda açudes e faz da caatinga um verde só,uma festa para os olhos. Há beleza e alegria no nosso povo.
Tenho uma visão bastante crítica, ácida mesmo, com relação ao mundo da moda, pela forma como manipula moças e até as mata, literalmente, de fome. Mas, se uma nordestina chega lá, e chegou para brilhar, ela não "veio das passarelas internacionais". Veio mesmo daqui. Brotou desse chão de Brasil e assim deve ser apresentada.
Falar que "ela nasceu em Maceió", ao invés de apresentá-la como nordestina, é ato falho, é revelação de preconceito. Qualquer análise de discurso descobrirá isso facilmente.
sábado, 27 de janeiro de 2007
Previsão do tempo
O dia está triste.
Os jornais estão
em chamas.
Às vezes eu penso
que a humanidade morreu.
Os jornais estão
em chamas.
Às vezes eu penso
que a humanidade morreu.
sexta-feira, 26 de janeiro de 2007
Crônicas para Natal
Praia da Redinha: sacrário da cachaça
Redinha, teus barcos são ponte
que corre sobre as águas do rio Potengi.
Teus moradores são a festa,
a alegria, o sol, o movimento.
Teu mercado, sacrário da cachaça,
é o recanto onde
sobre mesas simples e fartas,
bebedores e amigos
celebram o ato de viver.
A Redinha, em sua amplidão
demarcada pelo sol,
é o mapa, caminho
e chegada da sala de estar de Natal.
Redinha, a caravana do sol
mora contigo.
Que sejas assim, sempre,
território alegre e bom do prazer,
e,ao mesmo tempo,
recanto intenso e calmo.
Redinha, teus barcos são ponte
que corre sobre as águas do rio Potengi.
Teus moradores são a festa,
a alegria, o sol, o movimento.
Teu mercado, sacrário da cachaça,
é o recanto onde
sobre mesas simples e fartas,
bebedores e amigos
celebram o ato de viver.
A Redinha, em sua amplidão
demarcada pelo sol,
é o mapa, caminho
e chegada da sala de estar de Natal.
Redinha, a caravana do sol
mora contigo.
Que sejas assim, sempre,
território alegre e bom do prazer,
e,ao mesmo tempo,
recanto intenso e calmo.
quarta-feira, 24 de janeiro de 2007
Crônicas para Natal
O charme do Poder*
Antigo e nobre, o Palácio Potengi
é uma construção feita de tempo.
Arquitetura simples,
traz em sua escadaria,
em seus salões de silêncios,
em seu clima interior,
a marca da elegância.
Aqui, sonhos políticos
marcaram os delírios da História.
Aqui, o formal e o belo
se equilibram em um pêndulo estático.
Arte e requinte guardados
em salões que já fizeram
as delícias da política.
Palácio Potengi,
jardim de charme do Poder,
onde o tempo guardou
lembranças lindas,
jóias de arte e
passageiros gestos
das decisões políticas.
*O Palácio Potengi hoje não é mais a sede do Poder. É o Palácio da Cultura e serve para exposições e apresentações de grupos de artistas.
Antigo e nobre, o Palácio Potengi
é uma construção feita de tempo.
Arquitetura simples,
traz em sua escadaria,
em seus salões de silêncios,
em seu clima interior,
a marca da elegância.
Aqui, sonhos políticos
marcaram os delírios da História.
Aqui, o formal e o belo
se equilibram em um pêndulo estático.
Arte e requinte guardados
em salões que já fizeram
as delícias da política.
Palácio Potengi,
jardim de charme do Poder,
onde o tempo guardou
lembranças lindas,
jóias de arte e
passageiros gestos
das decisões políticas.
*O Palácio Potengi hoje não é mais a sede do Poder. É o Palácio da Cultura e serve para exposições e apresentações de grupos de artistas.
terça-feira, 23 de janeiro de 2007
Novas e tenebrosas transações
Por obra desses mistérios informáticos, deixei, por alguns dias, de atualizar o blog. O comptador simplesmnte parou de funcionar, encheu-se de riscos no monitor e depois recusou-se terminantemente a colaborar. Resultado: parei. Enquanto isso, o tempo não parou e o Brasil continuou pródigo em acontecimentos noticiáveis: o presidente Lula deu anúncio ao PAC; bandidos se vestiram de policiais federais, atacaram, roubaram o dinheiro que queriam e conseguiram escapar; a Força Nacional de Segurança chegou ao Rio e os bandidos continuam a agir, ligeiros que só eles; resgataram-se dos escombros da cratera de São Paulo os corpos das vítimas da profunda tragédia; a mãe que queria matar o seu bebê de dois anos afogado foi condenada; os jornais informam que há articulações para anistiar Roberto Jefferson e José Dirceu; o BBB-7 continua a atrair o ócio e a tolice institucionalizados; a "Grande família" virou filme e, alegria, alegria, vem aí o carnaval.
Mas, pelo inusitado, chamou-me atenção, hoje pela manhã, a publicação, no Bom Dia Brasil, de uma rápida seqüência de fotos:uma mãe, em São Paulo, atirou-se às águas de uma represa, sem saber nadar, para salvar o filho que se afogava. E salvou.
De pronto, formou-se em minha retina uma imagem de Brasil: suas controvérsias já bem elucidadas no parágrafo anterior, seu painel de confrontos, desvios morais na política, desencantos e perspectivas duvidosas.
Aquela mulher, já idosa, frágil, saltando em águas com quatro metros de profundidade, na tentativa incerta de salvar o filho ou morrer com ele, funcionou, para mim, como uma síntese lancinante da tragédia brasileira.
É essa a imagem do Brasil: o brasilzinho do povo largado à própria sorte, a patriazinha que caminha a passos incertos nas filas do SUS, na dor dos doentes dos postos de saúde, das escolas públicas que funcionam mal, do menino que recolhe latinhas de cerveja para reciclar.
Aquela mãe pobre e seu heroísmo suburbano, reconhecido apenas pelas fotos sensacionalistas, merece estar em paz com o filho que, certamente, espera tenha um futuro melhor que o seu. Pelo menos está vivo. Já é um consolo.
Enquanto isso, no silêncio sussurrante da política, murmúrios tramam a volta de dois cassados por corrupção. Esses não mergulham em águas profundas e furiosas. Antes, repousam calmamente e sabem que um dia estarão, de novo, no timão do navio que os levará a bom porto. Lá haverá, sempre, novas e tenebrosas transações.
Mas, pelo inusitado, chamou-me atenção, hoje pela manhã, a publicação, no Bom Dia Brasil, de uma rápida seqüência de fotos:uma mãe, em São Paulo, atirou-se às águas de uma represa, sem saber nadar, para salvar o filho que se afogava. E salvou.
De pronto, formou-se em minha retina uma imagem de Brasil: suas controvérsias já bem elucidadas no parágrafo anterior, seu painel de confrontos, desvios morais na política, desencantos e perspectivas duvidosas.
Aquela mulher, já idosa, frágil, saltando em águas com quatro metros de profundidade, na tentativa incerta de salvar o filho ou morrer com ele, funcionou, para mim, como uma síntese lancinante da tragédia brasileira.
É essa a imagem do Brasil: o brasilzinho do povo largado à própria sorte, a patriazinha que caminha a passos incertos nas filas do SUS, na dor dos doentes dos postos de saúde, das escolas públicas que funcionam mal, do menino que recolhe latinhas de cerveja para reciclar.
Aquela mãe pobre e seu heroísmo suburbano, reconhecido apenas pelas fotos sensacionalistas, merece estar em paz com o filho que, certamente, espera tenha um futuro melhor que o seu. Pelo menos está vivo. Já é um consolo.
Enquanto isso, no silêncio sussurrante da política, murmúrios tramam a volta de dois cassados por corrupção. Esses não mergulham em águas profundas e furiosas. Antes, repousam calmamente e sabem que um dia estarão, de novo, no timão do navio que os levará a bom porto. Lá haverá, sempre, novas e tenebrosas transações.
sexta-feira, 19 de janeiro de 2007
Poema de Celso da Silveira
É de Celso da Silveira, poeta que já partiu, o que abaixo transcrevo.
Poema
Para a morte, a vida
não tem esconderijos.
Nascer é um ato involuntário;
morrer é que é compulsório.
Tudo tem seu assentimento:
emoção e apreensão,
instinto e razão,
na medida em que
- sensível ou visual -
nada se mostra por acaso.
É o pressentimento
que revela a oculta
o eterno e o divino
que convivem numa
mesma unidade
crítica essencial,
que se exprime
em cada ser
cheio de equívocos.
Nossa percepção da morte
se infere na razão
do conhecimento de Deus.
- Deus e a morte estão em toda parte.
Poema
Para a morte, a vida
não tem esconderijos.
Nascer é um ato involuntário;
morrer é que é compulsório.
Tudo tem seu assentimento:
emoção e apreensão,
instinto e razão,
na medida em que
- sensível ou visual -
nada se mostra por acaso.
É o pressentimento
que revela a oculta
o eterno e o divino
que convivem numa
mesma unidade
crítica essencial,
que se exprime
em cada ser
cheio de equívocos.
Nossa percepção da morte
se infere na razão
do conhecimento de Deus.
- Deus e a morte estão em toda parte.
quinta-feira, 18 de janeiro de 2007
Crônicas para Natal
Memorial Câmara Cascudo
Luís da Câmara Cascudo. A mão do povo,
plantada nas raízes das gentes,
te sustenta a estátua silenciosa.
O Mestre, em seu mundo
de lendas e de mitos,
cercado de grandezas e crendices,
teve nas coisas do povo
seu motivo de vida e de venturas.
A grande obra de Cascudo
foi estar onde o povo se encontrava,
descobrindo no velho, no antigo,
no arcaico e fantástico mundo
do imaginário popular,
a presença sempre, do futuro.
Luís da Câmara Cascudo,
caminhante das veredas nordestinas.
Visionário da arte dos mais simples,
reconstruiu, com o gesto largo do estudo,
lembranças de coisas da noite do tempos.
Luís da Câmara Cascudo. A mão do povo,
plantada nas raízes das gentes,
te sustenta a estátua silenciosa.
O Mestre, em seu mundo
de lendas e de mitos,
cercado de grandezas e crendices,
teve nas coisas do povo
seu motivo de vida e de venturas.
A grande obra de Cascudo
foi estar onde o povo se encontrava,
descobrindo no velho, no antigo,
no arcaico e fantástico mundo
do imaginário popular,
a presença sempre, do futuro.
Luís da Câmara Cascudo,
caminhante das veredas nordestinas.
Visionário da arte dos mais simples,
reconstruiu, com o gesto largo do estudo,
lembranças de coisas da noite do tempos.
quarta-feira, 17 de janeiro de 2007
Em São Paulo não houve acidente: houve homicídios
A tragédia provocada pela cratera que se abriu em São Paulo, causando dor e perplexidade a todo o País, tem três aspectos jornalísticos a ser destacados, todos negativos: primeiramente, os jornais, o que inclui os telejornais, não estão buscando com o necessário vigor investigativo e editorial-opinativo os responsáveis pelo desastre.
Em seguida, e esse aspecto é eminentemente cruel, brutal e desumano, um fabricante de energético mandou ontem um grupo de moças distribuir o seu produto aos bombeiros para literalmente "dar uma forcinha" aos corajosos e decididos soldados da solidariedade, em sua cansativa tarefa.
No primeiro caso, o jornalismo não está pressionando autoridades, a empresa construtora, engenheiros, fiscais e todos os envolvidos no projeto, a quem se possa, de qualquer forma, atribuir uma parcela de responsabilidade.
Terceiro: o que houve em São Paulo não foi um acidente: houve homicídios no mínimo culposos, pois os responsáveis pela obra agiram com imprudência, imperícia e negligência.Se houvesse cuidado, o que é algo plenamente exigível a uma empreitada de tal porte, o desabamento não teria ocorrido. Insisto: aquelas pessoas não morreram de acidente: foram vítimas de homicídio culposo.
E os jornalistas estão aceitando passivamente o declaratório dos envolvidos, todos repassando culpas e se auto-isentando.
Quanto ao segundo aspecto, o da distribuição do energético, é algo acintoso e imoral. As, digamos assim, demonstradoras do produto, sem qualquer cerimônia apareceram no cenário onde houve os crimes, a fim de promover a marca. O setor de marketing da empresa, sem qualquer pudor, enviou seu material para ganhar exibição de mídia.
Vi isso rapidamente na TV. Não lembro qual o canal. O repórter ainda chegou a ouvir algumas pessoas, que se manifestaram chocadas. Mas, na edição da matéria, o editor teve o "cuidado" de preservar a marca e a encobriu, de forma a que o telespectador não a pudesse identificar.
Objetivamente: a TV, onde certamente o produto faz parte de sua carteira de anunciantes, não iria querer perder dinheiro. Assim, fez-se um pouco de sensacionalismo, mostrou-se uma indignação plastificada, mas, na hora do faturamento, a coisa mudou de figura.
Ao final das contas, quem foi assassinado está morto. Os culpados sairão mais ricos com a obra paulistana e às famílias restarão o sofrimento e a pergunta presa na garganta: "Por quê?"
Em seguida, e esse aspecto é eminentemente cruel, brutal e desumano, um fabricante de energético mandou ontem um grupo de moças distribuir o seu produto aos bombeiros para literalmente "dar uma forcinha" aos corajosos e decididos soldados da solidariedade, em sua cansativa tarefa.
No primeiro caso, o jornalismo não está pressionando autoridades, a empresa construtora, engenheiros, fiscais e todos os envolvidos no projeto, a quem se possa, de qualquer forma, atribuir uma parcela de responsabilidade.
Terceiro: o que houve em São Paulo não foi um acidente: houve homicídios no mínimo culposos, pois os responsáveis pela obra agiram com imprudência, imperícia e negligência.Se houvesse cuidado, o que é algo plenamente exigível a uma empreitada de tal porte, o desabamento não teria ocorrido. Insisto: aquelas pessoas não morreram de acidente: foram vítimas de homicídio culposo.
E os jornalistas estão aceitando passivamente o declaratório dos envolvidos, todos repassando culpas e se auto-isentando.
Quanto ao segundo aspecto, o da distribuição do energético, é algo acintoso e imoral. As, digamos assim, demonstradoras do produto, sem qualquer cerimônia apareceram no cenário onde houve os crimes, a fim de promover a marca. O setor de marketing da empresa, sem qualquer pudor, enviou seu material para ganhar exibição de mídia.
Vi isso rapidamente na TV. Não lembro qual o canal. O repórter ainda chegou a ouvir algumas pessoas, que se manifestaram chocadas. Mas, na edição da matéria, o editor teve o "cuidado" de preservar a marca e a encobriu, de forma a que o telespectador não a pudesse identificar.
Objetivamente: a TV, onde certamente o produto faz parte de sua carteira de anunciantes, não iria querer perder dinheiro. Assim, fez-se um pouco de sensacionalismo, mostrou-se uma indignação plastificada, mas, na hora do faturamento, a coisa mudou de figura.
Ao final das contas, quem foi assassinado está morto. Os culpados sairão mais ricos com a obra paulistana e às famílias restarão o sofrimento e a pergunta presa na garganta: "Por quê?"
terça-feira, 16 de janeiro de 2007
Crônicas para Natal
As coisas em vão que construímos
As estátuas têm um tempo só seu.
Indivisível tempo.
Em singular movimento estático,
elas são guerreiras de instantes congelados.
As estátuas, habitantes públicas de todas as praças,
homenageiam coisas do passado.
São como que sentimentos arquitetados em bronze.
Sonoro bronze do tempo.
Cercadas pela cidade,
as estátuas, em seu conjunto que ensaia emoções,
golpeiam com a espada nua
as coisas em vão que construímos.
As estátuas têm um tempo só seu.
Indivisível tempo.
Em singular movimento estático,
elas são guerreiras de instantes congelados.
As estátuas, habitantes públicas de todas as praças,
homenageiam coisas do passado.
São como que sentimentos arquitetados em bronze.
Sonoro bronze do tempo.
Cercadas pela cidade,
as estátuas, em seu conjunto que ensaia emoções,
golpeiam com a espada nua
as coisas em vão que construímos.
segunda-feira, 15 de janeiro de 2007
O Brasil vai escorrer pelo buraco
Ontem, à saída de um shopping, um louco surgiu não sei de onde e abordou-me assim:
- Tá sabendo aquele buraco de São Paulo?
Respondi que sim e ele:
- Aquele buraco é o chão do Brasil se abrindo, aquele buraco é o Brasil dizendo que não agüenta mais os brasileiros, e que, se as coisas continuarem desse jeito, esses políticos roubando, vamos todo mundo ser sugados pelo chão e vamos bater no inferno.
Tentei acalmá-lo, e ele:
- Não, não, não. O senhor se previna, trate de fugir, que o buraco vai pegar todo mundo.
Eu já queria me livrar do homem e me encaminhar para o carro, mas ele insistia:
- Eu estou lhe avisando, estou lhe avisando e estou avisando a todo mundo que passa por aqui:
- Aquele buraco é o pais escorrendo e vai todo mundo se acabar. Vai ser igual a um liquidificador; vai rodando, vai rodando, e ó: vummmm...., puxando tudo para dentro. Agora, pra mim, só tem um jeito.
Minha curiosidade foi maior que minha irritação com aquela conversa e eu perguntei:
- Qual é o jeito?
Ele garantiu:
- Fuja para o Amazonas. Lá é muito grande e acho que aquela floresta enorme não vá caber dentro do buraco de São Paulo. Aproveite, meu senhor. Corra! Vá embora! Vá para bem longe!
Quando eu já ia entrando no carro, apareceu um casal de classe média, gente bem vestida, acompanhado de dois rapazes: ao que aparentou, tratava-se de um filho com problemas mentais e que a família, na companhia dos dois outros irmãos afinal, havia encontrado, levando-o em seguida, presumo, para casa. Ele não resistiu, mas continuou, agora gritando:
- O Brasil vai afundar pelo buraco de São Paulo! O Brasil vai afundar pelo buraco de São Paulo!
Na volta para casa, aquela cena surrealista não me saía da cabeça: o Brasil afundando no buraco do canteiro de obras da futura estação Pinheiros do metrô paulistano. Pensando bem, como metáfora, aquele louco, aquele louco sublime certamente tem razão, o país está afundando, nadando num lodaçal onde a ética e a moral estão cheias de nódoas, nódoas que doem na alma da gente.
O país está em chamas no Rio e em São Paulo, onde os bandidos ditam a lei da barbaridade; o país está no lodo da Câmara e do Senado; o país paga altas taxas de remuneração a corruptos; o país tem altas taxas de fome; o Brasil tem excesso de pouco para muitos, e excesso de muito para poucos. O Brasil talvez devesse mesmo escorrer pelo buraco de São Paulo.
- Tá sabendo aquele buraco de São Paulo?
Respondi que sim e ele:
- Aquele buraco é o chão do Brasil se abrindo, aquele buraco é o Brasil dizendo que não agüenta mais os brasileiros, e que, se as coisas continuarem desse jeito, esses políticos roubando, vamos todo mundo ser sugados pelo chão e vamos bater no inferno.
Tentei acalmá-lo, e ele:
- Não, não, não. O senhor se previna, trate de fugir, que o buraco vai pegar todo mundo.
Eu já queria me livrar do homem e me encaminhar para o carro, mas ele insistia:
- Eu estou lhe avisando, estou lhe avisando e estou avisando a todo mundo que passa por aqui:
- Aquele buraco é o pais escorrendo e vai todo mundo se acabar. Vai ser igual a um liquidificador; vai rodando, vai rodando, e ó: vummmm...., puxando tudo para dentro. Agora, pra mim, só tem um jeito.
Minha curiosidade foi maior que minha irritação com aquela conversa e eu perguntei:
- Qual é o jeito?
Ele garantiu:
- Fuja para o Amazonas. Lá é muito grande e acho que aquela floresta enorme não vá caber dentro do buraco de São Paulo. Aproveite, meu senhor. Corra! Vá embora! Vá para bem longe!
Quando eu já ia entrando no carro, apareceu um casal de classe média, gente bem vestida, acompanhado de dois rapazes: ao que aparentou, tratava-se de um filho com problemas mentais e que a família, na companhia dos dois outros irmãos afinal, havia encontrado, levando-o em seguida, presumo, para casa. Ele não resistiu, mas continuou, agora gritando:
- O Brasil vai afundar pelo buraco de São Paulo! O Brasil vai afundar pelo buraco de São Paulo!
Na volta para casa, aquela cena surrealista não me saía da cabeça: o Brasil afundando no buraco do canteiro de obras da futura estação Pinheiros do metrô paulistano. Pensando bem, como metáfora, aquele louco, aquele louco sublime certamente tem razão, o país está afundando, nadando num lodaçal onde a ética e a moral estão cheias de nódoas, nódoas que doem na alma da gente.
O país está em chamas no Rio e em São Paulo, onde os bandidos ditam a lei da barbaridade; o país está no lodo da Câmara e do Senado; o país paga altas taxas de remuneração a corruptos; o país tem altas taxas de fome; o Brasil tem excesso de pouco para muitos, e excesso de muito para poucos. O Brasil talvez devesse mesmo escorrer pelo buraco de São Paulo.
domingo, 14 de janeiro de 2007
Crônicas para Natal
Amazônia de Natal
Pequena Amazônia de Natal, o Bosque dos Namorados é floresta urbana e diária na vida da cidade.
Sem os mistérios das matas fechadas, sem ser habitada por lendas e animais fabulosos, o Bosque se contenta em seu belo e encantar a todos.
Suas árvores são seus habitantes permanentes, como se estivessem, sempre, numa espécie de conversa verde, abençoada pelo sol.
E Natal, iluminada pelo amanhecer silencioso das folhas, abraça e beija sua Amazônia pequena.
Pequena Amazônia de Natal, o Bosque dos Namorados é floresta urbana e diária na vida da cidade.
Sem os mistérios das matas fechadas, sem ser habitada por lendas e animais fabulosos, o Bosque se contenta em seu belo e encantar a todos.
Suas árvores são seus habitantes permanentes, como se estivessem, sempre, numa espécie de conversa verde, abençoada pelo sol.
E Natal, iluminada pelo amanhecer silencioso das folhas, abraça e beija sua Amazônia pequena.
sexta-feira, 12 de janeiro de 2007
O brasileiro paga a conta
Veja o que stá publicando o Estadão on line: Segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), a gasolina no Brasil está 36% mais cara que nos Estados Unidos. No caso do diesel, o preço interno está 19% mais alto que as cotações internacionais.
A espoliação é mais fácil aqui
Quem determina os preços de gasolina e diesel no País é a Petrobras. Entre estupefato e indignado questiono: por que a estatal mantém esse garroteamento do consumidor nacional, cujas condições financeiras são sabidamente inferiores às do consumidor americano? Por que a Petrobras não adota uma política de preços preferenciais ao mercado interno, favorecendo, numa cadeia virtuosa, toda a economia? Com gasolina e diesel mais baixos, e não é preciso ser clarividente para perceber isso, todos os demais preços sofrerão, de alguma forma, pressão para menos.
Talvez seja porque não sou economista, talvez seja porque sou povo, talvez seja porque não sou funcionário da Petrobras, talvez seja porque sou um tolo, mas acho que a Petrobras não sabe o que é Brasil. Ela é uma estatal cicunstancialmente brasileira, ou seja, apenas uma organização com sede no País, mas com essência e pensamento coletivo interno de multinacional.
Além do mais, é preciso manter os mastodônticos privilégios de seus mega-executivos e funciónários, seus altíssimos salários e vantagens, tudo isso fortalecido por um profundo e histórico corporativismo. E como o povo brasileiro é mais fácil de ser espoliado que o povo americano, a quem mais a Petrobras iria pensar em espoliar?
Não é preciso ser gênio para concluir,in english, please: The brazilian people, of course...
A espoliação é mais fácil aqui
Quem determina os preços de gasolina e diesel no País é a Petrobras. Entre estupefato e indignado questiono: por que a estatal mantém esse garroteamento do consumidor nacional, cujas condições financeiras são sabidamente inferiores às do consumidor americano? Por que a Petrobras não adota uma política de preços preferenciais ao mercado interno, favorecendo, numa cadeia virtuosa, toda a economia? Com gasolina e diesel mais baixos, e não é preciso ser clarividente para perceber isso, todos os demais preços sofrerão, de alguma forma, pressão para menos.
Talvez seja porque não sou economista, talvez seja porque sou povo, talvez seja porque não sou funcionário da Petrobras, talvez seja porque sou um tolo, mas acho que a Petrobras não sabe o que é Brasil. Ela é uma estatal cicunstancialmente brasileira, ou seja, apenas uma organização com sede no País, mas com essência e pensamento coletivo interno de multinacional.
Além do mais, é preciso manter os mastodônticos privilégios de seus mega-executivos e funciónários, seus altíssimos salários e vantagens, tudo isso fortalecido por um profundo e histórico corporativismo. E como o povo brasileiro é mais fácil de ser espoliado que o povo americano, a quem mais a Petrobras iria pensar em espoliar?
Não é preciso ser gênio para concluir,in english, please: The brazilian people, of course...
quarta-feira, 10 de janeiro de 2007
Agora estão se penitenciando da morte de Saddam
BAGDÁ - As autoridades iraquianas entregaram à Justiça um homem acusado de ter participado das humilhações verbais contra Saddam Hussein, instantes antes do enforcamento do ex-ditador, informou um funcionário nesta terça-feira.
Ali Al Dabbagh, porta-voz do governo iraquiano, disse que a investigação oficial concluiu que os incidentes ocorridos durante a execução em 30 de dezembro, e registrados clandestinamente em vídeo, deveriam ser atribuídos a um "comportamento individual".
Também na terça-feira, apareceu na internet um novo vídeo clandestino sobre a execução. Nesse, Saddam aparece numa maca hospitalar, com uma profunda ferida no pescoço.
A transcrição é do Estadão on line. O comentário é curto: trata-se de uma farsa ou de uma demonstração de demência política? Afinal de contas, justiçar uma pessoa na forca já é um processo de grande humilhação. Os Estados Unidos invadiram o Iraque a título de encontrar armas químicas, que não existiam. Agora, simulando alguma dignidade, o que lá se chama de "autoridade" tenta impingir ao mundo seriedade e respeitabilidade, quando são apenas títeres do governo americano. Não há dignidade naquilo que é monstruoso. Não havia em Saddam, como não há em seus sucedâneos políticos.
Ali Al Dabbagh, porta-voz do governo iraquiano, disse que a investigação oficial concluiu que os incidentes ocorridos durante a execução em 30 de dezembro, e registrados clandestinamente em vídeo, deveriam ser atribuídos a um "comportamento individual".
Também na terça-feira, apareceu na internet um novo vídeo clandestino sobre a execução. Nesse, Saddam aparece numa maca hospitalar, com uma profunda ferida no pescoço.
A transcrição é do Estadão on line. O comentário é curto: trata-se de uma farsa ou de uma demonstração de demência política? Afinal de contas, justiçar uma pessoa na forca já é um processo de grande humilhação. Os Estados Unidos invadiram o Iraque a título de encontrar armas químicas, que não existiam. Agora, simulando alguma dignidade, o que lá se chama de "autoridade" tenta impingir ao mundo seriedade e respeitabilidade, quando são apenas títeres do governo americano. Não há dignidade naquilo que é monstruoso. Não havia em Saddam, como não há em seus sucedâneos políticos.
terça-feira, 9 de janeiro de 2007
Cuidando dos negócios do meu Pai
O Globo on line informa que o auto-intitulado apóstolo Estevan Hernandes e sua mulher, que se diz bispa, Sônia Hadad Moraes Hernandes, foram capturados pelo FBI quando tentavam desembarcar no aeroporto de Miami com 56 mil dólares. Haviam declarado apenas 15 mil.
Ambos dirigem um grande empório religioso, de nome Igreja Renascer em Cristo, que tem como grande fonte de renda dinheiro doado por segidores da seita. São acusados de falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e estelionato.
Esses cultos evangélicos que proliferam no Brasil, baseados em grandes ações de marketing que tem na mídia televisiva seu veículo preferencial, tornou-se um fenômeno empresarial de grande sucesso. E está levando à roda da fortuna pessoas que têm facilidade de se expressar, demonstram um relativo conhecimento da Bíblia e não se importam em se anunciar como agenciadores de milagres.
A exploração da boa-fé de milhares de pessoas simples, pessoas que vivem acossadas por problemas que vão do desemprego a doenças, desavença de casais a falência de pequenos negócios, tem gerado o surgimento e sustentação dessas Igrejas.
Num mundo onde o homem perdeu a fé em seu semelhante e se sente explorado, a necessidade de receber um auxílio do Alto o transforma em presa fácil desses comerciantes da crença. A religião tornou-se um negócio de milhões de dólares.
E, ao que parece, esses pastores e pastoras estão levando muito ao pé-da-letra aquela pessagem bíblica em que Jesus, após haver se perdido dos pais, que o procuravam quase em desespero, é encontrado no templo discutindo com os doutores da lei. Quando a mãe o interroga por que havia desaparecido, ele responde: "Estava cuidando dos negócios do meu Pai."
Ambos dirigem um grande empório religioso, de nome Igreja Renascer em Cristo, que tem como grande fonte de renda dinheiro doado por segidores da seita. São acusados de falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e estelionato.
Esses cultos evangélicos que proliferam no Brasil, baseados em grandes ações de marketing que tem na mídia televisiva seu veículo preferencial, tornou-se um fenômeno empresarial de grande sucesso. E está levando à roda da fortuna pessoas que têm facilidade de se expressar, demonstram um relativo conhecimento da Bíblia e não se importam em se anunciar como agenciadores de milagres.
A exploração da boa-fé de milhares de pessoas simples, pessoas que vivem acossadas por problemas que vão do desemprego a doenças, desavença de casais a falência de pequenos negócios, tem gerado o surgimento e sustentação dessas Igrejas.
Num mundo onde o homem perdeu a fé em seu semelhante e se sente explorado, a necessidade de receber um auxílio do Alto o transforma em presa fácil desses comerciantes da crença. A religião tornou-se um negócio de milhões de dólares.
E, ao que parece, esses pastores e pastoras estão levando muito ao pé-da-letra aquela pessagem bíblica em que Jesus, após haver se perdido dos pais, que o procuravam quase em desespero, é encontrado no templo discutindo com os doutores da lei. Quando a mãe o interroga por que havia desaparecido, ele responde: "Estava cuidando dos negócios do meu Pai."
segunda-feira, 8 de janeiro de 2007
A sofisticação da babárie: desejo de matar
George W. Bush está sentindo desejo de matar. É o que noticiam os jornais. Igual a Charles Bronson em sua série de filmes, quando um personagem obcecado munia-se de armas de grosso calibre, munição especial e alto poder mortífero, e assim abastecido eliminava inimigos, o estranho indivíduo acha que as armas atômicas do seu país estão obsoletas e quer mais: quer reunir dois projetos de uma poderosa arma nuclear em um só e produzir um ciclópico artefato cujo custo está orçado em mais de cem bilhões de dólares.
Ao mesmo tempo, quer impedir que seus assemelhados coreanos reforcem o arsenal nuclear: eles não merecem confiança e assim não podem deter o controle sobre matrial de tão alta periculosidade. Somente os americanos, claro, devem ter bombas, pois são dotados de sapiência e serenidade suficientes para saber quando devem usá-las. Tanto, que esperaram muito, tiveram uma paciêicia imensa, até atirar as bombas "Little Joe", sobre Hiroxima, e "Fat Man", em Nagasáqui. A alegação foi a seguinte: uma espécie de uso humanitário, para impedir que a guerra continuasse e houvesse mais mortes. É a lógica do exterminador.
Bush está argumentando com o congresso dos Estados Unidos para que a fabulosa verba seja destinava à fabricação da bomba. A violência está crescendo em função de homens como Bush. E a insanidade se torna padrão para a caótica ordem estabelecida. A barbárie está bastante sofisticada e o desejo de matar cresce e cada instante. Na África, crianças estendem a mão, pedindo um prato de comida.
Ao mesmo tempo, quer impedir que seus assemelhados coreanos reforcem o arsenal nuclear: eles não merecem confiança e assim não podem deter o controle sobre matrial de tão alta periculosidade. Somente os americanos, claro, devem ter bombas, pois são dotados de sapiência e serenidade suficientes para saber quando devem usá-las. Tanto, que esperaram muito, tiveram uma paciêicia imensa, até atirar as bombas "Little Joe", sobre Hiroxima, e "Fat Man", em Nagasáqui. A alegação foi a seguinte: uma espécie de uso humanitário, para impedir que a guerra continuasse e houvesse mais mortes. É a lógica do exterminador.
Bush está argumentando com o congresso dos Estados Unidos para que a fabulosa verba seja destinava à fabricação da bomba. A violência está crescendo em função de homens como Bush. E a insanidade se torna padrão para a caótica ordem estabelecida. A barbárie está bastante sofisticada e o desejo de matar cresce e cada instante. Na África, crianças estendem a mão, pedindo um prato de comida.
domingo, 7 de janeiro de 2007
Um pouco de Drummond
Hoje,vamos ler um pouco do pensamento de Carlos Drummond de Andrade. Depois, vale a pena se perguntar: como é que o Brasil consegue existir?
Inocentes do Leblon
Os inocentes do Leblon não viram o navio entrar.
Trouxe bailarinas?
trouxe imigrantes?
trouxe um grama de rádio?
Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,
mas a areia é quente, e há um óleo suave
que eles passam nas costas, e esquecem.
Inocentes do Leblon
Os inocentes do Leblon não viram o navio entrar.
Trouxe bailarinas?
trouxe imigrantes?
trouxe um grama de rádio?
Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,
mas a areia é quente, e há um óleo suave
que eles passam nas costas, e esquecem.
sábado, 6 de janeiro de 2007
Por que se assiste ao Big Brother Brasil?
A Folha de S. Paulo on line está fazendo uma enquete em que busca aferir os motivos pelos quais as pessoas vêem o BBB. Diz a Folha:
Desde 2002, o verão da Globo aposta na exposição da intimidade e de conflitos entre anônimos com o "Big Brother Brasil". Na sua opinião, qual a principal explicação para o interesse do público por esse tipo de atração?
Voyeurismo: a Globo explora cenas dos participantes em trajes mínimos e em situações de apelo erótico.
---
Preguiça: besteirol e conteúdo vazio dos participantes não exigem muito esforço mental do telespectador.
---
Identificação: o telespectador acompanha se o seu participante preferido será punido ou recompensado.
---
Força do hábito: há quem nunca mude de canal e tenha a TV sempre ligada na Globo, passivamente.
---
Falta de opção: a programação da TV aberta é de péssima qualidade. Não há opção melhor no horário.
---
Por acidente: Espectador aguarda fim do "BBB" para ver minissérie -- JK (2006) e Amazônia (2007).
---
Gosto pelo grotesco: programa incentiva situações constrangedoras, ridicularizantes e preconceituosa.
O internauta escolhe uma das opções e vota. É claro que isso não é uma pesquisa, nem tem qualquer valor do ponto de vista estatístico. Faz parte do conteúdo diversional da Folha on line.
Quanto ao questionário, creio que todas as respostas são válidas.O BBB é um produto da Globo com o objetivo de arrecadar aportes financeiros, manter sua imagem de emissora que "oferece ao público o que o público quer", mesmo que a grosseria e a vulgaridades ofertadas venham embaladas em finíssima embalagem visual.
Com o BBB a emissora cria um falso acontecimento, estabelece situações humanas televisadas e aparentemente espontâneas. Não são espontâneas. Tudo ali segue regras, para parecer o mais "normal" possível, como uma discussão entre participantes.
Entretanto, se essa discussão se transformar mesmo num conflito - como já ocorreu certa vez - há uma imediata interferência dos dirigentes do programa. Ou seja: até a grosseria é falsificada. Se a baixaria se expuser às claras, certamente vai ferir as pessoas na intimidade de suas casas e haveria reação daquilo que se chama de opinião pública.
Já imaginou se alguma mulher ou um marmanjo de repente aparecesse em nu frontal, caminhando tranqüilamente frente às câmeras? Creio que isso jamais acontecerá. E não acontecerá, porque ali existe uma realidade sob controle, uma simulação comportamental, para atrair audiência.
E,nas ruas, tolos irão ser "entrevistados" sobre o BBB e quanto ao que deve fazer personagem A ou B em determinada situação de confronto. Sinceramente, acho mais honesto aqueles pastores midiátidos pedindo dinheiro aos fiéis. É às claras e os caras pedem mesmo, sem qualquer cerimônia.
Desde 2002, o verão da Globo aposta na exposição da intimidade e de conflitos entre anônimos com o "Big Brother Brasil". Na sua opinião, qual a principal explicação para o interesse do público por esse tipo de atração?
Voyeurismo: a Globo explora cenas dos participantes em trajes mínimos e em situações de apelo erótico.
---
Preguiça: besteirol e conteúdo vazio dos participantes não exigem muito esforço mental do telespectador.
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Identificação: o telespectador acompanha se o seu participante preferido será punido ou recompensado.
---
Força do hábito: há quem nunca mude de canal e tenha a TV sempre ligada na Globo, passivamente.
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Falta de opção: a programação da TV aberta é de péssima qualidade. Não há opção melhor no horário.
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Por acidente: Espectador aguarda fim do "BBB" para ver minissérie -- JK (2006) e Amazônia (2007).
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Gosto pelo grotesco: programa incentiva situações constrangedoras, ridicularizantes e preconceituosa.
O internauta escolhe uma das opções e vota. É claro que isso não é uma pesquisa, nem tem qualquer valor do ponto de vista estatístico. Faz parte do conteúdo diversional da Folha on line.
Quanto ao questionário, creio que todas as respostas são válidas.O BBB é um produto da Globo com o objetivo de arrecadar aportes financeiros, manter sua imagem de emissora que "oferece ao público o que o público quer", mesmo que a grosseria e a vulgaridades ofertadas venham embaladas em finíssima embalagem visual.
Com o BBB a emissora cria um falso acontecimento, estabelece situações humanas televisadas e aparentemente espontâneas. Não são espontâneas. Tudo ali segue regras, para parecer o mais "normal" possível, como uma discussão entre participantes.
Entretanto, se essa discussão se transformar mesmo num conflito - como já ocorreu certa vez - há uma imediata interferência dos dirigentes do programa. Ou seja: até a grosseria é falsificada. Se a baixaria se expuser às claras, certamente vai ferir as pessoas na intimidade de suas casas e haveria reação daquilo que se chama de opinião pública.
Já imaginou se alguma mulher ou um marmanjo de repente aparecesse em nu frontal, caminhando tranqüilamente frente às câmeras? Creio que isso jamais acontecerá. E não acontecerá, porque ali existe uma realidade sob controle, uma simulação comportamental, para atrair audiência.
E,nas ruas, tolos irão ser "entrevistados" sobre o BBB e quanto ao que deve fazer personagem A ou B em determinada situação de confronto. Sinceramente, acho mais honesto aqueles pastores midiátidos pedindo dinheiro aos fiéis. É às claras e os caras pedem mesmo, sem qualquer cerimônia.
sexta-feira, 5 de janeiro de 2007
Crônicas para Natal
Feira do Alecrim
Alecrim, plantinha do mato, curadeira e boa.
Alecrim, bairro velho de Natal.
A feira do Alecrim é uma área
especializada em tudo,
tudo o que for para se vender, comprar, comer.
Tradicional, movimentada feira.
Seus tipos humanos, seu comércio,
universo nordestino de coisas que brotam do chão.
Na feira, ninguém precisa ser muito.
Basta ser comprador
ou estar vendendo alguma coisa.
É esse o traço de união
que junta as pessoas
e faz da feira um pequeno país,
onde o dinheiro é pobre e corre solto.
Pregões ao meio dia.
E, nas manhãs de sábado,
o feirante se faz rei e todos o obedecem.
Porque todos têm que comprar.
Alecrim, plantinha do mato, curadeira e boa.
Alecrim, bairro velho de Natal.
A feira do Alecrim é uma área
especializada em tudo,
tudo o que for para se vender, comprar, comer.
Tradicional, movimentada feira.
Seus tipos humanos, seu comércio,
universo nordestino de coisas que brotam do chão.
Na feira, ninguém precisa ser muito.
Basta ser comprador
ou estar vendendo alguma coisa.
É esse o traço de união
que junta as pessoas
e faz da feira um pequeno país,
onde o dinheiro é pobre e corre solto.
Pregões ao meio dia.
E, nas manhãs de sábado,
o feirante se faz rei e todos o obedecem.
Porque todos têm que comprar.
quinta-feira, 4 de janeiro de 2007
Ação contra o crime organizado
Ao que parece, as autoridades do Rio e de Brasília estão começando a tomar atitudes que resultarão em ações efetivas contra o crime organizado, pelo menos no que diz respeito à parte operacional, aquele que fica sob a responsabilidade dos dos bandidos, nas ruas. Com o patrulhamento das estradas que dão acesso ao Rio, as autoridades esperam controlar o tráfico de armas e de drogas.
Os serviços de inteligência deveriam, paralelamente, invadir o outro lado do banditismo, o lado clean, charmoso e rico, dos grandes traficantes, daqueles que ficam em suas coberturas e de lá têm articulações com o crime, ou melhor, com ele estão efetivamente envolvidos. É preciso também desarticular as ligações dos criminosos com a polícia e demais setores do Poder, conexos ao tráfico.
É necessário uma legislação mais dura, pois as ações de barbaridade cometidas recentemente no Rio, e já há algum tempo em São Paulo, são um demonstrativo exato de que as quadrilhas não temem a polícia e desafiam a sociedade. A barbárie é um discurso, uma ação comportamental que transmite uma mensagem: "Nós temos força e vamos usá-la."
O trabalho de domínio dos bandidos é longo, penoso e exige tenacidade e decisão de vencer. Exige, portanto, uma política de segurança nacional e integrada, com desdobramentos ao longo do tempo e adaptação às situações que venham a se postar. O crime é algo inserido na História e assim é mutável, adaptado seu modus operandi às circunstâncias nas quais esteja imerso. A repressão mudou? Muda-se também a forma de enfrentá-la.
Se os bandidos, acossados pela polícia, resolverem, por exemplo, voltar seus olhos para o Nordeste, ou para o Sul, haveria que tipo de reação das forças que o combatem? Reação pronta? Há planos para situações desse tipo?
Esperemos que, de início haja a vitória da legalidade. Depois, é esperar para ver se entrará realmente em ação uma política nacional de segurança pública, de caráter permanente e implacável contra o crime organizado.
Os serviços de inteligência deveriam, paralelamente, invadir o outro lado do banditismo, o lado clean, charmoso e rico, dos grandes traficantes, daqueles que ficam em suas coberturas e de lá têm articulações com o crime, ou melhor, com ele estão efetivamente envolvidos. É preciso também desarticular as ligações dos criminosos com a polícia e demais setores do Poder, conexos ao tráfico.
É necessário uma legislação mais dura, pois as ações de barbaridade cometidas recentemente no Rio, e já há algum tempo em São Paulo, são um demonstrativo exato de que as quadrilhas não temem a polícia e desafiam a sociedade. A barbárie é um discurso, uma ação comportamental que transmite uma mensagem: "Nós temos força e vamos usá-la."
O trabalho de domínio dos bandidos é longo, penoso e exige tenacidade e decisão de vencer. Exige, portanto, uma política de segurança nacional e integrada, com desdobramentos ao longo do tempo e adaptação às situações que venham a se postar. O crime é algo inserido na História e assim é mutável, adaptado seu modus operandi às circunstâncias nas quais esteja imerso. A repressão mudou? Muda-se também a forma de enfrentá-la.
Se os bandidos, acossados pela polícia, resolverem, por exemplo, voltar seus olhos para o Nordeste, ou para o Sul, haveria que tipo de reação das forças que o combatem? Reação pronta? Há planos para situações desse tipo?
Esperemos que, de início haja a vitória da legalidade. Depois, é esperar para ver se entrará realmente em ação uma política nacional de segurança pública, de caráter permanente e implacável contra o crime organizado.
quarta-feira, 3 de janeiro de 2007
Chineses vão tomar emprego de brasileiros
Em Coisas da Política, Mauro Santayana analisa a vinda de operários chineses para trabalhar na construção de uma usina a ser construída pela Companhia Siderúrgica do Atlântico, uma joint-venture da Thissen com a Vale do Rio Doce. A obra será em Itaguaí, Rio.
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro-Firjan, justifica a contratação dessa mão-de-obra como uma simples terceirização, já muito comum no Brasil e, acima de tudo, diz: os empresários têm o direito de reduzir os custos do trabalho. Até que têm, só que, com isso, estão espulsando trabalhadores brasileiros, em favor de interesses mesquinhos do empresariado internacional e fluminense. Ralvez fosse a hoje de o governo federal intervir, de alguma maneira.
A tendência é mundial, ou seja: universaliza-se a precarização do trabalho, sob alegação de modernidade e globalização, enquanto o dado humano da questão, o dado trabalhador, é colocado em segundo plano. O trabalhador terceirizado, que é literalmente importado como peça de uma engrenagem de exploração e lucro, é somente isso: peça de engrenagem mais barata, um item que entra como insumo e pode ser descartado. Só isso.
Não é mão-de-obra qualificada, é gente simples, que fará trabalho pesado e pago a preço abaixo daquele que seria cobrado em caso de mobilização de trabalhador local.
Essa é uma, mais uma das manifestações perversas da globalização, que partilha com grande equanimidade sofrimentos, humilhações, desemprego, subemprego, demissões e toda espécie de exclusão em favor do capital, do lucro a qualquer custo - desde que o custo seja pago pelo trabalhador.
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro-Firjan, justifica a contratação dessa mão-de-obra como uma simples terceirização, já muito comum no Brasil e, acima de tudo, diz: os empresários têm o direito de reduzir os custos do trabalho. Até que têm, só que, com isso, estão espulsando trabalhadores brasileiros, em favor de interesses mesquinhos do empresariado internacional e fluminense. Ralvez fosse a hoje de o governo federal intervir, de alguma maneira.
A tendência é mundial, ou seja: universaliza-se a precarização do trabalho, sob alegação de modernidade e globalização, enquanto o dado humano da questão, o dado trabalhador, é colocado em segundo plano. O trabalhador terceirizado, que é literalmente importado como peça de uma engrenagem de exploração e lucro, é somente isso: peça de engrenagem mais barata, um item que entra como insumo e pode ser descartado. Só isso.
Não é mão-de-obra qualificada, é gente simples, que fará trabalho pesado e pago a preço abaixo daquele que seria cobrado em caso de mobilização de trabalhador local.
Essa é uma, mais uma das manifestações perversas da globalização, que partilha com grande equanimidade sofrimentos, humilhações, desemprego, subemprego, demissões e toda espécie de exclusão em favor do capital, do lucro a qualquer custo - desde que o custo seja pago pelo trabalhador.
terça-feira, 2 de janeiro de 2007
Borboletas precisam voar
O discurso de posse do presidente Lula, em que aproveitou trechos da fábula "A lição da borboleta", não foi nenhuma peça oratória, escapava a qualquer aproximação com a força retórica, não teve qualquer eloqüência ou vigor estilístico. Foi um texto chão, quase que se poderia dizer um texto tosco, frente à relevância do momento.
A única coisa a ser destacada foi a citação à fábula da borboleta. De autoria desconhecida, a fábula foi adaptada pela socióloga Mary Lourdes Machado Barbosa para homenagear o então governador de São Paulo, Mário Covas, que estivera internado no mesmo hospital que o marido dela, num apartamento ao lado. No corredor fizeram amizade, o governador solidarizou-se com Adilson Alves Barbosa, o marido de Mary e ela enviou ao governador o relato sobre a borboleta, incentivando-o a lutar pela vida. À época,a revista Istoé registrou.
O uso da fábula no discurso, escrito pelo ministro Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência, foi algo matreiro, não só por aproveitar-se de um texto que sem dúvida alguma cala fundo no senso comum, como sobretudo pela fina sensibilidade, que teve o ministro, antecipando a repercussão na imprensa.
À época, o governador Mário Covas leu o texto às lágrimas, durante entrevista coletiva, quando lutava contra o câncer e falava a respeito de como se sentia. Mas, convenhamos, o Brasil precisa mesmo dessas lições simples, os políticos brasileiros precisam mesmo aprender com as borboletas. Ou teremos sempre um povo rastejando, enquanto deputados e senadores recheiam suas contas bancárias às custas do sofrimento geral da nação.
Abaixo, o texto d'A lição da borboleta:
"Um dia, uma pequena abertura apareceu num casulo; um homem sentou e observou a borboleta por várias horas, conforme ela se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco.Então pareceu que ela havia parado de fazer qualquer progresso.Parecia que ela tinha ido o mais longe que podia, e não conseguia ir mais.
Então o homem decidiu ajudar a borboleta: ele pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo. A borboleta então saiu facilmente.Mas seu corpo estava murcho, era pequeno e tinha as asas amassadas.O homem continuou a observá-la, porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e esticassem para serem capazes de suportar o corpo que iria se afirmar a tempo.Nada aconteceu!
Na verdade, a borboleta passou o resto de sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de voar. O que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia, era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura era o modo pelo qual Deus fazia com que o fluido do corpo da borboleta fosse para as suas asas, de forma que ela estaria pronta para voar uma vez que estivesse livre do casulo.
Algumas vezes, o esforço é justamente o que precisamos em nossa vida.Se Deus nos permitisse passar através de nossas vidas sem quaisquer obstáculos, ele nos deixaria aleijados. Nós não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido. Nós nunca poderíamos voar.
Eu pedi forças...e Deus
deu-me dificuldades para fazer-me forte.
Eu pedi sabedoria...
e Deus deu-me
problemas para resolver.
Eu pedi prosperidade...
e Deus deu-me cérebro e músculos para trabalhar.
Eu pedi coragem...
e Deus deu-me obstáculos para superar.
Eu pedi amor...e Deus deu-me
pessoas com problemas para ajudar.
Eu pedi favores...e Deus deu-me oportunidades.
Eu não recebi nada do que pedi...
Mas eu recebi tudo de que precisava."
A única coisa a ser destacada foi a citação à fábula da borboleta. De autoria desconhecida, a fábula foi adaptada pela socióloga Mary Lourdes Machado Barbosa para homenagear o então governador de São Paulo, Mário Covas, que estivera internado no mesmo hospital que o marido dela, num apartamento ao lado. No corredor fizeram amizade, o governador solidarizou-se com Adilson Alves Barbosa, o marido de Mary e ela enviou ao governador o relato sobre a borboleta, incentivando-o a lutar pela vida. À época,a revista Istoé registrou.
O uso da fábula no discurso, escrito pelo ministro Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência, foi algo matreiro, não só por aproveitar-se de um texto que sem dúvida alguma cala fundo no senso comum, como sobretudo pela fina sensibilidade, que teve o ministro, antecipando a repercussão na imprensa.
À época, o governador Mário Covas leu o texto às lágrimas, durante entrevista coletiva, quando lutava contra o câncer e falava a respeito de como se sentia. Mas, convenhamos, o Brasil precisa mesmo dessas lições simples, os políticos brasileiros precisam mesmo aprender com as borboletas. Ou teremos sempre um povo rastejando, enquanto deputados e senadores recheiam suas contas bancárias às custas do sofrimento geral da nação.
Abaixo, o texto d'A lição da borboleta:
"Um dia, uma pequena abertura apareceu num casulo; um homem sentou e observou a borboleta por várias horas, conforme ela se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco.Então pareceu que ela havia parado de fazer qualquer progresso.Parecia que ela tinha ido o mais longe que podia, e não conseguia ir mais.
Então o homem decidiu ajudar a borboleta: ele pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo. A borboleta então saiu facilmente.Mas seu corpo estava murcho, era pequeno e tinha as asas amassadas.O homem continuou a observá-la, porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e esticassem para serem capazes de suportar o corpo que iria se afirmar a tempo.Nada aconteceu!
Na verdade, a borboleta passou o resto de sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de voar. O que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia, era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura era o modo pelo qual Deus fazia com que o fluido do corpo da borboleta fosse para as suas asas, de forma que ela estaria pronta para voar uma vez que estivesse livre do casulo.
Algumas vezes, o esforço é justamente o que precisamos em nossa vida.Se Deus nos permitisse passar através de nossas vidas sem quaisquer obstáculos, ele nos deixaria aleijados. Nós não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido. Nós nunca poderíamos voar.
Eu pedi forças...e Deus
deu-me dificuldades para fazer-me forte.
Eu pedi sabedoria...
e Deus deu-me
problemas para resolver.
Eu pedi prosperidade...
e Deus deu-me cérebro e músculos para trabalhar.
Eu pedi coragem...
e Deus deu-me obstáculos para superar.
Eu pedi amor...e Deus deu-me
pessoas com problemas para ajudar.
Eu pedi favores...e Deus deu-me oportunidades.
Eu não recebi nada do que pedi...
Mas eu recebi tudo de que precisava."
sábado, 30 de dezembro de 2006
Morreu aquele que muito matou
À uma hora de Brasília,foi enforcado Saddam Hussein.
Mas isso não livra o mundo do mal,
pois o mal, como o vento, circula à solta.
O mal é um vento frio,
que atinge a alma e nos põe cabisbaixos.
Outros saddams existem.
E estão habitando o mundo
e as vidas de milhões de pessoas.
E isso faz do mundo um grande cortejo de vazios,
um préstito de medos solitários,
uma procissão de desvalidos coxeando.
Somos todos sombras caminhantes.
Por uma questão de bom senso - e de respeito a você - não sei se devo enganar a quem me lê, desejando um feliz ano novo. Desejo-lhe, sim, paz interior. Essa, você pode procurar.
Emanoel Barreto
PS: Voltarei a atualizar o blog dia 2 de janeiro
=========
O texto a seguir foi enviado pela cronista Zilda Neves. Vale publicar, já que os ecos do natal ainda ressoam em nossa vida.
O PRESENTE
24 de dezembro. Vinte reais. Era toda sua economia de um ano. Como presentear Roberto, no dia de Natal. Lágrimas rolam pelo rosto desconsolado de Silvia. Dona de casa exemplar, após todos os gastos mensais, guardava as moedas que poupava, num pequeno cofre.
Roberto, seu marido, merecia um presente digno, algo que marcasse sua vida. Tinham poucos bens móveis; alguns, guardados como relíquias.
Certamente, o marido admirava seus cabelos: longos, sedosos, naturais; ela, por sua vez, se orgulhava do relógio que ele conservava como lembrança de seu avô paterno.
Silvia enxugou as lágrimas colocou uma blusa já surrada, e altiva, levantou-se da cadeira, indo para a rua. As vitrines enfeitadas, coloridas, davam-lhe coragem.
Parou em frente a uma loja onde uma placa anunciava: “COIFFEUR”: tudo para seu cabelo. Entre e confira!
Ela entrou certa do que queria: vender seu cabelo.
- Eu compro, disse o cabeleireiro. Deixe-me vê-los soltos. Rapidamente as travessas foram retiradas, e uma linda cascata castanha, rolou pelos ombros da cliente. Oitenta reais é o que valem, questionou o dono do salão!
- São seus, disse Silvia.
As horas passavam rapidamente. Algumas lojas foram vasculhadas e finalmente encontrou o que procurava com os cem reais conseguidos: uma corrente de prata, para relógio. O relógio de Roberto!
Em casa, feliz com a compra, só então ela se deu conta do seu visual. Olhou-se no espelho e novamente lágrimas rolaram em sua face. O que iria dizer ao marido?
23 horas... A porta se abriu. Roberto, cansado, imóvel olha para a mulher. Um olhar sem expressão. Silvia corre para ele e diz:
- Não me censure. Por favor! Vendi-o, mas crescerá novamente. Sou a mesma pessoa que você ama! Veja que lindo presente tenho para você.
Roberto, perplexo, finalmente parece acordar. Abraçando-a, entrega-lhe um pequeno embrulho. Silvia, nervosamente abre-o e surpresa vê as “Travessas de madrepérola” , que tanto sonhara para prender seus cabelos...
Rapidamente, ela pede o relógio ao marido dizendo:
- Veja como vai ficar bonito, entregando-lhe a corrente.
Roberto cabisbaixo, responde:
- Não tenho mais relógio. Vendi-o para comprar seu presente.
A emoção toma conta do casal.
Abraçados choram, riem, gritando: “Feliz Natal”!
Mas isso não livra o mundo do mal,
pois o mal, como o vento, circula à solta.
O mal é um vento frio,
que atinge a alma e nos põe cabisbaixos.
Outros saddams existem.
E estão habitando o mundo
e as vidas de milhões de pessoas.
E isso faz do mundo um grande cortejo de vazios,
um préstito de medos solitários,
uma procissão de desvalidos coxeando.
Somos todos sombras caminhantes.
Por uma questão de bom senso - e de respeito a você - não sei se devo enganar a quem me lê, desejando um feliz ano novo. Desejo-lhe, sim, paz interior. Essa, você pode procurar.
Emanoel Barreto
PS: Voltarei a atualizar o blog dia 2 de janeiro
=========
O texto a seguir foi enviado pela cronista Zilda Neves. Vale publicar, já que os ecos do natal ainda ressoam em nossa vida.
O PRESENTE
24 de dezembro. Vinte reais. Era toda sua economia de um ano. Como presentear Roberto, no dia de Natal. Lágrimas rolam pelo rosto desconsolado de Silvia. Dona de casa exemplar, após todos os gastos mensais, guardava as moedas que poupava, num pequeno cofre.
Roberto, seu marido, merecia um presente digno, algo que marcasse sua vida. Tinham poucos bens móveis; alguns, guardados como relíquias.
Certamente, o marido admirava seus cabelos: longos, sedosos, naturais; ela, por sua vez, se orgulhava do relógio que ele conservava como lembrança de seu avô paterno.
Silvia enxugou as lágrimas colocou uma blusa já surrada, e altiva, levantou-se da cadeira, indo para a rua. As vitrines enfeitadas, coloridas, davam-lhe coragem.
Parou em frente a uma loja onde uma placa anunciava: “COIFFEUR”: tudo para seu cabelo. Entre e confira!
Ela entrou certa do que queria: vender seu cabelo.
- Eu compro, disse o cabeleireiro. Deixe-me vê-los soltos. Rapidamente as travessas foram retiradas, e uma linda cascata castanha, rolou pelos ombros da cliente. Oitenta reais é o que valem, questionou o dono do salão!
- São seus, disse Silvia.
As horas passavam rapidamente. Algumas lojas foram vasculhadas e finalmente encontrou o que procurava com os cem reais conseguidos: uma corrente de prata, para relógio. O relógio de Roberto!
Em casa, feliz com a compra, só então ela se deu conta do seu visual. Olhou-se no espelho e novamente lágrimas rolaram em sua face. O que iria dizer ao marido?
23 horas... A porta se abriu. Roberto, cansado, imóvel olha para a mulher. Um olhar sem expressão. Silvia corre para ele e diz:
- Não me censure. Por favor! Vendi-o, mas crescerá novamente. Sou a mesma pessoa que você ama! Veja que lindo presente tenho para você.
Roberto, perplexo, finalmente parece acordar. Abraçando-a, entrega-lhe um pequeno embrulho. Silvia, nervosamente abre-o e surpresa vê as “Travessas de madrepérola” , que tanto sonhara para prender seus cabelos...
Rapidamente, ela pede o relógio ao marido dizendo:
- Veja como vai ficar bonito, entregando-lhe a corrente.
Roberto cabisbaixo, responde:
- Não tenho mais relógio. Vendi-o para comprar seu presente.
A emoção toma conta do casal.
Abraçados choram, riem, gritando: “Feliz Natal”!
sexta-feira, 29 de dezembro de 2006
A cidadania refém. O medo seqüestra o Rio
Depois de o terror ter invadido as ruas de São Paulo, o Rio de Janeiro agora é a nova praça de guerra. As autoridades, como sempre, fazem reações pontuais, atacam favelas e depois se retiram. Os bandidos, na verdade, são o lado proativo do conflito.
Ele tomam a iniciativa, eles fazem os ataques, eles agem a qualquer hora, eles matam pessoas indefesas com a utilização de meios cruéis, eles depois escapam.
Não há, da parte do Estado, uma ação permanente e profunda de desarticulação das quadrilhas e captura e punição de seus membros. Sei que estamos lidando com o crime organizado, conseqüentemente, estamos enfrentando um sistema, cujas ramificações estão infiltradas na polícia e em outros segmentos do Poder formal. Mas sei também que a sociedade, pelos seus representantes legais, também é um sistema e com total respaldo jurídico para ações preventivas e repressivas.
Não havendo essas ações, agora que a hidra já começa a mostrar as suas cabeças, em futuro muito próximo será literalmente impossível seu enfrentamento. Especialmente porque, nos segmentos sociais onde grassam a miséria e a pobreza insolóveis, estão os solos férteis para o surgimento de quadrilhas.
A ação precisa ser social, para reverter um quadro perverso de divisão de renda, mas respaldada por um ataque contínuo e implacável aos criminosos. Não se pode admitir a cidadania oprimida por criminosos, assim como não se pôde admitir a cidadania oprimida pela ditadura que infelicitou o País durante tantos anos.
Ele tomam a iniciativa, eles fazem os ataques, eles agem a qualquer hora, eles matam pessoas indefesas com a utilização de meios cruéis, eles depois escapam.
Não há, da parte do Estado, uma ação permanente e profunda de desarticulação das quadrilhas e captura e punição de seus membros. Sei que estamos lidando com o crime organizado, conseqüentemente, estamos enfrentando um sistema, cujas ramificações estão infiltradas na polícia e em outros segmentos do Poder formal. Mas sei também que a sociedade, pelos seus representantes legais, também é um sistema e com total respaldo jurídico para ações preventivas e repressivas.
Não havendo essas ações, agora que a hidra já começa a mostrar as suas cabeças, em futuro muito próximo será literalmente impossível seu enfrentamento. Especialmente porque, nos segmentos sociais onde grassam a miséria e a pobreza insolóveis, estão os solos férteis para o surgimento de quadrilhas.
A ação precisa ser social, para reverter um quadro perverso de divisão de renda, mas respaldada por um ataque contínuo e implacável aos criminosos. Não se pode admitir a cidadania oprimida por criminosos, assim como não se pôde admitir a cidadania oprimida pela ditadura que infelicitou o País durante tantos anos.
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